Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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13 de maio de 2020

O PROBLEMA DA IDOLATRIA POLÍTICA


Blog de Luciano Siqueira: O necessário confronto das ideias
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Acredito que um dos grandes problemas que vivenciamos como cristãos neste país, acontece quando as ideologias se tornam o fundamento e o solo das convicções de pessoas que se dizem cristãs!

Quando quaisquer ideologias ou governantes são absolutizados, eles se tornam deuses. E este é o problema de muitos pastores, líderes e cristãos dos nossos dias, eles tem feito de suas preferências políticas, suas idolatrias pessoais e colocam essas ideologias e seus políticos de sua preferência acima do amor que tem para com o seu Senhor Jesus, com o seu Evangelho, com sua Palavra e com os ensinamentos da mesma. Estamos neste mundo não para abraçarmos ideologias humanas, pois temos um firme fundamento no Evangelho e na Palavra de Deus!

Uma Cosmovisão Bíblica tem respostas para todos os problemas do ser humano. E, tudo o que as ideologias oferecem de aparentemente bom, a fé cristã apresenta de uma maneira melhor, pois ela ensina a exercer o bem para com todos de maneira que revela o amor de Deus e transforma o homem de dentro para fora, mudando também a sociedade e o mundo ao seu redor. É claro que, muitos cristãos falharam inúmeras vezes, mas isso só ressalta a Graça do Evangelho, mostrando que a solução para o nossos maiores problemas não vem dos homens, mas do nosso Grande Deus e Salvador, Jesus Cristo!”


Rosther Guimarães Lopes

Texto Evangelho em Foco
 
 

17 de abril de 2020

A Responsabilidade do Crente Perante a Verdade



 
William MacDonald


Qual é a aplicação dos princípios que devem reger a igreja, tal como são ensinados no Novo Testamento, no século atual?

Para podermos responder a esta pergunta, primeiramente é necessário darmos uma breve olhada para o estado da igreja professa nos nossos dias. Por todos os lados constatamos apostasia, falha e ruína. Existem vastas organizações eclesiásticas reunindo riquezas materiais e influência política, mas destituídas de poder espiritual. Encontramos o denominacionalismo e o sectarismo reivindicando a lealdade e o apoio de seus adeptos; contudo, apresentando um aspecto infiel e pervertido da igreja. Encontramos reuniões na igreja se ocupando com uma liturgia sem vida e um ritualismo que atrofia a alma, oferecendo ao povo sombras no lugar de Cristo. Encontramos um sistema clerical que reduziu o homem comum a um sacerdote estúpido, senão uma mera máquina de distribuição de moedas. Encontramos igrejas com listas de membros que incluem tanto salvos quanto não salvos, tanto verdadeiros crentes quanto aqueles que não têm uma união vital com o Salvador vivo. Por fim, encontramos igrejas que foram corrompidas pelo fermento do modernismo, que substituíram a mensagem da graça redentora por um evangelho social.

Se for perguntado o que deve fazer um cristão que se encontra em tal situação, só pode haver uma resposta: separe-se disso! Avance em direção a ele sem o bando! A Palavra de Deus é impiedosamente inflexível em sua insistência de que os crentes devem se separar de toda espécie de mal – seja eclesiástico, doutrinário ou moral.

“Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: ‘Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo’. Portanto, ‘saiam do meio deles e separem-se’, diz o Senhor. ‘Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei e serei o seu Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas’, diz o Senhor todo-poderoso.” (2Coríntios 6.14-18)

É inútil argumentar que um cristão deve permanecer dentro de uma igreja corrupta para ser uma voz de Deus ali. “Não há um único herói ou santo, daqueles cujos nomes brilham como astros nas páginas inspiradas, que mudou a sua época de dentro; todos, sem exceção, levantaram o grito: ‘avancemos em direção a ele sem o bando!’ [...] O homem que vai ao mundo procurando elevá-lo logo se descobrirá diminuindo [...] A posição mais segura e forte é fora do bando. Arquimedes disse que poderia mover o mundo se ao menos tivesse um ponto de apoio fora dele. Do mesmo modo, um punhado de servos de Deus pode influenciar o seu tempo se eles se parecessem com Elias, cuja vida foi completamente gasta fora da grandeza da corte e do domínio do mundo nos seus dias”.[1]
Se for perguntado o que deve fazer um cristão que se encontra em tal situação, só pode haver uma resposta: separe-se disso!
Para todos os que defendem a continuação em uma posição na igreja da qual sabem estar errada, Samuel fornece uma resposta poderosa e aguçada: “A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros”.[2]

Mas a pergunta permanece: o que a pessoa deve fazer depois de ter obedecido à instrução bíblica de “sair do meio deles”? Como resposta, sugerimos o seguinte plano bíblico:
  • Reúna-se na simplicidade cristã com um grupo de crentes com a mesma opinião;
  • Reúna-se somente a Cristo; faça dele a única atração. Embora tal política não vai gerar grandes multidões, ela pelo menos fornecerá um núcleo de crentes fiéis que não serão facilmente movidos por provações ou desencorajamentos;
  • Quanto ao local das reuniões, uma casa é totalmente satisfatória e tem um grande precedente bíblico (Romanos 16.5; 1Coríntios 16.19; Colossenses 4.15; Filemom 2). Aqueles que exigem edifícios esplêndidos com utensílios religiosos nunca descobriram realmente a suficiência total do Senhor Jesus como a pessoa para a qual seu povo se reúne;
  • Não adote nenhum nome ou plano que exclua da comunhão qualquer verdadeiro crente;
  • Não aceite nenhuma afiliação denominacional e recuse firmemente qualquer interferência ou controle externo que possa infringir a soberania da igreja local;
  • Resistia à tendência constante de deixar que o ministério caia nas mãos de um só homem. Em vez disso, permita que o Espírito Santo use os diferentes dons que Cristo deu à igreja e atue para a manifestação ativa do sacerdócio de todos os crentes;
  • Reúna-se regularmente para orar, estudar a Palavra, partir o pão e ter comunhão. Depois, empenhe-se num esforço ativo de evangelização, tanto individual como coletivamente;
Resumindo, procure reunir-se como uma igreja do Novo Testamento, no verdadeiro sentido da palavra, dando uma representação fiel do corpo de Cristo e obedecendo aos mandamentos do Senhor.
Permita que o Espírito Santo use os diferentes dons que Cristo deu à igreja e atue para a manifestação ativa do sacerdócio de todos os crentes.
É interessante notar que isso está sendo realizado por cristãos no mundo inteiro. Sem nenhum outro livro como guia senão a Bíblia, eles têm descoberto que esses princípios são de origem divina e os têm seguido, apesar de censuras e calúnias. Eles não aceitam outra autoridade senão a de Cristo, nenhuma comunhão senão a do seu corpo, nenhuma sede senão a do seu trono. Eles buscam em verdadeira humildade testemunhar da unidade do corpo de Cristo. Na sua comunhão, procuram suprir um santuário para os verdadeiros crentes, oprimidos pelo modernismo e males relacionados. Não há um diretório na terra que liste essas igrejas, não há nada de uma natureza terrena que as una. A sua unidade é exclusivamente realizada e mantida pelo Espírito Santo, e eles estão satisfeitos com isso.

Não há razão para que centenas de comunidades semelhantes não sejam formadas pela grande cabeça da igreja através do exercício do sacrifício e da oração do seu povo. Onde os cristãos tiverem captado a visão e estiverem dispostos a sofrer por isso, o Senhor recompensará seus exercícios e esforços, e cumprirá seus anseios para a sua glória.

É possível que, nas vésperas da vinda do Senhor, experimentemos e vejamos uma grande ação do Espírito Santo contra a apostasia na cristandade, e um novo e fresco movimento da sua graça na formação de pequenas igrejas independentes de cristãos que amam a Bíblia?

