Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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22 de março de 2020

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO


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INTRODUÇÃO – Pai nosso que estás nos céus.
  O SIGNIFICADO: Deus quer atrair-nos com estas palavras para crermos que ele é nosso Pai de verdade e nós somos seus filhos e filhas de verdade. Portanto, podemos pedir a ele sem medo e com toda a confiança, como filhos queridos ao seu querido pai.
 
PRIMEIRO PEDIDO – Santificado seja o teu nome.
  O SIGNIFICADO: O nome de Deus é santo por si mesmo. Mas pedimos nesta oração que ele seja santificado também entre nós.
Como acontece isto?
Quando a palavra de Deus é ensinada de forma clara e pura, e nós, como filhos e filhas de Deus, também vivemos uma vida santa de acordo com ela. Ajuda-nos para que isto aconteça, querido Pai no céu. A pessoa, porém, que ensina e vive de modo diferente do que ensina a palavra de Deus, desonra o nome de Deus entre nós. Guarda-nos disso, Pai celeste.
 
SEGUNDO PEDIDO – Venha o teu reino.
  O SIGNIFICADO: O reino de Deus vem por si mesmo, sem a nossa oração. Mas pedimos nesta oração que ele venha também a nós.
Como acontece isto?
Quando o Pai celeste nos dá o seu Espírito Santo para crermos, por sua graça, em sua santa palavra e vivermos em comunhão com Deus neste mundo e na eternidade.
 
TERCEIRO PEDIDO – Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
  O SIGNIFICADO: A boa e misericordiosa vontade de Deus é feita sem a nossa oração. Mas pedimos nesta oração que ela seja feita também entre nós.
Como acontece isto?
Quando Deus desfaz e impede todo mau plano e vontade que não querem nos deixar santificar o nome de Deus e não querem que seu reino venha. Vontades assim são a do diabo, do mundo e de nós mesmos. E, por outro lado, isto acontece quando Deus nos fortalece e mantém firmemente na sua palavra e na fé, até o fim. Esta é a sua vontade boa e misericordiosa.
 
QUARTO PEDIDO – O pão nosso de cada dia nos dá hoje.
  O SIGNIFICADO: Deus dá o pão de cada dia, também sem o nosso pedido, a todas as pessoas, inclusive às pessoas más. Mas pedimos nesta oração que ele nos faça reconhecer isso e receber com gratidão o pão nosso de cada dia.Tudo que se refere ao sustento e às necessidades da vida, como por exemplo: comida, bebida, roupa, calçado, casa, lar, meio de vida, dinheiro e bens, marido e esposa íntegros, filhos íntegros, empregados íntegros, patrões íntegros e fiéis, bom governo, bom tempo, paz, saúde, disciplina, honra, amigos leais, bons vizinhos e coisas semelhantes.
 
QUINTO PEDIDO – E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores.
  O SIGNIFICADO: Pedimos nesta oração que o Pai no céu não leve em conta os nossos pecados nem por causa deles recuse os nossos pedidos. Pois não somos dignos das coisas que pedimos nem as merecemos. Pedimos que Deus nos conceda tudo por graça, já que diariamente pecamos muito e nada merecemos a não ser castigo. Da mesma forma queremos nós perdoar de coração e de boa vontade e fazer o bem aos que pecam contra nós.
 
SEXTO PEDIDO – E não nos deixes cair em tentação.
 
O SIGNIFICADO: Deus não tenta ninguém. Mas pedimos nesta oração que ele nos proteja e guarde, para que não sejamos enganados pelo diabo, pelo mundo e por nós mesmos nem sejamos levados a crenças falsas, desespero e outra grande vergonha ou vício. E pedimos que, mesmo sendo tentados, vençamos no final e mantenhamos a vitória.
 
SÉTIMO PEDIDO – Mas livra-nos do mal.
 
O SIGNIFICADO: Pedimos nesta oração, em resumo, que o Pai no céu nos livre de todos os males que afetam o corpo e a alma, os bens e a honra. E pedimos que, na hora de nossa morte, ele nos dê um fim bem-aventurado e nos leve por graça deste mundo para junto de si no céu.
 
CONCLUSÃO – Pois, teu é o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém.
 
Que significa amém?
Devemos ter certeza de que estes pedidos agradam ao Pai no céu e de que ele os atende. Pois ele mesmo nos mandou orar assim e prometeu atender-nos. Amém, amém, isto significa: sim, assim seja!
 
 
MARTINHO LUTERO
 
 
 
 

1 de outubro de 2017

A Adoração e o Louvor Segundo a Bíblia




As palavras “adoração” e “louvor” estão na boca de milhões de pessoas, seguramente mais que nunca antes na história. Isto é algo muito bom, quando se trata de uma adoração e de um louvor bíblicos do único Deus verdadeiro.

Mas eu me atreveria a sugerir que ainda nós que adoramos e louvamos ao Senhor de todo o coração nem sempre temos dedicado tempo a estudar sobre o que ensina a Bíblia sobre a adoração e o louvor. Alguma vez você buscou as palavras “adorar” e “louvar” na Bíblia, para ver como são usadas?

O objetivo (bastante ambicioso!) deste artigo é tentar resumir em dez princípios o que ensina a Bíblia sobre a adoração e o louvor.

1. Segundo a Bíblia, adorar a Deus é se prostrar a Ele.


Você sabia que a palavra “adoração” não se encontra na Bíblia (pelo menos, na versão Reina-Valera de 1960)? Surpreendente, não é? Agora sim, aparece a palavra “adorar”, em torno de 150 vezes.

Por trás destes 150 textos há seis palavras hebraicas, aramaicas e gregas. A ideia principal é a ideia de prostrar-se a Deus. A verdadeira adoração consiste em prostrar-se a Deus (não necessariamente fisicamente, mas sim no coração). E a falsa adoração consiste em prostrar-se a qualquer ser ou coisa que não seja Deus. Ao longo da Bíblia, há muitos exemplos de ambos tipos de adoração. Esta ideia (de prostrarmos a Deus) nos fala de sua santidade e grandeza, de nossa pecaminosidade e pequenice e do santo temor que devemos sentir perante Ele. Ou seja, de sua grande dignidade e de nossa grande indignidade.

