Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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3 de maio de 2020

A sangrenta história das traduções da Bíblia




Direito de imagem Getty Images Image caption John Wycliffe (1330-1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século XIV 



Em 1427, o papa Martinho 5º ordenou que os ossos de John Wycliffe fossem exumados de seu túmulo, queimados e jogados em um rio. Wycliffe morrera havia 40 anos, mas a fúria causada por sua ofensa ainda permanecia viva.

John Wycliffe (1330-1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século 14.

Teólogo de profissão, ele foi chamado para assessorar o Parlamento em suas negociações com Roma.

Naquela época, a igreja era todo-poderosa, e quanto mais contato Wycliffe tinha com Roma, mais indignado ele se sentia. Em sua visão, o papado estava envenenado por corrupção e interesses pessoais. E ele estava determinado a fazer algo sobre isso.

Wycliffe começou a publicar panfletos argumentando que, em vez de buscar riqueza e poder, a igreja deveria se preocupar com os pobres.


Em uma ocasião, descreveu o papa como "o anticristo, o sacerdote mundano de Roma e o mais amaldiçoado dos batedores de carteira".

Em 1377, o bispo de Londres exigiu que Wycliffe aparecesse perante sua corte para explicar as "coisas surpreendentes que brotaram de sua boca".


 
Direito de imagem Getty Images 
Image caption Audiência que condenou John Wycliffe foi uma farsa do começo ao fim



O julgamento de Wycliffe na Catedral de São Paulo, em Londres, ocorreu em 3 de fevereiro de 1377.

A audiência foi uma farsa do começo ao fim.

Tudo começou com uma briga violenta sobre se Wycliffe deveria sentar-se ou não. Juan de Gaunt, filho do rei e aliado de Wycliffe, reiterou que os acusados permanecessem sentados; já o bispo exigiu que ele se levantasse.

Quando o Papa ouviu falar sobre o fiasco do julgamento, emitiu uma bula [carta ou documento oficial papal] em que acusou Wycliffe de "vomitar do calabouço sujo de seu coração as mais perversas e condenáveis heresias".

Wycliffe foi acusado de heresia e colocado em prisão domiciliar. Mais tarde, acabou forçado a deixar seu posto como professor do Balliol College, em Oxford.

'Emancipação dos pobres'

Wycliffe dizia acreditar firmemente que a Bíblia deveria estar disponível para todos. Via a alfabetização como a chave para a emancipação dos pobres.

Naquela época, embora partes da Bíblia já tivessem sido traduzidas para o inglês, ainda não havia uma tradução completa do livro sagrado.

As pessoas comuns, que nem falavam latim nem podiam ler, só podiam aprender com o clero. E muito do que eles achavam que sabiam, ideias como o fogo do inferno e o purgatório, não faziam parte das Escrituras.

Assim, com a ajuda de seus assistentes, Wycliffe produziu uma Bíblia em inglês, durante 13 anos, começando em 1382.

Era inevitável que uma reação violenta eclodisse: em 1391, antes que a tradução da Bíblia fosse concluída, um projeto de lei foi apresentado ao Parlamento para proibir a Bíblia em inglês e prender qualquer pessoa que possuísse uma cópia do livro sagrado.

O projeto de lei não foi aprovado - John de Gaunt cuidou disso no Parlamento -, mas a igreja retomou sua perseguição contra Wycliffe.

Mas Wycliffe havia morrido 7 anos antes, em 1384.

Sem alternativas, o melhor que podiam fazer era queimar os ossos [em 1427], de modo que seu túmulo não fosse reverenciado.

O arcebispo de Canterbury disse que Wycliffe tinha sido "aquele canalha pestilento, de memória condenável, sim, o precursor e discípulo do Anticristo que, além de sua maldade, inventou uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna".

Jan Hus

Em 1402, Jan Hus, um recém-ordenado padre tcheco, foi designado para celebrar missas em Praga.

Inspirado pelos escritos de Wycliffe, que então circulavam pela Europa, Hus usou sua posição para fazer campanha pela reforma administrativa e pelo fim da corrupção na Igreja.

Como Wycliffe, Hus dizia acreditar que a reforma social só poderia ser alcançada por meio da alfabetização.

Sendo assim, dar às pessoas uma Bíblia escrita em tcheco, em vez de latim, se tornou imperativo.

Hus reuniu uma equipe de estudiosos e em 1416 surgiu a primeira Bíblia tcheca.

A publicação do livro foi considerada uma provocação direta àqueles que ele chamou de "os discípulos do anticristo" e a consequência era previsível: Hus foi preso por heresia.

O julgamento de Hus, que ocorreu na cidade de Constança (atual Alemanha), é um dos mais espetaculares da história.A audiência teve a presença de quase todos os manda-chuvas da Europa.

Um arcebispo chegou com 600 cavalos; 700 prostitutas ofereceram seus serviços; 500 pessoas se afogaram no lago; e o papa caiu da carruagem em cima da neve.

O entorno era tão apoteótico que a eventual condenação e execução brutal de Hus poderia ser considerada um anticlímax nesta história.

Hus foi condenado como herege e morreu queimado vivo.

Sua morte desencandeou uma revolta popular. Sacerdotes e igrejas foram atacados. Houve retaliação por parte das autoridades. Em poucos anos, a Boêmia entrou em guerra civil.

Tudo porque Jan Hus teve a coragem de traduzir a Bíblia.
William Tyndale

Em relação à Bíblia inglesa, William Tyndale foi outro tradutor famoso que perdeu a vida por causa do livro sagrado.

Ele vivia na Inglaterra do século 16, governada pelo rei Henry VIII.

A tradução da Wycliffe ainda estava proibida e, embora as cópias dos manuscritos estivessem disponíveis no mercado negro, eram difíceis de encontrar e caras de adquirir. A maioria das pessoas ainda não tinha ideia do que a Bíblia realmente dizia.

Mas a impressão em papel estava se tornando mais comum, e Tyndale achou que era o momento certo para uma tradução acessível e atualizada.Ele sabia que poderia criar uma. Tudo o que ele precisava era do financiamento e da bênção da igreja.