Que aquele que amou a igreja e se entregou por ela realize esta obra, para a sua própria glória!


Notas
Meyer, Elijah: And the Secret of His Power, p. 65.
C. H. Mackintosh, Notes on Genesis (Nova York: Loizeaux Bros., 1951), p. 155.

Extraído de Cristo e a Igreja: Um esboço dos princípios da igreja do Novo Testamento

William MacDonald (1917-2017) dedicou-se ao ensino bíblico nos últimos 60 anos de sua vida. Sua ênfase era de ressaltar com clareza e objetividade os ensinamentos bíblicos para a vida cristã, tanto nas suas pregações como através dos mais de 80 livros que escreveu.
 
https://www.chamada.com.br/mensagens/a_responsabilidade_do_crente_perante_a_verdade.html
 
 

9 de abril de 2020

Cinco princípios que fazem o povo Judeu prosperar (Paulo Seabra)




Porque o povo Judeu é próspero? A partir de uma reflexão de uma entrevista pastor Paulo vai falar de alguns princípios bíblicos que fazem o povo Judeu se destacar no mundo. Mas são princípios que todos nós podemos viver, são princípios de Deus para o homem e para a vida. E como esses princípios se aplicados em nossa vida, produzem resultados extraordinários. 

Pastor Paulo Seabra é pai do Felipe Seabra e um pastor experiente tanto na gestão de igrejas como em púlpito e palavra. Participou ativamente da história dos batista no Brasil e no Ceará. Pastoreou muitas igrejas durante sua vida, sempre com uma visão estrutural, conceitual e multiplicadora. Atualmente pastoreia a Igreja Batista da Alvorada em Fortaleza. 

Igreja Batista Alvorada 
Além de fiel e comprometida com a Palavra de Deus, somos uma Igreja alegre, cuja alegria se manifesta na mensagem que cremos e proclamamos.

https://www.youtube.com/watch?v=aQ19KDhNLvo&feature=youtu.be&fbclid=IwAR3tp5jwZCaQxMhr5hVXhClp9EFCcnMF8ydNLnVI6GaUUHBKUIroV3SbOPw 

 

2 de abril de 2020

Como manter a fé e a esperança em meio à crise?





Daniel Lima 


A cela era escura e apertada. Já encontrava-se ali há mais de um ano. Seu crime era apenas de não concordar com o regime opressivo que dominava seu país e que cometia uma atrocidade após a outra. As acusações lançadas contra si eram falsas. Por vezes, a memória das oportunidades que teve para ficar longe de seu país, para se retirar, deviam cruzar sua mente. A memória de sua jovem noiva deveria estar com ele o tempo todo. Por meio de um guarda que havia se tornado seu amigo, conseguia enviar cartas para amigos e para sua noiva. Ele não sabia o que aguardar. Em meio a todas estas incertezas ele escreveu um poema, e sua primeira estrofe era:
De bons poderes sinto-me cercado,
Bem protegido e de fato consolado:
Assim desejo eu passar os dias
E ter convosco um ano de alegrias.[1]

Seu nome era Dietrich Bonhoeffer. Quase no final da guerra, poucas semanas antes do suicídio de Hitler, ele foi enforcado. Um médico nazista que assistiu sua execução escreveu depois: “Eu vi o pastor Bonhoeffer [...] ajoelhado no chão, orando fervoroso a Deus. Fiquei emocionado pelo modo como aquele homem amável orava, tão dedicado e com tanta certeza de que Deus o ouvia. No local da execução, ele fez mais uma oração e subiu os degraus da forca corajosamente, calmamente. Sua morte ocorreu em segundos. Nos quase cinquenta anos que trabalhei como médico, nunca tinha visto um homem morrer assim, tão submisso à vontade de Deus”.[2]

Que fé é esta que faz com que um homem injustiçado – e em meio a tantas incertezas – mantenha uma postura tão tranquila e esperançosa? É a fé de Paulo, que afirma no final de sua segunda carta a Timóteo:
Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes seja cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém. (2Timóteo 4.16-18)
O mundo começou o ano de 2020 com diversas certezas. Todos tinham planos e projetos e muita segurança de que muito do que sonhavam iria acontecer. Contudo, quase tudo isso está sendo desafiado. Planos estão sendo apagados e qualquer projeto, no mínimo, suspenso. Todos se deparam com o fato de que seja pela pandemia, seja pela crise econômica que virá desta, o mundo não será o mesmo do que quando começamos o ano.

Reparem nas palavras de Paulo. Ele começa afirmando que todos o abandonaram, ninguém o defendeu. Para um homem velho e doente, no final da vida, só isso bastaria para afundar em amargura e depressão; no entanto, suas palavras são cheias de graça: “Que isso não lhes seja cobrado”. Este é um homem em paz cuja tranquilidade não é determinada pelas circunstâncias.
Nossos corações são revelados e nossa fé é depurada em meio à crise.
O verso 17 continua descrevendo essa postura cheia de esperança. Ele se alegra, não porque será libertado (nos versos anteriores ele indica que sabe que será morto), mas porque – pela ação de Deus – muitos ouviram o evangelho. Nestes dias de pandemia, qual é a sua oração? “Deus, nos livra da doença”, ou “Senhor, usa-me para proclamar sua esperança em meio à crise”. Recentemente, numa conversa com Arthur Lupion, missionário no Uruguai, escutei sua afirmação de que não há situação que me libere para amar a Deus ou ao próximo menos do que antes. Pelo contrário, nossos corações são revelados e nossa fé é depurada em meio à crise.

É justamente com essa fé e com essa esperança que Paulo conclui o parágrafo: “O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará para o seu Reino celestial”. Paulo, assim como Bonhoeffer, tinha seus olhos no Autor e Consumador da nossa fé (Hebreus 12.1-2). Ele sabia em quem cria e sabia que este é poderoso para nos guardar até o dia final (2Timóteo 1.12).

Estes são tempos de oportunidade. Sim, há muita tristeza, há muito temor e teremos muitas tragédias. No entanto, este é um tempo de mostrarmos a razão da nossa fé. Nossa fé não está baseada em reuniões públicas. Não está baseada em programações cuidadosamente preparadas. Estas podem até ser manifestações da nossa fé, mas não seu fundamento. O fundamento da nossa fé é nossa relação de rendição e amor pelo nosso Senhor Jesus Cristo. Minha oração é que o povo de Deus se levante para mostrar, em suas palavras e em seu viver diário, quem é o nosso salvador.

Notas

  1. Dietrich Bonhoeffer, “Resistência e submissão”, Sociedade Internacional Bonhoeffer. Disponível em: .
  2. Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: A Biography (Mineápolis, MN: Fortress Press, 2000), p. 927.
Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

https://www.chamada.com.br/mensagens/como_manter_a_fe.html


26 de fevereiro de 2020

A NECESSIDADE DE SANTIDADE



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J.C. Ryle

Suponhamos por um momento que você tivesse a permissão de entrar no céu sem santidade. O que você faria? Qual prazer você poderia usufruir ali? A qual dentre todos os santos você se achegaria; ao lado de quem você se sentaria? Os prazeres dele não seriam seus prazeres, os gostos deles não seriam os seus gostos, o caráter deles não corresponderia ao ser caráter. Como você poderia sentir-se feliz, se não tivesse sido santo neste mundo?

Atualmente, talvez você prefira a companhia dos negligentes e dos descuidados, dos dotados de mente mundana e dos cobiçosos, dos farristas e dos que buscam prazeres, dos ímpios e dos profanos. Porém, não haverá tais tipos de pessoas no céu.

Atualmente, talvez você sinta que os santos de Deus são por demais rigorosos, solenes e sérios. Você prefere evitar a companhia deles. Você prefere evitar a companhia deles. Você não se deleita na sua companhia. Porém, não haverá outro tipo de companhia lá no céu.

