Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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11 de março de 2020

Benjamin Keach e a Verdadeira Piedade Cristã – Parte 2: O Efeito da Piedade, a Conformidade do Coração à Palavra de Deus


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No primeiro artigo iniciamos a consideração sobre as convicções do puritano batista Benjamin Keach no que concerne à verdadeira piedade cristã.

Keach então registra que a piedade cristã genuína possui como essência e conteúdo a santa Palavra do Senhor, sendo assim, uma piedade verdadeira está alicerçada e preenchida por um credo que emerge das Sagradas Escrituras. Crer em proposições falsas acerca da pessoa e da obra de Deus consiste em possuir uma fé falsa e consequentemente uma piedade fingida.

Hoje veremos que para Keach a segunda marca de uma piedade genuína é a conformidade da vida à Santa Palavra de Deus. Deste modo, um verdadeiro crente não somente possui um conhecimento adequado do Senhor, mas ao conhecer a Deus e Sua vontade busca conformar-se à vontade revelada de Deus.

Como explica Keach:
Não é meramente seguir os princípios naturais da moralidade ou um conhecimento dogmático e teórico dos Evangelhos sagrados e seus preceitos, mas uma conformidade fiel aos princípios do Evangelho, cumprindo nossos deveres com a melhor predisposição para com Deus, bem como para com os homens, para que nossa consciência permaneça livre de ofensas a ambos (Atos 24:16).

Consiste em abandonar o pecado e odiá-lo como o pior mal e apegar-se a Deus de todo coração, valorizando-o acima de todas as coisas, desejando sujeitar-se ao princípio do amor divino, a todas as suas leis e comandos. É dizer com o salmista: “Quem eu tenho no céu senão a ti?” (Salmo 73:25) […].
Qualquer impressão inicial ou equivocada de que Keach possuía uma noção fria e intelectual de piedade é removida por completo aqui, muito para além disso, Keach demonstra uma firme certeza de que a genuína piedade não somente tem a Palavra de Deus como conteúdo, mas que esse relacionamento do crente para com a Palavra do Senhor é vivo.

Conhecer a Palavra é conhecer o Deus que Se revela, e quando essa contemplação do Senhor é real, conduzida pelo Espírito nos corações, tem como consequência inevitável o prazer em submeter-se ao Senhor e o ódio e repulsa por toda a maldade e pecado. Conformar-se à Palavra é honrar a Deus por entender que Ele é o bem supremo da alma. 
 
Uma Ruptura com a Intelectualidade Morta

Uma das lições importantes que Keach nos comunica ao listar como marca da genuína piedade uma vida conformada a Palavra de Deus, é que Cristo quando nos salva redime não somente a nossa mente, mas também o nosso coração.

Atualmente existem inúmeros cristãos professos que têm reduzido a vida cristã ao acúmulo de informação. A ausência de piedade em tais homens é claramente verificada por meio de uma religião com reação lenta, passiva e permissiva para com comportamentos repulsivos diante da Palavra de Deus, como se pureza e vida cristã não possuíssem relação alguma.

Outro sintoma desse erro é a maneira como tais “teólogos” se comportam no campo de batalha da internet e das mídias sociais, agindo totalmente sem respeito por homens mais velhos que entregam a sua vida para servir o Evangelho, “lançando” ao inferno e proferindo palavras de maldição contra inegáveis filhos do Senhor, sob o pretexto de estarem defendendo a fé, quando, na verdade, agem de modo monstruoso para com pequenas discordâncias que em nada comprometem uma fé cristã genuína.

São escandalosos, desbocados, mimados e arrogantes. Não se verifica neles o quebrantamento e o temor de proferir as santas doutrinas, sendo eles mesmos reprovados por elas. Percebe-se que o senso de indignidade diante de Deus, a misericórdia do Evangelho e o amor pelos irmãos, estão ausentes. Sua postura é contraditória com aquilo que esbravejam crer.

Portanto, todo aquele que de fato conhece a Cristo deve portar-se como Ele andou, em santidade, piedade amor pelos irmãos (Efésios 5:1). 
 
Um Serviço Alegre, Sincero e Submisso

Um outro ponto importante abordado por Benjamin Keach acerca da piedade é que a conformidade da vida à Palavra tem como fruto um serviço sincero e devoto ao Senhor. Ter o coração conformado a Deus é servi-lO com gratidão não como meio de barganhar com o Senhor algumas vantagens. 
 
Nesse sentido, Keach denuncia:
Há alguns que servem a Deus para poder usar Deus, mas o cristão autêntico anseia pela graça, não só que Deus o glorifique no céu, mas também que ele possa glorificar a Deus na terra. Ele exclama: “Senhor, dá-me um bom coração em vez de muitos bens”. Embora ele ame muitas coisas além de amar a Deus, ele não ama essas coisas mais do que ama a Deus. Este homem teme o pecado mais do que o sofrimento e, portanto, prefere sofrer do que pecar.
Em nossos dias, o número de igrejas que substitui a verdadeira piedade cristã por uma lista legalista de fazer e não fazer e por prescrições místicas é demasiadamente grande, e os objetivos de tais homens são expostos de maneira muito objetiva: receber de Deus bens, riquezas, bem-estar e a satisfação de todas as vontades que possam emergir do coração caído “para esbanjar em seus deleites” (Tiago 4:1).

Tais homens se portam como pagãos. Aqueles mesmos idólatras que apresentavam oferendas aos seus deuses buscando barganhar com eles dádivas, a fim de terem suas vontades satisfeitas, tentavam negociar qualquer coisa com seus deuses mortos e imorais.

Não é assim com o nosso Deus, pois Ele não precisa de nada. Não há nada digno que possamos usar para atrair a sua atenção para nós, para fazer-Lhe desejar-nos, e o verdadeiro cristão tem plena consciência disso. Servir a Deus não é um meio de barganha, mas a maior honra de sua vida, e isso consiste em abandonar o status de condenado pecador, escravo do pecado, do diabo e do mal, para agora tomar o Seu jugo e Seu fardo que é leve; é ser recebido, transformado e adotado; é caminhar conforme a vontade santa e pura do seu Senhor. Não há maior riqueza para a alma senão Deus. Em Cristo, o genuíno crente é verdadeiramente satisfeito e sabe que habitando nEle e gozando de Sua Graça, nada lhe faltará.

Concluímos, portanto, que a piedade genuína não somente possui como a sua essência a Palavra de Deus, mas que essa Palavra é viva e transforma o coração do pecador, conduzindo-o a amar o que Deus ama e a odiar o pecado e tudo o que Deus odeia, e a se regozijar em servir ao Seu Mestre.

O crente genuíno por compreender que seu Deus é santo e que a vontade dEle é pura, santa, justa, boa e agradável, nega a si mesmo e busca caminhar em conformidade com o seu Senhor.

Uma religião puramente intelectual ou interesseira, que não tem prazer na lei de Deus e nem ódio pelo pecado nada mais é do que uma falsa religião, uma piedade falsificada que não conhece de fato nem as Escrituras nem o poder de Deus e caminha em seu vão engano para a condenação e o afastamento perpétuo do Deus santo.

