Edelberto P. Oliveira
Você alguma vez ouviu falar de sinergismo ou monergismo na sua igreja? Mas você já ouviu nalgum culto o seu pastor falar em regeneração? Ou na necessidade de um novo nascimento para alcançarmos a salvação?
Lembra-se do versículo: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3)? Ou do versículo: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2º Coríntios 5.17)?
O que é sinergismo e o que é monergismo, então?
Para definirmos ambos os vocábulos, temos que primeiramente determinar, em termos bíblico-teológicos, o que é regeneração.
Regeneração é um novo nascimento mediante o qual o homem se qualifica para receber a salvação (João 3.5). É também uma nova criação totalmente transformada por plena intervenção do Espírito Santo (Tito 3.5). De outro modo podemos dizer que regeneração é o resultado da cooperação entre Deus e o homem no ato da conversão.
A palavra regeneração é citada uma única vez no Novo Testamento, mas os vocábulos sinergismo e monergismo não são citados explicita ou implicitamente uma vez sequer na Bíblia.
Os dicionários não definem monergismo – simplesmente ignoram-no. Aurélio, entretanto, define sinergia como a “associação simultânea de vários fatores que contribuem para uma ação coordenada” e, por extensão, sinergismo como “a ação cooperativa de duas ou mais substâncias, de modo que o efeito resultante é maior que a soma dos efeitos individuais destas”.
De fato, tais conceitos laicos vão ao encontro do simbolismo teológico que abordaremos a seguir.
Teologicamente, sinergismo vem a ser a doutrina firmada no pressuposto que a salvação é o resultado da ação conjunta da soberania de Deus e da vontade moral homem.
Doutra forma, o monergismo seria uma contradoutrina que defende a idéia que a regeneração do homem é fruto exclusivo da ação eficaz do Espírito Santo.
Trocando em miúdos:
Para o monergismo, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito trabalham em solitária harmonia para que o homem seja regenerado, pois este como pecador não tem a capacidade e a disposição necessárias para alcançar por si mesmo a salvação.
Porquanto esteja espiritualmente morto, o homem carece da graça de Deus para nascer de novo.
O arrependimento é um dom de Deus e Cristo morreu por todos os pecadores indistintamente.
Como ser natural, o homem não pode colaborar para a sua salvação, concedida por soberano arbítrio de Deus.
A salvação é essencial para que homem fique livre do poder escravizador do pecado.
A regeneração produz a fé.
Para o sinergismo, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito trabalham em conjunta harmonia com o homem na busca da regeneração.
Porquanto esteja caído - e não morto - espiritualmente, o homem ainda tem a capacidade inata e a propensão para buscar a sua salvação.
O arrependimento é mérito do homem, pois dependerá da capacidade deste querer e assim fazer.
Ainda que tenha Cristo morrido por todos os pecadores, a salvação é dada àqueles que O escolherem por livre-arbítrio.
A salvação é essencial para que o homem fique livre das consequências do pecado.
E a fé produz a regeneração.
Em curtas palavras, a nossa posição:
A graça de Deus é a única causa eficiente e suficiente para o homem obter a salvação.
Logo, somos regenerados por intermédio da salvação oferecida por Jesus Cristo na cruz e justificados gratuitamente por esta graça divina mediante a nossa fé (Romanos 5.1; Efésios 2.8).
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