Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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2 de junho de 2020

A natureza dos demônios – agentes da maldade no mundo espiritual


A real origem de satanás | Anjos, Anjos e demônios, Anjos de luz


I. A origem dos demônios

A Bíblia é clara como a luz do sol quanto à atuação dos demônios desde os primórdios da humanidade, mas especialmente com o início do ministério de Jesus e subsequente trabalho da Igreja por ele fundada para suplantar o reino das trevas. É igualmente clara quando nos fala do fim destes demônios, sua derrota e eterna prisão no lago de fogo. Todavia, no que diz respeito à origem dos demônios, a Bíblia já não é tão clara como gostaríamos. Na verdade, quanto à origem dos anjos de modo geral a Bíblia não nos traz muitas informações. Trabalharemos, então, nesta lição contentes com a dádiva das Escrituras, submetendo a elas nossas convicções e evitando, como nos ensinam os bons hermeneutas, estabelecermos dogmas em cima de textos de difícil ou controversa interpretação.

Anjos caídos e os demônios

É certo que toda vida procede de Deus, e que nenhuma criatura inteligente há no reino dos anjos ou no reino dos homens que não tenha sido criado pelo Soberano de todo o universo. Não cremos em “geração espontânea” no mundo espiritual. Com exceção do pecado e da maldade, podemos dizer que tudo foi trazido à existência pelo poder, sabedoria e amor do grande Dominador, o Pai das luzes (Tg 1.17).

Entretanto, tudo o que Deus criou, Ele criou em estado de pureza e bondade (Gn 1.31). Visto que o Senhor é onibenevolente (totalmente cheio de bondade), é certo que Ele não criou satanás como satanás ou para ser satanás; nem criou os demônios como seres malignos, objetivando colocar propositalmente desordem na criação e embaraços diante dos homens. Ele os criou como anjos bons, criaturas belas, poderosas e dotadas de grande inteligência. Todavia, estes anjos “quando pecaram” (2Pe 2.4) e “não guardaram o seu estado original, mas abandonaram seu próprio lugar” (Jd v. 6), foram removidos de sua posição gloriosa, caíram em condenação e tiveram sua natureza pervertida pelo mal que abraçaram.

Acompanho a posição mais frequente entre os antigos Pais da igreja no que concerne à origem dos demônios, que é, segundo Esequias Soares, a de que “o diabo e os demônios são criaturas de Deus, [mas] a maldade deles não é inata, mas consequência do [mau uso] do livre-arbítrio” [1]. Embora seja difícil precisar em que momento exato se deu a queda destes anjos que se transformaram em demônios (há quem pense que ela se deu no céu, antes da criação do mundo; outros pensam que ela se deu após a criação), o fato é que nalgum momento se apartaram de livre vontade da justiça para que foram criados. Sua natureza foi pervertida irremediavelmente! A despeito do fatídico filme Noé (2014, direção: Darren Aronofsky) mostrar anjos caídos ajudando o patriarca Noé na construção da grande arca e finalmente sendo readmitidos na corte celestial – grotesca distorção da narrativa bíblica! -, a verdade é que para os anjos caídos não há qualquer propiciação ou redenção. Uma vez demônios, demônios para sempre!

A expulsão do querubim ungido

Orígenes, um dos pais gregos da Igreja no século III, costuma ser citado como destaque entre os cristãos na interpretação de que os textos de Isaías 14 (especialmente versículos 12 a 15) e Ezequiel 28 (especialmente, vv. 12 a 19) fazem alusões à queda do “querubim ungido”, que veio a ser satanás. Entretanto, como todos sabemos, Orígenes foi um grande teólogo alegórico, cujo método de interpretação das Escrituras muitas vezes abusava e extrapolava os limites do sentido original do texto.

A interpretação de Orígenes quanto aos textos de Isaías e Ezequiel foi acompanhada por outros antigos doutores, como Jerônimo, Ambrósio de Milão e Agostinho, considerado por muitos como o maior teólogo cristão do ocidente. Esta interpretação que vê referência à queda de satanás nas profecias de Isaías e Ezequiel é a que mais se popularizou entre os evangélicos, como se vê hoje, inclusive em notas explicativas de Bíblias de estudo, em comentários bíblicos e em manuais de teologia sistemática (com autores quase sempre reproduzindo o que ouviram e leram, e não fazendo uma exegese séria e profunda do texto). Não obstante, como pontuado por Esequias Soares, “grandes expositores da Reforma Protestante foram unânimes em não endossar essa ideia. Lutero e Calvino disseram que seria um erro aplicar o nome de Satanás aqui” [2]. Parece que o método histórico-gramatical de interpretação das Escrituras, tão preferido pelos reformadores, não tem sido levado em conta por muitos expoentes protestantes modernos.

Não disponho de tempo, espaço, nem condições suficientes para expor aqui uma exegese destes capítulos bíblicos dos profetas; todavia, adianto que estou muito mais próximo dos reformadores do que daqueles antigos Pais quanto à interpretação de Isaías 14 e Ezequiel 28 (ao final deste estudo disponibilizarei aos leitores um link do Youtube onde os interessados poderão assistir aquela que eu jugo ser a melhor exposição sobre demonologia, feita pelo Dr. Carlos Augusto Vailatti, onde ele inclusive explica estes capítulos dos profetas [3]). Não creio que estes capítulos possam estar nos oferecendo intencionalmente uma descrição dos motivos que levaram satanás ao precipício, ainda que para alguns “essas características [destacadas nos textos bíblicos] ultrapassam a de qualquer ser humano” [4]. Dou algumas razões da minha posição divergente:

Uma das regras básicas da Hermenêutica, que qualquer aluno curioso de Escola Dominical já aprendeu é: o contexto explica o texto. Qual o contexto de Isaías 14 e Ezequiel 28? Descrições sobre o mundo espiritual? Narrativas sobre a queda do diabo? Profecias dirigidas aos espíritos das trevas? Não! De Isaías 13.1 a 14.23 o que temos são profecias dirigidas ao império babilônico, cuja derrocada é prenunciada a despeito de sua força e glória pujantes. O contexto começa identificando o destinatário da profecia, que não é o diabo: “Advertência contra a Babilônia…” (Is 13.1, NVI). Igualmente Ezequiel 28.1-19 tem seu destinatário identificado: “…Filho do homem, diga ao governante de Tiro…”. Até onde sabemos, o diabo não é a Babilônia, nem nunca foi rei de Tiro, embora “o mundo jaz no maligno” e o diabo seja “o deus deste século”!

Nenhuma vez sequer estas profecias são citadas por Jesus ou pelos autores do Novo Testamento como sendo referências à precipitação do diabo. Aos que buscam uma “dupla aplicação” destes textos, pondero que de modo geral quando esta dupla aplicação existe sobre o texto veterotestamentária, ela nos é apontada pelos autores neotestamentários. O que definitivamente não ocorre neste caso. Deveríamos ser cautelosos ao dar interpretações à Isaías 14 e Ezequiel 28 que, além de não condizerem com os respectivos contextos, ainda não se podem ser sustentadas nos apóstolos do Senhor. Traçar um paralelo e concluir que porque Jesus via satanás “como raio, cair do céu” (Lc 10.18), as profecias daqueles antigos autores bíblicos devam necessariamente referir-se à queda do diabo é demasiadamente forçoso! Nem mesmo 1Timóteo 3.6, onde Paulo desaconselha a consagração do novo convertido ao episcopado “para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo”, pode ser tomado para endossar a interpretação de que Isaías 14 e Ezequiel 28 necessariamente referem-se à queda de satanás. Isto porque além de não haver uma correspondência direta entre os textos, os exegetas sabem que é difícil precisar o que Paulo está dizendo: se o obreiro neófito, devido o orgulho, cairia na mesma condenação em que caiu o diabo (daí inferiríamos que o diabo caiu devido soberba), ou se o obreiro neófito, devido o orgulho, cairia na condenação que o diabo faria contra ele, visto que o diabo é o “acusador de nossos irmãos” (Ap 12.10).

A não ser que minha memória esteja enganada, não me recordo de nenhuma profecia dirigida diretamente à satanás. Sim, há profecias sobre a queda de satanás, como a do apóstolo Paulo aos romanos: “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés” (Rm 16.20). Todavia, esta profecia não foi destinada ao diabo, mas aos crentes romanos! Paulo não remeteu sua carta ao diabo. Certamente Paulo, ou os demais autores bíblicos, não cometeriam o erro grotesco que se vê hoje em muitas igrejas pentecostais e neopentecostais, onde pastores e pregadores sem instrução chamam o povo para dar gargalhada na cara do diabo, soltar “uma rajada de línguas na cara de satanás” ou “cantar bem alto pra satanás ouvir”. Seria estranho que Deus usasse seus profetas para levar uma mensagem ao diabo, falando diretamente a ele nos termos “ó estrela da manhã, filha da alva” (Is 14.12, ARC) ou “tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura” (Ez 28.12). Creio que a regra aqui é simples: tudo o que Deus tiver de falar ao diabo, falará a ele pessoal e diretamente, não usando mediadores humanos para isso (a não ser nos casos de expulsão de demônios, onde, obviamente, a igreja está investida de autoridade, não para profetizar aos demônios, mas para manda-los embora no nome de Jesus – Mc 16.17).