Atualmente, talvez pense que a oração, a leitura da Bíblia e o cântico de hinos evangélicos seja algo enfadonho e melancólico, uma atividade estúpida, algo que pode ser tolerado vez por outra, mas não usufruído com satisfação. Talvez você considere o descanso dominical um fardo e uma canseira; você não poderia passar senão uma pequena fração deste tempo adorando a Deus. Lembre-se, entretanto, de que o céu será um interminável descanso dominical. Os seus habitantes descansarão ali, noite e dia, entoando hinos de louvor ao Cordeiro e exclamando: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso”. Como é que um homem profano poderia encontrar prazer numa ocupação como essa?

Você imagina que uma pessoa profana se deleitaria em encontrar-se com Davi, Paulo e João, após uma vida inteira desperdiçada exatamente na prática daquilo contra o que eles falaram? Porventura, ele tomaria um doce conselho com esses personagens e descobriria que tinham muito em comum? Acima de tudo, você imagina que tal pessoa se regozijaria em encontrar-se com Jesus, o Crucificado, face a face, após ter se agarrado aos pecados por causa dos quais Ele morreu; depois de haver amado os seus inimigos e desprezado os seus amigos? Poderia tal pessoa pôr-se de pé diante de Cristo, com toda confiança, unir-se ao coro santo, dizendo: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25.9)? Antes, você não pensa que os lábios de uma pessoa profana se calariam de tanta vergonha, e que o seu único desejo seria ser expulso dali? Tal indivíduo se sentiria um estranho em uma terra desconhecida, uma ovelha negra em meio ao santo rebanho de Cristo. A voz dos querubins e dos serafins comporiam uma linguagem que ele não seria capaz de entender. O próprio ar lhe pareceria uma atmosfera irrespirável.

 
Trecho do livro: : Santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor, Editora Fiel
https://www.facebook.com/OEvangelhoparaoBrasil/

18 de fevereiro de 2020

Todo mundo precisa de terapia? Uma resposta cristã




Por Larissa Lima


É comum ouvir a pergunta do título hoje em dia. Quando alguém discorda de você, logo vem a certeza: precisa de terapia. Quando alguém está triste: precisa de terapia. Quando alguém sente raiva: precisa de terapia. Essa questão envolve aspectos profundos da nossa fé, por isso é importante que seja discutida. Vale lembrar que, aqui, estou falando exclusivamente de psicoterapia, porém a frase se popularizou com o termo “terapia”.

Como estudante de psicologia, reconheço a importância da psicoterapia em alguns casos. Os transtornos mentais são reais, além de existirem traumas que, se não tratados, podem evoluir para algo maior e mais complexo. Não nego que haja graça comum na psicoterapia, mas como cristã sou veementemente contra a ideia de todas as pessoas precisarem dela, e aqui explicarei os motivos.

Do que realmente precisamos? É importante começar com essa pergunta. Quais são as necessidades básicas de um ser humano, ou, melhor ainda: quais são as necessidades básicas de um cristão? Claro que algumas pessoas necessitam de tratamento psiquiátrico e psicológico, a intenção não é negar essa realidade. Por outro lado, no contexto em que os transtornos mentais são hiper diagnosticados e a psicoterapia ganha cada vez mais apelo, precisamos ter cautela ao afirmar que ela é essencial para todas as pessoas.

Na clínica de psicologia podemos perceber que algumas pessoas simplesmente não têm demanda para tratar na terapia, e quando perguntamos sobre o objetivo de estarem lá, respondem: porque todo mundo tem que fazer, né?! Isso mostra a que ponto chegou uma frase mal elaborada.

A função da psicoterapia é desenvolver formas de lidar melhor com as emoções, pensamentos e/ou comportamentos do paciente. As particularidades e o método dependem da abordagem adotada pelo psicoterapeuta. No caso de transtornos mentais, por exemplo, a psicoterapia deve habilitar o paciente a conhecer melhor sobre a doença e, assim, capacitá-lo a responder diante das circunstâncias da forma mais adaptativa possível. Como existem muitas formas de psicoterapia, é difícil definir um conceito exato sobre o termo. Gosto de definir como um meio de se tornar consciente, ter uma melhor compreensão e desenvolver as habilidades de enfrentamento necessárias, de acordo com a demanda de cada paciente.

Algumas abordagens discordam, mas defendo que a psicoterapia deve ser pontual. Existem psicoterapias de longa duração, que podem durar anos ou até mesmo a vida toda, como a Psicanálise. Mas esse é um processo que pode acabar criando uma relação de dependência. É preciso ter um objetivo claro para o processo terapêutico. Quando não se tem uma meta bem definida, o paciente pode achar que estar sempre nesse processo é saudável, mas, na verdade, quando a psicoterapia gera dependência, ela está sendo mais danosa à saúde mental do que útil. Portanto, como em todo tratamento, a intenção é que o paciente se torne, com o tempo, independente do seu psicoterapeuta.

De acordo com o imaginário popular, a psicoterapia se tornou um meio de alcançar a “felicidade”, ou a “auto realização”, uma forma de “auto aperfeiçoamento” e, levando às últimas consequências, algumas pessoas usam até mesmo o termo “salvação”. Aqui chegamos ao ponto central deste texto: um cristão não deve defender que todo mundo precisa de psicoterapia. Quando repetimos esse jargão, estamos concordando com a nossa sociedade relativista que diz que há um meio de redenção além de Cristo.

Além do mais, em tempos passados, as pessoas procuravam direcionamento moral, e até a própria definição de moralidade, no cristianismo. Elas procuravam as igrejas, algum pastor ou até mesmo um amigo cristão. Hoje em dia, com a psicoterapia cumprindo o papel de definidora de moralidade, as pessoas não recorrem mais a esses meios. O primeiro passo, mesmo que o caso seja de angústia espiritual, é procurar um consultório. Em “O triunfo da terapêutica”, Philip Rieff faz uma análise assertiva dessa inclinação atual do homem para a psicoterapia mais do que para a religião:
O homem religioso havia nascido para ser salvo; o homem psicológico nasceu para ser agradado. A diferença foi há muito estabelecida, quando o “eu creio”, o brado do asceta, perdeu a precedência para “a pessoa sente”, o caveat do terapêutico. E se o terapêutico deve ganhar, então certamente o seu guia espiritual secular será o psicoterapeuta.
O homem moderno acredita que o “autoconhecimento” pode resolver todos os seus conflitos e problemas, deixando de lado a questão central: o que precisa ser salvo e mudado antes de tudo é o seu coração, e só a partir daí ele terá o comportamento verdadeiramente redimido. É preciso reiterar que a psicologia pode sim mudar o comportamento em certos aspectos, mas embora o braço da psicologia possa ser útil em alguns momentos, ainda assim, esse braço é curto demais para alcançar o coração. Por outro lado, a palavra de Deus “é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e as intenções do coração” (Hebreus 12.4).

É bem verdade que se pode aprender bastante em um consultório, com um bom psicoterapeuta. Se não tivermos desenvolvido habilidades de enfrentamento ao longo da vida, é uma alternativa de lugar para se aprender. Mas será que também não encontramos algumas habilidades de enfrentamento na Bíblia? Será mesmo que Deus não tem nada a nos ensinar sobre a forma de encarar nossos problemas? Essas questões não se aplicam a pessoas com transtornos mentais, claramente, porque a Bíblia não fala sobre isso de forma específica, e essas pessoas precisam do tratamento profissional. Aplica-se, porém, aos que acabam psicopatologizando aspectos comuns da vida humana. Será que não perdemos, por exemplo, a graça de sofrer e chorar com Jesus quando a partir do menor problema já queremos marcar uma consulta? Acredito que estamos aos poucos deixando de aprender mais com Deus sobre esses processos comuns, que todos nós, seres afetados pela Queda, passamos.