2. Segundo a Bíblia, adorar a Deus é responder a tudo o que Ele é com tudo o que nós somos.

Esta é minha definição de adoração: responder a tudo o que Deus é com tudo o que nós somos, responder a todo o seu ser com todo o nosso ser.
Quando adoramos, não estamos fazendo algo em um vazio; estamos respondendo a algo. A que? A Deus, a tudo o que a sua Palavra nos ensina sobre Ele. E fazemos isso com tudo o que somos e com tudo o que temos. Isso é adoração.
Três exemplos bíblicos disso: (1) Abraão subindo o monte Moriá para adorar ao Senhor, oferecendo o seu filho Isaac em holocausto (Gn 22:5); (2) A adoração de que falou Miqueias: “.. fazer justiça, amar misericórdia e se humilhar perante o teu Deus” (Mq 6:6-8); e: (3) A adoração ensinada pelo apóstolo Paulo: “… que apresentem o seus corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o seu culto racional” (Rm 12:1).
A adoração é muito mais que só algo que fazemos na igreja!

3. Segundo a Bíblia, o objetivo número um de nossa adoração deveria ser agradar a Deus e dar-lhe glória.

A adoração verdadeira não é egocêntrica, senão teocêntrica. No centro do palco não estou eu; está Deus. A ideia não é que nós nos sintamos bem; a ideia é agradar ao Senhor e dar a Ele a glória.
Usamos muito as palavras: “Eu gosto” e “Eu não gosto”. Curiosamente, o único lugar na Bíblia onde (em uma tradução atual) se encontram as palavras “Eu gosto” é em Gênesis 27:4, palavras de Isaque ao seu filho Esaú: “E faze-me um guisado saboroso, como eu gosto…” e você já sabe como terminou aquilo! Mas hoje em dia, as palavras “eu gosto” são as palavras que mais se ouvem; um reflexo, sem dúvida, do egocentrismo que tão facilmente se apropria de nós. E há muito do “eu gosto” e do “eu não gosto” em nossa adoração.
A adoração verdadeira não deveria ser uma questão de nossos gostos; o único que realmente importa é que goste ao Senhor, que lhe agrade e que lhe dê glória.

4. Segundo a Bíblia, louvar a Deus é reconhecer suas virtudes, ficar impactado por elas e louvar por elas.

Louvar é “elogiar, celebrar com palavras”. Louvamos aos nossos esportistas, artistas e atores favoritos. Louvamos às pessoas que mais amamos. Louvar a alguém é reconhecer suas virtudes, ficarmos impressionados e impactados por essas virtudes e louvar por elas.
E louvamos ao Senhor por suas muitas e maravilhosas virtudes, seja de forma direta: “Senhor, quão grande és!”; ou de forma indireta: “Quão bom é o Senhor!”
Porém, é assim como está sendo usada a palavra “louvor” quando se fala de “líderes de louvor” ou de “tempos de louvor”? Às vezes, pois, sim e outras vezes, não, não é?

5. Segundo a Bíblia, cantar a Deus e louvá-lo são duas coisas relacionadas entre si, mas distintas.

A letra de muitos dos hinos e cânticos que cantamos é louvor ao Senhor: “Santo, santo, santo, Senhor onipotente!”; “Quão grande é Ele”; “Quão grande és Tu!”; “Grandes são as tuas obras!”; “Tua fidelidade é grande!”; etc.
Mas, (1) nem todos os cânticos ou hinos são de louvor: “Aviva-nos, Senhor!”; ”Firmes e adiante!”; “Grata certeza!”; “Aceita-me como oferta de amor”; “Como o cervo busca pelas águas”; “Hoje te rendo o meu ser”; etc. (2) Cantar ao Senhor não é a única forma de louvá-lo; também lhe louvamos orando, falando entre nós sobre Ele e com nossas vidas.
Se seguimos usando a palavra “louvor” como estamos fazendo, nossos netos não vão saber o que é o louvor! Da mesma forma que se desvirtuou a palavra “amor”, estamos no perigo de desvirtuar a palavra “louvor”.

6. Segundo a Bíblia, o canto espiritual serve para expressar todo tipo de emoção em todo tipo de situação.

Como já vimos, há hinos e cânticos de louvor, mas também há os de gratidão, de confiança no Senhor, de consagração, de petição, etc.
Agora, isso tem alguma base bíblica? Sim, tem o livro de Salmos! Há salmos de louvor ao Senhor, salmos de ação de graças, salmos de confiança no Senhor, salmos messiânicos, salmos pedindo ajuda ao Senhor, salmos que são lamentos, etc. Uma das coisas que mais gostamos dos Salmos é precisamente o fato de que neles se fala de todo o tipo de situação, boas e más, e se expressam todo o tipo de emoção, desde a angústia à êxtase.
Não estamos no perigo de perder a riqueza de conteúdo das canções que cantava o povo de Deus antes de Cristo?

7. Segundo a Bíblia, há duas coisas que são mais importantes que o canto: (1) a Palavra de Deus; e (2) a oração.

Sei como são importantes para muitas pessoas os “tempos de louvor” que temos em nossas reuniões. Mas, ainda que cantar ao Senhor é muito importante, mais importantes ainda são a Palavra de Deus e a oração.
No Antigo Testamento a música  tem um lugar importante, mas não tão importante como a Palavra de Deus e a oração. Há livros inteiros que não contém nenhuma referência à música.
Nos quatro Evangelhos há pouquíssimas referências à música e só uma referência ao Senhor mesmo cantando, mas quantas referências há para a Palavra de Deus e a oração? Um monte, não é?
O livro de Atos descreve os primeiros trinta anos da Igreja, mas quantas referências há ao canto dos primeiros cristãos?: só uma (explícita), e não se trata de uma reunião cristã normal, senão de Paulo e Silas cantando em uma prisão! Mas e as referências em Atos à Palavra de Deus e à oração? Muitas, verdade?
A nossa realidade hoje reflete com a mesma ênfase que a Palavra de Deus?

