Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)
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9 de abril de 2020

Cinco princípios que fazem o povo Judeu prosperar (Paulo Seabra)




Porque o povo Judeu é próspero? A partir de uma reflexão de uma entrevista pastor Paulo vai falar de alguns princípios bíblicos que fazem o povo Judeu se destacar no mundo. Mas são princípios que todos nós podemos viver, são princípios de Deus para o homem e para a vida. E como esses princípios se aplicados em nossa vida, produzem resultados extraordinários. 

Pastor Paulo Seabra é pai do Felipe Seabra e um pastor experiente tanto na gestão de igrejas como em púlpito e palavra. Participou ativamente da história dos batista no Brasil e no Ceará. Pastoreou muitas igrejas durante sua vida, sempre com uma visão estrutural, conceitual e multiplicadora. Atualmente pastoreia a Igreja Batista da Alvorada em Fortaleza. 

Igreja Batista Alvorada 
Além de fiel e comprometida com a Palavra de Deus, somos uma Igreja alegre, cuja alegria se manifesta na mensagem que cremos e proclamamos.

https://www.youtube.com/watch?v=aQ19KDhNLvo&feature=youtu.be&fbclid=IwAR3tp5jwZCaQxMhr5hVXhClp9EFCcnMF8ydNLnVI6GaUUHBKUIroV3SbOPw 

 

29 de novembro de 2019

Todas as pessoas são filhos de Deus?



 
Por que existem pessoas que pensam que são filhos de Deus e outros que não são? Não é fato que todos os seres humanos são filhos de Deus?

Esta é uma preocupação que muitos expressam. Existe uma resposta bíblica legítima?

Em primeiro lugar, não é prerrogativa do homem determinar arbitrariamente quem é ou não é filho de Deus. O próprio Senhor decide isso, e ninguém pode tirar conclusões sobre essa questão, independentemente do que as escrituras indicam.

Paulo declarou que “o Senhor conhece os que são dele” (2 Timóteo 2:19), e isso sugere que alguns não são dele.

Ninguém, remotamente familiarizado com o ensino da Bíblia, afirmaria que todas as pessoas são “filhos de Deus” no sentido mais nobre desse termo, isto é, no sentido redentor. As escrituras contradizem repetidamente essa noção.

Observe, por exemplo, que, apesar de a nação judaica ter sido escolhida pelo Senhor como povo para sua própria posse (Deuteronômio 7:6), no entanto, Jeová advertiu que se eles se desviassem de sua lei, desinteressaria-os (ver Números 14:12).

Eventualmente, o Senhor diria ao arrogante e adorador reino do norte de Israel, “você não é meu povo, e não serei seu Deus” (Oséias 1:9).

Ao dirigir-se a certos judeus, que reivindicaram uma relação especial com Jeová simplesmente porque eram “da semente de Abraão” (João 8:33), Cristo respondeu:
"Vocês pertencem ao pai de vocês, o diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira". (João 8:44)

Em seguida, considere isso. Quando Paulo foi posto por um feiticeiro perverso na ilha de Chipre, ele, sob a orientação do Espírito Santo, dirigiu-se assim:

Filho do diabo e inimigo de tudo o que é justo! Você está cheio de toda espécie de engano e maldade. Quando é que vai parar de perverter os retos caminhos do Senhor? Atos 13:10

É claro que o apóstolo inspirado não considerou Elimas como um “filho de Deus” no exaltado senso dessa expressão.

É importante que as pessoas honestas reconheçam que a Inspiração faz uma distinção marcante entre aqueles que estão em um relacionamento espiritual com o Pai e aqueles que ficam distantes dele. Paulo escreveu:

"Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente? Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: “Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”. 2 Coríntios 6:14-16
 
Filhos pela Criação

Em um quadro mais amplo de referência, no entanto, todos os seres humanos são vistos como pertencentes a Deus.

Primeiro, Deus é o “Pai” de todos em virtude do fato de ele ser o Criador da família humana. A humanidade foi formada em sua própria imagem (Gênesis 1:26-27), e ele exerce soberania sobre todos.

Através de seu porta-voz, o profeta Ezequiel, o Senhor declarou:

Pois todos me pertencem. Tanto o pai como o filho me pertencem. Aquele que pecar é que morrerá. Ezequiel 18:4

Jeová “possui” toda pessoa nesta terra, e eles são seus para abençoar ou punir, dependendo de como eles respondem a sua vontade.

Aqui está um verso interessante. Em um discurso magistral aos pseudointelectuais da antiga Atenas, Paulo proclamou que Deus criou o mundo e todas as coisas nele contidas. Ele anunciou posteriormente que nele [Deus] vivemos, movemos e temos nossa própria existência.

Então, com um argumento ad hominem convincente (apelando a um escritor grego para reforçar seu ponto), ele diz: “nós também somos sua prole” (Atos 17:28).

O fato de os gregos compartilharem com Paulo uma “prole” comum que resultou do Criador, não anulou o fato de que eles estavam em erro. Eles estavam tentando adorar um deus do qual eles não conheciam nada, mas que eles precisavam desesperadamente conhecer e obedecer.
 
Filhos Potenciais

O profeta Oseias, falando em nome do Senhor, disse uma vez:

E semeá-la-ei para mim na terra, e compadecer-me-ei dela que não obteve misericórdia; e eu direi àquele que não era meu povo: Tu és meu povo; e ele dirá: Tu és meu Deus! Oseias 2:23

Enquanto o contexto original tem a ver com os judeus desalojados no exílio, Paulo aplica o princípio à conversão dos gentios por meio do evangelho (Romanos 9:25).

O objetivo é isso. Aqueles que não eram o povo de Deus (no sentido dos judeus), por antecipação foram referidos como seu povo. Este é um conceito importante para entender.

Há classe de pessoas – aquelas com corações honestos e bons – que, embora ainda não sejam filhos de Deus na realidade, são potenciais. Esse tipo de pessoa é representada pelo homem que apareceu na visão de Paulo; Ele invoca: “Venha para a Macedônia e ajude-nos” (Atos 16:9).

Considere a declaração do Senhor durante seu ministério pessoal. Referindo-se a gentios devotos que eventualmente entrariam em sua dobra, o Salvador disse:

Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor. João 10:16

A história demonstrou a precisão da profecia do Salvador.

Ou refletir sobre o incidente que ocorreu quando Paulo estava em Corinto. Enquanto o apóstolo tremia diante da perseguição intensa, o Senhor falou palavras de conforto para o apóstolo, que concluiu com esta proclamação profética: Porque tenho muita gente nesta cidade. Atos 18:10

Cristo falou sobre aquelas almas piedosas que ainda seriam colhidas nesta grande cidade. Eles eram o seu povo em perspectiva.

Em Apocalipse 18, uma voz do céu chamou a aqueles que eram cativos de “Babilônia” (um símbolo de uma força religiosa perversa). O apelo foi:

Saiam dela, vocês, povo meu, para que vocês não participem dos seus pecados, para que as pragas que vão cair sobre ela não os atinjam! Apocalipse 18:4

Embora a referência poderia ser para os filhos genuínos de Deus que haviam entrado no cativeiro da apostasia religiosa, parece muito provável que pessoas potenciais de Deus estejam à vista.

Pode ser uma alusão àqueles que, com o tempo, veriam a beleza do cristianismo prístino, livre das inovações modernas (1 Reis 12:25) e que abandonaria o sectarismo religioso a pedido do evangelho do primeiro século.
 
Filhos recém-nascidos de Deus

O sentido mais rico e completo da expressão “filhos de Deus” é o que corresponde à fórmula do “novo nascimento” estabelecida durante a conversa do Senhor com Nicodemos e complementada em outros lugares no Novo Testamento (ver Gálatas 3:26-27).

Não é nossa intenção discutir os componentes do processo de conversão que é retratado figurativamente como “nascido de novo” em João 3:3.

Devemos ressaltar, no entanto, que a frase “você deve nascer de novo” (João 3:7), estabelece uma obrigação clara de entrar em uma nova relação familiar.

É pelas condições associadas a esse “nascimento” simbólico que se recebe o perdão e é admitido na família espiritual de Deus (ver Efésios 2:19; 1 Timóteo 3:15). Como Paulo expressou o assunto em uma de suas epístolas posteriores:

Não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Tito 3:5

Aqueles que não são “filhos de Deus” neste sentido regenerativo, não são filhos de Deus da maneira mais crucial de todos.

Não basta ser apenas uma “descendência” de Deus pela criação , nem a validade máxima é apenas um potencial crente. Em vez disso, é necessário submeter-se à vontade de Deus, obedecendo ao Salvador (Hebreus 5:9) para ser filho de Deus no sentido redentor.

Toda alma deve ponderar mais a sério esse assunto.
 
 

Fonte: Christian Courier
 
 

7 de janeiro de 2019

POLÍTICA

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Quando a campanha política começa a se aquecer e o mundo é envolvido com clamores contra ou a favor deste ou daquele candidato, os cristãos que são conscientes de sua chamada celestial podem continuar serenos, sabendo que os homens estão tão somente executando o que Deus já predeterminou por Sua mão e por Seus desígnios.

