Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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10 de março de 2020

Olha a blasfêmia contra o Espírito!!!



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Não são poucos os pastores e pregadores que ameaçam os críticos das atuais "manifestações espirituais" de cometerem o pecado sem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo, ou o pecado para a morte.

Mas, será que a blasfêmia contra o Espírito Santo é duvidar e questionar a genuinidade destas manifestações? Comecemos examinando o conceito de "pecado para a morte". O pecado para a morte é mencionado por João em sua primeira carta:

"Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue (5.16c)".
A morte a que João se refere é a morte espiritual eterna, a condenação final e irrevogável determinada por Deus, tendo como castigo o sofrimento eterno no inferno. Todos os demais pecados podem ser perdoados, mas o “pecado para morte” acarreta de forma inexorável a condenação eterna de quem o comete, a ponto do apóstolo dizer: "e por esse não digo que rogue".  
O que, então, é o pecado para a morte? O apóstolo João não declara explicitamente a que tipo de pecado se refere. Através dos séculos, estudiosos cristãos têm procurado responder a esta pergunta. Alguns têm entendido que João se refere à morte física, e têm sugerido que se trata de pecados que eram punidos com a pena de morte conforme está no Antigo Testamento (Lv 20.1-27; Nm 18.22). Não adiantaria orar pelos que cometeram pecados punidos com a morte, pois seriam executados de qualquer forma pela autoridade civil. Ou então, trata-se de pecados que o próprio Deus puniria com a morte aqui neste mundo, como ele fez com os filhos de Eli (2Sm 2.25), com Ananias e Safira (At 5.1-11) e com alguns membros da igreja de Corinto que profanavam a Ceia (1Co 11.30; cf. Rm 1.32).  
A Igreja Católica fez uma classificação de pecados veniais e pecados mortais, incluindo nos últimos os famosos sete pecados capitais, como assassinato, adultério, glutonaria, mentira, blasfêmia, idolatria, entre outros. Este tipo de classificação é totalmente arbitrário e não tem apoio nas Escrituras.  
A interpretação que nos parece mais correta é que João está se referindo à apostasia, que no contexto de seus leitores, significaria abandonar a doutrina acerca de Cristo que eles tinham ouvido e recebido dos apóstolos, e seguir o ensinamento dos falsos mestres que estavam se infiltrando naquela igreja. Estes mestres negavam a encarnação e a divindade do Senhor Jesus. “Pode-se inferir do contexto que este pecado não é uma queda parcial ou a transgressão de um determinado mandamento, mas apostasia, pela qual as pessoas se alienam completamente de Deus” (Calvino).  
Trata-se, portanto, de um pecado doutrinário, cometido de forma voluntária e consciente, similar ao pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, cometido pelos fariseus, e que o Senhor Jesus declarou que não haveria de ter perdão nem aqui nem no mundo vindouro (cf. Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10). Em ambos os casos, há uma rejeição consciente e voluntária da verdade que foi claramente exposta. No caso dos fariseus, a blasfêmia foi chamar deliberadamente Jesus de endemoninhado quando estava claro que Ele agia pelo poder do Espírito.  
No caso dos leitores de João, a apostasia seria mais profunda, pois os que pecaram para a morte tinham participado das igrejas cristãs, como se fossem cristãos, participado das ordenanças do batismo e da Ceia, participado dos meios de graça. À semelhança dos falsos mestres que também, antes, tinham sido membros das igrejas, apostatar seria sair delas (1Jo 2.19), se juntar aos pregadores heréticos e abraçar a doutrina deles, que consistia numa negação de Cristo.  
Tal pecado era “para a morte” porque consistia na rejeição final e decidida daquele único que pode salvar, Jesus Cristo. “Este pecado leva quem o comete inexoravelmente a um estado de incorrigível embotamento moral e espiritual, porque pecou voluntariamente contra a própria consciência” (John Stott).  
É provavelmente sobre pessoas que apostataram desta forma que o autor de Hebreus escreveu, dizendo que “é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (Hb 6.4-6). Ele descreve essa situação como sendo um viver deliberado no pecado após o recebimento do pleno conhecimento da verdade. Neste caso, “já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hb 10.26-27). Este pecado é descrito como calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o sangue da aliança com que foi santificado e ultrajar o Espírito da graça (Hb 10.29), uma linguagem que claramente aponta para a blasfêmia contra o Espírito e a negação de Jesus como Senhor e Cristo (ver também 2Pd 2.20-22, onde o apóstolo Pedro se refere aos falsos mestres).