8. Segundo a Bíblia, a vinda do Senhor Jesus Cristo criou um marco na adoração.

A adoração no Novo Testamento é igual que a adoração no Antigo? Se não, em que são diferentes? A vinda do Senhor Jesus Cristo mudou a maneira de adorar a Deus? Qual é o nosso principal modelo? A adoração do povo de Israel ou a adoração da Igreja primitiva? A qual das duas se parece mais a nossa adoração?
O Senhor disse para a mulher samaritana: “A hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai… A hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adore…” (Jo 4:21-24). Parece que o Senhor estava apontando uma mudança na adoração como consequência de sua vinda, não é verdade? Esta mudança é refletida em nossa adoração?

9. Segundo a Bíblia, no centro da nossa adoração deveriam estar a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo.

A adoração antes de Cristo apontava a sua (futura) vinda; e a adoração depois de Cristo aponta em direção a antes, à encarnação, à sua morte e à sua ressurreição. A pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo deveriam ocupar um lugar central na nossa adoração.
Mas alguns crentes falam de Cristo, da Cruz e do evangelho como se não tivessem muito a ver com o louvor. Pensemos por um momento no livro de Apocalipse; boa parte do livro descreve a adoração dos crentes e dos anjos no céu. E o que encontramos? Que Apocalipse, pois, é um dos livros bíblicos que mais falam de Cristo; que Apocalipse começa e termina com o Senhor Jesus Cristo; encontramos uns vinte e quatro nomes ou títulos do Senhor Jesus Cristo, dos quais o que mais se usa é o nome do Cordeiro; e que o tema central das canções que se cantam no céu é Cristo crucificado.

10. Segundo a Bíblia, a adoração na Igreja não vale para nada sem a adoração de nossas vidas.

Todos nós sabemos o quão fácil é se sentir bem na igreja e quão difícil é viver nossa fé no dia-a-dia. Às vezes parecemos esquizofrênicos: uma pessoa na igreja e outra muito diferente fora da igreja. Mas se não adoramos ao Senhor com nossas vidas, o que fazemos na igreja não é adoração verdadeira!
O Senhor teve que repreender ao seu povo Israel uma e outra vez pela incoerência entre a sua (suposta) adoração e suas vidas (Is 1:11-17; Is 29:13a; Os 6:6; Mq 6:6-8; etc). E o apóstolo Paulo fala de nosso “culto racional” em termos de nossas vidas, não do que fazemos na igreja (Rm 12:1-2).
O que fazemos na igreja não é nada mais que a ponta do iceberg da verdadeira adoração, a pequena parte que mais se vê; mas se não há nada abaixo disso, se não somos adoradores 24/7, o que fazemos na igreja não vale de nada!

Conclusão

Como disse o Senhor Jesus Cristo àquela mulher samaritana, o Pai busca verdadeiros adoradores que lhe adorem. Afinal de contas, Ele nos criou, nos deu a vida para isso: para que lhe adorássemos; e nos salvou para que o fizéssemos “em espírito e em verdade”. Que o Senhor encontre em nós os adoradores que Ele anda buscando!
Tradução: Renan Bandeira.
Revisão: Filipe Castelo Branco.

http://canteasescrituras.com.br/2016/03/a-adoracao-e-o-louvor-segundo-a-biblia/


29 de setembro de 2017

A adoração em sua igreja é mais pagã do que cristã?


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Há um grande mal-entendido nas igrejas sobre o propósito da música na adoração cristã. Igrejas rotineiramente anunciam um culto “dinâmico” e “transformador”, o qual “levará você para mais perto de Deus” ou “que irá mudar a sua vida”. Certos CD’s de adoração prometem que a música irá “levá-lo para dentro da presença de Deus”.  Até mesmo um panfleto, anunciando uma conferência para líderes de adoração, dizia:
“Junte-se a nós para essa dinâmica aula, a qual irá colocar você no caminho certo e inspirador, onde você poderá se encontrar com Deus e receber a energia e o amor que você precisa para ser um agente e um agitador no mundo de hoje… Além disso, nossos programas de ensino são eventos de adoração que irão colocar você em contato com o poder e o amor de Deus.”
O problema com o panfleto e com muitos anúncios de igrejas é que esse tipo de promessa revela um significante erro teológico. A música é vista como um meio para facilitar um encontro com Deus. Ela irá nos levar para perto de Deus. Nesse esquema, a música se torna um mediador entre Deus e o homem. No entanto, essa ideia está mais próxima das práticas pagãs do que da adoração cristã. 

O problema com o panfleto e com muitos anúncios de igrejas é que esse tipo de promessa revela um significante erro teológico. A música é vista como um meio para facilitar um encontro com Deus. Ela irá nos levar para perto de Deus. Nesse esquema, a música se torna um mediador entre Deus e o homem. No entanto, essa ideia está mais próxima das práticas pagãs do que da adoração cristã.

Jesus é o único mediador entre Deus e o homem. Somente Ele é quem nos leva para Deus. A noção popular – porém errônea – relativa à música de adoração mina a fundamental verdade da fé cristã. É irônico que muitos cristãos neguem o papel das ordenanças sacramentais, as quais o próprio Senhor deu para sua igreja (batismo e a Santa Ceia), mas anseiem em dar poderes sacramentais para a música. A música e a “experiência da adoração” são vistas como meios pelos quais nós entramos na presença de Deus e recebemos seus benefícios salvíficos. Não há simplesmente nenhuma evidência na Escritura que diga que a música media diretamente encontros ou experiências com Deus. Essa é uma noção comum no paganismo. Está bem longe do Cristianismo.

Em seu útil livro “True Worship” (Verdadeira Adoração), Vaughan Roberts mostra quatro consequências de se ver a música como um encontro com Deus. Vou resumi-los.