As profecias de Isaías e Ezequiel, sobre as quedas respectivas de Babilônia e de Tiro, estão cheias de linguagem metafórica e de hipérboles – o que é comum na linguagem profética do Antigo Testamento. A beleza e a grandeza destes reinos são propositalmente exageradas nas descrições dos profetas tanto para mostrar a aparente imponência destes reinos vaidosos quanto para enfatizar a tragédia e vergonha de sua queda. É tão equivocado, a meu ver, pensar literalmente que o rei de Tiro fosse um “querubim ungido” (Ez 28.14), quanto é igualmente errado supor que tal descrição refira-se ao diabo, quando o contexto, como já dissemos, não trata de satanás, nem outro lugar algum da Bíblia fale de satanás como um querubim. É mais sensato pensar que estas expressões sejam linguagens figuradas para ressaltar a beleza, riqueza e poderio destes reinos.

Quanto aos que insistem que estas profecias podem se referir sim à queda do anjo de luz, que pesem as declarações dos próprios textos bíblicos sobre a natureza desse ser: “É esse o homem que fazia tremer a terra, abalava os reinos” (Is 14.16, NVI) e “Mas você é um homem, e não um deus” (Ez 28.2, NVI). É de homens que estas profecias falam, e não de um anjo caído! Mas não contenderei com os que têm opinião adversa.

II. A batalha no céu

O arcanjo Miguel e o dragão


O texto de Apocalipse 12, cheio de simbolismos como é típico deste último livro da Bíblia, fala de uma grande batalha entre Miguel e o diabo, com os respectivos anjos que acompanham cada um (vv. 7-9). Satanás, que está representado na figura de um “dragão” (gr. drakon, monstro, grande serpente), é derrotado, precipitado dos céus e lançado na terra para suas últimas investidas contra os planos do Senhor.

Embora alguns façam uma interpretação preterista deste texto, isto é, pensem que se trata da queda passada de Satanás do céu com os anjos que o acompanharam em sua rebelião, creio não ser esta a interpretação adequada, visto que as revelações do Apocalipse dizem respeito “as coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1) e “as coisas que depois destas devem acontecer” (Ap 4.1). Portanto, Apocalipse 12 fala de uma batalha que ainda está por acontecer, e não que já aconteceu no passado remoto.

Acompanho eminentes intérpretes das Escrituras como Stanley Horton, Paul Fink, Charles Ryre e Dave Hunt [5], para os quais este texto do Apocalipse trata de uma batalha futura na qual uma nova derrota de satanás já está prenunciada. Aquele mesmo Miguel que outrora não ousou pronunciar juízo de maldição contra o diabo quando contendia com ele pelo corpo de Moisés (Jd v. 9), agora estará investido, junto com seus anjos, de autoridade para impor derrota ao diabo, e proteger o povo de Israel durante o período tribulacional [6]! Se Miguel estará investido de tamanho poder para triunfar sobre o maioral dos demônios, quão grande não é o poder do Deus que investiu seu arcanjo de tal autoridade? Aleluia!

A vitória final sobre satanás


Parece razoável concluir que, a partir de uma interpretação futurista de Apocalipse 12, satanás ainda hoje continue apresentando-se diante de Deus para acusar os nossos irmãos de dia e de noite, isto é, incessantemente (Ap 12.10). Há um acesso restrito de satanás à presença santa do Deus todo-poderoso, porém, muito em breve tal entrada lhe será recusada e ele será banido para sempre!

Há muitas batalhas quem vêm sendo travadas contra satanás desde o princípio. A primeira delas ele já perdeu, quando foi removido de seu domicílio celestial. Muitas batalhas satanás perdeu quando Cristo e seus discípulos expulsavam demônios das pessoas possessas e colocavam-nas em liberdade. Tudo isso foram golpes na antiga serpente. Sua cabeça, porém, foi pisada com força na cruz do Calvário, quando Cristo bradou “Está consumado” (Jo 19.30; Gn 3.15).

Ali, na cruz, e não no inferno como alguns pregadores sensacionalistas dizem, satanás sofreu uma dura derrota! Porém, seu domínio no reino espiritual e entre os homens não foi totalmente removido, embora ele já esteja sob julgamento condenatório. A serpente de cabeça esmagada continua a sacudir-se e fará de tudo para arrastar tantos quantos puder ao inferno. Outras batalhas são e serão travadas diariamente, até que a guerra seja finalmente vencida após o Milênio. Todavia, se o resistirmos firmes na fé, ele fugirá de nós (Tg 4.7). Os últimos capítulos da Escrituras – que não podem falhar (Jo 10.35) – nos garantem: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10).

III. O maioral dos demônios

Sua identidade

Derivado do hebraico satan, ele é chamado de Satanás (que quer dizer “adversário”); derivado do grego diabolos, ele é chamado de diabo (que significa “acusador” ou “caluniador”, “aquele que provoca desacordo”). Os significados às vezes são intercambiáveis nos dois nomes. Ele é certamente nosso maior inimigo externo, que não cessa de procurar ocasiões para nos fazer pecar, desviar da verdade, lançar-nos em condenação ou privar-nos de seguir avante na obra de Deus.

Seu nome latinizado, Lúcifer, não é bíblico (embora algumas traduções tenham equivocadamente traduzido assim e acabem induzindo o leitor ao erro), mas respalda-se numa interpretação histórica, de que a “estrela da manhã filho da alva” (hb. helel ben shachar) de que fala em Isaías 14.12 seja o diabo (ao invés do rei de Babilônia). Entretanto, exegeticamente não há nenhum nome próprio citado no versículo 12 de Isaías 14, logo a tradução em latim mais adequada seria de um substantivo comum e não de um substantivo próprio: lúcifer (um título), ao invés de Lúcifer (um nome próprio). Aliás, diga-se de passagem que até mesmo Jesus é chamado de lúcifer, quando traduz-se para o latim a expressão “estrela da manhã” em Apocalipse 22.16. Mas alguém está disposto a chamar Jesus de Lúcifer?! É melhor nos despirmos desse equívoco!

Seu poder

É inegável que satanás seja um ser poderoso, mais até do que os homens e os demais demônios (2Ts 2.9), embora nenhuma criatura seja onipotente como Deus. É também inegável que existem “castas” ou “classes” de demônios mais poderosas que outras – as quais só se expulsa mediante oração e jejum (Mt 17.21). É pura infantilidade a atitude de alguns crentes ou igrejas que ficam “cutucando a onça com vara curta”, chamando o diabo pra briga, tentando expulsar demônios com línguas estranhas, ou pisando na cabeça do diabo durante os cultos, quando na verdade só estão dando aos descrentes motivos para riso e servindo de espetáculo para o reino das trevas. Reconhecer a força e as habilidades de nosso oponente é um dos primeiros passos para a luta e a vitória! Por isto é que Paulo diz: “não ignoramos os seus ardis” (2Co 2.11).

Veja que até mesmo Paulo reconhecia ter sido impedido pelo adversário de visitar os irmãos de Tessalônica (1Ts 2.18). Deus, porém, que é poderoso e sabe das trevas trazer a luz, encontrou nesse impedimento uma boa ocasião para a produção de tão importante carta apostólica que é esta primeira carta aos Tessalonicenses, onde inclusive temos preciosa informação sobre o arrebatamento da igreja (4.13-18)! Se Paulo tivesse logrado êxito em sua viagem à Tessalônica, esta carta não teria sido necessária e nós desconheceríamos o rico conteúdo dela. Quando satanás pensava estar embargando a obra de Deus, ele estava apenas dando pretexto para outra obra ainda maior! Bem dizia Lutero, o diabo está na coleira de Deus! O diabo pode colocar uma vírgula no nosso caminho, mas só Deus colocará o ponto final!

Seu domínio

Pelo menos de cinco formas a Bíblia evidencia ser satanás o grande líder do reino das trevas, sob cujo governo estão submissos os demônios. Satanás é chamado de:

1. Belzebu, o príncipe [isto é, o principal] dos demônios (Mt 12.24,26)
2. o diabo e seus anjos – o que demonstra que o inimigo tem os seus asseclas (Mt 25.41)
3. o príncipe deste mundo (Jo 12.31)
4. o príncipe da potestade do ar (Ef 2.2)
5. o deus deste século (2Co 4.4)

Na tentação de Jesus no deserto, o diabo mesmo declara ter proeminência espiritual sobre o mundo e suas glórias efêmeras: “… a mim me foi entregue [todos os reinos do mundo, v. 5], e dou-o a quem quero” (Lc 4.6). Jesus não refutou a satanás dizendo-lhe que ele estava enganado ou mentindo, pois, como o próprio Jesus afirmou, satanás é “o príncipe deste mundo”. A refutação foi contra a tentativa de comprar a adoração do Filho de Deus (v. 8).