Não é sem razão que o apóstolo João desaconselha pedirmos por quem pecou dessa forma.  
Alguém pode perguntar se Deus fecharia a porta do perdão se pessoas que pecaram para a morte se arrependessem. Tais pessoas, porém, não poderão se arrepender pois simplesmente não desejam mais se arrepender. “Tais pessoas foram entregues a um estado mental reprovável, estão destituída do Espírito Santo, e não podem fazer outra coisa senão, com suas mentes obstinadas, se tornarem piores e piores, acrescentando mais pecado ao seu pecado” (Calvino).  
Notemos que nestes versículos João não chama de “irmão” aquele que peca para a morte. Apenas declara que há pecado para a morte e que não recomenda orar pelos que o cometem. É evidente que os nascidos de Deus jamais poderão cometer este pecado.  
Portanto, não se impressione com as ameaças de pastores do tipo "você está blasfemando contra o Espírito Santo" se o que você estiver fazendo é simplesmente perguntando qual a base bíblica para certas "manifestações" atribuídas ao Espírito Santo.


(Marcos 3:28-29)

(Mateus 12:30-31)


Rev. Augustus Nicodemus Lopes
http://www.evangelhoinegociável.com/2020/01/olha-blasfemia-contra-o-espirito.html



13 de abril de 2019

A FALTA DE CONHECIMENTO SOBRE A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO


A imagem pode conter: fogo e texto


O “Espírito Santo” encontrado na maior parte do ensino e da prática carismática não tem qualquer semelhança com o verdadeiro Espírito de Deus revelado nas Escrituras. O verdadeiro Espírito Santo não é uma corrente eletrizante de energia extática, um tagarela extremamente chato com um discurso irracional ou um gênio cósmico que indiscriminadamente concede desejos egoístas relacionados à saúde e à riqueza. O verdadeiro Espírito de Deus não faz com que o seu povo ladre como cães ou ria como hienas; ele não o derruba no chão em um estupor inconsciente, ele não o incita a adorar de forma caótica e incontrolável; e ele certamente não realiza a obra do seu Reino por meio de falsos profetas, falsos curandeiros e televangelistas fraudulentos. Ao inventar um Espírito Santo de idéias idólatras, o movimento carismático moderno oferece fogo estranho que tem causado prejuízos incalculáveis para o Corpo de Cristo.

Alegando concentrar-se na terceira pessoa da Trindade, tem, na verdade, profanado seu nome e denegrido sua verdadeira obra. Nenhum outro movimento tem prejudicado tanto a causa do evangelho, do que distorcer a verdade, e sufocar a articulação da sã doutrina. A teologia carismática transformou a Igreja evangélica em uma fossa de erro e terreno fértil para os falsos mestres. Ela propaga uma adoração distorcida por meio do emocionalismo desenfreado, da oração poluída com sons inarticulados secretos, da verdadeira espiritualidade contaminada com o misticismo antibíblico e de uma fé corrompida, transformando-a em uma força criativa para expressar desejos mundanos existentes. Ao elevar a autoridade da experiência sobre a autoridade das Escrituras, o movimento carismático destruiu o sistema imunológico da Igreja — concedendo livre acesso, sem crítica, a todas as formas imagináveis de ensino e prática herética.