Que o Senhor nos livre de caminhar como tais homens, cegos e idólatras de seus próprios egos. Que Ele gere em nós uma genuína piedade que consiste em conhecer de maneira viva e verdadeira ao Senhor, tendo nossos corações conformados à Sua perfeita e soberana vontade revelada a nós.


Soli Deo Gloria.

As citações foram extraídas e traduzidas do artigo Descripción de La verdadera Piedad publicado no jornal Porta Voz de La Gratia nº 192.

— Esta série de artigos foi postada inicialmente no blog Herança Batista Pactual e é reproduzida aqui com a permissão do autor. —

Sobre o autor
Janyson Ferreira
Janyson Costa Ferreira é casado com Karolynne e pastor presidente da Primeira Igreja Batista em Quatro-Bocas no Pará. É formado em direito pela Universidade Federal do Pará, especialista em direito do trabalho. Especialista em aconselhamento e capelania pela Faculdade Batista do Paraná. Graduado em teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon, no Ceará.


9 de março de 2020

O que está acontecendo no cristianismo?


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Certo, preciso me manifestar, pois se trata de algo muito importante para deixar de fazê-lo. O que está acontecendo no cristianismo? Nossos líderes ou influenciadores que já foram os “rostos” da fé estão cada vez mais se afastando dela. E, ao mesmo tempo, estão sendo muito vocais e ousados ​​em relação a isso. De maneira chocante, eles ainda querem influenciar os outros (com que propósito?) à medida que anunciam que estão deixando a fé. Vou apresentar minha conclusão e, em seguida, oferecerei algumas réplicas às declarações que li por alguns deles. Em primeiro lugar, nunca julgo pessoas fora da minha fé (mesmo que elas odeiem a religião ou o cristianismo). Essa não é minha posição. Tenho muitos amigos que não concordam com a minha religião e isso é 100% bom para mim. No entanto, quando se trata de pessoas dentro da minha fé, deve haver uma medida de lealdade e amizade e prestação de contas uns aos outros e à Palavra de Deus.

Minha conclusão para a igreja (a todos nós cristãos) é a seguinte: devemos PARAR de acreditar que líderes de louvor, líderes de pensamento, influenciadores, pessoas legais ou pessoas “relevantes” são as pessoas mais influentes da cristandade. (E sim, isso inclui pessoas como eu!). Há vinte anos venho dizendo (e eu provavelmente parecia ser bastante crítico para alguns de meus colegas) que estamos em um terreno perigoso quando a igreja direciona seus olhares para cantores de louvor de vinte anos de idade como sendo nossa fonte de verdade. Agora temos uma cultura de igreja que aprende quem Deus é cantando canções de louvor modernas, ao invés de aprender isso a partir dos ensinamentos da Palavra. Não estou sendo rude com meus amigos líderes de louvor (muitos deles concordariam comigo) em dizer que cantores e músicos são bons em comunicar emoções e sentimentos. Criamos um momento e um veículo para Deus falar. Contudo, os cantores nem sempre são os melhores para escrever verdade e doutrina bíblicas sólidas. Às vezes, somos muito jovens, ignorantes demais nas Escrituras, ignorantes demais ou despreocupados demais com a pureza das Escrituras e a santidade do Deus a quem estamos cantando. Você já considerou como é desrespeitoso cantar canções a Deus que são falsas sobre seu caráter?

Tenho alguns pensamentos e respostas específicos às declarações feitas pelos influenciadores de igreja que recentemente negaram a fé. Em primeiro lugar, estou surpreso que a coisa aparentemente mais importante para esses líderes que perderam a fé seja adotar uma nova postura ousada. Estão basicamente dizendo: “Tenho vivido e pregado corajosamente por vinte anos e conduzido gerações de pessoas com meus ensinamentos e, agora, não acredito mais nisso. Portanto, direi às pessoas corajosamente, e em alta voz, que estava tudo errado, enquanto eu, corajosamente, e em alta voz, as conduzo à minha próxima verdade.” Estou perplexo. Por que não se sentem envergonhados? Ou humilhados? Ou envergonhados, temerosos, confusos? Por que estão tão ansiosos em continuar liderando as pessoas quando claramente não sabem para onde estão indo?

Meu segundo pensamento é: por que as pessoas agem como se “ser autêntico” cobrisse uma multidão de pecados? Como se alguém fosse corajoso simplesmente por compartilhar viralmente todo pensamento ou questão obscura. Isso não é ser corajoso, é ser arrogante. Eles consideraram as ramificações? Como se fossem os precursores da verdade, eles dizem: “Eu costumava pensar de um jeito, praticá-lo e pregá-lo, mas agora aprendi toda a nova verdade e começarei a praticá-la e pregá-la”. Assim, os influenciadores tornam-se a voz da verdade em qualquer estágio da vida e em qualquer evolução que ocorra em seu pensamento.

Em terceiro lugar, há uma característica comum entre esses líderes /influenciadores, que basicamente acreditam que ninguém além deles está falando sobre o VERDADEIRO problema. Isso é simplesmente falso. Acabei de ler hoje a declaração de um renomado líder de louvor: “Como um Deus de amor poderia mandar pessoas para o inferno? Ninguém fala sobre isso.” Como se ele fosse a primeira pessoa a perguntar isso. Irmão, você não é tão único. A igreja tem lutado com isso por 1.500 anos. Literalmente. Todo mundo fala sobre isso. As crianças discutem sobre isso na escola dominical. Há cerca de um bilhão de livros escritos sobre o assunto. Só porque você não consegue a resposta que quer, não significa que não estamos dispostos a lutar com a questão. Lutamos com as Escrituras até que sejamos transformados pela renovação de nossas mentes.

Por fim, e de modo mais chocante, à medida que esses influenciadores negam sua fé, eles sempre terminam suas declarações com sua “nova percepção/nova verdade”, que é basicamente uma regurgitação das palavras de Jesus! É realmente bizarro e irônico. Eles dizem: “Estou negando minha fé, mas, lembre-se, ame as pessoas, seja generoso, perdoe os outros”. Humm, por quê? Isso não é realmente da natureza humana. Nenhuma criança nasce e diz: “Eu só quero amar os outros antes de amar a mim mesmo. Quero dar a outra face. Quero dar o meu dinheiro às pessoas necessitadas”. Esses são princípios bíblicos ensinados por um Profeta/Sacerdote/Rei dos reis que quer que vivamos segundo um padrão mais elevado que não é um padrão terreno, mas sim o padrão do “Reino de Deus”. Portanto, se Jesus não é a verdade e se a Palavra de Deus não é absoluta, então, ao pregar os ensinamentos de Jesus, você está endossando as palavras de um louco. Um lunático que disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ele também disse que estava vivo antes de Abraão, e que ver a ele era o mesmo que ver a Deus, pois ele era um com Deus. Então, por que um líder cristão que negou a fé promoveria a ideia de que “a generosidade é boa”? Como você saberia “o que é bom” sem os ensinamentos de Jesus? Suas ideias sobre o que é “bom” mudarão de ano em ano com base em sua experiência, tendências de cultura, opiniões populares etc.? Além disso, você continuará, ano após ano, a conduzir outros à sua ideia de bondade, embora não seja absoluta? Surpreende-me que tantos cristãos queiram os benefícios do reino de Deus, mas com a ressalva de que eles mesmos serão o rei.

