Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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3 de maio de 2020

A sangrenta história das traduções da Bíblia




Direito de imagem Getty Images Image caption John Wycliffe (1330-1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século XIV 



Em 1427, o papa Martinho 5º ordenou que os ossos de John Wycliffe fossem exumados de seu túmulo, queimados e jogados em um rio. Wycliffe morrera havia 40 anos, mas a fúria causada por sua ofensa ainda permanecia viva.

John Wycliffe (1330-1384) foi um dos principais pensadores ingleses do século 14.

Teólogo de profissão, ele foi chamado para assessorar o Parlamento em suas negociações com Roma.

Naquela época, a igreja era todo-poderosa, e quanto mais contato Wycliffe tinha com Roma, mais indignado ele se sentia. Em sua visão, o papado estava envenenado por corrupção e interesses pessoais. E ele estava determinado a fazer algo sobre isso.

Wycliffe começou a publicar panfletos argumentando que, em vez de buscar riqueza e poder, a igreja deveria se preocupar com os pobres.


Em uma ocasião, descreveu o papa como "o anticristo, o sacerdote mundano de Roma e o mais amaldiçoado dos batedores de carteira".

Em 1377, o bispo de Londres exigiu que Wycliffe aparecesse perante sua corte para explicar as "coisas surpreendentes que brotaram de sua boca".


 
Direito de imagem Getty Images 
Image caption Audiência que condenou John Wycliffe foi uma farsa do começo ao fim



O julgamento de Wycliffe na Catedral de São Paulo, em Londres, ocorreu em 3 de fevereiro de 1377.

A audiência foi uma farsa do começo ao fim.

Tudo começou com uma briga violenta sobre se Wycliffe deveria sentar-se ou não. Juan de Gaunt, filho do rei e aliado de Wycliffe, reiterou que os acusados permanecessem sentados; já o bispo exigiu que ele se levantasse.

Quando o Papa ouviu falar sobre o fiasco do julgamento, emitiu uma bula [carta ou documento oficial papal] em que acusou Wycliffe de "vomitar do calabouço sujo de seu coração as mais perversas e condenáveis heresias".

Wycliffe foi acusado de heresia e colocado em prisão domiciliar. Mais tarde, acabou forçado a deixar seu posto como professor do Balliol College, em Oxford.

'Emancipação dos pobres'

Wycliffe dizia acreditar firmemente que a Bíblia deveria estar disponível para todos. Via a alfabetização como a chave para a emancipação dos pobres.

Naquela época, embora partes da Bíblia já tivessem sido traduzidas para o inglês, ainda não havia uma tradução completa do livro sagrado.

As pessoas comuns, que nem falavam latim nem podiam ler, só podiam aprender com o clero. E muito do que eles achavam que sabiam, ideias como o fogo do inferno e o purgatório, não faziam parte das Escrituras.

Assim, com a ajuda de seus assistentes, Wycliffe produziu uma Bíblia em inglês, durante 13 anos, começando em 1382.

Era inevitável que uma reação violenta eclodisse: em 1391, antes que a tradução da Bíblia fosse concluída, um projeto de lei foi apresentado ao Parlamento para proibir a Bíblia em inglês e prender qualquer pessoa que possuísse uma cópia do livro sagrado.

O projeto de lei não foi aprovado - John de Gaunt cuidou disso no Parlamento -, mas a igreja retomou sua perseguição contra Wycliffe.

Mas Wycliffe havia morrido 7 anos antes, em 1384.

Sem alternativas, o melhor que podiam fazer era queimar os ossos [em 1427], de modo que seu túmulo não fosse reverenciado.

O arcebispo de Canterbury disse que Wycliffe tinha sido "aquele canalha pestilento, de memória condenável, sim, o precursor e discípulo do Anticristo que, além de sua maldade, inventou uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna".

Jan Hus

Em 1402, Jan Hus, um recém-ordenado padre tcheco, foi designado para celebrar missas em Praga.

Inspirado pelos escritos de Wycliffe, que então circulavam pela Europa, Hus usou sua posição para fazer campanha pela reforma administrativa e pelo fim da corrupção na Igreja.

Como Wycliffe, Hus dizia acreditar que a reforma social só poderia ser alcançada por meio da alfabetização.

Sendo assim, dar às pessoas uma Bíblia escrita em tcheco, em vez de latim, se tornou imperativo.

Hus reuniu uma equipe de estudiosos e em 1416 surgiu a primeira Bíblia tcheca.

A publicação do livro foi considerada uma provocação direta àqueles que ele chamou de "os discípulos do anticristo" e a consequência era previsível: Hus foi preso por heresia.

O julgamento de Hus, que ocorreu na cidade de Constança (atual Alemanha), é um dos mais espetaculares da história.A audiência teve a presença de quase todos os manda-chuvas da Europa.

Um arcebispo chegou com 600 cavalos; 700 prostitutas ofereceram seus serviços; 500 pessoas se afogaram no lago; e o papa caiu da carruagem em cima da neve.

O entorno era tão apoteótico que a eventual condenação e execução brutal de Hus poderia ser considerada um anticlímax nesta história.

Hus foi condenado como herege e morreu queimado vivo.

Sua morte desencandeou uma revolta popular. Sacerdotes e igrejas foram atacados. Houve retaliação por parte das autoridades. Em poucos anos, a Boêmia entrou em guerra civil.

Tudo porque Jan Hus teve a coragem de traduzir a Bíblia.
William Tyndale

Em relação à Bíblia inglesa, William Tyndale foi outro tradutor famoso que perdeu a vida por causa do livro sagrado.

Ele vivia na Inglaterra do século 16, governada pelo rei Henry VIII.

A tradução da Wycliffe ainda estava proibida e, embora as cópias dos manuscritos estivessem disponíveis no mercado negro, eram difíceis de encontrar e caras de adquirir. A maioria das pessoas ainda não tinha ideia do que a Bíblia realmente dizia.

Mas a impressão em papel estava se tornando mais comum, e Tyndale achou que era o momento certo para uma tradução acessível e atualizada.Ele sabia que poderia criar uma. Tudo o que ele precisava era do financiamento e da bênção da igreja.

No entanto, rapidamente se deu conta de que ninguém em Londres estava disposto a ajudá-lo. Nem mesmo seu amigo, o bispo de Londres, Cuthbert Tunstall.

Mas o clima religioso parecia menos opressivo na Alemanha.

Lutero já havia traduzido a Bíblia para o alemão; a Reforma Protestante estava se acelerando e Tyndale achava que teria mais sucesso com seu projeto ali. Então, viajou a Colônia e começou a imprimi-la.

Sua iniciativa provou-se um erro. Colônia ainda estava sob o controle de um arcebispo leal a Roma.

Quando estava no meio da impressão do Evangelho de São Mateus, descobriu que as autoridades estavam prestes a invadir a gráfica. Rapidamente, pegou seus originais e fugiu.

Essa história se repetia várias vezes. Tyndale passou os anos seguintes esquivando-se de espiões ingleses e de agentes romanos.

Mas ele conseguiu concluir sua Bíblia e as cópias logo inundaram a Inglaterra ─ ilegalmente, é claro.

O projeto estava completo, mas Tyndale era um homem marcado pelas autoridades. E ele não era o único.

O cardeal Wolsey estava fazendo campanha contra a Bíblia de Tyndale. Ninguém próximo a Tyndale estava a salvo.

Thomas Hitton, um padre que conheceu Tyndale na Europa, confessou ter contrabandeado duas cópias da Bíblia para a Inglaterra. Ele foi acusado de heresia e queimado vivo.

Um advogado que mal conhecia Tyndale, Thomas Bilney, também foi jogado nas chamas em 1531.

Richard Bayfield, um monge que havia sido um dos primeiros apoiadores de Tyndale, foi torturado incessantemente antes de ser amarrado à estaca e queimado. E um grupo de estudantes em Oxford foi confinado em uma masmorra, usada para armazenar peixes salgados, até a morte. O fim de Tyndale não foi menos trágico.

Ele foi traído em 1535 por Henry Phillips, um jovem aristocrata que roubara o dinheiro do pai e o perdera em apostas.

Tyndale estava escondido em Antuérpia, sob a proteção quase diplomática da comunidade mercantil inglesa. Phillips tornou-se amigo de Tyndale e o convidou para jantar. Quando deixaram a casa do comerciante inglês juntos, Phillips fez um gesto a criminosos para que Tyndale fosse preso.

Foi o último momento de sua vida em liberdade.

Tyndale foi acusado de heresia em agosto de 1536 e queimado na fogueira algumas semanas depois.Em Antuérpia, a cidade onde Tyndale acreditava estar seguro, Jacob van Liesveldt produziu uma Bíblia em holandês.

Como tantas outras traduções do século XVI, seu ato foi tanto político quanto religioso.

Sua Bíblia foi ilustrada com xilogravuras: na quinta edição, ele representou Satanás com a aparência de um monge católico, com pés de bode e um rosário.

