Como o povo obteria justiça superior a dos
fariseus, se os fariseus pautavam as suas práticas no que a religião
judaica apresentava como melhor? Como alguém do povo, que era rotulado
como multidão maldita pelos lideres da religião judaica, seria capaz de
obter justiça superior a de um fariseu semelhante a Saulo, que vivia
conforme os preceitos da mais severa seita do judaísmo "Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu" (At 26:5); "Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita" (Jo 7:49).
"Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" (Mt 5:20)
Introdução
Como
exceder a justiça dos escribas e fariseus, se os escribas e fariseus
eram religiosos considerados justos aos olhos do povo? (At 26:5) Como o
povo à época de Cristo haveria de adquirir uma justiça superior a dos
escribas e fariseus, se eles eram referência moral, religiosa e de
serviço a Deus?
Observe o que um fariseu disse enquanto orava: “Ó
Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores,
injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na
semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo” (Lc 18:11 -12).
Um jovem príncipe, quando interpelado acerca dos mandamentos, disse: "Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?" (Mt 19:20).
Acerca dos fariseus, Jesus disse: "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens..." (Mt 23:28).
Daí
a pergunta: como o povo obteria justiça superior a dos fariseus, se os
fariseus pautavam as suas práticas no que a religião judaica apresentava
como melhor? Como alguém do povo, que era rotulado como multidão
maldita pelos lideres da religião judaica, seria capaz de obter justiça
superior a de um fariseu semelhante a Saulo, que vivia conforme os
preceitos da mais severa seita do judaísmo "Sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu" (At 26:5); "Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita" (Jo 7:49).
Como
adquirir justiça maior que a dos fariseus, se as suas práticas como
jejuns, orações, sacrifícios, dízimos, moral, comportamento,
religiosidade, nacionalidade, etc., não lhes concedeu o direito de
entrarem no reino dos céus?
Para alcançar justiça superior, seria
o bastante redobrar as práticas dos escribas e fariseus? Redobrar os
jejuns, as orações, os sacrifícios, os dízimos, etc., concederia justiça
superior?
O povo e os fariseus
Aos olhos do povo, os escribas e fariseus eram tidos por justos "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade" (Mt 23:28), entretanto, apesar da conduta social ilibada, Jesus vetou o reino dos céus aos fariseus e escribas "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" (Mt 5:20).
Ao
demonstrar que o reino dos céus estava vetado aos escribas e fariseus e
exigir do povo uma justiça superior aos mestres em Israel, Jesus, de
modo polido, estava dando a entender aos seus ouvintes que, tanto eles
quanto os escribas e fariseus estavam destituídos do reino dos céus.
Se
os fariseus não podiam entrar no céu, o que seria do povo? E o pior:
como e onde obteriam uma justiça superior? O que era necessário fazer
para ter direito a entrar no reino dos céus? Ser descendente da carne de
Abraão não bastava? Ser israelita, prosélito, circuncidado, dizimista,
guardar o sábado, ir ao templo, sacrificar, etc., não era suficiente?
O que fazer?
Para
compreendermos o que Jesus exigiu do povo no Sermão da Montanha, é de
grande ajuda comparar Mateus 5, verso 20 com João 3, verso 3:
“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20), e;
“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo 3:3).
Escolhemos João 3, verso 3, para compararmos com Mateus 5, verso 20 por causa da parte ‘b’ dos dois versículos:
“... de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mt 5:20);
“... não pode ver o reino de Deus” (Jo 3:3).
Através
dos dois versos, verifica-se que, para entrar no reino dos céus é
necessário: a) nascer de novo, e/ou; b) obter justiça que exceda a dos
escribas e fariseus.
Como nascer de novo?
O
apóstolo João deixa claro que, todos os que creem em Cristo recebem
poder para serem feitos (criados) filhos de Deus (Jo 1:12). Ora, para
receber poder é imprescindível crer que o Filho do homem, o Jesus de
Nazaré, desceu do céu (Jo 3:13).