No entanto, rapidamente se deu conta de que ninguém em Londres estava disposto a ajudá-lo. Nem mesmo seu amigo, o bispo de Londres, Cuthbert Tunstall.

Mas o clima religioso parecia menos opressivo na Alemanha.

Lutero já havia traduzido a Bíblia para o alemão; a Reforma Protestante estava se acelerando e Tyndale achava que teria mais sucesso com seu projeto ali. Então, viajou a Colônia e começou a imprimi-la.

Sua iniciativa provou-se um erro. Colônia ainda estava sob o controle de um arcebispo leal a Roma.

Quando estava no meio da impressão do Evangelho de São Mateus, descobriu que as autoridades estavam prestes a invadir a gráfica. Rapidamente, pegou seus originais e fugiu.

Essa história se repetia várias vezes. Tyndale passou os anos seguintes esquivando-se de espiões ingleses e de agentes romanos.

Mas ele conseguiu concluir sua Bíblia e as cópias logo inundaram a Inglaterra ─ ilegalmente, é claro.

O projeto estava completo, mas Tyndale era um homem marcado pelas autoridades. E ele não era o único.

O cardeal Wolsey estava fazendo campanha contra a Bíblia de Tyndale. Ninguém próximo a Tyndale estava a salvo.

Thomas Hitton, um padre que conheceu Tyndale na Europa, confessou ter contrabandeado duas cópias da Bíblia para a Inglaterra. Ele foi acusado de heresia e queimado vivo.

Um advogado que mal conhecia Tyndale, Thomas Bilney, também foi jogado nas chamas em 1531.

Richard Bayfield, um monge que havia sido um dos primeiros apoiadores de Tyndale, foi torturado incessantemente antes de ser amarrado à estaca e queimado. E um grupo de estudantes em Oxford foi confinado em uma masmorra, usada para armazenar peixes salgados, até a morte. O fim de Tyndale não foi menos trágico.

Ele foi traído em 1535 por Henry Phillips, um jovem aristocrata que roubara o dinheiro do pai e o perdera em apostas.

Tyndale estava escondido em Antuérpia, sob a proteção quase diplomática da comunidade mercantil inglesa. Phillips tornou-se amigo de Tyndale e o convidou para jantar. Quando deixaram a casa do comerciante inglês juntos, Phillips fez um gesto a criminosos para que Tyndale fosse preso.

Foi o último momento de sua vida em liberdade.

Tyndale foi acusado de heresia em agosto de 1536 e queimado na fogueira algumas semanas depois.Em Antuérpia, a cidade onde Tyndale acreditava estar seguro, Jacob van Liesveldt produziu uma Bíblia em holandês.

Como tantas outras traduções do século XVI, seu ato foi tanto político quanto religioso.

Sua Bíblia foi ilustrada com xilogravuras: na quinta edição, ele representou Satanás com a aparência de um monge católico, com pés de bode e um rosário.

Foi um passo longe demais.

Van Liesveldt foi preso, acusado de heresia e condenado à morte.
 
Uma era assassina


O século XVI foi, de longe, o período mais sangrento para os tradutores da Bíblia.

Mas as traduções sempre geraram - e continuam a gerar - fortes emoções.

Em 1960, a Reserva da Força Aérea dos EUA alertou os recrutas contra o uso da Versão Padrão Revisada recém-publicada na época porque, segundo eles, 30 pessoas em seu comitê de tradução haviam sido "afiliadas às frentes comunistas".

Em 1961, o americano TS Eliot, um dos principais poetas do século XX, opôs-se à Nova Bíblia em inglês e escreveu que "assusta sua combinação do vulgar, do trivial e do pedante".E tradutores da Bíblia ainda estão sendo mortos. Não necessariamente por causa da tradução do livro sagrado, mas por suas atividades como missionários cristãos.

Em 1993, Edmund Fabian foi assassinado na Papua Nova Guiné por um homem local que o ajudara a traduzir a Bíblia.

Em março de 2016, quatro tradutores da Bíblia que trabalhavam para uma organização evangélica dos EUA foram mortos por militantes em um local não revelado no Oriente Médio.

Traduzir a Bíblia pode parecer uma atividade inofensiva, mas a história mostra que não.

*O escritor britânico Harry Freedman é especializado em história da religião. É autor do livro The Murderous History of Bible Translations (A História Assassina das Traduções da Bíblia, em tradução livre).
https://www.bbc.com/portuguese/geral-48403194

26 de abril de 2020

Porque a Bíblia tem tantas linguagens e traduções diferentes?




Quais traduções usar? Por que existem tantas versões diferentes da Bíblia?

(1) Devemos compreender que entre as traduções sérias existem certas diferenças dependendo do objetivo que a tradução tem. Por exemplo, temos traduções que primam pela tradução palavra por palavra dos textos originais em hebraico, aramaico e grego. Geralmente são traduções boas para estudo, mas que trazem certa dificuldade para um entendimento mais rápido do texto, já que várias expressões nos originais quando traduzidas quase que literalmente para o português não deixam o texto tão claro e trazem expressões de difícil compreensão.

(2) Outras traduções têm o objetivo de apresentar ao leitor o sentido central do texto em uma linguagem mais atual e de fácil compreensão. Por exemplo, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje tem esse objetivo. Ela não é traduzida palavra por palavra dos originais, mas tem como objetivo captar o sentido central do texto, apresentando-o de forma mais simples em termos de linguagem. Nesse tipo de Bíblia, por exemplo, até as medidas de capacidade e comprimento já vêm traduzidas para nosso sistema brasileiro. Veja esse exemplo: “Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinquenta, a largura; e a altura, de trinta.” (Gênesis 6:15 – Almeida Revista e Atualizada). Veja agora esse mesmo texto na NTLH: “As medidas serão as seguintes: cento e trinta e três metros de comprimento por vinte e dois de largura por treze de altura” (Gênesis 6:15 – NTLH). Isso agiliza o entendimento do texto.

