Por Adriano Ribeiro dos Santos
A primeira carta de Paulo a Timóteo
As duas cartas enviadas a Timóteo e a carta a Tito são conhecidas como “cartas (epístolas) pastorais”, ou seja, cartas enviadas a pastores para orientá-los na condução das igrejas que estavam liderando.
Timóteo era natural de Listra (At 16.1) e estava pastoreando a igreja de Éfeso (1.3). Paulo foi a pessoa usada por Deus para que Timóteo fosse resgatado por Cristo (1.2), sendo que Timóteo passou a acompanhá-lo em sua segunda viagem (At 16.1).
Timóteo foi companheiro de Paulo em várias viagens e foi mencionado como cooperador no envio de seis cartas: 2 Coríntios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses e Filemon.
Éfeso: Era a capital da Ásia. Uma cidade pagã, onde se adorava a deusa Artemis (Diana) no templo pagão que era considerado uma das sete maravilhas do mundo. O templo tinha 127 colunas de 20 metros de altura numa área de 140 metros de comprimento por 70 metros de largura, entretanto, estava sucumbindo diante do evangelho. Em contraste com isso, a igreja de Cristo crescia a cada dia (At 19.17-18) e continuou se reunindo nas casas pelo menos duzentos anos.
Muitas pessoas creram no evangelho naquela cidade (At 19.13-20). Por este motivo, houve grande perseguição, visto que, quando as pessoas criam no evangelho, elas abandonavam aquelas práticas pagãs (At 19.23-29).
Timóteo era um jovem ministro designado por Paulo para firmar esta igreja na Palavra de Deus. Paulo cita por três vezes nesta carta a frase “Fiel é a Palavra” (1.15; 3.1; 4.9) e enfatiza a fidelidade à Bíblia em diversos momentos (1.3; 1.10; 4.6; 4.16; 5.17; 6.3-5).
Por que estudar sobre a qualificação dos líderes?
1. Porque a Palavra de Deus fala sobre este assunto;
2. Porque dará discernimento à igreja para avaliar e confrontar seu(s) líder(es) (1Tm 5.19-21);
3. Porque serve para o líder ou futuro líder fazer uma auto-avaliação;
4. Porque conseguiremos diferenciar presbíteros de diáconos e conhecer outras expressões;
5. Porque a maior parte dessas qualificações todo crente deve buscar, independentemente do desejo ou possibilidade de ser líder;
6. Porque é a maneira de Deus orientar a igreja para que ela reconheça ou não a pessoa como líder.
“Fiel é a palavra” – Paulo refere-se à declaração que irá fazer acerca dos líderes, ou seja, essa palavra sobre os bispos é fiel.
“Se alguém aspira" – aspirar é desejar. Mas não é suficiente apenas desejar, pois não trata-se de um teste vocacional. Deus capacita cada líder para serví-lO na igreja e para preencherem as qualificações de um bispo (At 20.28). Três passos são necessários para que o desejo se torne realidade, são eles: chamado de Deus, desejo pessoal e aprovação da igreja usando os requisitos que serão comentados posteriormente.
“o episcopado,” - Segundo Phil Newton “os gregos usavam esse termo para definir um ofício que tinha funções de superintendência, quer no âmbito político, quer no religioso[1]”. A palavra tem o sentido de “olhar sobre, ter consideração para com algo ou alguém”. Ou seja, o bispo cuidava dos outros, especialmente dos necessitados. O episcopado é a função desempenhada pelo bispo.
As
palavras “bispo” e “presbítero” são usadas intercambiavelmente, ou seja, possuem o mesmo significado (Tt 1.5-7). Igualmente podemos pensar sobre essas duas palavras, pois elas se unem no mesmo significado com a palavra “pastor”
(At 20.28; 1Pe 2.25; 5.1-2). A Bíblia se refere de formas distintas em
relação ao líder para que algumas características sejam evidenciadas:
Bispo – “olhar sobre, ter consideração por algo ou alguém”. Implica em liderança e direção dada a igreja.Presbítero – enfatiza a maturidade espiritual necessária para o ministério (At 11.29-30). Anteriormente era usada para se referir a homens de idade avançada (Jo 8.9). Paulo demonstra essa mudança designando o jovem Timóteo para esse ministério (4.12).Pastor – significa “pastor de ovelhas”. Aquele que cuida, lidera, restaura, guia e supre as necessidades da ovelha.