Vigiar, sim; ter medo, não!


Pensando na monstruosidade de suas ações, o diabo é comparado a um dragão (Ap 12.7). Pensando na sagacidade e na ação de seu veneno, o diabo é comparado a uma serpente (Ap 12.9); de fato, ele foi a antiga serpente do Éden que seduziu Eva a comer do fruto proibido (2Co 11.3; Gn 3). Pensando ainda nas afrontas e ameaças, o diabo é comparado a um leão (1Pe 5.8). Todavia, sua monstruosidade, sagacidade e ameaças nada podem contra aquele a quem Deus guarda (1Jo 5.18), pois “maior é o que está conosco” (2Cr 32.7). O diabo é um valente, mas Jesus é mais valente que ele e já o venceu no deserto e na cruz! (Lc 11.21,22)

IV. O poder de Jesus sobre os demônios

Não me delongarei neste tópico, pois creio que ele será melhor e mais adequadamente trabalhado no tópico III da próxima lição. Todavia, é bom que ele esteja aqui como uma nota confortadora ao final de uma lição cujo assunto possa parecer indigesto para alguns irmãos ou até mesmo motivo de espanto para outros.

Uma parte considerável dos evangelhos, especialmente os sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), abordam as obras de Jesus no que concerne aos milagres, curas e exorcismos. Para a terra espiritualmente “seca” de Israel (Is 53.2), onde o formalismo religioso tomava de conta e a religiosidade vã aliada à avareza no coração das grandes lideranças judaicas tornava-as indiferentes às necessidades espirituais do povo, Jesus apresentou-se com graça e poder do Espírito para evangelizar os pobres, curar os quebrantados de coração, pregar liberdade aos cativos, restauração da vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc 4.18,19). E quantos cativos e oprimidos foram libertos por ele!

Sejam quais e quantos forem, Jesus é maior


Do moço lunático, Jesus expulsou um demônio que o oprimia com violência (Mt 17.14-18); de Maria Madalena, Jesus expulsou sete espíritos imundos (Mc 16.9; Lc 8.2). Do homem de Gadara, Jesus expulsou uma legião – talvez milhares de demônios estavam ali fazendo de domicílio o corpo daquele pobre infeliz! (Lc 8.26-33) Tantos demônios quantos Jesus encontrara a todos mandava embora! Os próprios demônios reconheciam Jesus, sua autoridade e poder para manda-los imediatamente para o inferno se assim ele quisesse (Lc 8.28,31).

Que Cristo mui poderoso o nosso! De tal modo é poderoso que ele reparte seu poder com a Igreja e não fica enfraquecido; ele dá e não sente falta; distribui e não diminui! Salvos por ele e em comunhão com ele, desfrutamos de seu imensurável poder, conforme declarou: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19). Como dizia o Pr. Hernandes Dias Lopes, diante de Deus precisamos demonstrar humildade, diante do diabo devemos manifestar autoridade! Mas isso é assunto para a semana que vem, quando falaremos sobre a autoridade no nome de Jesus para expulsar demônios.

Conclusão


É certo que não podemos desenvolver obsessão por conhecer os espíritos das trevas além daquilo que nos está registrado nas Escrituras. Precisamos ter cuidado com a literatura mitológica (grega, romana ou africana), saturada de invencionices, superstições e engôdos; igualmente, devemos ser cautelosos quanto à literatura apócrifa, mesmo aquela produzida por antigos judeus e que eventualmente gozem de certo prestígio entre os teólogos, para que não incorramos no erro de dar demasiada confiança às “fábulas judaicas” (Tt 1.14; 1Tm 4.7). Também sejamos prudentes quanto aos supostos testemunhos de visões ou excursões ao inferno, que algumas pessoas, julgando-se muito espirituais, dizem ter vivido para depois sair por aí fazendo suas agendas, vendendo seus DVDs e apostilas sobre “as divinas revelações do inferno”. É melhor que nos contentemos com a dádiva das Escrituras, a inerrante Palavra de Deus, a revelação suprema e infalível!


Referências

[1] Esequias Soares. Batalha espiritual: o povo de Deus e a guerra contra as potestades do mal, CPAD, p. 59
[2] Esequias Soares. Op. cit., p. 54
[3] Assista a aula do Dr. Vailatti sobre o tema demonologia neste link: https://www.youtube.com/watch?v=ebto2MUfwkk
[4] Esequias Soares. Op. cit., p. 55
[5] Stanley Horton. Apocalipse: as coisas que brevemente devem acontecer, CPAD, p. 159-170; Paul Fink em Enciclopédia popular de profecia bíblica (Tim Lahaye e Ed Hindson, eds.), CPAD, p. 102; Charles Ryre, Bíblia de Estudo Anotada Expandida, Mundo Cristão, Apocalipse 12.7, nota de rodapé; Dave Hunt. Em defesa da fé cristã: respostas a perguntas difíceis, 2° ed., CPAD, p. 221.
[6] Miguel é um arcanjo cuja referência na Bíblia está sempre atrelada aos cuidados com o povo judeu. Ele é chamado de vosso príncipe (Dn 10.21) e de o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo (Dn 12.1). Segundo Horton, a mulher que é alvo da fúria do dragão em Apocalipse 12 “provavelmente represente Israel (o remanescente fiel)”. Sendo assim, faz todo sentido pensar em uma batalha angelical entre o arcanjo protetor deste povo e o diabo, que tentará a todo custo impedi-lo de ter acesso à salvação no período tribulacional – o tempo de angústia para Jacó (Jr 30.7) – , talvez até acusando os judeus pelos séculos passados de idolatria, ingratidão e por haverem entregue o próprio Filho de Deus para morrer. Suas acusações, porém, não prevalecerão.


Tiago Rosas

Casado, bacharel em teologia (Livre), evangelista da igreja Assembleia de Deus em Campina Grande-PB, administrador da página EBD Inteligente no Facebook e autor de quatro livros.

https://www.gospelprime.com.br/a-natureza-dos-demonios-agentes-da-maldade-no-mundo-espiritual/



26 de maio de 2020

A natureza dos demônios – agentes da maldade no mundo espiritual


Lições Bíblicas


Por que uma aula específica sobre a natureza e a atuação dos demônios? É mesmo necessário que dediquemos tempo a este assunto? Sim! A Bíblia, especialmente o Novo Testamento fala de modo abundante sobre a atuação dos espíritos malignos neste mundo e sua ambição por afastar os homens do caminho da retidão e arrastá-los ao inferno. Mesmo nós, os salvos, não estamos isentos dos assédios do inimigo. “O diabo anda em vosso derredor”, alerta-nos Pedro (2Pe 5.8). Os apóstolos do Senhor não ignoravam as intenções do diabo (2Co 2.11; Tg 4.7), por que deveríamos nós ignorar? Sem obsessões, fanatismos e crendices populares, estudemos hoje este assunto, sem ir além do que está escrito (1Co 4.6).

I. A origem dos demônios

A Bíblia é clara como a luz do sol quanto à atuação dos demônios desde os primórdios da humanidade, mas especialmente com o início do ministério de Jesus e subsequente trabalho da Igreja por ele fundada para suplantar o reino das trevas. É igualmente clara quando nos fala do fim destes demônios, sua derrota e eterna prisão no lago de fogo. Todavia, no que diz respeito à origem dos demônios, a Bíblia já não é tão clara como gostaríamos. Na verdade, quanto à origem dos anjos de modo geral a Bíblia não nos traz muitas informações. Trabalharemos, então, nesta lição contentes com a dádiva das Escrituras, submetendo a elas nossas convicções e evitando, como nos ensinam os bons hermeneutas, estabelecermos dogmas em cima de textos de difícil ou controversa interpretação.
 
Anjos caídos e os demônios

É certo que toda vida procede de Deus, e que nenhuma criatura inteligente há no reino dos anjos ou no reino dos homens que não tenha sido criado pelo Soberano de todo o universo. Não cremos em “geração espontânea” no mundo espiritual. Com exceção do pecado e da maldade, podemos dizer que tudo foi trazido à existência pelo poder, sabedoria e amor do grande Dominador, o Pai das luzes (Tg 1.17).

Entretanto, tudo o que Deus criou, Ele criou em estado de pureza e bondade (Gn 1.31). Visto que o Senhor é onibenevolente (totalmente cheio de bondade), é certo que Ele não criou satanás como satanás ou para ser satanás; nem criou os demônios como seres malignos, objetivando colocar propositalmente desordem na criação e embaraços diante dos homens. Ele os criou como anjos bons, criaturas belas, poderosas e dotadas de grande inteligência. Todavia, estes anjos “quando pecaram” (2Pe 2.4) e “não guardaram o seu estado original, mas abandonaram seu próprio lugar” (Jd v. 6), foram removidos de sua posição gloriosa, caíram em condenação e tiveram sua natureza pervertida pelo mal que abraçaram.

