Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. (Mateus 3:11)
João foi
enviado por Deus para preparar o caminho para Jesus, pregando sobre a
necessidade de arrependimento e batizando os que reconheciam essa
necessidade. Ele nunca usurpou o papel de Cristo, pelo contrário, se
alegrava de seu ministério, como pode ser visto com clareza em João 3:25-36:
Surgiu uma discussão entre alguns discípulos de João e um certo judeu, a respeito da purificação cerimonial.
Eles se dirigiram a João e lhe disseram:
"Mestre,
aquele homem que estava contigo no outro lado do Jordão, do qual
testemunhaste, está batizando, e todos estão se dirigindo a ele".
A isso João respondeu:
"Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado do céu.
Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: Eu não sou o Cristo, mas sou aquele que foi enviado adiante dEle. A
noiva pertence ao noivo. O amigo que presta serviço ao noivo e que o
atende e o ouve, enche-se de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a
minha alegria, que agora se completa. É necessário que ele cresça e que eu diminua.
"Aquele
que vem do alto está acima de todos; aquele que é da terra pertence à
terra e fala como quem é da terra. Aquele que vem do céu está acima de
todos. Ele testifica o que tem visto e ouvido, mas ninguém aceita o seu testemunho. Aquele que o aceita confirma que Deus é verdadeiro. Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, porque ele dá o Espírito sem limitações. O Pai ama o Filho e entregou tudo em suas mãos. Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele".
Sim,
João tinha ciência de seu papel e tinha prazer nisso, mas o que eu
quero ressaltar é o que ele fala sobre os batismos que Jesus realizaria.
Notemos que João menciona que ele batizava com água, mas que Jesus batizaria as pessoas com o Espírito Santo e com fogo.
É importante notar que apesar desse texto, por si só, não informar isso, em João 4:2 vemos que Jesus não batizava com água:
Os fariseus ouviram falar que Jesus estava fazendo e batizando mais discípulos do que João, embora não fosse Jesus quem batizasse, mas os seus discípulos. (João 4:1-2)
Através
deste texto vemos que Jesus não praticava a cerimônia do batismo, apenas
seus discípulos o faziam. Mas sendo assim, como entender os batismos
com o Espírito Santo e com fogo?
Primeiramente
é importante ter essa noção de que "com o Espírito Santo e com fogo"
não são uma coisa só. Não se trata de um único batismo em que ambas as
coisas são "sinônimas" ou que se complementem, pelo contrário, são
opostas entre si.
Em segundo
lugar, apesar de alguns acharem que esse batismo se refira ao dom de
línguas devido ao que lemos em Atos 2, veremos que esse é um erro grave,
até porque o batismo com fogo não é "uma bênção" que algum de nós
devesse desejar.
Para entendermos melhor, vamos analisar o contexto todo:
Naqueles dias surgiu João Batista, pregando no deserto da Judéia. Ele dizia: "Arrependam-se, porque o Reino dos céus está próximo". Este é aquele que foi anunciado pelo profeta Isaías: "Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’".
As
roupas de João eram feitas de pelos de camelo, e ele usava um cinto de
couro na cintura. O seu alimento era gafanhotos e mel silvestre. A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judéia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.
Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes:
"Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Deem fruto que mostre o arrependimento! Não
pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu
lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão.O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.
Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga". (Mateus 3:1-12)
Vamos então considerar alguns pontos sobre o que lemos:
1) batismo de arrependimento
A
mensagem constante e essencial de João Batista era o chamado ao
arrependimento, que levava à confissão de pecados e ao batismo com água
que ele realizava no rio Jordão. Sendo assim, a primeira coisa que
devemos entender é que, o arrependimento é fruto do reconhecimento dos
pecados ou da condição pecaminosa, e o ato da confissão e batismo eram
os sinais externos e que serviam de testemunho sobre esse
arrependimento.
Porém,
sabemos que o ato do batismo poderia ser algo apenas externo sem que
houvesse transformação interna verdadeira. Hipocritamente muitos podem
viver uma vida religiosa e participar das atividades de suas comunidades
cristãs, e isso não é sinônimo de que elas realmente sejam salvas.