O maior problema comum a todo ser humano é transcendente. Somos seres caídos, nascemos em pecado. As consequências disso nos afetam por completo, em todos os aspectos. A psicoterapia pode lidar com algumas dessas consequências do pecado, mas essas são consequências específicas que não são comuns a todos os seres humanos. Nem todos nós padecemos de transtornos mentais, por exemplo. Todos temos dificuldades, mas algumas pessoas são capazes de lidar com essas dificuldades sem precisar da terapia. Algumas pessoas encontraram tudo o que precisavam para superar um trauma em outras fontes, como na Bíblia ou na experiência comum (cuidado dos amigos, instrução dos pais, obtenção de repertórios sociais por meio do desenvolvimento do capital moral etc.). Isso não quer dizer que quem precisou da psicoterapia para tratar algo seja menos crente, porque nós fomos afetados em diferentes níveis pela Queda, seja no aspecto físico, moral ou psicológico. Nossas funções cognitivas, como percepção, atenção, memória e raciocínio foram afetadas de formas diferentes. Existem muitos fatores que fazem com que a recepção e a reação ao sofrimento sejam subjetivas, até mesmo alguns descrentes nunca precisaram de psicoterapia. Portanto, nossa capacidade de elaborar as dificuldades nem sempre é igual. Com tantas particularidades, o pecado continua sendo o que todos os seres humanos têm em comum. Logo, para resolver um problema geral e transcendente, é necessária uma solução transcendente.

Isso não é uma crítica aos cristãos que precisam de psicoterapia, é uma crítica aos que acreditam que ela é a luz do mundo, mesmo que não usem essas palavras. De fato, essa é uma área que tem tomado o peso de uma religião. Portanto, elevar a psicoterapia a um lugar que não lhe pertence é, muitas vezes, considerar que a salvação das nossas almas não é encontrada em Cristo somente, mas em “Cristo mais alguma coisa”. Isso me remete ao erro dos Gálatas, que não queriam rejeitar a obra de Cristo diretamente, mas queriam acrescentar penduricalhos a ela. Podemos agir da mesma forma, mesmo que inconscientemente, quando repetimos essa frase tão comum. Não podemos tratar como essencial a todos aquilo que é necessário para alguns. O anseio final de todo homem é pela transcendência e por algo que faça sentido, e assim dê sentido a todas as outras particularidades da vida, e isso a psicologia não é. Nossa sociedade continua caminhando cega para a redenção do homem psicológico, quando o que realmente necessita é da salvação em Cristo Jesus.

No entanto, apesar de Cristo ser suficiente para a salvação das nossas almas e da Bíblia ser suficiente para uma vida de piedade, minha visão não é a mesma do Jay Adams, criador do “aconselhamento noutético”, que descarta qualquer possibilidade de eficácia da psicologia. A Bíblia tem todas as respostas para aquilo que ela foi feita para responder, mas ela não nos ensina como tratar os transtornos mentais, por exemplo, porque essa não é a sua função, e isso não tira a sua suficiência nem importância. O que ela nos dá são princípios que podem ser aplicados a todas as áreas da vida. Portanto, a psicologia feita por um cristão deve estar submetida a tais princípios.

Todo mundo precisa de terapia? É sempre bom lembrar o óbvio: todo mundo precisa de Jesus, por meio dele temos acesso a Deus, esse Deus que dá sentido a tudo e concede graça comum para que usemos a psicologia se um dia precisarmos.


Larissa Lima
https://doisdedosdeteologia.com/todo-mundo-precisa-de-terapia-uma-resposta-crista/?
 
 

11 de fevereiro de 2020

As disciplinas espirituais




Por Renata Gandolfo

As Disciplinas Espirituais ou os Meios da Graça são os meios que Deus usa para nossa santificação. Para haver crescimento espiritual é necessário exercitamos nosso espírito à conformidade do caráter de Jesus Cristo nosso modelo.

Não há como termos uma rica experiência espiritual à parte dos meios da graça. Um dia desses li uma citação[i] do Rev. Augustos Nicodemus que dizia assim:
“Nunca somos tão santos como poderíamos ser. A maturidade cristã, a formação do caráter, a perseverança e o amor a Deus se desenvolvem ao longo da vida cristã. O tempo e as tribulações associadas às disciplinas espirituais amadurecem o cristão. Não há substitutos.”
Portanto, devemos ser diligentes em usarmos esses meios que o Senhor nos deixou para amadurecermos espiritualmente.

Nesta série, a qual chamo de Disciplinas Espirituais, vamos conhecer os meios que nosso Senhor disponibilizou para prosperamos em nossa vida espiritual.

A Palavra de Deus nos exorta a nos esforçarmos para alcançamos a perfeição. Essa referência ao esforço não significa que é pelas nossas obras que vamos ter crescimento. Esse esforço significa uma ênfase em nossa dedicação para alcançamos vida piedosa, vida devocional, uma vida voltada para Deus:
Exercita-te, pessoalmente, na piedade. Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser. Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação. Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis. 1Tm 4.7b-10
Não há verdadeira condição de competirmos com a assimilação espontânea que temos das coisas do mundo se realmente não houver esforço, de nossa parte, para enchermos nossas mentes e corações com a palavra de Deus, que regenera, renova, conforma nossa mente, traz esperança e nos faz frutificar.

Quando não há empenho em provocar uma oportunidade de ficar exposta à palavra de Deus somos consumidas pela cultura do mundo e nossa cosmovisão será deformada e de forma sutil e persistente nossa vida cristã entrará em declínio.

No entanto, devemos nos lembrar que as Disciplinas Espirituais também são chamadas de Meios de Graça e que embora tenhamos a nossa responsabilidade e esforço, nosso Senhor nos dá condições de termos disciplina através dos portais da sua graça abundante conforme o apóstolo Paulo nos indica:
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente.” Tito 2.11-12
Não é sábio esperarmos pelos dias ruins, doloridos e turbulentos para sabermos quem Deus é, qual o seu desejo para nossas vidas, quais as suas maravilhosas promessas. Na verdade, a vida não terá sentido se não buscarmos estar com Deus todos os dias de nossa existência.

No entanto, quando desejamos com avidez ter um momento para nos relacionarmos com Deus será necessário um pouco de disciplina. Parece um tanto legalista falarmos em disciplina em pleno século XXI, onde as questões são relativizadas e as paixões individuais priorizadas, mas não vá embora ainda, não mude de tela sem antes saber a revolução em suas entranhas espirituais que um pouco de planejamento e organização poderá ajudá-la a realizar. Vem comigo por mais um parágrafo.

Há uma sede no ser humano por uma vida com sentido, e essa sede poderá ser saciada quando encontrar a fonte de águas vivas. Para termos uma vida espiritual rica, desenvolvida pela graça, vamos precisar de disciplina, vamos ter que nos dispor a criar hábitos espirituais e arrancar as ervas daninhas parasitas da negligência.

Agora, pense em uma xícara de café em um local privativo e silencioso, a sua bíblia aberta sobre a mesa a sua frente e um bloco de anotações pronto para registrar seu encontro. Ele, Deus, o Todo-Poderoso, estará ali contigo na hora marcada. Nesse precioso momento você poderá ter um longo diálogo com ele, abrir seu coração, confessar suas falhas e pecados, se derramar em lágrimas, compartilhar suas alegrias. Ele estará ali, te ouvindo, te vendo.

Ele é Deus, ele é Pai. Ele está contigo, ele te guarda como a menina dos olhos e te esconde à sombra de tuas asas. Ele é Deus, o Espírito Santo, ele fez morada em você, ele é o Espírito da verdade que guiará você por toda a verdade (Jo 16.13). Ele é Deus, ele é homem, conhece suas dores. Ele intercedeu por você, ele continua intercedendo, e ele ainda intercederá.

Ele estará ali contigo todas as vezes que você invocar o seu nome.