É hora de a igreja redescobrir a preeminência da Palavra e valorizar o seu ensino. Precisamos valorizar a verdade no lugar do sentimento. Colocar a verdade acima da emoção. E o que estamos vendo agora é resultado do que a igreja fez ao levantar influenciadores que não valorizaram a verdade de maneira suprema, os quais, por sua vez, lideraram uma geração que também não acreditam na supremacia da verdade. E agora esses líderes que negaram a fé ainda estão orgulhosamente liderando e influenciando com ousadia outras pessoas para FORA da verdade.

É de admirar que alguns dos nossos líderes cristãos que negaram a fé estejam abandonando a verdade absoluta da Bíblia e que, subsequentemente, suas vidas estejam desmoronando? Eles estão cada vez mais se afundando no oceano enquanto gritam: “Agora eu encontrei a verdade! Sigam-me!” Irmãos e irmãs na fé em todo o mundo, pastores, mestres, líderes de louvor, influenciadores… Eu lhes imploro, por favor, por favor, em sua busca por relevância para o evangelho, NÃO encontremos maneiras criativas de moldar a Palavra de Deus à imagem de nossa cultura, sufocando as verdades inconvenientes. Antes, porém, nos agarremos ainda mais à âncora da Palavra viva de Deus. Pois ele NÃO muda. “Seca a relva e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Isaías 40.8).

Texto original: “What in God’s Name is Happening in Christianity?

Traduzido e revisado por Jonathan Silveira.

Fonte: TUPOREM

NOTA: O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução (quando houver). Não é permitido a alteração do conteúdo original e a utilização para fins comerciais. 
 
http://www.evangelhoinegociável.com/2020/02/o-que-esta-acontecendo-no-cristianismo.html
 
 

5 de março de 2020

O que está acontecendo no cristianismo?


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Certo, preciso me manifestar, pois se trata de algo muito importante para deixar de fazê-lo. O que está acontecendo no cristianismo? Nossos líderes ou influenciadores que já foram os “rostos” da fé estão cada vez mais se afastando dela. E, ao mesmo tempo, estão sendo muito vocais e ousados ​​em relação a isso. De maneira chocante, eles ainda querem influenciar os outros (com que propósito?) à medida que anunciam que estão deixando a fé. Vou apresentar minha conclusão e, em seguida, oferecerei algumas réplicas às declarações que li por alguns deles. Em primeiro lugar, nunca julgo pessoas fora da minha fé (mesmo que elas odeiem a religião ou o cristianismo). Essa não é minha posição. Tenho muitos amigos que não concordam com a minha religião e isso é 100% bom para mim. No entanto, quando se trata de pessoas dentro da minha fé, deve haver uma medida de lealdade e amizade e prestação de contas uns aos outros e à Palavra de Deus.

Minha conclusão para a igreja (a todos nós cristãos) é a seguinte: devemos PARAR de acreditar que líderes de louvor, líderes de pensamento, influenciadores, pessoas legais ou pessoas “relevantes” são as pessoas mais influentes da cristandade. (E sim, isso inclui pessoas como eu!). Há vinte anos venho dizendo (e eu provavelmente parecia ser bastante crítico para alguns de meus colegas) que estamos em um terreno perigoso quando a igreja direciona seus olhares para cantores de louvor de vinte anos de idade como sendo nossa fonte de verdade. Agora temos uma cultura de igreja que aprende quem Deus é cantando canções de louvor modernas, ao invés de aprender isso a partir dos ensinamentos da Palavra. Não estou sendo rude com meus amigos líderes de louvor (muitos deles concordariam comigo) em dizer que cantores e músicos são bons em comunicar emoções e sentimentos. Criamos um momento e um veículo para Deus falar. Contudo, os cantores nem sempre são os melhores para escrever verdade e doutrina bíblicas sólidas. Às vezes, somos muito jovens, ignorantes demais nas Escrituras, ignorantes demais ou despreocupados demais com a pureza das Escrituras e a santidade do Deus a quem estamos cantando. Você já considerou como é desrespeitoso cantar canções a Deus que são falsas sobre seu caráter?  
 
Tenho alguns pensamentos e respostas específicos às declarações feitas pelos influenciadores de igreja que recentemente negaram a fé. Em primeiro lugar, estou surpreso que a coisa aparentemente mais importante para esses líderes que perderam a fé seja adotar uma nova postura ousada. Estão basicamente dizendo: “Tenho vivido e pregado corajosamente por vinte anos e conduzido gerações de pessoas com meus ensinamentos e, agora, não acredito mais nisso. Portanto, direi às pessoas corajosamente, e em alta voz, que estava tudo errado, enquanto eu, corajosamente, e em alta voz, as conduzo à minha próxima verdade.” Estou perplexo. Por que não se sentem envergonhados? Ou humilhados? Ou envergonhados, temerosos, confusos? Por que estão tão ansiosos em continuar liderando as pessoas quando claramente não sabem para onde estão indo?  
 
Meu segundo pensamento é: por que as pessoas agem como se “ser autêntico” cobrisse uma multidão de pecados? Como se alguém fosse corajoso simplesmente por compartilhar viralmente todo pensamento ou questão obscura. Isso não é ser corajoso, é ser arrogante. Eles consideraram as ramificações? Como se fossem os precursores da verdade, eles dizem: “Eu costumava pensar de um jeito, praticá-lo e pregá-lo, mas agora aprendi toda a nova verdade e começarei a praticá-la e pregá-la”. Assim, os influenciadores tornam-se a voz da verdade em qualquer estágio da vida e em qualquer evolução que ocorra em seu pensamento.  
 
Em terceiro lugar, há uma característica comum entre esses líderes/influenciadores, que basicamente acreditam que ninguém além deles está falando sobre o VERDADEIRO problema. Isso é simplesmente falso. Acabei de ler hoje a declaração de um renomado líder de louvor: “Como um Deus de amor poderia mandar pessoas para o inferno? Ninguém fala sobre isso.” Como se ele fosse a primeira pessoa a perguntar isso. Irmão, você não é tão único. A igreja tem lutado com isso por 1.500 anos. Literalmente. Todo mundo fala sobre isso. As crianças discutem sobre isso na escola dominical. Há cerca de um bilhão de livros escritos sobre o assunto. Só porque você não consegue a resposta que quer, não significa que não estamos dispostos a lutar com a questão. Lutamos com as Escrituras até que sejamos transformados pela renovação de nossas mentes.  
 