“excelente obra almeja” – o trabalho ministerial é excelente, ou seja, profissões seculares não diminuem a importância do trabalho do ministro.
“É necessário...que o bispo...” – a
palavra para bispo está no masculino, não permitindo dizer que a mulher
pode exercer o episcopado. Além disso, a expressão “é necessário”
demonstra que as instruções de Paulo não são meras dicas. Na verdade,
são condições impostas àqueles que desejam ser ministros do evangelho.
“irrepreensível” – muitas
vezes essa palavra é entendida como se o ministro possuísse uma
blindagem às críticas, sendo proibido contestar qualquer desvio
existente. Entretanto, o que Paulo está falando é que o ministro deve
ter um comportamento exemplar, sem que sejam necessárias críticas à sua
pessoa.
O
bispo não será perfeito, mas não terá pecados pendentes. Ele sempre
buscará acertar seus problemas de forma rápida e decisiva. Também não
será dado a vícios, falta de domínio com dinheiro, impureza moral, etc.
Paulo irá desenvolver esses e outros casos a seguir.
MacArthur
afirma corretamente que “Um pastor profano é como uma janela com
vitral: um símbolo religioso que impede a entrada de luz. Por isso, a
qualificação inicial do líder é ser irrepreensível[2]”.
“esposo de uma só mulher” – novamente
acontece a reafirmação de um ministério masculino, pois esta
qualificação é específica do homem, visto que a tradução literal do
texto é “Homem de uma só mulher”. Alguns pastores e teólogos defendem
que este versículo é uma prova que, para ser pastor, é necessário que o
candidato seja casado. Entretanto, vemos aqui que a intenção de Paulo
era destacar o casamento monogâmico, visto que naquela cultura eram
comuns casos de poligamia e prostituição ritual.
O
ministro não pode ser divorciado nem “recasado”, pois não seria
irrepreensível caso estivesse nesta situação (Rm 7.2-3). Além disso, é
necessário que o bispo busque pureza de pensamentos, pois o adultério
começa na mente (Mt 5.27-28).
“temperante” – a
palavra no grego transmite a idéia do “estilo abstinente que os bispos
devem levar”, tendo o significado de “evitar intoxicação” (não somente
de bebida alcoólica). A Palestina era uma região muito seca e o vinho
era uma bebida comum, mesmo que normalmente era misturado com grandes
quantidades de água. Coloca-se aqui o princípio de domínio próprio para o
ministro aprovado. Dessa forma, o pastor não deve ser dado ao vinho,
princípio que é reforçado no próximo versículo. Paulo não está falando
que é proibido tomar vinho, até porque ele aconselhou Timóteo a tomar um
pouco de vinho para fins medicinais (5.23). Não sendo dessa forma, o
melhor é evitar bebida alcoólica, visando não escandalizar o próximo e
ser um ministro temperante. Além disso, a palavra temperante faz
referência a intoxicação, não somente de vinho, mas de qualquer outra
coisa, sendo comida um outro exemplo.
“sóbrio” – essa
palvra significa “prudente”, “disciplinado”. Phil Newton comenta que o
ministro sóbrio é aquele que “é capaz de exercer juízo correto, mesmo em
tempos difíceis. O homem sóbrio evita excessos e pensa com clareza. O
ministro tem uma vida ordenada e autodisciplinada, determinando com
clareza suas prioridades”[3].
Portanto, ser sóbrio é possuir pensamentos e objetivos claros, expondo prioridades, não fazendo as coisas precipitadamente, mas sendo cauteloso em todos os passos.
“modesto” – “digno”,
“bem comportado”, “sereno”. O significado básico dessa palavra é
“ordeiro”. Sua mente disciplinada (sóbria), leva a uma vida
disciplinada. MacArthur (pág. 129) comenta que “Um líder espiritual não
deve viver uma vida caótica, mas, sim, de forma ordenada, desde que seu
trabalho envolva boa administração, supervisão, organização e
prioridades bem estabelecidas[4]”.