Acompanho a posição mais frequente entre os antigos Pais da igreja no que concerne à origem dos demônios, que é, segundo Esequias Soares, a de que “o diabo e os demônios são criaturas de Deus, [mas] a maldade deles não é inata, mas consequência do [mau uso] do livre-arbítrio” [1]. Embora seja difícil precisar em que momento exato se deu a queda destes anjos que se transformaram em demônios (há quem pense que ela se deu no céu, antes da criação do mundo; outros pensam que ela se deu após a criação), o fato é que nalgum momento se apartaram de livre vontade da justiça para que foram criados. Sua natureza foi pervertida irremediavelmente! A despeito do fatídico filme Noé (2014, direção: Darren Aronofsky) mostrar anjos caídos ajudando o patriarca Noé na construção da grande arca e finalmente sendo readmitidos na corte celestial – grotesca distorção da narrativa bíblica! -, a verdade é que para os anjos caídos não há qualquer propiciação ou redenção. Uma vez demônios, demônios para sempre!
 
A expulsão do querubim ungido

Orígenes, um dos pais gregos da Igreja no século III, costuma ser citado como destaque entre os cristãos na interpretação de que os textos de Isaías 14 (especialmente versículos 12 a 15) e Ezequiel 28 (especialmente, vv. 12 a 19) fazem alusões à queda do “querubim ungido”, que veio a ser satanás. Entretanto, como todos sabemos, Orígenes foi um grande teólogo alegórico, cujo método de interpretação das Escrituras muitas vezes abusava e extrapolava os limites do sentido original do texto.

A interpretação de Orígenes quanto aos textos de Isaías e Ezequiel foi acompanhada por outros antigos doutores, como Jerônimo, Ambrósio de Milão e Agostinho, considerado por muitos como o maior teólogo cristão do ocidente. Esta interpretação que vê referência à queda de satanás nas profecias de Isaías e Ezequiel é a que mais se popularizou entre os evangélicos, como se vê hoje, inclusive em notas explicativas de Bíblias de estudo, em comentários bíblicos e em manuais de teologia sistemática (com autores quase sempre reproduzindo o que ouviram e leram, e não fazendo uma exegese séria e profunda do texto). Não obstante, como pontuado por Esequias Soares, “grandes expositores da Reforma Protestante foram unânimes em não endossar essa ideia. Lutero e Calvino disseram que seria um erro aplicar o nome de Satanás aqui” [2]. Parece que o método histórico-gramatical de interpretação das Escrituras, tão preferido pelos reformadores, não tem sido levado em conta por muitos expoentes protestantes modernos.

Não disponho de tempo, espaço, nem condições suficientes para expor aqui uma exegese destes capítulos bíblicos dos profetas; todavia, adianto que estou muito mais próximo dos reformadores do que daqueles antigos Pais quanto à interpretação de Isaías 14 e Ezequiel 28 (ao final deste estudo disponibilizarei aos leitores um link do Youtube onde os interessados poderão assistir aquela que eu jugo ser a melhor exposição sobre demonologia, feita pelo Dr. Carlos Augusto Vailatti, onde ele inclusive explica estes capítulos dos profetas [3]). Não creio que estes capítulos possam estar nos oferecendo intencionalmente uma descrição dos motivos que levaram satanás ao precipício, ainda que para alguns “essas características [destacadas nos textos bíblicos] ultrapassam a de qualquer ser humano” [4]. Dou algumas razões da minha posição divergente:

Uma das regras básicas da Hermenêutica, que qualquer aluno curioso de Escola Dominical já aprendeu é: o contexto explica o texto. Qual o contexto de Isaías 14 e Ezequiel 28? Descrições sobre o mundo espiritual? Narrativas sobre a queda do diabo? Profecias dirigidas aos espíritos das trevas? Não! De Isaías 13.1 a 14.23 o que temos são profecias dirigidas ao império babilônico, cuja derrocada é prenunciada a despeito de sua força e glória pujantes. O contexto começa identificando o destinatário da profecia, que não é o diabo: “Advertência contra a Babilônia…” (Is 13.1, NVI). Igualmente Ezequiel 28.1-19 tem seu destinatário identificado: “…Filho do homem, diga ao governante de Tiro…”. Até onde sabemos, o diabo não é a Babilônia, nem nunca foi rei de Tiro, embora “o mundo jaz no maligno” e o diabo seja “o deus deste século”!

Nenhuma vez sequer estas profecias são citadas por Jesus ou pelos autores do Novo Testamento como sendo referências à precipitação do diabo. Aos que buscam uma “dupla aplicação” destes textos, pondero que de modo geral quando esta dupla aplicação existe sobre o texto veterotestamentária, ela nos é apontada pelos autores neotestamentários. O que definitivamente não ocorre neste caso. Deveríamos ser cautelosos ao dar interpretações à Isaías 14 e Ezequiel 28 que, além de não condizerem com os respectivos contextos, ainda não se podem ser sustentadas nos apóstolos do Senhor. Traçar um paralelo e concluir que porque Jesus via satanás “como raio, cair do céu” (Lc 10.18), as profecias daqueles antigos autores bíblicos devam necessariamente referir-se à queda do diabo é demasiadamente forçoso! Nem mesmo 1Timóteo 3.6, onde Paulo desaconselha a consagração do novo convertido ao episcopado “para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo”, pode ser tomado para endossar a interpretação de que Isaías 14 e Ezequiel 28 necessariamente referem-se à queda de satanás. Isto porque além de não haver uma correspondência direta entre os textos, os exegetas sabem que é difícil precisar o que Paulo está dizendo: se o obreiro neófito, devido o orgulho, cairia na mesma condenação em que caiu o diabo (daí inferiríamos que o diabo caiu devido soberba), ou se o obreiro neófito, devido o orgulho, cairia na condenação que o diabo faria contra ele, visto que o diabo é o “acusador de nossos irmãos” (Ap 12.10).

A não ser que minha memória esteja enganada, não me recordo de nenhuma profecia dirigida diretamente à satanás. Sim, há profecias sobre a queda de satanás, como a do apóstolo Paulo aos romanos: “E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés” (Rm 16.20). Todavia, esta profecia não foi destinada ao diabo, mas aos crentes romanos! Paulo não remeteu sua carta ao diabo. Certamente Paulo, ou os demais autores bíblicos, não cometeriam o erro grotesco que se vê hoje em muitas igrejas pentecostais e neopentecostais, onde pastores e pregadores sem instrução chamam o povo para dar gargalhada na cara do diabo, soltar “uma rajada de línguas na cara de satanás” ou “cantar bem alto pra satanás ouvir”. Seria estranho que Deus usasse seus profetas para levar uma mensagem ao diabo, falando diretamente a ele nos termos “ó estrela da manhã, filha da alva” (Is 14.12, ARC) ou “tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura” (Ez 28.12). Creio que a regra aqui é simples: tudo o que Deus tiver de falar ao diabo, falará a ele pessoal e diretamente, não usando mediadores humanos para isso (a não ser nos casos de expulsão de demônios, onde, obviamente, a igreja está investida de autoridade, não para profetizar aos demônios, mas para manda-los embora no nome de Jesus – Mc 16.17).

As profecias de Isaías e Ezequiel, sobre as quedas respectivas de Babilônia e de Tiro, estão cheias de linguagem metafórica e de hipérboles – o que é comum na linguagem profética do Antigo Testamento. A beleza e a grandeza destes reinos são propositalmente exageradas nas descrições dos profetas tanto para mostrar a aparente imponência destes reinos vaidosos quanto para enfatizar a tragédia e vergonha de sua queda. É tão equivocado, a meu ver, pensar literalmente que o rei de Tiro fosse um “querubim ungido” (Ez 28.14), quanto é igualmente errado supor que tal descrição refira-se ao diabo, quando o contexto, como já dissemos, não trata de satanás, nem outro lugar algum da Bíblia fale de satanás como um querubim. É mais sensato pensar que estas expressões sejam linguagens figuradas para ressaltar a beleza, riqueza e poderio destes reinos.

Quanto aos que insistem que estas profecias podem se referir sim à queda do anjo de luz, que pesem as declarações dos próprios textos bíblicos sobre a natureza desse ser: “É esse o homem que fazia tremer a terra, abalava os reinos” (Is 14.16, NVI) e “Mas você é um homem, e não um deus” (Ez 28.2, NVI). É de homens que estas profecias falam, e não de um anjo caído! Mas não contenderei com os que têm opinião adversa.
 