Foi um passo longe demais.

Van Liesveldt foi preso, acusado de heresia e condenado à morte.
 
Uma era assassina


O século XVI foi, de longe, o período mais sangrento para os tradutores da Bíblia.

Mas as traduções sempre geraram - e continuam a gerar - fortes emoções.

Em 1960, a Reserva da Força Aérea dos EUA alertou os recrutas contra o uso da Versão Padrão Revisada recém-publicada na época porque, segundo eles, 30 pessoas em seu comitê de tradução haviam sido "afiliadas às frentes comunistas".

Em 1961, o americano TS Eliot, um dos principais poetas do século XX, opôs-se à Nova Bíblia em inglês e escreveu que "assusta sua combinação do vulgar, do trivial e do pedante".E tradutores da Bíblia ainda estão sendo mortos. Não necessariamente por causa da tradução do livro sagrado, mas por suas atividades como missionários cristãos.

Em 1993, Edmund Fabian foi assassinado na Papua Nova Guiné por um homem local que o ajudara a traduzir a Bíblia.

Em março de 2016, quatro tradutores da Bíblia que trabalhavam para uma organização evangélica dos EUA foram mortos por militantes em um local não revelado no Oriente Médio.

Traduzir a Bíblia pode parecer uma atividade inofensiva, mas a história mostra que não.

*O escritor britânico Harry Freedman é especializado em história da religião. É autor do livro The Murderous History of Bible Translations (A História Assassina das Traduções da Bíblia, em tradução livre).
https://www.bbc.com/portuguese/geral-48403194

18 de abril de 2020

A interpretação bíblica – Idade Média




“A Idade Média foi um deserto vasto no tocante à interpretação bíblica.”
“Não houve concepções novas e criativas acerca das Escrituras.” A tradição da igreja ocupava lugar de relevo, juntamente com a alegorização das Escrituras. Na Idade Média, era comum o emprego de encadeamentos — cadeias de interpretações formadas a partir dos comentários dos pais da igreja. A maior parte dos encadeamentos medievais estava baseada nos pais latinos Ambrósio, Hilário, Agostinho e Jerônimo. Normalmente, o início da Idade Média é associado a Gregório, o Grande (540-604), que foi o primeiro papa da Igreja Católica Romana. Ele fundamentava suas interpretações da Bíblia nos pais da igreja. Não é de surpreender que tenha defendido a alegorização nos seguintes termos: “Que são as palavras da verdade se não fizermos delas alimento para a alma? […] A alegoria equipa a alma que está longe de Deus, alçando-a até ele” (Exposição Sobre Cantares).

Vejamos alguns exemplos de sua alegorização: no livro de Jó, os três amigos são os hereges, os sete filhos de Jó são os 12 apóstolos, as 7 000 ovelhas são pensamentos inocentes, os 3 000 camelos são as concepções vãs, as 500 juntas de bois são virtudes e os 500 jumentos são tendências lascivas. Beda, o Venerável (673-734), teólogo anglo-saxão, escreveu comentários que, em grande parte, eram compilações dos trabalhos de Ambrósio, Basílio e Agostinho; além disso, tinham forte caráter alegórico. Segundo o entender de Beda, na parábola do filho pródigo, o filho representava a filosofia mundana, o pai simbolizava Cristo e a casa do pai era a igreja. Alcuíno (735-804), de Iorque, na Inglaterra, também adotou o sistema alegórico. No comentário que elaborou sobre João, ele seguiu os passos de Beda e reuniu os comentários de Agostinho e Ambrósio, entre outros. Rabano Mauro foi aluno de Alcuíno e redigiu comentários sobre todos os livros da Bíblia.

Valendo-se da alegorização, escreveu que as quatro rodas da visão de Ezequiel representavam a lei, os profetas, os evangelhos e os apóstolos. O significado histórico da Bíblia é leite, o alegórico é pão, o anagógico é alimento saboroso e o tropológico é vinho que alegra. Rashi (1040-1105) foi um literalista judeu da Idade Média que exerceu grande influência sobre as interpretações judaica e cristã, dada a ênfase que colocava na gramática e na sintaxe do hebraico. Ele elaborou comentários sobre o Antigo Testamento inteiro, à exceção de Jó e Crônicas. Afirmou que “o sentido literal precisa ser conservado, a despeito de como possa afetar o sentido tradicional”. A denominação “Rashi” foi tirada das primeiras letras de seu nome: Rabino Shilomo [Salomão] bar [filho de] Isaque. Três autores da Abadia de São Vítor, em Paris, adquiriram o mesmo interesse de Rashi pelo aspecto histórico e literal das Escrituras. Esses homens — Hugo (1097-1141), Ricardo (m. 1173) e André (m. 1175) — eram conhecidos como os vitorinos.

Ricardo e André eram alunos de Hugo. A ênfase dos vitorinos no sentido literal das Escrituras foi uma luz brilhante na Idade Média, André discordava de Jerônimo, que afirmara que a primeira parte de Jeremias 1.5 falava de Jeremias, mas a última parte do versículo falava de Paulo. André disse: “Que tem isso que ver com Paulo?”. Ricardo, por sua vez, preocupou-se mais com o aspecto místico da Bíblia do que os outros dois. Bernardo de Claraval (1090-1153) foi um monge proeminente que elaborou inúmeros trabalhos, dentre os quais figuram 86 sermões apenas sobre os dois primeiros capítulos de Cantares! Sua forma de interpretar a Bíblia caracterizava-se por uma alegorização e um misticismo exagerados. Um exemplo disso é que as virgens de Cantares 1.3 eram anjos, e as duas espadas em Lucas 22.38 representavam os aspectos espiritual (o clero) e material (o imperador).

Joaquim de Flora (1132-1202), monge beneditino, escreveu que a época desde a Criação até Cristo foi a era de Deus Pai, que a segunda era (de Cristo até o ano 1260) foi a de Deus Filho, representada pelo Novo Testamento, e que a era futura (a começar em 1260) seria a do Espírito Santo. Joaquim também escreveu uma harmonia dos evangelhos e elaborou comentários sobre diversos profetas. Stephen Langton (c. 1155-1228), arcebispo da Cantuária, sustentava que a interpretação espiritual é superior à literal. Assim sendo, no livro de Rute, o campo simboliza a Bíblia, Rute representa os estudantes e os ceifeiros são os mestres. Foi Langton quem dividiu a VuJgata em capítulos. Tomás de Aquino (1225-1274) foi o teólogo mais famoso da Igreja Católica Romana da Idade Média. Ele acreditava que o sentido literal das Escrituras era fundamental, mas que outros sentidos apoiavam-se sobre este. Como a Bíblia tem um Autor divino (bem como autores humanos), ela tem um lado espiritual.

“O sentido literal é o que o autor pretende transmitir, mas, como o Autor é Deus, podemos esperar encontrar na Bíblia um manancial de significados. […] O Autor das Sagradas Escrituras é Deus, que tem o poder de expressar o que quer dizer não apenas por meio de palavras (como também o homem pode fazer), mas também por meio de elementos. […] Esse significado, que confere sentido aos próprios elementos representados pelas palavras, é chamado de sentido espiritual, que por sua vez se apóia no literal e o pressupõe” (Summa Theologica, 1.1.10). Aquino também considerava os sentidos histórico, alegórico, tropológico (sentido moral) e anagógico (oculto). Nicolau de Lira (1279-1340) foi figura de relevo na Idade Média por ter sido o elo entre as trevas daquela era e a luz da Reforma. Em seus comentários sobre o Antigo Testamento, ele rejeitou a Vulgata e retomou para o hebraico, mas não conhecia grego. Lutero sofreu forte influência de Nicolau.

Apesar de Nicolau aceitar o sentido quádruplo das Escrituras, tão comum na Idade Média, pouca importância lhe dava, enfatizando o aspecto literal. Neste sentido, foi intensamente influenciado por Rashi. João Wycliffe (c. 1330-1384) foi um extraordinário reformador e teólogo, que acentuava fortemente a legitimidade das Escrituras como fonte de doutrinas e de vida cristã. Portanto, contestava a posição tradicional da Igreja Católica. Ele propôs várias regras de interpretação bíblica: a) consiga um texto confiável; b) entenda a lógica das Escrituras; c) compare os trechos da Bíblia entre si; d) mantenha uma atitude humilde, de busca, para que o Espírito Santo possa ensiná-lo (The Truth of Holy Scripture [A Verdade das Sagradas Escrituras], 1377, p. 194-205). Sublinhando a interpretação gramatical e histórica das Escrituras, Wycliffe escreveu que “tudo o que é necessário na Bíblia está contido em seus devidos sentidos literal e histórico”. Ele foi o primeiro tradutor inglês da Bíblia. E chamado de “a estrela-d’alva da Reforma”.



