Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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17 de junho de 2020

A HISTÓRIA DO POVO JUDEU





Qual é a história do povo judeu?


Os judeus são uns dos povos mais antigos do mundo. Sua história está registrada na Bíblia, por historiadores fora da Bíblia e através da arqueologia. Temos mais fatos acerca de sua história do que qualquer outra nação. Nós utilizaremos esta informação para sintetizar sua história. A fim de tornarmos a história dos israelitas (uma palavra veterotestamentária para o povo judeu) mais fácil de ser acompanhada, utilizaremos uma linha do tempo.

Abraão: O início da árvore genealógica judaica

A linha do tempo começa com Abraão. Ele recebeu uma promessa de nações se originando dele e teve encontros com Deus culminando no sacrifício simbólico de seu filho Isaque. O sacrifício foi um sinal apontando para Jesus ao marcar o futuro local onde Jesus seria sacrificado. A linha do tempo em verde continua quando os descendentes de Isaque foram escravos no Egito. Este período de tempo começou quando José, neto de Isaque, conduziu os israelitas ao Egito, onde posteriormente eles se tornariam escravos.


Vivendo no Egito como escravos de Faraó

Moisés: Os israelitas se tornam uma nação sob Deus

Moisés liderou os israelitas para fora do Egito pela Praga da Páscoa, que destruiu o Egito e permitiu o êxodo israelita do Egito para a terra de Israel. Antes de ele morrer, Moisés anunciou Bênçãos e Maldições sobre os israelitas (quando a linha do tempo vai de verde para amarelo). Eles seriam abençoados se obedecessem a Deus, mas experimentariam maldições caso não obedecessem. Estas bênçãos e maldições seguiriam o povo judeu muito tempo depois.

Por várias centenas de anos os israelitas viveram em sua terra, mas eles não tinham um rei, nem tinham a cidade capital de Jerusalém –  ela pertencia a outro povo nesta época. Contudo, com o rei Davi por volta de 1000 (A.C.) isto mudou.



Vivendo com os reis davídicos governando a partir de Jerusalém

Davi estabelece a dinastia real em Jerusalém

Davi conquistou Jerusalém e a transformou em sua capital. Ele recebeu a promessa de um ‘Cristo’ que viria  e daquele tempo em diante o povo judeu passou a esperar o ‘Cristo’ que viria.  Seu filho Salomão lhe sucedeu e Salomão construiu o Primeiro Templo Judeu em Jerusalém. Os descendentes do rei Davi continuaram a governar por cerca de 400 anos e este período é mostrado na cor azul-agua (1000 – 600 A.C.). Este foi o período da gloria de Israel – eles alcançaram as bênçãos prometidas.  Eles eram uma nação poderosa, tiveram uma sociedade e cultura avançada e o seu templo. Mas o Antigo Testamento também descreve sua crescente corrupção e adoração a ídolos durante esta fase. Muitos profetas neste período advertiram os israelitas que as maldições de Moisés viriam sobre eles caso eles não mudassem. Mas estas advertências foram ignoradas.

O primeiro exílio para a Babilônia

Finalmente, por volta de 600 (A.C.) as maldições vieram sobre eles. Nabucodonosor, um poderoso rei babilônio veio – assim como Moisés havia predito 900 anos antes quando ele escreveu esta maldição:

O Senhor trará, de um lugar longínquo, dos confins da terra, uma nação que virá contra vocês… nação de aparência feroz, sem respeito pelos idosos nem piedade para com os moços… Ela sitiará todas as cidades da sua terra. (Deuteronômio 28:49-52)

Nabucodonosor conquistou Jerusalém, a queimou e destruiu o Templo que Salomão havia construído. Ele então exilou os israelitas para a Babilônia. Somente os israelitas pobres ficaram para trás.   Isso cumpriu as predições de Moisés de que

Vocês serão desarraigados da terra em que estão entrando para dela tomar posse. Então o Senhor os espalhará pelas nações, de um lado ao outro da terra. (Deuteronômio 28:63-64)



Conquistados e exilados para a Babilônia


Então, por 70 anos, o período mostrado em vermelho, os israelitas viveram como exilados fora da terra prometida a Abraão e seus descendentes.

Retorno do exílio sob os persas

Após isto, o imperador persa Ciro conquistou a Babilônia e tornou-se a pessoa mais poderosa do mundo. Ele então permitiu que os israelitas retornassem a sua terra.


Vivendo na Terra como parte do Império Persa

Contudo, eles já não eram mais um pais independente, eles agora eram uma província no Império Persa. Isto continuou por 200 anos e esta em rosa na linha do tempo. Durante este tempo o Tempo Judeu (conhecido como o Segundo Templo) e a cidade de Jerusalém foram reconstruídos.

O período dos gregos

Então Alexandre, o Grande, conquistou o Império Persa e transformou os israelitas em uma província nos impérios gregos por mais 200 anos. Esta fase está em azul escuro.


Vivendo na Terra como parte dos Impérios Gregos


O período dos romanos

Então os romanos derrotaram os impérios gregos e se tornaram a potência mundial dominante. Os israelitas novamente se tornaram uma província neste império e isto se vê no amarelo claro. Este é o período em que Jesus viveu. Isto explica porque existem soldados romanos nos evangelhos – porque os romanos dominavam os judeus na Terra de Israel durante a vida de Jesus.

Vivendo na Terra como parte do Império Romano


O segundo exílio judaico sob os romanos

A partir do tempo dos babilônios (600 A.C.) os israelitas (ou judeus, como eles eram chamados agora) não tinham usufruído de independência conforme tinham sob o rei Davi). Eles eram agora governados por outros impérios. Os judeus ressentiram tal fato e se revoltaram contra o governo romano. Os romanos vieram e destruíram Jerusalém (70 A.C.), destruíram o Segundo Templo, e deportaram os judeus como escravos por todo o Império Romano. Este foi o segundo exílio judaico. Uma vez que Roma era muito grande os judeus foram espalhados por todo o mundo.
Jerusalém e o Templo destruídos em 70 A.C.
Judeus espalhados como exilados por todo mundo

E foi assim que o povo judeu viveu por quase 2000 anos: dispersos em terras estrangeiras e jamais aceitos nestas terras. Nestas diferentes nações eles comumente sofreram grandes perseguições. Desde a Espanha, na Europa Ocidental, a Rússia, os judeus viveram frequentemente em situações perigosas nestes reinos cristãos. As maldições de Moisés cerca de 1500 A.C. foram descrições acuradas de como Israel viveu.
No meio daquelas nações vocês não encontrarão repouso, nem mesmo um lugar de descanso para a sola dos pés. Lá o Senhor lhes dará coração desesperado, olhos exaustos de tanto esperar, e alma ansiosa. (Deuteronômio 28:65)
E a resposta era:
Cheio de ira, indignação e grande furor, o Senhor os desarraigou da sua terra e os lançou numa outra terra, como hoje se vê’. (Deuteronômio 29:28)
A linha do tempo abaixo mostra este período de 1900 anos. Este período é mostrado na longa barra vermelha.


