Pergunta:
"Várias vezes
tenho lido em seus livros e revistas que o pecado nos separa de Deus e que separação
de Deus leva ao inferno. Pecado e Deus se excluem mutuamente, ou seja, pecadores
e Deus se excluem mutuamente. Isso é verdade? Quer dizer que os pecadores
não podem ter comunhão com Deus? Isso significa que eles podem
orar o quanto quiserem, mas não serão ouvidos? Ou seja, a conclusão
é que nós, cristãos, deveríamos orar por eles com
mais intensidade? Mas será que eu posso ou devo dizer aos meus conhecidos
não-salvos que suas próprias orações não
podem ser atendidas?"
Resposta: O que você
leu nas mencionadas revistas e livros é verdade, mas - graças
a Deus por isso - essa não é toda a verdade, ou você esqueceu
de citar a outra parte! Se, por um lado, temos de aceitar com tremor que o três
vezes santo e justo Deus e o pecado se excluem mutuamente, por outro lado podemos
nos firmar no amor de Deus, baseados nas Sagradas Escrituras, pois: Deus é
amor (1 Jo 4.8) e em função de Seu amor Ele ama o pecador com
amor sem fim! E foi exatamente esse amor que O impeliu a entregar Seu próprio
Filho para abrir o caminho ao pecador, para que o perdido pudesse ter comunhão
com Deus - o Deus da luz, no qual não existe escuridão! "Porque
Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para
que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo,
mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é
julgado; o que não crê já está julgado, porquanto
não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3.16-18).
E isso Ele fez quando ainda éramos pecadores: "Mas Deus prova
o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por
nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8). Na realidade,
uma pessoa só pode chamar ao Criador do céu e da terra de "amado
Pai" depois que se reconciliou com Ele pelo sangue de Seu Filho, depois
que foi perdoado o pecado que se interpunha entre o Deus vivo e o pecador! Jesus
Cristo é o único Mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5).
Por isso, na oração só deveríamos nos aproximar
de Deus através de Jesus.
Sem dúvida nós,
como renascidos, temos uma grandiosa missão de alcançar nossa
geração com o Evangelho e de lutar em oração pela
salvação de almas preciosas. Mas será que o próprio
Deus não está agindo? É claro que sim, pois Seu amor salvador
está sempre em ação. E o que Ele faz, o próprio
Jesus o diz em João 6.44: "Ninguém pode vir a mim se o
Pai que me enviou não o trouxer..." E na segunda parte do versículo
65 Ele reforça mais uma vez: "Ninguém poderá vir
a mim, se pelo Pai não lhe for concedido." Em 1 Timóteo
2.4 está escrito que Ele "deseja que todos os homens sejam salvos
e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." Porém, Deus não
criou o homem como um fantoche, mas sim como um ser cuja vontade é respeitada
e cujas decisões são aceitas! Quem procura sinceramente pela verdade
e está disposto a se sujeitar a ela irá encontrá-la, pois
vale a promessa de que Ele é "escudo para os que caminham na
sinceridade" (Pv. 2.7b). A verdade sempre desafia! Leia, pensando nesse
assunto, a passagem de Atos 17.16-34.
Que o Senhor lhe conceda
muita graça para ser um guia que leva outros a Cristo!
É claro que você
pode e deve orar por pessoas que o Senhor traz à sua lembrança.
E o que mais importa não é o tempo que você já é
filho de Deus, mas é você andar na luz e na fé pessoalmente!
E preste atenção para orar sempre em espírito, baseado
na Palavra de Deus, e não com base em suas emoções. Isso
significa, dentre outras coisas, que em primeiro lugar você deve orar
pela salvação dessa pessoa e, só depois, orar pela saúde
ou por outro problema que ela tiver.
Seria completamente errado
se você dissesse aos seus conhecidos e parentes não-crentes que
suas orações são em vão! Mostre a eles a grandeza
da salvação em Jesus Cristo, dizendo-lhes que só Ele é
o caminho, a verdade e a vida, e que fora de Jesus não se alcança
o perdão dos pecados!
Mas, além do que
foi exposto acima, não nos compete dizer que Deus ouve ou não
as orações dos descrentes. Quando uma pessoa ora, por exemplo,
assim: "Deus, se você existe, revele-se a mim", será
que Deus não ouve uma oração dessas? Nosso Deus é
um Deus soberano, e o ser humano é apenas humano, com todas as suas incapacidades
e limitações. Por isso, jamais devemos tentar colocar Deus dentro
de um padrão humano!
(Elsbeth Vetsch)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 1997.
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