Fonte: A interpretação Bíblica – Meios de descobrir a verdade da Bíblia.
Roy B. Zuck
Tradução de Cesar de E A. Bueno Vieira
edições vida nova.
pags: 48-51
 
https://www.universalidadedabiblia.com.br/a-interpretacao-biblica-idade-media/?
 
 

14 de novembro de 2019

Cinco Razões Por Que os Historiadores Levam os Evangelhos a Sério




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Há cinco razões por que os historiadores levam o material do Novo Testamento a sério.

Primeiro, os relatos são recentes em relação aos fatos descritos. As narrativas foram escritas muito próximo aos eventos que elas relatam.

Segundo, múltiplos documentos, independentes e de fonte primária corroboram uns aos outros. Além da obras de Mateus, Marcos, Lucas, João, e os escritos de Pedro e Paulo, 17 referências seculares juntamente com vasta evidência arqueológica corroboram os relatos canônicos.

Terceiro, os documentos do Novo Testamento incluem detalhes dos depoimentos de testemunhas oculares: horas do dia, condições meteorológicas, costumes locais, nomes de governantes provinciais, e outras minúcias características de relatos autênticos.

Quarto, os Evangelhos incluem detalhes embaraçosos. Os discípulos de Jesus são mesquinhos, lentos para compreender, arrogantes e infiéis. Pedro nega a Cristo, o restante dos discípulos foge. Mulheres, não respeitadas no mundo antigo, são as primeiras a testemunhar o Cristo ressuscitado. Por que incluir esses detalhes desconcertantes se os Evangelhos são obras de ficção?

Quinto, não havia motivação para os escritores enganarem. Aqueles que mentem, o fazem por interesse próprio. Um testemunho que traz tormento, tortura e execução não se mostra como provável de ser fabricado. Os primeiros discípulos, aqueles que estavam em posição de saber a verdade, selaram seu testemunho com sangue. Pedro escreveu: “Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pet. 1:16). Sua reivindicação corresponde aos fatos. 
 
Na obra de maior sucesso sobre a História, A História da Civilização, Will Duran, historiador ganhador do Prêmio Pulitzer, escreve:

“A Alta Crítica tem aplicado ao Novo Testamento testes de autenticidade tão severos que, através deles, uma centena de preciosidades antigas, como por exemplo Hamurabi, Davi e Sócrates passariam a lendas. Apesar dos preconceitos teológicos dos evangelistas, eles registram muitos acontecimentos que meros inventores teriam escondido: a sua fuga após a prisão de Jesus, a negação de Pedro, o fato de Cristo não ter realizado milagres na Galileia, a atribuição de possível insanidade por parte de alguns ouvintes, a incerteza inicial da sua missão, as suas confissões de ignorância em relação ao futuro, os seus momentos de amargura, o seu choro amargo na cruz.

Ninguém ao ler estas cenas pode duvidar da figura por detrás deles. Pensar que uns simples homens conseguiram, numa geração, inventar uma personalidade tão poderosa e apelativa, tão ética e tão inspiradora, seria um milagre mais incrível do que aqueles registrados nos Evangelhos. Após dois séculos de Alta Crítica, a vida, caráter e ensinos de Cristo continuam razoavelmente claros e constituem a característica mais fascinante da História do homem ocidental.” 
 
“Mas não é o Alcorão também historicamente preciso?” Alguém poderia perguntar. Possivelmente, mas só isso não é suficiente para mostrar vinculação sobrenatural. É necessário algo mais, o que leva ao segundo ponto: diferentemente do Alcorão, a Bíblia é um registro histórico de eventos sobrenaturais.
 
Os documentos históricos dos Evangelhos não apenas registram a reivindicação de Jesus de ser Deus. Eles também documentam fielmente os milagres e a ressurreição dos mortos que fundamentam esta alegação. Os atos poderosos de Jesus dão à sua palavra tremenda autoridade (João 20:30-31).
 
Se essas coisas realmente aconteceram, então Jesus não é um homem comum, e o livro que Ele endossou como de origem divina não é um livro comum. A História em si é aliada dos cristãos. 
 
Em uma dramática reviravolta acadêmica sobre o Novo Testamento nos últimos 50 anos, a maioria dos estudiosos, mesmo os seculares, agora afirmam quatro fatos da História. Primeiro, Jesus de Nazaré morreu numa cruz romana e foi sepultado em um túmulo. Segundo, o túmulo estava vazio na manhã de domingo. Terceiro, várias pessoas (incluindo céticos como Tiago, irmão de Jesus, e Saulo) testemunharam o que eles pensavam ser o Jesus ressuscitado. Quarto, a crença na ressurreição foi a responsável pelo surgimento da igreja primitiva. 
 
Os historiadores apenas não concordam quanto ao que melhor explica esses quatro fatos da história. Mas não há muitas opções. Nenhuma explicação se encaixa melhor na evidência do que aquela dada por aqueles discípulos anteriormente covardes, mas que agora colocam suas vidas em risco por este testemunho: Aquele que foi morto está vivo. Ele ressuscitou. 
 
Sim, a Bíblia registra eventos sobrenaturais na história para apoiar suas reivindicações. E os documentos do Novo Testamento são os melhores documentos históricos do mundo antigo, quando examinados pelo padrão de pesquisa histórica livre das pressuposições naturalistas (anti-sobrenaturais). 
 
 
Adaptado de: Solid Ground/Stand to Reason (Greg Koukl)
https://lerpracrer.wordpress.com/2011/10/06/cinco-razoes-porque-os-historiadores-levam-os-evangelhos-a-serio-2/
 
 
 

3 de novembro de 2019

Céu para os Ímpios?


Resultado de imagem para Céu para os Ímpios? 
 
 
Publicado por bibliaco em 26 de julho de 2017
 
Recentemente, Charles Colson, um dos principais escritores evangélicos, apontou:
Em junho, uma pesquisa do Pew Forum on Religion e Public Life encontrou uma ignorância doutrinária desenfreada entre os cristãos americanos. Cinquenta e sete por cento dos evangélicos acreditavam que pessoas que seguem religiões além da sua, podem desfrutar da vida eterna.

Os resultados foram tão inesperados que Pew repetiu a pesquisa, fazendo perguntas mais específicas. As respostas foram praticamente inalteradas. Surpreendentemente, cerca de metade acreditava que todos, incluindo os ateus, iriam acabar no céu. Céu para os ímpios? Essa é a antiga heresia do universalismo (2009).
O pensamento de muitos que professam uma identificação com alguma forma de “cristianismo” tornou-se bastante comum, algo como estar na moda.

Se pudermos emprestar uma expressão de Salomão, “não há nada novo sob o sol” (Eclesiastes 1:9); As mesmas antigas heresias apenas passam por uma cirurgia plástica teológica superficial – ou para usar outra metáfora, são recicladas. Refletem sobre várias ideias antigas com novos rostos.
 
Universalismo

O Universalismo afirma que haverá a salvação final e completa de todos os seres. O dogma foi ensinado por alguns dos escritores da igreja primitiva, por exemplo, Clemente e Orígenes de Alexandria, que viveram no meio do segundo ao meio do século III dC. Não existe uma base bíblica para esse dogma.

No entanto, a maioria das pessoas parece estar inclinada à noção de que quase todos – se não literalmente todos – serão salvos em última instância.
 
Pós-modernismo

A expressão “pós-modernismo” não é encontrada no livro de Van Harvey, Manual de Termos Teológicos , publicado em 1968. É uma designação relativamente nova. O pós-modernismo nega a verdade universal.

Supostamente, a verdade é como cada indivíduo se sente sobre as coisas, e não como elas realmente são. Portanto, supostamente não existe um evangelho exclusivo e verdadeiro. Os fatos do cristianismo devem ser redefinidos por um novo vocabulário na pregação, na escrita e na adoração. Esta é uma ideologia errada.
 
A Igreja Emergente

A chamada “igreja emergente” é o enteado do pós-modernismo. Esta ideologia afirma que é arrogante acreditar que alguém conhece a verdade; Em vez disso, a “verdade” é apenas determinada subjetivamente, sendo modelada pela cultura, não pela Escritura.

É afirmado que cada pessoa deve encontrar seu próprio caminho para Deus e não ser viciada em “bibliolatria”. Isso soa como a filosofia dos rebeldes que viveram na era das trevas da história de Israel (Juízes 21:25).

O “emergente” acredita que todos são arrogantes que não se inscrevem em sua visão elástica da verdade. Ele absolutamente sabe que não se pode conhecer a verdade absoluta.

Várias dessas ideias aberrantes encontraram caminho para as igrejas que antes eram conservadoras. Por exemplo, é argumentado por um número crescente que não podemos declarar como verdade do evangelho que aqueles que estão errados estão em desacordo com o nosso ensino “tradicional”. Todo o ensino agora é declarado como uma mera tradição, como por exemplo o batismo.

Igrejas “emergentes” estão reestruturando o formato de adoração. A ceia do Senhor é oferecida em conjunto com eventos especiais, por exemplo, casamentos.