Por fim, e de modo mais chocante, à medida que esses influenciadores negam sua fé, eles sempre terminam suas declarações com sua “nova percepção/nova verdade”, que é basicamente uma regurgitação das palavras de Jesus! É realmente bizarro e irônico. Eles dizem: “Estou negando minha fé, mas, lembre-se, ame as pessoas, seja generoso, perdoe os outros”. Humm, por quê? Isso não é realmente da natureza humana. Nenhuma criança nasce e diz: “Eu só quero amar os outros antes de amar a mim mesmo. Quero dar a outra face. Quero dar o meu dinheiro às pessoas necessitadas”. Esses são princípios bíblicos ensinados por um Profeta/Sacerdote/Rei dos reis que quer que vivamos segundo um padrão mais elevado que não é um padrão terreno, mas sim o padrão do “Reino de Deus”. Portanto, se Jesus não é a verdade e se a Palavra de Deus não é absoluta, então, ao pregar os ensinamentos de Jesus, você está endossando as palavras de um louco. Um lunático que disse “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Ele também disse que estava vivo antes de Abraão, e que ver a ele era o mesmo que ver a Deus, pois ele era um com Deus. Então, por que um líder cristão que negou a fé promoveria a ideia de que “a generosidade é boa”? Como você saberia “o que é bom” sem os ensinamentos de Jesus? Suas ideias sobre o que é “bom” mudarão de ano em ano com base em sua experiência, tendências de cultura, opiniões populares etc.? Além disso, você continuará, ano após ano, a conduzir outros à sua ideia de bondade, embora não seja absoluta? Surpreende-me que tantos cristãos queiram os benefícios do reino de Deus, mas com a ressalva de que eles mesmos serão o rei.  
 
É hora de a igreja redescobrir a preeminência da Palavra e valorizar o seu ensino. Precisamos valorizar a verdade no lugar do sentimento. Colocar a verdade acima da emoção. E o que estamos vendo agora é resultado do que a igreja fez ao levantar influenciadores que não valorizaram a verdade de maneira suprema, os quais, por sua vez, lideraram uma geração que também não acreditam na supremacia da verdade. E agora esses líderes que negaram a fé ainda estão orgulhosamente liderando e influenciando com ousadia outras pessoas para FORA da verdade.  
 
É de admirar que alguns dos nossos líderes cristãos que negaram a fé estejam abandonando a verdade absoluta da Bíblia e que, subsequentemente, suas vidas estejam desmoronando? Eles estão cada vez mais se afundando no oceano enquanto gritam: “Agora eu encontrei a verdade! Sigam-me!” Irmãos e irmãs na fé em todo o mundo, pastores, mestres, líderes de louvor, influenciadores… Eu lhes imploro, por favor, por favor, em sua busca por relevância para o evangelho, NÃO encontremos maneiras criativas de moldar a Palavra de Deus à imagem de nossa cultura, sufocando as verdades inconvenientes. Antes, porém, nos agarremos ainda mais à âncora da Palavra viva de Deus. Pois ele NÃO muda. “Seca a relva e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece para sempre” (Isaías 40.8).


Texto original: “What in God’s Name is Happening in Christianity?

Traduzido e revisado por Jonathan Silveira.

Fonte: TUPOREM

 

11 de janeiro de 2020

Os piores papas da História - Assassinatos, massacres e estupros



 
Papa Leão X - Wikimedia Commons



Papas particularmente ruins praguejaram a Igreja do século 10 ao 16. Nessa época, havia uma enorme promiscuidade entre a política dos nobres e a da Igreja, e pessoas sem qualquer formação religiosa - ou sequer interesse na vida religiosa - podiam chegar ao Trono de Pedro.

A corrupção desses papas seria um dos motivadores da Reforma Protestante. E a Reforma mudaria a dinâmica do poder entre reis e papas, também pondo uma enorme pressão sobre a Igreja Católica, encerrando a era dos escândalos.

10. Alexandre VI (1492-1503)


Crédito: Wikimedia Commons

Membro da família Bórgia, comprou o título, subornando os cardeais. Foi um investimento: por todo seu papado desviou dinheiro para a família, vendeu posições eclesiásticas, e mandou matar “hereges” para confiscar sua propriedade. Na imaginação popular, ainda hoje "Bórgia" é sinônimo de libertinagem - lenda mais infame é que teria cometido incesto com a própria filha. Mas foi também um grande patrono das artes e aceitou em Roma os judeus expulsos da Espanha em 1492.

9. Urbano VI (1378-1389)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Seu problema era a falta de diplomacia. Austero e propenso a ataques de fúria, era tão detestado que os cardeais elegeram um segundo papa em seu mandato. Isso deu início ao Cisma do Ocidente, quando o catolicismo teve dois líderes rivais, de 1378 a 1417. Isso causou uma guerra civil em Portugal entre facções que apoiavam papas diferentes. Sua "solução" foi mandar torturar os cardeais que o rejeitaram, reclamando que não ouvia gritos o suficiente.

8. Leão X (1513-1521)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Na inauguração de seu mandato, ele mandou pintar um menino em ouro e fazê-lo desfilar em Roma, anunciando uma nova "Era Dourada". A criança morreu, mas a festa continuou. Esse seria seu crime: a ostentação.

Da família Médici, foi criado desde criança para a carreira religiosa, e não parece ter passado por escândalos sexuais. Mas arruinou os cofres da Igreja com sua gastança em arte e arquitetura. O que levou à ideia de cobrar indulgências, pedir dinheiro para absolver os pecados, revoltando certo monge alemão chamado Martinho Lutero. O papa finório nem se incomodou em defender a Igreja do ataque, e o cristianismo seria dividido até hoje.

7. Bonifácio VIII (1294-1303)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Declarou o poder absoluto do pontífice sobre todos os outros governantes. Com seu exército, saqueou e queimou a cidade de Palestrina em 1298, fazendo 6 mil mortos. Foi deposto militarmente pelos franceses.

Curiosamente para quem queria o papa como imperador do mundo, parece que não acreditava em Deus. Segundo o historiador britânico John McCabe, ele teria afirmado diante de bispos, arcebispos e um rei: "Nunca existiu jesus e a hóstia é só água e farinha. Maria não era mais virgem que minha própria mãe e não existe mais problema em adultério que em esfregar uma mão na outra".

6. Clemente VII (1523-1534)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Outro com tara por guerra. Membro da família Médici, suas maquinações políticas levaram à Guerra da Liga de Cognac, em que franceses e italianos enfrentaram espanhóis e alemães. Em 1527, uma tropa alemã-espanhola se amotinou com a falta de pagamento e rumou para Roma, que foi saqueada e arruinada. Com isso, Clemente seria o maior responsável pelo fim da Renascença italiana.

5. Inocêncio IV (1243-1254)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Este não foi condenado por seus contemporâneos. Não se envolveu em nenhum escândalo e o que fez era considerado perfeitamente sensato. Mandou confiscar e queimar todos os talmudes, o livro sagrado extra-bíblico dos judeus - mas tentou evitar que eles fossem linchados pelo populacho e exigiu que os cruzados não os massacrassem.

Mas a parte mais influente de seu legado seria a bula Ad Extirpanda, de 1252. Ela autorizou e regulamentou o uso de tortura pela Inquisição. A regra era que não podia haver mortes ou amputações, e que as execuções seriam feitas por autoridades seculares. Estas podiam confiscar a propriedade como ressarcimento pelo serviço prestado. Não é difícil imaginar a que isso levou: condenações por "heresia" por puro interesse econômico.

4. João XII (955-964)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Num sínodo, em 963, recebeu diversas acusações. Teria fornicado, incluindo com sua sobrinha; estuprado peregrinas; castrado um padre e cegado outro; feito brindes aos deuses e ao diabo. Convocou um sínodo para declarar a si mesmo inocente e mandou mutilar ou matar seus acusadores. Acabou morto por um marido ciumento.

