Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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21 de julho de 2020

Significado de Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’


SANTIFICAÇÃO :POR PASTORA IVONETE ROSA – O Parlamento


Por Claudio Crispim


Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo? Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).

Sem a Santificação ninguém verá o Senhor

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 )

O contexto de Hebreus 12, verso 14 demonstra uma mensagem de incentivo aos crentes, exortando a permanecerem olhando para Cristo, considerando o que Ele suportou pelos pecadores.

Os cristãos ainda não haviam resistido até o sangue (Hb 12:4), e deveriam guardar na lembrança a exortação que os admoesta e chama de filhos, conforme preconiza Pv 3:11.

Os filhos são exortados a:
a) Não desprezar ou desmaiar (ficar amedrontado) quando for repreendido por Deus ( Hb 12:5 );

b) Conscientizar-se de que é repreendido porque foi recebido por filho ( Hb 12:8 ). O objetivo de o cristão ser repreendido está em permanecer participante da santidade de Deus “… para sermos participantes da sua santidade” ( Hb 12:10 ).
Seguindo o raciocínio do escritor aos Hebreus, o cristão deve estar tranquilo, descansado, pois “… não tendes chegado ao monte palpável…” ( Hb 12:18 ), a semelhança do povo de Israel no deserto, que se pôs ao longe para não ouvir a voz do Senhor. Significa que o cristão não mais está sob a maldição da lei mosaica, antes, chegou ao monte Sião, que representa a graça divina.

Depreende-se da exortação que:
a) Deus disciplina os cristãos como filhos, pois qual filho há a quem o pai não corrige? Ser corrigido pelo Senhor é prova de que o cristão é participante da sua santidade, por ser recebido como filho. O proveito em ser corrigido pelo Senhor é o de já ser participante da sua santidade! Como o cristão é santificado, então? Ao tornar-se filho segundo a vontade do Senhor, e não através de suas ações!

b) “Considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não canseis, desfalecendo em vossas almas” ( Hb 12:3 ). A ideia introduzida neste versículo se encerra no versículo doze: “Portanto, levantai as mãos cansada…”. Ao considerar a Cristo e a oposição que suportou, advém algumas determinações elencadas no versículo três:
  • levantai as mãos cansadas;
  • levantai os joelhos vacilantes;
  • fazei veredas direitas;
  • segui a paz;
  • segui a santificação;
  • tende cuidado;
  • não seja devasso ou profano.
Se não observar a ideia geral do texto, o leitor acaba por considerar que a santificação decorre do que o homem faz quanto a essas determinações. Observe: “Considerai” a Jesus “para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas” (…) “portanto, levantai as mãos cansadas…” Aquele que considera a oposição a que Cristo foi submetido, acaba por levantar as mãos, mesmo que cansadas, e este é o objetivo apontado pelo apóstolo: “para que não vos canseis”.

Entre as determinações temos: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Para entender as determinações apregoadas pelo escritor aos Hebreus é necessário entender a extensão do significado da palavra “seguir” neste contexto bíblico.

O ‘seguir’ neste contexto personifica a ‘paz’ e a ‘santificação’. Observe este salmo:
“Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a” (Sl 34:14).
O texto da carta aos Hebreus apresenta um número crescente de ideias que se somam e complementam-se desde o verso 3 do capítulo 12. O escritor solicita aos irmãos para considerarem a Jesus e o quanto ele suportou de oposição dos pecadores.

O objetivo que o escritor quer alcançar está em que os cristãos não se cansem, que não desfaleçam ( Hb 12:3 ). Ao concluir a ideia no versículo doze temos: levantai as mãos cansadas! A determinação de ‘não canseis’ deve atingir a totalidade do homem: mãos, joelhos e pés! Estes membros, por sua vez, são os responsáveis pela movimentação do homem, o que remete a veredas, desviar e seguir dos versos 12 e 13 (Hb 12:12-13).

O seguir a paz diz da disposição que os discípulos devem possuir ao seguir as pisadas de seu Mestre. O cristão deve seguir a Cristo, que é a ‘nossa Paz’, considerando aquilo que Ele sofreu. Compare: “Pois ele é a nossa paz, a qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne” ( Ef 2:14 ).

Os dois versículos têm ideias distintas com relação à paz: o primeiro fala do caminho que o cristão deve trilhar, ou seja, um caminho de paz! Aqui não está dizendo que o cristão deve ter paz com todos os homens, antes que todos devem seguir a Cristo, a ‘nossa paz’.

O versículo de Paulo aos Efésios por sua vez fala de paz, entretanto, mostra a paz estabelecida entre os chamados dentre dois povos, que se tornaram a igreja de Cristo (gentios e judeus), através da morte de Cristo.

O sentido exato sobre o ‘segui a paz’ está expresso em Colossenses: “Portanto, assim como recebeste a Cristo Jesus, o Senhor, assim também andai nele” ( Cl 2:6 ), diferente do sentido que alguns querem dar e que encontramos em Romanos: “Se for possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens” ( Rm 12:18 ).

Da mesma forma que se diz: ‘segui a paz’, devemos entender o ‘segui a santificação’. Não há neste texto qualquer ideia que dê suporte ao pensamento de que é preciso ao cristão santificar-se gradativamente. O ‘seguir’ a santificação diz da necessidade do cristão andar conforme aquele que o santificou.

Neste ponto temos uma ressalva do escritor: “Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Observe os textos seguintes:
“Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 );

“Sem a santificação ninguém verá o Senhor”
( Hb 12:14 );

“Bem aventurado os puros de coração, porque eles verão a Deus”
( Mt 5:8 ).

Através destas comparações pode-se observar que a Santificação só é alcançada através da filiação divina, e não através de esforços humanos, ou em ‘cooperar’ com Deus.

Alguns consideram que o homem é santificado através de uma renúncia pessoal ao pecado, ou através de um auto julgamento, ou de perseguir uma santidade progressiva.

Observe está comparação:
“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá ao Senhor” ( Hb 12:14 0;

“Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” ( 2Tm 2:22 ).

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo?

Seguir a paz e a santificação com todos é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).

Cristo estabeleceu a Paz e Santificou os Cristãos pela fé em seu nome ( At 26:18 ). A santificação é obra exclusiva de Deus por intermédio de Cristo.

Diante desta obra maravilhosa realizada por Deus, o escritor aos Hebreus utiliza-se de um recurso próprio à linguagem (metonímia) para fazer referência à obra maravilhosa realizada por Cristo. Ele empregou o termo “santificação”, que se refere à obra realizada, em lugar do Autor da santificação, dada a possibilidade de associação entre Cristo e a sua obra.


Metonímia – é um emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

Por Claudio Crispim
É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

https://estudobiblico.org/sem-a-santificacao-ninguem-vera-o-senhor/?