Apesar de Satanás ser o príncipe deste mundo e estar cegando as mentes daqueles que não creem em Cristo, Deus continua acima de todas as coisas e Se move por detrás dos cenários para executar Seus conselhos e propósitos. Talvez não seja o que os homens pensem ser o melhor, mas devemos nos lembrar que este mundo, na forma em que se encontra, não está caminhando para um futuro brilhante e sim para uma tribulação tal como nunca se viu antes. Este mundo é culpado de haver expulsado o Filho de Deus, e ainda não se arrependeu do que fez; o justo juízo de Deus paira sobre este mundo, pronto para ser derramado assim que os verdadeiros cristãos forem tirados daqui.

É um erro os verdadeiros cristãos pensarem que, por meio da política, poderão aprimorar este mundo arruinado. Quando o próprio Senhor esteve aqui, Ele não tentou melhorar o sistema do mundo; Ele se recusou a julgar uma causa entre dois irmãos (Lc. 12:14), a remover o iníquo Herodes ou a impedir o perverso Pilatos. Ele deixou este mundo assim como o encontrou, exceto pelo fato de que quando saiu daqui, o mundo havia se tornado culpado por rejeitá-Lo. Será que nos achamos capazes de fazer o que o Senhor não fez? Acaso Deus terá mudado Seus pensamentos com respeito a este mundo? Ele enviou o Seu Filho para testificar dEle, e foi para isto também que o Filho nos enviou a este mundo.

Assim sendo, o cristão que desejasse ajudar na escolha, ou a exercer domínio sobre o poder político estaria agindo de uma maneira completamente diferente do Senhor. Cristo é o Herdeiro deste mundo e somos co-herdeiros com Ele; poderíamos nós, co-herdeiros, desejar um lugar ou posição aqui, antes mesmo do próprio Herdeiro? Não passamos de seguidores daquEle que foi rejeitado, esperando o momento quando Ele nos levará para o Lar. Nossa posição é bem parecida à dos Israelitas que, protegidos pelo sangue do cordeiro no Egito, enquanto este se encontrava sob a divina sentença, esperavam pela ordem de partir. Seria um absurdo os Israelitas se envolverem com a política do Egito, ou buscarem melhorias para aquela terra condenada!

O cristão é exortado a respeitar a todos aqueles que se encontram revestidos de autoridade, e tratá-los como tendo sido estabelecidos pelo próprio Deus, mas ao mesmo tempo devem viver como estrangeiros e peregrinos. O lar do cristão não é aqui; ele está apenas de passagem. Ele se encontra aqui para representar Aquele que está no céu — para manifestar Cristo e Suas obras, que foram sempre tão plenas de graça e verdade.

Um certo escritor traduziu Filipenses 3:20 da seguinte maneira: “Nossa política está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” Quão grande conforto isto nos traz! E que encorajamento! Este sentimento deveria nos libertar de toda a participação, e até mesmo de qualquer ansiedade em qualquer agitação política seja ela onde e quando for. Logo iremos ouvir aquele chamado para partirmos e nos encontrarmos com nosso Senhor nos ares. Que possamos ser achados buscando em Cristo tudo aquilo que precisamos, o Cordeiro que foi morto e que levou todo o juízo em nosso lugar, e por cujo sangue precioso estamos protegidos, enquanto nos encontramos prontos (com sandálias nos pés e cajado na mão), para partir (leia Êxodo 12:8-12).

Se estamos, portanto, aguardando nosso Senhor e Salvador para qualquer momento, podemos agora mesmo deixar que este mundo se ocupe com suas próprias disputas em busca de posição e poder. Para o mundo tudo isso irá durar muito pouco. Por outro lado, quando Cristo vier mais tarde conosco para estabelecer o Seu reino em poder e grande glória, sabemos que irá durar por mil anos.


Paul Wilson
http://acervodigitalcristao.com.br/folhetos/doutrinarios/politica/


13 de março de 2018

Quanto Custa ser um Cristão?




“Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?” (Lucas 14:28)

Este versículo é de grande importância. Poucas são as pessoas que não têm frequentemente de fazer esta pergunta: “Quanto custa?”. Ao comprar um terreno, ao construir uma casa, ao mobiliar as habitações, ao fazer planos para o futuro, ao decidir a instrução e estudos dos filhos, etc., seria sábio e prudente que nos sentássemos a considerar com calma os gastos que tudo isso implicaria. As pessoas evitariam muitas moléstias e dores se ao menos fizessem a pergunta: “Quanto custa ser um crente verdadeiramente ser santo?” Estas perguntas são decisivas. Por não havê-las formulado desde um bom princípio, muitas pessoas que pareciam iniciar bem a carreira cristã, mais tarde mudaram seu rumo e se perderam para sempre no inferno.

Vivemos em tempos muito estranhos. Os acontecimentos se sucedem com extraordinária rapidez. Nunca sabemos “o que o dia nos trará”, quanto mais o que nos trará o ano! Nos nossos dias vemos muitos fazerem confissões de sua religiosidade. Em muitas partes do país as pessoas expressam vivo desejo de seguir um curso de vida santo e um grau mais alto de espiritualidade. É muito comum ver como as pessoas recebem a Palavra com alegria, porém depois de dois ou três anos se afastam e voltam a seus pecados. Há muitos que não consideram o custo de ser um verdadeiro cristão e um crente santo. Nossos tempos requerem de um modo muito especial que paremos e consideremos o custo e o estado especial de nossas almas. Este tema deve preocupar-nos. Sem dúvida o caminho da vida eterna é um caminho delicioso, porém seria loucura de nossa parte fechar os olhos ao fato de que se trata de um caminho estreito e que a cruz vem antes da coroa.

1) O que custa ser um verdadeiro cristão?

Desejo que não haja mal entendidos sobre este ponto. Não me refiro aqui ao quanto custa salvar a alma do crente. Custou nada menos do que o sangue do Filho de Deus ao redimir o pecador e livrá-lo do inferno. O preço de nossa salvação foi a morte de Cristo na cruz do Calvário. Temos “sido comprados por preço”. Cristo derramou o seu sangue em favor de muitos”(Marcos 14:241 Co.6:20). Porém não é sobre este tema que versa nossa consideração. O assunto que vamos tratar é distinto. Refere-se ao que o homem deve estar disposto a abandonar se deseja ser salvo; ao que deve sacrificar se se propõe a servir a Cristo. É neste sentido que formulo a pergunta: “Quanto custa?”.

Não custa grande coisa ser um cristão de aparência. Só requer que a pessoa assista aos cultos do domingo, duas vezes e durante a semana seja medianamente moralista. Este é o “cristianismo” da grande parte dos evangélicos da nossa época. Se trata, pois, de uma profissão de fé fácil e barata; não implica em abnegação nem sacrifício. Se este é o cristianismo que salva e o qual nos abrirá as portas da glória ao morrermos, então não temos necessidade de alterar a mundana descrição do caminho da vida eterna e dizer: “Larga é a porta e largo é o caminho que conduz ao céu”.

Porém, segundo o ensino Bíblico, custa caro ser cristão. Há inimigos que vencer, batalhas que evitar e sacrifícios que realizar; deve-se abandonar o Egito, cruzar o deserto, carregar o peso da cruz e tomar parte na grande caminhada. A conversão não consiste em uma decisão tomada por uma pessoa, em um confortável sofá, para logo em seguida ser levado suavemente ao céu. A conversão marca o início de um grande conflito, e a vitória vem após muitas feridas e contendas. Custa se obter a vitória. Daí concluirmos a importância de calcularmos este custo.
Tratarei de demonstrar de uma maneira precisa e particular o que custa ser um verdadeiro cristão. Suponhamos que uma pessoa esteja disposta a servir a Cristo e se sente impulsionada e inclinada a segui-lo. Suponhamos que como resultado de alguma aflição, de uma morte repentina, ou de um sermão, a consciência de tal pessoa tem sido avivada e agora se dá conta do valor da alma e sente o desejo de ser um verdadeiro cristão. Sem dúvida alguma, todas as promessas do Evangelho se lhe resultarão alentadoras; seus pecados, por muitos e grandes que sejam, podem ser perdoados; seu coração por frio e duro que seja, agora pode ser mudado; Cristo, o Espírito Santo, a misericórdia, a graça, tudo está à sua disposição. Porém, ainda, tal pessoa deveria calcular o preço. Vejamos uma por uma, as coisas que deverá desejar, ou, em outras palavras, o que lhes custará ser cristão

A) Custará sua Justiça Própria

Deverá abandonar o orgulho e a autoestima de sua própria bondade; deverá contentar-se com o ir ao céu como um pobre pecador, salvo pela gratuita graça de Deus e pelos méritos e justiça de outro (Jesus). Deverá experimentar que “tem errado e se tem desgarrado como uma ovelha”; que não tem feito as coisas que deveria ter feito e feito coisas que não deveria; deve confessar que não há nada são nele. Deve abandonar a confiança em sua própria moralidade e respeitabilidade, e não deve basear sua salvação no fato de que tem ido à igreja, tem orado, tem lido a Bíblia e participado dos sacramentos do Senhor, mas que deve confiar, única e exclusivamente na pessoa e obra de Cristo Jesus.
Isto parecerá muito duro a algumas pessoas, porém não me surpreende que seja assim. “ Senhor - disse um lavrador, temeroso homem de Deus, a James Hervey - é mais difícil negar o nosso EU orgulhoso, que nosso EU pecador. Porém é absolutamente necessário que o neguemos . Aprendamos, pois, de uma vez por todas, que ser um verdadeiro cristão custará a uma pessoa perder sua justiça própria.

