Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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20 de julho de 2019

A BOA TRADUÇÃO MERECE EXPLICAÇÃO: A MORTE DOS SANTOS


 
 
 
AS MUITAS VERSÕES

No conhecido versículo do Salmo 116:15 as mais diversas versões em português trazem textos bastante diferentes. As versões variam. Por isso, muitos leitores acabam ficando cheios de dúvidas sobre qual tradução é a correta. Se abrirmos as versões bíblicas mais conhecidas, evangélicas e católicas, encontraremos o seguinte:
Preciosa é à vista do SENHOR a morte de seus santos. (Almeida Corrigida)
Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte de seus santos. (Almeida Atualizada)
É custosa aos olhos de Iahweh a morte dos seus fiéis. (Bíblia Jerusalém)
É preciosa aos olhos do Senhor a morte de seus fiéis. (CNBB)
O Senhor Deus sente pesar quando vê morrerem os que são fiéis a ele. (NTLH)
O Deus Eterno fica muito triste quando morre alguém do seu povo. (BLH)
O SENHOR vê com pesar a morte de seus fiéis (Nova Versão Internacional)
A dificuldade prática para muitos cristãos é que esse versículo tem sido tradicionalmente utilizado em contextos fúnebres para consolar pessoas enlutadas. O fato é que, muitas vezes, o texto é interpretado como se estivesse falando de uma espécie de “recepção divina ao salvo que passa para a vida eterna”. Será que isso está correto?

O CONTEXTO DO SALMO 116

O contexto do salmo é facilmente identificável. O texto fala de um homem a quem Deus livrou da morte. Agradecido, ele vai ao templo e cumpre a promessa feita ao SENHOR. Esse salmo de gratidão relata a luta do salmista com a morte (1-4), declara a bondade e a misericórdia do SENHOR (5-7), comprovada pela forma como ele escapou da morte (8-11). Muito feliz, o salmista oferece o sacrifício prometido (12-14) e expressa sua dedicação a Deus, convocando o povo ao louvor do SENHOR (15-19). Para entender o versículo 15 precisamos entender que seu texto deve ser interpretado à luz desse contexto, especialmente do que vemos nos versículos 2-3 e 8-9, isto é, o livramento da morte.

A RAZÃO DAS DIFERENTES TRADUÇÕES

Uma rápida observação nas diferentes versões revelará que elas estão divididas em dois grupos. As versões tradicionais de Almeida e as principais versões católicas são muito semelhantes. A diferença é que nas versões católicas o termo hebraico qadôsh foi traduzido por “fiel” e não por “santo”, para evitar a possível confusão do leitor. Não há dúvida de que a palavra se refere ao indivíduo do povo de Deus que está em aliança com ele. Já as versões evangélicas contemporâneas, como a NVI, a Bíblia na Linguagem de Hoje e sua versão revisada, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, trazem outra tradução.

O foco do problema de tradução está na palavra hebraica yaqar, cujo significado literal é “ser pesado”, tendo adquirido o sentido de “precioso, caro”. A palavra é usada para se referir a pedras preciosas (Sl 36:7). A pergunta que precisa ser feita é qual é o significado do termo no Salmo 116:15. A morte dos santos, ou fiéis, é preciosa para Deus? Em que sentido? O que o texto de fato está ensinando?

Quem lê o texto conforme as versões mais antigas, pode chegar a duas possibilidades:
  1. Que o SENHOR gosta da morte dos seus santos. A morte é algo precioso, caro, desejável. Seria esse o sentido do texto? É claro que não, pois isso não faz sentido, e dá ideia de um Deus que parece ter prazer no sofrimento humano.
  2. Que o SENHOR está presente e cuida do seu fiel, na hora da morte. Essa é a interpretação mais comum. No entanto, essa maneira de entender não tem muita relação com a palavra “preciosa”. A versão popular é mais intuitiva do que exegética.
Devemos concluir que apesar de muito comuns essas abordagens não refletem o significado do versículo no seu contexto original.

A outra alternativa, das versões contemporâneas, principalmente da NVI e da NTLH, é o “SENHOR vê com pesar a morte de seus fiéis”. Como se chega a tal tradução? Por que um texto tão diferente? Aqui a palavra yaqar é vista no seu sentido de “algo de alto custo”, isto é, “precioso”. Isso significa que para Deus a morte de um fiel é algo que custa muito. A tradução de Toombs por exemplo capta bem a ideia: “O SENHOR não é indiferente ao fato de seus fiéis serem ou não mortos”. Numa tradução bem contemporânea poderíamos dizer que para o SENHOR a morte de seus fiéis “não passa em branco”. A morte de alguém que é fiel ao SENHOR recebe a atenção de Deus assim como uma pedra preciosa atrai o olhar de alguém. Portanto, apesar da opção estilística “vê com pesar” não ser perfeita, a ideia fundamental corresponde ao sentido do original. Na verdade, essa opção de tradução está correta, e há duas razões para isso:
  1. Contextual. O contexto do salmo revela a gratidão de um adorador que foi salvo da morte, e não de alguém que passou para a eternidade. O autor fala da morte com enfoque negativo. Não é uma experiência desejável nem pelo autor nem por Deus.
  2. Teológica. Muitas pessoas entendem o texto bíblico de maneira incorreta, lendo o Antigo Testamento como se fosse o Novo Testamento. A verdade é que o Antigo Testamento discute muito pouco a vida depois da morte. Aquilo que conhecemos como escatologia individual só é plenamente desenvolvida no Novo Testamento. Portanto, é muito improvável que um salmo esteja falando do pós-morte, pois o enfoque dos salmos e do Antigo Testamento em geral é a vida na terra.
Apesar de muito conhecida, a versão tradicional do Salmo 116:15 não reflete o sentido do texto original. As versões contemporâneas estão corretas. Portanto, é de extrema importância entendermos corretamente o texto bíblico para aplicarmos corretamente à nossa vida.