28 de junho de 2020

16 maneiras de como encontrar uma esposa de acordo com a Bíblia


9) pão sem fermento durante a Páscoa - Defensor Bíblico


Como pastor, com o passar dos anos eu tive a minha cota de pessoas me abordando para saber se éramos uma igreja de “cortejo” ou de “namoro”. As pessoas invariavelmente me contavam que esse ou aquele modo era o “jeito bíblico”.

Com o passar do tempo, passei a desconfiar que a Bíblia não fala muito sobre como encontrar uma esposa, ou fala? Talvez você tenha visto essa lista circulando por aí na Internet, mas é válido revê-la porque ela defende um ponto muito importante. Então aqui está: as 16 maneiras de como encontrar uma esposa de acordo com a Bíblia:

1) Encontre uma prisioneira de guerra e atraente, traga-a para casa, raspe sua cabeça, corte suas unhas, e dê a ela novas roupas. Então ela será sua. (Deut. 21:11-13)

2) “Ache” uma virgem que não está desposada a outro homem, e “conheça-a”, mas depois disso, pague ao pai dela uma quantia em dinheiro. Então ela será sua. (Deut. 22:28-29)

3) Encontre uma prostituta e case com ela. (Oseias 1:1-3)

4) Encontre um homem com sete filhas, e o impressione dando de beber ao seu rebanho. (Ex. 2:16-21)

5) Compre um pedaço de terra, e ganhe uma mulher como parte do acordo.- Boaz (Rute 4:5-10)

6) Vá a uma festa e se esconda. Quando as mulheres saírem para dançar, agarre uma e a leve para ser sua mulher. - Benjamitas (Juízes 21:19-25)

7) Deus cria uma esposa para você enquanto você dorme. Nota: isso lhe custará uma costela. - Adão (Gen. 2:19-24)

8) Concorde em trabalhar por sete anos em troca da mão de uma mulher. Seja enganado casando com a mulher errada. Então trabalhe outros sete anos pela mulher que você desejava casar em primeiro lugar. Isso mesmo! Quatorze anos de trabalho duro por uma esposa. - Jacó (Gen. 29:15-30)

9) Corte 200 prepúcios dos inimigos do seu futuro sogro e receba a filha dele por esposa. - Davi (1 Sam. 18:27)

10) Mesmo que não exista mais ninguém no mundo. Ande sem rumo por aí e você com certeza encontrará alguém. - Caim (Gen. 4:16-17)

11) Torne-se o imperador de uma grande nação e realize um concurso de beleza. Xerxes ou Assuero (Ester 2:3-4)

12) Quando você ver alguém que goste, vá para casa e conte aos seus pais, “Eu vi uma mulher; agora vai e pegue ela para mim.” Se seus pais questionarem sua decisão, simplesmente diga, “Pegue-a para mim. Ela é a única certa para mim.” - Sansão (Juízes 14:1-3)

13) Mate um homem casado e tome a esposa dele para si. (Prepare-se para perder quatro filhos por conta disso.) - Davi (2 Sam. 11)

14) Espere que seu irmão morra. Tome a viúva dele. (Não é só uma boa ideia, é a lei!) - Onã e Boaz (Deut. ou Lev., exemplo em Rute)

15) Não seja frescurento. Busque qualidade com quantidade. - Salomão (1 Reis 11:1-3)

16) Uma esposa? - Paulo (1 Coríntios 7)

Obviamente, essa lista foi escrita com humor em mente, e algumas dessas “maneiras” não são prescritivas, mas descrições de maneiras pecaminosas que o povo de Deus conduziu a si mesmo no passado - Eles não são bons exemplos. Mas ela foi escrita para demonstrar um ponto importante - as pessoas frequentemente querem que a Bíblia diga certas coisas, por exemplo: como encontrar um cônjuge e casar, todavia ignoram porções da Escritura que não se encaixam ao seu paradigma de busca. A Bíblia tem muito mais a dizer sobre casamento arranjado do que, por exemplo, tem a dizer sobre “cortejo” ou namoro. Então, como devemos proceder?

Nós temos que perceber que a Bíblia não fala de todos os assuntos que enfrentaremos na vida. Pergunte a Salomão, ele teve que usar de sabedoria quando duas prostitutas vieram a seu encontro alegando serem a mãe de uma criança. Nós devemos seguir as coisas que Deus nos deu. Em todos os relacionamentos, nós temos a obrigação de exercitar os frutos do Espírito e não maltratar alguém, isso é verdade para cônjuges em potencial. Temos também o claro mandamento bíblico que cristãos são livres para casar com qualquer pessoas que ele ou ela escolham, desde de que esses pretendentes “estejam no Senhor” (1 Co 7.39). No final, escolher uma cônjuge requer sabedoria.

A Bíblia não nos dá modos específicos de como encontrar um parceiro. Alguns são apresentados por meio da família ou amigos. Outros podem cultivar uma relação por meio de cartas (ou, como estamos mais familiarizados, por e-mails ou outras mídias sociais). Em algumas culturas, a ideia de namoro é algo mal visto. Uma vez me deparei com um colega de faculdade; ele estava se preparando para o ministério no Japão. Ele lia compenetradamente um arquivo; parecia uma ficha profissional. Por curiosidade, perguntei a ele o que ele lia. Ele me respondeu que era um arquivo de uma moça que o pai dele tinha enviado. Sua família, às cegas (com exceção de algumas fotos que acompanhavam o arquivo) estavam arranjando seu casamento. Eu estava chocado, nunca tinha passado por minha mente que cristãos piedosos não fazem tudo da mesma maneira. (Só porque Americanos e crentes agem de uma forma, não significa que é bíblica ou é a única que funciona.)

O maior ponto doutrinário aqui é que na busca por um cônjuge, devemos ter em mente duas coisas:

(1) A vontade revelada de Deus em sua lei moral não deve ser infringida por palavras, pensamentos e atos nossos e

(2) A liberdade cristã - onde Deus falou, somos limitados a isso, mas onde ele não falou, temos liberdade. Não somos limitados por ordenanças humanas. Isso significa que cristãos piedosos podem divergir em como vivem, mas isso não faz com que esse ou aquele seja mais santo que outro porque ela namora e não “faz corte”.

Nós também devemos notar que em sua história, a igreja nunca lidou com o assunto em seus credos ou confissões sobre como encontrar uma esposa(o). Isso nos mostra que é um assunto em que temos liberdade e ,no final, devemos confiar na graça de Deus, sua sabedoria, orarmos e receber conselhos piedosos no lugar de fazer reivindicações que a Palavra de Deus nunca fez.