3. Estêvão VI (896-897)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Para agradar aliados políticos, mandou escavar o corpo putrefato do seu pré-antecessor, o papa Formoso, e o pôs num trono para que fosse julgado, no que ficou conhecido como Sínodo do Cadáver. Condenado, o corpo teve os dedos cortados, para que todas suas bênçãos fossem consideradas inválidas. Foi enterrado, desenterrado outra vez e atirado ao rio Tibre. O julgamento causou escândalo e o papa foi preso e estrangulado meses depois.
 
2. Sérgio III (904-911)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Julgar cadáveres não era suficiente para Sérgio, que mandou executar seus dois antecessores. Mandou desenterrar outra vez o pobre Formoso, anulou novamente todas suas decisões e providenciou um túmulo mais honrado para Estêvão, que havia morrido em desgraça.

Era também um grande festeiro: seu papado foi o início da “pornocracia”, o domínio das prostitutas com que os papas se cercavam. Com uma delas, Sérgio teve um filho, que se tornaria o papa João XI (ausente nesta lista, felizmente).

 1. Bento IX (1012 - 1056)
 
Crédito: Wikimedia Commons

A razão da pilha de números acima é que o Benedito vendeu seu papado e se arrependeu. O trono papal foi um presente de seu pai, que comprou ou pressionou os cardeais a colocarem ele "na fila". Assumiu pela primeira vez aos 20 anos. Acumulando escândalos e decidido a casar, ofereceu a cadeira a seu padrinho, o padre Giovanni Gratian - ao custo de suas "despesas" com a eleição.

Como o casamento não deu certo, voltou à Roma e conquistou a cidade militarmente. Expulso, faria mais uma vez. Foi acusado de assassinatos, estupros, bestialidade, sodomia... enfim, a ficha corrida média dos piores papas de seu tempo.


+ sobre a Igreja Católica e este período histórico:

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2. Como A Igreja Católica Construiu A Civilização Ocidental, de Thomas E. Woods Jr (2008) - https://amzn.to/2Qowkga

3. As verdades que nunca te contaram sobre a Igreja Católica: A verdade por trás das cruzadas, da inquisição e muito mais, de Alexandre Varela e Viviane Varela (2018) - https://amzn.to/36079Hv

4. História do cristianismo: Uma obra completa e atual sobre a trajetória da igreja cristã desde as origens até o século XXI, de Bruce Shelley (2018) - https://amzn.to/2Q2trD3

5. História da Igreja Católica, de J. Derek Holmes e Bernard W. Bickers (2006) - https://amzn.to/2PZGJQw


https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/os-10-piores-papas-da-historia.phtml?

11 de novembro de 2019

5 Clichês Cristãos que você tem que Parar de Usar



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As vezes, nós cristãos só precisamos de algo para dizer. Nós sentimos como que tendo algum pedaço de sabedoria a oferecer, alguma resposta a uma crise, alguma esperança. Mas às vezes, o nosso conselho não é tão útil como nós imaginamos.

É como quando Jó acaba de sofrer uma perda devastadora, e seus três “amigos” têm todas as respostas. Eles têm os clichês, e Jó os deixa ter: Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria. Jó 12:2

Então, quais truísmos de cultura cristã fazem mais dano do que bem? Allison Duncan de Relevant tem cinco que ela acha que você deve se livrar nesse instante. Eles podem ser cativantes, ela diz, mas eles também são enganosos. Aqui está sua lista:
 
1. Todos os pecados são iguais. Nenhum pecado é pior do que o outro.

Enquanto todo pecado é uma ofensa a um Deus perfeito, alguns pecados fazem muito mais dano do que outros. É por isso que no Antigo Testamento, “diferentes penalidades e consequências são atribuídas a diferentes tipos de transgressões”.
 
2. Perdoe e esqueça.

Esquecer como alguém pecou contra nós pode ser contraproducente, diz Duncan. Perdoar não é uma opção, pois de fato é um mandamento de Jesus. “Mas isso não significa que temos que confiar em pessoas não confiáveis ou tornar-nos vulneráveis a eles novamente.”
 
3. Deus não está interessado em fazer você feliz; Ele está interessado em te fazer santo.

O problema com este? Combina a santidade e a felicidade uns contra os outros, como se fossem opostos. Em vez disso, devemos aprender a mudar nossa perspectiva sobre o que a felicidade realmente significa:

“A verdadeira felicidade não é sobre nós. É sobre Deus. Trata-se de estar unido a Ele, o que leva à sabedoria e à justiça”.
 
4. Durante os momentos de sofrimento, você estará mais perto de Deus porque tem que depender mais dEle.

Você pode se sentir mais próximo em seu sofrimento, Duncan diz, mas algumas pessoas acabam mais distantes. A Bíblia está cheia de exemplos de ambos. A questão é que devemos procurar e louvar a Deus, não importa as circunstâncias. Pessoas podem procurar intimidade junto a Deus passando ou não por sofrimento.
 
5. Se você sente Deus distante, a verdade é que você é quem está distante de Deus

Isso é realmente como culpar a pessoa sofredora em vez de abraçá-la. Deus pode ou não se afastar por Suas próprias razões misteriosas, e a pessoa também pode ou não se afastar, nós simplesmente não podemos ter certeza. “Não acrescentem à dor das pessoas declarando-as automaticamente culpadas.”
 

E você, conhece algum clichê cristão?
 
 

Fonte: CrossWalk
 
https://bibliacomentada.com.br/index.php/5-cliches-cristaos-que-voce-tem-que-parar-de-usar
 
 

30 de julho de 2019

UM NOVO MODISMO, OU O RETORNO ÀS PRÁTICAS PRIMITIVAS DA IGREJA?

 

 
Até o início do quarto século com a ascensão ao trono romano do imperador Constantino (312 a 337 d/C), a Igreja cristã reunia-se exclusivamente nas casas de seus membros. A adoção de um templo para reunião de cristãos foi uma invenção megalomaníaca de Constantino, posterior ao início do quarto século. Veja o que dizem três dos mais credenciados historiadores eclesiológicos da atualidade:

Em Historical Approach to Evangelical Worship (Uma Abordagem Histórica da Adoração Evangélica), página 103 e em History of the Christian Church (História da Igreja Cristã): Volume 3, página 542, SCHAFF escreve: “Depois da cristandade ser reconhecida pelo estado e autorizada a ter propriedades (pós-Constantino), ela passou a erigir templos de adoração em todas as partes do Império Romano. Provavelmente havia mais edifícios deste tipo no século IV do que houve em qualquer período da história, exceto talvez, no século XIX nos Estados Unidos...”. Em To Preach or Not to Preach? (Com ou Sem Propósitos de Oração), página 29, NORRINGTON diz que: "Na medida em que os Bispos dos séculos IV e V cresciam em riqueza, eles canalizaram tais riquezas através de um elaborado programa de construção de templos de Igrejas". Em Early Christians Speak (O Falar dos cristãos Modernos), página 74, FERGUSON afirma que: "Até a ascensão de Constantino não encontramos nenhum edifício especialmente construído para a reunião da igreja, ela se reunia em casas simples ou casas adaptadas; após a ascensão de Constantino, as construções começaram: primeiro simples salões, depois basílicas e finalmente grandes catedrais foram erigidas".