Luiz Sayão

https://ibnu.com.br/a-boa-traducao-merece-explicacao-a-morte-dos-santos


21 de abril de 2019

Os Mortos Ressuscitados em Mateus 27:52-53





No momento da morte de Jesus na cruz, depois de clamar com uma voz aterradora e entregar seu espírito (Mateus 27:50), Mateus relata vários eventos cataclísmicos para seus leitores. Ele inclui cinco sinais que acompanham a morte de Jesus: 1) a cortina do templo é rasgada (v. 51a), 2) a terra treme (v. 51b), 3) as rochas se separam (v. 51c), 4) os tumbas se abrem (v. 52a) e 5) pessoas sem vida a quem Mateus chama de “hagiōn” são ressuscitadas (v. 52b). O mais desconcertante desses eventos cósmicos é a ressurreição dos santos mortos. Sua ressurreição dos mortos confundiu os intérpretes e levou a muitas questões interpretativas cruciais: que tipo de corpos essas pessoas sagradas tinham? Eles morreram de novo? Qual a sua aparência pública e quantas pessoas as viram? Eles foram criados antes ou depois da ressurreição de Jesus dos mortos? Se eles foram criados antes, o que eles fizeram depois de terem sido criados, mas antes de Jesus ressuscitar (eles apenas esperavam em seus túmulos)? Foi sua ressurreição como a de Lázaro em João 11, ou como a ressurreição descrita pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 15, ou seja, corpos glorificados? É possível que esses “santos” tenham sido levados ao céu como Enoque (Gn 5:24)? Mateus estava falando de um evento histórico ou simplesmente usando linguagem apocalíptica e metafórica aqui em sua narrativa do Evangelho?

Embora essas questões ressaltem a dificuldade em averiguar o significado desse texto, essa perícope mateana informa o modo como se entende a conclusão do Evangelho de Mateus, particularmente as cenas que cercam esses eventos (Mt 27:32-50 e 27:55-28:20), e tem implicações na ressurreição de Jesus dentre os mortos. A maneira como Mateus constrói a narrativa define o estágio em sua narrativa evangélica por meio da ressurreição “menor” dos santos, já que antecipa a vindicação pública de Jesus diante de seus inimigos - ele não está morto, ele ressuscitou exatamente como disse que faria (Mt 28:6 cf. 16:21; 17:23; 20:19). Para Mateus, a ressurreição dos santos cria antecipação literária através do paralelismo narratológico - o herói da história, Jesus, morre e alguns outros mortos não identificados são feitos vivos - e a ressurreição vindicadora de Jesus traz a trama do seu Evangelho à sua resolução literária. Utilizando o paralelismo narratológico - isto é, lendo o texto bíblico com o tipo de sensibilidade literária que permite aos intérpretes discernir dispositivos autorais como contraste e ironia e progressão ou desenvolvimento narrativo no meio de um relato narrativo, em meio a outros artifícios literários -, Mateus acentua que a ressurreição de Jesus era o que os líderes religiosos temiam, o que provava que eles estavam errados sobre ele. Então eles propagam uma mentira e se provam mais perversos (Mt 28:12-15). Sua ressurreição prova a seus discípulos que duvidavam que ele está realmente vivo e que ele realmente tem “toda autoridade no céu e na terra” (Mt 28:18). Sua ressurreição dá esperança a todos os seus seguidores, pois sabemos que o Senhor é o Cristo ressuscitado. Ele conquistou o pecado e a morte e o inferno; e agora ele é tanto Deus conosco quanto proclamamos e oferecemos um evangelho de arrependimento e perdão dos pecados (28:20 cf. 1:23) e ele é Deus em nós, capacitando-nos pelo Espírito Santo que ele e o Pai nos enviou (Jo 20:19-23; At 1:8, 2:4; 1 Cor 6:19; Ef 1:13-14).

Não é de surpreender, portanto, que os intérpretes tenham trabalhado para aplicar esse texto essencial ao longo da história interpretativa em seus respectivos empreendimentos hermenêuticos e homileticais. A confusão interpretativa resulta de uma falsa suposição de que a ressurreição dos santos é ou uma ressurreição glorificada e, portanto, deslocada na narrativa do Evangelho de Mateus, ou é a-histórica e meramente uma metáfora apocalíptica. 


Algumas interpretações de Mateus 27:52

a. Pode não ter havido nenhuma ressurreição real. Deus pode simplesmente ter tirado temporariamente alguns desses corpos da terra e os mostrado a muitas pessoas. (F. W. Grosheide, op cit., p. 439). Objeção proposta: O texto diz “foram ressuscitados” e “eles foram”.

b. Essa ressurreição ocorreu em conexão com a ressurreição de Cristo, ou um pouco depois dela. (H. N. Ridderbos, Vol. II, p. 241). Objeção proposta: Nesse caso, este seria o único desses sinais que foi adiado até (ou: até depois) da ressurreição de Cristo. Todos os outros ocorreram no momento da morte de Cristo. O significado da passagem parece ser que tudo aconteceu no momento da morte de Cristo ou próximo dele. - I Cor. 15:20 não oferece nenhuma base para rejeitar a opinião de que esses santos foram ressuscitados antes de Cristo ressurgir, pois a morte triunfante e a ressurreição de Jesus continuam a ser a base legal para a gloriosa ressurreição até mesmo desses santos. Além disso, a comparação em I Cor. 15:20, tomando seu ponto de partida na ressurreição de Cristo, olha para o futuro, a segunda vinda: em relação a todos os crentes que surgirão, Jesus é as primícias.
c. Esses santos não foram criados com corpos imortais (W. R. Nicholson, Os Seis Milagres do Calvário, Chicago, 1928, pp. 43, 44). Objeção proposta: Se a ressurreição deles foi como a de Lázaro, que morreu novamente, então a expressão “eles apareceram para muitos” requer explicação. Além disso, nesse caso, a ressurreição desses santos não seria uma verdadeira previsão da gloriosa ressurreição no retorno de Cristo. Consequentemente, isso não simbolizaria verdadeiramente o significado da morte de Cristo para a nossa futura ressurreição corporal.

Solução para o Dilema

Sugiro que a resposta ao dilema hermenêutico apresentado nesta perícope mateana possa ser respondida:
1) lendo a conclusão da narrativa evangélica de Mateus, 
2) entendendo a ressurreição dos santos em Mateus 27:52-53 como a histórica de Lázaro, 
3) compreendendo os cinco signos junto com a confissão resultante do centurião como conotando o significado cristológico e missiológico da morte vivificadora de Jesus, e 
4) notando que Mateus usou a cena em 27:51-54 para estabelecer a cena da ressurreição de Jesus dos mortos registrada em 28:1-10 e acentuar os significados acima mencionados. Neste artigo, pretendo mostrar que Mateus se assemelha aos pericópios da ressurreição em 27:51-54 e 28:1-10 para acentuar as implicações cristológicas e missiológicas da vida de Jesus que defende a vindicação da sepultura.
Algumas das implicações missiológicas se manifestam em como os fariseus desafiaram a filiação divina de Jesus (27:40, 43), e são precisamente os sinais em torno de sua morte horrível que testemunham tão alto que até os gentios creem (27:54). Assim, a ressurreição “menor” dos santos antecipa a futura ressurreição “maior” de Jesus em sua narrativa evangélica e manifesta visivelmente a identidade de Jesus como o Filho de Deus; a ressurreição “menor” dos santos antecipa a futura missão do evangelho até os confins da terra (Mt 28:16-20).