“hospitaleiro” – o
bispo deve ser hospitaleiro, ou seja, receber bem as pessoas. O
contexto da igreja primitiva era de igreja nas casas (Rm 16.3-5; Cl
4.15). Hospedar missionários itinerantes e receber irmãos que estavam
sendo perseguidos por causa do evangelho (At 8.1; Tg 1.1) também estão
entre as razões para o ministro ser um bom hospedeiro.
A
atitude de receber pessoas em casa revelará o coração do líder. Ele
poderá demonstrar todo seu amor pelas pessoas, a harmonia que existe em
seu lar, o desprendimento de bens materiais e um coração obediente (Rm
12.13).
“apto para ensinar” – o
ministro deve conhecer as doutrinas da Bíblia, manejando-a de forma
coerente e segura. Ele não precisa saber todas as coisas, mas precisa
transmitir convicção doutrinária. Segundo MacArthur (pág. 131) “O
presbítero deve ser um professor habilidoso. Esta é a única qualificação que o diferencia dos diáconos e do resto da congregação”.
Phil Newton também contribui com esse assunto quando afirma que o
presbítero, além de líder deve ser mestre, pois não há como separar
essas características do bispo. Portanto, o bispo deve ser um líder que
ensina[5].
Existem
as lideranças administrativas em diversas igrejas, mas não vejo como
algo bíblico afirmar que a liderança administrativa é a liderança
espiritual da igreja, já que a Escritura sequer faz alusão a este tipo
de governo. Futuramente veremos a diferença entre presbíteros e
diáconos.
“não dado ao vinho” (“colocar-se ao lado do vinho”) – cultos
pagãos eram regados de bebedeira para se alcançar um estado de euforia.
Já foi falado que o ministro deve ter uma vida abstinente de bebida
quando Paulo declara a necessidade do bispo ser “temperante”. Quando o
apóstolo cita que o bispo não deve ser “dado ao vinho”, ele quer
instruir todo líder a não ter uma reputação de beberrão, ou seja, a ênfase aqui não é “apenas” na ingestão de bebida, mas àquele que é associado aos beberrões.
Não
há nada de errado em conversarmos com pessoas reconhecidamente viciadas
em bebida alcoólica ou qualquer outro tipo de droga, até porque Jesus
nos deu esse exemplo, envolvendo-se com todo tipo de pessoas (Mt
9.11-13). O próprio Jesus foi associado a beberrões (Mt 11.18-19),
entretanto Cristo foi associado por calúnias e não por associar-se de
forma a criar vínculos na prática da bebedice.
O
que Paulo quer nos dizer através desta frase é que o líder (e todo
cristão) não deve ser conhecido como aquele que sente-se confortável em
ambientes de bebedeira e farra, preferindo esse tipo de ambiente na
companhia dos ímpios a estar em comunhão com o povo de Deus.
Portanto,
o líder cristão deve avaliar os ambientes onde se insere. Ele não
precisa ir à boate para evangelizar boêmios, ao motel para evangelizar
adúlteros, a festa de música eletrônica para falar de Jesus para os
drogados, etc. Também é importante que cristãos se abstenham de bebida
alcoólica em eventos sociais por questão de testemunho (Rm 14.21-23; 1Co
10.31). Assim, os ministros evitarão tentações, suspeitas e críticas.
“não violento,” – o
ministro não deve “dar golpes”, ou ser “espancador”. Ele não cogitará
resolver problemas usando força e violência (2Tm 2.24). É provável que
os falsos mestres usavam desse artifício contra cristãos e incrédulos e
que alguns ministros estavam aderindo a esta prática.
“porém cordato” – esta qualidade diz respeito ao líder que necessita ter consideração, ser gentil, paciente, gracioso e tem facilidade para perdoar falhas alheias.