Sobre o autor: Dr. Fesko é um decano acadêmico e professor do Systematic and Historical Theology at Westminster Seminary California. Também é um ministro ordenado pela Orthodox Presbyterian Church. Fonte: Westminster Seminary California

Tradução: Vitor Barbosa Fróes Souza
Divulgação: Bereianos


15 de abril de 2020

Cuidado com os cães!

 



Nathanael Winkler


Em Filipenses 3.2 lemos: “Cuidado com os ‘cães’, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!”. Paulo passa esse tipo de advertência em quase todas as suas cartas. Ele adverte contra falsos mestres que penetram na igreja e ensinam algo diferente do que Paulo e os apóstolos. Ele descreve os falsos mestres como cães, como quem pratica o mal e como aqueles que introduzem uma falsa circuncisão. Quando se trata do evangelho, Paulo não contemporiza. Do ponto de vista atual, isso não é “politicamente correto”. Em nossos dias, muitos – especialmente políticos – procuram enfeitar o que dizem para de modo nenhum ferir alguém. Paulo, no entanto, não pode tolerar nada que afaste da doutrina da graça.

Quem são os cães a que Paulo se refere? Naqueles tempos, os cães eram diferentes daqueles que conhecemos hoje. Para nós, o cão é um animal doméstico e é tido como agradável, gentil e o melhor amigo. Naqueles tempos, porém, os cães eram selvagens, circulavam em bandos e só viviam em busca de vítimas. O mesmo comportamento é o dos falsos mestres que penetram na igreja. Eles procuram a quem possam devorar e onde estão os pontos fracos.

No Salmo 59.4-5 diz: “Mesmo eu não tendo culpa de nada, eles se preparam às pressas para atacar-me. Levanta-te para ajudar-me; olha para a situação em que me encontro! Ó Senhor, Deus dos Exércitos, ó Deus de Israel! Desperta para castigar todas as nações; não tenhas misericórdia dos traidores perversos”. Davi descreve aqui os descrentes, os pagãos. Mas em quem Paulo pensa? De certo modo, Paulo também se refere aos descrentes. Em Filipenses 3.3 ele enfatiza: “Pois nós é que somos a circuncisão”. Os falsos mestres eram judaístas e pregavam a circuncisão. Afirmavam que os crentes deveriam circuncidar-se para serem membros efetivos da igreja.

Paulo era judeu e em geral enfrentava oposição dos judeus. Aonde quer que ele fosse, seu primeiro destino era sempre a sinagoga. De fato, esse era o melhor ponto de partida para evangelizar numa cidade. Em geral, os judeus causavam então algum tumulto por não concordarem com Paulo. Onde há tumulto, costuma juntar gente para ver o que há. Uma oportunidade como essa pode ser aproveitada para pregar a todos. Assim, naquele tempo viviam no Império Romano muitos judeus espalhados por toda parte, e Deus usou essa situação para divulgar o evangelho. Paulo enfrentava oposição por perseguição. Os judaístas ensinavam “Jesus e a circuncisão” ou “Jesus e o sábado” ou “Jesus e uma outra lei”. Não era mais a graça somente.
Se alguém pregar um evangelho diferente daquele anunciado pelos apóstolos, ele será um falso mestre e amaldiçoado.
Paulo identifica esses “cães” também com “esses que praticam o mal”. O termo “praticam” designa pessoas ativas e que, nesse caso, vêm trazer um outro evangelho. Esse também era o problema das igrejas na Galácia: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado!” (Gl 1.6-8). Também aqui Paulo não deixa dúvidas. Ele diz que, se alguém pregar um evangelho diferente daquele anunciado pelos apóstolos, ele será um falso mestre e amaldiçoado.

Esses “que praticam o mal” talvez fossem externamente perfeitos, talvez seu estilo de vida parecesse impecável. Talvez tais pessoas tenham sido observadas e tenham impressionado com sua aparência exemplar e decente. No entanto, não devemos deixar-nos enganar: Satanás não é tolo, ele sabe como pode seduzir os crentes. Em Filipenses 3.18 Paulo escreve em prantos: “Pois, como já disse repetidas vezes, e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo”. O apóstolo conhece o mal que esses inimigos poderão provocar. Ele adverte os filipenses a ficarem atentos e, com respeito aos judaístas, que deverão guardar-se do legalismo.

Tendemos facilmente a pensar que devemos oferecer algo a Deus para receber algo dele. É a natureza humana: se eu trabalhar, serei remunerado. Em parte, também pensamos assim em relação à obra da redenção: preciso fazer algo a fim de merecê-la.

Não, nós nada podemos oferecer a Deus. Jesus Cristo realizou tudo por nós. É graça e apenas graça. Será que isso significaria então que podemos fazer o que bem entendemos? Não, um cristão que pensa assim precisaria se questionar se ele realmente experimentou um novo nascimento. Um cristão em quem realmente habita o Espírito de Deus desejará viver segundo o padrão de Deus. Ele será transformado pelo Espírito de Deus. Mas se começarmos a pregar a necessidade de praticar isso e mais aquilo para conquistar a salvação, como por exemplo guardar sábados e determinadas festas, observar leis de pureza, jejuar, confessar-nos, isto será um outro evangelho, que não encontramos na Bíblia.

Naquele tempo, o que penetrava na igreja eram os judaístas e adicionalmente as marcas das religiões pagãs. E como é a situação nas nossas igrejas? Em Mateus 7.21-23 lemos: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor!’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal!”.

Trata-se aqui de pessoas ativas na igreja, mas cuja motivação não é bíblica. Nem são renascidas e penetram na igreja por ganância. Essa gente, que Paulo chama de “cães” e praticantes do mal, introduzirá uma falsa circuncisão.

Teria Paulo algo contra a circuncisão? Em Filipenses 3.5 ele diz de si mesmo: “Circuncidado no oitavo dia”. Mas ali ele fala da sua vida quando ainda não era crente. Contudo, o que foi que ele fez depois com Timóteo? Atos 16.1-3 relata: “[Paulo] Chegou a Derbe e depois a Listra, onde vivia um discípulo chamado Timóteo. Sua mãe era uma judia convertida e seu pai era grego. Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho dele. Paulo, querendo levá-lo na viagem, circuncidou-o por causa dos judeus que viviam naquela região, pois todos sabiam que seu pai era grego”.

Paulo circuncidou Timóteo. A mãe de Timóteo era judia e sua circuncisão era uma expressão do seu pertencimento ao povo de Israel. Ele era judeu, e por isso não havia nenhum problema em que ele se circuncidasse. A circuncisão foi feita para que ele não escandalizasse os judeus. Paulo mesmo escreveu que ele se tornou judeu para os judeus e grego para os gregos (1Co 9.20-21). Esse foi um passo muito sábio de Paulo a fim de não se expor desnecessariamente a ataques. No entanto, isso de modo nenhum significa que ele pregasse a circuncisão. Ele enfatizava que aqueles que introduziam a falsa circuncisão exigiam a circuncisão de todos.