O memorial da comunhão não se restringe ao dia do Senhor; Em vez disso, os grupos ultrapassam o padrão bíblico e fornecem-no nos dias de semana, ignorando um Novo Testamento que está subordinado à verdade histórica, a saber, a ressurreição do Senhor no domingo.

A questão da música está bem aberta entre um número crescente de igrejas. Uma igreja proeminente em Dallas (que uma vez hospedou uma escola de pregação respeitada) anunciou recentemente uma vaga para “ministro de louvor”. Uma das exigências era que ele deveria poder tocar violão ou o teclado eletrônico.

Coros, equipes de louvor, palmas para acompanhar o canto, etc., estão se tornando uma tarefa padrão em várias igrejas. O desempenho complementa rapidamente a adoração congregacional. A autoridade bíblica cede ao emocionalismo. É a nova “adoração” (Colossenses 2:23).

Estes são tempos difíceis para o corpo de Cristo. Mas não é um momento de desespero. Em vez disso, homens e mulheres corajosos devem manter o navio de Sião em um caminho direto (e estreito) dentro dos limites da verdade divina. A verdade prevalecerá apesar dos ventos da mudança – e estatísticas irrelevantes.
 

Publicado por bibliaco em 26 de julho de 2017
https://bibliacomentada.com.br/index.php/ceu-para-os-impios/?
 
 
 

31 de outubro de 2019

Disciplina eclesiástica, uma marca da verdadeira igreja que precisa ser restaurada






João Calvino e Disciplina Eclesiástica


Vivemos em uma época onde as igrejas estão se adaptando ao mundo. As igrejas que deveriam influenciar, estão sendo influenciadas.

O mundo pós-moderno e relativista ensina que não existe um padrão de conduta absoluto, uma regra a qual todos devem se submeter e serem julgados. Sendo assim, ninguém deve se intrometer na vida do próximo. Ninguém precisa dar satisfação de suas escolhas. O mundo redefiniu o amor. Segundo o mundo, o amor não é querer e fazer o bem ao próximo segundo a Escritura, mas fazer com o que os outros sintam -se bem como estão, seja no pecado ou não.

Infelizmente, muitas igrejas em nome de um falso amor, mantém em seu rol de membros pessoas entregues ao pecado, que vivem em contradição com a fé que professam. Disciplinar virou sinônimo de ódio e não de amor como diz a Escritura( hb 12.6-7); Ap 3.19).

Pastores temerosos de esvaziarem suas igrejas, preferem manter membros em pecados visíveis dentro delas. Isso revela uma falta de temor e confiança em Deus, mas um temor aos homens e confiança em seus própios métodos. A ideia de alguns é: “Se você está interessado no crescimento da igreja, enchendo-a de pessoas, a disciplina não é um bom metodo.” Infelizmente, isso parte de pessoas carnais, que usam métodos carnais para atrair e manter as pessoas dentro das igrejas. Esses querem ser mais sábios e mais poderosos do que Deus, pois eles não creem no que Deus estabeleceu na Escritura sobre a Igreja. O pragmatismo é uma substituição da Bíblia, que determina que a igreja deve ser conduzida visando os melhores resultados.

Mas a igreja não é nossa, é de Cristo e deve honrar a Cristo. Não somos nós que edificamos a igreja à nossa maneira, mas Cristo edifica a Sua igreja de acordo com sua autoridade revelada na Bíblia. Nós devemos ser obedientes aos métodos de Cristo, não criadores dos nossos métodos

A Igreja não deve ser influenciada pela sociedade. A Igreja tem um Senhor que por sua Palavra a governa, Deus. Não é a sociedade, nem os pastores que determinam o que e certo e errado, o que pode e não pode, mas a Palavra de Deus. É a Escritura que julgar a conduta do povo de Deus. Quando alguém decide o que fazer com um pecador negando a disciplina devida, essa pessoa se coloca no lugar de Cristo, roubando a Sua autoridade e governo sobre a igreja: “Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” ( Mt 18.15- 20). O nosso Senhor Jesus Cristo deixa claro como proceder em relação a disciplina eclesiástica, sendo assim fazer diferente do que Ele ordenou é está em desobediência ao Senhor da Igreja.

Esse é o interesse de nosso Senhor para a Igreja: ela precisa tratar com o pecado em seu meio. Cristo comprou a Igreja com seu precioso sangue, Ele está santificado-a. Ele faz isso em nós e através de nós. Paulo disse: “Para vos apresentar como virgem pura a um só esposo, que é Cristo”.


A igreja não deve somente pregar contra pecado, mas agir contra o pecado em seu meio.
Em 1 Coríntios 5: Paulo diz que devemos lançar fora o fermento que leveda toda a massa, excluir o homem imoral; e em 2 Tessalonicenses 3.6-15 somos instruídos, como igreja, a excluir alguém que é contencioso ou transgressor da verdade.
Em Mateus 18.17: O nosso Senhor Jesus Cristo ordena que depois de todas as tentativas para restaurar o transgressor forem feitas sem sucesso, ele deve ser excluído da igreja e considerado como um ímpio que precisa ser evangelizado.

Toda disciplina é amor. O alvo da disciplina é a restauração do pecador, é tira-lo do caminho que conduz a perdição, e traze-lo de volta para o caminho da salvação ( Mt.18. 12-14; Gl 6.1;Ap 3.19 ;1 co 5.5)

A igreja que não disciplina não está praticando o amor, negar confrontar o pecado de alguém é negar-lo o amor, é desvaloriza-lo como alguém que Cristo comprou por infinito valor. Infelizmente, muitos por amarem mais a si mesmos não amam ao próximo, preferem ver pessoas caminhando para a perdição do que arriscar perder amizades. Preferem ver a igreja destruída pelo pecado do que arriscar perder alguns membros não convertidos.

A Igreja é uma comunidade de pessoas que foram salvas e estão sendo santificadas, que amam umas as outras e estão caminhando juntas rumo a Glória celestial. O processo disciplinar faz parte da santificação.

A Igreja não é um lugar para se acomodar aos não-salvos, dando a eles conforto, mas para incomoda-los a abandonarem seus pecados e a crerem em Cristo como Senhor e Salvador. A Igreja não é o mundo onde cada um faz o que quer sem dar satisfação a ninguém. A Igreja é o corpo de Cristo onde cada membro é importante para o outro. Se alguém não quer dar satisfação de sua vida ou se importar com a vida dos outros, a igreja não é o seu lugar.

“O exercício da disciplina na igreja é algo tão importante que o reformador João Calvino a considerou, ao lado da proclamação da Palavra e da administração dos sacramentos, uma das marcas que distinguem a igreja verdadeira da falsa.” Solano Portela.

O reformador João Calvino afirmou que disciplina na Igreja é “como um freio com o que são detidos e domados os que se revoltam contra a doutrina de Cristo; ou como um aguilhão que estimula os que são negligentes e preguiçosos; ou às vezes, a modo de castigo paterno, para castigar com clemência e conforme a mansidão do espírito de Cristo aos que falharam gravemente” ( Institutas da Religião Cristã, Vol 4, Cap 12, pg 1).

Em outro local Calvino afirma: “Assim como a doutrina de Cristo é a vida da Igreja, também a disciplina é semelhante aos nervos da Igreja, porque dela depende a coesão dos membros do corpo, estando cada um no seu próprio lugar”.

João Calvino introduziu em Genebra a organização e a disciplina da igreja. Era a visão predominante entre os Protestantes que a função da igreja era pregar o evangelho e administrar os sacramentos, deixando completamente às autoridades civis o lidar com as ofensas. Calvino não conseguia entender essa visão. A Igreja não deveria apenas pregar o evangelho, disse ele, mas cuidar para que o evangelho seja vivido entre aqueles que a constituem. O único instrumento pelo qual esse dever pode ser executado é a disciplina. Disciplina espiritual, é claro; pois a igreja é um corpo espiritual. Somente as penalidades espirituais poderiam ser infligidas, culminando com a exclusão das ordenanças da Igreja ou com a excomunhão.

Segundo B.B Warfield : “A purificação da Igreja por meio da disciplina teve o seu efeito sobre o estado. O fermento fermentará a massa na qual ele é colocado. Uma igreja santa tende a promover uma comunidade moral, e Calvino não foi escasso na pregação de que entre os deveres cristãos está o dever da boa cidadania. E, como subproduto dos trabalhos de Calvino, Genebra se tornou uma comunidade moral notável: as leis sumptuárias se tornaram, ao contrário daquelas de muitos ao redor, saudáveis e sãs, e sua execução se tornou justa e honesta. “

Quando a Igreja é santa, seus membros são influências positivas na sociedade. Uma sociedade em decadência moral, necessita de uma Igreja com um padrão absoluto de moralidade onde os seus membros aplicam a Palavra de Deus em todas áreas de suas vidas.