Linha do Tempo histórica dos judeus – apresentando seus dois períodos de exílio

Você pode ver que em sua história o povo judeu experimentou dois períodos de exílio, mas o segundo exílio foi muito maior que o primeiro.

O Holocausto do século 20

Então as perseguições contra os judeus alcançaram seu pico quando Hitler, através da Alemanha nazista, tentou exterminar todos os judeus vivendo na Europa. Ele quase foi bem-sucedido, mas foi derrotado e um remanescente de judeus sobreviveu.

Renascimento moderno de Israel


O simples fato de que havia pessoas que se identificavam como ‘judeus’ após muitas centenas de anos sem uma terra é incrível. Mas isto permitiu que as ultimas palavras de Moisés, escritas há 3500 anos, se cumprissem. Em 1948 os judeus, através das Nações Unidas, viram o impressionante renascimento do estado de Israel, conforme Moisés havia escrito séculos atrás:
…então o Senhor, o seu Deus, lhes trará restauração, terá compaixão de vocês e os reunirá novamente de todas as nações por onde os tiver espalhado. Mesmo que tenham sido levados para a terra mais distante debaixo do céu, de lá o Senhor, o seu Deus, os reunirá e os trará de volta. (Deuteronômio 30:3-4)
Também foi impressionante uma vez que este estado foi construído apesar de grande oposição. A maioria das nações circunvizinhas fez guerra contra em Israel em 1948… em 1956… em 1967 e novamente em 1973. Israel, uma nação muito pequena, geralmente estava em guerra com cinco nações ao mesmo tempo. Contudo, não apenas Israel sobreviveu como também seu território aumentou. Na guerra de 1967 os judeus reganharam Jerusalém, sua capital histórica que Davi fundou 3000 anos atrás. O resultado da criação do estado de Israel, e as consequências destas guerras criaram os problemas políticos mais difíceis de nosso tempo.


https://avida.livingwater.me/2018/10/31/history-of-the-jews/?fbclid=IwAR1WdnumaQph-5Evn_Yx-vz6S42xRNSZhxGSBWRB0Bfg51Qc0y_yh_6h5R8



15 de maio de 2020

A história de horror do comunismo chinês: execuções, fome e canibalismo (Parte 1)

O livro vermelho de Mao nas mãos e a delação de opositores do Partido Comunista Chinês: retrato do cotidiano de Mao que matou 70 milhões de chineses entre 1949 e 1976..
 
Por Edson Joel Hirano Kamakura de Souza
 

A história recente da China é lastreada de horror, mortes e por completo desprezo pela vida, liberdades, direito de propriedade, leis econômicas, valores morais, éticos, religiosos e tradições, particularmente no período entre 1949 a 1976 quando o país foi governado por Mao Tse Tsung ou Mao Zédong, no chinês tradicional 毛澤東.

Mao liderou a revolta comunista que tomou o poder há 71 anos e governou como tirano. Se Hitler foi superado por Stalin em carnificina, Mao ultrapassou Josef. Os historiadores Jung Chang e Jon Halliday, autores de "Mao, a história desconhecida", afirmam que Mao foi responsável pelo menos por 70 milhões de mortes, desde o início da revolução que promoveu até 1976, quando morreu aos 83 anos.

Seu governo foi marcado pela violência, execuções em massa, tentativas de fechar o país para o mercado, a erradicação da milenar cultura chinesa e intensa perseguição religiosa.

Mao aumentou seu prestígio ao comandar a Grande Marcha para conter, sem sucesso, a invasão do Japão em 1937 (2ª Guerra Sino-Japonesa), conflito que perdurou até 1945 quando o Japão rendeu-se aos aliados na 2ª Guerra Mundial e deixou o território chinês. Antes, entre 1894-1895, ocorreu a 1ª Guerra Sino-Japonesa, com vitória do Japão.

Expurgos e purificações

No poder, a partir de 1949, Mao iniciou as reformas: coletivização das terras, controle da economia e da produção e a nacionalização de empresas estrangeiras. A expurgo de milhares de opositores começou no instante seguinte da tomado do poder, lutas que somaram 9 milhões de mortos. As execuções dos "inimigos da revolução" permaneceram nos 10 anos seguintes e somaram quase 20 milhões. Foi o chamado período da purificação, essencial para a implantação do sistema idealizado pelo alemão Karl Marx: o socialismo que nunca funcionou e provocou um período de grande fome.

Logo no início as terras produtivas transformaram-se em fazendas coletivas após a execução dos seus proprietários, chamados de latifundiários, e a eliminação dos ricos, mesmo sem posses de terras, simplesmente por deterem capital.

Vizinhos passaram a denunciar os "desleais" ao regime sob a pena de perderem direito ao cultivo da terra ou a eliminação. Familiares dos executados também eram torturados. Cerca de 4 milhões de pequenos proprietários morreram e os filhos foram deslocados para as fábricas. Donos de indústrias sofriam retaliações, impostos escorchantes e pressão para coletivizarem a empresa. Por tal, ocorreram muitos suicídios.

Nas cidades, as purificações tinham motivações políticas ou por mero capricho de controlar comportamentos sociais: envolvidos com algum tipo de crime eram executados sem julgamento formal. Bastava uma denúncia de algum "agente da revolução" para que alguém fosse eliminado por comportamento contra revolucionário ou por ter saído a noite, desobedecendo toque de recolher. Os participantes em rebeliões nas prisões lotadas eram juntados em grupo e queimados.


Humilhação e execução pública de um cidadão chinês considerado contra revolucionário: 70 milhões em 27 anos morreram executados ou de fome. 
 