Crer em Cristo como o Verbo que se fez carne é o mesmo que recebê-Lo “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome” (Jo 1:12). Que ‘poder’ é concedido aos que creem? Ora, o poder é o evangelho, como diz o apóstolo Paulo: “Não me envergonho do evangelho, que é poder de Deus” (Rm 1:16).
Recebe
a Cristo quem crê que o Filho do homem tinha que ser crucificado (Jo
3:14); recebe quem crer nas palavras proferidas pelo Filho do homem (Jo 3:15); recebe quem crer que Deus entregou o seu Filho Unigênito (Jo
3:16); recebe quem crer que o Filho do homem foi entregue para salvar o
mundo, e não para condená-lo (Jo 3:17); recebe a Cristo quem crer que
a condenação é rejeitar Cristo (Jo 3:18), e; recebe a Cristo quem
crer que praticar a verdade é o mesmo que estar em Cristo (Jo 3:19).
Sobre esta verdade disse o apóstolo Paulo: “Mas,
depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois
filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes
batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” (Gl 3:25 -27).
Uma
análise apurada demonstra que, para nascer de novo é necessário crer na
mensagem do evangelho, as boas novas anunciadas por Cristo, que é
semente incorruptível e poder de Deus (1Pe 1:3 e 23). Não basta crer
em milagres, no impossível, em Deus, antes é necessário crer em Cristo
como o enviado de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 14:1 e 11; Tg
2:19).
Como alcançar justiça superior a dos escribas e fariseus?
Jesus orientou aos seus ouvintes a buscarem o reino de Deus e a justiça proveniente do reino "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6:33). Ora, sabemos que Cristo é o reino de Deus entre os homens (Lc 11:9 -10; 11 e 20-21).
Certa feita a multidão perguntou acerca da obra de Deus, e Jesus respondeu: "A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou" (Jo 6:29). Qualquer que crê no enviado de Deus, realiza a obra de Deus, de modo que excede a justiça dos escribas e fariseus "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" (Mt 5:20).
Diante da pergunta: "Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?"
(Jo 7:48), tem-se a resposta: não! Ora, se não creram no enviado de
Deus, certamente não executaram a obra exigida; se não ‘buscaram’ o
reino de Deus, consequentemente não alcançaram a justiça que vem do
alto.
Com base na obra exigida por Deus, que é crer em Cristo,
verifica-se que ser justo não decorre de ações tais como não roubar,
furtar, adulterar, injustiçar, etc., antes diz da condição própria aos
filhos de Deus "O fariseu, estando em pé,
orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como
os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este
publicano" (Lc 18:11); "Não pelas
obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia,
nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito
Santo" (Tt 3:5).
A obra exigida por Deus não se refere às
obras da lei, antes se refere à obra da fé: crer no enviado de Deus (Gl 3:2). As obras que os fariseus realizavam baseavam-se em preceitos
de homens, portanto, jamais entrariam no reino dos céus "Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim" (Mt 15:8).
Com base nos versos que analisamos, verifica-se que:
- para nascer de novo é necessário crer em Cristo;
- que crer em Cristo é a obra exigida por Deus;
- quem crer executa obra maior que a dos escribas e fariseus, de modo que alcança justiça superior.
O
advento do novo nascimento é o que estabelece justiça superior à
justiça dos escribas e fariseus e, que ter justiça superior a dos
escribas e fariseus só é possível a quem nascer de novo. Todos os que
são de novo gerados pela fé em Cristo são criados em verdadeira justiça e
santidade (Ef 4:24).
Quem crê em Cristo possui a mesma fé que o
crente Abraão que, após ouvir a promessa, creu que em seu Descendente
todas as famílias da terra seriam benditas (Gl 3:8). Quem crê em
Cristo está de posse da mesma ‘fé’ que Abraão, portanto, é recebido por
filho de Abraão por crer em Cristo “E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (Gl 3:29).