Com estabelecimento da disciplina da igreja em Genebra, Calvino iniciou uma ruptura entre a Igreja e o Estado, cujo efeito final o tornou o pai do princípio de uma igreja livre em um estado livre. John Knox dá o seu testemunho do resultado: “Em outros lugares eu confesso que Cristo é pregado, mas os costumes e a religião sendo tão sinceramente reformados eu não vi em nenhum outro lugar”.
Houve um conflito em Genebra em torno da proteção da Ceia do Senhor contra os participantes indignos.
“Durante seu primeiro ministério na cidade, ele se recusou a ministrar a Ceia do Senhor por causa das maldades da cidade. Cidadãos libertinos reagiram contra seu zelo inflexível, dando o nome de Calvino a seus cachorros, e ele foi expulso da cidade por três anos. Ao retornar, Calvino estabeleceu um tribunal da Igreja, composto de seis pastores da cidade e de doze presbíteros de suas congregações, que se reuniam cada quinta-feira para disciplinar “todo tipo de malfeitor, sem acepção de pessoas””. (Revista: os puritanos).
Assim como João Calvino em Genebra, a disciplina eclesiástica precisa ser restaurada em em muitas igrejas. Quando muitos pastores e membros voltarem a Escritura aplicando a disciplina eclesiástica junto com a exposição fiel da Bíblia, teremos igrejas cheias, não de pessoas não convertidas, mas de crentes genuínos que poderão influenciar moralmente a nossa sociedade decadente.

 
Sola Scritura.

Por Thiago da Silva Vieira
https://teologiapresbiteriana.home.blog/2019/10/30/disciplina-eclesiastica-uma-marca-da-verdadeira-igreja-que-precisa-ser-restaurada


24 de abril de 2019

A profecia sobre Ciro




A pessoa e carreira de Ciro II são bem conhecidas pelos registros históricos de Heródoto em Guerras Persas, Xenofonte nas Crônicas de Nabonido e na Narrativa em Versos Persas. Sua primeira campanha militar contra Creso, rei da Lídia, em 546 a.C., também está implícita na predição de Isaías (Is 45.3). Então, em 12 de outubro de 539 a.C., Ciro lançou uma invasão contra Nabonido, rei da Babilônia. Tanto Heródoto quanto Xenofonte descrevem como Ciro sitiara a cidade, mas sua ação fora escarnecida pelos babilônios, que tinham acumulado anos de reservas, pois há muito esperavam uma invasão persa. A arrogância dos bem abastecidos babilônios está retratada no livro de Daniel. Este profeta registrou que mais de mil nobres atenderam um grande banquete, enquanto Ciro e seu exército estavam acampados fora dos muros da cidade (Dn 5.1), fato também notado por Heródoto em Xenofonte. Aqui Daniel não menciona Nabonido, mas o filho dele, Belsazar, cuja função foi confirmada pela descoberta arqueológica de uma inscrição cilíndrica num dos quatro cantos do zigurate em Ur. Nesta inscrição de Nabonido, pertencente ao século VI a.C., Belsazar é chamado de filho primogênito de Nabonido e acha-se incluso na oração do rei, ato reservado somente à realeza.

No banquete de Belsazar foram usados alguns dos utensílios sagrados do Templo de Jerusalém, talvez para mostrar que os deuses da Babilônia eram superiores no propósito de fomentar a moral cívica (Dn 5.2-4). Esta ação era em si profética dos eventos futuros, visto que Ciro foi profetizado como aquele que derrotaria a Babilônia e restituiria esses utensílios (Ed 1.7- 11; Is 52.11,12). Depois de Daniel ter interpretado a misteriosa escrita que apareceu na parede durante o banquete, ele profetizou que a Babilônia cairia diante de Ciro (Dn 5.28). Daniel observou que esta profecia foi cumprida “naquela mesma noite”, quando o exército persa invadiu a cidade num ataque surpresa. Na descrição que Heródoto e Xenofonte fizeram sobre como tudo aconteceu, eles confirmam a declaração de Daniel de uma invasão rápida e inesperada. Esses historiadores registram que o ataque veio depois que o exército persa desviou o curso das águas do rio Eufrates, o que fez com que o nível do rio sob os muros da cidade baixasse, tornando o leito do rio acessível às tropas. Desta forma, Ciro subiu ao trono e cumpriu a profecia a longo prazo de Isaías e a profecia a curto prazo de Daniel.

O decreto de Ciro

No primeiro ano do seu reinado (538 a.C.), Ciro emitiu o decreto que permitiu aos judeus cativos voltarem a Jerusalém e reconstruírem o Templo: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu Deus com ele, e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do SENHOR, Deus de Israel; ele é o Deus que habita em Jerusalém. E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias para a Casa de Deus, que habita em Jerusalém (Ed 1.2-4). Documentos antigos nos revelam que as leis dos medos e dos persas eram inalteráveis e difusas. Como Alan Millard observou: “Onde quer que o rei Persa estivesse, lá estava o governo, pois tudo dependia da sua lei. Assim, quando ele fazia uma proclamação tinha de ser levada a toda parte do império a que dizia respeito”.

Esdras dá um exemplo disto ao citar a lei do rei Dario, que amaldiçoou aqueles que procurarem alterar a lei de Ciro, que protege os judeus que voltaram para reconstruir o Templo (Esdras 6.1-12). Em 1973, os arqueólogos franceses acharam uma grande esteia persa num templo grego em Xantos, Turquia, escrita em aramaico, grego e lício, que em termos estruturais é bem parecida com o decreto registrado em Esdras. Os arqueólogos ainda têm de encontrar uma cópia do decreto de Ciro como está preservado no Antigo Testamento. Contudo, já descobriram um cilindro de pedra inscrito em caracteres cuneiformes que fornece significativos paralelos persas a certos aspectos da narrativa bíblica. Este registro em caracteres cuneiformes é conhecido como o Cilindro de Ciro. Seu texto começa quase igual ao registro bíblico, com Ciro dando crédito ao seu deus Merodaque por tê-lo escolhido para uma tarefa especial e exaltado a uma posição a fim de poder executá-la. Também semelhante à profecia de Isaías, o texto do cilindro diz que Ciro afirma que o seu deus “pronunciou o nome de Ciro, rei de Ansa, [e] pronunciou o seu nome para ser o governante de todo o mundo”. De maneira muito semelhante, Deus chamou Ciro pelo nome e o pronunciou governante (Is 45.1,2).

Isaías tinha dito que Ciro, como ungido (literalmente, “messias”) de Deus, cumpriria “tudo o que me [a Deus] apraz” (Is 44.28). No cilindro, Ciro proclama que os deuses “Bei e Nebo amam” seu governante e o querem como rei para “agradar seus corações”. De maior interesse ainda são as declarações do cilindro pertinentes à política persa em relação aos povos cativos, como os israelitas, e aos seus objetos rituais sagrados que lhes foram saqueados: […] Voltei às cidades sagradas do outro lado do rio Tigre, os santuários [dessas cidades] que por muito tempo estiveram em ruínas, as imagens que [costumavam] estar nesses lugares, e estabeleci para elas santuários permanentes. [Também] reuni todos os seus [antigos] habitantes e [os] fiz voltar às suas habitações. Além disso, repus, sob o comando de Merodaque, o grande senhor, todos os deuses da Suméria e da Acádia que Nabonido trouxera para a Babilônia sob a ira do senhor dos deuses, incólumes, em suas [antigas] capelas, os lugares que os fizeram felizes.

Que todos os deuses que recoloquei nas suas cidades sagradas roguem diariamente a Bei e a Nebo por vida longa para mim e que eles me recomendem […] a Merodaque, meu senhor, que eles digam assim: Ciro, o rei que o cultua, e Cambises, seu filho, […] todos eles coloquei num lugar de paz. Os babilônios capturaram os utensílios sagrados do Templo de Jerusalém e os levaram a Sinar, onde localizava-se o templo dos babilônios (Dn 1.2). Este procedimento estava de acordo com o costume dos conquistadores que levavam embora os ídolos dos deuses das cidades conquistadas, a fim de mostrar o poder superior dos seus próprios deuses. Os babilônios também profanaram esses utensílios em zombaria ao Deus de Israel (Dn 5.1-4). Ciro, consoante à política persa refletida no Cilindro de Ciro, respeitou os deuses dos cativos estrangeiros e devolveu todos os utensílios do Templo quando permitiu que os judeus voltassem à sua pátria e reconstruíssem o Templo (Ed 1.7-11).

Esta passagem revela que os persas tinham mantido inventário preciso destes artigos (5.400, ou 5.469 segundo a Septuaginta) quando os restituíram aos israelitas. Isaías e Jeremias haviam profetizado que estes utensílios seriam devolvidos pela Babilônia com segurança (Is 52.11,12; Jr 27.16—28.6). Quando Ciro transferiu os utensílios para o sacerdote Sesbazar de Judá (Ed 1.7-11), ele cumpriu estas profecias. Este não é o único exemplo no qual a arqueologia confirmou o cumprimento da profecia bíblica. Os profetas do Antigo Testamento e Jesus no Novo Testamento pronunciaram julgamentos que a pá do arqueólogo revelou terem- se cumpridos muito literalmente.