Delvin D. Hutton


Na obra de Delvin Hutton, A Ressurreição dos Santos (Mt 27:51b-53): Um estudo da teologia da narrativa da paixão de Mateus, ele afirma que a cena de Mateus foi reformulada e substituída na narrativa pelo autor para fins teológicos. Além disso, ele afirma claramente: “Será notado em nenhum momento que o escritor se preocupa com a questão: 'Isso realmente aconteceu; é empiricamente verificável?” Ao contrário, a questão com a qual ele se preocupou ao longo de sua tese é: “Qual foi o significado da tradição expressa em Mateus 27:51b-53 para o evangelista individual e para a comunidade na qual e para quem ele compôs o seu evangelho?” (p. 16)

Hutton conclui que a cena que Mateus descrita em seu Evangelho é uma combinação do material de Marcos e tradições epifânicas orais de “manifestação”. (Ibid p. 109) Ele afirma que a colocação do material redigido pertencia originalmente à cena que Mateus retrata no capítulo seguinte, Mateus 28:2-4.15. Ele sugere, então, que o rearranjo de Mateus para o material é para acentuar uma nova realidade escatológica (Ibid., 117, 119, 126, 172-176.) Mais especificamente, ele sustenta que Mateus criou uma cena com a ressurreição ων κεκοιμημενων αγιων (tōn kekoimēmenōn hagiōn - “dos santos adormecidos”) baseada nas tradições apocalípticas para enfatizar a natureza escatológica da morte de Jesus na cruz (Ibid., 145.) Os presságios em torno da morte de Jesus conotam que algo decisivo na história da salvação ocorreu naquele momento.

Delvin Hutton observa que a perícope em questão é escatologicamente orientada e marcada por imagens apocalípticas. Além disso, ele afirma corretamente que a obra de Mateus é “arranjada teologicamente” (Ibid., 115). Contudo, seu trabalho crítico de redação coloca a ressurreição ων κεκοιμημενων αγιων (tōn kekoimēmenōn hagiōn - “dos santos adormecidos”) após a ressurreição de Jesus dos mortos e interpreta mal o manifesto da narratologia na cena.

John W. Wenham

Em 1981, John Wenham publicou seu artigo “Quando os Santos Foram Levantados: Uma Nota sobre a Pontuação de Mateus XXVII. 51-53”, que defendia um ponto final no meio de Mateus 27:52. Ele sugeriu que era inadequado para os tradutores traduzirem ανεωχθησαν (aneochthēsan - “abriram-se”) sem pontuação porque isso vincula erroneamente a ressurreição dos αγιων (hagiōn - “santos”) aos eventos que ocorreram na sexta-feira santa depois que Jesus entregou seu espírito na cruz (Mt 27:50). Para substanciar sua tese, ele argumenta que και εξελθοντες... πολλοις (“kai exelthontes… pollois” “e saíram... muitos”) forma um parêntese parcial. Ou seja, as palavras και εξελθοντες... πολλοις são parentéticas, mas falta-lhes um assunto dentro da versificação em que são encontradas atualmente. Em vez disso, Wenham argumenta, o assunto é encontrado no versículo anterior, Mateus 27:52 - πολλα σωματα (“muitos corpos”). Consequentemente, ele afirma que isso coloca a ressurreição dos santos com os eventos que se seguem ao invés dos eventos que precedem - ou seja, ele afirma que os santos são ambos ressuscitados e saem dos túmulos após a ressurreição de Jesus dos mortos. Para Wenham, então, a tradução de Mateus 27:51-53 seria a seguinte: “E a terra tremeu, e as rochas se dividiram, e os túmulos foram abertos. E muitos corpos dos santos que tinham adormecido foram ressuscitados e saíram dos túmulos após a ressurreição de Jesus, e foram para a cidade santa e apareceram a muitos”.

As preocupações de Wenham são duplas. Primeiro, o lapso temporal entre a abertura dos túmulos causado pelo terremoto em Mateus 27:51 e a subsequente ressurreição dos muitos santos que dormem classifica os eventos após a ressurreição de Jesus e mantém seu título de   - “primogênito entre os que dormem”) (1 Cor 15:20; cf. Col 1:18; Ap 1:5). Em segundo lugar, ele quer amarrar a ressurreição dos santos com a ressurreição vindicadora de Jesus dentre os mortos em Mateus 28:1-10. Para Wenham, aquela ressurreição é causada pela ressurreição de Jesus; essa relação causal acentua o poder da ressurreição de Cristo dentre os mortos, um poder acessível a “todos os que dormem em Jesus” (p. 152). Portanto, ele conecta a ressurreição dos santos com a ressurreição de Jesus para enfatizar sua “derrota dos poderes” do mal (p. 151)

O instinto interpretativo de John Wenham para conectar a ressurreição ων κεκοιμημενων αγιων “dos santos adormecidos” (Mt 27:52-53) com a ressurreição de Jesus (Mt 28:6) está correto. Um exame minucioso da narrativa manifesta que Mateus colocou os pericópios paralelamente uns aos outros para esclarecer as implicações cristológicas e missiológicas da passagem. Wenham, no entanto, incorretamente assume que a criação ων κεκοιμημενων αγιων “dos santos adormecidos” ameaça o direito de Jesus como απαρχη των κεκοιμημενων “primogênito entre os adormecidos” (1 Cor 15:20). Antes, Mateus pretende que seus leitores interpretem a ressurreição dos santos adormecidos como semelhantes a Lázaro e outros. Como seu poder foi demonstrado e os comentários zombadores dos opositores foram derrubados quando ele restaurou a vida da menina morta (Mt 9:24-25), então agora através dos portentos cósmicos, mais uma vez seu poder divino está em exibição quando os mortos são ressuscitados para a vida como um testemunho (Mt 27:52-53). Como sua fama foi anunciada por ter derrubado a morte anteriormente (Mt 9:26), agora Mateus relata que sua fama é anunciada na polinésia hagiana e, em última análise, até os confins da terra (Mt 28: 16-20).