O que
podemos então assumir com a pregação sobre o arrependimento é que
aqueles que verdadeiramente foram regenerados e convertidos tem o perdão
dos seus pecados, mas aqueles que permanecem na vida pecaminosa
continuam caminhando para o inferno. (João 3:36, I João 1:6)
Desta forma,
a própria aceitação verdadeira da mensagem pregada por João já separava
os verdadeiros filhos de Deus daqueles que não eram, tanto pela
hipocrisia quanto pela própria rejeição aberta da mensagem.
Então já temos aí 2 grupos: os salvos e os condenados.
2) as profecias
Vemos
que João Batista assume que era sobre ele que o profeta Isaías anunciou
como aquele que prepararia o caminho para Cristo, e era sobre ele que
Malaquias também havia anunciado séculos antes. Vamos analisar o que
eles disseram:
Uma voz clama: "No deserto preparem o caminho para o Senhor; façam no deserto um caminho reto para o nosso Deus. Todos
os vales serão levantados, todos os montes e colinas serão aplanados;
os terrenos acidentados se tornarão planos; as escarpas, serão
niveladas. A glória do Senhor será revelada, e, juntos, todos a verão. Pois é o Senhor quem fala".
(Isaías 40:3-5)
"Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E
então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o
mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá", diz o Senhor dos
Exércitos. Mas
quem suportará o dia da sua vinda? Quem ficará de pé quando ele
aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão do
lavandeiro. Ele
se sentará como um refinador e purificador de prata; purificará os
levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas
com justiça. (Malaquias 3:1-3)
"Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e terrível dia do Senhor. Ele fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais; do contrário eu virei e castigarei a terra com maldição." (Malaquias 4:5-6)
Vemos que João era esse homem anunciado ao lermos o que o anjo Gabriel disse a seu pai Zacarias antes mesmo dele nascer:
Mas
o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida.
Isabel, sua mulher, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois
será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida
fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu
nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E
irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer
voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria
dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor". (Lucas 1:13-17)
O que o anjo
anuncia é justamente aquilo que havia sido profetizado, e João Batista
era então esse homem anunciado, precursor de Cristo. E sobre essa vinda
de Cristo também lemos algo relativo aos "batismos" que Ele realizaria:
"Pois certamente vem o dia, ardente como uma fornalha. Todos os arrogantes e todos os malfeitores serão como palha, e aquele dia, que está chegando, ateará fogo neles", diz o Senhor dos Exércitos. "Nem raiz nem galho algum sobrará. Mas
para vocês que reverenciam o meu nome, o sol da justiça se levantará
trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros
soltos do curral. Depois esmagarão os ímpios, que serão como pó sob as solas dos seus pés no dia em que eu agir", diz o Senhor dos Exércitos. (Malaquias 4:1-3)
Aqui novamente vemos a distinção entre aqueles que seriam condenados e aqueles seriam salvos.
3) o Espírito Santo e o fogo
Esse é o ponto em que mais se tem confusão, e que certamente merece uma análise mais cuidadosa.
Muitos
entendem que a referência ao fogo traz consigo uma mensagem de
purificação ou poder, se baseando por exemplo em passagens que dão essa
ideia.
Por
exemplo, quando o anjo de DEUS apareceu para convocar Moisés a conduzir
o povo em seu resgate do Egito, isso ocorreu em meio a chamas em torno
de uma sarça que não se queimava (Êxodo 3). Quando Elias desafiou
os profetas de Baal a invocarem seu deus, depois do fracasso deles DEUS
enviou fogo que consumiu todo o holocausto preparado e ainda queimou as
pedras e secou toda a água (I Reis 18:21-39). Quando Isaías foi
chamado por DEUS para pregar ao povo obstinado, um serafim tocou seus
lábios com uma brasa viva para purificá-los (Isaías 6).
Assim como esses exemplos, há textos que apontam o fogo como fator para purificação (ou refinamento. Ex.: prata - Salmo 66:10)
mas observando o contexto em que lemos sobre o batismo de fogo fica
evidente de que não é disso que se trata.. Além disso, vemos nas
Escrituras que o fogo quase sempre está relacionado com a destruição,
lembrando da destruição de Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre(Gênesis 19:23-24), do inferno como sendo "o fogo que nunca apaga" (Apocalipse 20:10), e da própria definição que "Deus é fogo consumidor" se referindo ao Seu Juízo (Hebreus 12:25-29).