(3) Também podemos observar que algumas traduções são revisões de traduções mais antigas, que trazem palavras que já estão em desuso ou mesmo palavras ou expressões que hoje em dia tem significados diferentes do que exprimiam no passado. A língua de um povo é viva e vai mudando com o tempo. As revisões ajustam isso, permitindo que o texto bíblico traduzido seja sempre atual em seu sentido nos originais. Como exemplo podemos citar as traduções de João Ferreira de Almeida, que vem sendo aperfeiçoadas a muitos anos. Inclusive já temos versões que acompanham o novo acordo ortográfico vigente no Brasil, onde pontuações e grafias de palavras foram mudadas.

(4) Um ponto importante a se observar é que existem ainda outras traduções um pouco diferentes. Por exemplo, temos as traduções Católicas que trazem alguns livros a mais, que nós protestantes não aceitamos como sendo inspirados, e que são chamados de apócrifos. Temos ainda a Tradução Novo Mundo das Testemunhas de Jeová que, claramente, altera vários textos bíblicos e distorce seus significados para que se moldem às suas doutrinas. Esse tipo de tradução deve ser vista com muito critério e só deve ser usada como estudo apologético e comparativo.

(5) Sendo assim, creio que, das traduções sérias, podemos usar cada uma baseados no objetivo que se propõem, combinando as características de cada uma delas à forma de nosso estudo. Por exemplo, é muito indicado que novos convertidos tenham um primeiro contato com textos mais simples de entender. Para momentos devocionais e novos convertidos, versões como a NVI e a NTLH facilitam muito o entendimento mais rápido. Estudiosos mais avançados vão preferir versões mais fieis aos originais em cada expressão.



https://www.esbocandoideias.com/2015/11/porque-a-biblia-tem-tantas-linguagens-e-traducoes-diferentes.html?


22 de abril de 2020

10 frases que as pessoas pensam que estão na Bíblia





por: Antonio Júnior


A Bíblia precisa ser um mapa que norteia a nossa vida, um manual enviado por Deus para vivermos de acordo com a Sua vontade. Por isso o salmista disse que a Palavra é lâmpada para nossos pés, luz para o nosso caminho. Porém, o fato de não se conhecer as Escrituras, tem levado muitos cristãos a repetirem frases que ouviram de outras pessoas, achando que estão escritas na Bíblia, quando na verdade, não estão. E o profeta Oséias nos deixou um alerta vindo de Deus em relação a isso:
“Meu povo foi destruído por falta de conhecimento. Uma vez que vocês rejeitaram o conhecimento, eu também os rejeito como meus sacerdotes; uma vez que vocês ignoraram a lei do seu Deus, eu também ignorarei seus filhos.” (Oséias 4:6)
Quer um exemplo prático disso? No final dos anos 90, surgiu uma suposta profecia sobre o fim do mundo, que dizia: “Até 1000 irá; de 2000 não passará”. Você não tem ideia de quantas pessoas entraram em depressão - e algumas até cometeram o suicídio - por acreditarem que essa frase realmente estava no Livro de Apocalipse. Mas não estava! E esse é apenas um exemplo. Agora, quero mostrar para você 10 frases que as pessoas pensam que estão na Bíblia, mas não estão. Vamos a elas:

1) O dinheiro é a raiz de todos os males

Muitas pessoas atribuem essa frase ao apóstolo Paulo, mas não foi isso que ele disse! O dinheiro, na verdade, é algo muito importante, pois necessitamos dele para a manutenção da nossa casa e da nossa família. Como sobreviveríamos nos dias de hoje sem o nosso salário? Como teríamos comida, água, energia elétrica? Como compraríamos roupas e viajaríamos?
O que Paulo disse é que não devemos amar o dinheiro, ou seja, não podemos colocar o nosso coração nele: “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Timóteo 6:10)

2) O cair é do homem, mas o levantar é de Deus 

Essa é outra frase bastante conhecida e que muitas pessoas acham que está na Bíblia. Mas, por mais que faça todo o sentido, afinal de contas, Deus é quem nos sustenta quando não temos mais forças e nos levanta quando estamos caídos, ela não é encontrada nas Escrituras.
Na verdade, existem alguns versículos semelhantes a esta frase. Um deles está no Salmo 145, e diz: “O Senhor ampara todos os que caem e levanta todos os que estão prostrados.” (Salmos 145:14); e a outra, que está em Provérbios 24, diz: “Pois ainda que o justo caia sete vezes, tornará a erguer-se, mas os ímpios são arrastados pela calamidade.” (Provérbios 24:16). Porém, é importante observar que Deus levanta aqueles que O obedecem e clamam por Ele.

3) Deus escreve certo por linhas tortas

Essa é uma das frases que mais ouvimos das pessoas quando algo não vai bem em suas vidas. Porém, ela não passa de um ditado popular, algo que atravessou gerações sendo pregado como se fosse uma passagem bíblica. Mas a verdade é que Deus nunca escreveu por linhas tortas. Nós é que não entendemos completamente os Seus caminhos, que são muito mais elevados que os nossos. Deus escreve certo por linhas certas, porque nada foge do Seu controle e poder.
"Assim como os céus são mais altos do que a terra, também os meus caminhos são mais altos do que os seus caminhos e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos” (Isaías 55:9).

4) Quem não vem pelo amor, vem pela dor

É verdade que, em muitas situações, Deus usa o sofrimento para fazer com que alguém se arrependa dos seus erros e se volte para Ele. E foi exatamente isso que ele fez com o rei Nabucodonosor. Mesmo tendo presenciado maravilhas feitas por Deus, ele não entregou completamente a sua vida a Deus. Então, um dia, Nabucodonosor foi atingido por uma forma de loucura que quase acabou com a sua vida. Ele passou a pensar que fosse um animal, talvez um boi, e viveu literalmente dessa maneira. Só depois de 7 anos que o rei teve a razão devolvida pelo Senhor e, então, se prostrou aos Seus pés.
Mas essa frase não está na Bíblia! O que está escrito que se assemelha a isso é: A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.” (2 Coríntios 7:9).

5) O pouco com Deus é muito

É verdade que a matemática de Deus é diferente da nossa. Tanto é que em Provérbios está escrito: “Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza.” (Provérbios 11:24)
Porém, muitos pregadores têm usado essa frase como uma passagem bíblica para iludir e se aproveitar da boa vontade de pessoas menos instruídas da Palavra de Deus. O “pouco com Deus é muito”? É claro que sim! Mas isso não está escrito na Bíblia e você deve ficar atento para não ser enganado por falsos profetas.

6) É dando que se recebe

É bem provável que essa frase tenha surgido a partir do versículo de Atos 20, que diz: “Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’". (Atos 20:35)
Mas você consegue perceber a diferenças nos discursos? Enquanto esse ditado popular fala em uma espécie de troca, pois “é dando que se recebe”, o texto bíblico afirma que dar é melhor do que receber. A verdade, meu irmão, é que você nem sempre receberá das pessoas algo em troca pelo bem que praticou - não se iluda! Por isso não dê algo esperando um retorno; dê porque Deus diz que é melhor dar do que receber.

7) Deus tarda, mas não falha

Essa frase pode parecer reconfortante no princípio, pois dá a entender que, por mais que Deus demore, no final tudo dará certo. Mas isso não é verdade, pois Deus nunca tarda. O tempo dEle é perfeito e tudo acontece pontualmente no dia e na hora exata em que Ele planejou. Deus não tarda; nós é que somos ansiosos e, por querer que algo se concretize rápido em nossa vida, passamos a crer que o nosso tempo é o tempo de Deus. Foi por isso que o apóstolo escreveu:
“Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” (2 Pedro 3:8,9)

8) Não cai uma folha da árvore sem que Deus queira

Essa é outra frase que foi inspirada em um versículo bíblico, mas que, na verdade, não se encontra nas Escrituras. Ela nos traz a ideia de que, mais do que controlar, Deus determina tudo o que acontece em nossas vidas. Mostra que tudo está dentro dos planos do Senhor e que nada foge à Sua vontade. Porém, devemos nos lembrar que nem tudo o que acontece, é da vontade de Deus. Por exemplo: Deus não queria que Adão e Eva O desobedecessem e também se não agrada quando nos afastamos dEle, no entanto, Ele permite que certas situações aconteçam para que a nossa fé se fortaleça e enxerguemos ao Senhor com mais clareza. Um versículo parecido com esse ditado popular está no Evangelho de Lucas: “Todos odiarão vocês por causa do meu nome. Contudo, nenhum fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá.” (Lucas 21:17,18)

9) Esforça-te, e Eu te ajudarei

É verdade que o termo “esforça-te” é encontrado em diversas passagens bíblicas, porém, nenhum deles é acompanhado por “e eu te ajudarei”. Por quê? Porque Deus não é um Deus que faz barganhas. Ele não precisa que se esforce para te ajudar, para te livrar, para te abençoar. Deus é Deus e Ele vai fazer o que Ele tiver que fazer! Está escrito: “Pois o Senhor, o seu Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o grande Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita suborno.” (Deuteronômio 10:17)
Então isso significa que não precisamos fazer nada, que basta esperamos pela ajuda de Deus? Não, não é isso! Deus espera sim que você O busque de todo o seu coração, mas não esperando alguma coisa em troca, e sim para que o nome dEle seja honrado e glorificado por você, independente de qualquer coisa.

10) Jesus é o Médico dos médicos

O Novo Testamento está cheio de passagens sobre os milagres que Jesus fazia na saúde física e espiritual das pessoas. Ele curou todo tipo de doenças e enfermidades. Andou por toda parte fazendo o bem, oferecendo alívio aos cansados, paz aos aflitos, libertação aos cativos e cura aos enfermos. Ele purificou os leprosos, deu vista aos cegos, audição aos surdos, fala aos mudos. Ele levantou os coxos e ressuscitou os mortos. Porém, não há nenhuma passagem que afirme que “Jesus é o Médico dos médicos”. O mais próximo disso que está na Bíblia é:
“Jesus foi por toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças entre o povo.” (Mateus 4:23)
Então, meus irmãos, eu espero que esse vídeo, além de mostrar a vocês quais são as frases mais comuns que acreditamos serem bíblicas, mas não são, mostre a vocês a importância de ler a Bíblia e conhecer a Palavra do Senhor. Somente assim não seremos enganados. Foi por isso que Jesus nos falou: “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará" (João 8:32).


https://www.pastorantoniojunior.com.br/esbocos-de-pregacoes/10-frases-que-as-pessoas-pensam-que-estao-na-biblia?

20 de abril de 2020

Como entender melhor a Bíblia: O que são textos descritivos e textos mandamentos?



 
(1) TEXTOS DESCRITIVOS

Como o próprio nome nos indica eles descrevem algo. Não temos na descrição nenhuma aprovação ou desaprovação, a não ser que seja pontuada claramente. Por exemplo, a Bíblia cita Deus conversando com o diabo: “Então, perguntou o SENHOR a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela” (Jó 1:7). Muitos leitores apressados irão tirar conclusões equivocadas, achando que Deus conversa com o diabo frequentemente, que Deus e o diabo estão lado a lado (são amigos?), que Deus tem uma relação amistosa com Satanás. Essas são conclusões equivocadas. Um texto descritivo descreve uma história tal qual como ocorreu. Observe que o autor não faz análises e nem tira conclusões desse diálogo entre Deus e Satanás, ela apenas narra conforme ocorreu (descreve). Por isso, nos textos descritivos devemos ter muito cuidado ao formular conclusões e aplicações do texto.

Temos centenas desses textos na Bíblia. Cabe aos leitores estudar de forma equilibrada para evitar tirar conclusões equivocadas desse tipo de texto, já que o foco principal deles é informar uma determinada história ou acontecimento tal como ocorreu.

É claro que é possível fazer algum juízo de valor sobre essas histórias usando outros textos que nos mostram a vontade de Deus para um fato parecido ou igual. Por exemplo: a Bíblia narra alguns servos de Deus que praticaram a poligamia. Isso é citado de uma forma descritiva, mostrando a realidade dos fatos como aconteceram. Inclusive, não temos narrativas descritivas de Deus repreendendo muitos deles, nem lançando sobre eles alguma punição, o que leva muitos “apressados” a concluir que Deus não ligava para a poligamia. No entanto, em casos como esses conseguimos, por exemplo, usar Gênesis 2:24 e Deuteronômio 17:17 que nos ajudam a perceber que tais atitudes desses homens não eram apropriadas, mesmo que não tenham sido condenadas no texto descritivo.

Dessa forma, textos descritivos devem ser estudados com cuidado especial. E conclusões morais, ou que contenham algum juízo de valor, ou aplicações do texto, devem ser cuidadosas, com análises amplas do contexto.

(2) TEXTOS COM MANDAMENTOS

Os textos com mandamentos são bastante claros, pois geralmente contém neles ordens diretas para fazer algo ou para não fazer algo. Vejamos um exemplo de cada.

Para fazer algo: “Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força” (Marcos 12:29-30). Observe que temos aqui uma ordem direta do que deve ser feito. É o que chamamos de mandamento positivo. Ele envolve uma recomendação de uma ação positiva direta. No exemplo citado a ordem é focada no exercício do amor a Deus com todo o ser da pessoa.

Para não fazer algo: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao teu próximo” (Êxodo 20:17). Esse é o tipo mais comum de mandamento que consta na Bíblia. Observe que geralmente começa com “não” ou alguma outra palavra que indique uma postura que não deve ser tomada. É uma ordem negativa direta do que não se deve fazer. No caso acima fica claro que não é para cobiçar nada.

Talvez alguns pensem que saber somente esses conceitos é suficiente. No entanto, até mesmo entre os mandamentos deve existir cuidados no estudo. Você sabia que existem mandamentos que foram dados para certo momento de história de Israel e não precisam ser obedecidos hoje em dia? Vamos a um exemplo: “Não oferecerás o sangue do meu sacrifício com pão levedado; nem ficará o sacrifício da Festa da Páscoa da noite para a manhã” (Êxodo 34:25). Aqui temos uma estrutura clara de um mandamento como já aprendemos (começa com “não”). Mas ele deve ser obedecido hoje em dia? A análise ampla do texto irá nos mostrar que se tratava de um mandamento sobre a páscoa judaica. Mas após Cristo sabemos que não mais fazemos os sacrifícios de animais, pois o sacrifício de Cristo foi suficiente, logo, o mandamento acima não é mais usado em nossos dias, Cristo o cumpriu plenamente e para sempre! Percebe como o estudo da Bíblia deve ser cuidadoso e dedicado?

Dessa forma concluo animando a todos os estudantes da Bíblia a que se dediquem cada vez mais. Quanto mais se conhece sobre os textos mais eles ficam fáceis de compreender, de interpretar corretamente! Não desanime, nem desista, continue firme nessa grande aventura de compreender melhor a cada dia a Palavra do Senhor!
 
 
https://www.esbocandoideias.com/2020/04/textos-descritivos-textos-mandamentos.html?


4 de abril de 2020

Da Igreja primitiva à Idade Média, da Idade Média à Reforma, e da Reforma ao Neopentecostalismo


A Igreja que nasceu antes da Bíblia


Cl 1.26. "o mistério que esteve oculto dos séculos, e das gerações; mas agora foi manifesto aos seus santos, a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória" .

Me parece que, a Igreja Primitiva via as Escrituras como um guia capaz de levá-la a conhecer a Cristo. Este conhecimento era o seu alvo maior, sendo o Antigo Testamento,
o mapa para se achegar a Jesus.

O Novo Testamento ainda estava em formação e mais tarde se tornou o seu guia para a leitura do Antigo. Enquanto isso, era interpretado pelo grupo apostólico, os únicos que ouviram diretamente de Jesus aquilo que passaram adiante.

Durante a Idade média, o centro gravitacional mudou, pois a Igreja passou a ocupar esta posição, chegando, mesmo a ser considerada como o guia máximo para quem desejava se encontrar com Deus.

A doutrina era formulada pela Igreja, e nem tanto pela Bíblia, que passou ser usada para justificar as instruções e regras da Instituição. A Igreja atingiu o ápice da carreira institucional ao se tornar a única autoridade capaz de representar a Cristo.

Naquele momento a fé deixou de ser uma iniciativa pessoal e passou a ser corporativa. Quem era fiel à Igreja, era fiel a Cristo. A Igreja era o clero e, dentre ele, alguns foram canonizados por causa da sua extrema dedicação à ela.

A reforma propôs uma mudança de foco, devolvendo às Escrituras a posição de nosso condutor. O que pelo menos consta do currículo da maioria das Igrejas Reformadas.

O advento do neopentecostalismo foi um retrocesso nesta caminhada. Na prática, ocorreu uma forte centralização baseada na ênfase em uma neo apostolicidade. Homens que decidem usar o título de apóstolo ou não, mas detêm as rédeas da Igreja em suas mãos, buscando nas leis deutoronômicas a base para a sucessão parental ou relacional do seu sacerdócio.

Talvez uma nova reforma aconteça, mais popular, menos acadêmica, mas com muito amor a Jesus. Talvez uma intervenção cristológica, que servirá de preparação para a última rodada para a História da cristandade.
https://www.guiame.com.br/colunistas/ubirajara-crespo/da-igreja-primitiva-idade-media-da-idade-media-reforma-e-da-reforma-ao-neopentecostalismo.html 

1 de abril de 2020

6 razões pelas quais você deve pregar Números


30 de março de 2020

A interpretação bíblica – Idade Média



Thoughts on Biblical Inerrancy – Soliloquium

 

“A Idade Média foi um deserto vasto no tocante à interpretação bíblica.”
“Não houve concepções novas e criativas acerca das Escrituras.” A tradição da igreja ocupava lugar de relevo, juntamente com a alegorização das Escrituras. Na Idade Média, era comum o emprego de encadeamentos — cadeias de interpretações formadas a partir dos comentários dos pais da igreja. A maior parte dos encadeamentos medievais estava baseada nos pais latinos Ambrósio, Hilário, Agostinho e Jerônimo. Normalmente, o início da Idade Média é associado a Gregório, o Grande (540-604), que foi o primeiro papa da Igreja Católica Romana. Ele fundamentava suas interpretações da Bíblia nos pais da igreja. Não é de surpreender que tenha defendido a alegorização nos seguintes termos: “Que são as palavras da verdade se não fizermos delas alimento para a alma? […] A alegoria equipa a alma que está longe de Deus, alçando-a até ele” (Exposição Sobre Cantares).

Vejamos alguns exemplos de sua alegorização: no livro de Jó, os três amigos são os hereges, os sete filhos de Jó são os 12 apóstolos, as 7 000 ovelhas são pensamentos inocentes, os 3 000 camelos são as concepções vãs, as 500 juntas de bois são virtudes e os 500 jumentos são tendências lascivas. Beda, o Venerável (673-734), teólogo anglo-saxão, escreveu comentários que, em grande parte, eram compilações dos trabalhos de Ambrósio, Basílio e Agostinho; além disso, tinham forte caráter alegórico. Segundo o entender de Beda, na parábola do filho pródigo, o filho representava a filosofia mundana, o pai simbolizava Cristo e a casa do pai era a igreja. Alcuíno (735-804), de Iorque, na Inglaterra, também adotou o sistema alegórico. No comentário que elaborou sobre João, ele seguiu os passos de Beda e reuniu os comentários de Agostinho e Ambrósio, entre outros. Rabano Mauro foi aluno de Alcuíno e redigiu comentários sobre todos os livros da Bíblia.

Valendo-se da alegorização, escreveu que as quatro rodas da visão de Ezequiel representavam a lei, os profetas, os evangelhos e os apóstolos. O significado histórico da Bíblia é leite, o alegórico é pão, o anagógico é alimento saboroso e o tropológico é vinho que alegra. Rashi (1040-1105) foi um literalista judeu da Idade Média que exerceu grande influência sobre as interpretações judaica e cristã, dada a ênfase que colocava na gramática e na sintaxe do hebraico. Ele elaborou comentários sobre o Antigo Testamento inteiro, à exceção de Jó e Crônicas. Afirmou que “o sentido literal precisa ser conservado, a despeito de como possa afetar o sentido tradicional”. A denominação “Rashi” foi tirada das primeiras letras de seu nome: Rabino Shilomo [Salomão] bar [filho de] Isaque. Três autores da Abadia de São Vítor, em Paris, adquiriram o mesmo interesse de Rashi pelo aspecto histórico e literal das Escrituras. Esses homens — Hugo (1097-1141), Ricardo (m. 1173) e André (m. 1175) — eram conhecidos como os vitorinos.

Ricardo e André eram alunos de Hugo. A ênfase dos vitorinos no sentido literal das Escrituras foi uma luz brilhante na Idade Média, André discordava de Jerônimo, que afirmara que a primeira parte de Jeremias 1.5 falava de Jeremias, mas a última parte do versículo falava de Paulo. André disse: “Que tem isso que ver com Paulo?”. Ricardo, por sua vez, preocupou-se mais com o aspecto místico da Bíblia do que os outros dois. Bernardo de Claraval (1090-1153) foi um monge proeminente que elaborou inúmeros trabalhos, dentre os quais figuram 86 sermões apenas sobre os dois primeiros capítulos de Cantares! Sua forma de interpretar a Bíblia caracterizava-se por uma alegorização e um misticismo exagerados. Um exemplo disso é que as virgens de Cantares 1.3 eram anjos, e as duas espadas em Lucas 22.38 representavam os aspectos espiritual (o clero) e material (o imperador).

Joaquim de Flora (1132-1202), monge beneditino, escreveu que a época desde a Criação até Cristo foi a era de Deus Pai, que a segunda era (de Cristo até o ano 1260) foi a de Deus Filho, representada pelo Novo Testamento, e que a era futura (a começar em 1260) seria a do Espírito Santo. Joaquim também escreveu uma harmonia dos evangelhos e elaborou comentários sobre diversos profetas. Stephen Langton (c. 1155-1228), arcebispo da Cantuária, sustentava que a interpretação espiritual é superior à literal. Assim sendo, no livro de Rute, o campo simboliza a Bíblia, Rute representa os estudantes e os ceifeiros são os mestres. Foi Langton quem dividiu a VuJgata em capítulos. Tomás de Aquino (1225-1274) foi o teólogo mais famoso da Igreja Católica Romana da Idade Média. Ele acreditava que o sentido literal das Escrituras era fundamental, mas que outros sentidos apoiavam-se sobre este. Como a Bíblia tem um Autor divino (bem como autores humanos), ela tem um lado espiritual.

“O sentido literal é o que o autor pretende transmitir, mas, como o Autor é Deus, podemos esperar encontrar na Bíblia um manancial de significados. […] O Autor das Sagradas Escrituras é Deus, que tem o poder de expressar o que quer dizer não apenas por meio de palavras (como também o homem pode fazer), mas também por meio de elementos. […] Esse significado, que confere sentido aos próprios elementos representados pelas palavras, é chamado de sentido espiritual, que por sua vez se apóia no literal e o pressupõe” (Summa Theologica, 1.1.10). Aquino também considerava os sentidos histórico, alegórico, tropológico (sentido moral) e anagógico (oculto). Nicolau de Lira (1279-1340) foi figura de relevo na Idade Média por ter sido o elo entre as trevas daquela era e a luz da Reforma. Em seus comentários sobre o Antigo Testamento, ele rejeitou a Vulgata e retomou para o hebraico, mas não conhecia grego. Lutero sofreu forte influência de Nicolau.

Apesar de Nicolau aceitar o sentido quádruplo das Escrituras, tão comum na Idade Média, pouca importância lhe dava, enfatizando o aspecto literal. Neste sentido, foi intensamente influenciado por Rashi. João Wycliffe (c. 1330-1384) foi um extraordinário reformador e teólogo, que acentuava fortemente a legitimidade das Escrituras como fonte de doutrinas e de vida cristã. Portanto, contestava a posição tradicional da Igreja Católica. Ele propôs várias regras de interpretação bíblica: 
a) consiga um texto confiável; 
b) entenda a lógica das Escrituras; 
c) compare os trechos da Bíblia entre si; 
d) mantenha uma atitude humilde, de busca, para que o Espírito Santo possa ensiná-lo (The Truth of Holy Scripture [A Verdade das Sagradas Escrituras], 1377, p. 194-205). 
 
Sublinhando a interpretação gramatical e histórica das Escrituras, Wycliffe escreveu que “tudo o que é necessário na Bíblia está contido em seus devidos sentidos literal e histórico”. Ele foi o primeiro tradutor inglês da Bíblia. E chamado de “a estrela-d’alva da Reforma”.

Fonte: A interpretação Bíblica – Meios de descobrir a verdade da Bíblia.
Roy B. Zuck
Tradução de Cesar de E A. Bueno Vieira
edições vida nova.
pags: 48-51
 
 
https://www.universalidadedabiblia.com.br/a-interpretacao-biblica-idade-media/
 
 

13 de março de 2020

É verdade que todo o Antigo Testamento foi abolido após Cristo?




O Antigo testamento foi abolido após Cristo?



(1) A primeira coisa que temos de ter em mente é que a Bíblia Sagrada é uma coisa só. Essa divisão de Antigo Testamento e Novo Testamento é algo apenas para facilitar nossa compreensão daquilo que Deus fez nessas duas fases da história do mundo. Sem o Antigo Testamento nunca compreenderíamos o Novo. Além disso, ele foi usado amplamente pelos apóstolos para explicar questões importantes à igreja de Cristo que se iniciava. Por exemplo, Pedro usa o Antigo Testamento para explicar o derramamento do Espírito Santo: “Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel…” (Atos 2:16). Isso já nos leva a verificar que o conhecimento sobre o Antigo Testamento é algo importantíssimo para a compreensão dos planos de Deus na história e também sobre o Messias, Jesus Cristo, que tem um papel central nas escrituras, e ele foi muito valorizado pelos discípulos de Jesus.

(2) Mas, evidentemente, que o Antigo Testamento contém uma série de citações que precisam ser analisadas à luz de todo o contexto bíblico. Estou falando das leis. Aqui sim temos uma importante análise a ser feita. É um conteúdo complexo, mas em termos gerais, para que você compreenda, podemos separar as leis em dois grandes grupos: leis cerimoniais e leis morais.  
a) As leis cerimoniais são aquelas leis que continham ordens específicas ao povo de Israel ou determinadas coisas a serem feitas que, após Cristo, já não fazem mais sentido porque elas se cumprem eternamente Nele. Um exemplo: os sacrifícios de animais pelo pecado. Isso se cumpre em Cristo, que foi nosso substituto perfeito e pleno, oferecendo um único e suficiente sacrifício por todos nós (Hebreus 10:12). Mais um exemplo: Temos também as leis criminais. Se alguém do povo de Israel fosse feiticeiro deveria ser morto por apedrejamento (Levítico 20:27). Isso era uma lei criminal que vigorou para Israel enquanto país e não mais para nós (hoje não saímos por ai apedrejando pessoas que praticam a feitiçaria, certo?). Ser feiticeiro continua sendo pecado (lei moral), mas aquelas punições criminais específicas do código criminal para Israel não são mais usadas, serviram apenas para eles.

b) As leis morais são aquelas que determinam o comportamento do servo de Deus. Essas ainda vigoram plenamente após Cristo. Por exemplo, o mandamento “não matarás” é repetido no Novo Testamento, ele continua. Dessa forma, todas as ordens sobre nosso comportamento diante de Deus contido no Antigo Testamento continuam e ainda foram bastante aprofundadas por Cristo e pelos apóstolos. Um exemplo: o adultério é um pecado moral (Êxodo 20:14). Mas muitos entendiam que só o ato carnal era pecado. Jesus chega, aprofunda a compreensão e diz que as pessoas podem adulterar na mente também (Mateus 5:28). Todas as leis desse tipo ainda são válidas após Cristo.

(3) Os estudos sobre as leis, evidentemente, não são tão simples como descrevi acima, mas usei essa forma simplificada para que pudesse haver uma compreensão melhor do tema. Isso nos mostra que o Antigo Testamento é sim muito importante “tecnicamente” para entendermos melhor toda a história do plano e vontade de Deus através dos tempos. Mas ainda existem algumas outras coisas muitos importantes no Antigo Testamento: As suas histórias que mostram como personagens viveram suas vidas com Deus, seus erros, seus acertos. Isso nos traz inspiração vinda de Deus. Além disso, temos nos livros de sabedoria (Salmos, provérbios, Eclesiastes) uma fonte inesgotável de lições sobre as mais diversas faces da vida, que nos trazem uma direção de Deus em muitas coisas do dia a dia. Exemplo: “Não sejas frequente na casa do teu próximo, para que não se enfade de ti e te aborreça” (Provérbios 25:17). Poderia citar mais coisas importantes, mas creio que ficou compreendido a grandeza e importância dos ensinos do Antigo Testamento.

(4) Tudo que foi dito até aqui mostra de forma clara que o Antigo Testamento é muito valioso, que devemos sim estudá-lo, entendê-lo, aproveitar todas as bênçãos que Deus nos traz através da sua leitura e estudo. Quem pensa que todo o Antigo Testamento foi abolido após Cristo e que pode, assim, desprezar esse importante escrito e ficar somente com o Novo Testamento está cometendo um grave erro contra as Escrituras Sagradas e, certamente, nunca conseguirá compreender plenamente, por exemplo, o livro de Hebreus, que usa dezenas de figuras do Antigo Testamento para explicar a importância de Jesus Cristo!
https://www.esbocandoideias.com/2019/01/todo-o-antigo-testamento-foi-abolido-apos-

27 de novembro de 2019

A Chave que destrava os mistérios da vida


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Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver; 2 Timóteo 3:16
 
A Chave que destrava os mistérios da vida

Qual é a sua autoridade final na vida? Quero dizer, quando você está encurralado, quando você está perdido sem saber o que fazer, quando você é forçado a enfrentar a realidade, sobre o que você se inclina?

Antes de responder rapidamente, pense nisso por alguns momentos. Quando se trata de estabelecer um padrão para a moralidade, qual é o seu guia? Quando você precisar de uma bússola ética para encontrar o caminho para sair de um dilema moral, onde está o seu norte? Quando você estiver em uma tempestade, no meio de um mar de emoções, que farol mostra onde encontrar a praia?

Não pode haver nenhuma autoridade mais confiável na terra do que a Palavra de Deus, a Bíblia. Esta fonte atemporal, de confiança da verdade é a chave que destrava os mistérios da vida. Só ela nos fornece o abrigo que necessitamos em tempos de tempestade.

Mas precisamos entender o porquê. Por que este livro se qualifica como a nossa autoridade final?
 
A Palavra é a Verdade de Deus

Santifica-os pela tua verdade; a tua Palavra é a verdade. João 17:17, disse Jesus em sua oração ao Pai. Verdade, verdade real, verdade que você pode confiar, a verdade que nunca vai murchar ou azedar, a verdade que nunca vai sair pela culatra ou induzir em erro, essa é a verdade na Bíblia. Isso é o que a Bíblia é. É por isso que a Bíblia nos proporciona um constante apoio necessário.

Apenas Jesus falou cerca de 25 vezes a Palavra, em verdade, em verdade, vos digo. Você já parou para pensar sobre a necessidade de dizer a palavra verdade 2 vezes? A Palavra é a Verdade absoluta.
 
A Bíblia é a voz de Deus

A Escritura é “a mensagem de Deus.” É, de fato, “a Palavra de Deus.”

Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes. 1 Tessalonicenses 2:13

Pense nisso desta maneira: o Livro de Deus é, por assim dizer, a voz de Deus. Se nosso Senhor fosse fazer-se visível e retornar à terra e falar a Sua mensagem, ela estaria de acordo com a Bíblia. Sua mensagem de verdade seria exatamente o que você vê nas Escrituras – sua opinião, o seu conselho, seus mandamentos, seus desejos, suas advertências, seu coração, sua própria mente.

Quando você entende que a Bíblia é a voz de Deus – Sua própria mensagem – você tem um alicerce seguro; você tem a verdade que pode ser confiável; você tem o poder que dá nova vida e libera graça pela qual você pode crescer na fé e compromisso.
 
A Palavra de Deus Durará

Existem apenas duas coisas eternas na terra hoje: as pessoas e a Palavra de Deus. Tudo o resto acabará – não sobrará nada. Será que isso pode definir nossas prioridades?

O material que colocamos na prateleira, as coisas que colocamos ao redor, os troféus e todas as coisas que nos deixam tão orgulhosos – está tudo indo para a fogueira (2 Pedro 3:7, 10-12). Mas não a Palavra de Deus! Pedro lembra-nos que a verdade “permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

A grama vai crescer e, em seguida, ela vai murchar; flores vão florescer e, em seguida, elas vão morrer. Mas a mensagem de Deus, a verdade, permanece para sempre. Todas as Suas promessas serão cumpridas. Sua verdade redentora não pode ser anulada ou alterada. Sua poderosa Palavra irá realizar o que Ele deseja e atingir o objetivo para o qual foi enviada (Isaías 55:10-11). Sua Palavra vai durar!

A Palavra de Deus é inspirada


Toda essa conversa sobre a Bíblia deve levar a uma questão importante que deve ser feita. A questão é a seguinte: Como é que alguém pode ficar tão animado sobre algo que foi escrito por homens? A mensagem não foi corrompida quando Ele transmitiu-o para terra através das mãos e mentes de homens pecadores?

Este é o momento perfeito para que você possa se ​​familiarizar com três termos doutrinais: revelação, inspiração e iluminação:

Revelação – ocorreu quando Deus deu a Sua verdade.

Inspiração – ocorreu quando os escritores da Bíblia receberam e registraram a sua verdade.

Iluminação – Hoje, quando entendemos e aplicamos a Sua verdade, é a iluminação.

A questão crítica – a sua confiança na Bíblia – está diretamente relacionada com a sua confiança na sua inspiração. Como, então, podemos ter certeza de que a Palavra de Deus é livre de erro, absolutamente verdadeira e, portanto, merecedora de nossa confiança completa?

Paulo fornece grande ajuda para responder a esta pergunta:

Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver; 2 Timóteo 3:16

Quando Deus revelou Sua verdade para os escritores humanos, Ele “soprou” a Sua Palavra parecido quando ditamos uma carta para alguém. Mas ocorreu um ditado literal?

Você percebe que a Bíblia foi escrita por muitas pessoas diferentes, com muitas personalidades diferentes. Pedro não se parece com João; João não escreve como Davi. De alguma forma, a personalidade de cada escritor foi preservada sem corromper o texto com a fraqueza humana e o erro. Isso exclui a ideia de ditado.

Então como é que Deus providenciou? 2 Pedro 1:21 nos dá mais uma pista: “Porque a profecia nunca foi produzida por um ato de vontade humana, mas homens movidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus.”

A frase “movidos por” é traduzida a partir de um antigo termo náutico grego (phero) descrevendo navios no mar. Quando um navio estava à mercê dos ventos, ondas e correntes do mar, foi “movido por” um poder além da sua própria força. Essa é a palavra usada aqui. Eles levantaram, por assim dizer, as suas velas, e do Espírito Santo encheu-os e eles foram “movidos pelo” seus desejos.
 
A Palavra de Deus lhe dá estabilidade

A coisa maravilhosa em poder contar com o Livro de Deus é que ele dá-lhe estabilidade. Dá-lhe que profundo senso de propósito e significado. Nenhum outro conselho vai te ajudar da mesma forma. Nenhuma outra verdade vai ajudá-lo a manter-se firme nas tempestades da dúvida e da incerteza. Nenhuma outra realidade lhe dará força para cada dia e profunda esperança para amanhã. Nenhuma outra instrução tem o poder de dar um novo significado à sua vida.
 

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