O Grande Salto para Frente

Por consequência da fome, Mao lançou - entre 1959 e 1961 - o programa Grande Salto para Frente, uma reforma na produção agrícola que ele mesmo comandou com terríveis resultados. Ele sugeriu que "as sementes são mais felizes quando plantadas juntas" e, contrariando a experiência, agricultores obedeceram colocando até 10 vezes mais sementes juntas. As plantas morreram e o solo secou. A tragédia matou pelo menos 45 milhões de pessoas, conforme “A Grande Fome de Mao”, livro do historiador Frank Dikötter, então residente em Hong Kong.

Em 1960, a taxa de mortalidade na China subiu de 15% para 68%. Famintas, as famílias comiam tudo que encontravam, por necessidade. Mas o consumo destes animais já existia na década de 50.

Diante da escassez o governo mentia dizendo que as gorduras e proteínas eram desnecessários. Campos de plantio de chás foram substituídos por arroz sob alegação que chá era consumo de burguês. As fazendas coletivas não funcionaram.


Camponeses na campanha Grande Salto a Frente: o objetivo de obter grande produção agrícola e industrial foi um fracasso. Foto de 1958.
Um proprietário de terras chinês de Fukang é executado
 
Canibalismo: filhos trocados para serem comidos

Um artigo do escritor Lew Rockwell, em Mises Brasil, narra que em 1968 um membro da Guarda Vermelha, chamado Wei Jingsheng, de 18 anos, escreveu que assistiu um banquete que ele já tinha ouvido falar muito durante o período da fome.

"Caminhávamos juntos ao longo do vilarejo... Diante de meus olhos, entre as ervas daninhas, surgiu uma das cenas que já haviam me contado: um dos banquetes no qual as famílias trocam suas crianças para poder comê-las. Eu podia vislumbrar claramente a angústia nos rostos das famílias enquanto elas mastigavam a carne dos filhos dos amigos.

As crianças que estavam caçando borboletas em um campo próximo pareciam ser a reencarnação das crianças devoradas por seus pais. O que fez com que aquelas pessoas tivessem de engolir aquela carne humana, entre lágrimas e aflições — carne essa que elas jamais se imaginaram provando, mesmo em seus piores pesadelos? (O autor dessa passagem foi preso mais tarde e acusado de traição. Foi libertado em 1997).


“Na comuna de Damiao, Chen Zhangying e seu marido Zhao Xizhen mataram e ferveram seu filho de 8 anos, Xiao Qing, e o comeram”. Este tema foi publicado pelo Washington Posta, em 1994, que explicou serem provas coletadas por pesquisadores chineses. Outro caso ocorreu em Wudian onde Wang Lanying não só pegou pessoas mortas para comer, mas também vendeu dois quilos de seus corpos como carne de porco.

A armadilha de Mao


Durante alguns meses de 1957, astutamente, Mao lançou "O Desabrochar das Cem Folhas", período que todos, principalmente intelectuais, eram convidados a usar a transparência para sugerir mudanças ou desabafar sobre as atividades do sistema. Tais manifestações transformaram-se em provas contra os próprios depoentes.

O livro “Holocausto Vermelho”, de Steven Rosefielde, diz que 550 mil deles foram considerados inimigos da revolução e, por conta desse julgamento, Mao ordenou que fossem humilhados, demitidos, presos, torturados ou mortos.

O governo chinês passou a importar comida e permitiu a volta dos camponeses às suas terras e a prática da agricultura tradicional. Os mercados foram autorizados. A fome começou a diminuir, mas já tinha feito milhões de vítimas.
Humilhação pública: Guardas Vermelhos penduram cartaz no pescoço de um "burguês" com seu nome e sua condição de "classe preta". 
 
A culpa pelo fracasso

Mao Tse Tsung não admitiu a culpa e passou a buscar os responsáveis pelo fracasso. Este é o período da Revolução Cultural: prisões indiscriminadas e execuções em campos de concentração lotados com 50 mil detidos. Pessoas que não portassem com o Livro Vermelho, de autoria de Mao, podiam ser detidas. As delações feitas por crianças resultavam na prisão do próprio pai ou parente. Os presos eram forçados a trabalhar até morrer. Para resgatar a ordem, os Guardas Vermelhos impuseram terror contra qualquer cidadão, mesmo dentro do Partido Comunista Chinês. Professores, escritores, artistas eram alvos de assassinatos. Esse período ocorreu entre 1966 e 1976. Com a morte do "Grande Timoneiro", toda cúpula foi detida, inclusive a mulher de Mao.


Formada por jovens estudantes, a Guarda Vermelha usava de extrema violência contra opositores ao regime e as maiores vítimas foram professores, intelectuais, religiosos que eram humilhados publicamente, demitidos e destituídos de seus bens.
Execução pública de condenadas por tráfico, homicídio e roubo no estádio de esportes de Lufeng
Liu-Han, empresário chinês, irmão e sócios condenados a morte por deter grande fortuna
 
Fatos ordenados por Mao

- Como em todo país totalitário, a adoração a Mao Tsé-Tung tinha incentivo do governo comunista que premiava os pais de bebês que falassem o nome de Mao, antes dos nomes dos pais.

- A chamada Revolução Cultural, lançada por Mao, tinha como objetivos neutralizar a oposição e eliminar a cultura tradicional. Milhares de obras de arte foram simplesmente destruídas.

- Crianças participavam de aulas de doutrinação comunista e assistiam execuções de opositores.

- As crianças eram ensinadas amar o líder Mao Tsé-Tung e ganhavam prêmios se delatassem pais contra revolucionários.

- Mao ordenou que toda madeira fosse usada para uso nas fornalhas das fábricas e acabou desmatando todas as florestas do país.



FONTE:
https://blogdoedsonjoel.blogspot.com/2020/04/a-historia-de-horror-do-comunismo.html?
de 12/04/2020

2 de fevereiro de 2020

De canibalismo a ratos: a grande fome de Mao, o “Holodomor” chinês


 
Chineses famintos durante a Grande Fome - Domínio Público


Uma série de políticas públicas equivocadas resultou na morte de 45 milhões de chineses — casos de canibalismo e execuções por descumprimento das determinações comunistas eram frequentemente relatados

O Holodomor foi um dos maiores crimes cometidos pela gestão stalinista na antiga União Soviética. Estima-se que, entre 1932 e 1933, 3.9 milhões de pessoas morreram de fome. Entretanto, o que poucos sabem, é que um paralelo desse caso aconteceu na China de Mao Tse Tung, vitimando mais de 45 milhões de chineses.