Também nós precisamos ficar atentos em relação ao judaísmo para não nos ocuparmos com coisas que nos conduzam de volta à lei da antiga aliança ou de introduzi-las em nossa vida, afastando-nos assim da graça de Cristo. Pergunto-me por que um cristão deveria de repente colocar um quipá na cabeça se o Senhor e os apóstolos não mandaram fazer isso. Talvez alguém goste disso, mas o faz para quem? E se alguém quiser guardar o sábado, que o faça, mas então essa pessoa deveria guardar ainda muito mais da lei da antiga aliança. Temos alguém que cumpriu toda a lei: Jesus Cristo. Ele nos salvou. O objetivo de Paulo era anunciar que não precisamos mais retornar à lei.
Deus não quer que vivamos a nossa fé em função da nossa própria força, porque assim fracassaremos.
Ele explica: “Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3.3, RA). Nós que pertencemos a Jesus Cristo é que somos a circuncisão, tanto gentios como judeus. Deus não quer que vivamos a nossa fé em função da nossa própria força, porque assim fracassaremos. A nossa própria força nos levará ao desespero.

Quando Paulo enfatiza aqui o termo “carne”, ele não se refere a algum comportamento pecaminoso. A lei não é pecado; antes, a lei revela a nossa pecaminosidade. Quando a Bíblia fala de carne, geralmente ela trata da oposição entre a carne e o espírito. Muitas vezes interpretamos a ideia de “carne” como pecado, imoralidade, adultério, prostituição, mas aqui não se trata de pecado e sim de algo que queremos alcançar na carne por meio da nossa própria força. A carne é a essência do “eu”: eu preciso fazer, eu preciso cumprir a lei, eu preciso orar cinco vezes por dia etc. Confiar na carne busca uma redenção por obras – e nesse caso estaríamos perdidos. Quando vivemos no Espírito, não nos orgulhamos do nosso próprio desempenho, mas tão somente de Cristo, e é exatamente isso que Paulo faz nos versículos seguintes, em que ele mostra que, se um judeu pudesse orgulhar-se de tudo aquilo que conseguiu por meio da carne, então esse judeu seria ele mesmo. Mas Paulo considera tudo isso como perda, como lixo. Para Paulo, Jesus Cristo tornou-se tudo.
“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2.8-10).

https://www.chamada.com.br/mensagens/cuidado_com_os_caes.html

 

8 de abril de 2020

Deus responde as nossas orações?



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O que é preciso para que Deus responda as nossas orações?

(por Marilyn Adamson) 


Você conhece alguém que realmente confia em Deus? Quando era ateia, uma grande amiga minha costumava me contar toda semana algo específico pelo que ela estava orando, na certeza de que Deus iria tomar providências. E toda semana eu costumava contemplar Deus agindo de maneira incomum para responder suas orações. Você sabe como é difícil para uma ateia observar fatos como esses, semana após semana? Depois de um certo tempo, dizer que não passava de “coincidências” se tornou um argumento muito fraco.

Então, por que Deus respondia as orações da minha amiga? A maior razão para isso é porque ela tinha um relacionamento íntimo com Ele, desejava segui-lo e, realmente ouvia o que Ele tinha a dizer. Em sua mente, Deus tinha o direito de dirigir sua vida e ela o fazia se sentir bem-vindo para fazer justamente isso! Quando ela orava por determinada coisa, era porque, de certa forma, se sentia muito confortável ao se achegar a Deus com suas necessidades, suas preocupações, ou qualquer assunto referente a sua vida. Além disso, estava convencida, pelo que lia na Bíblia, que Deus queria mesmo que ela descansasse nele assim.

Ela basicamente colocava em prática o que esta frase bíblica diz: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.” (1 João 5:14 ) “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas a face do Senhor está contra os que praticam o mal.” (1 Pedro 3:12 ) 
 
Então, por que Deus nem sempre responde às orações de todos?

Pode ser porque nem todos tenham um relacionamento com Ele. Eles devem saber que Deus existe, devem até adorar a Deus de vez em quando. Mas esses que nunca parecem ter suas orações respondidas, provavelmente não desenvolveram um relacionamento com Deus. Além disso, eles nunca devem ter recebido de Deus perdão completo de seus pecados. “O que uma coisa tem a ver com a outra?”, você deve estar se perguntando. Aqui está a explicação: “Certamente, o braço do Senhor não está encolhido para salvar, nem seu ouvido fechado para ouvir. Mas suas iniquidades separaram vocês de Deus. Seus pecados esconderam a face dele de vocês, então ele não os irá ouvir.” (Isaías 59:12)

É muito natural sentir essa separação de Deus. Quando as pessoas se voltam para Ele a fim de colocá-lo a par de algo, ou para pedir algo, o que geralmente elas fazem? Começam dizendo: “Deus, eu realmente preciso da tua ajuda neste problema…”. E aí há uma pausa, seguida de: “Eu sei que não sou uma pessoa perfeita, que realmente não tenho direito nenhum de te pedir isso…”. Existe um conhecimento pessoal de pecados e fracassos. E a pessoa sabe que Deus está ciente disso também. Há uma noção de: “Com quem penso que estou brincando?”. O que eles não devem saber é como podem receber o perdão de Deus por todos os seus pecados e como podem desenvolver um relacionamento pessoal com Deus, para que então Ele possa ouvi-los. Este é o fundamento básico para que Deus responda suas orações. 
 
Como Orar: O Fundamento Básico

Primeiro você deve começar um relacionamento com Deus. Imagine que um rapaz chamado Marcos decide pedir ao reitor da Universidade de Federal do Rio de Janeiro (alguém que ele nem ao menos conhece) que autorize o empréstimo de um carro para ele. Marcos teria chance nula de conseguir ser atendido. (Estamos presumindo que o reitor da UFRJ não seja idiota). Por outro lado, se a filha deste mesmo reitor pedisse a seu pai que autorizasse um empréstimo de carro para ela, não haveria problema algum. Um relacionamento pessoal conta muito.

Com Deus, quando alguém é verdadeiramente seu filho, quando alguém pertence a Ele, Ele o conhece e ouve suas orações. Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem. As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão.” (João 10:14, 27-28)

Quando o assunto é Deus, você realmente o conhece? E Ele conhece você? Você tem um relacionamento com Ele que garanta a resposta de suas orações? Ou Deus está bem distante, sendo apenas um conceito em sua vida? Se Deus está distante, ou você não tem certeza de que o conhece, aqui está uma maneira de começar a se relacionar com Ele agora mesmo: Conhecendo Deus pessoalmente. 
 
Será que Deus vai responder sua oração definitivamente?