1. A palavra de Deus é marginalizada.

Em várias igrejas e encontros cristãos, não é incomum a Palavra de Deus ser deixada de lado. A música dá uma elusiva sensação de “entorpecimento”, enquanto a Bíblia é algo mundano. Os púlpitos têm diminuído e até mesmo desparecido, enquanto as bandas e as luzes têm crescido. Mas a fé não vem da música, experiências dinâmicas ou supostos encontros com Deus. A Fé nasce por meio da proclamação da Palavra de Deus (Rom. 10.17).

2. Nossa certeza é ameaçada.

Se associarmos a presença de Deus com uma particular experiência ou emoção, o que acontecerá quando não sentirmos mais isso? Nós procuraremos igrejas cujas bandas de louvor, orquestras ou órgãos produzam em nós os sentimentos que nós estamos procurando. Mas a realidade de Deus em nossas vidas depende da mediação de Cristo, não de experiências subjetivas.

3. Músicos ganham status sacerdotais.

Quando a música é vista como meio de encontro com Deus, os líderes de louvor e músicos começam a exercer o papel de pastor. Eles se tornam aqueles – no lugar de Jesus Cristo, o único que já cumpriu esse papel – que trazem até nós a presença de Deus. Dessa forma, quando um líder de louvor ou banda não me ajuda a experimentar Deus, então ele falhou e deve ser substituído. Por outro lado, quando acreditamos que eles tiveram sucesso em nos levar à presença de Deus, então eles terão em nossa mente um status elevado.

4. A divisão aumenta.

Quando nós identificamos um sentimento como um encontro com Deus, e apenas uma determinada música produz esse sentimento, então nós insistiremos que aquela música deverá ser tocada regularmente em nossa igreja e reuniões. Se todos tiverem o mesmo gosto que o nosso, não haverá problema. Mas se outros dependem de outra música para produzirem esse sentimento, então é importante para eles que a divisão seja cultivada. E porque nós rotineiramente classificamos esses sentimentos como encontros com Deus, nossas demandas para que esse sentimento seja produzido se tornam rígidas. Esse é o motivo pelo qual muitas igrejas sucumbem ao oferecerem múltiplos estilos de culto. Fazendo isso, eles, sem querer, sancionam a divisão e a centralização do ego no meio do povo de Deus.

A Escritura é cheia de exortações para o povo de Deus cantar e fazer músicas para o Senhor. Nosso Deus foi gracioso em nos dar esse meio de adorá-lo. Mas é importante entender que a música, em nossa adoração, é para dois propósitos específicos: honrar a Deus e edificar a comunidade dos crentes. Infelizmente, muitos cristãos tendem a dar à música um poder sacramental sobre o qual a Escritura jamais falou.


Por: Todd Pruitt. Copyright © 2014 Christianity.com. Fonte: Is Your Church Worship More Pagan than Christian?

Original: A adoração em sua igreja é mais pagã do que cristã? © 2014 Reforma21. Tradução: Victor Bimbato.

http://canteasescrituras.com.br/2017/08/a-adoracao-em-sua-igreja-e-mais-paga-do-que-crista/

3 de novembro de 2012

A VERDADEIRA ADORAÇÃO, conforme o Salmo 50


A Verdadeira Adoração - Conforme o Salmo 50

“Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sl 50.15).

Muitos conhecem essa passagem popular do Salmo 50, mas seu contexto na Bíblia merece ser levado em consideração. O tema central do Salmo 50 é a adoração verdadeira a Deus, o legítimo louvor ao Senhor, o louvor que Lhe é agradável.

A verdadeira adoração na Criação

Adoração verdadeira começa com a Criação: “Fala o Poderoso, o Senhor Deus, e chama a terra desde o Levante até o Poente” (v.1). A real finalidade da Criação é louvar a Deus. É o que nos diz o Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos”.

A verdadeira adoração revela a grandeza e a glória de Deus

“Desde Sião, excelência de formosura, resplandece Deus. Vem o nosso Deus e não guarda silêncio; perante ele arde um fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta” (vv.2-3).
“Conheço todas as aves dos montes, e são meus 
todos os animais que pululam no campo” (Salmo 50.11).

A verdadeira adoração sempre inclui e exprime a grandeza e a glória de Deus. Isso pode ser observado nas ocasiões em que Deus revelou-se aos homens de forma direta, em uma teofania. Quando o Senhor encontrou-se com Moisés, lemos: “Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus” (Êx 3.6). Isaías clama: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” (Is 6.5). Elias “envolveu o rosto no seu manto” (1 Rs 19.13). Paulo caiu por terra e “tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça?” (At 9.6, Almeida Revista e Corrigida). Vemos, portanto, que a adoração verdadeira sempre tem a Deus como objeto, o que condiciona Seus adoradores a um legítimo temor diante da Sua santidade e a um estilo de vida santificado.

A adoração falsa

É justamente a falta de uma vida adequada do Seu povo que leva o Senhor a lamentar profundamente e a anunciar o juízo, como lemos no Salmo 50: “Intima os céus lá em cima e a terra, para julgar o seu povo. ‘Congregai os meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios’. Os céus anunciam a sua justiça, porque é o próprio Deus que julga” (vv.4-6).
Deus toma os céus e a terra por testemunhas e lembra ao Seu povo a aliança que firmou com ele, mas vê-se obrigado a acusar Israel, falando em julgamento. É uma acusação contra os rituais exteriores e vazios, ao culto sem conteúdo. Fazendo a aplicação aos nossos dias, Deus lamenta um cristianismo sem Cristo!
“Escuta, povo meu, e eu falarei; ó Israel, e eu testemunharei contra ti. Eu sou Deus, o teu Deus. Não te repreendo pelos teus sacrifícios, nem pelos teus holocaustos continuamente perante mim. De tua casa não aceitarei novilhos, nem bodes, dos teus apriscos. Pois são meus todos os animais do bosque e as alimárias aos milhares sobre as montanhas. Conheço todas as aves dos montes, e são meus todos os animais que pululam no campo. Se eu tivesse fome, não to diria, pois o mundo é meu e quanto nele se contém. Acaso, como eu carne de touros? Ou bebo sangue de cabritos?” (vv.7-13).
Deus volta-se contra a forma de culto apenas exterior, contra uma adoração sem conteúdo bíblico. Hoje, em muitas igrejas a adoração transformou-se em show, em ativismo piedoso sem ligação com o próprio Senhor. Em Israel, na época em que foi escrito o Salmo 50, acontecia o mesmo, e essa realidade está retratada por Isaías em seu lamento: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is 29.13).