Falando francamente, a teologia carismática não fez nenhuma contribuição para a verdadeira teologia ou interpretação bíblica; ou melhor, ela representa uma mutação que se desvia da verdade. Como um vírus mortal, ganhando acesso à Igreja para manter uma conexão superficial com certas características do cristianismo bíblico, no final ela sempre corrompe e distorce a sã doutrina. A degradação daí resultante, como uma versão doutrinal do monstro de Frankenstein, é um híbrido medonho de heresia, êxtase e blasfêmia, desajeitadamente vestido com os restos esfarrapados da linguagem evangélica. Ela se autodenomina “cristã”, mas na realidade é uma farsa — uma falsa forma de espiritualidade que se transforma continuamente à medida que se move aleatoriamente em espiral de um erro para o outro.

Em gerações anteriores, o movimento pentecostal-carismático teria sido rotulado como heresia. Contrariamente, ele é agora a mais dominante, agressiva e visível tendência desse dito cristianismo no mundo. Ele alega representar a forma mais pura e poderosa do evangelho. No entanto, proclama principalmente um evangelho de saúde e riqueza, uma mensagem totalmente incompatível com as Boas-novas das Escrituras. Ela ameaça a todos que se opõem à sua doutrina acusando-os de entristecer, apagar, resistir e até mesmo blasfemar contra o Espírito Santo. No entanto, nenhum movimento arrasta o nome dele pela lama com maior freqüência ou audácia.

A inacreditável ironia é que aqueles que mais falam sobre o Espírito Santo geralmente negam sua verdadeira obra. Eles atribuem todos os tipos de tolices humanas a ele, enquanto ignoram o verdadeiro propósito e poder de seu ministério: libertar os pecadores da morte, dar-lhes a vida eterna, regenerar-lhes os corações, transformar-lhes a natureza, capacitar-lhes para a vitória espiritual, confirmar-lhes o lugar na família de Deus, interceder por eles segundo a vontade divina, selar-lhes de forma segura para a sua glória eterna, e prometer levá-los à imortalidade no futuro. Promulgar uma noção corrompida do Espírito Santo e de sua obra nada mais é que blasfêmia, porque o Espírito Santo é Deus. Ele deve ser exaltado, honrado e adorado. Junto com o Pai e o Filho, ele deve ser glorificado em todos os momentos, por tudo que ele é e por tudo o que ele faz. Ele deve ser amado e engrandecido por aqueles em quem habita. Mas, para que isso ocorra, ele deve ser adorado verdadeiramente.



29 de março de 2019

Por que Deus quer batizar com o seu Espírito Santo


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A última coisa que alguém diz antes de sair é importante. A última coisa que Jesus disse foi: "Gente, não vão a lugar nenhum até que você seja batizado com o Espírito Santo".

Depois que Jesus morreu, foi sepultado, ressuscitou da sepultura e depois retornou à terra, Ele deu a Seus discípulos algumas instruções finais. Logo antes de ascender ao céu, Jesus lhes disse que esperassem pela promessa do Pai. A última coisa que alguém diz antes de sair é importante. A última coisa que Jesus disse foi: “Gente, não vão a lugar nenhum até que você seja batizado com o Espírito Santo”.

Agora, por que seria isso? Jesus passou a explicar que essa experiência lhes daria poder para serem Suas testemunhas. “Mas tu receberás poder quando o Espírito Santo vier sobre ti. E sereis minhas testemunhas em Jerusalém, e em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1: 8). 

O que?

O poder é incrível, mas poder para quê? Ser testemunhas Os cristãos frequentemente pensam em testemunhar como algo que fazemos com nossas bocas; no entanto, a maioria das pessoas associa a palavra “testemunha” à visão. Essa é a definição do dicionário: nós pessoalmente vemos algo; nós somos espectadores que observamos. O testemunho ocular de notícias nos mostra a história da perspectiva de alguém que viu o evento em primeira mão. Se somos chamados como testemunhas em um tribunal, vimos um crime ou um acidente. Ou se “testemunharmos a história em formação” é porque o comentarista acredita que vimos um feito extraordinário acontecer diante de nossos olhos. Para ser uma testemunha, devemos ser um observador e um profeta. 