Entre 1958 e 1962, o líder do Partido Comunista Chinês implementou um programa de aceleração do crescimento no país. O plano, que parecia ser excelente, ao menos no papel, prometia levar a China a sobrepujar, economicamente, qualquer nação do Ocidente em até 15 anos.

Entretanto, na prática, o projeto foi uma catástrofe de dimensões continentais. O programa, que falava em igualdade e justiça social, causou o óbito de um número inestimável de vidas humanas — que não pereceram em virtude de uma Guerra ou de uma catástrofe natural, mas sim de uma péssima sequência equivocada de decisões governamentais.

Além do mais, qualquer pessoa com pensamentos opostos ao que estava sendo aplicado, era desqualificada sistematicamente. Em casos mais extremos, alguns dos opositores eram presos ou exilados em campos de trabalho forçado.


O capítulo, considerado com o mais sombrio da História da República Popular da China, é descrito por Frank Dikötter, professor catedrático na Universidade de Hong Kong, no livro A grande fome de Mao – A história da catástrofe mais devastadora da China, publicado no Brasil pela Editora Record.

Dikötter teve acesso aos arquivos do Partido Comunista pouco antes das Olimpíadas de Pequim, em 2008. Segundo o autor, os relatos fazem parte de um catálogo de horrores e incluem casos de canibalismo em aldeias de diferentes regiões do país: como relatos de camponeses que desenterram cadáveres de parentes para a alimentação; ou daqueles que comiam ratos, e até mesmo cascas de árvores e terra.

Ao mesmo tempo em que essas barbáries aconteciam no país, o governo vendia, por meio da propaganda oficial, uma imagem de um povo feliz e de uma economia prospera. “A fome tomou dimensões muito além do que se pensava anteriormente”, descreve o autor.

“Os especialistas estimavam a catástrofe demográfica entre 15 e 30 milhões de mortes. Com as estatísticas compiladas pelo próprio Gabinete de Segurança Pública na época, descobre-se uma calamidade muito maior: pelo menos 45 milhões de mortes prematuras entre 1958 e 1962. Mas não é simplesmente a extensão do número de mortos que conta, mas também como essas pessoas morreram”.

“Não é que as pessoas morressem de fome porque não havia comida disponível. A comida era, na verdade, usada como uma arma para forçar as pessoas a cumprirem as tarefas atribuídas pelo Partido. E as pessoas que eram consideradas como de direita ou conservadoras, as pessoas que dormiam no serviço, que estavam muito doentes ou enfraquecidas para serem obrigadas a trabalhar se viram sem acesso à cantina e morriam mais rapidamente de fome. Pessoas fracas ou os elementos considerados como inaptos pelo Partido foram, portanto, deliberadamente levados à fome”, explica.

Dikötter relatou que o Estado do país usou da violência extrema para impor a criação de grandes comunas agrícolas. Lá, homens e mulheres viviam separados e perdiam qualquer direito que tinham de criarem seus filhos.

Além do mais, eles também eram proibidos de cozinhar dentro de suas casas. Os camponeses eram forçados a se privarem de comer e se viram obrigados a falsificar os números de tudo o que produziam — já que eles deviam ceder ao Estado todos os grãos que colhiam.

O autor aponta que por acreditarem cegamente em Mao Tsé Tung e no Partido Comunista chinês, a população passou por uma espécie de lavagem cerebral intensa e sistemática. “Tudo foi coletivizado”, diz. “Muito rapidamente o paraíso utópico provou ser um enorme quartel militar. A coerção e a violência eram as únicas formas de garantir que as pessoas executassem as tarefas que lhes eram ordenadas pelos membros locais do Partido”. Capa do livro A Grande Fome / Crédito: Divulgação Record


No mesmo período da fome, o poder maoísta torturou, matou e executou entre 2 e 3 milhões de pessoas que discordavam das diretrizes do sistema. Aqueles que roubavam um punhado de grãos, ou batatas para se alimentarem, também eram severamente punidos.

Em um relato, encontrado nos registros oficiais do PC chinês, é descrito o caso de um homem que foi forçado a enterrar seu filho vivo de 12 anos. O garoto teria saqueado alguns grãos. O pai morreu de desgosto algumas semanas depois.

Apesar dos diversos casos chocantes, o partido comunista chinês trata o período com certa normalidade. Eles alegam que as mortes ocorreram em virtude das condições ambientas, e também dizem que elas foram a menor escala do que o registrado: apenas 15 milhões de pessoas. Eles tratam essa fase como “O difícil período de três anos”.


https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/grande-fome-de-mao-o-holodomor-chines.phtml

11 de janeiro de 2020

Os piores papas da História - Assassinatos, massacres e estupros



 
Papa Leão X - Wikimedia Commons



Papas particularmente ruins praguejaram a Igreja do século 10 ao 16. Nessa época, havia uma enorme promiscuidade entre a política dos nobres e a da Igreja, e pessoas sem qualquer formação religiosa - ou sequer interesse na vida religiosa - podiam chegar ao Trono de Pedro.

A corrupção desses papas seria um dos motivadores da Reforma Protestante. E a Reforma mudaria a dinâmica do poder entre reis e papas, também pondo uma enorme pressão sobre a Igreja Católica, encerrando a era dos escândalos.

10. Alexandre VI (1492-1503)


Crédito: Wikimedia Commons

Membro da família Bórgia, comprou o título, subornando os cardeais. Foi um investimento: por todo seu papado desviou dinheiro para a família, vendeu posições eclesiásticas, e mandou matar “hereges” para confiscar sua propriedade. Na imaginação popular, ainda hoje "Bórgia" é sinônimo de libertinagem - lenda mais infame é que teria cometido incesto com a própria filha. Mas foi também um grande patrono das artes e aceitou em Roma os judeus expulsos da Espanha em 1492.

9. Urbano VI (1378-1389)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Seu problema era a falta de diplomacia. Austero e propenso a ataques de fúria, era tão detestado que os cardeais elegeram um segundo papa em seu mandato. Isso deu início ao Cisma do Ocidente, quando o catolicismo teve dois líderes rivais, de 1378 a 1417. Isso causou uma guerra civil em Portugal entre facções que apoiavam papas diferentes. Sua "solução" foi mandar torturar os cardeais que o rejeitaram, reclamando que não ouvia gritos o suficiente.