B) Custará seus pecados

Deverá abandonar todo hábito e prática que sejam maus aos olhos de Deus. Deve virar o seu rosto contra o pecado, romper com o pecado, crucificar o pecado, mesmo contra a opinião do mundo. Não pode estabelecer nenhuma trégua especial com nenhum pecado que amava antes da sua conversão. Deve considerar a todos os pecados como inimigos mortais de sua alma e odiar todo caminho de falsidade. Por pequenos ou grandes, ocultos ou manifestos que sejam os pecados, deve renunciar completamente a todos eles. Sem dúvida estes pecados tentarão vencê-lo, porém jamais poderá ceder. Sua luta contra o pecado será continua e não admitirá trégua de nenhum tipo. Está escrito: “Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes...”. “cessai de fazer o mal” (Ez.18:31; ls.l:16).
Isto também parecerá muito duro para muitas pessoas; e vemos que frequentemente nossos pecados são mais queridos do que nossos próprios filhos. Amamos o pecado, o abraçamos com todo nosso ser, nos agarramos a ele, nos deleitamos nele. Separar-nos do pecado é tão duro como separar-nos da nossa mão direita, e tão doloroso como se nos arrancassem um olho. Porém devemos separar-nos do pecado; não há outra alternativa possível. “Ainda que o mal lhe seja doce na boca, e ele o esconda debaixo da língua, e o saboreie, e o não deixe, antes o retenha no seu paladar.. “ ,sendo este o caso, devemos apartá-lo de nós si em verdade desejamos ser salvos (Jó 20:12-13). Se desejamos ser amigos de Deus, devemos primeiro romper com o pecado. Cristo está disposto a receber os pecadores, porém não aqueles que se agarram a seus pecados. Anotemos pois, também isto: o ser cristão custará a uma pessoa seus pecados.

C) Custará seu amor à vida fácil.

Para correr com êxito a corrida ao céu se requer esforço e sacrifício. Haverá de velar diariamente e estar alerta, pois se encontrará em território inimigo. Em cada hora e em cada instante deverá vigiar sua conduta, sua companhia e os lugares que frequenta. Com muito cuidado haverá de dispor de seu tempo e vigiar sua língua, seu temperamento, seus pensamentos, sua imaginação, seus motivos e sua conduta em suas relações diárias. Terá que ser diligente em sua leitura da Bíblia, em sua vida de oração, na maneira como passa o Dia do Senhor e participa dos meios de graça. Certamente que não poderá conseguir perfeição em todas estas coisas, porém mesmo assim, não pode descuidar-se. “O preguiçoso deseja, e nada tem, mas a alma dos diligentes se farta” (Pv.13:4).
Também isto parece duro e difícil. Não há nada que nos desagrade tanto como as dificuldades na nossa confissão religiosa; por natureza evitamos as dificuldades. Secretamente desejaríamos que alguém pudesse cuidar de nossas obrigações religiosas e que desempenhasse por procuração nosso cristianismo. Não está de acordo com o nosso coração tudo aquilo que implique em esforço e trabalho; porém sem dor não há lucro para a alma. Deixemos bem firmado este fato: o ser cristão custará a uma pessoa seu amor pela vida fácil.

D) Custará o favor do mundo.

Se deseja agradar a Deus deve saber que será depreciado pelo mundo. Não deve estranhar se o mundo o engana, lhe ridiculariza, se levanta calúnias contra você e o persegue e o odeia. Não deve se surpreender se as pessoas o depreciam e com desdém condenam suas opiniões e práticas religiosas. Deve resignar-se a que o acusem de tolo, entusiasta e fanático, e inclusive que distorçam suas palavras e representem falsamente suas ações. Não se surpreenda de que o tachem de louco. O Mestre disse: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão vossa” (Jo.15:20).

Também isto parece duro e difícil. Por natureza nos desagrada o proceder injusto e as acusações falsas. Se não nos preocupa a boa opinião dos que nos rodeiam deixaríamos de ser de carne e osso. Sempre resulta desagradável ser o alvo de criticas injustificadas e objeto de mentira e falsas acusações; porém não podemos evitá-lo. Do cálix que bebeu o Mestre também devem beber seus discípulos. Estes devem ser “...desprezado, e o mais rejeitado entre os homens... (Is.53:3). Anotemos, pois, o dito: ser cristão custará a pessoa o favor do mundo .

Esta é, pois, a lista do que custará a uma pessoa ser cristã. Devemos aceitar o fato de que não é uma lista insignificante. Nada podemos riscar dela. Resultaria uma temeridade fatal se defendesse por justiça própria, os pecados, o amor à vida fácil, o amor ao mundo e crer que vivendo assim poder-se-ia salvar-se.

A realidade é esta: custa muito ser um verdadeiro cristão. Porém, que pessoa, no sentido pleno, pode dizer que este preço é demasiado elevado pela salvação da alma? Quando o barco está em perigo de afundar-se, a tripulação não vacila em lançar ao mar a preciosa carga. Quando a gangrena envolve a extremidade de um membro a pessoa se submeterá a qualquer operação, inclusive a amputação deste membro. Com maior motivo, pois, o crente está disposto a abandonar qualquer coisa que se levante entre sua alma e o céu. Uma religião que não custa nada, nada vale. Um cristianismo barato - sem a cruz - cedo ou tarde manifestará sua inutilidade; jamais levará a posse da coroa. Sem cruz não há coroa

II) A Importância de Calcular o Custo.

Facilmente poderíamos resumir o assunto estabelecendo o princípio de que nenhuma das obrigações prescritas por Cristo pode ser descuidada sem grande prejuízo para a alma. São muitos os que fecham os olhos para a realidade da fé salvadora e evitam considerar o quanto custa ser cristão. E para ilustrar o que digo eu os poderia descrever o triste fim daqueles que, ao declinar seus dias, se dão conta desta realidade e fazem esforços espasmódicos para voltar-se para Deus. Porém, com grande surpresa se dão conta de que o arrependimento e a conversão não eram tão fáceis como haviam imaginado e que custa “uma grande soma” ser um cristão. Descobrem, também, que os hábitos do orgulho e a indulgencia pecaminosa, junto com o amor a vida fácil e mundana, não podem abandonar-se tão facilmente como haviam pensado. E assim, depois de uma débil luta, caem em desespero a abandonam este mundo sem esperança, sem graça e sem estar preparados para comparecer diante de Deus. Em suas vidas alimentaram a ideia de que o assunto espiritual poderia ser solucionado prontamente e facilmente. Porém abrem seus olhos quando já é demasiado tarde e descobrem, pela primeira vez na vida, que estão indo para perdição por não haver antes “calculado o custo”.

Porém, há uma classe de pessoas as quais quero dirigir-me ao desenvolver esta parte do tema. E um grupo numeroso e que espiritualmente está em grande perigo. Tratarei de descrever estas pessoas e ao fazê-lo agucemos nossa atenção. Estas pessoas não são, como as anteriores, ignorantes do evangelho; não, ao contrário: pensam muito nele; não ignoram o conteúdo da fé; conhecem bem os esquemas da revelação.
Porém, o grande defeito das tais pessoas é que não estão “arraigadas nem fundamentadas na fé”. Com muita frequência o conhecimento religioso destas pessoas é de segunda mão; têm nascido de famílias cristãs, têm-se educado em uma atmosfera cristã, porém nunca têm experimentado em suas vidas as realidades do novo nascimento e a conversão. Precipitadamente e talvez por pressões diversas, ou pelo desejo de ser como os demais, têm feito profissão de fé e se tem unido a membresia de alguma igreja, porem sem haver experimentado uma obra da graça em seus corações. Estas pessoas estão em uma posição perigosíssima e são as que mais necessitam da exortação de calcular o custo de serem verdadeiros cristão.
Por não haver calculado o custo um grande número de israelitas pereceu miseravelmente no deserto entre o Egito e Canaã. Cheios de zelo e entusiasmo abandonaram a terra de Faraó e parecia que nada poderia pará-los. Porém, tão logo encontraram perigos e dificuldades no caminho, seu calor não tardou em esfriar-se. Nunca pensaram na possibilidade de que pudessem surgir obstáculos. Pensavam que em questão de dias entrariam na posse da terra prometida. E assim, quando pelos inimigos, privações, sede e fome, foram provados, começaram a murmurar contra Moisés e contra Deus e desejaram voltar ao Egito. Em uma palavra: “não calcularam o custo” e em consequência morreram em seus pecados.