A qualidade de nosso tempo com Deus determinará a qualidade de nossa vida cristã. Não é possível sermos discípulos de Jesus Cristo se não gastarmos nossa vida perseguindo a imitação de nosso objeto de amor. Todo o dom perfeito desce do Pai das Luzes (Tg 1.17), longe de Cristo não é possível realizarmos nada, porque sem Cristo nada podemos fazer e nem tão pouco frutificar (Jo 15.5). A glória é dele.

Criar novos hábitos espirituais exigirá tempo e espaço. Tempo para desenvolvermos o costume de estarmos com Deus e espaço porque teremos que nos desfazer de velhos procedimentos para que os novos se acomodem em nossas vidas.

Então, vamos nos aventurar pela trilha da graça?

A cada mês, por todo o ano de 2020, nós vamos explorar uma das Disciplinas Espirituais, assim progressivamente poderemos ir adquirindo um novo hábito.

Não se intimide com o tamanho da empreitada ou com a distância do percurso, as trilhas são formadas em meio as densas matas pelas frequentes idas e vindas realizadas no mesmo trajeto formando um sulco na terra.

As disciplinas espirituais nos permitirão caminhar confiantes nessa trilha espiritual que estará sendo formada enquanto avançarmos perseverantes.

Avante, ovelha!
 

Por: Renata Gandolfo. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: As disciplinas espirituais.
As Disciplinas Espirituais Vida de Ovelha

Renata Gandolfo
Renata Gandolfo é membro da Igreja Batista da Graça, organizadora do Grupo Elas (Estudo e Leitura de Aconselhamento de Senhoras) e serve no editorial feminino online do Ministério Fiel. Renata participa, desde 2015, das Conferências de Treinamento em Aconselhamento Bíblico da ABCB (Associação Brasileira de Conselheiros Bíblico), é licenciada em Letras e escreve regularmente no blog Voltemos Ao Evangelho.


https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/11/feliz-ano-novo-com-leituras-e-oracoes-planejadas/

 

3 de fevereiro de 2020

O que a Bíblia diz sobre a autodefesa?


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A Bíblia não dá uma declaração abrangente sobre a autodefesa. Algumas passagens parecem falar do povo de Deus sendo pacifista (Provérbios 25:21-22; Mateus 5:39; Romanos 12:17). No entanto, existem outras passagens que aprovam a autodefesa. Em que circunstâncias a autodefesa pessoal é apropriada?

O uso adequado da autodefesa tem a ver com sabedoria, compreensão e tato. Em Lucas 22:36, Jesus diz a Seus discípulos remanescentes: “o que não tem espada, venda a sua capa e compre uma.” Jesus sabia que agora era o tempo em que Seus seguidores seriam ameaçados, e Ele sustentava o seu direito de defesa pessoal. Pouco tempo depois, Jesus é preso e Pedro pega uma espada e corta a orelha de alguém. Jesus repreende Pedro por esse ato (versículos 49–51). Por quê? Em seu zelo de defender o Senhor, Pedro estava atrapalhando a vontade de Deus. Jesus tinha dito a Seus discípulos várias vezes que Ele seria preso, julgado e morto (por exemplo, Mateus 17:22–23). Em outras palavras, Pedro agiu insensatamente nessa situação. Precisamos ter sabedoria sobre quando lutar e quando não.

Êxodo 22 dá algumas pistas sobre a atitude de Deus para com a autodefesa: “Se um ladrão for achado arrombando uma casa e, sendo ferido, morrer, quem o feriu não será culpado do sangue. Se, porém, já havia sol quando tal se deu, quem o feriu será culpado do sangue” (Êxodo 22:2–3). Dois princípios básicos ensinados neste texto são o direito à propriedade privada e o direito de defender essa propriedade. O exercício pleno do direito à autodefesa, no entanto, dependia da situação. Ninguém deve ser rápido demais para usar força letal contra outro, mesmo se esse alguém quiser lhe fazer mal. Se alguém foi atacado por um ladrão no meio da noite e, na confusão do momento, o pretenso ladrão acaba sendo morto, a Lei não acusava o proprietário de homicídio. Entretanto, se o ladrão fosse apanhado em casa durante o dia, quando era improvável que o dono da casa estivesse dormindo, então a Lei proibia a morte do ladrão. Essencialmente, a Lei dizia que os proprietários não deveriam ser rápidos em matar ou atacar ladrões em sua casa. Ambas as situações poderiam ser consideradas autodefesa, mas a força letal deveria ser um último recurso, usado apenas no caso de um cenário de "ataque surpresa" em pânico, no qual o proprietário provavelmente estaria confuso e desorientado. No caso de um ataque noturno, a Lei concedia ao proprietário o benefício de uma dúvida de que, além da escuridão e da confusão do ataque, ele não usaria intencionalmente força letal contra um ladrão. Mesmo no caso de autodefesa contra um ladrão, esperava-se que uma pessoa piedosa tentasse conter o agressor, em vez de recorrer imediatamente a matá-lo.

Paulo se engajou em autodefesa de vez em quando, embora sem violência. Quando estava prestes a ser açoitado pelos romanos em Jerusalém, Paulo informou em voz baixa ao centurião com o flagelo de que ele, Paulo, era um cidadão romano. As autoridades ficaram imediatamente alarmadas e começaram a tratá-lo de maneira diferente, sabendo que haviam violado a lei romana quando o acorrentaram. Paulo havia usado uma defesa semelhante em Filipos - depois de ter sido açoitado - a fim de garantir um pedido oficial de desculpas daqueles que haviam violado seus direitos (Atos 16:37–39).

A persistente viúva na parábola de Jesus continuou batendo na porta do juiz com o pedido persistente: "Julga a minha causa contra o meu adversário" (Lucas 18:3). Esta viúva não estava prestes a desistir e deixar seu inimigo tirar vantagem dela; através dos canais apropriados, ela buscou a autodefesa.

O mandamento de Jesus de "dar a outra face" (Mateus 5:39) tem a ver com a nossa resposta aos insultos e ofensas pessoais. Algumas situações podem exigir a autodefesa, mas não uma retaliação semelhante à ofensa. O contexto do mandamento de Jesus é o Seu ensinamento contra a ideia de “olho por olho e dente por dente” (versículo 38). Nossa autodefesa não é uma reação vingativa a uma ofensa. De fato, muitas ofensas podem ser simplesmente absolvidas pela paciência e amor.

A Bíblia nunca proíbe a autodefesa, e os crentes podem defender a si mesmos e suas famílias. Entretanto, o fato de sermos autorizados a nos defender não significa necessariamente que devamos fazê-lo em todas as situações. Conhecer o coração de Deus através da leitura de Sua Palavra e confiar na “sabedoria lá do alto” (Tiago 3:17) nos ajudarão a saber como melhor responder em situações que possam exigir autodefesa.
 
 
https://www.gotquestions.org/Portugues/autodefesa.html
 
 
 

30 de janeiro de 2020

O que significa Não vos priveis um ao outro?


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A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. 1 Coríntios 7:4,5

não tem poder sobre o seu próprio corpo

Muitos tem utilizado dos versículos acima para obrigar, ou até mesmo chantagear o seu cônjuge em seus deveres sexuais, mas fica um alerta, quando alguém utiliza da Palavra de Deus para seu próprio proveito e mais do que isso para alimentar os desejos da carne, pode ter certeza que tem algo errado.

Então o que significa que o marido tem poder sobre o corpo da mulher e vice-versa?