Para aqueles que realmente o conhecem e descansam nele, Jesus parece ser muito generoso em sua oferta: “Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido.” (João 15:7) “Permanecer” em Cristo e ter as palavras dele dentro de nós significa que conduzimos nossas vidas sob o comando dele, descansando nele, ouvindo o que Ele tem a dizer. Assim, estaremos aptos a pedir a Deus qualquer coisa que desejarmos e Ele responderá. Aqui está outra vantagem: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos.” (1 João 5:14-15) Deus responde nossas orações de acordo com a sua vontade (e de acordo com a sua sabedoria, seu amor por nós, sua santidade…).

Nós erramos ao assumirmos que sabemos qual é a vontade de Deus, quando somente alguma coisa faz sentido para nós! Nós assumimos que há somente uma “resposta” correta para cada oração específica, tendo a certeza de que AQUELA é a vontade de Deus. E é aí que fica mais difícil. Nós vivemos dentro dos limites do tempo e do conhecimento. Temos apenas informações limitadas sobre cada situação e sabemos algumas implicações de ações futuras nessas determinadas situações. O entendimento de Deus é ilimitado. Como um evento ocorre no curso da vida ou da história é apenas algo que Ele já sabe. E Ele deve ter propósitos muito além daqueles que podemos imaginar. Logo, Deus não fará algo simplesmente porque determinamos que essa deveria ser a sua vontade. 
 
O que é preciso? O que Deus está inclinado a fazer?

Páginas e páginas poderiam ser preenchidas com as intenções de Deus para nós. A Bíblia inteira é uma descrição do tipo de relacionamento que Deus quer que experimentemos com Ele e do tipo de vida que Ele quer nos dar.

Aqui estão alguns exemplos: “…o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês; ele ainda se levantará para mostrar-lhes compaixão. Pois o Senhor é Deus de justiça. Como são felizes todos os que nele esperam!” (Isaías 30:18) Você captou isso? Como alguém que se levanta de sua cadeira para oferecer ajuda, “Ele se levanta para lhe mostrar compaixão”. “Este é o Deus cujo caminho é perfeito; a palavra do Senhor é comprovadamente genuína. Ele é um escudo para todos os que nele se refugiam.” (Salmo 18:30) “O Senhor se deleita naqueles que o temem [reverenciam], que colocam sua esperança em seu leal amor.” (Salmo 147:14)

De qualquer maneira, a maior demonstração do amor e da compaixão de Deus por você é expressa pelas seguintes palavras de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13 ), que nada mais é do que o que Cristo fez por nós. Então, “Aquele que não poupou a seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará, juntamente com ele, gratuitamente todas as coisas?” (Romanos 8:32) 
 
E o que dizer das orações “não respondidas”?

Certamente as pessoas ficam doentes e até morrem; problemas financeiros são reais, e toda sorte de situações difíceis é passível de acontecer na vida de qualquer um. O que fazer então?

Deus nos diz para levar todas as nossas preocupações a Ele. Mesmo quando a situação parecer irremediável, “Lancem sobre ele toda ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês.” (1 Pedro 5:7) As circunstâncias podem parecer estar fora de controle, mas não estão. Quando o mundo inteiro estiver desabando, Deus ainda pode e sempre poderá segurá-lo em suas mãos. É aí que uma pessoa pode se sentir muito agradecida por ter o privilégio de conhecer a Deus. “Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos. Perto está o Senhor. Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:5-7) Deus pode providenciar soluções para os seus problemas além do que você considera ser possível. Provavelmente, qualquer cristão pode listar exemplos como esse em suas próprias vidas. Mas se as circunstâncias não melhorarem, Deus ainda pode nos dar a sua paz em meio a tudo isso. Jesus disse: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbem os seus corações, nem tenham medo.” (João 14:27)

É neste ponto (quando as circunstâncias ainda estiverem difíceis) que Deus nos pede para continuar a confiar nele – para “andar pela fé, não pela visão”, diz a Bíblia. Mas não é uma fé cega; é baseada no caráter de Deus. Um carro viajando pela ponte Rio-Niterói é totalmente sustentado pela integridade da ponte. Não importa o que o motorista possa estar sentindo, ou pensando, ou discutindo com o passageiro do outro assento. O que faz o carro chegar seguramente ao outro lado da ponte é a integridade dela, na qual o motorista resolveu confiar. Do mesmo modo, Deus nos pede para confiarmos em sua integridade, seu caráter, sua compaixão, amor, sabedoria, retidão e justiça em nossa defesa. Ele diz: “Eu tenho amado com amor eterno; com amor leal a atraí.” (Jeremias 31:3 ) “Confie nele todo o tempo, ó povo. Coloque diante dele o coração, pois ele é o nosso refúgio.” (Salmo 62:8) 
 
Em Resumo…Como Orar

Deus se ofereceu para responder as orações de seus filhos (aqueles que receberam Jesus em suas vidas e buscam segui-lo). Ele nos pede para levar qualquer preocupação até Ele em oração, pois Ele agirá por nós de acordo com a sua vontade. Enquanto lidamos com dificuldades, temos de lançar sobre Ele nossas aflições e receber dele a paz que desafia as circunstâncias. A base da nossa esperança e fé é a pessoa de Deus. Quanto mais o conhecermos, mais aptos estaremos a confiar nele.

A razão das nossas orações é o caráter de Deus. A primeira oração que Deus responde é a oração em que você expressa o seu desejo de começar um relacionamento com Ele.




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Para saber mais sobre o caráter de Deus, por favor leia o artigo “Quem é Deus?” ou outros artigos neste site (acima).
 
 

2 de abril de 2020

Como manter a fé e a esperança em meio à crise?





Daniel Lima 


A cela era escura e apertada. Já encontrava-se ali há mais de um ano. Seu crime era apenas de não concordar com o regime opressivo que dominava seu país e que cometia uma atrocidade após a outra. As acusações lançadas contra si eram falsas. Por vezes, a memória das oportunidades que teve para ficar longe de seu país, para se retirar, deviam cruzar sua mente. A memória de sua jovem noiva deveria estar com ele o tempo todo. Por meio de um guarda que havia se tornado seu amigo, conseguia enviar cartas para amigos e para sua noiva. Ele não sabia o que aguardar. Em meio a todas estas incertezas ele escreveu um poema, e sua primeira estrofe era:
De bons poderes sinto-me cercado,
Bem protegido e de fato consolado:
Assim desejo eu passar os dias
E ter convosco um ano de alegrias.[1]