Existem na Bíblia um grande número de versículos que mostram claramente a igreja se reunindo na casa de um de seus membros, e nenhuma só referência a uma reunião da Igreja acontecendo num templo, numa sinagoga ou em algum outro local especialmente construído para esta finalidade.

Veja por exemplo os dois primeiros versículos da carta escrita por Paulo ao seu cooperador Filemon, está claramente escrito que a Igreja se reunia na casa deste irmão. Igualmente, em Colossenses 4:15, Paulo manda uma saudação à irmã Ninfa, em cuja casa se hospedava a Igreja de Laodicéia.

Os exegetas nos contam que a carta que Paulo escreveu aos Romanos, ele a escreveu enquanto estava na cidade de Corinto e por isto, em Romanos 16:23, ele envia aos irmãos de Roma uma saudação do irmão Gaio, que além de o estar hospedando naquela data, também era o hospedeiro de toda a Igreja de Corinto. Devido a este fato é que falando aos irmãos em 1Coríntios 14:23, ele traz uma direção de como proceder, quando a Igreja toda estivesse reunida no mesmo lugar (neste caso, a casa do irmão Gaio).

Preste bastante atenção em cada palavra dos seguintes textos bíblicos: Atos 12:2; Atos 21:8-14; Atos 16:40; Atos 20:17-20 e Tito 1:7-11. Porque você acha que em todos estes textos, associados à casa dos irmãos, há pessoas: congregadas, orando, profetizando, confortando uns aos outros e ensinando? Logicamente, por se tratar das atividades cotidianas da Igreja, que se reunia, exatamente nestas casas mencionadas.

O casal Áquila e Priscila sempre cooperaram com o ministério de Paulo, e também eram missionários que migravam levando o evangelho. A Bíblia menciona por duas vezes que em cidades diferentes, onde eles se encontravam, eles hospedavam a Igreja do local em suas casas. Confira isto lendo: 1Coríntios 16:19 e Romanos 16:3-5.

Um caso muito especial é o caso de Jerusalém, uma das metrópoles da época. A Bíblia diz que em Jerusalém os cristãos primitivos partiam o pão (a principal reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 2:46), eles também ensinavam (outra importante reunião da Igreja) de casa em casa (Atos 5:42). Quando Saulo começou a perseguir esta igreja, com o propósito de prender os cristãos (Atos 8:3), ele entrava de casa em casa (porque era aí que os cristãos se reuniam). Os historiadores mencionados no início do estudo, nos contam que Jerusalém, durante o primeiro século, teve centenas de casas onde os cristãos se reuniam. Nestes dois primeiros textos, também é mencionado que os cristãos iam ao templo Judaico. Será que eles iam lá para a reunião da Igreja? Lógico que não! Você acha que os Sacerdotes que os ameaçavam (Atos 4:15-21), os espancavam (Atos 5:40) e os levavam para o cárcere (Atos 4:1-3 e Atos 5:17-18) por ensinar no nome de Jesus; iam ceder o templo Judaico para a reunião da Igreja? É irracional pensar desta forma. Eles se reuniam apenas no Pórtico de Salomão (Atos 5:12), que era uma parte do átrio exterior do templo. Esta parte era aberta também aos gentios e um local de frequentes debates e muito comércio (Mateus 21:12). Os Apóstolos iam lá com propósitos evangelísticos, conforme a Bíblia nos mostra (Atos 2: 40-41 e Atos 4:4). Que em Jerusalém os cristão se reuniam de casa em casa (isto é nas casas de seus próprios membros) é um fato bíblico e históricamente comprovado.

Outro caso muito interessante refere-se a outra metrópole da época que era Roma. O apóstolo Paulo ao escrever sua carta aos cristãos daquela cidade, saúda nominalmente um primeiro grupo: “Áquila, Priscila bem como à Igreja que se reunia na casa deles” (Romanos 16:3-5). Ele também saúda nominalmente um segundo grupo: “Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que se reúnem com eles” (Romanos 16:14). E saúda ainda nominalmente um terceiro grupo: “Filólogo, Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que se reúnem com eles” (Romanos 16:15). Vemos que existiam em Roma, pelo menos três grupos distintos de cristãos (que se reuniam em casas também distintas) por ocasião desta carta. O mais interessante é que quando Paulo chega em Roma, ele não começa a se reunir em nenhum dos locais já existentes. Ele começa um quarto grupo em uma casa que ele mesmo alugara (Atos 28:30-31). Porque isto? Será que Paulo não se dava bem com os outros três grupos de cristãos? Amados devemos entender que casas são geralmente pequenas (comportando um grupo pequeno de cristãos), e quando Paulo chegou em Roma provavelmente as outras três casas, onde os cristãos se reuniam, já estavam no limite máximo de pessoas; assim ele normalmente começou um quarto local para reunião de cristãos em sua própria casa.

Uma última explicação necessária, refere-se ao texto de Atos 20:8 onde é mencionado que os irmãos estão reunidos num cenáculo. Muitos por desconhecerem o grego, confundem um cenáculo com um templo, sinagoga ou algum outro tipo de “local mais próprio para reuniões, do que uma casa”. A palavra grega para cenáculo é “huperoon”, e significa simplesmente uma casa maior com um segundo pavimento. Veja isto claramente mostrado nos textos de Atos 1:13 (onde os cristãos estão reunidos num cenáculo, à espera do Espírito Santo) e Atos 2:2 (onde o Espírito Santo ao ser derramado enche toda a casa onde eles ainda continuavam reunidos e esperando por Ele). O cenáculo mencionado é apenas uma casa grande, com um pavimento superior (comum aos mais ricos da época).

Visando refutar esta lógica bíblica de clareza impressionante, alguns teólogos modernos, com o propósito de defender e sustentar o “denominacionalismo” tem feito três afirmações, que passaremos a analisar à seguir:

Primeiramente afirmam que a Igreja realmente começou reunindo-se nas casas de seus membros; mas que isto se deu exclusivamente por causa da perseguição imposta sobre ela; que isto durou poucos anos e que as casas e as catacumbas foram apenas locais provisórios de reunião visando fugir da perseguição. Tanto a Bíblia quanto a história desmentem estes argumentos. Lucas disse em Atos 9:31, que: “A igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número”. Interessante notar que durante todo este período de paz, a Igreja está se reunindo nas casas de seus membros (logo o motivo de reunir-se em casas não foi a perseguição). A história também nos mostra que em termos cronológicos, a perseguição foi esporádica nos primeiros séculos e não algo permanente. Durante as perseguições, realmente os cristãos se refugiavam nas catacumbas, mas tão logo amainavam as perseguições, a Igreja voltava a se reunir no ambiente determinado pelo Espírito Santo, ou seja as casas dos irmãos, que a constituíam.