John MacArthur comenta que “um líder gentil tem a habilidade de lembrar
do bem e esquecer do mal. Não mantém um registro dos males que as
pessoas cometem contra ele (cf. 1 Co 13.5)[6]”. A verdadeira sabedoria possui esta qualidade, traduzida na epístola de Tiago por “indulgente” (Tg 3.14-17).
O bispo e toda a igreja devem ser disciplinados para não falar
nem pensar em pessoas que geraram algum tipo de prejuízo ou ofensa a
sua pessoa. A mente do cristão precisa ser voltada para aquilo que
edifica (Fp 4.8; Cl 3.1-2).
“inimigo de contendas” – “pacífico”,
“que reluta em lutar”. Aqui o termo não se refere à violência física,
mas a alguém encrenqueiro, que gosta de polemizar. Paulo alerta a igreja
de Éfeso com relação aos falsos mestres, pois esses agiam dessa forma
(1Tm 6.3-5). O ministro contencioso vive procurando brechas para criar
polêmica. Ele sente prazer em discutir, tentando provar a superioridade
dos seus argumentos.
A
igreja é o povo de Deus que se reúne para glorificar ao Senhor Jesus
como família de Deus, bem como para edificação mútua. Portanto, a igreja
não se reúne para brigar, visto que essa atitude não reflete o caráter
do povo de Deus. Sendo assim, líderes que se comportam de forma
contenciosa ou estimulam brigas, estão desabilitados para o ministério.
“não avarento” – essa proibição significa “não
amante do dinheiro”. O dinheiro é um dos pontos mais sensíveis do
ministro e do cristão em geral. Falsos bispos olhavam o ministério como
fonte de lucro (6.5). Atualmente, muitos líderes usam a igreja como
um investimento, membros como clientes e ministério como oportunidade de
estabilidade e bom salário. Sendo assim, o bispo deve arranjar
estratégia para cativar mais clientes que possam contribuir com seu
investimento, mantendo um padrão de crescimento nos lucros. O bispo
nesse caso acaba sendo um empresário eclesiástico.
Paulo
não reprova a idéia do ministro receber um salário por sua dedicação ao
ministério. Muito pelo contrário, ele até incentiva a generosidade da
igreja no sustento do ministro fiel (5.17-18; cf 1Co 9.9-10).
John MacArthur alerta o bispos da seguinte forma: “se você corre atrás
do dinheiro, nunca saberá se veio do Senhor ou de seus esforços, e isso o
privará da alegria de ver Deus suprindo suas necessidades”. Portanto, o
pastor não está no ministério para enriquecer, mas para dedicar-se ao
ministério (Lc 16.13-14; 1Tm 6.10-11).
Conclusão: Paulo
enfatiza neste versículo que o ministro deve ser exemplo de domínio
sobre as paixões carnais como bebedeira, intrigas e amor ao dinheiro.
Todas elas são indevidas para qualquer cristão e
desqualificam o presbítero. Que o Nosso Deus sonde nossos corações e
conceda-nos capacitação pelo Espírito Santo para vivermos de forma
piedosa, tendo como objetivo sermos ministros e cristãos aprovados
diante de Cristo (Rm 8.27; 2Co 5.10).
Paulo
nos versículos 4 e 5 expõe qualidades do líder com relação ao
relacionamento familiar. Éfeso era uma cidade portuária, onde a
promiscuidade e a idolatria eram características marcantes. Isso
ressalta ainda mais a importância de Paulo orientar Timóteo quanto a
necessidade do bispo ter uma família estruturada.
“governe bem sua própria casa” – “presidir” , “ter autoridade sobre”. esposa e filhos, administração do dinheiro, etc.
Um
bom governante administra todas as áreas da sua casa, inclusive a
financeira. Uma má administração financeira desqualifica o bispo, mesmo
que ele seja um bom pregador, dedicado pai de família, com esposa
submissa.
“criando os filhos sob disciplina” – Segundo MacArthur “sob disciplina” “é um termo militar que significa alinhar em fila sob aqueles que tem autoridade[7]”.
Os filhos reconhecem essa autoridade e respondem com obediência bíblica
(imediata, inteira, interna). A palavra traduzida como “disciplina”
nesse versículo diz respeito a ser criado nos padrões especificados pelo
pai.