Por não haver calculado o custo, muitos dos seguidores de Jesus voltaram suas costas “... e já não andavam com ele” (JO.6:66). Quando pela primeira vez viram seus milagres e ouviram sua pregação, pensaram: “O Reino de Deus virá a qualquer momento”. Se uniram ao número dos apóstolos e, sem pensar nas consequências, o seguiram. Porém se deram conta de que se tratava de doutrinas duras de crer, e uma obra dura de realizar, e de uma missão dura de se levar a termo, sua fé se desmoronou e nada ficou da mesma. Em uma palavra: não pararam para “calcular o custo”, por isso naufragaram na sua profissão de fé cristã.
Por não haver calculado o custo, o rei Herodes voltou outra vez a seus velhos pecados e destruiu a sua alma. Desfrutava ouvindo a pregação de João Batista. O admirava e considerava um homem justo e santo, e inclusive o ouvia “de boa mente” . Porém, quando se deu conta de que devia abandonar a sua favorita Herodias, sua profissão de fé religiosa se desvaneceu por completo. Não havia pensado nisto; não havia “calculado o custo” (Marcos 6:20)..
Por não haver calculado o custo, Demas abandonou a companhia de Paulo, abandonou o evangelho, deixou a Cristo e perdeu o céu. Por longo período de tempo com o grande apóstolo dos gentios e se converteu em um dos seus companheiros de trabalho. Porém, quando se deu conta de que não podia participar da companhia do mundo e de Deus ao mesmo tempo abandonou o cristianismo e se uniu ao mundo. “Demas, tendo amado o presente século” - nos diz Paulo - “me abandonou... “ (II Tm.4: 10). Não havia calculado o custo.
Por não haver calculado o custo milhares de pessoas que têm sentido uma experiência religiosa sob a evangelização de famosos pregadores naufragam espiritualmente. Se excitam e emocionam e chegam a pensar que experimentaram uma obra genuína de conversão; porém, na realidade não tem sido assim. Receberam a Palavra com alegria tão espetacular que inclusive surpreenderam os crentes experimentados.
Com tal entusiasmo falavam da obra de Deus e das coisas espirituais que os crentes mais velhos chegavam a envergonhar-se de si mesmos. Porém, quando a novidade e o frescor de seus sentimentos se dissiparam, uma repentina mudança lhes sobreveio e demonstraram que na realidade não eram mais do que corações de terreno pedregoso em que a Palavra não pôde lançar raízes profundas. “O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, sendo antes de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza” (Mt.13:20-21). Pouco a pouco se derrete o céu de tais pessoas e seu amor se esfria. Por fim chega o dia quando seu assento na igreja está vazio e já nada se sabe deles. Por que? Porque não “calcularam o custo”.
Por não haver contado o custo, milhares de pessoas que professaram ser salvas em reuniões de avivamento, depois de um tempo voltam ao mundo e são motivo de vergonha para o evangelho. Começam com uma noção tristemente equivocada do que seja o verdadeiro cristianismo. Imaginam que a fé cristã não é mais que uma “decisão por Cristo”, uma mera experiência de certos sentimentos de alegria e paz. Logo que se dão conta de que têm de carregar uma pesada cruz no peregrinar até o céu, de que o coração é enganoso e de que o diabo está sempre ativo, se decepcionam e esfriam e retornam a seus velhos pecados. Por que?

Porque nunca chegaram a saber o que é o cristianismo da Bíblia. Nunca aprenderam a calcular o custo.
Por não haver calculado o custo, frequentemente os filhos de pais crentes dão um pobre testemunho do que é o cristianismo e são motivo de afronta para o evangelho. Desde a infância se familiarizaram de uma maneira teórica com o conteúdo do evangelho. Têm aprendido de memória longas passagens da escritura e têm assistido com certa regularidade a Escola Dominical, porém na realidade nunca têm pensado seriamente no que têm aprendido. E quando as realidades da vida começam a fazer-se sentirem suas vidas, com grande assombro por parte dos membros da congregação, estes filhos de crentes abandonam toda religião e submergem de cheio no mundo. Por que? Porque nunca chegaram a entender seriamente os sacrifícios e consequências que uma profissão de fé séria o cristianismo exige. Nunca se lhes ensinou a calcular o custo.

Estas verdades são tão solenes como dolorosas, porém são verdades e põem em relevo a importância do tema que estamos considerando. São considerações que põem de manifesto a absoluta necessidade que têm todos aqueles que professam um desejo profundo de santidade, de fazer-se a pergunta: Quanto custa?
Melhor iriam as coisas em nossas igrejas se ensinassem a seus membros a calcular o custo que implica a profissão de fé cristã. A maioria dos líderes religiosos dos nossos dias dão mostras de uma impaciente pressa nas coisas do evangelho. Parece que o único grande fim a que se propõem é a conversão instantânea das almas, e em torno disto centralizam seus esforços. Esta maneira tão parcial e vazia de ensinar e apresentar o cristianismo é funesta.

Não interpretem mal o que digo. Eu aprovo inteiramente que se ofereça a salvação de uma maneira imediata, gratuita e completa em Cristo. Aprovo plenamente que se chame com urgência os pecadores a que se convertam imediatamente depois de se ouvir a mensagem de salvação. E a estas coisas não cedo o primeiro lugar. Mas condeno a atitude e o proceder de alguns que apresentam estas verdades por si só, isoladas e sem relação às demais verdades de todo conselho de Deus. Além destas verdades, com toda honestidade devemos advertir os pecadores das obrigações que impõe o serviço a Cristo e o que implica sair do mundo.
Não temos direito de forçá-los a entrar no exército de Cristo, se antes não os temos advertido e prevenido da magnitude da batalha cristã. Em uma palavra: devemos adverti-los do custo de ser um verdadeiro cristão.

Não foi esta a maneira de proceder do nosso Senhor Jesus? O evangelista Lucas nos diz que, em certa ocasião “Ora, ia com ele uma grande multidão; e voltando-se, disse-lhes: Se alguém viera mim, e não aborrecer a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14:25-27). Francamente, não se pode reconciliar esta passagem bíblica com a maneira de proceder de muitos mestres religiosos da nossa época; no que a mim concerne, a doutrina do mesmo é clara como a luz do meio dia. Esta doutrina ensina que não temos que forçar os pecadores a uma precipitada confissão de fé cristã, sem antes não os termos advertido claramente da necessidade que têm de calcular o custo.

Lutero, Latimer, Baxter, Wesley, Whitefield, Rowland HilI, e outros, procederam segundo a maneira pela qual defende este texto. Todos estavam bem cientes do caráter enganoso do coração humano; e sabiam bem que não é ouro1 tudo que reluz, que a convicção não é conversão, que a emoção não é fé, que o sentimento não é graça, que não é de todo botão que provém fruto. “Não vos enganeis - era o grito constante destes pregadores - pensai bem no que fazeis; não corrais antes de haverdes sido chamados; calculem o custo!”.

Se desejamos fazer o bem, não nos envergonhemos de seguir as pisadas do nosso Senhor Jesus Cristo. Exortem as pessoas a que considerem seus caminhos. Obrigue-os com santa violência a que entrem e participem do banquete a que se entreguem completamente a Deus. Ofereça-os uma salvação gratuita, completa e imediata. Insta-os uma e outra vez a que recebam a Cristo na plenitude de seus benefícios.
Porém, em tudo, diga-lhes a verdade, toda a verdade! Alguns pregadores se utilizam de atos vulgares para recrutar adeptos. Não fale somente do uniforme, do soldo e da glória, fale também dos inimigos da batalha, da armadura, das sentinelas, das marchas, e dos exercícios. Não apresente apenas uma parte do cristianismo. Não esconda a cruz da abnegação, que todo peregrino cristão deve levar, quando falar da cruz sobre a qual Cristo morreu para nossa redenção. Explique com detalhes tudo o que a1, profissão de fé cristã implica. Rogue com insistência várias vezes aos pecadores que se arrependam e corram para Cristo; porém, insista, ao mesmo tempo, a que se sentem e calculem o preço.

III) Sugestões para Ajudar a Calcular Corretamente o Custo.