Crer em Cristo é alcançar o reino dos céus e a sua justiça. A justiça do reino de Deus é superior, pois é de cima (Mt 7:33).
A justiça nos Salmos
Onde o homem buscará justiça?
Segundo
o salmista, a mão direita de Deus está plena de justiça (Sl 48:10).
Tudo o que fora dito pelos profetas acerca de Deus, o homem encontra em
Cristo “Como o ouvimos, assim o vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus. Deus a confirmará para sempre” (Sl 48:8).
O
salmista profetizou dizendo que, tudo o que ouviram, assim viram na
cidade de Jerusalém. O evangelista João confirma esta palavra, quando
diz: “O QUE era desde o princípio, o que
ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as
nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (1Jo 1:1).
Cristo
apresentou-se diante da multidão com as mãos plenas de justiça, pois
veio e cumpriu o que fora ordenado pelo Pai (Sl 48:11). Ele mesmo
enfatizou ser o cumprimento cabal do que fora predito, portanto, era o
cumprimento da lei (Mt 5:17 -18).
Há uma má leitura da fala de
Jesus quando disse que ‘veio cumprir a lei’. Muitos entendem que Jesus
veio cumprir o sábado, a circuncisão, os jejuns, as luas novas, as
festas, etc., porém, a leitura correta é que Ele é o cumprimento cabal
da lei e dos profetas. Em Cristo tudo foi cumprido, quer seja um til ou
um jota. Embora Jesus se assentasse com os pecadores e cobradores de
impostos, não jejuasse aos moldes dos fariseus, não guardasse o sábado
como os seus compatriotas, Ele era a encarnação da lei e dos profetas (Mt 9:14 ; Jo 9:16).
Por fim, o salmista profetiza que Cristo há de ser o guia daqueles que nele confiam até a morte “Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte” (Sl 48:14). Como? Jesus não veio para livrar o homem da morte? O correto não seria um guia que livrasse o homem da morte?
Não!
Na verdade, para que a justiça de Deus fosse estabelecida, necessário é
que o devedor recebesse o seu prêmio: a morte. Deus estabeleceu: a alma
que pecar, essa mesma morrerá, de modo que a pena não passa da pessoa
do transgressor (Ez 18:4).
Por causa deste entrave é que Jesus
convida os homens a tomarem sobre si a sua própria cruz e segui-lo.
Qualquer que crê em Cristo toma a sua cruz; quem crê segue após Cristo, é
crucificado e morto. Cristo morreu a morte física como cordeiro de
Deus, em lugar de todos os pecadores. Porém, todos os que creem morrem
com Ele para que a justiça de Deus seja estabelecida, e só então, é
criado um novo homem, ressurreto em uma nova criatura "Levando
ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que,
mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas
feridas fostes sarados" (1Pe 2:24).
Quando o homem morre
com Cristo, Deus é justo. Quando o homem ressurge dentre os mortos, Deus
é justificador, pois declara ressurreto é justo o homem de novo gerado,
pois foi criado participante da natureza divina: justo (1Pe 1:4).
Somente os nascidos de Deus são justos e praticam justiça. Praticar
justiça é próprio aos nascidos d’Ele, assim como pecar é próprio aos
escravos do pecado "Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele" (1Jo 2:29).
Somente
àqueles que se achegam a Cristo (luz) praticam a verdade. Como a obra
de Deus é que o homem creia em Cristo, a obra de quem crê é realizada em
Deus. Quem crê professa a verdade do evangelho, de modo que as suas
obras são manifestas “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus” (Jo 3:21).
Confessar
que Jesus de Nazaré é o Cristo de Deus, certo de que Deus o ressuscitou
dentre os mortos é o artigo de fé pelo qual o homem é salvo.
Quem crê nesta verdade, alcança justiça e a boca manifesta a obra realizada por Deus “A
saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração
creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que
com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a
salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será
confundido” (Rm 10:9 -11).
http://www.estudobiblico.org/doutrinas-biblicas
Nenhum comentário:
Postar um comentário