Fonte:
A estatística da probabilidade profética calculou que as chances do cumprimento de 11 profecias eram de 1 em 5,76 x 10 . Este resultado astronômico foi colocado em condições práticas por Peter W. Stoner, Science Speaks: An Evaluation of Certain Christian Evidences (Chicago: Moody Press, 1963), pp. 95-98. Para as probabilidades proféticas de algumas das profecias alistadas neste capítulo, vide Josh McDowell, Evidence That Demands a Verdict: Historical Evidences for the Christian Faith, edição revista (San Bernardino, Califórnia: Here’s Life Publishers, Incorporated, 1986), volume 1, pp. 318-320

Universalidadedabiblia 
https://www.universidadedabiblia.com.br/a-profecia-sobre-ciro/?


17 de janeiro de 2019

Quem eram os assírios na Bíblia?


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Os assírios eram um povo violento e cruel que conquistou vários países, incluindo o reino de Israel. O império assírio foi a maior potência de seu tempo e foi usado por Deus para castigar os israelitas. O reino de Judá sobreviveu como vassalo do império assírio. Quando o império ruiu, os assírios foram conquistados pelos babilônios.

Os assírios eram de uma região a norte de Israel, que atualmente é o norte do Iraque. Sua capital era Nínive, que se situava perto da cidade moderna de Mosul. Entre 900 e 600 a.C., Os assírios conquistaram um vasto império, de um tamanho nunca visto antes, e dominaram politicamente toda a região à volta de Israel. O império assírio se tornou uma grande ameaça para os israelitas, que sofreram muitos ataques.

A força do império assírio estava no seu exército organizado e tecnologicamente avançado. Eles também usavam o terror para intimidar os inimigos, se tornando famosos por sua brutalidade contra quem derrotavam. Para manter os povos conquistados subjugados, os assírios criaram uma política de deportações. Eles obrigavam povos conquistados a viver em outras partes do império, perdendo sua identidade nacional e união para se revoltarem.

Os assírios atacam Israel

Depois do reinado de Salomão, os israelitas se dividiram em dois reinos: Israel, a norte, e Judá, a sul. Alguns dos reis de Judá foram bons mas todos os reis de Israel foram ruins. O povo se afastava cada vez mais de Deus e não escutava os avisos dos profetas, que chamavam para o arrependimento. Por isso, Deus avisou que iria castigar Seu povo, através da ação de um inimigo vindo do norte. Os israelitas não escutaram os avisos e continuaram em seus maus caminhos.

Os assírios começaram a expandir seu território e a atacar toda a região em volta de Israel. Os reis de Israel e Judá fizeram várias alianças com os assírios para manter sua independência, pagando-lhes tributos e jurando fidelidade. Mas Oséias, o último rei de Israel, traiu Salmaneser, o rei da Assíria, conspirando com o faraó do Egito (2 Reis 17:3-4).

Quando Salmaneser descobriu a traição, enviou seu exército para conquistar o reino de Israel. Os israelitas foram derrotados e deportados para outras partes do império assírio, onde acabaram por se misturar com outros povos, perdendo sua identidade (2 Reis 17:5-6).

O rei da Assíria repovoou a região de Israel com povos de outras partes do império. Essas pessoas misturaram suas crenças pagãs com a adoração a Deus (2 Reis 17:24; 2 Reis 17:32-33). Foi a partir dessas pessoas que surgiram o samaritanos, um grupo que seguia uma religião parecida com o Judaísmo, mas com algumas diferenças importantes.

Ezequias e os assírios

Depois da conquista de Israel, o reino de Judá continuou. Ezequias, rei de Judá, era temente a Deus e foi abençoado. Ele se rebelou contra o rei da Assíria, parando de pagar tributo. Por isso, os assírios atacaram Judá e sitiaram Jerusalém. Senaqueribe, o rei da Assíria, enviou uma mensagem arrogante a Ezequias insultando a Deus e dizendo que ninguém o poderia livrar de suas mãos (2 Reis 18:35).

O povo ficou desmoralizado mas Ezequias enviou mensageiros ao profeta Isaías para pedir ajuda a Deus. Suas orações foram respondidas e Deus prometeu livrar o reino de Judá das mãos dos assírios, para mostrar Seu poder (2 Reis 19:21-22). Senaqueribe ouviu que o rei do Egito estava vindo para lutar contra ele, então ele se retirou e levantou o cerco.

Mas Senaqueribe não desistiu. Ele voltou a sitiar Jerusalém mais tarde, prometendo acabar com Ezequias. Novamente Isaías profetizou a libertação da cidade e Deus matou 185 mil soldados assírios em uma única noite! Então Senaqueribe se retirou e voltou para Nínive. Lá, ele foi assassinado por dois de seus filhos (2 Reis 19:35-37).

O fim dos assírios

Os assírios continuaram como uma ameaça ao reino de Judá até o surgimento do império babilônico. Os babilônios conquistaram o império assírio e puseram fim à sua dominância. Os assírios se tornaram mais um povo conquistado e desapareceram quase completamente.

Deus usou os assírios para castigar Israel mas também tinha avisado que iria castigar a Assíria por sua crueldade. Os assírios foram usados por Deus mas não tinham o coração voltado para Ele (Isaías 10:5-7). Seu objetivo nunca foi glorificar a Deus e eles cometeram pecados terríveis. Por isso, eles foram castigados e destruídos.


https://www.respostas.com.br/assirios-quem-eram/


4 de setembro de 2018

LEI DE MOISÉS X CÓDIGO DE HAMURABI: PLÁGIO OU PARALELISMO?





Partindo desse questionamento os ateus militantes contestam a autoria divina das Leis mosaicas. Eles alegam que Moisés conhecia o Código de Hamurabi (conjunto de leis criadas na Mesopotâmia) e o utilizou para formular as Leis que aparecem na Torá (primeiros cinco livros da bíblia). Depois Moisés teria mentido aos hebreus dizendo que as Leis tinham sido entregues pelo próprio Deus. 

Os ateus se baseiam em certas semelhanças entre o Código de Hamurabi e as Leis de Moisés. O raciocínio deles é bem simples:

“O Código de Hamurabi é mais antigo que a Torá. O Código de Hamurabi e a Torá possuem pontos em comum. Logo, a Torá é um plágio do Código de Hamurabi”. 
É um monumento monolítico talhado em rocha de diorito , sobre o qual se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme acádica, com 282 leis em 3600 linhas. A numeração vai até 282, mas a cláusula 13 foi excluída por superstições da época. A peça tem 2,25 m de altura, 1,50 metro de circunferência na parte superior e 1,90 na base

Obviamente isso não é suficiente para provar que Moisés plagiou Hamurabi, mas os neo-ateus não querem nem saber.
Eu poderia usar o mesmo argumento dessa forma:

"A Constituição dos Estados Unidos tem pontos em comum com a Constituição brasileira. A Constituição dos Estados Unidos é mais antiga que a do Brasil. Portanto a Constituição brasileira certamente foi COPIADA da Constituição dos Estados Unidos "

Isso faz sentido? Evidente que não! Mas é mais ou menos isso o que os neo-ateus estão dizendo no caso da Lei mosaica. 

É claro que existem algumas semelhanças entre esses dois conjuntos de leis, como, por exemplo, o fato de Hamurabi e Moisés terem adotado a “lei de talião”. A “lei de talião” na verdade é um conceito de aplicação de pena que visa dar ao criminoso uma punição semelhante ao crime que ele cometeu. É o famoso “olho por olho, dente por dente”. Por exemplo: se o criminoso matou, ele deve morrer. Se furou o olho da vítima, deve ter seu olho perfurado também. O castigo deve ser semelhante ao crime. É uma tentativa de estabelecer uma proporção entre o dano que o crime causou e a punição ao criminoso.

É normal que em sociedades parecidas (como era o caso dos israelitas e babilônios), as leis também tenham certas semelhanças (isso acontece até nos dias de hoje em várias nações). 

Porém também existem diferenças entre as Leis mosaicas e Hamurábicas:
  • O Código de Hamurabi é formado por 282 leis
  • A Lei mosaica tem 613 leis (mais que o dobro)
  • O Código de Hamurabi é puramente civil
  • A Lei mosaica, além de possuir leis civis, também possui leis religiosas
  • A Lei mosaica também possui um padrão moral muito superior ao do Código de Hamurabi
A Lei mosaica não fazia distinção de classes sociais na hora do julgamento. Não importa se o cidadão era pobre ou rico – ele seria julgado da mesma forma: 

“Não cometam injustiça num julgamento; não favoreçam os pobres, nem procurem agradar os grandes, mas julguem o seu próximo com justiça” (Lv 19.15). 