Seu nome era Dietrich Bonhoeffer. Quase no final da guerra, poucas semanas antes do suicídio de Hitler, ele foi enforcado. Um médico nazista que assistiu sua execução escreveu depois: “Eu vi o pastor Bonhoeffer [...] ajoelhado no chão, orando fervoroso a Deus. Fiquei emocionado pelo modo como aquele homem amável orava, tão dedicado e com tanta certeza de que Deus o ouvia. No local da execução, ele fez mais uma oração e subiu os degraus da forca corajosamente, calmamente. Sua morte ocorreu em segundos. Nos quase cinquenta anos que trabalhei como médico, nunca tinha visto um homem morrer assim, tão submisso à vontade de Deus”.[2]

Que fé é esta que faz com que um homem injustiçado – e em meio a tantas incertezas – mantenha uma postura tão tranquila e esperançosa? É a fé de Paulo, que afirma no final de sua segunda carta a Timóteo:
Na minha primeira defesa, ninguém apareceu para me apoiar; todos me abandonaram. Que isso não lhes seja cobrado. Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará a salvo para o seu Reino celestial. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém. (2Timóteo 4.16-18)
O mundo começou o ano de 2020 com diversas certezas. Todos tinham planos e projetos e muita segurança de que muito do que sonhavam iria acontecer. Contudo, quase tudo isso está sendo desafiado. Planos estão sendo apagados e qualquer projeto, no mínimo, suspenso. Todos se deparam com o fato de que seja pela pandemia, seja pela crise econômica que virá desta, o mundo não será o mesmo do que quando começamos o ano.

Reparem nas palavras de Paulo. Ele começa afirmando que todos o abandonaram, ninguém o defendeu. Para um homem velho e doente, no final da vida, só isso bastaria para afundar em amargura e depressão; no entanto, suas palavras são cheias de graça: “Que isso não lhes seja cobrado”. Este é um homem em paz cuja tranquilidade não é determinada pelas circunstâncias.
Nossos corações são revelados e nossa fé é depurada em meio à crise.
O verso 17 continua descrevendo essa postura cheia de esperança. Ele se alegra, não porque será libertado (nos versos anteriores ele indica que sabe que será morto), mas porque – pela ação de Deus – muitos ouviram o evangelho. Nestes dias de pandemia, qual é a sua oração? “Deus, nos livra da doença”, ou “Senhor, usa-me para proclamar sua esperança em meio à crise”. Recentemente, numa conversa com Arthur Lupion, missionário no Uruguai, escutei sua afirmação de que não há situação que me libere para amar a Deus ou ao próximo menos do que antes. Pelo contrário, nossos corações são revelados e nossa fé é depurada em meio à crise.

É justamente com essa fé e com essa esperança que Paulo conclui o parágrafo: “O Senhor me livrará de toda obra maligna e me levará para o seu Reino celestial”. Paulo, assim como Bonhoeffer, tinha seus olhos no Autor e Consumador da nossa fé (Hebreus 12.1-2). Ele sabia em quem cria e sabia que este é poderoso para nos guardar até o dia final (2Timóteo 1.12).

Estes são tempos de oportunidade. Sim, há muita tristeza, há muito temor e teremos muitas tragédias. No entanto, este é um tempo de mostrarmos a razão da nossa fé. Nossa fé não está baseada em reuniões públicas. Não está baseada em programações cuidadosamente preparadas. Estas podem até ser manifestações da nossa fé, mas não seu fundamento. O fundamento da nossa fé é nossa relação de rendição e amor pelo nosso Senhor Jesus Cristo. Minha oração é que o povo de Deus se levante para mostrar, em suas palavras e em seu viver diário, quem é o nosso salvador.

Notas

  1. Dietrich Bonhoeffer, “Resistência e submissão”, Sociedade Internacional Bonhoeffer. Disponível em: .
  2. Eberhard Bethge, Dietrich Bonhoeffer: A Biography (Mineápolis, MN: Fortress Press, 2000), p. 927.
Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

https://www.chamada.com.br/mensagens/como_manter_a_fe.html


16 de março de 2020

PERCA O MEDO DE FICAR SÓ


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Um dos maiores problemas do medo é que ele faz com que a gente não consiga pensar direito, abala a razão, nos tira a fé. 
 
Quando eu era criança e tinha medo do escuro o medo me fazia ver coisas que não estavam lá, e eu chorava por medo dessas coisas inexistentes. 
 
O medo nos faz desesperar sem ter esperado, nos faz ver "coisas" onde não tem nada para ver, nos trás sentimentos falsos enraizados na condição de amedrontado. 
 
O medo enfim nos tira a capacidade de pensar direito, de ver as coisas como realmente são. Pedro caminhava sobre as águas até o momento que teve medo, e o medo o fez esquecer do poder de Jesus que o tinha feito andar sobre as águas. 
 
Eu poderia falar de um cristianismo florido, com promessas vazias pra deixar bem, esperançoso numa realidade fora do cristianismo. 
 
Muita gente tem medo de ficar só, e eu não posso te dizer que Deus está preparando alguém para te tirar da solidão (já falei sobre isso num outro texto), o que posso te dizer é que Deus está preparando o seu coração para lidar com a solidão. 
 
É assim que Ele age, não condicionado por dependência humana, Ele não depende de ninguém para que você seja tirado da solidão, Ele atua diretamente no teu coração e te ensina a se sustentar sozinho, não em si, mas Nele. 
 
O medo de ficar só vai ter fazer desesperar sem esperar Nele, ver coisa onde não tem, aceitar qualquer pessoa pelo medo da solidão e se adequar a alguém pelo medo de ficar sozinho. 
 
O medo vai te fazer tomar decisões que vão te custar caro, o medo vai tirar sua comunhão com o Pai. 
 
A palavra nos diz que o amor lança fora o medo, é o próprio Deus, é a própria presença Dele que lança fora o teu medo de ficar só. 
 
Não é sobre uma promessa vazia de que o Senhor vai fazer alguém do barro e te dar como presente, é sobre o amor Dele lançando o teu medo fora e sustentando a tua solidão na presença Dele. 
 
É sobre ter um coração novo, sem medo de ficar só, porque você descobriu que está na presença Dele, e se você está na presença Dele, nunca vai estar só.


Autor: @gabrielantunesf
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14 de março de 2020

Como os Crentes Caem no Pecado: Um Passo de Cada Vez



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Greg Laurie


A tentação vem gradualmente para o crente. O que você faz com isso é o que vai definir o seu futuro de vida santa ou pecado.

De vez em quando, leio um artigo sobre uma pessoa bastante conhecida que diz: “Eu era cristão, mas não sou mais cristão”.

Então, como isso acontece? Como alguém chega a esse ponto?

Posso garantir que as etapas que levaram a essa declaração remontam a um longo caminho. Isso não acontece de repente. Eles não acordaram uma manhã e disseram: “Vou negar minha fé e me afastar de Deus hoje”.

Não, é uma série de etapas e negligência que sempre levam a algo assim.

