
Os sete Espíritos de Deus são mencionados quatros vezes no livro do Apocalipse,
e muitos cristãos possuem dúvidas acerca do que são, ou, para alguns,
quais são os sete Espíritos de Deus, e como se deve entender
corretamente o significado dessa expressão.
Na verdade, a Bíblia não específica de forma explicita e detalhada a
expressão “sete Espíritos de Deus” quando ela ocorre, porém as
Escrituras nos fornecem algumas informações que são essenciais para
compreendermos o significado de tal expressão.
O que a Bíblia fala sobre os sete Espíritos de Deus?
As passagens bíblicas onde essa expressão é utilizada nos dizem o seguinte:
- Em Apocalipse 1:4, os sete Espíritos de Deus são mencionados na saudação introdutória do livro.
- Em Apocalipse 3:1, Jesus se apresenta a igreja em Sardes como sendo aquele que “tem os sete Espíritos de Deus”.
- Em Apocalipse 4:3, na visão do trono de Deus, os sete Espíritos de Deus aparecem relacionados à figura de sete lâmpadas que estão diante do trono.
- Em Apocalipse 5:6, na visão de Cristo exaltado recebendo das mãos do Pai o livro selado com sete selos, os sete Espíritos de Deus enviados por toda terra são mencionados em conexão com os sete chifres e os sete olhos do Cordeiro.
Qual o significado dos sete Espíritos de Deus?
Com base nessas passagens à luz de outros textos Bíblicos, existem
três interpretações diferentes que são sugeridas pelos estudiosos como
sendo o significado correto da expressão “sete Espíritos de Deus”:
- Os sete Espíritos de Deus são anjos;
- Os sete Espíritos de Deus são seres celestiais poderosos superiores aos anjos;
- A expressão “sete Espíritos de Deus” é uma descrição simbólica do Espírito Santo.
A seguir, entenderemos melhor cada uma dessas sugestões, e analisaremos qual delas é a mais coerente com o relato bíblico.
Os sete Espíritos de Deus são anjos
Alguns estudiosos entendem que os sete Espíritos são sete anjos que estão diante do trono de Deus.
Eles se baseiam, principalmente, em passagens bíblicas em que os anjos
às vezes são chamados “espíritos”, como em Hebreus 1:7,14.
O grande problema com essa interpretação é que no livro do Apocalipse
nunca os anjos são chamados de espíritos, ao contrário, não faria
qualquer sentido a expressão “sete Espíritos” ser aplicada aos anjos já
que em várias passagens encontramos explicitamente a expressão “sete
anjos” (Ap 15:1,6-8; 16:1; 17:1; 21:9).
Os sete Espíritos de Deus são seres celestiais
Essa interpretação é bastante semelhante à sugestão anterior e defende que os sete Espíritos de Deus são sete seres celestiais,
talvez superiores aos anjos, ou, pelo menos, pertencentes a uma ordem
mais elevada, e que tais seres são símbolos da majestade divina.
Na verdade essa interpretação encontra dificuldade, primeiramente, em
tentar definir quem são esses seres. Alguns argumentam que talvez sejam
serafins, querubins ou, quem sabe, arcanjos. Geralmente quem defende
essa sugestão utiliza de alguma forma passagens que descrevem seres
celestiais no Apocalipse (Ap 4:6; 5:6; 19:4).
A principal dificuldade dessa interpretação ocorre no fato de que
quando a expressão “sete Espíritos de Deus” é utilizada, ela parece
completar a plenitude da Trindade, como em Apocalipse 1:4, numa saudação
onde aparecem, de forma explicita, o Pai e o Filho. Assim, mesmo esses
seres celestiais sendo poderosos e superiores aos anjos, eles
necessariamente são inferiores a Deus e não podem ser mencionados no
sentido que tal expressão transmite.
A expressão “sete Espíritos de Deus” simboliza o Espírito Santo
A linguagem simbólica é predominante no livro do Apocalipse, e sob
essa ótica, os números possuem uma aplicação muito significativa.
Especificamente sobre o número 7, podemos dizer que ele é utilizado
desde o Antigo Testamento para transmitir o sentido de “pleno”,
“totalitário” e “completo”.
Na verdade o numero 7 é empregado pelo menos 54 vezes no Apocalipse de forma explicita. É por isso que temos os sete selos, sete trombetas, sete taças
etc. Além disso, ele também ocorre de forma implícita, onde muitas
vezes uma mensagem é agrupada em padrões de sete, como por exemplo, nas
sete bem-aventuranças presentes no livro (Ap 1:3; 14:13; 16:15; 19:9;
20:6; 22:7; 22:14).
Outro fato fundamental para o nosso estudo, é saber que o Apocalipse
enfatiza a Trindade, porém em nenhuma vez utiliza o título “Espírito
Santo”. Entretanto, encontramos nesse livro a designação “sete Espíritos
de Deus”, ou em outra tradução, “o Espírito sétuplo de Deus”, que
quando combinamos com o significado do número 7 em todo o livro,
entendemos que claramente se trata de uma referência ao Espírito Santo.
Isso fica bem nítido na primeira vez que essa expressão aparece no
livro, onde obviamente lemos uma saudação trinitária (Ap 1:4,5). Perceba
que primeiro o apóstolo João menciona Deus Pai: “graça e paz seja convosco da parte daquele que é, e que era, e que há de vir”. Depois, o apóstolo menciona os sete Espíritos: “e da [parte] dos sete Espíritos que estão diante do seu trono”. Finalmente, no versículo seguinte, ele menciona o Filho: “e da parte de Jesus Cristo”.
Diante dessa saudação, podemos concluir que a expressão “sete
Espíritos de Deus” só pode significar alguém que complete a plenitude da
Trindade, o que naturalmente nos leva a entender que é o Espírito Santo
(cf. 2Co 13:14; 1Pe 1:1,2), ou seja, a graça e a paz provêm de Deus o Pai, o Filho e o Espírito.
Em Apocalipse 5:6, lemos que os sete Espíritos de Deus são enviados a toda a terra. Essa descrição está completamente de acordo com a atuação do Espírito Santo no mundo, onde através da pregação do Evangelho pela Igreja, pessoas de todas as nações são levadas a conhecer a Deus.
Existem muitas semelhanças entre a forma com que João emprega essa
expressão no Apocalipse, sobretudo no capítulo 4 e versículo 5, e uma
profecia do profeta Zacarias sobre a atuação do Espírito de Deus (Zc 4:2-6).
Algumas pessoas também utilizam uma profecia com implicações messiânicas do profeta Isaías, onde é dito que sobre o filho de Davi repousaria “o
Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e entendimento, o Espírito
de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e temor do
Senhor” (Is 11:2).
É claro que esse texto pode ser utilizado, porém não com o objetivo
de tentar estabelecer uma designação detalhada dos sete Espíritos, pois
certamente esse não é propósito dessa passagem, onde apenas é mostrado o
mesmo e único Espírito de vários ângulos diferentes, refletindo os
atributos divinos que são comunicados como dons.
Assim, devemos entender que o a designação “sete Espíritos” não deve
ser interpretada de forma fracionada, mas sim, como uma unidade
perfeita, onde a expressão sete Espírito de Deus significa a plenitude do Espírito Santo em sua Pessoa, atuação e influência no mundo e na Igreja.
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