8. Leão X (1513-1521)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Na inauguração de seu mandato, ele mandou pintar um menino em ouro e fazê-lo desfilar em Roma, anunciando uma nova "Era Dourada". A criança morreu, mas a festa continuou. Esse seria seu crime: a ostentação.

Da família Médici, foi criado desde criança para a carreira religiosa, e não parece ter passado por escândalos sexuais. Mas arruinou os cofres da Igreja com sua gastança em arte e arquitetura. O que levou à ideia de cobrar indulgências, pedir dinheiro para absolver os pecados, revoltando certo monge alemão chamado Martinho Lutero. O papa finório nem se incomodou em defender a Igreja do ataque, e o cristianismo seria dividido até hoje.

7. Bonifácio VIII (1294-1303)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Declarou o poder absoluto do pontífice sobre todos os outros governantes. Com seu exército, saqueou e queimou a cidade de Palestrina em 1298, fazendo 6 mil mortos. Foi deposto militarmente pelos franceses.

Curiosamente para quem queria o papa como imperador do mundo, parece que não acreditava em Deus. Segundo o historiador britânico John McCabe, ele teria afirmado diante de bispos, arcebispos e um rei: "Nunca existiu jesus e a hóstia é só água e farinha. Maria não era mais virgem que minha própria mãe e não existe mais problema em adultério que em esfregar uma mão na outra".

6. Clemente VII (1523-1534)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Outro com tara por guerra. Membro da família Médici, suas maquinações políticas levaram à Guerra da Liga de Cognac, em que franceses e italianos enfrentaram espanhóis e alemães. Em 1527, uma tropa alemã-espanhola se amotinou com a falta de pagamento e rumou para Roma, que foi saqueada e arruinada. Com isso, Clemente seria o maior responsável pelo fim da Renascença italiana.

5. Inocêncio IV (1243-1254)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Este não foi condenado por seus contemporâneos. Não se envolveu em nenhum escândalo e o que fez era considerado perfeitamente sensato. Mandou confiscar e queimar todos os talmudes, o livro sagrado extra-bíblico dos judeus - mas tentou evitar que eles fossem linchados pelo populacho e exigiu que os cruzados não os massacrassem.

Mas a parte mais influente de seu legado seria a bula Ad Extirpanda, de 1252. Ela autorizou e regulamentou o uso de tortura pela Inquisição. A regra era que não podia haver mortes ou amputações, e que as execuções seriam feitas por autoridades seculares. Estas podiam confiscar a propriedade como ressarcimento pelo serviço prestado. Não é difícil imaginar a que isso levou: condenações por "heresia" por puro interesse econômico.

4. João XII (955-964)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Num sínodo, em 963, recebeu diversas acusações. Teria fornicado, incluindo com sua sobrinha; estuprado peregrinas; castrado um padre e cegado outro; feito brindes aos deuses e ao diabo. Convocou um sínodo para declarar a si mesmo inocente e mandou mutilar ou matar seus acusadores. Acabou morto por um marido ciumento.

3. Estêvão VI (896-897)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Para agradar aliados políticos, mandou escavar o corpo putrefato do seu pré-antecessor, o papa Formoso, e o pôs num trono para que fosse julgado, no que ficou conhecido como Sínodo do Cadáver. Condenado, o corpo teve os dedos cortados, para que todas suas bênçãos fossem consideradas inválidas. Foi enterrado, desenterrado outra vez e atirado ao rio Tibre. O julgamento causou escândalo e o papa foi preso e estrangulado meses depois.
 
2. Sérgio III (904-911)
 
Crédito: Wikimedia Commons

Julgar cadáveres não era suficiente para Sérgio, que mandou executar seus dois antecessores. Mandou desenterrar outra vez o pobre Formoso, anulou novamente todas suas decisões e providenciou um túmulo mais honrado para Estêvão, que havia morrido em desgraça.

Era também um grande festeiro: seu papado foi o início da “pornocracia”, o domínio das prostitutas com que os papas se cercavam. Com uma delas, Sérgio teve um filho, que se tornaria o papa João XI (ausente nesta lista, felizmente).

 1. Bento IX (1012 - 1056)
 
Crédito: Wikimedia Commons

A razão da pilha de números acima é que o Benedito vendeu seu papado e se arrependeu. O trono papal foi um presente de seu pai, que comprou ou pressionou os cardeais a colocarem ele "na fila". Assumiu pela primeira vez aos 20 anos. Acumulando escândalos e decidido a casar, ofereceu a cadeira a seu padrinho, o padre Giovanni Gratian - ao custo de suas "despesas" com a eleição.

Como o casamento não deu certo, voltou à Roma e conquistou a cidade militarmente. Expulso, faria mais uma vez. Foi acusado de assassinatos, estupros, bestialidade, sodomia... enfim, a ficha corrida média dos piores papas de seu tempo.


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https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/os-10-piores-papas-da-historia.phtml?

25 de agosto de 2018

Jesus existiu mesmo?


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ELE não era rico nem tinha influência política. Também não tinha um lugar para morar. Mas o que ele ensinou influencia a vida de milhões de pessoas. Será que Jesus realmente existiu? O que historiadores e pessoas de destaque, no passado e no presente, disseram sobre a existência de Jesus?
  • Michael Grant, historiador e especialista no estudo de civilizações antigas, escreveu: “Devemos usar para o Novo Testamento o mesmo critério que usamos para outros escritos antigos que contêm informações históricas. Se fizermos isso, teremos de aceitar que Jesus realmente existiu. Se rejeitamos a existência de Jesus, então podemos rejeitar também a existência de vários personagens históricos pagãos que ninguém duvida que existiram.”
  • Rudolf Bultmann, professor universitário de estudos do Novo Testamento, declarou: “A dúvida quanto à existência de Jesus não tem base nem merece ser contestada. Ninguém em sã consciência pode duvidar que Jesus foi o fundador [do cristianismo].”
  • Will Durant, historiador, escritor e filósofo, escreveu: “Seria um milagre ainda mais incrível [do que qualquer milagre registrado nos Evangelhos] que apenas em uma geração uns tantos homens simples . . . inventassem uma personalidade tão poderosa e atraente como a de Jesus, uma moral tão elevada e uma tão inspiradora ideia da fraternidade humana.”
  • Albert Einstein, físico nascido na Alemanha, disse: “Sou judeu, mas fico encantado com a figura luminosa do Nazareno.” Numa ocasião, perguntaram a ele se acreditava que Jesus tinha existido de verdade. Ele respondeu: “Sem dúvida! Ninguém consegue ler o Evangelho sem sentir a presença real de Jesus. A personalidade dele pulsa em cada palavra. Nenhum mito tem tanta vida assim.”
    “Ninguém consegue ler o Evangelho sem sentir a presença real de Jesus.” — Albert Einstein

O QUE A HISTÓRIA REVELA

O registro mais detalhado da vida e do ministério de Jesus está nos quatro livros bíblicos conhecidos como Evangelhos, que foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas várias outras obras antigas e não cristãs citam o nome de Jesus.