Já o Código de Hamurabi previa penas médias para ricos que prejudicavam os pobres e penas severas para os pobres que prejudicavam os ricos (Seção 196 – 205)

Se porventura alguém abrigasse um escravo foragido, ou o ajudasse em sua fuga, receberia pena de morte, de acordo com o Código de Hamurabi (Seção 15, 16)

A Lei mosaica, por sua vez, dizia que você não era obrigado a devolver o escravo (Dt. 23.15). Isso faz sentido, pois os escravos geralmente fugiam de senhores que os maltratavam. 

Crimes contra a propriedade eram punidos com a morte pelo Código de Hamurabi (Seção 6)

A Lei mosaica fazia com que o ladrão restituísse tudo o que roubou (Êxodo 22.3)

Conclusão: Como se vê, a Lei mosaica não parece ser uma cópia do Código de Hamurabi, como afirmam os neo-ateus, mas somente um conjunto de leis com alguns pontos em comum ou semelhantes. Existem muitos pontos diferentes também. Em alguns pontos as diferenças são gritantes. Não há absolutamente nenhuma base convincente para sustentar a afirmação dos ateus militantes. O fato de a Lei mosaica também ter adotado a lei de talião não prova que Moisés cometeu plágio, até porque a lei de talião vigorou em muitas legislações remotas, sendo muito comum na Idade Média, inclusive. Será que todas essas legislações plagiaram o Código de Hamurabi? Acho muito improvável!


Fonte: http://neoateismodelirante.blogspot.com.br/2014/09/as-leis-mosaicas-foram-baseadas-no.html 



3 de setembro de 2018

Lei de Moisés para o cristão?!

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Muitos cristãos e também islâmicos (a) têm dificuldade em interpretar Mateus 5:17/19 que tem levantado dúvidas a muitos crentes.

Afinal, como é?! Além da mensagem de Jesus Cristo, também temos de obedecer a todas as leis de Moisés?! E que fazer quando houver contradição entre Cristo e Moisés?!

Vejamos a tradução na Bíblia de Jerusalém: Mateus 5:17/19
17 – Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas para dar-lhes pleno cumprimento,

18 – porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado.

19 – Aquele, portanto, que violar um só desses menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo, será declarado o menor no Reino dos Céus. Aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus.

1 - Contexto histórico desta passagem

No capítulo anterior, vemos que Jesus, depois de ser tentado no deserto, foi morar em Cafarnaum e deu início ao seu trabalho de pregação numa zona bem povoada ao longo da margem do mar da Galileia. Chama os primeiros apóstolos, os irmãos Pedro e André e mais adiante outros dois irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu.

Com o tempo, a fama de Jesus como pregador e os milagres que fazia, atraiu as grandes multidões que acorriam de outras cidades para o ouvir, não só das cidades vizinhas como até de toda a Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia, e dalém do Jordão.

Segundo o capítulo 5, Jesus, vendo as multidões, subiu ao monte. Temos de compreender esta afirmação no contexto histórico em que se encontravam em que não havia equipamento de amplificação de som. Assim, no monte, podia colocar-se num ponto alto, para ser ouvido e visto por um maior número de pessoas.

É nessa altura, que Jesus apresenta as bem-aventuranças, e compara os cidadãos do seu Reino ao sal e à luz.

É este o contexto dos versículos em estudo.


2 – A quem se destinavam estas palavras do Mestre. O perigo do vazio legislativo

À primeira vista, parece que estava tudo a correr otimamente.

A mensagem estava a ser recebida com grande entusiasmo, já tinha escolhido quatro apóstolos e as multidões que o apoiavam continuavam a aumentar.

Eles vinham do norte e do sul, de todos os caminhos, vinham às centenas e já se contavam aos milhares os que rodeavam o Mestre.

Mas que tipo de pessoas seguiam o Mestre?

Certamente que eram crentes, mas que tipo de crentes e crentes em quê?!

Eram pessoas do tipo do vulgar novo convertido, entusiastas, decididos, conflituosos, que seguiam o seu dirigente, o seu comandante, o “filho de David” (b), que viam em Cristo o escolhido para os libertar da dominação romana.

Já estavam fartos da dupla tributação, as contribuições para o governo romano e o dízimo para os levitas. Ansiavam por um libertador de ambos os tipos de exploração e muitos estariam prontos a morrer por Cristo.

Mas nem o Mestre era o tipo de libertador que eles desejavam nem eles eram o tipo de discípulos que o Mestre pudesse aceitar.

Havia também os doentes que ouvindo falar nos milagres de Jesus, vinham para serem curados das suas doenças. Segundo dizem várias passagens do Novo Testamento, Jesus fez várias curas milagrosas durante o seu ministério e até ressuscitou o seu amigo Lázaro e o filho da viúva da Naim, mas essa não era a sua principal função.

O grande problema é que havia o perigo de, entusiasmados com a presença de Jesus, iniciarem uma grande revolução e Jesus seria a principal causa dessa revolução embora involuntariamente. Parece que Satanás continuava a tentar o Mestre.

Jesus não podia aceitar o papel de rei dos judeus, pois não podia ser o rei que eles exigiam. Havia o perigo de se libertarem para ficar um povo com leis mais permissíveis ou mesmo sem quaisquer leis. Era urgente clarificar a situação. 


3 – Qual a atitude do Mestre?

Nota-se nas palavras de Jesus uma preocupação em manter a obediência à Velha Lei até que tudo se cumprisse, ou como está no versículo 18 … sem que tudo seja realizado. Julgo que Jesus se referia à sua própria morte na cruz e ao estabelecimento do Reino de Deus neste mundo. A palavra dos antigos textos em grego “basileia” que foi traduzida por “reino” não tem uma perfeita correspondência na nossa língua pois a palavra reino embora signifique influência dum rei, está geralmente associada a um território onde esse rei exerce a sua influência. Há alguns que a preferem traduzir por “reinado” ou “influência” de Deus que se deverá estender a todo o mundo. O texto em Lucas 17:20/21 torna-se assim mais compreensível, pois os fariseus imaginavam um reino como um território independente, enquanto Jesus se referia ao reinado ou influência de Deus, que se deveria estender a todos os países.

Nas palavras de Jesus neste capítulo, noto uma grande preocupação em definir o comportamento do cidadão do reino de Deus. Este capítulo Mateus 5 começa com as bem-aventuranças que definem o comportamento do cidadão desse reino espiritual ou da pessoa sob influência de Deus, compara os tais ao sal e à luz e continua citando mandamentos do Velho Testamento mas para afirmar que são insuficientes como vemos em Mateus 5:20.


4 - Possíveis interpretações para o texto em estudo

4.1 Uma possível interpretação, seria a de que Jesus homologou todo o Velho Testamento.

Há várias passagens que mostram a preocupação dos evangelistas, principalmente Mateus, de mostrar que se cumpriram as profecias veterotestamentárias. Vejamos Mateus 1:22, Mateus 2:15, Mateus 2:17, Mateus 2:23, Mateus 4:14, Mateus 8:17, Mateus 13:14, Mateus 13:35, Mateus 26:54/56, Lucas 4:21, Lucas 22:37, João 12:38, João 17:12, João 19:24, João 19:28, João 19:36. Todas estas profecias veterotestamentárias referem-se a Jesus Cristo e à sua obra expiatória. Os evangelistas dizem que se cumpriram as profecias do Velho Testamento, mas isso não significa que aceitassem a validade da lei de Moisés no primitivo cristianismo.

4.2 Poderíamos questionar o que significaria a expressão Lei ou os Profetas quando o Mestre utilizou esta expressão cerca do ano 30.

Geralmente, na teologia dos nossos dias, é habitual dividir o Velho Testamento em Pentateuco ou Lei = Torá, os Salmos e os Profetas e imaginamos uma Bíblia completa dos nossos dias. Mas no contexto histórico em que Jesus viveu, muito antes de haver imprensa, a palavra livro era um rolo de pergaminho, pele de animal ou papiro que se desenrolava para ser possível a leitura, cujo preço só seria acessível a muito poucos. As sinagogas mais importantes tinham maior número de “livros” e no Templo de Jerusalém certamente que teriam todos os livros, mas há ainda outra dificuldade. Não eram precisamente os mesmos livros que temos nas nossas bíblias, pois o cânon veterotestamentário só foi elaborado por um grupo de judeus na cidade de Jâmnia cerca do ano 90 ou 100. Portanto quando Jesus se referiu à Lei e Profetas ainda não havia cânon.

É lógico que teremos de interpretar a Lei ou os Profetas a que Jesus se referiu com o significado que tinha nessa época, antes de muitos desses livros terem sido rejeitados pelos judeus que se reuniram para formar o cânon. Portanto incluía tanto os deuterocanônicos que os protestantes rejeitam como os apócrifos rejeitados tanto por protestantes como por católicos.