Adoração verdadeira é uma questão do coração

Em meio a esse formalismo no culto ao Senhor, Ele conclama Seu povo: “Oferece a Deus sacrifícios de ações de graças e cumpre os teus votos para com o Altíssimo” (v.14). Comprometa-se com Deus! Aí, sim, a maravilhosa e conhecida promessa do Salmo 50 repousará sobre os que adoram a Deus: “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás”.

Uma falsa concepção de Deus

Hoje, em muitas igrejas a adoração transformou-se em show, 
 em ativismo piedoso sem ligação com o próprio Senhor.

Deus repreende a trágica rebelião de Seu povo: “Mas ao ímpio diz Deus: De que te serve repetires os meus preceitos e teres nos lábios a minha aliança, uma vez que aborreces a disciplina e rejeitas as minhas palavras? Se vês um ladrão, tu te comprazes nele e aos adúlteros te associas. Soltas a boca para o mal, e a tua língua trama enganos. Sentas-te para falar contra teu irmão e difamas o filho de tua mãe” (vv.16-20).
Rebaixamos Deus ao mesmo nível em que nos encontramos. Muitos cristãos, quando exortados por seu comportamento errado, têm pronta a resposta: “Eu acho que estou certo, não vejo problemas com isso”. Mas, ao mesmo tempo em que se defendem, admiram-se que Deus não os ouve, agindo igual a Israel no passado. Deus, porém, não pode ouvi-los! Deixaram de considerar que Deus condicionou Suas promessas a certos requisitos.
“Tens feito estas coisas, e eu me calei; pensavas que eu era teu igual; mas eu te argüirei e porei tudo à tua vista” (v.21). Chamamo-nos de cristãos mesmo tendo fabricado um Deus que não corresponde ao Deus da Bíblia, um Deus que espelha nossa própria imaginação e reflete nossos desejos pessoais. Portanto, não devemos nos admirar quando Deus se cala! A causa não está nEle; está em nós. “Considerai, pois, nisto, vós que vos esqueceis de Deus, para que não vos despedace, sem haver quem vos livre” (v.22). Apesar de todo o ativismo religioso, Israel esqueceu-se de Deus. Talvez nós também O esquecemos muitas vezes. Por isso, Ele se cala. Assim, não podemos ouvir Sua voz.

A verdadeira adoração está alinhada com a Palavra de Deus

O Salmo 50 também nos apresenta a solução do problema do silêncio divino. Esta se encontra em nos conscientizarmos do que é a verdadeira adoração a Deus, que é um retorno àquilo que está descrito no versículo 23: “O que me oferece sacrifício de ações de graças, esse me glorificará; e ao que prepara o seu caminho, dar-lhe-ei que veja a salvação de Deus”.

As ações de graças que agradam a Deus começam quando direcionamos 
 nossos caminhos a partir da verdade revelada por Ele em Sua 
Palavra, quando passamos a viver conforme a Bíblia.

As ações de graças que agradam a Deus começam quando direcionamos nossos caminhos a partir da verdade revelada por Ele em Sua Palavra, quando passamos a viver conforme a Bíblia. Adoração verdadeira diz: “Pai, não a minha, mas a Tua vontade seja feita. Eu Te agradeço, independentemente dos caminhos pelos quais Tu me conduzes. Muito obrigado por Teus pensamentos serem pensamentos de paz a meu respeito, mesmo que eu não conheça o caminho por onde me levas. Agradeço por me guiares e por teres garantido me levar ao alvo”.

Três princípios da verdadeira adoração

Mateus 8.1-8 exemplifica uma oração que agrada ao Senhor. Esses versículos relatam dois milagres da graça de Deus: “Ora, descendo ele do monte, grandes multidões o seguiram. E eis que um leproso, tendo-se aproximado, adorou-o, dizendo: Senhor, se quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra” (vv.1-3).
“Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, apresentou-se-lhe um centurião, implorando: Senhor, o meu criado jaz em casa, de cama, paralítico, sofrendo horrivelmente. Jesus lhe disse: Eu irei curá-lo. Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres em minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado” (vv.5-8).
Aqui encontramos três princípios da oração legítima. A fé declara: “Senhor, Tu podes!” O temor a Deus complementa: “Se Tu quiseres”. E a humildade acrescenta: “Não sou digno!”

A verdadeira adoração diz “sim” aos caminhos de Deus

Deus quer que oremos. E Ele quer atender nossas orações. 
Mas isso requer obediência à Sua Palavra e um estilo de vida santificado.

Quando buscamos o Senhor, não devemos esquecer que, independente da forma com que o Senhor nos responde, o Nome do Senhor deve ser exaltado acima e antes de tudo. Sabemos muito bem que o Senhor faz milagres ainda hoje. Mas Deus nem sempre responde nossas orações da forma que gostaríamos. Essa situação é descrita em Atos 12. Tanto Tiago (vv.1-2) como Pedro (vv.3ss.) estavam na prisão. Os irmãos haviam orado intensamente pelos dois. Ambos sabiam estar sob a proteção e o abrigo do Senhor. Para um deles, Tiago, Deus disse: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt 25.21). Tiago foi decapitado. Ao outro, Pedro, foi dada a incumbência: “Vá para a vinha, pois a colheita está madura!” E Pedro saiu milagrosamente da prisão para ir trabalhar na seara do Mestre. As duas possibilidades são caminhos de Deus! Será que concordamos sempre quando Deus nos dirige, seja da forma que for?

Deus ouve a adoração verdadeira

Deus quer que oremos. E Ele quer atender nossas orações. Mas isso requer obediência à Sua Palavra e um estilo de vida santificado. Sabendo que Ele escuta e responde, podemos deixar a decisão da resposta com Ele, na certeza de que está sempre certo, independentemente da solução que nos proporcionar. A esse respeito, Deus diz: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais” (Jr 29.11). 