II. A batalha no céu
 
O arcanjo Miguel e o dragão
O texto de Apocalipse 12, cheio de simbolismos como é típico deste último livro da Bíblia, fala de uma grande batalha entre Miguel e o diabo, com os respectivos anjos que acompanham cada um (vv. 7-9). Satanás, que está representado na figura de um “dragão” (gr. drakon, monstro, grande serpente), é derrotado, precipitado dos céus e lançado na terra para suas últimas investidas contra os planos do Senhor.

Embora alguns façam uma interpretação preterista deste texto, isto é, pensem que se trata da queda passada de Satanás do céu com os anjos que o acompanharam em sua rebelião, creio não ser esta a interpretação adequada, visto que as revelações do Apocalipse dizem respeito “as coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1) e “as coisas que depois destas devem acontecer” (Ap 4.1). Portanto, Apocalipse 12 fala de uma batalha que ainda está por acontecer, e não que já aconteceu no passado remoto.

Acompanho eminentes intérpretes das Escrituras como Stanley Horton, Paul Fink, Charles Ryre e Dave Hunt [5], para os quais este texto do Apocalipse trata de uma batalha futura na qual uma nova derrota de satanás já está prenunciada. Aquele mesmo Miguel que outrora não ousou pronunciar juízo de maldição contra o diabo quando contendia com ele pelo corpo de Moisés (Jd v. 9), agora estará investido, junto com seus anjos, de autoridade para impor derrota ao diabo, e proteger o povo de Israel durante o período tribulacional [6]! Se Miguel estará investido de tamanho poder para triunfar sobre o maioral dos demônios, quão grande não é o poder do Deus que investiu seu arcanjo de tal autoridade? Aleluia!
 
A vitória final sobre satanás 
 
Parece razoável concluir que, a partir de uma interpretação futurista de Apocalipse 12, satanás ainda hoje continue apresentando-se diante de Deus para acusar os nossos irmãos de dia e de noite, isto é, incessantemente (Ap 12.10). Há um acesso restrito de satanás à presença santa do Deus todo-poderoso, porém, muito em breve tal entrada lhe será recusada e ele será banido para sempre!

Há muitas batalhas quem vêm sendo travadas contra satanás desde o princípio. A primeira delas ele já perdeu, quando foi removido de seu domicílio celestial. Muitas batalhas satanás perdeu quando Cristo e seus discípulos expulsavam demônios das pessoas possessas e colocavam-nas em liberdade. Tudo isso foram golpes na antiga serpente. Sua cabeça, porém, foi pisada com força na cruz do Calvário, quando Cristo bradou “Está consumado” (Jo 19.30; Gn 3.15).

Ali, na cruz, e não no inferno como alguns pregadores sensacionalistas dizem, satanás sofreu uma dura derrota! Porém, seu domínio no reino espiritual e entre os homens não foi totalmente removido, embora ele já esteja sob julgamento condenatório. A serpente de cabeça esmagada continua a sacudir-se e fará de tudo para arrastar tantos quantos puder ao inferno. Outras batalhas são e serão travadas diariamente, até que a guerra seja finalmente vencida após o Milênio. Todavia, se o resistirmos firmes na fé, ele fugirá de nós (Tg 4.7). Os últimos capítulos da Escrituras – que não podem falhar (Jo 10.35) – nos garantem: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10).
 
III. O maioral dos demônios
 
Sua identidade

Derivado do hebraico satan, ele é chamado de Satanás (que quer dizer “adversário”); derivado do grego diabolos, ele é chamado de diabo (que significa “acusador” ou “caluniador”, “aquele que provoca desacordo”). Os significados às vezes são intercambiáveis nos dois nomes. Ele é certamente nosso maior inimigo externo, que não cessa de procurar ocasiões para nos fazer pecar, desviar da verdade, lançar-nos em condenação ou privar-nos de seguir avante na obra de Deus.

Seu nome latinizado, Lúcifer, não é bíblico (embora algumas traduções tenham equivocadamente traduzido assim e acabem induzindo o leitor ao erro), mas respalda-se numa interpretação histórica, de que a “estrela da manhã filho da alva” (hb. helel ben shachar) de que fala em Isaías 14.12 seja o diabo (ao invés do rei de Babilônia). Entretanto, exegeticamente não há nenhum nome próprio citado no versículo 12 de Isaías 14, logo a tradução em latim mais adequada seria de um substantivo comum e não de um substantivo próprio: lúcifer (um título), ao invés de Lúcifer (um nome próprio). Aliás, diga-se de passagem que até mesmo Jesus é chamado de lúcifer, quando traduz-se para o latim a expressão “estrela da manhã” em Apocalipse 22.16. Mas alguém está disposto a chamar Jesus de Lúcifer?! É melhor nos despirmos desse equívoco!
 
Seu poder

É inegável que satanás seja um ser poderoso, mais até do que os homens e os demais demônios (2Ts 2.9), embora nenhuma criatura seja onipotente como Deus. É também inegável que existem “castas” ou “classes” de demônios mais poderosas que outras – as quais só se expulsa mediante oração e jejum (Mt 17.21). É pura infantilidade a atitude de alguns crentes ou igrejas que ficam “cutucando a onça com vara curta”, chamando o diabo pra briga, tentando expulsar demônios com línguas estranhas, ou pisando na cabeça do diabo durante os cultos, quando na verdade só estão dando aos descrentes motivos para riso e servindo de espetáculo para o reino das trevas. Reconhecer a força e as habilidades de nosso oponente é um dos primeiros passos para a luta e a vitória! Por isto é que Paulo diz: “não ignoramos os seus ardis” (2Co 2.11).

Veja que até mesmo Paulo reconhecia ter sido impedido pelo adversário de visitar os irmãos de Tessalônica (1Ts 2.18). Deus, porém, que é poderoso e sabe das trevas trazer a luz, encontrou nesse impedimento uma boa ocasião para a produção de tão importante carta apostólica que é esta primeira carta aos Tessalonicenses, onde inclusive temos preciosa informação sobre o arrebatamento da igreja (4.13-18)! Se Paulo tivesse logrado êxito em sua viagem à Tessalônica, esta carta não teria sido necessária e nós desconheceríamos o rico conteúdo dela. Quando satanás pensava estar embargando a obra de Deus, ele estava apenas dando pretexto para outra obra ainda maior! Bem dizia Lutero, o diabo está na coleira de Deus! O diabo pode colocar uma vírgula no nosso caminho, mas só Deus colocará o ponto final!
 
Seu domínio

Pelo menos de cinco formas a Bíblia evidencia ser satanás o grande líder do reino das trevas, sob cujo governo estão submissos os demônios. Satanás é chamado de:
1. Belzebu, o príncipe [isto é, o principal] dos demônios (Mt 12.24,26)
2. o diabo e seus anjos – o que demonstra que o inimigo tem os seus asseclas (Mt 25.41)
3. o príncipe deste mundo (Jo 12.31)
4. o príncipe da potestade do ar (Ef 2.2)
5. o deus deste século (2Co 4.4)

Na tentação de Jesus no deserto, o diabo mesmo declara ter proeminência espiritual sobre o mundo e suas glórias efêmeras: “… a mim me foi entregue [todos os reinos do mundo, v. 5], e dou-o a quem quero” (Lc 4.6). Jesus não refutou a satanás dizendo-lhe que ele estava enganado ou mentindo, pois, como o próprio Jesus afirmou, satanás é “o príncipe deste mundo”. A refutação foi contra a tentativa de comprar a adoração do Filho de Deus (v. 8).
 
Vigiar, sim; ter medo, não!

Pensando na monstruosidade de suas ações, o diabo é comparado a um dragão (Ap 12.7). Pensando na sagacidade e na ação de seu veneno, o diabo é comparado a uma serpente (Ap 12.9); de fato, ele foi a antiga serpente do Éden que seduziu Eva a comer do fruto proibido (2Co 11.3; Gn 3). Pensando ainda nas afrontas e ameaças, o diabo é comparado a um leão (1Pe 5.8). Todavia, sua monstruosidade, sagacidade e ameaças nada podem contra aquele a quem Deus guarda (1Jo 5.18), pois “maior é o que está conosco” (2Cr 32.7). O diabo é um valente, mas Jesus é mais valente que ele e já o venceu no deserto e na cruz! (Lc 11.21,22)

IV. O poder de Jesus sobre os demônios

Não me delongarei neste tópico, pois creio que ele será melhor e mais adequadamente trabalhado no tópico III da próxima lição. Todavia, é bom que ele esteja aqui como uma nota confortadora ao final de uma lição cujo assunto possa parecer indigesto para alguns irmãos ou até mesmo motivo de espanto para outros.

Uma parte considerável dos evangelhos, especialmente os sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), abordam as obras de Jesus no que concerne aos milagres, curas e exorcismos. Para a terra espiritualmente “seca” de Israel (Is 53.2), onde o formalismo religioso tomava de conta e a religiosidade vã aliada à avareza no coração das grandes lideranças judaicas tornava-as indiferentes às necessidades espirituais do povo, Jesus apresentou-se com graça e poder do Espírito para evangelizar os pobres, curar os quebrantados de coração, pregar liberdade aos cativos, restauração da vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor (Lc 4.18,19). E quantos cativos e oprimidos foram libertos por ele!