Paulo mesmo já havia falado sobre a questão do corpo no capítulo anterior:
Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? Não, por certo. Ou não sabeis que o que se ajunta com a meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque serão, disse, dois numa só carne. 1 Coríntios 6:15,16
Paulo não está dando aval para que os cristãos de Corinto utilize o corpo de seu cônjuge como um objeto para satisfação pessoal, ele está dizendo que o único que pode usufruir daquele corpo é o cônjuge, dessa forma não se deve em nenhuma das possibilidades incluírem uma terceira pessoa, seja em pensamento, em literaturas, TV, etc…

Não vos priveis um ao outro

Paulo deu diversas orientações para a igreja de Corinto, muitas vezes bem particulares, é o caso do uso do véu, das mulheres estarem caladas, e também de não ocorrer privação entre os cônjuges dentro do casamento, mas por que foi falado especificamente para a igreja de Corinto?

A cidade de Corinto era conhecida amplamente por sua imoralidade sexual, foi nessa igreja que Paulo ordenou que a igreja entregasse certo homem a Satanás por manter relações sexuais com a mãe ou madrasta.

Segundo o teólogo Dr. Bob Utley este trecho é um IMPERATIVO ATIVO PRESENTE com uma PARTÍCULA NEGATIVA, o que normalmente implica “parar um ato em processo.” Este problema estava relacionado com o ascetismo na igreja de Corinto.

Por causa do forte desvio de conduta sexual na cidade e talvez na igreja de Corinto, é provável que estava ocorrendo uma abstinência sexual extremamente prolongada entre os cônjuges. Por esse motivo Paulo reafirma em seguida: “senão por consentimento mútuo por algum tempo”.

Segundo o teólogo é possível que muitos estavam utilizando o sexo como uma ferramenta de controle sobre o parceiro, dando espaço para a tentação de Satanás, “para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência”.

senão por consentimento mútuo por algum tempo

Paulo expressa um modelo igualitário, se a abstinência sexual ocorria por consentimento mútuo, devemos entender que a prática também necessita do mesmo consentimento mútuo.

para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência

Infelizmente o relacionamento é utilizado muitas vezes como uma arma para prejudicar o companheiro(a), as vezes por vingança, por um desejo não realizado, ou até mesmo por frustrações pessoais, Satanás sabe disso e ataca justamente essa área pois sabe que é uma das mais sensíveis.

Conclusão

Realizando uma análise minuciosa do contexto, é fácil compreender que a igreja possuía problemas com a sexualidade, isso ocorre em grandes proporções nos dias de hoje.

Grande parte dos relacionamentos dentro das igrejas estão fracassando, e geralmente isso ocorre por que Cristo deixou de ser um prazer verdadeiro para o casal, então procuram alimentar a carne.
Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. Romanos 8:13
E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus. Lucas 4:4

https://bibliacomentada.com.br/index.php/o-que-significa-nao-vos-priveis-um-ao-outro/?

7 de janeiro de 2020

Púlpito não é lugar de criança



João Fonseca


De tempos em tempos vemos pessoas compartilhando vídeos de crianças pregando. A prática é comum em Igrejas Pentecostais, onde acredita-se que o Espírito Santo utiliza quem lhe apraz para entregar uma mensagem. Cabem dezenas de justificativas para que isso seja visto como bons olhos, como dizer que quando os adultos se perdem, Deus clama por meio de uma criança ou que o próprio Jesus aos doze anos já pregava no templo, por exemplo. Mas, não!, - definitivamente púlpito não é lugar de crianças!

Embora Deus use quem ele quer, e cremos nisso, a "expressão quem ele quer" não pode ser recebida como qualquer um independente de ações e atitudes. Se utilizar do argumento de que o próprio Jesus pregava no Templo ainda com doze anos para justificar a prática, é absurdamente desinteligente. Jesus era Deus, Filho do Senhor e recebia, desde menino, instruções diretamente do Pai. (Lc 12:40) Se o Espírito Santo escolhe alguém, cremos que antes da ministração virá a capacitação por meio dos dons. Assim, é nítido que o Espírito Santo utilizará alguém que seja responsável e tenha um bom testemunho, para que sua mensagem seja recebida e aplicada eficazmente, conforme lemos nas recomendações de Paulo à Timóteo, em 1 Tm 3.

Dito isto, compreendemos que a Palavra jamais se contradiz, pois as Escrituras são claras em relação a necessidade de ordem no culto. Isso, porque o Espírito Santo tem como intuito preservar a unidade da Igreja, a sua sabedoria, responsabilidade de ensino, pois disso depende a sua continuidade, o que compreende também a área política de relações públicas.

Tais mensagens, embora bonitinhas, são apenas imitações de contatos que a criança teve com pregações anteriores. As gesticulações, palavras utilizadas e temas definidos sempre relacionados com o caráter principal da igreja a qual frequentam, corroboram com essa compreensão. Isto é, em Igrejas cuja apelação é constante em termos de "Deus me disse", "Deus me revelou", ou, "Jesus está voltando", "Jesus está aqui", nota-se que as crianças nitidamente imitam os adultos que se utilizam de tais bordões. Por isso, são comuns os vídeos onde elas aparecem, claro, inocentemente, brincando de culto e imitando grandes pregadores no youtube. Entregar o microfone a uma criança durante uma ministração devido a sua capacidade de imitação, no entanto, é uma atitude insensata.

O fenômeno é perceptível em duas situações distintas. Na primeira situação, a criança está ligada à familiares que estão diretamente incorporados ao ministério e tendem a ser vistas como uma prova infalível de "continuação do dom" familiar. Na segunda situação, as crianças estão ligadas a famílias cujo os membros participam de um ministério, mas não exercem nenhuma atividade relacionada. Neste caso, a criança, tendo identificado um exemplo que lhe chama atenção no ministério que frequenta com a família, passando a imitá-lo, tende a ser vista como um dom manifesto na família para chamar todos à verdade. Estranhamente, Deus não chama nenhuma criança de fora, mas está preso as observações anteriores. Se cremos que Deus usa quem ele quer e quando quer, não podemos prender a capacidade do Espírito se locomover afirmando que ele age apenas em determinado espaço físico e sobre os que já estão no corpo.

Quando uma criança for identificada com um dom sobressalente, por sua capacidade de reter informações, compilar e aplicar uma teologia concernente a verdade do Evangelho, ela não deve receber espaço nos púlpitos para ministrar aos demais. Antes, conforme cresce, deve ser incentivada ao estudo da teologia e acompanhamento da rotina da igreja, bem como mantida no ambiente com as demais crianças para que não tenha sua infância roubada. Ela deve ser preparada e o dom trabalhado até que possa ser usado com responsabilidade. Inverter essa ordem pode gerar conflitos. Quando a igreja receber visitantes e esses se depararem com uma criança no púlpito ou ocupando posições que deveriam estar sendo ocupadas por adultos, qual impressão passará?

Se não há adulto capacitado, é porque a Igreja tem falhado e desviado-se da verdade, uma vez que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus e, sem ela, não há capacitação por meio de dons. As crianças devem participar de coral, de atividades relacionadas aos grupos de jovens, mas não devem ensinar!

Quando Jesus diz: "Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus", em Mateus 19:14, está se referindo a que o Evangelho seja também anunciado as crianças, para que estas aprendam desde cedo sobre as Verdades do Reino a fim de que não se corrompam com este mundo, como está escrito: "Instrui a criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele." - Provérbios 22:6

Mas o que fazer quando uma criança entrega uma profecia? 
 
A vontade do Senhor é claramente revelada na Sua Palavra. Pois, toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra. - 2 Timóteo 3:16,17

Assim, aqueles que andam atrás de profecias andam segundo os desejos de seus corações, porque ignoram as Palavras do Senhor, que não são para agradar ao homem, mas para salvá-lo!

O culto é lugar de seriedade, de sensatez, de responsabilidade e demonstração de temor. Vamos ao culto louvar ao Senhor, reconhecer o Seu nome, a Sua grandeza e maravilhas entre as nações. Embora o Senhor nos conceda dons, tais dons devem ser utilizados para a edificação do corpo. Como bem disse o apóstolo Paulo em se tratando do assunto, há uma necessidade de ordem no culto!