Tácito
TÁCITO
(Cerca de 56-120 d.C.) Tácito é considerado um dos maiores historiadores romanos da Antiguidade. Uma de suas obras trata do Império Romano durante os anos 14 a 68. (Jesus morreu no ano 33.) Tácito escreveu que o imperador Nero foi acusado de causar um incêndio que devastou Roma no ano 64. Depois de dizer que Nero pôs a culpa nos cristãos, Tácito escreveu: “O autor do . . . nome [“cristãos”] foi Cristo, que no governo de Tibério foi condenado ao último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos.” (Anais, XV.)

Suetônio
SUETÔNIO
(Cerca de 69–depois de 122 d.C.) Esse historiador romano registrou eventos que ocorreram durante os governos de vários imperadores romanos. Ao falar do imperador Cláudio, Suetônio mencionou conflitos que ocorreram entre os judeus em Roma, provavelmente causados por discussões a respeito de Jesus. (Atos 18:2) Ele escreveu que os judeus que causavam tumultos “por incitamento de Cresto [Cristo, nota], foram expulsos de Roma por ele [Cláudio]”. (A Vida dos Doze Césares, Editora Martin Claret: 2005, p. 263.) Suetônio estava errado ao afirmar que Jesus estava provocando tumultos, mas ele não negou que Jesus existia.

Plínio, o Moço
PLÍNIO, O MOÇO
(Cerca de 61-113 d.C.) Esse escritor romano foi também governador da Bitínia (atual Turquia). Na época, ele escreveu ao imperador Trajano sobre como estava tratando os cristãos na Bitínia. Plínio disse que tentava forçar os cristãos a renunciar sua fé e que executava os que não fizessem isso. Ele escreveu: “Decidi libertar os que . . . repetiram comigo uma invocação aos deuses [pagãos] e adoraram . . . sua imagem [isto é, do imperador], . . . e que, por fim, amaldiçoaram Cristo.” (Cartas de Plínio, * Livro X, XCVI.)

Flávio Josefo
 FLÁVIO JOSEFO
(Cerca de 37-100 d.C.) Em uma de suas obras, esse sacerdote judeu e historiador falou sobre Ananias, um sumo sacerdote judaico com muita influência política. Flávio Josefo escreveu que Ananias reuniu “um conselho, diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus, chamado Cristo”. (Antiguidades Judaicas, Livro XX.)

O Talmude
O TALMUDE
Essa coleção de escritos religiosos judaicos foi produzida entre os anos 200 e 500. Ela deixa claro que até os inimigos de Jesus acreditavam na sua existência. Um trecho do Talmude diz que na “Páscoa Yeshu [Jesus], o Nazareno, foi pendurado”. A história confirma essa informação. (Talmude Babilônico, Sinédrio 43a, Códice de Munique; veja João 19:14-16.) Outra passagem diz: “Que nenhum de nossos filhos ou alunos se envergonhe em público como o Nazareno.” (Talmude Babilônico, Berakoth 17b, nota, Códice de Munique.) “Nazareno” era um título dado a Jesus. — Lucas 18:37.


O QUE A BÍBLIA REVELA 

Os Evangelhos contêm um relato bem abrangente da vida e do ministério de Jesus. Os nomes de pessoas, lugares e períodos específicos mostram que esses relatos são história real. Um exemplo disso está em Lucas 3:1, 2. Esse texto nos ajuda a saber a data exata em que João Batista, que anunciou a chegada de Cristo, começou a sua obra.
“Toda a Escritura é inspirada por Deus.”
 2 Timóteo 3:16

Lucas escreveu: “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César — quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes era governador distrital da Galileia, seu irmão Filipe era governador distrital da região da Itureia e de Traconites, e Lisânias era governador distrital de Abilene —, nos dias do principal sacerdote Anás, e de Caifás, a declaração de Deus chegou a João, filho de Zacarias, no deserto.” Essas informações detalhadas e historicamente corretas nos ajudam a saber que “a declaração de Deus chegou a João” no ano 29.

 As sete pessoas que Lucas citou por nome são bem conhecidas pelos historiadores. Mas nem sempre foi assim. Por um tempo, alguns críticos afirmaram precipitadamente que Pôncio Pilatos e Lisânias não existiram. Só que mais tarde foram descobertas inscrições antigas com o nome desses dois governantes. Assim, ficou claro que Lucas estava certo o tempo todo. *

POR QUE SABER DISSO É IMPORTANTE 

Jesus ensinou sobre um governo chamado “Reino de Deus”

Os ensinos de Jesus são importantes. Por isso, vale a pena saber se ele existiu mesmo. Por exemplo, Jesus ensinou como ser feliz e ter objetivo na vida. * Também falou de um tempo em que os humanos vão viver em paz, segurança e união, debaixo de um único governo: o “Reino de Deus”. — Lucas 4:43.