Hendriksen, W., & Kistemaker, S. J. (1953-2001), que não aceita a interpretação proposta aqui, diz em Vol. 9: New Testament Commentary: Exposition of the Gospel According to Matthew (p. 975), Grand Rapids: Baker Book House:

Resumindo o significado desses signos, pode-se dizer que eles indicam o significado da morte de Cristo para os filhos de Deus de todo clima e nação: pronto acesso ao trono de Deus e ao seu santuário celestial através da morte de Jesus; a herança de um universo maravilhosamente rejuvenescido; e uma ressurreição gloriosa, para uma vida que nunca será seguida pela morte. Então, também, todos esses sinais enfatizam a majestade da Pessoa que deu sua vida como resgate para muitos. Particularmente, eles enfatizam o significado rico de sua morte.
Chouinard, L. (1997) em Matthew. The College Press NIV Commentary. Joplin, Mo.: College Press, também concorda com a lição mais importante desta passagem de Mateus 27:
Assim como os eventos que têm significado cósmico acompanharam o nascimento e a infância de Jesus (Mateus 1–2), mesmo assim, sua morte é marcada por eventos milagrosos que sinalizam a presença ativa de Deus. Meyers e Strange observam que no judaísmo do primeiro século a “veneração dos túmulos dos santos falecidos era um elemento importante” da piedade judaica.” (E. M. Meyers e J. F. Strange, Archaelogy, Rabbis and Early Chrsitianity, Nashville: Abingdon, 1981, p. 162) No entanto, com a morte e ressurreição de Jesus, os santos venerados recebem vida. Sua aparição em Jerusalém após a ressurreição de Jesus vividamente dramatiza que a morte de Jesus traz vida, e assim prenuncia a ressurreição final (cf. Dn 12:2; Is 26:19; Ez 37:7, 12-14).


Bibliografia
J. W. Wenham, “When Were the Saints Raised?,” The Journal of Theological Studies 32:1 (1981): 150-152.
 Daniel M. Gurtner, “Interpreting Apocalyptic Symbolism in the Gospel of Matthew,” Evangelical Theological Society, New Orleans, 2009
Delvin D. Hutton. “The Resurrection of the Holy Ones (Matt 27:51b-53): A Study of the Theology of the Matthean Passion Narrative” (Th.D. diss., Harvard University, 1970
Chouinard, L. (1997). Matthew. The College Press NIV Commentary. Joplin, Mo.: College Press,
Hendriksen, W., & Kistemaker, S. J. (1953-2001). Vol. 9: New Testament Commentary: Exposition of the Gospel According to Matthew. Grand Rapids: Baker Book House


FONTE:
https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2018/11/os-mortos-ressuscitados-em-mateus-2752.html


28 de dezembro de 2012

TIPOLOGIA BÍBLICA (SÍMBOLOS NA BÍBLIA)




TIPOLOGIA 

INTRODUÇÃO 

É de grande valor e necessidade, também uma bênção, quando podemos penetrar e ultrapassar os limites de nossa mente e espírito, no grande palácio de Deus, e conhecermos um pouco mais de sua ciência e filosofia, bem como, conhecer melhor do sábio construtor, através da revelação e iluminação do Espírito, como escreveu São Paulo em Romanos 11 : 33 - 36, conseqüentemente, isto nos torna capacitados ante as descobertas dos mistérios do Reino de Deus.

O QUE É TIPOLOGIA ? 

É o estudo das figuras e símbolos da Bíblia, com os quais Deus procura mostrar, por meio de coisas terrestres as coisas espirituais. Visto a incapacidade da mente humana de compreender as coisas divinas, nos mesmos termos encontramos no Antigo Testamento Deus falando das glórias celestiais através de coisas terrestres, ou sejam, TIPOS, ou o que revelam o ANTI-TIPO. 

Não se pode conhecer o ANTI-TIPO, sem antes conhecer o TIPO.


EXEMPLOS

TIPO ANTI-TIPO 
  • Adão homem carnal - Cristo homem espiritual 
  • Enoque no carro de fogo - O arrebatamento da Igreja 
  • O Sacerdote Melquizedeque - Cristo, o Sumo Sacerdote 
  • Davi rei de Judá - Cristo, Rei dos reis 
  • Maná no deserto - Alimento espiritual 
  • Libertação do Egito - Libertação do mundo 
  • Marcha no deserto - Nossa peregrinação na terra

ESTUDO TIPOLÓGICO DO TABERNÁCULO 

TABERNÁCULO

Êxodo 25 e 27 
Deus mandou Moisés subir no monte Sinai e, lá ordenou-lhe que construí-se em santuário. Convém lembrar que Moisés ficou 40 dias e 40 noites para receber a planta do Tabernáculo. O Tabernáculo estava dividido internamente por uma cortina que recebeu o nome de Véu. 
Esta cortina o fez em dois compartimento, o primeiro recebeu o nome de Lugar Santo, o segundo compartimento era chamado de Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos. 
Havia também a parte externa do Tabernáculo e esta parte é conhecida como Pátio ou Átrio. 
Para ajudar Moisés na construção do Tabernáculo, Deus escolheu dois homens, Besaleel para trabalhar com madeira, couro, prata, bronze, e na lapidação de pedras preciosas e Aoliabe para trabalhar com as cortinas, bordados, com linho e na confecção das roupas do Sumo Sacerdote e nas coberturas exteriores do Tabernáculo. 
Significa lugar de habitação ou seja o lugar onde Deus iria se manifestar aos homens. 