(Até mesmo o texto de I Reis mencionado antes também tem essa conotação)
Alguns
entendem que por se tratar de um único batismo com o Espírito Santo +
fogo, isso tenha relação com o dom de línguas conforme foi descrito em Atos 2:
Chegando o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num só lugar. De repente veio do céu um som, como de um vento muito forte, e encheu toda a casa na qual estavam assentados. E viram o que parecia línguas de fogo, que se separaram e pousaram sobre cada um deles.
Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava.
(Atos dos Apóstolos 2:1-4)
O
erro nessa interpretação é simples: apesar das línguas com aparência de
fogo, o texto não diz que as pessoas foram "batizadas com fogo". Não há
nada na passagem que afirme que o fogo purificou as pessoas. Aliás, a
passagem apenas fala sobre aparência de fogo e não sobre as línguas serem "substancialmente" de fogo.
O que
devemos entender é que esse evento da descida do Espírito Santo foi
singular e milagroso. A passagem inclusive mostra que as pessoas viram essas
línguas com aparência de fogo pousarem sobre cada um deles. No próprio
livro de Atos vemos outras situações em que pessoas receberam o dom de
línguas mas sem qualquer menção a essas línguas com aparência de fogo
sendo vistas, ou seja, foi algo único e creio que serviu como
"ilustração" para aquele momento específico.
Mas é importante não desconsiderar que o texto pode dar a entender que devido às línguas de fogo as
pessoas ficaram cheias do Espírito Santo, e por isso mesmo se entende
que esse batismo com Espírito Santo e com fogo se refiram a uma mesma
coisa, porém não é isso que o texto diz.
O que lemos é que:
1) as línguas com aparência de fogo pousaram sobre as pessoas;
2) essas pessoas ficaram cheias do Espírito Santo;
3) essas pessoas passaram a falar em idiomas que não conheciam devido a capacitação do Espírito Santo.
Nesse
evento (único, como já frisei), essas 3 coisas ocorreram em ordem, e
pode-se dizer que uma em consequência da outra, porém essa não pode ser
tida como uma regra para todas as situações. Quero dizer, nem sempre
seria ou é necessário que uma língua com aparência de fogo pousasse
sobre uma pessoa para que ela ficasse cheia do Espírito Santo, nem para
que ela exercesse o dom de línguas.
Por exemplo, a bíblia mostra que João Batista era cheio do Espírito Santo desde o nascimento (Lucas 1:15),
e não há qualquer menção de línguas com aparência de fogo pousando
sobre a barriga de sua mãe grávida ou algo semelhante. Como eu disse,
apesar dessas coisas estarem relacionadas entre si na descrição de Atos 2, isso não cria uma regra geral para todos os casos.
A
descida do Espírito Santo foi um momento único (eu já disse isso??),
anunciado previamente por Jesus antes de Sua oração sacerdotal:
Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês O conhecem, pois Ele vive com vocês e estará em vocês. (João 14:15-17)
"Agora que vou para aquele que me enviou, nenhum de vocês me pergunta: ‘Para onde vais?’ Porque falei estas coisas, o coração de vocês encheu-se de tristeza. Mas eu lhes afirmo que é para o bem de vocês que eu vou. Se eu não for, o Conselheiro não virá para vocês; mas se eu for, eu o enviarei. Quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo. Do pecado, porque os homens não creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está condenado. Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, Ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês. Tudo o que pertence ao Pai é meu. Por isso eu disse que o Espírito receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.
Mais um pouco e já não me verão; um pouco mais, e me verão de novo". (João 16:5-16)
Sendo um momento único (assim como o nascimento de Jesus, por exemplo), nunca se repetirá da mesma forma.
O
Espírito Santo é quem leva o pecador eleito por Deus ao arrependimento,
e à fé na obra redentora de Cristo, além de conduzir os cristãos e
testificar sobre a nossa salvação.