O termo “Reino de Deus” indica que Deus vai usar esse governo para exercer sua soberania, ou autoridade, em toda a Terra. (Apocalipse 11:15) Jesus deixou isso claro quando fez a oração-modelo: “Pai nosso, que estás nos céus, . . . venha o teu reino. Seja feita a tua vontade . . . na terra.” (Mateus 6:9, 10) O que esse governo vai fazer pelos humanos? Veja algumas coisas:
Algumas pessoas acham que essas promessas não passam de um sonho. Mas não concorda que sonho seria esperar que os humanos melhorassem o mundo? Pense bem: a humanidade já fez progressos incríveis na área da ciência, da educação e da tecnologia. Mesmo assim, milhões de pessoas não sabem o que esperar do futuro. Somos afetados por crises políticas e econômicas, opressão religiosa, ambição e corrupção. Não há dúvidas: o governo do homem é um fracasso! — Eclesiastes 8:9.
Assim, a existência de Jesus é um assunto que merece nossa atenção. A Bíblia diz em 2 Coríntios 1:19, 20: “Não importa quantas sejam as promessas de Deus, elas se tornaram ‘sim’ por meio dele [Cristo].” *



https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/despertai-n5-2016-outubro/jesus-existiu-mesmo/


28 de julho de 2018

A missionária sueca perseguida no Brasil, internada em hospício e 'esquecida' pela História




Frida Maria Strandberg Vingren morreu aos 49 anos, no dia 30 de setembro de 1940, na Suécia, nos braços da filha. Abatida, ela pesava 23 quilos. 

No decorrer dos cinco anos anteriores, entre idas e vindas em um hospital psiquiátrico de Estocolmo, a missionária sueca perdera quase 40 quilos. Ela fora internada pela primeira vez no dia 12 de janeiro de 1935, levada da estação central da cidade, quando tentava tomar um trem que a levaria para Portugal - de onde, acredita-se, pegaria um navio de volta para o Brasil. 

Casada com o sueco que fundou, em Belém do Pará, a Assembleia de Deus, Frida se tornou uma das mais importantes lideranças da igreja no decorrer dos 15 anos em que esteve no Brasil. Ajudou a construir o ministério no Rio de Janeiro, comandava um jornal e pregava em praça pública.

Suas atribuições – muitas até então reservadas apenas aos homens –, entretanto, desagradaram pastores brasileiros e suecos, fizeram com que ela fosse perseguida e pressionada a voltar a seu país de origem, onde teve um fim trágico. 

A história da missionária passou décadas esquecida e, nos últimos anos, vem sendo resgatada tanto na Suécia quanto no Brasil. Foi tema de livro, de tese de doutorado e voltou a alimentar o debate – atual e ainda polêmico – sobre o papel da mulher na Assembleia de Deus, a maior religião pentecostal do país, com 12 milhões de fiéis.

Belém do Pará, onde tudo começou

Frida embarcou para Belém em 1917, aos 26 anos, enviada pela Igreja Filadélfia, uma denominação pentecostal baseada em Estocolmo.

Veio para juntar-se a Gunnar Vingren, que, sete anos antes, havia fundado a Assembleia de Deus no Brasil. Eles haviam se conhecido naquele mesmo ano, quando o missionário estava na Suécia para arrecadar fundos e visitar a família. 

"Ele conta a ela sobre a missão e ela se apaixona pela ideia do Brasil", diz Valéria Vilhena, pesquisadora da Universidade Metodista, que baseou o doutorado na vida da missionária e que lança neste ano um livro sobre sua história.

Três meses depois de desembarcar no Norte do país, ela se casa com Gunnar, em uma cerimônia realizada pelo pastor sueco Samuel Nyström, que, ironicamente, se tornaria um de seus maiores antagonistas. 

No início, Frida restringe seu trabalho aos serviços sociais da igreja, tradicionalmente entregues às mulheres. Cuidar dos filhos, zelar pelos órfãos, visitar os idosos e os doentes. 

A jovem ia com frequência aos centros afastados que isolavam pacientes com hanseníase do restante da população – os chamados leprosários, que surgiram no Brasil naquela época –, diz Kajsa Norell, jornalista sueca autora de Halleljua Brasilien!, lançado em 2011, que conta a história do surgimento da Assembleia de Deus no Brasil.

O marido, missionário "por vocação", na definição de Vilhena, estava constantemente viajando, buscando expandir o trabalho da igreja. A saúde frágil fazia com que ele quase sempre voltasse para casa doente. As particularidades da região que escolheu para pregar não ajudavam: pegou malária diversas vezes.

"Ele ficava muito tempo de cama", diz o sociólogo Gedeon Freire de Alencar, autor de Matriz Pentecostal Brasileira: Assembleias de Deus, 1911-2011 e um dos primeiros a redescobrir a história de Frida, no início dos anos 2000.

Com o tempo, a missionária assume cada vez mais as atribuições de Gunnar em Belém. Talentosa, ela começa a traduzir os hinos da igreja sueca para o português. Canta, toca e começa a pregar.

"Ela transforma os boletins entediantes dos missionários (publicados nos jornais da igreja sueca) em histórias incríveis. Um dos textos conta sobre a prisão que ela visitava toda semana em Belém, que mantinha 200 garotos entre cinco e 20 anos de idade, alguns que estavam ali simplesmente por não terem pai", conta Norell, que passou meses entre os arquivos da Igreja Filadélfia, mantidos em um castelo nas redondezas de Estocolmo. 

Frida passa então a bater de frente com o pastor Samuel Nyström – à frente do jornal da Assembleia de Deus, batizado de Boa Semente –, que era radicalmente contra que as mulheres pudessem pregar.

Em sua correspondência com a liderança da igreja na Suécia, Nyström passa a reclamar da missionária em toda oportunidade que lhe aparece. "Nas cartas que escrevia a Lewi Pethrus (uma das maiores figuras do pentecostalismo sueco) o tom é de fofoca mesmo: 'Hoje ela fez isso e isso, ontem foi isso e isso'", afirma Norell.

Em 1924, com quatro filhos, o casal Frida e Gunnar decide então se mudar para o Rio de Janeiro para fundar um novo ministério. "Eles decidem sair de Belém porque a tensão já era insustentável", ressalta Vilhena. 

O ministério feminino no Rio de Janeiro

Na capital carioca, Frida expande seu trabalho. Torna-se a primeira mulher da religião a dirigir uma escola bíblica dominical, fundada em uma prisão, e inicia o jornal Som Alegre, através do qual passa a defender o ministério feminino.

Seus textos citam com frequência trechos da Bíblia que, em sua visão, deixavam claro que as mulheres poderiam pregar, ensinar ou doutrinar.

O comportamento desagrada também pastores brasileiros, incluindo Paulo Leivas Macalão, gaúcho, de família abastada e com tradição militar, que estava à frente da Assembleia de Deus Madureira, hoje uma das maiores do país.

"Parte dos pastores da igreja no Rio de Janeiro já não queria se submeter ao sueco pobre e semiletrado. A mulher, muito pior", acrescenta Alencar. 