NOMES DADOS AO TABERNÁCULO 
  • SANTUÁRIO Lugar Santo Ex. 25 : 8 
  • HABITAÇÃO Morada Ex. 25 : 8 
  • TENDA Lugar móvel Ex. 40 : 2 
  • CASA DE DEUS Lugar de Deus Jz. 18 : 31 
  • SANTUÁRIO TERRESTRE Lugar de cerimônias Heb. 9:1 

O TABERNÁCULO COMO TIPO DE CRISTO 
  • É o lugar onde Deus se encontra com o pecador Ex. 25 : 22 
  • É o lugar onde Deus se revela ao pecador Ex. 29 : 43 
  • É o lugar onde Deus habita com o pecador Ex. 25 : 8 
  • É o lugar onde Deus fala com o pecador Ex. 29 : 45 
  • É o lugar onde Deus recebe o pecador Lev. 1 : 4 
  • É o lugar onde Deus perdoa o pecador Lev. 4 : 20 
  • É o lugar onde Deus recebe a oferta do pecador Ex.23 : 15 

O ÁTRIO Êxodo 27 : 9 - 19 
Também conhecido como pátio. Esta área media aproximadamente 50 mts. de comprimento por aproximadamente 25 mts. de largura, contornada por uma cerca de 2,5 mts. de altura com 60 colunas erguidas a cada 2,5 mts. Esta cerca era coberta por cortinas de linho retorcido e com uma única entrada de aproximadamente 10 mts. com 4 colunas erguidas a cada 2,5 mts. e dentro deste espaço encontrava-se o Tabernáculo. 

O SIGNIFICADO DO ÁTRIO 
  • AS CORTINAS Essas cortinas eram confeccionadas em linho retorcido simbolizando o sacrifício de Cristo no calvário para nos separar do mundo 
  • A CERCA Esta cerca tinha aproximadamente 2,5 mts. de altura o que impedia a visão do externa 
  • AS COLUNAS Estas colunas eram de metal para sustentação das cortinas simbolizando o juízo de Deus sobre seu filho 
  • OS GANCHOS As cortinas não podiam firmar-se sem os ganchos. Da mesma forma o cristianismo jamais poderia existir sem a expiação e a redenção feita por Jesus. 

A ENTRADA Êxodo 27 : 16 
Havia uma única entrada para o Átrio de 10 mts. onde encontramos 4 colunas. Esta entrada tinha uma cobertura com as seguintes cortinas : Linho retorcido, Estofo azul, Púrpura e Carmezim. 

SIGNIFICADO DA ENTRADA 
  • ÚNICA ENTRADA Jesus Cristo é o único meio de Salvação. 
  • 10 METROS Simboliza entrada ampla para todos, onde não há dificuldades para entrar. 
  • 4 COLUNAS Simbolizam os 4 evangelhos. 
  • LINHO RETORCIDO Simbolizam o sofrimento de Cristo. Sua perfeição, pureza e santidade. 
  • ESTOFO AZUL Representa a divindade de Cristo. 
  • PÚRPURA Representa o Cristo e sua realeza como soberano Rei e Senhor. 
  • CARMESIM Tipifica o sangue de Cristo vertido no calvário e sua capacidade para salvar do poder do pecado pois Seu sangue nos purifica de todo o pecado .

O ALTAR DE SACRIFÍCIO Êxodo 27 : 1 - 8 
Este era o primeiro móvel encontrado logo após a entrada para o Átrio, feito de madeira de acácia revestida de bronze. As sua 4 pontas era feita em uma única peça e também recoberta de bronze, seus utensílios para recolher e espalhar as brasas ou seja as pás, as bacias, os garfos, os braseiros e os vasos foram feitos em bronze. 
Este móvel tinha 2,5 mts. de comprimento por 2,5 mts. de largura e 1,5 mts. de altura, possuía uma grelha ou rede de bronze com 4 argolas e varais de madeira de acácia revestidos de bronze para poder transportá-lo. 

O SIGNIFICADO DO ALTAR DE SACRIFÍCIO 
O altar de sacrifício era uma figura da cruz de Cristo, local onde animais eram sacrificados em favor dos homens. Local onde o pecador se aproximava de Deus. 
  • MADEIRA DE ACÁCIA Simboliza a origem humilde de Cristo, porém resistente. 
  • BRONZE Material resistente ao fogo, demonstrando que Jesus resistiu a justiça de Deus. 
  • 4 PONTAS DE BRONZE Representa poder e autoridade. Em Mateus 4:1-8 Jesus vence Satanás com autoridade e também um lugar de refúgio. I Reis 1:50-51. 
  • OS 4 LADOS IGUAIS Simboliza que no sacrifício de Cristo não há diferenciação. 
  • ALTURA DE 1,5 MTS. Todos podem Ter acesso ao Altar. 
  • 1º MÓVEL Para Ter um encontro com Deus, primeiro tem-se que passar por Cristo. 
  • UTENSÍLIOS Serviam para limpar o Altar ou seja melhorar o aspecto do Altar. Manter o fogo aceso espiritualmente. 
  • AS BRASAS É o fogo consumidor, a manifestação de Deus. Símbolo do sacrifício queimado e aceito. Lv.9:23-24. 
  • CINZAS Representa os pecados perdoados e consumidos pelo fogo espiritual. 

O LAVATÓRIO DE BRONZE Êxodo 30: 17 - 21 
Conhecida também como Pia de Bronze, era feita de bronze e foi usado espelhos de metal das mulheres, ficava no Átrio, entre o Altar de Sacrifício e o Tabernáculo. Pouco se sabe sobre seu formato, sabe-se apenas que era uma bacia, colocada sobre um pedestal também de bronze. 
Esta Pia só poderia ser usada pelo Sumo Sacerdote e os Sacerdotes quando entrassem na Tenda, ou quando chegassem ao Altar para ministrar, na ocasião da consagração deveriam tomar banho completo. Este ato impediria que eles morressem em serviço. 
Não é estipulado um medida para este móvel, e não há indicação de argolas e varais para transporte e não era coberto durante o seu transporte. 

O SIGNIFICADO DO LAVATÓRIO 
  • ÁGUA Simboliza a Palavra de Deus que nos purifica de todo o pecado. 
  • BANHO COMPLETO Simboliza e regeneração completa em Cristo. Heb. 12 ; 14 
  • MÃO E PÉS Representa um trabalho sincero, limpo e um andar de acordo com a Palavra de Deus. 
  • ESPELHOS Tipifica a revelação de Deus para nós, mostra-nos as falhas e demonstra as virtudes. 
  • SEM MEDIDA Representa a graça ilimitada, fonte de Palavra inesgotável. 
  • NÃO ERA COBERTA Simbolizando que a Palavra de Deus não é secreta mas está revelada a todos. 
  • APÓS O ALTAR A Palavra de Deus só terá sentido quando o homem passar pelo Altar de Sacrifício que é Cristo 
  • FORA DA TENDA Para Ter acesso ao conhecimento das coisas divinas, tem-se que passar pela lavagem da Palavra de Deus. 