Seu segundo argumento é que tanto Jesus, quanto os apóstolos primitivos apoiavam a “reunião numa sinagora”, visto que falavam e participavam de reuniões em tais lugares. Dizem eles que o moderno templo (seja católico ou evangélico), é algo derivado da sinagora, e que sendo assim, o fato de Jesus e os apóstolos tê-los freqüentado, credencia os templos atuais, como locais de reunião da Igreja. Eles se esquecem que os Judeus haviam determinado, conforme vemos em João 9:22 e João 12:42 que se alguém se tornasse cristão, deveria ser expulso das sinagogas. Sinagora, é lugar de reunião de Judeus não de cristãos. Jesus e os apóstolos primitivos eram Judeus, por isto participavam das reuniões dos Judeus. Da mesma forma, que com relação ao templo de Jerusalém, os cristãos primitivos iam às sinagogas com propósito evangelístico como vemos em Atos 14:1 e Atos 18:4. Não existe menção de uma só “reunião da Igreja” acontecendo numa sinagora. Sinagora e templo são culturas cultura judaicas ou pagãs, não fazem parte da Igreja e do cristianismo primitivo. Por entrarem lá os cristãos primitivos não os estavam avalizando (como local para reunião da Igreja), e sim os utilizando com propósitos específicos (1Coríntios 9:20-23).

Um terceiro argumento destes teólogos modernos, é que o significado da palavra grega da qual veio nosso vocábulo Igreja, seria “os chamados para fora de suas casas”. Isto soa forte e impressiona, devido a não temos conhecimento do grego. Assim engolimos tal afirmação, como sendo um forte argumento. Entretanto o vocábulo grego “ekklesia”, do qual veio nossa palavra “Igreja”, é composto de duas outras palavras, “ek + kaleim”. A palavra “Kaleim” significa simplesmente “chamados” e o prefixo “ek” significa “para fora”. Então o significado de Igreja é “os chamados para fora”. A palavra grega para casa é “oikos”, e não está presente no vocábulo Eklesia (Igreja). Porque então traduzir Igreja como “os chamados para fora de suas casas”? Se queremos aclarar a explicação do vocábulo, não seria mais lógico e bíblico dizer que a Igreja é o conjunto dos “chamados para fora”, do sistema mundano e carnal criado e mantido pelo diabo. Assim sendo, preferimos ficar com aquilo que a bíblia diz, pois tememos acrescentar algo à Palavra de Deus (Apocalipse 22:18).

Os versículos e argumentos acima são mais que suficientes para provar a qualquer cristão sincero, que não há comprovação bíblica e nem histórica (pelo menos até o início do quarto século) para reuniões da Igreja em nenhum tipo de lugar que não sejam as próprias casas de seus membros! Seria tão estranho para os cristãos primitivos se reunirem em templos, como é estranho para alguns cristãos atuais reunirem-se em casas.

Más reunindo-se em tantos locais (casas) diferentes, em uma mesma cidade, isto não irá produzir grande divisão entre os cristãos, quebrando assim a unidade da Igreja na cidade?

Tanto a Bíblia quanto a história desmentem este conceito, Reunir-se em várias casas (e nelas partir o pão), foi a realidade da Igreja Primitiva, e nunca a dividiu. A Mesa (princípio de comunhão) continuou única, apesar de estar presente em vários locais. O que divide não são os muitos locais de reunião e sim algumas atitudes do coração de quem está se reunindo. Veja isto: Marcos 7:21-23 - 1Coríntios 3:3-6 - Gálatas 2:6-10 - 1João 1:1-3.

Quando nos recusamos a ter comunhão (um anti-tipo da Mesa) com irmãos genuinamente salvos, aí sim estamos dividindo o Corpo de Cristo. Aquele que Cristo aceitou, tem comigo unidade de espírito, porque eu também fui aceito por Ele. Ainda que não tenhamos chegado à unidade de fé, podemos ter comunhão. Veja isto em Efésios 4: 3-16. Esta postura realmente divisiva, é vista claramente na conduta do Presbítero Diótrefes (3João 9-11); que desejando ter a primazia (proeminência) entre os demais presbíteros, agia de maneira arbitrária e intransigente, se recusando a receber na comunhão outros irmãos cujo pensamento diferia do dele (incluindo entre estes o próprio apóstolo João); tentando impedir os demais irmãos da Igreja de recebê-los e chegando até mesmo a ameaçá-los com a expulsão da igreja.

Finalizo esta reflexão com uma última pergunta. Se ao construir sua casa material (o tabernáculo judaico), Deus deu um projeto preciso a Moisés e não permitiu nenhum acréscimo a este projeto original (Êxodo 25:9), será que na construção da sua casa espiritual, que é a Igreja (1Pedro 2:5), Deus permitiria tais acréscimos?

A pergunta correta não é porque nos reunirmos de casa em casa, já que isto faz parte do projeto original de Deus, para sua Igreja. A pergunta correta a ser feita é, onde obtivemos permissão para nos reunirmos de forma contrária ao projeto original. Se negligenciarmos este ponto fundamental da reunião da Igreja, a negligência em outros pontos também virá, será apenas uma questão de tempo (Lucas 16:10)!

https://despertacrentejo629.wordpress.com/2013/03/20/um-novo-modismo-ou-o-retorno-as-praticas-primitivas-da-igreja/

13 de julho de 2019

A Ruína do Ocidente e a Opção Anabatista


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René Malgo


Vivemos hoje em um ambiente de prosperidade, liberdade e progresso como nenhuma geração antes de nós. No entanto, ao mesmo tempo a vida espiritual e cheia de sentido está se perdendo na sociedade ocidental. O que fazer?

A parede já exibe a inscrição: “Mene mene tekel u-parsin” (Dn 5.25). O Ocidente “cristão” está afundando. Deus “contou” o nosso reino e “determinou o seu fim”. Pesou-nos “na balança” e constatou que estava “em falta”. Ele dividiu o reino e o entregou a outros (Dn 5.26-28). Se o apóstolo Pedro, no seu tempo, já escrevia aos cristãos acerca da iminência da perseguição que “chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus” (1Pe 4.17), isso nos deveria dar o que pensar.

Assim, por exemplo, o Oriente Médio outrora cristão, o berço da nossa fé e a pátria das maiores cabeças do cristianismo (como os três pais capadócios), já é islâmico há tempo – da Turquia, passando pela Síria e o Egito até a Argélia. E há quem tema que essa islamização também penetrará na Europa. A possibilidade existe. Um especialista imigrado do Oriente Médio disse – a respeito da ameaça de islamização da Alemanha – que ela não seria iminente, mas que já teria acontecido. O bonde já partiu e a Alemanha dormiu no ponto. A próxima geração comprovará se o seu tenebroso prognóstico se confirmará.

Por mais de mil anos o Deus vivo teve paciência com a Igreja Católica Romana, que dava o tom em termos religiosos na Europa Ocidental, até que o Senhor de todos os senhores e Rei de todos os reis proporcionou a Reforma – acompanhada de suas sangrentas consequências e a fragmentação de uma igreja visível e externamente unificada, formando inúmeras comunidades que hoje são em parte acirradas inimigas umas das outras. O grande e bom Médico assentou o bisturi e tratou o corpo enfermo. Talvez o Deus fiel, justo e misericordioso o faça de novo em nossos dias.
Nossos filhos e netos realmente frequentam escolas que não apenas toleram a impiedade, mas que a promovem ativamente.