(Samuel Rindlisbacher - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, março de 2009.

22 de agosto de 2012

Adoração



Em nossos dias tem-se multiplicado nos templos ‘evangélicos/protestantes’ o número de espetáculos e cantores “cristãos” que embriagam a emoção da massa dos espectadores. Seriam estes ‘cultos/espetáculos’ a verdadeira adoração? O que a bíblia ensina acerca da adoração?

A ideia de que Lúcifer foi regente do coral celestial propagou-se em meio ao cristianismo e tornou-se consenso. As pessoas não questionam as ideias consensuais e acabam incorrendo e divulgando erros grosseiros. Por causa desta ideia equivoca de que Satanás era o regente das hostes angelicais surgiu a concepção de que Satanás era um exímio músico, conhecedor do poder da música e que por meio dela leva muitos à perdição.

A bíblia não possui este posicionamento:
  • Lúcifer nunca regeu o ‘coral celestial’ - A bíblia demonstra que Satanás exercia especificamente a função de vigia (guarda) do monte santo de Deus “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no monte santo de Deus, andavas entre as pedras afogueadas” (Ez 28:14). Ora, o querubim foi ungido para a função de vigia do monte santo de Deus, e o lugar que ele montava guarda era o Éden, o jardim de Deus, e não os céus “Estavas no Éden, jardim de Deus...”(Ez 28:13). Como Lúcifer poderia reger o coral celestial se ele foi criado e ungido para guardar o monte santo de Deus que ficava nas bandas do norte do jardim do Éden?
  • Não é Satanás que conduz os homens à perdição – A bíblia demonstra que todos os homens entram por uma porta larga (Adão) ao serem gerados segundo a semente corruptível de Adão e seguem por um caminho que conduz à perdição. Ora, é o caminho no qual os homens estão que os leva à perdição, e não Satanás. Satanás não tem a atribuição de conduzir os homens à perdição. A perdição é resultante da queda de Adão, onde todos os homens foram julgados e condenados.
A função de Satanás é promover a mentira, fazendo o homem permanecer na ignorância. Ou seja, os homens sem Deus permanecem na condição de perdição por causa da ignorância e dureza de coração “... separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza de coração...” (Ef 4:18).

Cristo é salvação poderosa para todos os homens, e basta crer na mensagem do evangelho que o homem entrará por Cristo (porta estreita), nascendo de novo (último Adão). Porém, a ação de Satanás é semear o joio, arrebatar a palavra semeada, estabelecer falsos mestres e falsos profetas para que os homens creiam na mentira, permanecendo no engodo do pecado "E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem" ( 2Ts 2:10 ).

Um consenso acerca das atribuições de Satanás antes da queda levou muitos cristãos ao engano de que ele era responsável pela regência do coral celestial; que há um poder indescritível na música e que Satanás sabe usá-la para arregimentar os homens para o inferno; Se esta estória acerca da música virou consenso e ludibriou muitos, qual será o consenso acerca da ideia de adoração?


O que é adoração?

Um leproso prostrou-se diante de Cristo dizendo que somente Ele poderia curá-lo e O adorou dizendo: “Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo”. Ou seja, o simples fato de reconhecer que somente Jesus poderia curá-lo constitui-se em adoração "E, eis que veio um leproso, e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo" (Mt 8:2).

Uma mulher suplicou o auxilio de Jesus, e este fato constitui-se em adoração "Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me!" (Mt 15:25).

Por que pedir auxílio a Deus constitui-se em adoração? Qual o elemento comum a todos os pedidos? Porque o pedido (oração) expressa confiança, fé em exercício, descasar na esperança proposta. Somente pede quem crê que Deus é poderoso e gracioso em socorrer suas criaturas "Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou" (Jo 9:38).

O elemento essencial à adoração é a fé. Sem fé é impossível agradar a Deus! Quando me refiro à fé, não é a mera crença. A fé que é o elemento essencial à adoração é a fé (confiança) na pessoa do Filho Unigênito de Deus “Ó mulher, grande é a tua fé! Seja feito para contigo como tu desejas” (Mt 15:28).

Através de várias passagens bíblicas é possível abstrair que o simples fato de o cristão dirigir a Deus um pedido, uma oração, já está adorando a Deus, visto que, somente ora ao Pai quem crê que será atendido "Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam" ( Hb 11:6 ).

A adoração também pode ser um ato de reconhecimento, o que se depreende do texto a seguir: “E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o. E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Mc 5:6 -7). Ou seja, os demônios adoraram a Jesus pelo fato de Ele ser o Cristo de Deus, porém, ao intentar revelar Cristo aos homens pretendia adquirir credibilidade "E curou muitos que se achavam enfermos de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios, porém não deixava falar os demônios, porque o conheciam" ( Mc 1:34 ).

Que relação tem a Luz com as trevas? Jesus proibia os demônios de anunciar que Ele era o Cristo porque o reino dos céus não depende do testemunho de demônio para ser estabelecido. Muitos pretensos adoradores em nossos dias dão mais crédito ao que os possessos por demônios dizem, do que a verdade do evangelho. Observe a atitude de Paulo com a advinha que o seguia “Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu” ( At 16:17 -18).

Porém, seria esta adoração que Deus espera de suas criaturas? Um reconhecimento somente?
A verdadeira adoração só ocorre quando o homem é gerado de novo da semente incorruptível em espírito e verdade, como lemos: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (Jo 4:23). Somente aqueles que são nascidos do Espírito, ou seja, que nasceram de novo são espirituais e adoram a Deus verdadeiramente (Jo 3:6), o que só é possível através da fé (Jo 1:12-13; Ef 4:24 ; Rm 1:16).

Todos os descendentes de Adão são carnais e precisam nascer de novo do Espírito Eterno para que sejam contados como filhos de Deus. Somente através da obediência à palavra da verdade do evangelho, a semente incorruptível, ou seja, o poder de Deus dado aos homens, o homem é de novo gerado, e passa a adorar a Deus em espírito e em verdade.