“com todo respeito”
– “dignidade”, “reverência”. Devem ser filhos que não envergonham, mas
trazem honra ao pai. Isso tudo é conseguido com paciência e mansidão,
pois violência não deve ser parte dos recursos do presbítero (3.3). Isso
não impede que o líder seja firme, rígido e imponha respeito através da
disciplina bíblica desde a infância (Pv 13.24; 22.15; 23.13-14; 29.15).
Além disso, o líder do lar conquistará o coração dos filhos, servindo
de exemplo para eles (Pv 23.26).
“(pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?);” – aquele
que não sabe governar sua família, certamente não saberá governar a
igreja. O pastor é muito mais do que um pregador, ele deve ser modelo de
autoridade a partir do seu lar. O trato com esposa e filhos é decisivo
para a autoridade do ministro. Paulo endurece ainda mais o discurso,
afirmando que o ministro que não consegue criar os filhos sob sua
disciplina e colocá-los sob sujeição, como então ele conseguiria fazer
isso com a igreja que possui muitas pessoas, sendo que várias sequer têm
vínculo familiar.
O
líder deve ter uma família (esposa e filhos) estruturada, sendo honrado
por ela. Aquilo que a esposa e filhos falam do líder da casa conta
muito. Mesmo que as palavras não sejam verdadeiras, elas servirão para
demonstrar a insubmissão da família ao sacerdote do lar.
É
indispensável que o bispo tenha uma família harmônica. Imagine um bispo
em Éfeso, com esposa insubmissa ou incrédula, sendo uma das prostitutas
do templo de Diana, por exemplo. Paulo afirma que o ministro deve ter
uma família cristã exemplar.
Filhos que andam longe da comunhão com Deus, esposa insubmissa e endividamento familiar
são sinais de um governo familiar deficiente. Portanto, a melhor
maneira de conhecer a autoridade de um líder é através de sua família. A
preocupação com os filhos e esposa, o empenho em suprir suas
necessidades e o esforço para conduzí-los espiritualmente são atitudes
de um ministro aprovado.
Não
é sem razão que Paulo faz comparação entre família e igreja, pois a
igreja deve ter igual tratamento ao da família por parte do presbítero. A igreja deve ser liderada sob disciplina, tendo como padrão a Palavra de Deus.
O pastor será respeitado não apenas por ser pastor, mas será
reconhecido por sua vida coerente com aquilo que está falando. Portanto,
sua autoridade não está apenas num título mas naquilo que vive.
Estes
dois versículos (vv. 6-7) encerram as exigências impostas sobre os
ministros do evangelho. O apóstolo Paulo enfatiza nesse momento a
importância da igreja possuir pastores maduros para a condução do
rebanho. O argumento segue com a necessidade do ministro ser coerente
biblicamente, tanto na igreja quanto em sua vida na sociedade como um
todo.
“não seja neófito” – a
tradução literal de “neófito” é “recém-plantado”. Lógicamente é
necessário que o ministro seja convertido. Como em nossos dias o padrão
dos cristãos tem se rebaixado continuamente, corre-se o risco da igreja
possuir líderes que nem sequer crentes são, pois uma pessoa assídua nas
reuniões já é considerada uma pessoa de compromisso e apta para assumir o
pastorado na igreja.
A
Palavra de Deus exige que o crente seja um homem maduro
espiritualmente, possuindo algum tempo de igreja. A Bíblia não estipula
tempo para que o membro possa ser uma pessoa madura, visto que o padrão
de maturidade num local pode não ser em outro devido ao desenvolvimento
espiritual de cada igreja. Sendo assim, aquela que almeja o ministério
deve ter maturidade suficiente para liderar a congregação em questão.
Como
já foi ressaltado em outra ocasião, Paulo não está desqualificando os
jovens para o ministério, pois o próprio Timóteo era um jovem ministro e
não deveria ser desprezado por causa disto (4.12). A questão envolvida
aqui é a restrição quanto a cristãos imaturos para o exercício do
presbitério. Esta passagem não isenta “veteranos de igreja” do exame,
pois anos de igreja nem sempre são reflexo de maturidade. A avaliação
deve levar em conta o conjunto das características expostas nesta
passagem e em Tito 1.6-9. Existem outras passagens (At 6.3, por
exemplo), todavia elas refletem características expostas nestas duas
passagens.