Mencionarei alguns fatores que sempre influenciam nos nossos cálculos para saber o custo do verdadeiro cristianismo. Considere com calma e equilíbrio o que se tem de deixar e o que se tem de provar para chegar a ser discípulo de Cristo. Não esconda nada, considera tudo. E logo, faça as seguintes somas, tendo o cuidado de repassá-las bem para não haver equivoco, pois o resultado correto dos mesmos é alentador:
  1. Conte e compare os benefícios e as perdas que um discipulado verdadeiramente cristão contém. Muito possivelmente perderás algo deste mundo, porém ganharás a salvação da alma imortal. Está escrito: “Que aproveita ao homem, ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc.8:36).
  2. Conte e compare os elogios e censuras, se é que és um cristão verdadeiro. Muito provavelmente terás de sofrer as reprovações do mundo, porém, terás a aprovação de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. As censuras vêm dos lábios de pessoas equivocadas, cegas e falíveis; a aprovação vem do Rei dos reis o Juiz de toda a terra. Está escrito: “Bem-aventurado sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt. 5:11-12).
  3. Conte e compare os inimigos e amigos. Por um lado tens a inimizade do diabo e dos maus; por outro, tens o favor e a amizade de Cristo Jesus. Os inimigos, quando muito, podem produzir-te alguns arranhões, pode rugir forte e rodear a terra e o mar para tratar de arruinar a tua alma; porém não pode de modo nenhum destruí-la. Teu Amigo é poderoso para salvar-te eternamente. Está escrito: “Digo-vos, pois, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois disso, nada mais podem fazer. Eu, porém, vos mostrarei a quem deveis temer: Temei aquele que depois de matar, tem poder para lançar no inferno. Sim, digo-vos, a esse deveis temer” (Lc. 12:4-5).
  4. Conte e compare a vida presente e a por vir . A vida presente não é fácil; implica em vigilância, oração, luta, esforço, fé e labor; porém, só é por poucos anos. A vida vindoura será de descanso e repouso; a influência do pecado já terá terminado e satanás estará acorrentado. E, ah! será um descanso para toda eternidade. Está escrito: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nos eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentado nós nas cousas que se vêem; porque as cousas que se veem são temporais, e as que se não veem são eternas” (2 Co.4:17-18).
  5. Conte e compare os prazeres do pecado e a felicidade do serviço a Deus. Os prazeres que o homem mundano obtêm são vazios, irreais, não satisfazem. São como a fogueira que fazem os espinhos arder: range e brilha, porém, só por uns minutos, logo se apaga e desaparece. A felicidade que Cristo outorga a seu povo é sólida, duradoura e substancial; não depende da saúde nem das circunstâncias; nunca abandona o crente, nem mesmo na hora da morte. E uma felicidade que, além disso, se verá galardoada com uma coroa incorruptível. Está escrito: “O júbilo dos perversos é breve” ; “Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo duma panela, tal é a risada do insensato” (Jó 20:5; Ec.7:6). Porém também está escrito: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la a dou com a dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (Jo. 14:27).
  6. Conte e compare as tribulações que o cristianismo verdadeiro implica e as tribulações que sobrevirão aos maus após a morte . A leitura da Bíblia, a oração, a luta cristã, uma vida de santidade, etc., implica em dificuldades e exigem abnegação por parte do crente. Porém não é nada em comparação com a “ira que virá” e que se desencadeará sobre os impenitentes e os incrédulos. Um só dia no inferno será muito mais intolerável que toda uma vida de peregrinação levando a cruz. O “bicho que nunca morre e o fogo que nunca se apaga” é algo que vai mais além do que a mente humana pode conceber e descobrir. Está escrito: “Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu em tormentos”(Lc.16:25).
  7. Considere e compare, em último lugar, o número daqueles que se voltam do pecado e do mundo para servir a Cristo, e o número daqueles que deixam a Cristo e voltam ao mundo. Os que se voltam do pecado e do mundo para servir a Cristo são muitos; porém nenhum dos que realmente têm conhecido a Cristo voltam ao inundo. Cada ano multidões abandonam o caminho largo e tomam a senda estreita que conduza vida. Nenhum dos que andam pelo caminho estreito se cansam do mesmo e voltam ao caminho. O caminho largo registra muitas pegadas de pessoas que torceram seu rumo e o abandonaram; porém, as pegadas dos caminhantes do caminho estreito, que conduz ao céu todas seguem a mesma direção. Está escrito “O caminho dos perversos é como a escuridão”. “O caminho dos pérfidos é intransitável” (Pv.4:19; 13:15). Porém, também está escrito: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv.4: 18).
Estas somas e estas contas frequentemente não se fazem corretamente; por isso há pessoas que continuamente e não podem dizer se vale a pena ou não servir a Cristo. As perdas e ganhos, as vantagens e desvantagens, as tribulações e os prazeres, as ajudas e os obstáculos, lhes dão um balanço tão igual, que não podem optar por Cristo. É que não têm feito a soma corretamente.
Como se explica o erro de tais pessoas? Se deve a uma carência de fé por sua parte. Para chegar a uma conclusão correta sobre nossas almas, devemos conhecer algo daquele poderoso princípio que Paulo menciona no capítulo 11 de sua Epístola aos Hebreus. Permitam-me demonstrar de que maneira intervém este princípio no grande “negócio” de calcular o custo.

A que se deveu o fato de Noé perseverar até o fim na construção da arca? Estava só em meio a uma geração pecadora, incrédula e havia de sofrer o opróbrio, a zombaria e o ridículo das pessoas. O que lhe deu fortaleza ao seu braço e paciência em seu labor? Foi a fé. Noé cria na ira que havia de vir; cria que só na arca poderia achar o refúgio seguro. Pela fé considerou e teve como pobre o conceito e a opinião do mundo. Pela fé calculou o custo e não duvidou de que a construção da arca significava um ganho.

A que se deveu o fato de Moisés rejeitar os prazeres do Egito e recusar-se ser chamado de filho da filha de Faraó? Como pode escolher ser maltratado com o povo de Deus e dirigir ao povo hebreu á terra da promissão, livrando-o da terra da escravidão? Segundo o testemunho do olho humano dos sentidos iria perder tudo e não ia ganhar nada em troca. O que impulsionou Moisés a agir dessa forma? Foi a fé. Ele cria que acima de Faraó havia UM maior e mais poderoso que o dirigiria e protegeria em sua grande missão. Ele tinha por maiores riquezas o vitupério de Cristo que todos os tesouros dos egípcios. Pela fé calculou o custo e “como vendo o invisível”, se persuadiu de que o abandono do Egito e o peregrinar pelo deserto era, na realidade, ganho.

Que foi que fez o fariseu Saulo de Tarso decidir deixar a religião de seus pais e abraçar o Cristianismo? Os sacrifícios e os custos que a mudança implicava eram em verdade enormes. No entanto, Paulo abandonou todas as brilhantes perspectivas que tinha entre os de sua nação; trouxe sobre si, ao invés do favor dos homens, o ódio do homem, a inimizade do homem, a perseguição do homem até a morte. A que se deveu o fato de Paulo poder fazer frente a tudo isso? Se deveu a sua fé. Ele cria que Jesus, a quem conheceu no caminho de Damasco, poderia dar-lhe cem vezes mais do que o que abandonara, e no mundo vindouro a vida eterna. Pela fé calculou o custo, e viu claramente até que lado se inclinava a balança. Cria firmemente que o tomar a cruz de Cristo sobre si era ganho.

Notemos bem todas estas coisas. A fé que fez Noé, Moisés e Paulo fazerem as coisas que fizeram, é o segredo que nos levará a conclusões corretas com respeito a nossa alma. A mesma fé tem de ser nossa ajudadora e nosso livro de contas quando nos sentamos para calcular o custo do verdadeiro cristianismo. Esta fé, se a pedimos a receberemos. “Ele dá maior graça” (Tiago 4:6). Armados com esta fé apreciaremos as coisas no seu justo valor. Cheios desta fé, nunca aumentaremos a cruz nem diminuiremos a coroa. Nossas conclusões serão todas corretas; nossa soma total não registrará erros.


Conclusão

Em conclusão desejo que consideres seriamente se tua profissão de fé religiosa te custa atualmente algo. Mui possivelmente não te custa nada. Com toda probabilidade tua religião não te custa dificuldades, nem tempo, nem pensamentos, nem cuidados, nem dores, nem leitura alguma, nem oração, nem abnegação, nem conflito, nem trabalho, nem labor de nenhuma classe. Bem, pois não te escuses do que vou te dizer: esta profissão de fé nunca poderá salvar tua alma; nunca te dará paz enquanto estás vivo, nem esperanças na hora da morte. lima religião que não custa nada, não vale nada. Desperta! Desperta! Desperta e crê! Desperta e ora! Não descanses até que possas dar uma resposta satisfatória a minha pergunta: “Que te custa?”

Pensa se é que necessitas de motivos que te estimulem mais e mais para o serviço do Senhor, pensa no muito que custou a salvação de tua alma. Considera que nada menos do que o Filho de Deus teve de abandonar o céu, fazer-se homem, sofrer a cruz, ser sepultado, para logo ressuscitar vitorioso sobre o pecado e a morte, e tudo para obter a redenção de tua alma. Pensa em tudo isso e te convencerás de que não é algo insignificante possuir uma alma mortal. Vale a pena tomar-se o incômodo de pensar sobre a esta alma tão preciosa.

Ó, homem preguiçoso! Ó, mulher preguiçosa! Te conformarás com perder o céu por mero fato de que não queres te preocupar com as coisas espirituais? Tanto te repugna o exercício e o esforço como para permitir que tua alma naufrague para toda a eternidade? Sacode esta atitude covarde e indigna! Levanta-te e porta-te varonilmente! Que não termine o dia sem que hajas dito a ti mesmo: “Por muito que seja o custo, eu tomo a determinação de esforçar-me para entrar pela porta apertada”. Olha a cruz de Cristo e receberás alento para seguir adiante, e valor para consegui-lo. Sê sincero e realista com tua própria situação espiritual; pensa na morte, no juízo, na eternidade. Poderá custar muito o ser cristão, porém podes estar seguro de que vale a pena.