Por exemplo, sabemos da negação aberta de Simão Pedro a Cristo. Mas por onde começou? Tudo começou com uma atitude orgulhosa. No cenáculo, Jesus disse aos discípulos que um deles o trairia e que Ele seria crucificado.
Mas Pedro disse: “Mesmo que todos os deserdem, eu nunca irei” (Marcos 14:29, NLT).
Então Jesus disse-lhe: “Digo-lhe a verdade, Pedro; nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, você negará três vezes que me conhece” (Marcos 14:30).
Pedro pensou que não havia como isso acontecer. Isso foi orgulho. E a Bíblia diz que o orgulho precede a queda. Este foi o primeiro passo de Pedro.

Seu próximo passo foi dormir quando ele deveria estar orando. Jesus levou seus três amigos Pedro, Tiago e João ao Jardim do Getsêmani e disse: “Vigie e ore, para que não ceda à tentação. Pois o espírito está pronto, mas a carne fracs!” (Mat. 26:41).

Mas, em vez de orar, eles adormeceram. Então, quando a guarda do templo veio prender Jesus, Pedro sacou a espada e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote.

O problema com Pedro era que ele se gabava quando deveria ser humilde, dormia quando deveria ter orado e lutava quando deveria confiar no Senhor. Então ele acabou negando-o abertamente.

Esses passos menores levaram a passos maiores. Coisas pequenas se transformam em coisas grandes. E pequenos pecados se tornam grandes pecados.

Lembremos que o poderoso Golias, a quem Davi enfrentou no vale de Elá, nem sempre foi um gigante. Ele já foi um bebê (provavelmente um bebê grande). Mas aquele bebê se tornou um gigante, e um dia Davi estava enfrentando verdadeiro gigante.

É isso que acontece. Negligenciamos pecados, negociamos com o inimigo e fazemos acordos com o diabo. E de repente temos um gigante de boa fé que estamos enfrentando na vida porque subestimamos o poder do pecado.

Sansão é outra boa ilustração disso. Ele era um guerreiro tão poderoso que ninguém poderia derrubá-lo no campo de batalha. Em uma ocasião, ele matou 1.000 filisteus.

Então o diabo o avaliou e pensou: eu sei como conseguir esse cara. Ele enviou a bela Dalila, cujo nome significa “delicada”. Ela disse a Sansão: “Conte-me, por favor, de onde vem a sua grande força e como você pode ser amarrado e subjugado”.- Juízes 16:6.

A propósito, se alguém lhe diz isso, não é o começo de um bom relacionamento. Mas Sansão achou que era uma piada. E essa foi sua ruína.

Então, como isso acontece? Como as pessoas caem no pecado?

Isso acontece através de negligências, um passo de cada vez.

Nunca pense que você não pode cair. Você é capaz de cair nos piores pecados imagináveis, e eu também.

A negligência começou a se infiltrar na sua vida? Muitas vezes acontece quando as pessoas andam com o Senhor por um tempo. Isso geralmente não é um problema quando você está no primeiro florescimento do seu relacionamento com Cristo.

Mas quando você é cristão há um tempo, pode ficar enfraquecido por certas coisas. No entanto, existem algumas salvaguardas que você pode estabelecer em sua vida que o ajudarão a lidar com as chamadas áreas cinzentas da vida.

Existem certas áreas em preto e branco nas quais você não precisa pensar ou orar, é claro, porque você já sabe o que Deus diz.

Por exemplo, está tudo bem para você roubar?

Não. A Bíblia diz: “Você não deve roubar” (Ex. 20:15, NLT).

Tudo bem você ter um relacionamento adúltero?

Não. A Bíblia diz: “Você não deve cometer adultério” (Ex. 20:14).

OK, mas e aquelas coisas sobre as quais não temos certeza? Não temos certeza se eles estão certos ou errados.

Você pode fazer três perguntas antes de se envolver nessas atividades.

Primeiro, isso te edifica espiritualmente ou te derruba? O apóstolo Paulo escreveu: “Tudo é permitido”, mas nem tudo convém. “Tudo é permitido”, mas nem tudo edifica.” – 1 Coríntios 10:23

Então, em vez de perguntar: “Posso fazer isso tecnicamente?” pergunte a si mesmo se isso irá edificá-lo espiritualmente ou potencialmente derrubá-lo.

Em seguida, isso o coloca sob seu poder? Mais uma vez, Paulo escreveu: “Você diz: ‘Eu posso fazer qualquer coisa’ – mas nem tudo é bom para você. E mesmo que ‘eu possa fazer qualquer coisa’, não devo me tornar escravo de nada” (1 Coríntios. 6:12). Se você não pode passar uma hora sem fazer uma determinada coisa, isso não é bom. Você está sob seu controle.

Finalmente, você tem uma consciência desconfortável sobre isso? A Bíblia diz: “Se você faz algo que acredita que não é certo, está pecando” (Rom. 14: 23b). Só porque alguém faz alguma coisa, isso não significa que você deveria.

Você permitiu a negligência entrar em sua vida? Só há uma coisa a fazer. Você tem que limpar a casa. Você precisa reconhecê-lo, ser específico e pedir a Deus que o ajude a mudar as áreas que precisam mudar.

Pequenas negligências podem levar a grandes pecados. Não deixe que isso aconteça com você.

 
por:Greg Laurie
traduzido e adaptado por: Pb. Thiago D. F. Lima
 
https://portalpadom.com.br/greg-laurie-como-os-crentes-caem-no-pecado-um-passo-de-cada-vez/
 
 

11 de março de 2020

Benjamin Keach e a Verdadeira Piedade Cristã – Parte 2: O Efeito da Piedade, a Conformidade do Coração à Palavra de Deus


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No primeiro artigo iniciamos a consideração sobre as convicções do puritano batista Benjamin Keach no que concerne à verdadeira piedade cristã.

Keach então registra que a piedade cristã genuína possui como essência e conteúdo a santa Palavra do Senhor, sendo assim, uma piedade verdadeira está alicerçada e preenchida por um credo que emerge das Sagradas Escrituras. Crer em proposições falsas acerca da pessoa e da obra de Deus consiste em possuir uma fé falsa e consequentemente uma piedade fingida.

Hoje veremos que para Keach a segunda marca de uma piedade genuína é a conformidade da vida à Santa Palavra de Deus. Deste modo, um verdadeiro crente não somente possui um conhecimento adequado do Senhor, mas ao conhecer a Deus e Sua vontade busca conformar-se à vontade revelada de Deus.

Como explica Keach:
Não é meramente seguir os princípios naturais da moralidade ou um conhecimento dogmático e teórico dos Evangelhos sagrados e seus preceitos, mas uma conformidade fiel aos princípios do Evangelho, cumprindo nossos deveres com a melhor predisposição para com Deus, bem como para com os homens, para que nossa consciência permaneça livre de ofensas a ambos (Atos 24:16).