“para não suceder que ensoberbeça” – “ensoberbeça”
significa “envolver em fumaça”. Com essa figura de linguagem, Paulo
quer dizer que o ministro não deve ser novo convertido (recém plantado)
para não acontecer que ele fique envolto na fumaça por causa do orgulho.
A soberba cega o ministro como uma cortina de fumaça nos impede de
olhar o caminho.
João Calvino
sabiamente comenta que “os noviços não somente têm fervor impetuoso e
coragem ousada, mas igualmente se orgulham com insensata confiança, como
se pudessem voar para além das nuvens. Conseqüentemente, não é sem
razão que são excluídos da honra do pastorado, até que, dentro do
processo do tempo, seu orgulhoso temperamento seja dominado[8]”. Alford
na mesma linha ressalta que “temos aqui a nuvem de poeira que o orgulho
de um homem levanta sobre ele, de modo a não poder ver a si mesmo e aos
outros conforme eles são[9]”. Essa soberba (nuvem de fumaça) era característica dos falsos mestres (1.7).
“e incorra na condenação do diabo” – nesta
parte do versículo Paulo alerta Timóteo a gravidade das conseqüências
ao colocar pessoas imaturas para liderarem a igreja. O que Paulo disse
foi que novos convertidos na liderança da igreja terão seu orgulho
aflorado de tal forma que receberão juízo igual o próprio diabo recebeu
devido ao seu orgulho, ou seja, o líder será rebaixado da condição
elevada que estava. A melhor forma de se lidar com o orgulho é a
humildade, característica marcante do obreiro aprovado (Mt 23.11-12; Mc
10.43-44) exemplificada pelo próprio Cristo (Mc 10.45). Portanto, a
igreja não deve colocar na liderança pessoas que Deus rebaixará
futuramente.
“Pelo contrário, é necessário que ele tenha...” –
“...bom testemunho dos de fora,” – o
bom testemunho do pastor é indispensável tanto em sua casa como na
igreja. Entretanto, a Escritura afirma que o presbítero deve ter também
uma boa reputação na comunidade. As pessoas em volta observam o
procedimento dos cristãos, principalmente de seus líderes. Portanto,
aquele que almeja ser líder deve ser bem visto pelas pessoas. Isso
aplica-se a questões morais (fidelidade conjugal, cuidar bem dos filhos,
ser educado, etc.) e a questões éticas (fiel em seus compromissos
financeiros, bom vizinho, honesto, honra sua palavra, etc). As pessoas
podem até discordar daquilo que o pastor ensina, mas não terão outros
motivos para considerá-lo infiel.
Certamente
as pessoas do mundo discordarão ou até perseguirão o ministro (Jo
15.18-20), entretanto, todas as oportunidades devem ser aproveitadas
para testemunhar do evangelho (Cl 4.5-6).
“a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” – novamente
satanás é citado nesta passagem. Se no versículo anterior Paulo se
referia ao juízo igual ao que satanás recebeu, aqui o apóstolo mostra o
diabo em atividade, armando ciladas para insultar (opróbrio) o pastor. O
inimigo produz armadilhas com o intuito de destruir a integridade e
credibilidade do bispo.
O
líder pode possuir áreas vulneráveis como qualquer pessoa (dinheiro,
poder, cobiça, domínio próprio, etc) e, quando está desprovido de
discernimento e maturidade, cai nas armadilhas do diabo, que está em
plena atividade para tirar a autoridade do ministro. A palavra “laço”
refere-se a “armadilha”. Essa palavra era usada para indicar algo que
apanha animais. É importante ressaltar que as armadilhas do inimigo
sempre existirão (1Pe 5.8). Sendo assim, o que pode mudar é a atitude do
ministro, sendo vigilante e tendo conduta cristã exemplar (bom
testemunho) diante de todos (Ef 6.11-12).