A TENDA Êxodo 26 : 1 - 30 
Era como uma caixa de 15 mts. de comprimento, 5 mts de largura e 5 mts. de altura. Construída com 48 tábuas de 75 cms. Sendo 20 tábuas em cada lado e 8 nos fundos. Para cada tábua existiam 2 bases de prata, portanto 96 bases foram usadas em todo o Tabernáculo, ainda foram feitos 15 travessas de madeira e 1 travessão central para fixação das tábuas, tanto as tábuas, as travessas e o travessão eram cobertos de ouro. 
A entrada possuía 5 colunas de madeira de acácia cobertas de ouro com 5 bases de prata e colchetes de ouro para fixação do cortinado de linho fino retorcido, azul, púrpura e carmesim. 
10 cortinas de linho fino retorcido, azul, púrpura e carmesim com querubins bordados. Cada cortina tinha 14 mts. de comprimento por 2 mts. de largura, ligadas em grupos de 5 cortinas através de 50 colchetes de ouro 
11 cortinas de peles de cabras, com 15 mts. de comprimento por 2 mts. de largura, ligadas em grupos de 5 e 6 cortinas através de 50 colchetes de bronze sendo que a 6ª cortina pendia na frente da Tenda. 2 cortinados de peles de carneiro e peles de animais marinho. 

O SIGNIFICADO DA TENDA 
  • LINHO FINO RETORCIDO Ficava debaixo de todas as outras cortinas ou seja era o teto da Tenda, representando a humanidade de Jesus, Sua pureza, perfeição e sofrimento. 
  • AZUL Demonstrava um Cristo celestial, Sua natureza divina e a infinitude das bênçãos celestiais. 
  • PÚRPURA Representa a realeza de Cristo e seu Senhorio. 
  • CARMESIM Tipifica o sangue de Cristo vertido no calvário e sua capacidade para salvar do poder do pecado pois Seu sangue nos purifica de todo o pecado. 
  • PELE DE CABRAS Animal utilizado para oferta pelo pecado, simbolizando a morte expiatória de Cristo para remoção dos pecados. 
  • PELES DE CARNEIROS Pintada de vermelho representa o cordeiro que foi levado ao matadouro. Não era vista por ninguém. 
  • PELES DE ANIMAIS MARINHO Era a peça que ficava exteriormente, cobrindo as demais. Não tinha beleza, era de cor acinzentada e escondia ainda a beleza do Tabernáculo. Isaías 53:2-3. Era a cortina mais resistente aos intempéries. 
  • CORTINAS Fala de proteção contra o sol, chuva e tempestade de areia. A proteção divina está relacionada ao poderio dos querubins ( anjos ), nos livra do poder do pecado e da ira futura. 
  • A VISÃO EXTERNA Do lado de fora do Átrio não era possível ver a parte interior a não ser o lado externo da Tenda. Símbolo da aparência da Igreja. 
  • OS QUERUBINS Representam a glória do Senhor dentro da Tenda, a visão das coisas espirituais. 
  • OS COLCHETES Assim como os colchetes uniam as cortinas, fica aqui representado pelo Espírito Santo que faz a união entre Cristo e a Igreja, também demonstra a união entre os cristãos. 

O LUGAR SANTO 

No Lugar Santo o acesso era restrito, somente o Sumo Sacerdote e o Sacerdote tinham permissão para entrar, era um local de 10 mts. de comprimento, ao lado direto de quem entrava, ficava a Mesa da Proposição ou dos Pães Asmos, do lado esquerdo ficava o Castiçal de ouro também conhecido como Candelabro, ao centro e em frente à entrada do Lugar Santíssimo ou Santo dos Santos ficava o Altar de Incenso. 

O SIGNIFICADO DO LUGAR SANTO 
  • ACESSO RESTRITO Somente para os que passaram pelo sacrifício de Cristo e lavaram-se no Lavatório pela Palavra de Deus. 
  • LOCAL DA MESA Representa o sustento espiritual. 
  • LOCAL DO CASTIÇAL Representa a luz do Espírito Santo. 
  • LOCAL DO INCENSÁRIO Símbolo da adoração sincera, local onde Deus recebe as nossas orações. 

A MESA Êxodo 25 : 23 - 30 
Construída em madeira de acácia com 1 mt. de comprimento por 75 cms. de altura e 75 cms. de largura, toda recoberta com ouro puro, possuía ainda uma moldura lateral na largura de uma mão e uma coroa de ouro em sua volta. Foram fixadas 4 argolas próximas aos pés para colocação dos varais de transportes. 
Também foram feitos pratos para os pães asmos e as taças de ouro. Os pães eram colocados nos pratos em duas pilhas de 6 pães cada uma. 

O SIGNIFICADO DA MESA 
  • A MESA Tipifica Cristo que sustenta com alimentação espiritual. 
  • MOLDURA Para evitar que os pães caíssem no chão. 
  • PÃO DA PROPOSIÇÃO Pão da face ou da presença, o alimento espiritual, ( Eu sou o pão da vida ) é o alimento universal. Não havia outro tipo de alimentação e não podia ser comido fora da Tenda. Estes pães eram comidos no dia de Sábado o dia do Senhor. 
  • 2 PILHAS DE PÃES Simbolizam a união entre Cristo e a Igreja, também a união entre os irmãos. 

O CASTIÇAL Êxodo 25 : 31 - 40 
O Castiçal foi feito de ouro puro e não é mencionado seu tamanho, somente que pesava em torno de 44 Kgs., tinha uma base como sustento da coluna central, esta coluna tinha 6 hastes, sendo 3 de cada lado, contendo copos, maçãs e umas flores, em suas extremidades ficavam as lâmpadas em formas de amêndoas. 
O Sacerdote cuidava para que o Castiçal permanecesse sempre aceso ( Ex. 27:20 ), não podia deixar o azeite se acabar, portanto duas vezes ao dia ele provia o óleo e cuidava dos pavios com o espevitador de ouro. 
Suas hastes eram ocas para permitir que o azeite colocado na coluna central tivesse o mesmo nível em todas as hastes e assim todas as lâmpadas fossem acesas. Este era o único meio de iluminação no Lugar Santo. 