Não sabemos quão próximo está o fim. Não sabemos se o Onipotente ainda concederá mais uma reforma e melhoria ou se o arrebatamento dos crentes para o céu está iminente (1Ts 4.16-17) e se o último grande anticristo já não estaria preparando o terreno (2Ts 2.3). Simplesmente não nos é dado “saber os tempos ou as datas” (At 1.7). Isto, porém, não significa que tenhamos de ser cegos e não possamos avaliar os sinais dos tempos.

Os fluxos de refugiados são um problema real para a estabilidade da sociedade. A crescente impiedade que nos cerca produzirá frutos extremamente venenosos. Podemos observar seus efeitos na dissolução de casamentos e famílias, na loucura de gênero e na pressão social do “politicamente correto”, que cada vez mais força as pessoas a não apenas tolerar perversões, mas até aprová-las. Vivemos numa sociedade na qual o mal é chamado de bem e o bem de mal, em que se faz luz das trevas e trevas da luz, e se converte o azedo em doce e o doce em azedo (Is 5.20). Assim é o fim dos tempos.

Esta sensação apocalíptica e opressiva, sob a qual muitos crentes sofrem mesmo em meio à sua grande prosperidade, não é casual. Externa e materialmente, muitos de nós estão em situação melhor do que nunca antes. Apesar da crescente impiedade, nossa liberdade ainda é maior do que nunca. Mas a inquietação que sentimos, os estados de pânico de que alguns se queixam apontam para um problema mais profundo, de natureza espiritual.

O cristão ortodoxo Rod Dreher alerta incansavelmente em seu blog contra a tendência anticristã da sociedade ocidental. Ele aponta, por exemplo, para a efetiva coação de grupo em escolas e universidades americanas, onde já se tornou recomendável ser transgênero e bissexual. Crianças e adolescentes facilmente influenciáveis, que só querem fazer parte da comunidade, estariam sendo forçadas pelas crianças descoladas e “esclarecidas” a questionar sua sexualidade, e assim, para estarem “incluídas”, assumir novos papéis sexuais supostamente fluidos. O que importa é que o menino não seja mais apenas menino e a menina não apenas menina. Esse desenvolvimento é assustador, e não se trata de pessimismo exacerbado referente somente aos Estados Unidos.

O que deveriam fazer os crentes? Rod Dreher propõe a opção beneditina, tomando como modelo o pai monástico Bento de Núrsia (480-547). Bento era filho de um proprietário rural, mas, quando seu pai o mandou a Roma para estudar, ele ficou chocado com a promiscuidade na cidade papal. Ele então se retraiu e fundou mosteiros de orientação rigorosamente ascética, cujos monges se mantinham à margem da sociedade, provendo seu próprio sustento para a partir daí influenciar positivamente a depravada vida europeia. Dreher não propõe isolar-se do mundo, mas enfatiza que os cristãos precisam voltar a aprender a organizar-se de forma autônoma, provendo eles mesmos educação e suprimento emocional, médico e físico para não permanecerem dependentes de um Estado cada vez mais anticristão.

Em resumo: Dreher apela para um retorno ao estilo de vida dos primeiros cristãos, que se retiram da Prostituta Babilônia com todas as suas brilhantes porém mortais tentações para, em vez disso, se reunirem em uma cidade pura (em sentido figurado) a fim de a partir dela levar o evangelho e ativo amor ao próximo – para uma sociedade desesperada e decaída.
Os anabatistas enfatizaram desde o início que a união com um Estado secular, ainda que benevolente, sempre será perigosa e crítica para a igreja.

As ideias de Dreher são boas, corretas e verdadeiras. No entanto, como protestante quero propor aqui uma opção diferente, embora basicamente similar, a saber, a opção anabatista. Em contraste com os altamente respeitados reformadores que Deus usou poderosamente, os anabatistas enfatizaram desde o início que a união com um Estado secular, ainda que benevolente, sempre será perigosa e crítica para a igreja. Os anabatistas também organizaram a si mesmos, mantiveram-se irredutivelmente fiéis à doutrina bíblica e a um estilo de vida puro e ético “no meio de uma geração corrupta e depravada” (Fp 2.15).

É claro que podemos criticar os anabatistas (como já antes Bento de Núrsia) de favorecer demais uma justificação por obras diante de Deus. Alguns anabatistas exageraram em seu isolamento do mundo. Contudo, ainda assim não deveríamos fechar os olhos diante da realidade, escondendo-nos entre nossas quatro paredes e fazendo de conta que as trevas passarão ao largo de nós sem nos atingir. Nossos filhos e netos realmente frequentam escolas que não apenas toleram a impiedade, mas que a promovem ativamente. O paganismo está de volta e, quanto antes nós, os crentes, reconhecermos isso e despertarmos, tanto antes poderemos ser sal e luz. No momento são justamente os muçulmanos radicais que representam para um número crescente de europeus ocidentais uma alternativa com sentido para o vazio espiritual do neopaganismo (basta lembrar as ondas de choque desencadeadas por um adepto do AfD, partido de extrema-direita alemão, ao se converter ao Islã, ou meninas escolares alemãs que se associam voluntariamente ao EI).

A crítica Mary Eberstadt mostra em seu livro How The West Really Lost God [Como o Ocidente Realmente Perdeu Deus] que a fé é como um idioma: só é possível aprendê-la em uma comunidade, começando com a comunidade familiar. Quando tanto as famílias como também a sociedade em si se dissolvem, e as pessoas são isoladas, a transmissão da fé à geração seguinte se torna muito mais difícil, porque uma fé que não é apresentada, experimentada e vivida na prática é morta (cf. Tg 2.26). Basta uma única geração fracassar em passar a fé adiante e esta desaparece da sociedade (alguém ainda se lembra da religião mais popular no Império Romano, o culto a Mitras? Não? Pois é!). A revolução sexual, a histeria de gênero, a alta taxa de divórcios, os assassinatos em massa por meio do aborto, a agressão à família – tudo isso faz parte, se me permitem essa ousada análise, de um plano de “alto nível” do Diabo, ou seja, de destruir para uma geração inteira a única fé salvadora e verdadeira.  
 
Se quisermos oferecer aos nossos filhos e a outras crianças uma boa perspectiva para o aquém e o além, nós cristãos temos de considerar essa opção beneditina ou anabatista: não fugindo do mundo, mas reconhecendo que a nossa pátria na terra não é o Estado, mas a própria igreja do Deus vivo.  
 
Em Dübendorf, onde se localiza a sede geral da nossa missão, existe uma escola cristã. Ela vem lutando por sua manutenção, e alguns membros da nossa igreja local tentam participar da luta, porque hoje o alvará que essa escola possui nunca mais seria expedido pelo Estado secular. Em nosso entorno, essa escola é uma chance de oferecer um contrapeso à decadência moral do Ocidente. Pense, olhe e observe se talvez existe a possibilidade de brilhar junto com outros cristãos como luz em um mundo cada vez mais escuro. Pois o seguinte princípio sempre permanece verdadeiro, mesmo na maior tribulação dos piores tempos do fim: onde brilha a luz de Deus, as trevas precisam ceder (1Jo 2.8; cf. Ef 2.19-22; Mt 5.16; Fp 2.15–16).
 

https://www.chamada.com.br/mensagens/a_ruina_do_ocidente_