Diáconos (v. 8) – esta palavra e os termos relacionados aparecem aproximadamente 100 vezes no Novo Testamento e seu significado é “servo”, “ministro”.
Essa
palavra ocorre na maioria das vezes num sentido geral, ou seja, para
expressar trabalho ou obra. Normalmente, quando a Escritura usa essa
palavra é para referir-se ao servo e não ao ofício. Alguns exemplos são:
A Escritura relata que Cristo veio para ser servo (diácono) e dar a vida por muitos (Mc 10.45);
Os serventes (diáconos) das bodas de Caná (Jo 2.5);
Ser servo (diácono) de Jesus é segui-Lo (Jo 12.26);
Existe o dom de ministério (diácono), mesmo não possuindo o cargo de diácono (Rm 12.7);
Os governantes são ministros (diáconos) de Deus (Rm 13.4);
Paulo e Apolo são servos (diáconos) de Deus (1Co 3.5);
Cristo não é ministro (diácono) do pecado (Gl 2.17).
Portanto,
vemos nessas passagens, especialmente em João 12.26 e Romanos 12.7 que é
papel de todo crente servir. O trabalho da igreja não deve ficar
somente sob a responsabilidade dos presbíteros e diáconos. Não existem
crentes espectadores, visto que todos fomos chamados para servir.
Qual o papel dos diáconos?
À princípio, os diáconos, no sentido técnico, eram auxiliares dos presbíteros (At 6.2-4), com a atribuição de servir as mesas.
Esse significado expandiu-se com o tempo, vindo a compor todo tipo de
tarefa administrativa, pois muitas outras surgiram com o tempo. Alguns
exemplos são: Coleta de ofertas, distribuição de cestas básicas,
decisões de manutenção do prédio, compra de móveis, instrumentos,
prioridades orçamentárias, etc. Obs: Algumas questões envolvidas
no ministério do diácono são levadas para decisão com toda a igreja.
Esse tópico veremos quando tratarmos sobre governo na igreja
(congregacional, presbiteriano, pluralidade de presbíteros, episcopal,
etc).
Devemos
ressaltar novamente que, assim como a mulher não é inferior ao homem,
da mesma forma o diácono não é inferior ao presbítero. Ele é auxiliar do
presbítero, sendo funcionalmente submisso ao presbítero. Isso não faz
do diaconato uma tarefa menos nobre, pois cada ministério na igreja tem
sua importância no corpo de Cristo.
Para
fazermos distinção às duas funções podemos dizer que o presbítero é
responsável pelo ensino doutrinário e pelo governo da igreja (1Tm 5.17)
enquanto que os diáconos se preocupam com as questões administrativas da
igreja, dentro do padrão ensinado e atribuído pelos presbíteros.
Qualificação dos diáconos
As
qualificações dos diáconos são iguais à dos bispos em muitas questões.
Entretanto, existe uma questão que precisa ser ressaltada.
O
que difere presbíteros de diáconos é que o primeiro precisa ter aptidão
no ensino (3.2) enquanto essa qualificação não é necessária ao segundo.
Esta é a única qualificação que diferencia o presbítero do diácono,
pois todas as outras são necessárias tanto aos obreiros quanto à todo
membro da igreja.
O
que talvez dê a impressão de existirem outras diferenças são as
expressões distintas para citar as qualidades que o diácono deve ter.
Entretanto, tratam-se de expressões similares, que vão dar ênfase as
mesmas áreas a serem avaliadas. Vejamos algumas delas:
“Respeitáveis” – sérios,
tanto no sentido mental quanto no caráter. A pessoa que tem essa
qualidade gera naturalmente o respeito dos outros. Sendo assim, o
diácono é aquele que trata os assuntos com a seriedade necessária. Ele
não é tolo ou irreverente, tratando assuntos sérios como se fossem
brincadeira.
“de uma só palavra” – “não de língua dupla”, “insincero”.