Há muitos homens que fazem odes, músicas, poesias, gravuras, quadros, etc., em reconhecimento a existência de Deus, porém, eles não ‘adoram’ em espírito e verdade. Outros, como é o caso dos judeus, tem zelo de Deus, porém, sem entendimento, pois não deixaram se iluminar pela luz do evangelho (Rm 10:2).

Vários artistas, religiosos ou não, compõem canções, mas nem por isso adoram a Deus em verdade. A mentira faz parte da natureza que herdaram de Adão. A separação de Deus fez surgir uma nova natureza segundo a mentira. Deus é luz, e os que não são nascidos de Deus, são trevas. Deus é verdade, e os que estão separados d'Ele, são 'mentira'. As trevas ou a mentira só é dissipada através do novo nascimento (Rm 3:7). Fica a pergunta: será que os espetáculos e cultos que são realizados constituem-se em verdadeira adoração a Deus? Não são modismos e uma imitação barata dos cultos que são dedicados aos ídolos?

Se nestas reuniões estiverem falando a verdade do evangelho, ou seja, professando a Cristo segundo diz as escrituras, é certo que estão adorando a Deus em espírito e em verdade. Porém, se não professam a Cristo segundo o que diz a Bíblia, não há adoração verdadeira, antes, estas reuniões constitui-se em deleite da carne, ou seja, são reuniões cheias de emocionalismo carnal, mas desprovida do Espírito de Deus.


As pessoas que fazem shows bendizem a Deus, porém, o bendizer por si só não é a verdadeira adoração, pois não procede dos lábios de verdadeiros adoradores (homens nascidos de novo). Acaso monges, padres e sacerdotes que reverenciam a Deus em suas reuniões adoram a Deus simplesmente por bendizê-lo? Dizer “Senhor, Senhor” não se constitui em adoração, antes, para ser conhecido do Senhor é necessário crer conforme diz as Escrituras.

Os salmos 103 e 104 são exemplos típicos de adoração a Deus, pois o salmista Davi era um verdadeiro adorador, visto que recebeu um novo coração e um novo espírito (Sl 51:10), bendiz ao Senhor por tudo que Ele faz pelos homens que N’Ele esperam (Sl 103:1), e em seguida bendiz a Deus pela sua magnificência (Sl 104:1). Não se esqueça que o Salmo 51 também é adoração, pois se constitui em oração a Deus, onde temos o salmista esperando em Deus que venha conceder um novo coração e um novo espírito (novo nascimento).

Somente adoram a Deus em espírito e em verdade aqueles que são agradáveis a Deus. Apesar de ser bonito ver uma pessoa que, quando diz o nome de Deus tira o chapéu de sobre a cabeça em sinal de reverência, não é este o modo pelo qual os homens se submetem ao Senhorio de Deus, antes só é possível tomar o jugo da justiça obedecendo à palavra de Deus, que é: Crede naquele que Ele enviou. Gestos e sinais de reverência não tornam os homens agradáveis a Deus. Entrar nos templos descalço não é reverência ao Altíssimo. Falar baixinho não se constitui em reverência a Deus. Entrar em um templo não é o mesmo que se apresentar ante o trono da graça. Somente por meio da verdade do evangelho (a fé que foi dada aos santos) o homem tem acesso à presença de Deus.

Quando a adoração de certos seguimentos evangélico/protestante foca-se na ritualística, na forma, na legalidade, na moral, em costumes, na tradição, e outros quesitos, simplesmente seguem o curso natural de outros seguimentos religiosos pagãos. Todas as religiões baseiam-se em conceitos, cerimônias, liturgia, rito padronizado, organização, liderança e experiência emocional ou mística.

O evangelho de Cristo não segue padrões humanos, visto que é pela fé e por fé somente. A fé (evangelho) que uma vez foi dada aos santos é a âncora da alma, segura e firme, que penetra além do véu, onde os que creem se refugiam e descansam (fé) na esperança proposta ( Hb 6:13 -20; Jd 1:3 ; Fl 1:27 ).

Para muitos a adoração vincula-se aos templos, sacrifícios, campanhas, peregrinações e cânticos e por um determinado espaço de tempo. Este modelo de culto segue a concepção carnal dos cultos das religiões em geral, visto que acabou por fomentar a ideia de que a adoração depende do comprometimento do homem com a instituição que frequenta, com a contribuição, com os sacrifícios, meditação, êxtase, transe, orações repetitivas, etc.

Mas o que Jesus anunciou acerca da verdadeira adoração? Que ela não está atrelada a templos (igrejas, mesquitas ou sinagogas), lugares (Jerusalém, Samaria, Gilgal), tempo (dias de festas e sábados), nação (judeus ou gentios), antes se vincula à nova natureza concedida na regeneração (novo nascimento).

O que o Pai procura nos verdadeiros adoradores? A conversa de Jesus com a mulher samaritana trás um escopo geral do que é essencial a adoração.

Qual o lugar de adoração dos verdadeiros adoradores? Ora, sabemos que Deus é Espírito, e que os seus adoradores o adoram em espírito e em verdade. Onde o espírito de Deus está aí há liberdade, ou seja, não importa o lugar, ou antes, em todos os lugares há liberdade para o homem estar na presença de Deus.

Como? Ora, não é necessário templos feitos por mãos humanas, pois todos os que creem foram edificados templos e casas espirituais, são templos e morada do Espírito "No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito" (Ef.2:22). Não é necessário sacerdotes, pois todos que creram foram comissionados a sacerdócio real (2Pe 2:9). Aonde quer que o cristão vá, ali ele é templo e habitação do Altíssimo. Os verdadeiros adoradores adoram ao Pai em espírito e em verdade, para que de fato sejam livres.

Qualquer sistema religioso que aponta um determinado templo, cidade ou monte como sendo o lugar da manifestação da graça divina é um engodo. Você já ouviu do seu pastor que você é o templo onde Deus habita? Que você é a casa do Deus vivo? Que você adora o Pai em espírito e em verdade? Que não são as instituições e nem os homens que lhe conduziu a glória de Deus?