Sejam quais e quantos forem, Jesus é maior

Do moço lunático, Jesus expulsou um demônio que o oprimia com violência (Mt 17.14-18); de Maria Madalena, Jesus expulsou sete espíritos imundos (Mc 16.9; Lc 8.2). Do homem de Gadara, Jesus expulsou uma legião – talvez milhares de demônios estavam ali fazendo de domicílio o corpo daquele pobre infeliz! (Lc 8.26-33) Tantos demônios quantos Jesus encontrara a todos mandava embora! Os próprios demônios reconheciam Jesus, sua autoridade e poder para manda-los imediatamente para o inferno se assim ele quisesse (Lc 8.28,31).

Que Cristo mui poderoso o nosso! De tal modo é poderoso que ele reparte seu poder com a Igreja e não fica enfraquecido; ele dá e não sente falta; distribui e não diminui! Salvos por ele e em comunhão com ele, desfrutamos de seu imensurável poder, conforme declarou: “Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum” (Lc 10.19). Como dizia o Pr. Hernandes Dias Lopes, diante de Deus precisamos demonstrar humildade, diante do diabo devemos manifestar autoridade! Mas isso é assunto para a semana que vem, quando falaremos sobre a autoridade no nome de Jesus para expulsar demônios.
 
Conclusão

É certo que não podemos desenvolver obsessão por conhecer os espíritos das trevas além daquilo que nos está registrado nas Escrituras. Precisamos ter cuidado com a literatura mitológica (grega, romana ou africana), saturada de invencionices, superstições e engôdos; igualmente, devemos ser cautelosos quanto à literatura apócrifa, mesmo aquela produzida por antigos judeus e que eventualmente gozem de certo prestígio entre os teólogos, para que não incorramos no erro de dar demasiada confiança às “fábulas judaicas” (Tt 1.14; 1Tm 4.7). Também sejamos prudentes quanto aos supostos testemunhos de visões ou excursões ao inferno, que algumas pessoas, julgando-se muito espirituais, dizem ter vivido para depois sair por aí fazendo suas agendas, vendendo seus DVDs e apostilas sobre “as divinas revelações do inferno”. É melhor que nos contentemos com a dádiva das Escrituras, a inerrante Palavra de Deus, a revelação suprema e infalível!



Referências


[1] Esequias Soares. Batalha espiritual: o povo de Deus e a guerra contra as potestades do mal, CPAD, p. 59
[2] Esequias Soares. Op. cit., p. 54
[3] Assista a aula do Dr. Vailatti sobre o tema demonologia neste link: https://www.youtube.com/watch?v=ebto2MUfwkk
[4] Esequias Soares. Op. cit., p. 55
[5] Stanley Horton. Apocalipse: as coisas que brevemente devem acontecer, CPAD, p. 159-170; Paul Fink em Enciclopédia popular de profecia bíblica (Tim Lahaye e Ed Hindson, eds.), CPAD, p. 102; Charles Ryre, Bíblia de Estudo Anotada Expandida, Mundo Cristão, Apocalipse 12.7, nota de rodapé; Dave Hunt. Em defesa da fé cristã: respostas a perguntas difíceis, 2° ed., CPAD, p. 221.
[6] Miguel é um arcanjo cuja referência na Bíblia está sempre atrelada aos cuidados com o povo judeu. Ele é chamado de vosso príncipe (Dn 10.21) e de o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo (Dn 12.1). Segundo Horton, a mulher que é alvo da fúria do dragão em Apocalipse 12 “provavelmente represente Israel (o remanescente fiel)”. Sendo assim, faz todo sentido pensar em uma batalha angelical entre o arcanjo protetor deste povo e o diabo, que tentará a todo custo impedi-lo de ter acesso à salvação no período tribulacional – o tempo de angústia para Jacó (Jr 30.7) – , talvez até acusando os judeus pelos séculos passados de idolatria, ingratidão e por haverem entregue o próprio Filho de Deus para morrer. Suas acusações, porém, não prevalecerão.




https://www.gospelprime.com.br/a-natureza-dos-demonios-agentes-da-maldade-no-mundo-espiritual/



17 de março de 2020

ABADOM





Abadom (em hebraico: אֲבַדּוֹן, 'Ǎḇaddōn), também conhecido como Apoliom é um termo hebraico que tem o significado de “destruição” ou "destruidor"[1]. 
 
Na Bíblia hebraica, o termo figura seis vezes, todas elas na literatura de sabedoria em Jó 26:6, Jó 28:22, Jó 31:12, Salmo 88:11, Provérbios 15:11, Provérbios 27:20. No Novo Testamento a palavra é aplicada apenas em Apocalipse 9:11[2]. 
 
Na Bíblia Hebraica, abaddon é usado como referência a um abismo sem fim, geralmente próximo a sheol (שאול). 
 
No Novo Testamento, em Apocalipse 9, um anjo chamado Abadom é descrito como o rei do abismo sem fim de onde emerge um exército de gafanhotos (Apocalipse 9:11).


ÚLTIMOS DIAS JESUS CRISTO ESTÁ VOLTANDO
 
 
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18 de abril de 2018

Podem os demônios/espíritos malignos se ligarem a objetos inanimados?


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Não há apoio bíblico para a ideia de que os demônios possam juntar-se a objetos físicos. Essa crença é, na verdade, parte de práticas supersticiosas e crenças ocultistas encontradas nas culturas animistas e entre aqueles que praticam o ocultismo.

Alguns dizem que versículos como Atos 19:19, onde antigos magos queimaram seus livros de mágica, provam que os objetos podem ter demônios. No entanto, a passagem não diz isso. É mais provável que esses novos crentes estavam queimando seus livros mágicos para evitar a propagação de mentiras e mostrar que agora eram crentes em Jesus.

A Bíblia registra relatos de demônios afligindo ou possuindo pessoas descrentes. No entanto, não há narrativas de demônios habitando ou se ligando a objetos, e a Bíblia não nos adverte contra demônios fazendo isso. As práticas ocultas podem atrair espíritos maus e, já que certos objetos são usados em tais práticas, talvez os demônios sejam atraídos aos objetos. No entanto, isso não significa que os demônios estejam nos objetos. É a atividade oculta em si que os atrai. Quando as pessoas que estiveram envolvidas com o ocultismo vêm a Cristo, elas são muitas vezes aconselhadas a se livrarem de seus livros e objetos relacionados a essa prática, não porque os objetos tenham demônios em si, mas porque seriam uma futura fonte de tentação.

Os crentes em Cristo não devem temer os demônios, mas devem ser vigilantes e atentos às suas tentações (1 Pedro 5:8). O mais importante é a submissão a Deus e caminhar na verdade de Cristo diariamente: "Sujeitai-vos, pois, a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós" (Tiago 4:7). Aqueles que têm colocado a sua fé em Cristo não têm nada a temer, assim como o apóstolo João explicou: "Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1 João 4:4).



11 de abril de 2018

O que a Bíblia diz sobre fantasmas e assombrações?



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Encontre a seguir algumas verdades bíblicas sobre assombrações, fantasmas e visitas dos espíritos de pessoas mortas. Há apenas alguns incidentes que lidam com os viventes tendo alguma forma de contato com uma pessoa "morta".

a) Em 1 Samuel 28:7-19, o Rei Saul procura por uma mulher com um espírito de um demônio para perguntar a Samuel o que fazer. O fato de que ela realmente consegue se comunicar com os mortos a choca (v.12), indicando que não tinha acontecido previamente.

b) Em Mateus 17:1-8, Pedro, Tiago e João veem Moisés e Elias com Jesus por um curto período de tempo.

c) Em Lucas 16:19-31, Jesus conta a história de um homem rico e Lázaro. Nessa história aprendemos que há duas divisões para os mortos até o Julgamento do Grande Trono Branco (Apocalipse 20:11). Também nessa história, o homem rico pede que Lázaro seja mandado de volta para advertir os que ainda vivem. Abraão diz que de nada adiantaria porque se as pessoas se recusaram a acreditar na Palavra Escrita de Deus, eles não acreditariam em mais nada, mesmo se alguém se ressuscitasse dos mortos.

Das três passagens acima, podemos concluir que há divisões onde os espíritos dos mortos habitam por agora, e apesar de alguns incidentes onde Deus permitiu a interação entre os mortos e os viventes, essas situações foram raras e não tão comuns quanto o contato entre pessoas e seres angélicos. Lucas 16:27-31 também aparenta indicar que nenhum espírito humano pode retornar e visitar os viventes sem permissão, e se permissão não foi dada para advertir as pessoas para fugir da ira que está para vir, não seria dada por motivos insignificantes.