Quem?

Então, o que estamos assistindo ou a quem estamos observando? Jesus. Bem, como podemos vê-lo se Ele está a caminho do céu? É aí que entra o poder do Espírito Santo. O batismo do Espírito Santo nos permite fixar nossos olhos em Jesus e olhar o invisível (Hebreus 12: 2, 2 Coríntios 4:18). Nós recebemos o poder do Espírito Santo para sermos testemunhas de Jesus. Somos ungidos para sermos profetas, sentinelas e observadores Dele. Jesus quer uma testemunha de Sua vida – aquela que Ele está vivendo agora.

No começo, o Jardim do Éden era como o paraíso na terra. Nenhum pecado, nenhuma doença ou morte. Satanás não tinha autoridade (até que o demos a ele) e havia perfeita comunhão com Deus. Da mesma forma, se avançarmos para o livro de Apocalipse, sabemos que fala dessas mesmas características de nosso lar celestial – sem lágrimas nem dor (Apoc. 21: 4).

O céu é bom demais para esperarmos até morrermos para experimentá-lo. E Jesus disse que não precisamos! Ele instruiu Seus discípulos a orarem assim: “Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6:10). 

Quando?

Então, quando Atos 1: 8 diz que nos tornamos testemunhas e observadores e observadores de Jesus? Bem, Jesus apenas andou na terra como um homem por cerca de 33 anos, então se nós O vermos como um homem no mundo natural, isso teria precisado ter acontecido alguns milhares de anos atrás.

Mas Jesus disse que vocês serão testemunhas e observadores, o que coloca toda essa promessa sobre o poder do Espírito Santo de observá-lo no futuro, isto é, depois que Jesus ressuscitou e ascendeu. Não se trata de ver Jesus operando milagres em Israel quando; é sobre o que Ele tem feito todos os dias desde então, e o que Ele está fazendo agora. 

Onde?

Quando Jesus viveu como ser humano no mundo físico, na verdade ele tinha uma área relativamente pequena de ministério. Seu alcance incluía Jerusalém, Judéia e até Samaria, mas não muito mais longe que isso. Na verdade, Jesus só viajou cerca de 320 quilômetros de onde nasceu.

No entanto, onde Atos 1:8 fala sobre vê-lo? Na parte mais remota da terra. As extremidades e o máximo. Isto confirma o testemunho e vê-lo deve estar no futuro, porque Jesus nunca chegou aos confins da terra quando estava aqui como homem.

Mais uma vez, Jesus está explicando como podemos vê-lo, como podemos observá-lo, observá-lo e ser uma testemunha dEle, enquanto Ele atualmente vive e trabalha ativamente e oferece e ensina e cura em Buffalo, Pequim, Brasil e Buenos Aires. As partes mais distantes da terra. 

Por quê?

Porque o convite ainda é o mesmo. Jesus ainda está nos chamando agora exatamente como Ele fez com um simples “Siga-me”.

Esta não é uma religião impessoal e fria ou uma pilha de doutrinas e teologia. É um relacionamento. É para isso que fomos criados e tudo o que Deus sempre quis. Somos apenas nós que nos desviamos de regras, leis e caixas para morar lá dentro.

Assim como as crianças aprendem imitando seu pai ou irmão mais velho, estamos vendo nosso Pai celestial e estamos imitando-O. Estamos observando nosso irmão mais velho, Jesus, e estamos modelando-O. Nossa fé deve ser fácil o suficiente para uma criança participar, e agora compreendemos como é realmente simples. Passamos tempo com Jesus e brincamos de seguir o líder. 

Como?


Ser testemunha significa ser um profeta e é o batismo do Espírito Santo que nos unge com o poder de ser testemunhas. Vigilantes e observadores atuais e em tempo real e observadores de Jesus.