O SIGNIFICADO DO CASTIÇAL 
  • O CASTIÇAL Representa a Igreja que brilha nas trevas. Cristo disse "vós sois a luz do mundo" Mat. 5 : 14 
  • SEM MEDIDA A luz gerada não tem limite. 
  • COLUNA CENTRAL Representa Cristo por onde flui o Espírito Santo 
  • HASTES LATERAIS Simbolizam os Cristãos ligados a Cristo. 
  • MAÇÃS Representam os frutos gerados através de nossas vidas. 
  • FLORES Representam os dons espirituais que recebemos para usá-los na obra de Deus. 
  • O AZEITE Símbolo do Espírito Santo. Sal. 92 : 10 a azeitona era espremida para que produzisse o azeite. Jesus Cristo passou por este processo para que hoje pudéssemos receber o Espírito Santo. 
  • AS LÂMPADAS A sua uniformidade representa a união entre todos os membros do corpo de Cristo. 
  • O FOGO Representa a luz que existe em cada um. Esta luz era igual em todas as hastes. 
  • SEMPRE ACESO Era da responsabilidade do Sacerdote manter o fogo aceso, portanto nós também devemos manter em nossas vidas o Espírito Santo sempre atuante. 
  • PAVIOS Estavam sempre limpos para produzir um fogo perfeito, sem fumaça ou borrões. 
  • ESPEVITADOR Símbolo do Espírito Santo que mantém os pavios em condições de estar acesos. 
  • HASTES OCAS Em hipóteses alguma as hastes poderiam ficar obstruídas ou seja o Espírito Santo deve Ter livre acesso as nossas vidas. 

O ALTAR DE INCENSO Êxodo 30 : 1 - 10 
Conhecido também como Altar de Ouro, media 1/2 mt. de comprimento e 1/2 mt. de largura por 1 mt. de altura , foi feito em madeira de acácia e revestida em chapas de ouro. O Altar tinha pontas de ouro e duas argolas também de ouro para colocar os varais de transporte de madeira e revestido de ouro. Este Altar ficava em frente a entrada do Lugar santíssimo. 
Sobre o Altar queimava-se o Incenso Sagrado, Arão estava incumbido de queimar sobre ele todas as manhãs e a tarde quando fosse acender o castiçal com o fogo do Altar de Sacrifício. Deus não aceitava sobre ele incenso estranho, nem holocausto e nem ofertas, pois o Incenso significa adoração e intercessão. O Incenso utilizado neste Altar continha elementos raríssimo de ser encontrado e de preço elevado. ( Estoraque, Onicha, Galbano e Franquincenso ) Êxodo 30:34-38. 
Esta composição passava por um processo de secagem antes do uso e não podia ser utilizada para outra finalidade a não ser no Altar de Ouro. 

O SIGNIFICADO DO ALTAR DE INCENSO 
  • ALTAR Local de adoração 
  • INCENSO Simboliza o cheiro agradável das orações realizadas e inspiradas pelo Espírito Santo. 
  • TODAS AS MANHÃS Demonstra que todos os dias devemos chegar-se a Deus através da oração e adoração. 
  • SOMENTE INCENSO Significa que devemos reservar para Deus um momento de adoração 
  • INCENSO RARO A Bíblia revela que Deus procura os verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade. 
  • ESTORAQUE Substância tirada de uma árvore que existe nas montanhas de Gileade. Era uma substância que saía sem incisão. Símbolo da Oração, Adoração e Louvor espontâneo. 
  • ONICHA Era extraído de um caranguejo que tem no fundo do Mar Vermelho. A verdadeira Adoração emana do profundo dos nossos corações. 
  • GALBANO Era produzido de folhas de um arbusto da Síria, que esmagada produzia uma seiva. Devemos oferecer uma Adoração com um coração quebrantado. 
  • FRANQUINCENSO Era uma resina obtida de uma pequena árvore, por incisão, de onde saía lentamente durante a noite. Representa a fragância do sofrimento de Cristo e do nosso esforço em adorá-lo. 

O VÉU DO TABERNÁCULO Êxodo 26 : 31 - 37 
O véu dividia a Tenda em dois compartimento, o Lugar Santo do Lugar Santíssimo, este véu também era conhecido como Grande Véu. A passagem por este Véu era proibida a não ser no dia da expiação do Povo de Israel. O Véu era tão espesso e tão fortemente costurado que precisaria 10 homens para poder rasgá-lo. 
Deus mandou fazer Véu de Estofo Azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido com querubins bordados. 
Este Véu foi colocado sobre 4 colunas de madeira de acácia coberta de ouro cujas bases eram de prata e era ligado ao teto por colchetes de ouro. 

O SIGNIFICADO DO VÉU 
  • LINHO RETORCIDO Representando a humanidade de Jesus, sua pureza, perfeição e sofrimento 
  • AZUL Demonstra um Cristo celestial, sua natureza divina e a infinitude das bêncãos celestiais. 
  • PÚRPURA Representa a realeza de Cristo e seu senhorio. 
  • CARMESIM Tipifica o sangue de Cristo vertido no calvário e sua capacidade para salvar do poder do pecado pois seu sangue nos purifica de todo o pecado. 
  • ENTRADA PROIBIDA Cristo abriu o caminho para o céu. Este véu fora rasgado por Deus quando da crucificação de Jesus Cristo no calvário. Lucas 23: 45, Mateus 27 : 50-51 

O LUGAR SANTÍSSIMO 

No Lugar Santo ou Santo dos Santos o acesso era restrito, somente o Sumo Sacerdote tinha permissão para entrar uma única vez ao ano no dia da expiação, levando sangue do sacrifício e aspergindo-o sobre Propiciatório, era um local de 5 mts. de comprimento, onde ficava a Arca da Aliança com a tampa chamada Propiciatório e seus Querubins de ouro, e dentro encontrava-se : O pote de Maná, As Tábuas da Lei e a Vara de Arão, 

A ARCA DA ALIANÇA Êxodo 25 : 10 - 16 
Conhecida também como Arca do Concerto, media 1,25 mts. de comprimento e 75 cms. de altura e 75 cms de largura, foi feito de madeira da acácia e revestida em ouro por dentro e por fora. A Arca possuía também 4 argolas de ouro para colocar os varais de transporte de madeira e revestido de ouro. Durante as mudanças a Arca ia adiante do povo. 