Apesar de só haver dois exemplos que lidam com a comunicação com as pessoas mortas, há várias ocasiões que envolvem contato com seres angélicos, tanto os anjos bons e os anjos ruins (demônios). Muitos dos exemplos que envolvem um bom anjo se referem ao "Anjo do Senhor", às vezes se referindo à aparição do Filho de Deus pré-encarnado (Cristofania). Mas muitos outros se referem aos bons anjos que Deus usa para ministrar a nosso favor (Hebreus 1:14). Para fazer isso, às vezes eles manipulam o ambiente físico, por exemplo: 1 Reis 19:5-7 (o anjo toca Elias e providencia comida e bebida para ele); 2 Reis 19:35 (o anjo mata 185000 Assírios); Daniel 6:22 (o anjo fecha as bocas dos leões); Atos 12:23 (o anjo mata o rei Herodes por aceitar louvor como se fosse um deus).

Dessa mesma maneira, há exemplos nos quais anjos ruins (demônios) são registrados interagindo com pessoas. Eles também podem manipular o ambiente físico. Em Jó 1:12-19, eles manipulam as pessoas para que façam maldade; eles usam fogo do céu para consumir rebanhos de ovelhas. Eles também fazem com que um vento derrube a casa de Jó onde seus filhos estavam. Nos evangelhos, vários exemplos são registrados de demônios possuindo pessoas (Mateus 8:16,28f.; 9:32-33; 12:24; 15:22; 17:18; etc.) Nesses exemplos, e em vários outros, a manifestação de ser possuído por um demônio envolvia algum elemento físico (ficar mudo, epilepsia, cegueira e, às vezes, força supernatural). Eles também possuíram o corpo de muitos porcos antes de pular na água e se afogarem (Mateus 8:28).

Podemos notar três coisas sobre os demônios:
(1) Os demônios não têm nenhum poder sobre qualquer pessoa que vai além do que Deus permite; quer dizer, Satanás (e sua multidão de anjos) são como cachorros vadios com correias e é Deus quem os controla. Eles só podem fazer o que Deus permite (Jó 1:12; Jó 2:6; Mateus 8:31-32).
(2) Os exemplos de envolvimento demoníaco registrados nas Escrituras são bem mais frequentes do que os exemplos de interação com pessoas mortas.
(3) Cristo deu aos Seus discípulos autoridade sobre os demônios (Marcos 16:17; Lucas 9:1; 10:9).
 
Você pode até se perguntar por que Deus permite que os demônios lidem conosco. Se estão sob o Seu controle, por que Ele não proíbe a interação com humanos? Na incompreensível sabedoria de Deus, Ele pode usar os desejos e intenções malignos de Satanás para um bom propósito. Em Marcos 1:13, Deus usa as tentações de Satanás para provar que Jesus não tinha qualquer pecado. No livro de Jó, Deus usa Satanás para mostrar a integridade do caráter de Jó e depois o recompensa em dobro por tudo que passou. Em 2 Coríntios 12:7, Deus usa a aflição de Satanás sobre Paulo para não deixar com que Paulo ficasse orgulhoso. No caso dos descrentes, Satanás e seus anjos servem como um tipo de estimulante, juntamente com a influência de um mundo ainda perdido e os desejos da natureza pecaminosa, para salientar a maldade que habita dentro deles, revelando então o estado de sua verdadeira natureza pecaminosa (Mateus 15:18-19; Efésios 2:1-3; Apocalipse 20:7-9).

Agora, à medida que examinamos as Escrituras, principalmente as epístolas que se focalizam nas nossas vidas na "era da igreja", encontramos muito pouco que descreve como devemos interagir com os demônios. Podemos achar, no entanto, instruções para não achar que podemos enfrentá-los com nossa habilidade e forças (Judas 1:9). Também não devemos nos perguntar continuamente se há demônios agora mesmo ao nosso redor (provavelmente sim... e às vezes eles se manifestam!). Mas se estão ou não, eles não devem ser o nosso foco). Por que não? Porque eles não têm nenhuma autoridade que vai além do que Deus os dá. Quem e o que então deve ser o nosso foco? Nosso foco deve ser em Deus e nos comandos claros que Ele nos deu na Bíblia; se Ele é o nosso foco, não temos mais nada a temer (Salmo 27:1).

Não devemos ficar muito fascinados com o mundo dos espíritos, mas apenas fascinados com o Deus Criador e Seu maravilhoso caráter e atributos (Salmo 27:4; Salmo 73:25). Se encontrarmos manifestações de posse e atividade demoníacas à medida que servimos a Cristo e dependemos dEle, precisamos apenas nos voltar a Ele com uma simples oração e depender da Sua Palavra e direção do Seu Santo Espírito. Na verdade, essa é a forma que devemos estar encarando a vida mesmo quando não há NENHUMA manifestação evidente de atividade demoníaca, pois Satanás frequentemente trabalha em secreto, nunca tornando evidente a sua presença ou a dos seus demônios (2 Coríntios 11:13-15).

Se os demônios manifestarem sua presença em algum lugar, devemos nos perguntar o motivo. Há algum ídolo pagão, um fetiche usado em louvor pagão, etc. (Deuteronômio 32:16-17; Salmo 106:37-38; 1 Coríntios 10:19-21)? Ou talvez seja o caso que alguém se deixou possuir por um demônio ou permitiu envolvimento demoníaco em sua vida através de um pecado que continua a se repetir (Efésios 4:27). Qualquer coisa que estiver em oculto deve ser queimado, assim como Paulo e outros Cristãos trataram os livros que foram queimados em Atos 19:18 e todo pecado deve ser confessado a Deus (1 João 1:9).

Em resumo, é bíblico acreditar em demônios e que muitas “assombrações” ou são ilusões de impostores, ou realmente envolvem uma atividade demoníaca atual e visitas de espíritos humanos. O uso de canais para procurar a ajuda de “espírito guia” ou “espírito ajudante”, ou para procurar cartões de Tarô, participar de sessões espíritas, escutar músicas pesadas de Rock – tudo isso é estar convidando o envolvimento de demônios em sua vida. É bíblico não ficar tão obcecado pela existência do mundo dos espíritos. Em nenhum lugar das Escrituras podemos encontrar qualquer precedência para assim agir. Ao invés disso, devemos estar consumidos pela Palavra de Deus (Salmo 119) e nos dedicar a conhecer a Cristo (Filipenses 3:8-10), a oferecer nossas vidas como um sacrifício vivo (Romanos 12:1-2), e a fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28:18-20, etc.). A única liberdade que os incrédulos podem ter do pecado e do inimigo é através do que encontramos apenas em Cristo (João 8:32-36; Romanos 6:16-23; Efésios 2:1-10). Precisamos nos concentrar em compartilhar o Evangelho de Cristo com outras pessoas. O Evangelho é o poder de Deus para libertação do pecado e de Satanás (Romanos 1:16; 1 Coríntios 1:18).


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10 de abril de 2018

Expulsão de demônios: verdades e confusões

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Julio Severo


A expulsão de demônios, junto com curas, é uma parte proeminente nos Evangelhos, porque o ministério de Jesus Cristo dava, na proclamação do Evangelho do Reino de Deus, uma parte proeminente para a libertação das pessoas.
No entanto, a proeminência da expulsão de demônios hoje, chamada de “exorcismo” nos filmes populares, principalmente de terror, restringe-se à Igreja Católica, como se apenas padres pudessem lidar com problemas demoníacos, tratados como “fenômenos paranormais.”

Os padres, dentro e fora do cinema, se deparam com inúmeras dificuldades quando são chamados para ajudar pessoas afetadas por tais “fenômenos.” Mas o mais incrível é que Hollywood insiste em apresentar tais padres como únicos especialistas confiáveis para lidar com a “paranormalidade” — que é demonismo. Joseph Farah, dono do WND (WorldNetDaily), foi o primeiro a notar a exclusividade religiosa que Hollywood dá aos padres na questão de possessão demoníaca.

Hollywood omite a atividade muito bem-sucedida de igrejas evangélicas que ajudam pessoas oprimidas ou até mesmo possessas por demônios. E nem toca nas muitas demonstrações de Jesus expulsando demônios.