Se você é templo; Se você é sacerdote do Rei; Se você é o próprio sacrifício VIVO; se você é o ofertante, o que mais lhe falta para prestar o culto racional a Deus, onde, quando e com quem você estiver? Você é adorador em todos os momentos da sua nova vida em Cristo, e são estes adoradores que o Pai procura através da mensagem do evangelho. Se você crê em Cristo conforme as escrituras, você é um dos adoradores que o Pai ‘encontrou’ "E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida" (Lc.15:6).
  

Em nossos dias creem em promessas vazias de prosperidade, em bênçãos materiais, em visões provenientes de mentes carnais, em profecias de homens corruptos de entendimento, porém, estas pessoas que demonstram ser crédulas, diante da mensagem do evangelho que diz que todos os cristãos são como pedras vivas, e que foram edificados como casa espiritual sobre a Pedra Viva que foi rejeitada pelos homens, não creem. Rejeitam a palavra que diz que os cristãos são sacerdotes santos; rejeitam que os que creem oferecem sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus (1Pe 2:4-5).

Não serão cânticos gregorianos que farão os filhos da ira e da desobediência verdadeiros adoradores; cânticos e poesias sussurrados na penumbra de templos suntuosos não farão do homem natural um verdadeiro adorador. Não são os espetáculos de luzes e vozes em coro, acompanhados de instrumentos musicais, que servem somente para emocionar a platéia, que darão ao homem a alegria da salvação. Antes, necessário é nascer de novo, adquirindo um novo coração e um novo espírito.


Muitas pessoas pensam que o cântico é um modo do homem se aproximar de Deus e agradá-lo. Acham que nos hinos está o verdadeiro louvor. Enganoso é o coração dos homens. O povo de Israel em uma determinada guerra pensou deste modo, e a derrota na batalha foi maior! Pensaram que a vitória estaria na arca e cantaram e jubilaram com grande júbilo, que acabou por perturbar os inimigos. Porém, Deus não se sensibilizou com o espetáculo, com os cânticos e com as danças. O povo foi à guerra, foram derrotados e voltaram sem a arca da aliança, o ícone que elegeram para conduzi-los a vitória "E sucedeu que, vindo a arca da aliança do SENHOR ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu" (1Sm 4:5).

Na emoção não há vitória, antes a vitória está na obediência à palavra de Deus. Mas, como obedecer sem descansar (fé) naquele que prometeu? Não era melhor obedecer a Deus e não levar a arca da aliança para a guerra.
Davi deixou a emoção guiá-lo e trouxe sobre si o peso do Senhor “Davi e toda a casa de Israel alegravam-se perante o Senhor, com todo tipo de instrumento...” (2Sm 6:5).
Deus não exige cânticos, júbilos, músicas, poesias e danças, antes quer que O obedeçam segundo a sua palavra (Dt 10:12-13). O temor é o princípio da sabedoria, e ao temer, Davi foi à fonte da sabedoria para inteirar-se da vontade de Deus: “Temeu Davi ao Senhor naquele dia, e disse: Como virá a mim a arca do Senhor” (2Sm 6:9).

Muitos deixam de perguntar à sabedoria qual a verdadeira adoração e se deixam levar pelos grandes espetáculos e show de luzes, que na essência é um culto a Mamon. Tal ajuntamento simplesmente serve a interesses do capital. Tais cultos servem aos interesses de homens movidos pela ganância e que busca o prêmio de Balaão (Jd 1:11).

Porém, parece que nestes últimos dias o aviso solene que ecoa pelas escrituras não sensibiliza as massas, e temos na Bíblia dois motivos como causa desta realidade:
  • Em nossos dias proliferaram os pastores que apascentam a si mesmos, que andam segundo a concupiscência dos olhos e consideram que o evangelho é fonte de lucro “Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências...” (Jd 1:12 -16);
  • O público que atraem não é outro, a não ser aqueles que tem comichão nos ouvidos e que não querem receber a sã doutrina do evangelho "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências" (2Tm.4:3).
Observe que a concupiscência é algo comum aos ‘pastores’ que apascentam a si mesmo e as ‘ovelhas’ que sofrem de comichão nos ouvidos e que buscam amontoar estes ‘pastores’.
Não sou contra o ajuntamento solene, pois a bíblia demonstra que é imprescindível que os cristãos congreguem e se exercitem no amor; é nas reuniões que as escrituras são lidas, analisada e entoadas para que haja o consolo mútuo entre os cristãos através do que lhes é comum: a verdade do evangelho.

Qual a função dos cânticos e salmos? Adoração? Ora, é de conhecimento geral que a maioria do povo não sabia ler. À época os livros eram caríssimos, e poucas pessoas possuíam um exemplar de algum livros das escrituras. Por causa desta carência de livros e de pessoas que soubessem ler os cânticos, os provérbios e os salmos foram instituídos para auxiliar o povo a gravar na memória o que aprenderam acerca da vontade de Deus.
Este era um dos motivos das escrituras ser lida nas sinagogas todos os sábados em voz alta. Tal rotina não constituía um ritual de per si, antes tinha em vista uma carência do povo. Ora, a adoração não estava atrelada aos cânticos, salmos e provérbios, visto que a adoração verdadeira é proveniente do novo espírito e do novo coração concedidos por Deus (Ez 18:31; Sl 51:10).

O objeto manipulado nas reuniões dos primeiros cristãos eram os salmos e cânticos espirituais, pois fixava na memória dos irmãos a verdade do evangelho "A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração" (Cl 3:16); "Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração" (Ef 5:19).
Perceba que ensinar, ou admoestar e falar uns com os outros não se constitui em adoração como muitos entendem em nossos dias. Ou seja, cânticos, hinos e salmos eram utilizados no processo de ensino, admoestação e comentários à palavra do evangelho, o que é diferente da ideia de adoração, que só é possível em espírito e em verdade.

Ou seja, os cristãos devem reunir-se periodicamente (congregar), porém, as reuniões não se constituíram adoração ou culto ao Senhor. As reuniões tem como objetivo o ensino da palavra, visto que o culto é racional e a adoração perene (nunca cessa).