O SIGNIFICADO DA ARCA DO CONCERTO 
  • REVESTIDA DE OURO Representa a glória de Deus sendo manifestada. Simbolizava também o Trono de Deus onde havemos de comparecer. 
  • AS TÁBUAS DA LEI Neste lugar nunca mais se quebraram, demonstrando que Deus vela pela sua palavra. 
  • O POTE DE MANÁ Simboliza o alimento inesgotável que provem de Deus e não se deteriora com o tempo. 
  • A VARA DE ARÃO Simboliza o ornamento de uma nova vida, e que jamais murchará. Tipifica também um ministério frutífero. 

O PROPICIATÓRIO Êxodo 25 : 17 - 22 
O Propiciatório como já mencionamos, era a tampa da Arca. Esta peça fora fabricada em ouro maciço batido em bigorna onde nas suas extremidades estavam dois Querubins com as suas asas por cima cobrindo assim o Propiciatório, estes estavam com as suas faces defronte porém voltadas para o Propiciatório. Uma vez ao ano o Sumo Sacerdote aspergia com sangue do sacrifício o Propiciatório. 

O SIGNIFICADO DO PROPICIATÓRIO 
  • PROPICIATÓRIO Demonstrava que o lugar era propício ao homem que se arrepende. 
  • OURO MACIÇO Tipifica a pureza e valor do sacrifício de Cristo. E representa também a sua realeza. 
  • QUERUBINS Representavam a presença de Deus. 
  • ASPERSÃO Simboliza o sangue de Jesus que foi aspergido uma única vez pelos nossos pecados. Disse Jesus " Eu sou o caminho a Verdade e a Vida " 

O SACERDOTE Êxodo 28 : 1 - 43 
Deus nomeou Arão e seus filhos para servirem no sacerdócio onde Arão seria consagrado a Sumo Sacerdote e seus filhos a Sacerdotes. Os levitas, por seu zelo espiritual foram escolhidos para auxiliarem no sacerdócio mais especialmente nos transportes dos móveis e utensílios do Tabernáculo. 
As funções dos Sacerdotes eram servir como mediadores entre o povo e Deus, consultar a Deus sobre sua vontade, ser como mestres da lei e ministrar as coisas sagradas do Tabernáculo. O Sumo Sacerdote era ainda mais importante pois somente ele podia entrar no Lugar Santíssimo. Somente ele usava o peitoral com os nomes das tribos e de consultar a Deus por meio de Urim e Tumim. 
Para ser consagrado ao Sacerdócio era necessário que o homem não tivesse nenhum defeito físico, devia casar-se com uma mulher exemplar, não podia contaminar-se com os costumes pagãos e nem tocar em cosias imundas. 

O SIGNIFICADO DO SACERDOTE 
  • SACERDOTE Representa que somos mediadores, intercessores, conhecedor da vontade de Deus e transmissor da mesma. 
  • SUMO SACERDOTE Representa Cristo, aquele que entrou uma vez, por todos nós. 
  • OS LEVITAS Símbolo daqueles que são escolhidos para serviços especiais na obra de Deus. 
  • URIM E TUMIM Representa a vontade de Deus, que deve ser levada sempre conosco. 
  • DEFEITOS FÍSICOS Símbolo do pecado que dificulta ao homem se aproximar de Deus. 

AS VESTES SACERDOTAIS E SEU SIGNIFICADO Êxodo 39:1-31 
Eram confeccionadas de linho fino e era obra primorosa. Todo Sacerdote devia usar. 
  • TÚNICA BRANCA Era a primeira a ser colocada. Representando o dever de uma vida santa e pura. 
  • UM CINTO Este era amarrado sobre a Túnica. Representa o serviço realizado com sinceridade e pureza 
  • UMA MITRA Era feita de linho fino e enrolado ao redor da cabeça de Arão em forma de um turbante, na parte da frente era colocada uma fita azul onde era fixada uma lâmina de ouro puro na qual foi gravada "Santidade ao Senhor" Significa obediência e assim refletir como a lâmina a glória de Deus. 
  • O MANTO AZUL Era feito de estofo azul. Era uma só peça de cima abaixo. Em cima havia uma abertura para a cabeça e que ia até abaixo dos joelhos, as orlas do manto eram adornadas com campainhas de ouro e romãs que se alternavam para sinalizar seus movimentos. Simbolizavam as coisas celestiais e de uma vida frutífera representadas pelas romãs e de testemunhos de vida abundante e os dons espirituais representados pelas campainhas. 
  • O ÉFODE Era a vestimenta exterior e sem manga, uma espécie de colete ligado por um cinto e ombreiras, feito de fios de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino. Duas pedras sardônicas eram colocadas sobre as ombreiras, cada pedra tinha gravado 6 nomes das tribos de Israel. Era uma vestimenta reluzente e gloriosa. Representa a natureza espiritual do cristão. Também representa as duas natureza de Cristo. 
  • O PEITORAL Tinha aproximadamente 20 cms. e era ligado ao Éfode, era uma espécie de saco também feito de fios de ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino, na frente havia 12 pedras em quatro fileiras e de diferentes valores, e em cada pedra estava gravado o nome de uma tribo, dentro fora colocado o Urim e o Tumim que significa Luzes e Perfeições que servia para consultar a Deus sobre sua vontade. Este era colocado na frente do Éfode, seguro com correntes de ouro que pareciam cordas presas nos ombros por duas pedras de igual valor. Na parte inferior havia duas argolas de ouro onde uma fita azul ligava o peitoral com duas outras argolas de ouro no próprio Éfode. Simboliza Israel e a Igreja que é conduzida pelo Senhor. Esta peça sustentada pelos ombros, demonstra como Cristo conquistou a Igreja.Revela também a beleza inigualável da Igreja apoiada no peito de Jesus ou seja no seu coração. Quando estamos nesta condição podemos saber a vontade de Deus. Como salvos somos todos iguais porém com dons diferentes e uns mais próximos ao coração. 

RESUMO DO ESTUDO DAS VESTES SACERDOTAIS 
  • TÚNICA DE LINHO O Imaculado 
  • CINTO DE LINHO O Servo 
  • MANTO O Celestial 
  • ÉFODE Cristo e sua glória 
  • PEDRAS NOS OMBROS Aquele que fortalece 
  • PEITORAL O Amoroso 
  • MITRA O Obediente 
  • A LÂMINA DE OURO A Presença de Deus 


Fontes: 
Autor: Ev. José ferraz 
http://www.orbita.starmedia.com/~omensageiro1
http://www.semeandoapalavra.net/est102.htm