A Bíblia não deixa a menor dúvida de que Jesus levava muito a sério a possessão demoníaca e ele agia com seriedade expulsando demônios — e deu para seus seguidores o mesmo poder e autoridade de ação. A Bíblia diz:
    1. “Quando eles foram embora, algumas pessoas levaram a Jesus um homem que não podia falar porque estava dominado por um demônio. Logo que o demônio foi expulso, o homem começou a falar. Todos ficaram admirados e afirmavam: —Nunca vimos em Israel uma coisa assim!” (Mateus 9:32-33 NTLH)
    2. “Então levaram a Jesus um homem que era cego e mudo porque estava dominado por um demônio. Jesus o curou, e ele começou a ver e a falar” (Mateus 12:22 NTLH)
    3. “Quando eles chegaram perto da multidão, um homem foi até perto de Jesus, ajoelhou-se diante dele e disse: —Senhor, tenha pena do meu filho! Ele é epilético e tem ataques tão fortes, que muitas vezes cai no fogo ou na água. Eu o trouxe para os seus discípulos a fim de que eles o curassem, mas eles não conseguiram. Jesus respondeu: —Gente má e sem fé! Até quando ficarei com vocês? Até quando terei de aguentá-los? Tragam o menino aqui! Então deu uma ordem, o demônio saiu, e no mesmo instante o menino ficou curado.” (Mateus 17:14-18 NTLH)
    4. “Então chegou ali um homem que estava dominado por um espírito mau. O homem gritou: —O que quer de nós, Jesus de Nazaré? Você veio para nos destruir? Sei muito bem quem é você: é o Santo que Deus enviou! Então Jesus ordenou ao espírito mau: —Cale a boca e saia desse homem! Aí o espírito sacudiu o homem com violência e, dando um grito, saiu dele.” (Marcos 1:23-24 NTLH)
    5. “Aquele que crer e for batizado será salvo. Todavia, quem não crer será condenado! E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu Nome expulsarão demônios…” (Marcos 1:23-24 King James Atualizada)
Opressão ou possessão demoníaca é um problema sério, que com o surgimento de psicólogos, psiquiatras e outros pretensos “especialistas de saúde mental” tem sido muito mal diagnosticado, de modo que os sintomas são tratados muitas vezes como as próprias causas de males que estão nas profundezas do mundo espiritual — um mundo que os pretensos especialistas não enxergam nem entendem.

Hollywood, que é a maior máquina de propaganda da história, traz muito mais confusão ao apresentar apenas duas versões das questões de possessão demoníaca:

* A versão dos padres exorcistas, onde eles são a única solução espiritual e religiosa para pessoas espiritualmente perturbadas.

* A versão de pretensos “especialistas de saúde mental,” onde psicólogos e psiquiatras são a única solução “médica” para pessoas psicologicamente perturbadas.

É estranho que Hollywood escolha exaltar padres católicos como a única referência confiável na questão de libertação espiritual quando na vasta maioria dos outros casos Hollywood prefere retratar padres como pedófilos e tarados.

Eu ainda não vi um filme mostrando um padre exercendo a autoridade do nome de Jesus para expulsar demônios. Os poucos casos que vi de padres fazendo isso, fora de filmes, eram de padres envolvidos na renovação católica carismática — movimento iniciado nos EUA por influência de um pastor assembleiano chamado David Wilkerson.

Por que Hollywood não destaca os padres carismáticos?

Embora muitas igrejas pentecostais e neopentecostais expulsem demônios, um dos exemplos mais equilibrados fornecidos hoje nessa área vem de igrejas luteranas e calvinistas renovadas. John Wimber, que era calvinista, chegou a escrever um manual de cura, intitulado “Power Healing,” que incluía instruções de como expulsar demônios.

Antes de ter esse manual, eu suava a camisa para expulsar demônios. Depois, parecia que os demônios estavam na palma da minha mão de tão fácil que foi lidar com eles fazendo uso simples do nome de Jesus. Bem diferente do que mostram os padres cinematográficos que parecem quase iguais aos fenômenos paranormais. Bem diferente também da Igreja Universal e outras igrejas neopentecostais radicais e descontroladas. Bem diferente também de psicólogos, psiquiatras e outros pretensos “especialistas de saúde mental” que complicam ainda mais casos que já são complicados.

O foco de Jesus era libertar as pessoas da opressão e possessão demoníaca.

O foco de Hollywood é desviar as pessoas do foco original de Jesus.

O foco de psicólogos, psiquiatras e outros pretensos “especialistas de saúde mental” é desviar as pessoas do foco original de Jesus.

Nosso foco hoje deve ser resgatar o foco de Jesus.

Esqueça tudo o que Hollywood lhe ensina como se somente padres ou psicólogos pudessem lidar com demônios.

Se Jesus deu tanto enfoque para libertar as pessoas da opressão e possessão demoníaca dentro da proclamação do Evangelho, precisamos devolver esse enfoque à nossa proclamação do Evangelho.


Versão em inglês deste artigo: Demon-Expelling: Truths and Confusions

Fonte: www.juliosevero.com


13 de fevereiro de 2018

Samael


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Segundo a etimologia, Samael significa Veneno (Sama) de Deus (El). Também é chamado de acusador, sedutor, deus-cego e destruidor.

«Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.» (Apocalipse 12:7-9)


Tradições Judaicas e Cabalah

Na Cabala era um dos sete Anjos que estavam diante do Trono de Deus (Apocalipse 8:2) e são representações dos Poderes Divinos. Tais poderes cósmicos podem ser polarizados tanto positiva quanto negativamente dentro do ser humano. A Polaridade negativa da energia cósmica de Samael é simbolizada por um anjo caído, cuja consorte é Lilith.

Nas tradições judaicas é identificado como o Anjo da Morte, o ex-chefe do quinto céu e também um dos sete regentes do mundo material servido por milhões de anjos.

Conta-se que Samael tomou Lilith como sua esposa depois que esta repudiou Adão. Segundo o Rabi Eliezer, ele (Samael) foi o encarregado de tentar Eva. Após seduzi-la e copular com ela, engendrou Caim.

Também é considerado o anjo que lutou com Jacó (Genesis 32:24-31) e o anjo que sustentou o braço de Abraão no momento do sacrifício de Isaque (Gênesis 22:1-13). Segundo a cabala é descrito como a "ira de Deus" e é considerado o quinto arcanjo do mundo de Briah. Foi o anjo guardião de Esaú e patrono do Império Romano.

Samael corresponde a Sefirot Geburah, significando "a severidade". Os demônios associados a ele são descritos como monstros amarelos com corpo de cachorro e cabeças de demônio. Geburah também está associado ao racionalismo, ao intelectualismo, a justiça cega e ao oculto. Assim sendo, Samael se converte no justiceiro cego, no olho por olho-dente por dente, aquele que se utilizando a lei não tem piedade. Por isso é considerado pelo leigo como maligno, de palavras inteligentes e racionais que nega a existência de Deus e de qualquer ser acima do EU.

Tradições Cristãs Gnósticas

Nas tradições cristãs de origem gnóstica (Apócrifo de João) encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi, Samael é o terceiro nome do demônio Demiurgo cujos outros nomes são: Yaldabaoth e Saclas[1]. É neste contexto que o seu nome "deus-cego". É retratado por uma serpente com rosto de leão e é filho do Aeon Sophia contra a qual se rebela.

No livro intitulado "Sobre a origem do mundo", que faz parte da mesma biblioteca, Samael também é chamado de Ariael ("como um leão")[2].

Tradições Cristãs Canônicas

"Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo."
Isaías 14:12-14
Segundo as tradições cristãs canônicas, Samael era Lúcifer (Portador de Luz), o anjo que estava mais próximo de Deus. Ao querer usurpar o trono de Deus fazendo-se igual a Ele, reuniu um terço das milícias celestes e travou uma batalha com as hostes angélicas fiéis, sendo derrotado depois de uma dura batalha contra o arcanjo Miguel (cujo nome no original é Mikha'El e significa "Quem é como Deus?") sendo precipitado no Hades (Inferno).

Enquanto caía no Tártaro, Miguel e os anjos fiéis bradaram: Samael! Samael! Samael! Aludindo à queda daquele que desejava ser como Deus, mas havia se transformado em Satanás.

Porém, de acordo com as tradições judaicas e algumas cristãs, a passagem bíblica Isaías 14:12-14 se refere ao rei da Babilônia e não a um anjo, argumentando que no título do referido capítulo 14 é "O rei da Babilônia no mundo dos mortos".

No Livro de Jó encontra-se a afirmativa de que Satanás estava a rodear a Terra (Jó 2:2).

Referências em Jogos de Vídeo Game

No jogos da série Silent Hill, há várias referências a Samael. A Marca de Samael é um símbolo criado para esse jogo. Samael é o deus desse culto e devido às interferências dos colonizadores, teve o nome trocado de “deus do paraíso” para o nome de Samael, um demônio (segundo o documento About syncretic religions, SH3). A mudança fez com que o grupo passasse a considerar o demônio um deus que traria o paraíso. A cidade de Silent Hill então cresceu e o culto se enraizou na cultura local.[3]



Referências
1.
Robinson, ed., James M. (1990). The Nag Hammadi Library, revised edition. The Apocryphon of John (Trad. de Frederik Wisse) (em inglês). San Francisco: Harper Collins. ISBN 0-06-066929-2
2.
Robinson, ed., James M. (1990). The Nag Hammadi Library, revised edition. On the Origin of the World (Trad. de Hans-Gebhard Bethge e Bentley Layton) (em inglês). San Francisco: Harper Collins. ISBN 0-06-066929-2 

3.
http://pt-br.terror-em-silent-hill.wikia.com/wiki/Marca_de_Samael


https://pt.wikipedia.org/wiki/Samael