 
Graça e paz!
Por João Fonseca
https://www.apostolopauloinconformado.com.br/2020/01/pulpito-nao-e-lugar-de-crianca-joao.html
 
 

26 de dezembro de 2019

Como se tornar um otimista de Deus


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Para se tornar um otimista de Deus, espere que Deus trabalhe em sua vida e no mundo.
“De acordo com a sua fé, isso seja feito com você” – Mateus 9:29
Existem dois tipos de pessoas: aquelas que acordam e dizem: “Bom dia, Senhor!” E as que acordam e dizem: “Bom Deus, é manhã!“. Nós tendemos a nos sentir da maneira que esperamos. Nós vemos o que esperamos ver. Ouvimos o que esperamos ouvir. Agimos da maneira que esperamos. Preparamo-nos para o fracasso ou sucesso,para realização ou frustração, dependendo do nosso nível de fé.

Viver pela fé significa esperar o melhor. Mateus 9:29 diz: “De acordo com a sua fé, isso seja feito com você“. Fé é expectativa positiva. Você espera que Deus responda. Você espera que a solução seja apresentada. Você espera que as coisas deem certo. Você espera ter sucesso. Você espera que tudo se encaixe. Expectativas são fé.

Como cristãos, não acreditamos que tudo dê certo na vida, não importa quanta fé tenhamos. Isso simplesmente não é uma realidade em um mundo cheio de pecados. Mas podemos ter certeza de que Deus está trabalhando para o nosso bem. Podemos confiar nele com o nosso futuro, porque ele sabe melhor do que nós o que é melhor para nós, e ele nos ajudará a ser mais parecidos com ele.

Viver pela fé não significa que você usa um óculos colorido. Isso significa que você confia que Deus está sempre trabalhando, para que você possa esperar que as coisas funcionem exatamente como ele deseja. Isso pode lhe dar muita confiança. Essa verdade pode edificar sua fé. Para se tornar um otimista de Deus, espere que Deus trabalhe em sua vida e no mundo. Espere que ele cumpra suas promessas. Espere que ele queira realizar sua vontade através de você. E espere que ele forneça tudo o que você precisa para fazer isso. 

Falar sobre:
Pense na sua rotina matinal. Como isso influencia o caminho do resto do seu dia?

Quais são seus primeiros pensamentos quando você acorda de manhã? Quando você vai dormir à noite? Como eles refletem o que você espera de Deus?

Por que isso deveria lhe trazer conforto e fortalecer sua fé para saber que Deus sabe mais do que você, que ele te conhece melhor do que você? 
 

Por: pr.rickwarren
Traduzido e adaptado por: gabriel v.f. de lima
 
 https://portalpadom.com.br/como-se-tornar-um-otimista-piedoso/?
 
 

25 de outubro de 2019

CRISTÃOS COVARDES, RELATIVISMO E PRAGMATISMO.


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Mateus 21: 23. E, chegando ao templo, acercaram-se dele, estando já ensinando, os principais sacerdotes e os anciãos do povo, dizendo: Com que autoridade fazes isto? E quem te deu tal autoridade? 24. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, também eu vos direi com que autoridade faço isto. 25. O batismo de João, de onde era? Do céu, ou dos homens? E pensavam entre si, dizendo: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes? 26. E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta.

Jesus Cristo estava no templo ensinando, quando os líderes judeus foram questiona-lo. Ele havia acabado de purificar o templo, expulsando todos os que faziam comércio em local proibido. Eles queriam saber quem era Jesus e com que autoridade, Jesus agia. Na verdade, eles não estavam sendo sinceros, mas incrédulos e hipócritas. Eles já tinham bastantes evidências sobre quem era Jesus. Eles apenas queriam acusa-lo de blasfêmia quando ele identificasse sua autoridade como vinda de Deus, como em outras ocasiões (Jo 5.18; Jo 10. 31- 33).

Jesus responde a eles com outra pergunta, sendo a respostas deles a condição para a resposta de Jesus ( Mt 21.24).
A pergunta de Jesus significava o seguinte: João Batista era um enviado de Deus ou não? ( Mt 21. 25).

Esses homens que eram egoístas, amantes de si mesmos, raciocinavam como responder de maneira que não prejudicasse a eles e o relacionamento deles com o povo.

Se a resposta dos líderes religiosos fosse “ dos céus”, então deveriam concordar com João Batista que estava sempre apontando para Jesus como o Cristo (Jo 1.19,26,27), isso revelaria a hipocrisia deles em não agirem de acordo com o que criam( vs 25 ).Mas, se respondessem "dos homens", a multidão poderiam rejeita-los, persegui-los e até apedreja-los porque consideravam João Batista um profeta enviado por Deus.

Eles deveriam tomar uma posição, mas o medo de serem rejeitados, o medo de perderem suas posições de autoridades diante do povo, e serem perseguidos por causa da “verdade”, os levaram a dar uma resposta mentirosa. A resposta deles foi um simples “não sabemos”.

Essa resposta revela o pensamento relativista e pragmático da mente desses líderes religiosos.

O que é o relativismo? É a crença de que não existe uma verdade absoluta. O que para uma pessoa é verdadeiro para outra não é. O que para um é bom para o outro pode ser ruim. Ninguém pode julgar ninguém, dizendo que alguém está errado, pois, não existe um Padrão de certo e errado. Ninguém pode julgar o outro por suas crenças e condutas. Não existe um padrão universal que julgue todas as afirmações como certa ou errada, cada um tem o seu padrão de verdade. Cada um tem sua opinião sobre algo e devemos respeitar. Esse é o pensamento relativista.

O irmão próximo do relativismo é o pragmatismo. O pragmatismo é crença de que o correto é aquilo que funciona. É aquilo que cumpre as minhas expectativas. Se algo funciona para alguém, então está correto.

Nós cristãos não somos relativistas, nem pragmáticos. Nós cremos que a Bíblia é a única regra para todos. Todos os pensamentos, opiniões e ideias devem ser submissas ao Padrão das Escrituras Sagradas. A verdade é uma só e ela não está em nós, ele vem de fora, ela vem de Deus. A Verdade está revelada na Bíblia. O correto não é aquilo que funciona, não é aquilo que cumpre as nossas expectativas, mas o que a Bíblia diz. Não são os resultados que interessam, mas a fidelidade a Deus.

Os líderes religiosos tinham a revelação de Deus. Eles sabiam que João Batista era um verdadeiro profeta e que Jesus era o Cristo, Filho de Deus. Mas eles estavam cegos, eles eram dominados pelo egoísmo. Eles eram pragmáticos, a resposta que funcionaria para eles era dizerem que não sabiam a resposta, mesmo sabendo a resposta verdadeira. Eles sabiam como deveriam agir, mas agiram segundo os seus corações, baseados nos resultados satisfatórios a eles, ao invés de agirem de acordo a verdade. Isso é pragmatismo. Isso é covardia. Isso é diabólico.

Um “cristão” com pensamentos relativistas e pragmáticos é semelhante ou pior do que esses líderes religiosos, pois obtiveram maior revelação do que eles.

Muitos que se dizem cristãos não querem se posicionar contra a homossexualidade, feminismo, comunismo, aborto, adultério, falsas religiões e contra os falsos mestres. E quando se posicionam afirmam não saber a verdade sobre o assunto ou apoiam os praticantes desses pecados. Eles agem assim não porque não sabem a verdade sobre essas coisas, pois Deus as revelou na Bíblia, mas, porque amam mais a si mesmos do que a Cristo. São covardes que não querem ser perseguidos por amor ao Evangelho. O que funciona para eles, o que os coloca na melhor situação diante dos incrédulos é a regra de conduta deles.