Se algum leitor realmente sente que tem calculado o custo, e tomado sobre si a cruz, eu o exorto a que persevere e continue em frente. Talvez frequentemente sintas como se teu coração estivesse a ponto de desfalecer, e que o ímpeto da tentação ameaça naufragá-lo no desespero. Eu te digo: persevera, segue em frente. Não há dúvida de que teus inimigos são muitos, e os pecados que te rodeiam batem com ímpeto; talvez os teus amigos sejam poucos, e o caminho íngreme e estreito. Porém, mesmo assim, nestas circunstâncias, persevera e segue adiante.

O tempo é muito curto. Uns poucos anos de vigilância e oração, uns vão e vêm sobre as ondas do mar deste mundo, umas poucas mortes a mais, umas mudanças a mais, uns poucos verões a mais, e já não haverá necessidade de muita luta.

A presença e companhia de Cristo compensará os sofrimentos deste mundo. Quando nos vemos como somos vistos, e olhamos até a nossa jornada da nossa vida, nos surpreenderemos de nossa debilidade e desmaios de coração. Ficaremos surpresos de que demos tanta importância a nossa cruz, e pensamos tão pouco em nossa coroa. Ficaremos maravilhados de que calculando o custo, chegamos até a duvidar para onde se inclinava a balança. Animemo-nos! Não estamos longe do nosso lugar eterno!

PODE CUSTAR MUITO SER UM VERDADEIRO CRISTÃO
E UM CRENTE FIEL, PORÉM VALE A PENA!



Fonte: Jornal “Os Puritanos” Ano IV N.3.

VIA: Monergismo e Bispo J.C.Ryle



5 de julho de 2017

Por que os cristãos muitas vezes estão divididos?




René Malgo


Quatro possíveis razões e uma palavra-chave 

Já se perdeu a conta da fragmentação do cristianismo em inúmeras denominações, igrejas e seitas. Ao que parece, as cisões estão na ordem do dia. Mesmo a Chamada da Meia-Noite não ficou isenta de múltiplas controvérsias e de amargas discussões ao longo dos seus 60 anos de história (N. da R.: houve algumas discussões e controvérsias na Europa, com a Chamada da Meia-Noite em sua sede na Suíça) - e é provável que assim continue também no futuro. 

Qual seria a razão disso?

Quero apontar aqui quatro razões ou respostas. A primeira é simples, mas provavelmente é a mais difícil de suportar. A divisão dos cristãos baseia-se na natureza humana. “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa”, diz o profeta Jeremias, “e sua doença é incurável; quem é capaz de compreendê-lo?” (Jr 17.9). 

Os crentes poderão argumentar que ganharam um novo coração por meio de Jesus (Rm 6). É verdade! Todavia, ainda assim os cristãos lutam com o pecado em seu velho corpo (Rm 7). Enquanto ainda habitarmos este corpo atacado pelo pecado, será para todos nós impossível enxergar tudo corretamente. “Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas então veremos face a face” (1Co 13.12). Somente quando ressuscitarmos ou formos transformados e virmos o nosso Senhor face a face é que entenderemos tudo (cf. 1Jo 3.2).


Os cristãos são personalidades divergentes, têm aspectos fortes e fracos diferentes, diversas preferências e pecados variados com que precisam lutar. Sua formação, maturidade, capacidade espiritual, relacionamento com o Senhor, seu intelecto, sua capacidade intelectual diferem... não admira que tantas vezes discordemos! Os seres humanos são complexos, emotivos e inquiridores, e os cristãos não são exceção. A conversão não nos transformou em robôs padronizados. “Os propósitos do coração do homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona” (Pv 20.5).


"... Pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor. Todos tropeçamos de muitas maneiras..." Tiago 3.1b,2a

A Palavra de Deus é verdade objetiva, mas as pessoas a interpretam subjetivamente. Tiago, líder da igreja primitiva em Jerusalém, diz a respeito das questões doutrinárias: “Todos tropeçamos de muitas maneiras” (Tg 3.2). Por isso os crentes não deveriam ter muita pressa em ser mestres da Palavra, “pois vocês sabem que nós ... seremos julgados com maior rigor” (Tg 3.1).


Tiago 3.2 é um “versículo régio” em relação à nossa questão. Se um meio-irmão de Jesus e uma “coluna” da igreja primitiva (Gl 1.9) diz que “todos [nós]” tropeçamos frequentemente, incluindo assim a si mesmo nisso, quanto mais essa declaração se aplicará a nós hoje, 2.000 anos depois e culturalmente a anos-luz de distância dos apóstolos!


Hoje há uma variedade de premissas e sistemas teológicos concorrentes influindo o modo como lemos a nossa Bíblia. Podemos não nos dar conta disso conscientemente, mas por meio das igrejas que frequentamos, os institutos bíblicos nos quais nos formamos ou a literatura cristã que lemos, cada um de nós tem marcas teológicas diferentes. Entre os protestantes há, por exemplo, teólogos da aliança, teólogos da substituição, dispensacionalistas, ultradispensacionalistas, dispensacionalistas progressivos, batistas, calvinistas, luteranos, menonitas, irmãos abertos, irmãos restritos, universalistas, arminianos, amilenistas, pós-milenistas, pré-milenistas, pré-tribulacionistas, mesotribulacionistas, pós-tribulacionistas, presbiterianos, congregacionalistas, anglicanos, pentecostais, etc. etc. ... E ainda que todos eles tenham boas razões para afirmar sua fidelidade exclusiva à Bíblia, todos acabam determinados por diferentes sistemas interpretativos e teologias sistemáticas. A cultura cristã na qual nos movemos inevitavelmente tinge os óculos através dos quais lemos a Bíblia.

Não me entendam mal: todos temos óculos como esses, e isso é normal. A arte está em obter as lentes certas. Paulo espera que interpretemos a Palavra de Deus “segundo a sã doutrina” (Tt 1.9). A sã doutrina apostólica terá de ser o nosso filtro. Quem afirma ler a Bíblia sem óculos e sem filtro engana a si mesmo. Assim, por exemplo, é razoável que nenhum cristão normal aplique à sua vida diária a exigência de apedrejar filhos rebeldes fora da cidade, conforme exige a aliança do Sinai (Dt 21.18-21).

Temos de reconhecer que todos nós - mesmo os mais sábios e “piedosos” entre os professores de Bíblia - somos criaturas falíveis. Nenhum de nós seria superior a Tiago neste quesito. Somos pessoas que conseguem enganar até a si mesmas. A Bíblia sabe disso há muito tempo (Jr 17.9). A esta altura, os psicólogos seculares também já descobriram esse fato. Por natureza, tendemos a registrar a realidade de uma forma que se encaixe em nosso esquema e que corresponda à imagem subjetiva que temos do mundo. Por isso o diálogo de surdos entre os cristãos é tão comum e não conseguimos progredir. Constantemente corremos o risco de interpretar palavras e frases da Bíblia segundo as nossas tendências pessoais.

Um exemplo: imagine alguém que em geral raciocine de forma muito organizada e sistemática. Tudo em sua vida precisa ter uma estrutura definida e uma clara explicação. É uma pessoa racional e lógica, que não suporta obscuridades. Qual será sua tendência ao interpretar a Bíblia? É provável que seja simpático a sistemas interpretativos que organizem a doutrina bíblica sem lacunas e que a dividam em várias unidades fechadas e em épocas claramente definidas. Para essa pessoa seria importante ter uma explicação exata de cada detalhe bíblico, e ela cuidaria para que nenhuma incoerência penetrasse ali.

Mas temos então uma outra pessoa, o tal tipo artístico. Seu lema é: só os tolos precisam de ordem; o gênio abarca o caos. E trata-se realmente de um gênio. O que para outros parecem contradições, para ele é apenas o tempero que dá sabor à vida. Ele sempre está em busca de um plano espiritual mais elevado. Nunca se cansa de aprender. Para onde será que ele tenderá ao interpretar a Bíblia? Provavelmente sentirá rejeição por sistemas interpretativos sistematizados e afirmará que se trata de tentativas de enquadrar Deus. Mais atraentes seriam para ele abordagens mais místicas e “holísticas” da Bíblia, que mantenham uma visão do todo. Tais pessoas gostam de paradoxos e reservam espaço para incertezas.
Ambos creem a mesma coisa. Neste exemplo não temos um bom e um mau. Ambos amam Jesus Cristo, afirmam a trindade divina, valorizam a Palavra de Deus e creem no Evangelho. Mesmo assim, porém, em certos aspectos as teologias que ambos moldaram em torno do núcleo da sua fé podem ser totalmente diferentes.