Ele lembra que, no início do século 20, a Suécia era um país pobre, onde a igreja luterana era a religião oficial. Perseguidos, os pentecostais migraram especialmente para os Estados Unidos. Os que vieram para o Brasil escolheram Belém porque, na época, graças à riqueza gerada pela borracha, era uma das cidades mais ricas do país.

A convenção de 1930 e o 'enquadramento'

As tensões culminam na convocação da primeira grande convenção da Assembleia de Deus, realizada no dia 12 de julho de 1930, em Natal (RN).

"O motivo da convocação foi Frida", destaca Isael Araújo, pastor da Assembleia de Deus em Niterói e autor da biografia Frida Vingren, lançada em 2014.

No encontro, os pastores definiram as atividades que poderiam ser desempenhadas pelas mulheres na igreja. Elas não chegaram a ser expressamente proibidas, por exemplo, de pregar - mas a atribuição não estava na lista do que as religiosas "tão somente" poderiam fazer. 

"Foi um enquadramento", acrescenta Araújo, que foi chefe do Centro de Estudos do Movimento Pentecostal (CEMP) da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). Em todo o processo, Gunnar ficou ao lado da esposa e defendeu o ministério feminino, mas foi voto vencido. 

Nos meses que se seguiram, a situação ficou pior. Frida usou seu espaço no jornal da Assembleia para desafiar as decisões tomadas na convenção e para pedir que as mulheres não recuassem. "Um dos textos dessa época tinha como título 'Deus nos convoca para a guerra'. Era uma demonstração direta de insubordinação", diz Alencar.

O clima de conflito fica claro nas cartas trocadas entre os missionários e em outros documentos da época: "Eles (os missionários brasileiros) precisam de homens. De preferência, com as mesmas qualidades de liderança como a de Frida e Adina (Nelson, esposa de Otto Nelson), mas do sexo masculino", escreve o pastor A.P. Franklin no jornal da igreja na Suécia, chamado The Harald. 

A situação escalou depois de um suposto caso de adultério de Frida com um brasileiro. Apesar de não haver uma confirmação documental do romance que a missionária teve com o rapaz, bem mais novo que ela, os indícios levam a crer que isso de fato aconteceu.

"Eu realmente acredito que seja verdade", diz Norell, que entrevistou um dos filhos de Frida e algumas de suas netas enquanto escrevia o livro e que identificou o assunto em cartas enviadas à Suécia "por pessoas que não eram hostis a ela".

O pastor que era 'uma mistura de Edir Macedo com Silas Malafaia'

A situação fica insuportável no Brasil e, em de 1932, o casal, que na época tinha seis filhos, decide retornar à Suécia. Antes de partir, contudo, eles perdem a filha mais nova – e Gunnar morre pouco tempo depois de chegar à Europa.

Frida quer retomar a vida de missionária, mas a liderança da igreja no Brasil não aprova seu retorno. Na Suécia, suas aspirações também são tolhidas por Lewi Pethrus, um dos maiores líderes da igreja pentecostal no país.

Inimigo poderoso, ele era "mistura de Edir Macedo com Silas Malafaia", define o pastor Araujo. A comparação com o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, denominação neopentecostal, e com o pastor do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus, dá conta do espírito "empreendedor" de Pethrus e de sua postura muitas vezes polêmica. 

Em 1964, Pethrus fundaria o partido democrata-cristão sueco – o Kristdemokraterna (KD) –, de centro-direita. 

Diante dos reiterados pedidos de Frida, o líder afirma que seu trabalho no Brasil havia prejudicado a missão e dá-lhe um não definitivo. 

Ela levanta então recursos por conta própria e decide ir para Portugal.

O hospício e o esquecimento

Detida na estação de trem de Estocolmo, ela já sai com uma camisa de força em direção ao hospital psiquiátrico.

A igreja lhe tira a guarda dos filhos e doa todos os seus pertences. 

Para Kajsa Norell, é difícil dizer se, naquele momento, Frida realmente tinha algum tipo de doença psiquiátrica. "Ela estava esgotada, física e mentalmente, já tinha tido malária no Brasil e, provavelmente, sofria de alguma doença na tireoide". 

Em nenhum dos prontuários médicos, contudo, há o diagnóstico de que ela sofria de algum distúrbio mental.

Durante sua pesquisa, a autora percebeu "alguma coisa estranha" nos olhos de Frida. Quanto mais recente a fotografia, mais saltados eles pareciam. A partir dos registros médicos da missionária, especialistas concluíram que ela tinha possivelmente hipertireoidismo – doença que provavelmente a matou. 

Para o pastor Araújo, o conflito direto com as maiores lideranças da igreja está entre as razões para o 'esquecimento' de Frida. Ele nega que a biografia, publicada pela editora da Assembleia de Deus, seja uma ação de reparação à missionária. 

"Gunnar Vingren, o pioneiro da igreja, já tinha uma biografia. A esposa, ainda não. Não quis fazer uma biografia crítica, porque não sou sociólogo", justifica.

Ele diz ter se deparado com a história quando trabalhava no Dicionário do Movimento Pentecostal, em 2007, e viajou à Suécia em 2008. Os diários de Gunnar e parte do acervo que estava com a família, incluindo fotos, hoje se encontram no Brasil.

Na Suécia, a Igreja Filadélfia foi confrontada com a trajetória de Frida quando o livro de Kajsa Norell foi lançado.
"Aquilo era uma novidade completa para nós", diz Gunnar Swahn, que foi secretário de missões da Igreja Filadélfia até recentemente, quando se aposentou. "Foi horrível o que fizeram com ela. Muita gente ficou chocada com a forma como ela foi tratada pelas antigas lideranças".
O livro, ele acrescenta, se soma a outras obras publicadas nos últimos anos na Suécia que revelam traços e atitudes polêmicas de Lewi Pethrus, em relação ao qual a igreja tem hoje uma postura crítica. "Digamos que ele não é idolatrado pelos fiéis, apesar de ainda ser uma figura importante".

Questionado sobre as mulheres, se elas hoje podem ser pastoras, ele se apressa: "Ah, sim! Nós gostamos de pensar que somos uma igreja progressista." 

A BBC News Brasil não teve retorno da Assembleia de Deus Belém sobre o pedido de entrevista e não conseguiu contato com a Assembleia de Deus Madureira, no Rio de Janeiro. 



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