O batismo do Espírito Santo abre os olhos de nossos corações e nos dá o poder de olhar para o reino sobrenatural, ver o que Jesus está fazendo e seguir o Seu exemplo. O Espírito Santo é aquele que nos unge para ser testemunhas tensas de Jesus, para que possamos ver o que Ele está fazendo e se juntar a Ele. Trabalhe, ministre e jogue ao lado Dele. Faça a vida junto com ele.

Como podemos estar em relação com alguém que não podemos ver ou ouvir? A amizade íntima é o desejo do coração de Deus.

Esse é o grande convite.


por: Caridade Virkler Kayembe
traduzido e adaptado por: Pb. Thiago Dearo

https://www.portalpadom.com.br/por-que-deus-quer-batizar-voce-com-o-seu-espirito-santo/?


2 de outubro de 2018

Qual o Significado dos Sete Espíritos de Deus?




Os sete Espíritos de Deus são mencionados quatros vezes no livro do Apocalipse, e muitos cristãos possuem dúvidas acerca do que são, ou, para alguns, quais são os sete Espíritos de Deus, e como se deve entender corretamente o significado dessa expressão.

Na verdade, a Bíblia não específica de forma explicita e detalhada a expressão “sete Espíritos de Deus” quando ela ocorre, porém as Escrituras nos fornecem algumas informações que são essenciais para compreendermos o significado de tal expressão.

O que a Bíblia fala sobre os sete Espíritos de Deus?

As passagens bíblicas onde essa expressão é utilizada nos dizem o seguinte:
  • Em Apocalipse 1:4, os sete Espíritos de Deus são mencionados na saudação introdutória do livro.


  • Em Apocalipse 3:1, Jesus se apresenta a igreja em Sardes como sendo aquele que “tem os sete Espíritos de Deus”.


  • Em Apocalipse 4:3, na visão do trono de Deus, os sete Espíritos de Deus aparecem relacionados à figura de sete lâmpadas que estão diante do trono.


  • Em Apocalipse 5:6, na visão de Cristo exaltado recebendo das mãos do Pai o livro selado com sete selos, os sete Espíritos de Deus enviados por toda terra são mencionados em conexão com os sete chifres e os sete olhos do Cordeiro.

Qual o significado dos sete Espíritos de Deus?

Com base nessas passagens à luz de outros textos Bíblicos, existem três interpretações diferentes que são sugeridas pelos estudiosos como sendo o significado correto da expressão “sete Espíritos de Deus”:
  • Os sete Espíritos de Deus são anjos;
  • Os sete Espíritos de Deus são seres celestiais poderosos superiores aos anjos;
  • A expressão “sete Espíritos de Deus” é uma descrição simbólica do Espírito Santo.
A seguir, entenderemos melhor cada uma dessas sugestões, e analisaremos qual delas é a mais coerente com o relato bíblico.

Os sete Espíritos de Deus são anjos

Alguns estudiosos entendem que os sete Espíritos são sete anjos que estão diante do trono de Deus. Eles se baseiam, principalmente, em passagens bíblicas em que os anjos às vezes são chamados “espíritos”, como em Hebreus 1:7,14.

O grande problema com essa interpretação é que no livro do Apocalipse nunca os anjos são chamados de espíritos, ao contrário, não faria qualquer sentido a expressão “sete Espíritos” ser aplicada aos anjos já que em várias passagens encontramos explicitamente a expressão “sete anjos” (Ap 15:1,6-8; 16:1; 17:1; 21:9).

Os sete Espíritos de Deus são seres celestiais

Essa interpretação é bastante semelhante à sugestão anterior e defende que os sete Espíritos de Deus são sete seres celestiais, talvez superiores aos anjos, ou, pelo menos, pertencentes a uma ordem mais elevada, e que tais seres são símbolos da majestade divina.

Na verdade essa interpretação encontra dificuldade, primeiramente, em tentar definir quem são esses seres. Alguns argumentam que talvez sejam serafins, querubins ou, quem sabe, arcanjos. Geralmente quem defende essa sugestão utiliza de alguma forma passagens que descrevem seres celestiais no Apocalipse (Ap 4:6; 5:6; 19:4).