Consiste em abandonar o pecado e odiá-lo como o pior mal e apegar-se a Deus de todo coração, valorizando-o acima de todas as coisas, desejando sujeitar-se ao princípio do amor divino, a todas as suas leis e comandos. É dizer com o salmista: “Quem eu tenho no céu senão a ti?” (Salmo 73:25) […].
Qualquer impressão inicial ou equivocada de que Keach possuía uma noção fria e intelectual de piedade é removida por completo aqui, muito para além disso, Keach demonstra uma firme certeza de que a genuína piedade não somente tem a Palavra de Deus como conteúdo, mas que esse relacionamento do crente para com a Palavra do Senhor é vivo.

Conhecer a Palavra é conhecer o Deus que Se revela, e quando essa contemplação do Senhor é real, conduzida pelo Espírito nos corações, tem como consequência inevitável o prazer em submeter-se ao Senhor e o ódio e repulsa por toda a maldade e pecado. Conformar-se à Palavra é honrar a Deus por entender que Ele é o bem supremo da alma. 
 
Uma Ruptura com a Intelectualidade Morta

Uma das lições importantes que Keach nos comunica ao listar como marca da genuína piedade uma vida conformada a Palavra de Deus, é que Cristo quando nos salva redime não somente a nossa mente, mas também o nosso coração.

Atualmente existem inúmeros cristãos professos que têm reduzido a vida cristã ao acúmulo de informação. A ausência de piedade em tais homens é claramente verificada por meio de uma religião com reação lenta, passiva e permissiva para com comportamentos repulsivos diante da Palavra de Deus, como se pureza e vida cristã não possuíssem relação alguma.

Outro sintoma desse erro é a maneira como tais “teólogos” se comportam no campo de batalha da internet e das mídias sociais, agindo totalmente sem respeito por homens mais velhos que entregam a sua vida para servir o Evangelho, “lançando” ao inferno e proferindo palavras de maldição contra inegáveis filhos do Senhor, sob o pretexto de estarem defendendo a fé, quando, na verdade, agem de modo monstruoso para com pequenas discordâncias que em nada comprometem uma fé cristã genuína.

São escandalosos, desbocados, mimados e arrogantes. Não se verifica neles o quebrantamento e o temor de proferir as santas doutrinas, sendo eles mesmos reprovados por elas. Percebe-se que o senso de indignidade diante de Deus, a misericórdia do Evangelho e o amor pelos irmãos, estão ausentes. Sua postura é contraditória com aquilo que esbravejam crer.

Portanto, todo aquele que de fato conhece a Cristo deve portar-se como Ele andou, em santidade, piedade amor pelos irmãos (Efésios 5:1). 
 
Um Serviço Alegre, Sincero e Submisso

Um outro ponto importante abordado por Benjamin Keach acerca da piedade é que a conformidade da vida à Palavra tem como fruto um serviço sincero e devoto ao Senhor. Ter o coração conformado a Deus é servi-lO com gratidão não como meio de barganhar com o Senhor algumas vantagens. 
 
Nesse sentido, Keach denuncia:
Há alguns que servem a Deus para poder usar Deus, mas o cristão autêntico anseia pela graça, não só que Deus o glorifique no céu, mas também que ele possa glorificar a Deus na terra. Ele exclama: “Senhor, dá-me um bom coração em vez de muitos bens”. Embora ele ame muitas coisas além de amar a Deus, ele não ama essas coisas mais do que ama a Deus. Este homem teme o pecado mais do que o sofrimento e, portanto, prefere sofrer do que pecar.
Em nossos dias, o número de igrejas que substitui a verdadeira piedade cristã por uma lista legalista de fazer e não fazer e por prescrições místicas é demasiadamente grande, e os objetivos de tais homens são expostos de maneira muito objetiva: receber de Deus bens, riquezas, bem-estar e a satisfação de todas as vontades que possam emergir do coração caído “para esbanjar em seus deleites” (Tiago 4:1).

Tais homens se portam como pagãos. Aqueles mesmos idólatras que apresentavam oferendas aos seus deuses buscando barganhar com eles dádivas, a fim de terem suas vontades satisfeitas, tentavam negociar qualquer coisa com seus deuses mortos e imorais.

Não é assim com o nosso Deus, pois Ele não precisa de nada. Não há nada digno que possamos usar para atrair a sua atenção para nós, para fazer-Lhe desejar-nos, e o verdadeiro cristão tem plena consciência disso. Servir a Deus não é um meio de barganha, mas a maior honra de sua vida, e isso consiste em abandonar o status de condenado pecador, escravo do pecado, do diabo e do mal, para agora tomar o Seu jugo e Seu fardo que é leve; é ser recebido, transformado e adotado; é caminhar conforme a vontade santa e pura do seu Senhor. Não há maior riqueza para a alma senão Deus. Em Cristo, o genuíno crente é verdadeiramente satisfeito e sabe que habitando nEle e gozando de Sua Graça, nada lhe faltará.

Concluímos, portanto, que a piedade genuína não somente possui como a sua essência a Palavra de Deus, mas que essa Palavra é viva e transforma o coração do pecador, conduzindo-o a amar o que Deus ama e a odiar o pecado e tudo o que Deus odeia, e a se regozijar em servir ao Seu Mestre.

O crente genuíno por compreender que seu Deus é santo e que a vontade dEle é pura, santa, justa, boa e agradável, nega a si mesmo e busca caminhar em conformidade com o seu Senhor.

Uma religião puramente intelectual ou interesseira, que não tem prazer na lei de Deus e nem ódio pelo pecado nada mais é do que uma falsa religião, uma piedade falsificada que não conhece de fato nem as Escrituras nem o poder de Deus e caminha em seu vão engano para a condenação e o afastamento perpétuo do Deus santo.

Que o Senhor nos livre de caminhar como tais homens, cegos e idólatras de seus próprios egos. Que Ele gere em nós uma genuína piedade que consiste em conhecer de maneira viva e verdadeira ao Senhor, tendo nossos corações conformados à Sua perfeita e soberana vontade revelada a nós.


Soli Deo Gloria.

As citações foram extraídas e traduzidas do artigo Descripción de La verdadera Piedad publicado no jornal Porta Voz de La Gratia nº 192.

— Esta série de artigos foi postada inicialmente no blog Herança Batista Pactual e é reproduzida aqui com a permissão do autor. —

Sobre o autor
Janyson Ferreira
Janyson Costa Ferreira é casado com Karolynne e pastor presidente da Primeira Igreja Batista em Quatro-Bocas no Pará. É formado em direito pela Universidade Federal do Pará, especialista em direito do trabalho. Especialista em aconselhamento e capelania pela Faculdade Batista do Paraná. Graduado em teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon, no Ceará.