Esse é o batismo que recebemos, que se iniciou com o evento de Pentecoste em Atos 2 mas
que acompanha a todos os cristãos genuínos, mesmo sem os sinais que
acompanharam aquele evento: as línguas com aparência de fogo pousando
sobre as pessoas e o dom de línguas que permitia que pessoas falassem
idiomas estranhos a si mas compreensíveis aos ouvintes.
A
universalidade desse batismo em relação a toda a Igreja de Cristo e não
somente a parte dela pode ser constatada com facilidade nesse texto:
Ora, assim
como o corpo é uma unidade, embora tenha muitos membros, e todos os
membros, mesmo sendo muitos, formam um só corpo, assim também com
respeito a Cristo.
Pois em um só corpo todos nós fomos batizados em um único Espírito: quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um único Espírito. (1 Coríntios 12:12-13)
O Espírito Santo foi dado a toda a Igreja, sem acepção de membros.
Todos os que são realmente filhos de Deus receberam esse batismo com o Espírito Santo:
Ora, é Deus que faz que nós e vocês permaneçamos firmes em Cristo. Ele nos ungiu, nos selou como sua propriedade e pôs o seu Espírito em nossos corações como garantia do que está por vir.
(2 Coríntios 1:21-22)
Para concluir, voltemos ao texto inicial para a análise do contexto direto..
Quando viu que muitos fariseus e saduceus vinham para onde ele estava batizando, disse-lhes:
"Raça de víboras! Quem lhes deu a idéia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento! Não
pensem que vocês podem dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu
lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão.O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga". (Mateus 3:7-12)
As palavras
de João foram proferidas quando avistou os fariseus e saduceus, que eram
conhecedores das Escrituras mas que em sua maioria seguiam mais suas
próprias tradições e agiam de forma hipócrita. João então ressalta que o
fato de serem descendência de Abraão não tem qualquer importância em
relação à salvação, dizendo que eles deviam demonstrar um verdadeiro
arrependimento, e que toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.
Vemos então que a menção ao fogo era relativa à destruição e não a algum tipo de purificação, inclusive por citar que o machado já está posto à raiz das árvores e que essas "árvores" seriam cortadas e queimadas devido aos maus frutos.
Logo depois de mencionar o batismo com o Espírito Santo e com fogo, João explica o que isso significa: Ele traz a pá em sua mão e limpará sua eira, juntando seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga".
Ou seja, Jesus recolheria Seu povo trazendo-lhe salvação, e traria condenação aos que não se arrependessem de seus pecados e vivessem uma nova vida transformada.
Isso fica muito claro no capítulo 3 do livro de João, e bem resumido no versículo 18:
Quem nEle crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus.(João 3:18)
Outra passagem que mostra essa condenação pelo fogo de uma forma parecida é aquela que fala sobre o joio e o trigo:
Jesus lhes contou outra parábola, dizendo: "O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi.Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu.Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio? ’‘Um inimigo fez isso’, respondeu ele. "Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que vamos tirá-lo? ’Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderão arrancar com ele o trigo.
Deixem que cresçam juntos até à colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro’". (Mateus 13:24-30)
Nesse caso
o joio corresponde aos falsos cristãos que participam das atividades da
Igreja, como se estivessem infiltrados (mesmo que nem se deem conta
disso) e agindo de forma hipócrita a ponto de não ser possível se
identificar que não são realmente convertidos. Nesse caso Jesus diz que
não devemos tentar localizá-los e arrancá-los da Igreja, mas que no
tempo do Juízo eles sofrerão a condenação devida. Lá são inclusive
mencionados o recolhimento do trigo e o fogo como meio para a condenação, da mesma forma que em Mateus 3:12.
Então
por mais que alguns tentem usar alguns textos para se tentar redefinir o
sentido do batismo com o Espírito Santo e o batismo com fogo, o próprio
contexto não dá margem para essas interpretações. E por isso mesmo, não
faz qualquer sentido desejarmos sermos 'batizados com fogo', devemos
sim celebrar a nossa salvação graças à misericórdia divina que dura para
sempre.
http://www.barrabaslivre.com/2014/05/os-batismos-de-cristo.html