A principal dificuldade dessa interpretação ocorre no fato de que quando a expressão “sete Espíritos de Deus” é utilizada, ela parece completar a plenitude da Trindade, como em Apocalipse 1:4, numa saudação onde aparecem, de forma explicita, o Pai e o Filho. Assim, mesmo esses seres celestiais sendo poderosos e superiores aos anjos, eles necessariamente são inferiores a Deus e não podem ser mencionados no sentido que tal expressão transmite.

A expressão “sete Espíritos de Deus” simboliza o Espírito Santo

A linguagem simbólica é predominante no livro do Apocalipse, e sob essa ótica, os números possuem uma aplicação muito significativa. Especificamente sobre o número 7, podemos dizer que ele é utilizado desde o Antigo Testamento para transmitir o sentido de “pleno”, “totalitário” e “completo”.

Na verdade o numero 7 é empregado pelo menos 54 vezes no Apocalipse de forma explicita. É por isso que temos os sete selos, sete trombetas, sete taças etc. Além disso, ele também ocorre de forma implícita, onde muitas vezes uma mensagem é agrupada em padrões de sete, como por exemplo, nas sete bem-aventuranças presentes no livro (Ap 1:3; 14:13; 16:15; 19:9; 20:6; 22:7; 22:14).

Outro fato fundamental para o nosso estudo, é saber que o Apocalipse enfatiza a Trindade, porém em nenhuma vez utiliza o título “Espírito Santo”. Entretanto, encontramos nesse livro a designação “sete Espíritos de Deus”, ou em outra tradução, “o Espírito sétuplo de Deus”, que quando combinamos com o significado do número 7 em todo o livro, entendemos que claramente se trata de uma referência ao Espírito Santo.

Isso fica bem nítido na primeira vez que essa expressão aparece no livro, onde obviamente lemos uma saudação trinitária (Ap 1:4,5). Perceba que primeiro o apóstolo João menciona Deus Pai: “graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir”. Depois, o apóstolo menciona os sete Espíritos: “e da [parte] dos sete Espíritos que estão diante do seu trono”. Finalmente, no versículo seguinte, ele menciona o Filho: “e da parte de Jesus Cristo”.

Diante dessa saudação, podemos concluir que a expressão “sete Espíritos de Deus” só pode significar alguém que complete a plenitude da Trindade, o que naturalmente nos leva a entender que é o Espírito Santo (cf. 2Co 13:14; 1Pe 1:1,2), ou seja, a graça e a paz provêm de Deus o Pai, o Filho e o Espírito.

Em Apocalipse 5:6, lemos que os sete Espíritos de Deus são enviados a toda a terra. Essa descrição está completamente de acordo com a atuação do Espírito Santo no mundo, onde através da pregação do Evangelho pela Igreja, pessoas de todas as nações são levadas a conhecer a Deus.

Existem muitas semelhanças entre a forma com que João emprega essa expressão no Apocalipse, sobretudo no capítulo 4 e versículo 5, e uma profecia do profeta Zacarias sobre a atuação do Espírito de Deus (Zc 4:2-6).

Algumas pessoas também utilizam uma profecia com implicações messiânicas do profeta Isaías, onde é dito que sobre o filho de Davi repousaria “o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e temor do Senhor” (Is 11:2).

É claro que esse texto pode ser utilizado, porém não com o objetivo de tentar estabelecer uma designação detalhada dos sete Espíritos, pois certamente esse não é propósito dessa passagem, onde apenas é mostrado o mesmo e único Espírito de vários ângulos diferentes, refletindo os atributos divinos que são comunicados como dons.

Assim, devemos entender que o a designação “sete Espíritos” não deve ser interpretada de forma fracionada, mas sim, como uma unidade perfeita, onde a expressão sete Espírito de Deus significa a plenitude do Espírito Santo em sua Pessoa, atuação e influência no mundo e na Igreja.


https://estiloadoracao.com/os-sete-espiritos-de-deus/