Pastores e igrejas que não disciplinam os membros por medo de perderem da membresia familiares desses membros que são influentes, estão agindo de acordo com o relativismo e pragmatismo. São covardes e incrédulos, pois temem a homens e não a Deus. Jovens que estão na faculdade, que são expostos a ideias contrárias à Palavra de Deus e se calam para não serem perseguidos, pais cristãos que não disciplinam seus filhos para não magoa-los ou serem desprezados por eles também estão negando a Verdade, sendo relativistas e pragmáticos.

Todos os relativistas querem agradar a todos por medo de sofrerem as consequências de serem firmes e viverem de acordo com a Verdade Bíblica. Querem agradar a todos com a finalidade de agradarem a si mesmos. A verdade só é afirmada quando lhes convém, quando não, eles a negam. Eles não se importam com a vontade de Deus, mas com as suas.

Esses religiosos não se importavam se o batismo de João era do céu ou dos homens. O que importava era que eles não fossem perseguidos, desmascarados, chamados de hipócritas. Da mesma forma alguns que professam a fé cristã não se importam com a Verdade, mas se importam apenas em manter seu conforto, suas amizades, suas posições diante dos homens. Esses que agem assim como esses líderes religiosos negam a autoridade de Cristo em suas vidas, o fim deles também é semelhante, é o inferno eterno “porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (Ts 2.10). Os covardes não entrarão no Reino dos céus ( Ap 21.8).

Você tem agido assim? Você é um relativista? Você tem sido pragmático? Se sim, talvez você não seja um Cristão. Você não pode negar a Verdade e dizer que é um cristão. Quem nega a Verdade para o seu próprio bem não tem parte com Jesus que é a Verdade absoluta. Quem ama mais a si mesmo mais do que Cristo, não é um seguidor de Cristo. Está em cima do muro como esses líderes religiosos estavam, é o mesmo que está contra Cristo. Não tomar uma posição é tomar a posição de não se posicionar de acordo com a verdade Bíblica. Quem não está com Cristo, está contra Cristo. Não existe neutralidade nesse mundo. (Mt10: 37).

Quando tememos a forma como as pessoas reagirão à nossa firmeza diante da verdade, estamos sendo escravos de suas opiniões e dos nossos desejos de sermos aceitos por elas. Ser pragmático é ser escravo dos resultados favoráveis, ser Bíblico é ser livre e independente dos resultados, fiel a Deus, pois a verdade já o libertou (João 8.31-32).

Jesus não nos chamou para sermos amigos queridos do mundo, mas nos alertou de que seríamos rejeitados e perseguidos pelo mundo por causa dele. A resposta dos incrédulos à verdade pregada pelos cristãos não é aceitação, mas oposição. Devemos entender que iremos ser perseguidos pelo mundo e na maioria das vezes serão pessoas próximas a nós: amigos, colegas de faculdade e trabalho, familiares e até pessoas que se dizem cristãs (João 15.18-21). Não devemos temê-los, pois não podem fazer nenhum mal à nossa alma, antes devemos temer a Deus e não aos homens (Mt 10: 28; At 5.28).

A paz que o mundo oferece é contrária verdade de Deus. Está em paz com o mundo é está em guerra com Deus (Tiago 4: 4). “É muito melhor ter como adversários o diabo e o mundo do que tê-los como nossos amigos”. “Cristãos” amigos do mundo serão condenados junto com o mundo porque também são mundanos. É melhor ser inimigo do mundo do que inimigo de Deus (Mt 10.32-33); (Mt10: 37).

A oposição dos incrédulos contra o Cristianismo é sinal que estamos do lado certo e que vencerá no final, Cristo e sua Igreja.
 
 

Sola Scriptura

Por Thiago da Silva Vieira
 
 

6 de setembro de 2019

Como saber se eu realmente sou um convertido?


Como posso saber se eu fui genuinamente convertido?

A primeira epístola de João oferece vários “testes” para ajudar os cristãos a saberem se eles salvificamente chegaram à fé em Cristo:
 1. O teste da fé: Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus” (1 João 5.1a).  Então, pergunte a si mesmo: eu confio em Jesus Cristo para a salvação?

 2. O teste da obediência: “Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1.6-7).  Então, pergunte a si mesmo: a minha vida mostra um padrão habitual de pecado não arrependido ou de arrependimento de pecado e de luta para andar na luz?

 3. O teste do amor: “aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si” (1 João 3.14b-15).  Então, pergunte a si mesmo: eu amo outros cristãos de maneiras concretas que mostram a realidade da minha fé?

  4. O teste da perseverança: “Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos” (1 João 2.19).  Aqueles que não perseveram na fé provam que sua fé era falsa desde o início. Então, pergunte a si mesmo: eu estou continuamente na fé a despeito das lutas e oposições?

Mais um princípio: até mesmo cristãos são propensos ao autoengano. Portanto, trabalhe essas questões com os membros de sua igreja que o conhecem melhor e que o amam (veja Provérbios 11.4; 15.22). Obviamente, isso é difícil de fazer se você não deixou as pessoas entrarem em sua vida no início.
Alguém pode ser genuinamente convertido e viver contente em pecado?

Falando de uma forma geral, não.
 • João é absolutamente claro: somente aqueles que andam na luz, obedecem aos mandamentos de Deus e amam outros cristãos são genuinamente convertidos (1 João 1.6-7; 2.4-6; 3.7-8).

• Paulo levanta o mesmo ponto quando escreve: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?” (1 Coríntios 6.9).  Em outro lugar, ele diz claramente: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Romanos 8.13). Aqueles que lutam ativamente contra o pecado e buscam a retidão são genuinamente cristãos.

• O próprio Jesus diz: “Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (Mateus 7.18-19). Todos aqueles que nasceram de novo produzem bom fruto espiritual, o que destaca cada um deles como diferentes do mundo (veja também Mateus 5.13-16; Mateus 7.21-22).

Embora nenhum cristão seja perfeito nesta vida, o Novo Testamento insiste em que somente as pessoas cujas vidas demonstram genuíno fruto espiritual nasceram de novo.
Como eu confronto de forma amável alguém que afirma ser convertido, mas que vive como um não cristão?

Ore por você mesmo e pela outra pessoa. Ore para que você seja fiel em simplesmente falar a verdade, apoiando-se no Espírito de Deus para fazer a obra de verdadeira persuasão (1 Coríntios 3.6-7; 2 Coríntios 7.8-10). Ore para que ela se convença e para que tenha uma mudança de coração.

Fale a verdade em amor (Efésios 4.15). Aborde a pessoa cuidadosamente, pacientemente e gentilmente. Explique que você a está confrontando a partir de uma preocupação profunda e amável pelo bem eterno dela.

Leve-a para as Escrituras. Explique que seu propósito não é dar um veredito final sobre sua alma. Ao contrário disso, você está preocupado com o fato de ela não estar vivendo como a Escritura diz que um cristão vive.  Indique para ela passagens como Mateus 7.13-29; Romanos 6.12-23; 8.13, 1 Coríntios 6.9-11; 2 Coríntios 13.5 e todo o livro de 1 João.

Questione-a gentilmente. Pergunte coisas como: “Você acha que sua vida está de acordo com a figura que a Bíblia faz de um cristão genuíno? Você está genuinamente lutando contra o pecado ou está secretamente apreciando-o? Você acredita que ser um cristão significa arrepender-se de seus pecados e confiar em Cristo?”

Lembre-a da profissão de fé e do batismo dela. Lembre-a do evangelho.

Clame a ela para que considere a eternidade.  Lembre-a de que a alegria eterna ou a condenação é o que está em jogo (Salmo 49; Mateus 25.31-46).

© 9Marks. Website: 9marks.org. Traduzido com permissão. Fonte: How do I lovingly confront someone who claims to be converted but who lives like a non-Christian? / Can someone be genuinely converted and contentedly live in sin? / How can I know if I’ve been genuinely converted?
Original: Como saber se eu realmente sou um convertido? © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Felipe Prestes. Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva.