Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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17 de outubro de 2018

ROMANOS 3.23 - UM COMENTÁRIO DE PAUL WASHER



"Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus."
(Romanos 3.23)
Neste capítulo, confrontaremos a verdade crucial: os homens pecam porque nasceram moralmente corrompidos.¹

Um dos termos mais importantes que os teólogos usam para descrever as profundezas da corrupção moral herdada pelo homem é a palavra depravação. 

A palavra deriva do prefixo de-, que comunica intensidade, e da palavra em latim pravus, que significa torcido ou entortado. 

Dizer que algo é depravado é dizer que seu estado ou forma original foi completamente pervertido. Dizer que a raça humana é depravada significa dizer que ela caiu de seu estado original de retidão e que todos os homens nascem pecadores moralmente corruptos por natureza. Para descrever a extensão dessa corrupção moral, os teólogos frequentemente empregam vários termos que comunicam a mesma verdade. 

Os mais comuns são: depravação total, morte espiritual e inabilidade moral. 

Depravação total 

A expressão depravação total foi empregada há muito tempo pelos teólogos reformadores e por outros a fim de descrever a condição decaída do homem. Embora o termo seja apropriado quando adequadamente definido, as expressões depravação generalizada ou depravação radical podem ser mais apropriadas. ²

Dizer que todo homem é totalmente depravado não significa que eles sejam tão maus quanto podem ser ou que toda obra que façam seja inteira e perfeitamente má. Antes, significa que a depravação, ou a corrupção moral, afetou seu ser por inteiro – corpo, intelecto e vontade. 

A seguir, consideraremos o que a depravação total significa e o que não significa. 

Primeiro: depravação total não significa que a imagem de Deus no homem foi totalmente perdida na queda.
Em vários textos, a Escritura ainda se refere ao homem como sendo feito “à imagem de Deus”. ³
Depravação total significa, sim, que a imagem de Deus no homem foi seriamente deformada e desfigurada e que a corrupção moral polui a pessoa por inteiro – corpo, razão, emoções e vontade.[4]

Segundo: depravação total não significa que o homem não tem conhecimento da pessoa ou da vontade de Deus. As Escrituras nos ensinam que todos os homens sabem o suficiente sobre o verdadeiro Deus e sua vontade e que são indesculpáveis diante dele no dia do julgamento. [5]
O que significa, de fato, é que, sem uma obra especial da graça, todos os homens rejeitam a verdade de Deus e buscam suprimi-la para que não perturbe o que restou de suas consciências. [6]
Os homens conhecem suficientemente a verdade sobre Deus para odiá-lo e sobre a vontade dele para resisti-la. 

Terceiro: depravação total não significa que o homem não possui consciência ou que seja totalmente insensível ao bem e mal. As Escrituras ensinam que todos os homens possuem uma consciência, a qual, se não estiver cauterizada, é capaz de levá-los a admirar ações e caráter virtuosos. [7]
O que, de fato, significa é que os homens não são obedientes de todo coração às diretrizes de sua consciência. Um homem não é reto porque conhece o que é bom ou denuncia o que é mal, mas porque faz o bem que conhece. [8] 

Quarto: depravação total não significa que o homem é incapaz de demonstrar virtude. Há homens que amam suas famílias, sacrificam suas próprias vidas por outros, realizam seus deveres civis e fazem boas obras em nome da religião. Mas significa, de fato, que tal virtude não é motivada por um amor genuíno a Deus ou por um desejo verdadeiro de obedecer a seus mandamentos. As Escrituras testificam que nenhum homem ama a Deus de maneira digna ou da forma que a lei comanda, nem há um homem que glorifique a Deus em cada pensamento, palavra ou ação. [9]
Todos os homens preferem a si mesmo em vez de Deus e é o amor próprio ou aos outros – e não o amor a Deus – que os move a agirem em atos de altruísmo, heroísmo, dever civil e boa obra religiosa. [10] 

Quinto: depravação total, não significa que todos os homens são tão imorais quanto poderiam ser ou que, todos os homens são igualmente imorais ou que, todos os homens praticam todas as formas existentes de maldade. Nem todos os homens são delinquentes, fornicadores ou assassinos. Mas significa que todos os homens nascem com uma grande propensão ou inclinação para o mal e que todos os homens são capazes de praticar mesmo os crimes mais horrendos e as perversões mais vergonhosas. Como um todo, toda a humanidade está inclinada a uma corrupção moral cada vez maior e essa deterioração moral seria incalculavelmente mais rápida se a graça comum de Deus não a restringisse.[11]
O homem, em si mesmo, não pode se libertar ou recuperar dessa espiral descendente. [12] 

Finalmente, depravação total não significa que todos os homens indispõem das faculdades necessárias para obedecer a Deus. O homem não é uma vítima que deseja obedecer a Deus, mas é incapaz por causa de fatores além do seu controle. Deus dotou o homem com intelecto, vontade e liberdade para escolher. O homem, como um ser moral, é, portanto, responsável diante de Deus. Depravação total significa, de fato, que o homem não pode se submeter a Deus porque ele não o deseja e ele não deseja por causa da sua própria hostilidade contra Deus. [13]

[1] Salmo 51.5; 58.3; Gênesis 8.21
[2] O verbo generalizar significa torna ou tornar-se geral; tornar-se generalizado significa espalhar-se para todas as partes. Assim, a depravação se relaciona com a raiz de quem somos por natureza; a depravação procede diretamente da raiz de nossas almas.
[3] Gênesis 9.6; 1 Coríntios 11.7; Tiago 3.9
[4] Corpo (Romanos 6.6, 12; 7.24; 8.10, 13), razão (Romanos 1.21; 2 Coríntios 3.14-15; 4.4; Efésios 4.17-19), emoções (Romanos 1.26-27; Gálatas 5.24; 2 Timóteo 3.2-4) e vontade (Romanos 6.17; 7.14-15);
[5] Romanos 1.20
[6] Romanos 1.21-23; 1.18
[7] Romanos 2.15; 1 Timóteo 4.2
[8] Romanos 3.10-12; 2.13, 17-23; Tiago 4.17
[9] Deuteronômio 6.4-5, Mateus 22.37, 1 Coríntios 10.31, Romanos 1.21
[10] 2 Timóteo 3.2-4
[11] A. A. Hodge, Esboços de Teologia (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas), 625.
[12] Jeremias 13.23, Romanos 7.23-24
[13] Romanos 8.7-8

Extraído do livro 14º capítulo do livro “O Poder e a Mensagem do Evangelho” de Paul Washer, a ser lançado pela Editora Fiel. Tivemos a oportunidade de traduzi-lo e o privilégio de poder compartilhar pequenos trechos de cada capítulo com vocês.
Tradução: Vinícius Musselman Pimentel. Versão não revisada ou editada. Postado com permissão.
© Editora Fiel. Todos os direitos reservados. Original: Pecadores destituídos (Paul Washer) [14/26]


https://cristaodebereia.blogspot.com/2013/07/romanos-323-um-comentario-de-paul-washer.html


25 de abril de 2018

QUANDO A NAÇÃO GEME SOB A LIDERANÇA DE MAUS GOVERNANTES


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Rev. Hernandes Dias Lopes

“Ouvi, agora, isto, vós, cabeças de Jacó, e vós, chefes da casa de Israel, que abominais o juízo, e perverteis tudo o que é direito”
(Mq 3.9).
O profeta Miqueias confrontou os pecados da nação de Israel e de Judá. Era um tempo de decadência dos valores morais, uma época marcada pela opressão econômica, pela corrupção política e pela desidratação da vida religiosa. A crise mostrava sua carranca em todos os setores da sociedade.

O Estado estava aparelhado para dar pleno curso à corrupção. Os líderes maquinavam o mal e o praticavam porque o poder estava em suas mãos (Mq 2.1,2). Não havia apenas uma tolerância ao mal, mas uma desavergonhada inversão de valores. O bem era aborrecido e o mal era amado (Mq 3.2). Os líderes eram descritos como cruéis e canibais, que devoravam o povo, em vez de cuidarem do povo (Mq 3.3). O texto em epígrafe mostra os cabeças de Jacó e os chefes de Israel abominando o juízo e pervertendo tudo o que é direito (Mq 3.9). O poder judiciário estava, em grande parte, mancomunado com os criminosos, para proteger-lhes nas cortes. O profeta denuncia: “Os seus cabeças dão as sentenças por suborno” (Mq 3.11). Havia, uma espécie de conluio dos poderes constituídos para dar pleno curso ao crime. Miquéias é enfático nessa denúncia: “As suas mãos estão sobre o mal e o fazem diligentemente; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, o grande fala dos maus desejos de sua alma, e, assim, todos eles juntamente urdem a trama” (Mq 7.3). A corrupção não estava apenas nas casas de leis, nos palácios e nas cortes, mas também na religião. O profeta Miquéias não poupa os profetas e os sacerdotes. Sua denúncia é contundente: “Os seus sacerdotes ensinam por interesse; e os seus profetas adivinham por dinheiro” (Mq 3.11). A religião estava tão adoecida pelo pecado, que esses líderes além de terem vendido sua consciência ao esquema de corrupção, ainda criavam falsos mecanismos teológicos para justificarem sua desfaçatez: “… e ainda, se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá” (Mq 3.11b).

Não bastasse as altas rodas do poder político estarem no fundo do poço moral, a família, guardiã dos valores que devem reger a sociedade, também estava navegando nas águas turvas dos conflitos e das malquerenças. O profeta ergue sua voz e denuncia: “Porque o filho despreza o pai, a filha se levanta contra a mãe, a nova, contra a sogra; os inimigos do homem são os da sua própria casa” (Mq 7.6). A nação toda capitulou-se à impiedade e à perversão. O profeta ergue sua trombeta e denuncia esse colapso coletivo: “Pereceu da terra o piedoso, e não há entre os homens um que seja reto; todos espreitam para derramarem sangue; cada um caça a seu irmão com rede” (Mq 7.2).

A liderança política da nação em vez de governar o povo com sabedoria e probidade, explorou-o com voracidade. Em vez de fazer cumprir as leis para o estabelecimento da ordem, abominaram o juízo; em vez de serem exemplo de retidão, perverteram tudo o que é direito (Mq 3.9). Longe de serem paradigma para a nação, tornaram-se mestres da ilicitude. Em vez de inspirar nobres atitudes em seus súditos, tornaram-se na mais infame escola do crime. O Brasil não se distancia tanto dessa triste realidade denunciada pelo profeta Miqueias. Que Deus tenha misericórdia de nossa nação, para que homens maus não nos governem e que os criminosos não sejam tidos em alta conta pelo nosso povo. É tempo de arrependimento! É tempo de voltarmo-nos para o Senhor!


http://www.ippinheiros.org.br/pastorais/quando-a-nacao-geme-sob-a-lideranca-de-maus-governantes/




20 de maio de 2017

A corrupção dos últimos dias


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Escrito por Pr. Wáldson Lima


A humanidade poderia ter começado bem. Mas começou mal. Com o pecado da desobediência a Deus, em sua origem, o ser humano não soube aproveitar a bondade de Deus ao criá-lo. Feito “imagem’ e “semelhança” de Deus” (Gn 1.29), usou mal o livre-arbítrio, concedido pelo Criador. E, já no princípio, no cenário do Jardim do Éden, lugar maravilhoso, onde não faltava absolutamente nada, o homem preferiu ouvir a voz do Diabo. Além disso, o homem desencaminhou-se, construindo deuses falsos para adorar, desprezando a adoração ao Deus verdadeiro, Criador dos céus, da terra e do homem.

O pecado é a raiz de todos os males e comportamentos inadequados do homem enquanto criatura, perante o seu Criador. E a origem da corrupção que acompanha o homem, desde o seu princípio, passando pela História, em suas diversas fases ou períodos, chegando aos dias presentes, e se prolongará e se projetará no futuro, até o final de todas as coisas, conforme o que nos relata a Palavra de Deus. A humanidade terminará mal. Até que o Deus Criador intervenha, implantando o seu Reino com o objetivo de restaurar o planeta Terra ao seu destino glorioso, previsto pelo Senhor. O juízo do Dilúvio universal foi a reação de Deus à corrupção geral do gênero humano, por volta do ano 600 da vida do patriarca Noé (Gn 7.6,11).1 E Deus derramou seu terrível juízo contra os povos diluvianos, em razão da corrupção generalizada que tomou conta da mente e dos atos daquelas pessoas que habitavam o planeta (Gn 6.5-1). Ao longo dos séculos, em vez de o homem aprender com a experiência e as evidências da criação que Deus existe e é o Soberano Criador e Senhor do Universo, pelo contrário, afastou-se mais de Deus, não apenas em termos de crença, mas de práticas cada vez mais corruptas e abomináveis, em termos de culto, com a adoração a ídolos ou falsos deuses, mas também por meio de práticas consideradas abominações pelo Senhor, como a prática da homossexualidade (Lv 18.20; 20.13 e refs.). Daquela população mundial, de alguns milhões de pessoas, só escaparam oito seres humanos (Gn 7.7; 2 Pe 2.5).2

Depois de séculos, em vez de o homem evoluir, como diz a fábula da Teoria da Evolução, não só tem decaído em sua vida biológica, como tem piorado terrivelmente em termos espirituais e morais. Nunca houve tanta corrupção espiritual e moral, na experiência humana, como nos dias em que vivemos. Certamente, esses dias, do século XXI, são os “tempos trabalhosos” a que se referiu o apóstolo Paulo, em sua Segunda Carta a Timóteo (3.1-9). Ele aludia aos atos de corrupção, imaginados e praticados pelo homem, por sua natureza decaída e destruída pelo pecado. Mas nunca imaginaria que a corrupção, nos fins dos tempos que antecedem a volta de Cristo, seria institucionalizada, reconhecida e aprovada pelos governos e parlamentos, e superaria o descalabro moral dos povos antediluvianos ou à depravação de Sodoma e Gomorra.

No texto em estudo, neste capítulo, Paulo enumera características dos homens corruptos, na época de Timóteo, que eram os “falsos mestres” ou ensinadores, que procuravam incutir na mente dos crentes de Éfeso, heresias de perdição, “doutrinas de demônios” e “vãs contendas”, que só causavam dissensões e divisões no seio da igreja local. Ele conduz os leitores de sua carta, a partir de Timóteo, ao cenário escatológico dos “últimos dias” (2 Tm 3.1), quando homens de índole perniciosa haveriam de levantar-se “enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Neste parágrafo da carta, ele nos mostra a corrupção do ser humano, “nos últimos dias”. Foi uma mensagem profética, pois tudo o que ele previu, em termos de corrupção moral, numa visão escatológica, está acontecendo em nossos dias.

 

I – OS TEMPOS TRABALHOSOS

1. Protagonistas dos Tempos Trabalhosos

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Tm 3.1). Nos parágrafos anteriores, o apóstolo tinha seu foco na exortação a Timóteo, tendo em vista sua pouca experiência diante de situações de desafio, no confronto com os falsos mestres. Neste capítulo, Paulo volta-se para os “falsos mestres” propriamente ditos, revelando e ressaltando suas características gerais e pessoais, que os colocam numa posição altamente negativa e prejudicial à realidade da vida cristã.
Em outras traduções, esses tempos são considerados “tempos difíceis”. Na realidade, o texto faz alusão aos tempos que antecedem a vinda de Cristo. Deus está fora do tempo, ainda que o criou, mas o homem está inserido no tempo e sujeito às limitações temporais. Sempre houve tempos difíceis ou trabalhosos para a igreja cristã. Ela nasceu debaixo da perseguição dos judeus; experimentou a perseguição dos imperadores de Roma, que intentavam eliminar o cristianismo da face da terra; na Idade Média, sofreu a perseguição dos reis, dos imperadores, e da Igreja Católica Romana, que tudo fizeram para silenciar a voz dos protestantes, que confrontavam os desmandos do clero corrupto que se aproveitava da ignorância do povo.
Depois, veio, na História, a perseguição diabólica, por meio do materialismo ateu e anticristão. Os comunistas entenderam (e ainda entendem) que o cristianismo é um empecilho aos seus objetivos declarados ou velados de dominação do mundo. Os comunistas foram derrotados e alijados em seu próprio berço, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esse regime de tirania e injustiças eliminou muitos cristãos, matando-os nas prisões, na Sibéria, deixando-os morrer de inanição e frio insuportável. Mas o comunismo foi destruído na Europa Oriental. No entanto, o cristianismo continuou e continua em sua marcha vitoriosa em busca do encontro com Cristo, na eternidade.

2. Homens de Má índole

As características dos homens maus, ímpios e inimigos do evangelho, constam de algumas “listas negras”, nas epístolas de Paulo. Logo após esse texto, Paulo adverte os destinatários das cartas pastorais de que Deus já via a tudo e a todos no plano espiritual (1 Tm 4.1).
A lista de más qualidades dos homens ímpios contém 18 itens (2 Tm 3.2-9), cujo comentário seria excessivo, mas para melhor entendimento, as resumimos rapidamente, tais qualificações nada recomendáveis, que, infelizmente, são observadas em muitos lugares, em igrejas cristãs, na vida de pessoas que se dizem cristãs.
1) Amantes de si mesmos. São egoístas ao extremo. Buscam os seus interesses em primeiro lugar, antes de valorizarem os outros e a obra do Senhor. Eles não têm amor, pois o verdadeiro amor “não busca seus interesses” (1 Co 13.5).
2) Avarentos. São amantes do dinheiro, fruto da característica anterior, de seu egoísmo. Hoje, há falsos obreiros, que só pregam por dinheiro, pensando em enriquecer (1 Tm 6.10).
3) Presunçosos. São homens cheios de orgulho, de arrogância, que se julgam superiores aos outros. No ministério, tal característica é motivo de conflitos desnecessários, contrariando Filipenses 2.3.
4) Soberbos. Qualidade semelhante à anterior. Paulo acentua, mostrando que tais homens são orgulhosos (ver 1 Tm 1.7, 6.4); são candidatos à queda espiritual (Pv 16.18).
5) Blasfemos. São os mesmos a que se referiu o apóstolo em 1 Timóteo 6.4,5. Blasfemar é dizer maldição, praga, imprecação. Ou pronunciar coisas que ofendem de modo contundente a santidade de Deus.
Desobedientes a pais e mães. São péssimos exemplos na família, pois não honram seus pais e mães (cf. Êx 20.12); e são candidatos a ter uma vida sem a bênção de Deus, por não considerarem o valor de seus pais.
7) Ingratos. São pessoas egoístas e autossuficientes. Por isso, não cultivam a virtude da gratidão. São ingratos a Deus, aos pais, aos amigos, à igreja, aos pastores. Têm distúrbios emocionais que os impedem de ser humildes e gratos.
8) Profanos. São homens que não respeitam as coisas sagradas (Lv 19.8, 12; Mt 12.5); há obreiros que transformam igrejas em “casas de show”, em danceteria, em palco de luta-livre, em casas de jogo e até em boates.
9) Sem afeto natural. É o mesmo que ser “sem amor” (Rm 1.31); são homens “ignorantes”, grosseiros, estúpidos ou “mal educados”, no trato com o cônjuge, com os filhos, com os pais, com outras pessoas.
10) Irreconciliáveis. Que não são humildes para reconciliarem-se com os outros, em situações de desentendimentos ocasionais; não sabem pedir perdão, e muito menos perdoar. Não são perdoados por Deus (Mt 6.15).
11) Caluniadores. Cometem o crime de calúnia (Crime contra a honra – Art. 128 do Código Penal); nas igrejas, esse crime é ignorado. Raramente se pune um caluniador.
12) Incontinentes. Que não sabem conter-se, sem autocontrole, sem domínio próprio.
13) Cruéis. São pessoas desumanas, impiedosas. Não fazem parte dos que são salvos em Cristo Jesus.
14) Sem amor para com os bons. Quem não ama não é salvo. Está em trevas, perdido. E é considerado homicida em termos espirituais (Ver 1 Jo 2.9,11; 3.15); se tais homens não amam “os bons”, imagine como tratam “os maus” ou “inimigos” (Mt 5.44).
15) Traidores. O termo já diz tudo. São “discípulos” de Judas, que traiu seu Mestre por 30 moedas de prata (Mt 26.15); seu fim foi a perdição (Mt 27.5).
16) Obstinados. Sua obstinação não é no sentido da persistência em fazer o bem, mas em fazer o mal, em persistir no erro, na maldade.
17) Orgulhosos. Semelhante à qualidade número 4.
18) Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Como são egoístas, presunçosos e autossuficientes, só pensam em si. Para eles, os prazeres da carne e do mundo são mais importantes do que amarem a Deus (1 Jo 2.15,16; Rm 8.7,8).
Após discriminar as péssimas qualidades de falsos mestres, no seio da igreja cristã, Paulo alerta a Timóteo que tais homens têm “aparência de piedade”, mas negam “a eficácia dela” e ordena que o discípulo se afaste deles (2 Tm 3.5). Esses maus obreiros aproveitavam-se de “mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências”, entrando em suas casas para a prática do pecado, naturalmente (2 Tm 3.6). E conclui que tais homens são comparados aos magos de Faraó, “Janes e Jambres” (2 Tm 3.8), que fizeram suas feitiçarias ou mágicas, resistindo a Moisés (cf. Ex 7.11,12,22; 8.7). Paulo resume suas qualidades desabonadoras do caráter como “sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé” (2 Tm 3.8), e que não serão bem-sucedidos em seus intentos malignos.

 

II – CARÁTER, ENGANOS E PERSEGUIÇÕES

1. Paulo, Obreiro Exemplar

“Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, caridade, paciência” (2 Tm 3.10). O apóstolo Paulo — outrora perseguidor do evangelho e dos seguidores de Cristo, fariseu respeitado, mas ignorante acerca da verdade e defensor ardoroso da Lei de Moisés — tornou-se um dos maiores exemplos de fé, amor e fidelidade ao cristianismo. Seu caráter era demonstrado por sua conduta exemplar. Na sua segunda carta a Timóteo, ele elogia seu jovem discípulo por sua obediência em seguimento de sete aspectos de sua vida, que bem pode ser um resumo do caráter cristão.
1) Doutrina. Na verdade, o apóstolo usava uma linguagem que Timóteo conhecia bem; Paulo não fundara um movimento religioso, ou houvera codificado nenhum sistema de doutrina. Mas era um seguidor autêntico de Jesus, na proclamação do evangelho e da doutrina de Cristo. Timóteo andava nos caminhos do Senhor, seguindo os ensinamentos que Paulo lhe ministrava.
2) Modo de viver. Uma coisa é pregar, ensinar, transmitir mensagens e ensinamentos; outra coisa é, além de pregar, dar o exemplo aos que recebem o ensino; Paulo discipulara Timóteo e podia dizer: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam” (Fp 3.17; 1 Co 11.1).
3) Intenção. Como poderia Timóteo conhecer a “intenção” de Paulo? Intenção quer dizer “intento, propósito, plano, ideia; vontade, desejo, querer” (Dicionário Houaiss); certamente, a intenção de Paulo era demonstrada por suas práticas, exemplos e testemunho, de um verdadeiro cristão. Seguindo o exemplo de Paulo, seguia o seu pensamento (Fp 4.8).
4) Fé. Paulo era um homem de fé muito elevada. Suportar o que ele suportou, em embates, combates e sofrimentos, só seria possível para um humilde “gigante na fé”; e passava a mensagem do evangelho pela fé genuína (1 Co 2.3; G1 2.20); sua fé não era teórica, apenas mística, mas era uma fé demonstrada na prática (1 Co 2.4).
5) Longanimidade. Ser eloquente não é difícil, se alguém tem o dom natural da oratória; ser bom administrador é para quem tem conhecimentos e capacidade administrativa; há obreiros que possuem esses dotes pessoais; mas ser longânimo é para quem tem esse requisito como fruto do Espírito Santo (G1 5.22).
6) Caridade. Caridade é o amor na prática. Não se manifesta apenas no falar, no dizer, na exposição verbal eloquente; só se materializa ou se demonstra de modo prático, vivencial; Paulo não só falou, ensinou, mas deu exemplo do que é ter caridade; em 1 Coríntios 13, ele devotou um capítulo doutrinário sobre a caridade, que é a manifestação do Amor Ágape, o amor de Deus, na vida de seus servos.
7) Paciência. É sinônimo de “calma, tranquilidade, serenidade”. É um estado de espírito; é também equivalente a “longanimidade”, mas esta é “paciência para suportar os defeitos e as faltas dos outros”; o cultivo dessa qualidade requer tempo e experiências com as situações mais diversas, ou adversas; Timóteo aprendera com Paulo as lições da paciência.

2. Paulo, o Perseguido

A vida cristã de Paulo começou, no caminho de Damasco, quando Jesus o encontrou, numa jornada que seria de perseguição aos cristãos (At 9.5). Naquele encontro dramático, marcante e inesquecível, o fariseu famoso caiu por terra, e, após sua conversão, batismo e acolhimento pelos irmãos de Damasco, sua vida mudou. De perseguidor passou a ser perseguido (At 9.17,23-25). Em várias ocasiões, em seu ministério, esteve em perigo de morte ou em risco de vida (2 Co 11.23).
Se Timóteo não houvesse tido um discipulado seguro e eficaz, poderia ter retornado para sua terra e desistido de ser cristão. Mas seguiu o exemplo do Senhor Jesus, na companhia de seu tutor espiritual. Enquanto isso, os “homens maus e enganadores” não teriam um fim proveitoso, mas colheriam o que plantaram.

 

III – A BOA FORMAÇÃO CRISTÃ E PERSEVERANÇA NA PALAVRA

1. Permanência na Palavra

Timóteo tivera a oportunidade de ter uma formação familiar e cristã do melhor nível. Sua educação era esmerada. Como já visto, no capítulo 7 deste comentário, Timóteo era filho e neto de servas de Deus, que o educaram nos caminhos do Senhor (1 Tm 1.5). No lado espiritual, doutrinário, ele era oriundo de uma família bem estruturada na fé cristã. Por outro lado, na vida ministerial, era discípulo do apóstolo Paulo. Sua formação familiar era tão marcante, que Paulo, nesta seção da segunda carta, faz referência à sua infância, num lar cristão que valorizava o ensino, no culto doméstico — coisa rara nos dias atuais.

2.  O Valor do Ensino Bíblico

O discipulado cristão deve ser acima de tudo fundamentado na Bíblia, a Palavra de Deus. Nos tempos hodiernos, o ensino da Palavra tem sido negligenciado, em grande parte das igrejas, em muitos lugares no mundo. Não são poucas as igrejas que eliminaram de seu programa a Escola Dominical e alegam suas conveniências, de transporte, distâncias, inseguranças, etc.
A nosso ver, não houve nenhuma vantagem em adotar essa programação, que exclui o ensino sistemático e voltado para cada faixa etária. Pelo contrário. Quando o ensino não é cuidadoso, paciente e dedicado, há grande prejuízo para as novas gerações. Graças a Deus pelas igrejas cristãs que dão valor ao ensino da Palavra, no lar, através do culto doméstico, e na igreja, na ministração do ensino na Escola Dominical e nos cultos de doutrina.
Paulo tira o foco de Timóteo e dos falsos mestres, e se volta para o valor do ensino da Palavra de Deus: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3.16). Mas ele ressalta que tais resultados só são alcançados se a “Escritura”, ou a Palavra ensinada for “divinamente inspirada”. Os objetivos do ensino bíblico divinamente inspirado são:
1) “Ensinar”, ou seja, transmitir ensinos espirituais, com base na Palavra de Deus, que são úteis e necessários para uma boa formação cristã; sem ensino, nenhuma igreja se mantém de pé; é necessário que as pessoas escutem a Palavra do Senhor Jesus e as ponham em prática, para poderem ficar firmes. Do contrário, serão destruídas pelas intempéries espirituais (cf. Mt 7,24-27; 2.25; Tt 2.12).
2) “Para redarguir” ou seja, “retrucar, responder, replicar”, ou argumentar com segurança; e também, como em outras traduções, “para repreender”; o ensino fundamentado na Palavra de Deus capacita o cristão para argumentar com segurança acerca de sua fé (cf. 1 Pe 3.15).
3) “Para corrigir”. O ensino bíblico bem fundamentado é como um prumo, que mostra o que está fora do lugar na construção de uma casa. Na vida cristã, se não houver o cuidado indispensável com as instruções e orientações do Senhor, muita coisa fica “torta” ou em desacordo com a vontade de Deus. O ensino é que conduz o homem à santidade e à santificação (SI 119.105; Rm 15.4; 1 Co 4.17).
4) “Para instruir em justiça”. O ensino da Palavra de Deus é instrução que leva o homem a viver de modo justo e digno. O salmista disse: “Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome” (SI 23.3).
5) A perfeição do homem de Deus”, “para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (3.17). Este é um dos grandes objetivos do ensino da Palavra de Deus: levar o homem à perfeição relativa, no seu relacionamento com Cristo (2.21; Tt 1.16).

CONCLUSÃO

O texto estudado mostra que é plano do adversário da Igreja promover movimentos contrários à sã doutrina, de tal forma que a corrupção moral e espiritual encontre espaço no meio da comunidade cristã. Os “tempos trabalhosos” a que Paulo se referiu seriam acentuados nos últimos tempos que antecedem a volta de Jesus. Em contraposição aos falsos mestres, Paulo exorta Timóteo a permanecer no que aprendeu, tanto no seu lar, sob os cuidados de sua mãe e de sua avó, ambas cristãs, bem como do que absorveu nos ensinos e no exemplo de Paulo, seu “pai na fé”.

 

Notas

De acordo com o Dicionário Wycliffe, “A rígida opinião cronológica, por outro lado, dataria o Dilúvio em cerca de 2.460 a.C, vários séculos depois das grandes pirâmides do Egito”. (Dicionário Wycliffe, p. 562). A Bíblia registra que o Dilúvio teve início “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês… e terminou no dia 27 do segundo mês, do ano 601 da vida de Noé (cf. Gn 8.14).
2 “Com base em dados de censos antigos, os estudiosos estimam que a população mundial era de cerca de 1/4 de um bilhão na época de Cristo (1 d.C.).


http://adremanescentes.com.br/regionais/index.php/pt/aigreja/27-departamentos/escolaebdprofessores/estudosprofessoresebd/1060-licao-9-a-corrupcao-dos-ultimos-dias


1 de maio de 2017

Onde há corrupção, há corrompidos e corruptores


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"Com as mãos prontas para fazer o mal, o governante exige presentes, o juiz aceita suborno, os poderosos impõem o que querem; todos tramam em conjunto". (Mq 7.3)
O ser humano caiu e tornou-se corrupto, aberto para todo tipo de maldade. Ele passou a viver por conta de seus próprios desígnios e se afastou do bem querer de Deus.

Deus sempre chamou seu povo para cuidar dos grupos mais vulneráveis da sociedade e buscar a justiça, conforme Isaías 1.17 e 59.15. O profeta Miqueias condena o abuso dos tribunais por defraudarem as pessoas tomando seus meios de vida (Miqueias 2.2), o abuso dos cargos públicos através do suborno (3.11), as riquezas adquiridas através de práticas comerciais desonestas (6.10, 11) e a conspiração das pessoas no poder para o seu próprio benefício (7.3). As palavras de Tiago contra os ricos corruptos também são duras (Tiago 5.1-6).

Uma das formas de corrupção é o suborno. Onde há corrupção, há corrompidos e corruptores. Do lado do corruptor há a desonestidade e também de abuso de poder econômico, ao usar do dinheiro para obter favor, facilitação ou vantagem ilegal. Do lado do corrompido, há também desonestidade associada à ganância, que o leva ao ganho indevido e muitas vezes ilegal.

Dados da corrupção

É muito difícil quantificar a corrupção, admitem ONG´s como Transparência Brasil e Contas Abertas. Mas podemos citar alguns dados:
• A corrupção consome entre R$ 50 bilhões e R$ 85 bilhões por ano, segundo estudo de 2010 da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Isso corresponde a 2,3% de toda riqueza produzida no Brasil em um ano.

• No Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2013, o Brasil tem nota 42, ficando em 72º lugar dentre as nações. A nota varia entre zero (um país mais íntegro) a 100 (um país mais corrupto).

• Diariamente, 230 crianças com menos de cinco anos poderiam ser salvas se os prejuízos financeiros com a corrupção fossem disponibilizados para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

• Estima-se que os países em desenvolvimento perderam cerca de 850 milhões de dólares em 2010, devido aos fluxos financeiros ilícitos (dados do Banco Mundial).

O que fazer para combater a corrupção?
 
Esta é a pergunta mais importante. O combate à corrupção passa por ações coletivas, desenvolvidas pela sociedade, efetuadas de modo sistêmico, contra a contaminação das práticas, dos processos, dos negócios, da aplicação da lei e da justiça. E, certamente, implica também em atitudes que, como cidadãos e cristãos, somos chamados a contribuir pessoalmente.

A Igreja precisa comprometer-se com ações de combate à corrupção
 
Nossa sociedade tem dado alguns passos positivos no combate a esse mal. A Lei de Acesso à Informação é importante para que haja controle social das verbas públicas e de sua destinação. Mas falta-nos ainda aprimoramento do controle social e mecanismos efetivos que punam os corruptores. [Leia o que alguns grupos cristãos têm feito no Brasil e no mundo]

Cada cristão, seguidor e seguidora de Jesus Cristo, é sal e luz na sociedade onde vive. Temos o dever de ser vigilantes e participar da vida em sociedade, fiscalizando e denunciando atos de corrupção, inclusive no espaço eclesiástico, nas denominações, nas instituições, nas empresas de comunicação e na política.

A Igreja precisa comprometer-se contra a corrupção a partir da oração

Cremos que a oração é instrumento de mudança. Mudança que vem pelo agir de Deus. Mudança que vem pelo nosso agir em compromisso com a vontade de Deus que se estabelece em nossos corações em nosso viver como povo de Deus. Oremos:
• Para que os cristãos sejam luz e sal onde quer que estejam e que sejam intolerantes com qualquer tipo de corrupção, lembrando-se que “o juízo começa pela casa de Deus” (1 Pedro 4.17).

• Para que a igreja seja profeta do Senhor contra a corrupção, mas seja a primeira a dar o exemplo em suas práticas eclesiásticas e vida cotidiana.

• Para que o povo de Deus tenha uma participação efetiva e que seja uma presença que ponha luz nos espaços onde se formulam leis e normas e onde se exerce controle social – os conselhos e as diversas formas de representação e controle social.

• Para que as igrejas gerem filhos de Deus comprometidos com um mundo mais solidário e com menos cobiça, que é fonte de corrupção.

• Para que sejamos intolerantes com a impunidade de quem quer seja.

• Por todos que sofrem as consequências da corrupção, especialmente os que são mais pobres.

• Para que a corrupção seja minorada e aplacada em todos os poderes e que os formuladores, gestores e aplicadores das leis sejam menos susceptíveis às diversas formas de corrupção.

• Que, pelo exercício da cidadania, apoiemos a criação de mecanismos que evitem - e não somente combatam - a corrupção.

• Que a igreja em geral e os cristãos em particular apoiem reformas políticas como instrumentos preventivos contra a corrupção.


Aliança Cristã Evangélica Brasileira
Brasil, 12 de abril de 2015.

Nota: Texto publicado originalmente no site da Aliança Evangélica.
 
http://www.ultimato.com.br/conteudo/onde-ha-corrupcao-ha-corrompidos-e-corruptores?platform=hootsuite