De certo modo, todos buscamos um lar teológico no qual possamos nos sentir bem. E por sermos personalidades diferentes, nossos lares teológicos também podem ter aparências diferentes. Mas, como um professor de Bíblia explicou certa vez, toda casa teológica tem também seus defuntos no porão. Por nos equivocarmos, por sermos pecadores, por termos nossas preferências e limitações, sempre haverá pontos em nossas convicções que outros não poderão assumir e que - segure-se! - estão errados. E com isso chegamos ao segundo ponto.

Nós cristãos vivemos tantas vezes desunidos porque nos baseamos neste mundo e não na eternidade. Será que sempre temos consciência do que, afinal, falamos e sobre o que discutimos? Em última análise, falamos de Deus, do Onipotente, daquele que “mesmo os mais altos céus” não podem conter (1Rs 8.27) e cujos pensamentos são tão mais altos que os nossos como “os céus são mais altos do que a terra” (Is 55.9). É verdade que este Deus se comunica conosco de forma compreensível e comprometida por meio de Sua Palavra e se tornou acessível em Jesus Cristo. Ainda assim, porém, Ele continua sendo o Eterno “que habita em luz inacessível” (1Tm 6.16).

O que tem isso a ver com os defuntos no porão? Muito simples: com os nossos sistemas e os nossos pensamentos humanos, jamais poderemos captar Deus plenamente. Sempre haverá áreas na Palavra de Deus e na Teologia que não poderemos explicar ou que não conseguiremos compreender. Estamos lidando com o Onipotente e a inesgotável riqueza da sua incomensurável e múltipla sabedoria. Lidamos com um plano de redenção que supera todo conhecimento, que mesmo “os anjos anseiam observar” (1Pe 1.12).

Nós, os cristãos, muitas vezes discutimos e brigamos justamente em torno daquilo que não conseguimos entender plenamente: a soberania e a natureza do Deus triúno e Seu plano para o futuro e a eternidade. É plenamente normal que, limitados como somos, esbarremos em nossas conjecturas sobre o Eterno em nossos limites e cheguemos a resultados divergentes.

“Nosso Deus é fogo consumidor“ (Hb 12.29). Qualquer encontro com Ele, o Infinito, abalará as criaturas finitas que somos e nos marcará de diferentes maneiras de acordo com a nossa respectiva configuração. “Provem e vejam como o Senhor é bom. Como é feliz o homem que nele se refugia!” (Sl 34.9). Todos podem experimentar a bondade de Deus, mas por Ele ser em sua natureza tão diferente, tão ilimitado, cada pessoa provará e enxergará essa bondade de modo um pouco diferente.

Atenção: isto não é desculpa para a maior de todas as heresias, segundo a qual de algum modo todas as religiões conduziriam a Deus. A Bíblia é clara e inequívoca em dizer: “Não há salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Salvos serão apenas aqueles que creem tão-somente em Jesus Cristo e O reconhecem como Senhor da sua vida (At 16.31), e ninguém mais. Todavia, esses cristãos, por serem diferentes e limitados, tentarão explicar de formas diferentes a inesgotável plenitude do seu Deus.

Nós cristãos vivemos tantas vezes desunidos porque nos baseamos neste mundo e não na eternidade.
Se todos os cristãos de todas as eras concordassem em todos os detalhes a respeito do conteúdo da Bíblia, seria razoável dizer que teríamos em mãos um livro muito superficial. Como, porém, o que ocorre é justamente o oposto e porque se discute tão acaloradamente sobre a Bíblia porque sua Palavra atinge tanto os corações, dividindo famílias, comunidades e até países, e porque jamais encerraremos os debates sobre ela, sabemos e reconhecemos que Deus é Deus e que Sua Palavra é Sua Palavra.

É claro que um muçulmano poderia dizer o mesmo sobre o Corão, polarizador como ele é. Contudo, isto nos leva ao terceiro ponto. Os demônios calam fundo. É verdade que isto não é bem politicamente correto, mas do ponto de vista dos apóstolos, as falsas religiões têm inspiração demoníaca (1Tm 4.1), e este é um ponto que nós, como cristãos, frequentemente esquecemos. Estamos interagindo com a realidade de principados, poderes, dominadores deste mundo tenebroso e de poderes espirituais da malignidade no mundo invisível (Ef 6.12).

Um professor de Bíblia apontou certa vez para o fato de que os falsos deuses com que Israel se prostituía no Antigo Testamento eram reais. As estátuas de pedra e madeira destinadas a servir de local de veneração desses deuses não tinham vida nem conteúdo, mas os próprios deuses das nações eram reais porque por trás deles havia efetivos poderes demoníacos. Por sinal, não faria sentido dizer que Deus é maior que aqueles deuses se estes nem sequer existissem (cf. Dt 4.7; 10.17; Is 36.20). Seria mais ou menos como se o Senhor proclamasse: “Sou maior que o papai-noel!”

Os deuses eram e são reais. São demônios que inspiram falsas doutrinas e religiões e que combatem o Deus vivo e unicamente verdadeiro, bem como Sua Igreja. Defrontamo-nos com as “ciladas do diabo” (Ef 6.11), um adversário capaz de disfarçar-se de anjo “da luz” (2Co 11.14) e que nos ronda “como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar” (1Pe 5.8).

Será que realmente não cremos que esse inimigo real, com milênios de experiência e uma rede de demônios “semelhantes a deuses”, já não terá conseguido fazer estrago na Igreja do Deus vivo? Sempre que não estivermos vigilantes e não portarmos toda a armadura de Deus, expomo-nos ao ataque de seres muito mais poderosos do que nós, que terão todo o prazer em aproveitar-se dessa vulnerabilidade.
Infelizmente, muitas vezes nossa desunião também resulta de nos deixarmos atropelar por seduções demoníacas. Assim, por exemplo, presumimos o pior sobre o nosso próximo, não nos orientamos pelas diretrizes do Evangelho e do amor, somos vítimas de boatos e difamações e pisamos em armadilhas magistralmente projetadas sob medida para nós, cedemos a bajulações, aceitamos conselhos falsos ou agimos movidos pela ira. É frequente os conflitos entre cristãos serem regidos por ódio, fúria e amargura - e tais sentimentos certamente não provêm de Deus, em que existe apenas luz e nenhuma sombra.

Preciso julgar a mim mesmo: esquecemos com excessiva rapidez que somos criaturas facilmente influenciáveis, frágeis e dependentes, expostas a um combate cósmico que não poderemos vencer com nossas próprias forças. E isto, por sua vez, nos conduz ao quarto motivo da nossa divisão.

À medida que o fim se aproxima, esse combate espiritual torna-se cada vez mais violento e perigoso. A prosperidade que gozamos no Ocidente e a sedução que nos cerca por todos os lados podem turvar nossa visão para esta realidade. Todavia, o Novo Testamento esclarece que os tempos entre a cruz e a volta de Jesus são tempos finais “maus”, que vão piorando continuamente (cf. Hb 1.2; Ef 5.16; Mt 24-25). A respeito da Igreja, Paulo enfatiza em uma de suas cartas que “nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis” (2Tm 3.1), nos quais “os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2Tm 3.2-5).

Note que, entre outras coisas, a falta de amor, a arrogância e a indisposição para reconciliação aumentarão nos últimos dias. Não sei até que ponto já penetramos nos tempos do fim, mas é inegável que hoje estamos mais perto do fim do que há 2.000 anos, e o aumento das características citadas acima em nossos dias deveria ao menos dar o que pensar. Não devemos espantar-nos pelo fato de hoje o cristianismo parecer mais separado do que no início. Os sinais dos últimos dias se infiltram na Igreja e, quanto mais o tempo avança, tanto pior será. É a profecia bíblica que o afirma.

Por isso chega a beirar o milagre que os cristãos mantenham algum tipo de unidade até hoje! A pergunta formulada no título está errada. Considerando as limitações da natureza humana, a infinita diferença da natureza de Deus, o poder demoníaco no mundo invisível e o anúncio bíblico dos tempos finais, seria mais razoável perguntar: por que os cristãos muitas vezes estão unidos? A resposta é: graças ao Espírito Santo.

O Espírito Santo é o Deus subestimado. Alguns Lhe atribuem suas próprias ideias absurdas, outros não esperam nada Dele. No entanto, nosso Deus não é biúno, mas triúno - e esta é a garantia da nossa segurança. Por meio do Espírito Santo, a plenitude de Deus habita em nós (Ef 1.13-14,17; 3.14-19). Ele é o Consolador e Apoio que acalma e sela o nosso coração indisposto, tempestuoso e frágil. É por isso que ainda conseguimos entender a Palavra de Deus (1Co 2.11). E por isso somos mais que os maiores profetas do Antigo Testamento e podemos realizar mais que os milagres de Jesus (Lc 7.28; Jo 14.12). Deus mesmo habita em nós, e já faz 2.000 anos que isto nos capacita a funcionar como povo sem rei visível, como “religião” sem santuário visível e como unidade orgânica sem parentesco de sangue. Pela fé em Jesus Cristo temos condições de ser um com pessoas das quais nos separam milhares de anos, milhares de quilômetros ou milhares de diferenças culturais. Esse milagre é muito maior do que tudo o que aconteceu no Antigo Testamento!