Afinal, tanto católicos como protestantes ou islâmicos seguem um cânon veterotestamentário que foi definido por esse grupo de judeus que se reuniram em Jâmnia.

4.3 Será que a afirmação em estudo são mesmo palavras de Jesus?

Há quem defenda que essas palavras tenham sido acrescentadas posteriormente, pelos seguintes motivos.

No evangelho segundo Mateus, o Mestre faz estas afirmações no “sermão do monte”, depois das bem-aventuranças. Também em Lucas 6:20/23 encontramos a descrição das bem-aventuranças um pouco diferente, mas não aparece qualquer referência à passagem em estudo Mateus 5:17/19.

Parece difícil de aceitar que só Mateus tenha registado um pormenor tão importante. Claro que muitos fundamentalistas defendem que se está na Bíblia é afirmação verdadeira e inspirada. Mas então, as descrições dos outros três evangelistas que omitiram esta passagem não são também inspiradas? Inclusive o Evangelho de Lucas que, segundo afirma logo de início Lucas 1:1/4? Nunca saberemos quais os motivos que levaram Lucas a omitir este pormenor tão importante, mas certamente que ele teria as suas razões.

4.4 Outra posição teológica é a que afirma que a Lei veterotestamentária estava em vigor mas já foi integralmente cumprida em Cristo.

A grande preocupação dos evangelistas é mostrar que se cumpriu tudo que estava profetizado a respeito de Jesus Cristo. Então, se tudo já se cumpriu, de acordo com a passagem em estudo, Mateus 5:18 (porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado) temos de concluir que a lei veterotestamentária é coisa do passado, pois tudo que a Velha Lei dizia, já se cumpriu em Cristo Jesus.

Se não fosse assim, certamente que teríamos de cumprir todos os mandamentos de Moisés, mesmo os mais pequenos.

Isso incluiria cumprir Êxodo 21:17, Levítico 20:10, Levítico 20:27, Levítico 24:16, Êxodo 22:18, Êxodo22:20 etc, etc.

Embora o Decálogo diga em Êxodo 20:13 “Não matarás”, logo a seguir, Moisés legislou para aplicação da pena de morte para muitos casos como os homossexuais, quem comesse marisco ou carne de porco ou cultuasse deuses de outras religiões, ou trabalhasse ao sábado etc. e por vezes, como no caso de blasfémia e outros, o mandamento exigia que todo o povo pegasse em pedras para aplicar a pena de morte. Assim, nesses casos, todos seriam obrigados a ser os carrascos. 


5 – Outras passagens sobre o mesmo assunto dos cristãos perante a velha lei de Moisés

Recordando a regra da hermenêutica que afirma que qualquer afirmação dum livro, neste caso o Novo Testamento, só será válida se conseguir resumir tudo que o Novo Testamento disser sobre o assunto, vamos investigar outros versículos sobre o cristão perante a lei veterotestamentária, não só o decálogo como toda a Lei de Moisés. Verifica-se que este assunto deu origem da forte polémica o livro de Atos, pois o cristianismo “nasceu” no seio do judaísmo e não foi sem dificuldade que adquiriu uma teologia própria.

Inicialmente a grande maioria dos cristãos que seguiam a Cristo era de origem judaica. Penso que não houve grandes problemas enquanto o número de cristão de outras origens, era uma minoria, mas quando aumentou o número de cristãos gentios, os de origem judaica tentaram impor as suas tradições do Velho Testamento, como as suas festas, o sábado e a circuncisão, a todo o cristianismo.

Há várias descrições desses problemas no primitivo cristianismo, mas tal polémica deu origem ao Concílio de Jerusalém que termina com a conclusão que ficou registada em Actos 15:22/30


6 – Qual o exemplo de Jesus no cumprimento de Lei de Moisés?

Penso que será de grande importância verificar se o próprio Jesus Cristo cumpriu todas as leis de Moisés.
Leis sobre

Lei de Moisés

Comportamento do Mestre

Leproso

Números 5:1/3

Mateus 8:2/3

Levítico 13:43/46

Mateus 11:4/5

Levítico 22:4/6

Marcos 1:40/42
Nestas passagens em Mateus 8 e Marcos 1 - Jesus tocou num leproso, tornando-se também imundo pela Lei de Moisés.

Alcorão 3:49 também afirma que Jesus curou cegos, leprosos e ressuscitou mortos.
Sábado

Êxodo 20:10

Marcos 3:1/6

Êxodo 31:13/15

Lucas 13:10/17

Êxodo 35:2 
João 9:13/16 
Em todas estas passagens Jesus curou num sábado o que era considerado trabalho, caso que era punido com a pena de morte pela Lei de Moisés.
Adultério

Levítico 20:10

João 8:1/11

Jesus não aplicou a pena de morte prevista na Lei de Moisés.


Conclusão

Nos pontos 5.1 a 5.4 apresentamos várias interpretações possíveis destes três versículos em estudo Mateus 5:17/19, mas não prescindo de dar a minha opinião, a que me parece mais de acordo com as informações que temos através dos evangelistas e também em sintonia com o exemplo e aquilo que conhecemos do pensamento do nosso Mestre. Pessoalmente aceito a hipótese 5.4, mas apresento também as outras hipóteses, para que os leitores desta minha página tomem conhecimento e escolham a posição teológica que lhes parecer a mais verdadeira.

É inegável que os primitivos cristãos acreditavam nos textos do Velho Testamento, embora possa haver dúvidas a que textos se referiam propriamente. Certamente que havia divergências entre os judeus sob quais os “livros” inspirados, pois se houvesse unanimidade entre eles, essa reunião em Jâmnia não seria necessária nem teriam rejeitado alguns desses livros.

Se eu disser que entrei numa biblioteca e encontrei um ou dois livros muito úteis, tal não significa que a minha opinião seja válida para todos os livros dessa biblioteca.

Assim, julgo que o ensino do primitivo cristianismo foi que a Velha Lei de Moisés esteve em vigor até que Cristo a cumpriu. O pensamento e expressão empregada em Mateus 5:18 que na Jerusalém é “…sem que tudo seja realizado” e noutras traduções está “…até que tudo seja cumprido.” é a mesma ideia que encontramos em Mateus 2:13 (ficaram no Egipto até que Herodes faleceu, depois voltaram), ou Marcos 9:9 (Depois da ressurreição de Jesus, já podiam contar), ou Lucas 21:24 (Ficariam cativos até que terminasse o tempo dos gentios), ou Lucas 23:44 (houve trevas até a hora nona, depois tudo voltou ao normal).

Assim, penso que os cristãos e islâmicos que estão preocupados com esta passagem em estudo Mateus 5:17/19 podem ficar descansados que as Leis do Velho Testamento já não estão em vigor, pois Cristo já cumpriu as profecias. Aliás até nem acredito que em Israel dos nossos dias sejam praticados estes horrores de aplicar a pena de morte em lugares públicos devido a diferentes hábitos alimentares ou a pessoas de outras religiões, em que todas as pessoas sejam obrigadas a ser carrascos.

Só no Velho Testamento encontro esses horrores de populações inteiras mortas por motivos religiosos, pois nem no Novo Testamento nem no Alcorão encontro mandamentos que mandem matar. Se tais crimes religiosos aconteceram no passado e possivelmente também no presente, duvido que seja só por motivos religiosos, embora o fanatismo religioso possa ser um importante elemento catalisador da agressividade humana. Mas “cristãos” ou “islâmicos” que matem por motivos religiosos estão em grave contradição com as suas doutrinas embora possam ser “inspirados” por certas leis do Velho Testamento.


Camilo – Marinha Grande, Portugal
Agosto de 2014

(a) Esta questão foi-me suscitada numa conversa com um islâmico.
Como sabem, Abraão viveu cerca do ano 1900 aC, quando saiu da Caldeia, mas só cerca do ano 1200 aC, com Moisés, o judaísmo adquire a sua teologia, mas penso que manteve certa influência da religião caldaica de onde saiu Abraão e do Egipto onde vivia Moisés.
O cristianismo aparece cerca do ano 30, com uma nova mensagem e uma nova teologia, mas não se desligou por completo da teologia e tradições do judaísmo. Há no Novo Testamento, várias referências ao Velho Testamento.
O islamismo aparece cerca do ano 630, mas mantém a crença nos antigos profetas como vemos em Alcorão 2:130, Alcorão 2:136, Alcorão 3:84 , Alcorão 5:46 ou Alcorão 5:48.
Portanto, é compressível que os islâmicos também se sintam obrigados ao cumprimento da Lei de Moisés, tal como muitos cristãos fundamentalistas.

(b) Nesse contexto cultural, a expressão “filho de” significava semelhante, que tinha a mesma profissão, as mesmas características. Se David foi um grande guerreiro, Jesus deveria ser semelhante, devia ser o escolhido para libertar Israel dos romanos.