O que nos une não é nem a espada, nem o medo, nem uma nacionalidade, mas o Espírito Santo de Deus. O poder que ressuscitou Jesus Cristo dos mortos está há 2.000 anos zelando para que os salvos adorem o Pai “em espírito e em verdade”, confessem o nome de Jesus e esperem por Sua volta. Este é o maior milagre que o mundo invisível jamais presenciou (Ef 3.9-10): a ilimitada plenitude de Deus em homens fracos, outrora caídos e ainda agora limitados.

É claro que agora se poderá objetar que tudo isso é muito bonito, mas que, apesar do Espírito Santo, não deixa de ser fato que ainda assim os crentes muitas vezes não têm unidade no Espírito. O que podemos fazer contra isso? No meu entender, só há uma resposta, que, entretanto, se refere apenas a diferenças de opinião (especialmente as teológicas) entre os cristãos. Portanto, não se trata da questão do que fazer quando outros crentes pecam contra nós por seu comportamento, seus atos, suas palavras ou suas omissões. Também não se trata de cristãos que tentam apelar para o Evangelho com o fim de disfarçar ou justificar seus pecados, como por exemplo a imoralidade, a avareza ou similares.

Antes de tudo precisamos reconhecer o seguinte: existe um bom motivo para os cristãos parecerem tão combativos. É sua missão. Paulo enfatiza que os bons líderes devem “silenciar“ falsos mestres e repreender “severamente“ crentes desviados (Tt 1.11,13). Tal como Paulo fez, eles não devem ceder nem “submeter-se nem por um instante” a “falsos irmãos infiltrados” (Gl 2.4-5). Os cristãos, e especialmente os líderes de igreja e pastores, não podem comprometer-se (cf. Tt 2.7). Os crentes precisam lutar pela sã doutrina (2Tm 1.13; Tt 1.9; 2.1). A questão que se impõe aqui é: quem na selva das confissões e denominações cristãs seria o portador da sã doutrina e quem deverá ser combatido? - A Bíblia fornece indicações.

Durante a sua prisão em Roma, Paulo soube que alguns cristãos (ou pseudocristãos) anunciavam o Evangelho com a intenção de prejudicá-lo. Ele se alegrou com isso porque para ele o principal era que Cristo fosse anunciado, “seja por motivos falsos ou verdadeiros” (Fp 1.15-18). Paulo não se importou em repreender aqueles criadores de conflitos. Para ele, esses homens não eram daqueles a quem se deveria “tapar a boca”. Portanto, para Paulo o sinal da sã doutrina não era que alguém pertencesse ao seu “grupo”, mas que a pessoa pregasse a Jesus Cristo. As cartas apostólicas esclarecem que pregar a Cristo é o mesmo que anunciar o Evangelho (cf. Rm 1.9,16; 10.15-16; 15.20; 16.25; 1Co 9.12; 2Co 11.4; Gl 1.6-11; 2.5,14, entre outros). Na última carta do apóstolo Paulo vemos que a pregação do Evangelho está estreitamente ligada à sã doutrina (2Tm 1.8; 2.8; 4.5). Quem reconheceu Jesus, reconheceu o Evangelho; quem reconheceu o Evangelho, reconheceu a sã doutrina - e vice-versa. Sã doutrina é o Evangelho!
Portanto, se na Carta aos Efésios Paulo espera de nós, cristãos, “conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.3), isto jamais será possível sem o Evangelho de Jesus Cristo. A seguir, Paulo demonstra por que os cristãos podem e devem ser unidos, porque somos 1) um só corpo, cremos 2) em um só Espírito, temos 3) uma mesma esperança, servimos 4) a um mesmo Senhor, compartilhamos 5) a mesma fé, praticamos 6) um só batismo e temos 7) um só “Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4.4-6). Pode-se considerar isso um resumo da sã doutrina do Evangelho.

No entanto, o grande desafio está em oferecer um preenchimento concreto a esse envoltório. Uma questão crítica é, por exemplo, o único batismo. Será que com isso Paulo exclui o batismo de bebês ou não? Ou o que se entenderá por uma só esperança? Seria preciso que incluísse o Arrebatamento antes da Tribulação? O princípio que decidirá tudo é o exame pela pergunta: anuncia-se a Cristo?

Vamos deter-nos na controvérsia do batismo infantil. Martinho Lutero defendeu com veemência o batismo infantil e protestou contra os anabatistas. Não teria ele com isso entrado em contradição com o batismo único? Esta questão crítica pode ser uma boa medida do grau em que no nosso relacionamento com outros crentes somos mais determinados por nossos sistemas dogmáticos ou pelo propósito do apóstolo Paulo: o principal é que Cristo seja anunciado!

Em Marcos 16 vemos que o batismo se destina a crentes. Em Atos 16 vemos famílias inteiras sendo batizadas. Poderíamos, por um lado, afirmar com cem por cento de certeza que não havia criancinhas pequenas ali? Por outro lado, poderíamos afirmar com cem por cento de certeza que sequer havia crianças pequenas ali? Passados 2.000 anos, não temos como sabê-lo com certeza. O batismo único pode ser uma ênfase para o fato de que os cristãos devem batizar e ser batizados. Parece, todavia, que no mínimo se poderá discutir se apenas o crente adulto deveria ser batizado ou também todas as crianças de toda a sua casa com ele.

Poderíamos acaso afirmar que Martinho Lutero não tenha proclamado o Senhor Jesus Cristo? Um possível problema no nosso julgamento de outros crentes é que pretendemos uma unidade sobre um fundamento irrealista. Aceitamos apenas aqueles cristãos que concordarem conosco em praticamente todos os detalhes, e com isso transformamos criaturas falíveis no padrão de todas as coisas. O padrão da unidade, porém, é muito mais simples: trata-se do Evangelho de Jesus Cristo. Isto não significa que não devamos questionar equívocos na medida em que possamos avaliá-los, e muito menos tolerarmos pecado. Se simplesmente deixarmos valer todos porque citam o nome “Jesus”, não chegaremos a lugar nenhum. Mas convém examinar muito criteriosamente se realmente será necessário lutar e, se for, tratar de aplicar amor, tolerância e paz. E assim finalmente chegamos à resposta para o modo como podemos preservar a unidade.

A resposta ou palavra-chave chama-se humildade. Às vezes precisamos simplesmente nos retrair e considerar morto o nosso orgulho (Rm 6.11). Não é fácil, mas necessário. Se lermos atentamente a Carta de Tiago, perceberemos que seus destinatários tinham seus problemas com orgulho e arrogância. Todos queriam ensinar os outros e ser mestres da igreja. Então, porém, Tiago pergunta àqueles que tanto queriam ser a medida de todas as coisas: “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria” (Tg 3.13). Isto representa um ataque ao nosso orgulho: nossa sabedoria e nosso entendimento em questões de doutrina não se depreende da nossa bem detalhada dogmática, mas do nosso trato manso com os outros. Esta é a verdadeira sabedoria.
“Se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de ‘sabedoria’ não vem dos céus, mas é terreno; não é espiritual, mas é demoníaco. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores” (Tg 3.14-18).

A unidade no Espírito será possível se demonstrarmos a genuína sabedoria do alto, e essa sabedoria não se manifesta em combatividade, em prepotência ou arrogância, mas na disposição de deixar predominar a mansidão, de exercer misericórdia e de buscar a paz.
Bem entendido: estas palavras constam do capítulo no qual Tiago diz que não convém muitos serem mestres, já que todos nós “muitas vezes” tropeçamos no uso da língua. A unidade no Espírito será possível se demonstrarmos a genuína sabedoria do alto, e essa sabedoria não se manifesta em combatividade, em prepotência ou arrogância, mas na disposição de deixar predominar a mansidão, de exercer misericórdia e de buscar a paz. Com isso, a unidade não começa primariamente com o cristão que na nossa opinião defende uma teologia equivocada e que será indispensável corrigir, mas em nós mesmos - em cada um muito pessoalmente.

Bons cristãos e mestres da Bíblia são pacificadores que se alegram quando Jesus Cristo é proclamado. Por isso Paulo diz: “Como prisioneiro no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira digna da vocação que receberam. Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor. Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4.1-3).

O desafio para cada um de nós é não ser orgulhoso, mas humilde; não combativo, mas manso; não teimoso, mas misericordioso. É muito fácil denegrir outros crentes do púlpito, em e-mails, em circulares, em conversas “confidenciais” ou em revistas. A verdadeira grandeza e sabedoria segundo Tiago é algo bem diferente.

Nossa atitude em relação àqueles seguidores de Cristo que talvez não pensam exatamente como nós pode ser similar àquela revelada por Paulo: “Mas que importa? O importante é que de qualquer forma, seja por motivos falsos ou verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar-me” (Fp 1.18). 


(René Malgo - Chamada.com.br)
http://www.chamada.com.br/mensagens/cristaos_divididos.html