Nesta passagem Paulo não está se referindo à fofoca, mas a pessoas que
diz uma coisa para uma pessoa e outra diferente para outra para tirar
proveito de alguma situação. Esse tipo de pessoa “afina” seu discurso de
acordo com o público e seus interesses. Sendo assim, a pessoa é
conhecida como “diplomática”, entretanto buscam agradar a homens e nesse
sentido estão desqualificados para o ministério (Gl 1.10; 1Ts 2.3-6). Exemplo:
O diácono que recolhe as ofertas e, por saber a quantia que cada pessoa
contribui, tolera atitudes pecaminosas dos mais generosos ou mais
ricos, entretanto, as pessoas menos favorecidas ou menos generosas são
tratadas com intolerância. Ser parcial nos julgamentos desqualifica para
o ministério.
“não inclinados a muito vinho” – essa
qualificação vem com alguma diferença em relação aos presbíteros.
Quando Paulo refere-se ao epíscopo ele declara que é necessário que o
presbítero não seja “dado ao vinho” (3.3), ou seja, o pastor deve ter
uma vida abstinente de bebida. Nesse momento, quando refere-se aos
diáconos, a orientação é para que estes não sejam “inclinados a muito
vinho”, que pode também ser traduzido como “voltar a mente para”,
“ocupar-se com”.
Os
diáconos foram instruídos a apreciar o vinho sem exageros. Isso não
quer dizer que o diácono contemporâneo possa beber com moderação. A
diferença existente é que no início do primeiro milênio o vinho era
consumido misturado a grandes quantidades de água. Dependendo da
concentração da bebida, poderia ser misturado a até vinte medidas de
água.
John
MacArthur em seu atigo “O uso do vinho na Escritura” comenta que “O
vinho fermentado por meios naturais tem um conteúdo alcoólico de nove a
onze por cento (...) o vinho não misturado dos antigos tinha um conteúdo alcoólico máximo de onze por cento.
Mesmo que mesclado pela metade (uma mistura que segundo Menesiteo
gerava demência), o vinho teria um conteúdo máximo de cinco por cento.
Sendo que o vinho mais forte que se bebia normalmente era mesclado pelo menos em três partes de água por uma de vinho, o seu conteúdo alcoólico estaria numa categoria não superior a 2.25-2.75 por cento, muito abaixo a 3.2 por cento, o que é considerado atualmente como o parâmetro para classificar uma bebida como alcoólica[10]”. (Retirado do site www.monergismo.com)
O padrão que deve ser adotado em nossa época não deve ser o de beber com moderação mas de abster-se da bebida alcoólica. Visto
que o vinho produzido atualmente possui grande teor alcoólico e haverem
milhões de pessoas com vidas destruídas devido à dependência do álcool,
o diácono é chamado a cumprir o princípio de não fazer o irmão tropeçar
(Rm 14.21) e não ser motivo de escândalo (1Co 10.32). Portanto, o
diácono não deve demonstrar tendência para com o vício do alcoolismo e
zelar pelo seu testemunho, a fim de não escandalizar ninguém com suas
atitudes.
“não cobiçosos de sórdida ganância” – Neste capítulo, esta
orientação é dada aos diáconos, mas o presbíteros também devem possuir
essa característica (Tt 1.7). “Cobiçosos de sórdida ganância” significa
“ganho desonesto” ou “cobiça pelo dinheiro”.
Os
diáconos já nos tempos de Paulo eram encarregados da coleta de ofertas,
da distribuição de dinheiro para as viúvas e para os órfãos. As pessoas
encarregadas dessa tarefa andavam com uma sacola e poderiam sentir-se
tentadas a retirar uma quantia para si. Mesmo antes da existência do
ofício de diácono, vemos que essa prática desonesta já existia (Jo
12.4-6). Como esse tipo de tentação é real, é necessário que o diácono
seja uma pessoa digna de confiança e não ganancioso. O propósito do
diácono em nenhum momento deve ser o enriquecimento ou ganhar dinheiro
desonestamente.
Sabemos
que atualmente existem melhores instrumentos de controle, como por
exemplo o dinheiro que é depositado em conta corrente depois de
conferido por duas pessoas, talão de cheque que precisa ser assinado por
outra pessoa e autorizado por um grupo (líderes, ou em alguns casos
toda a igreja), extratos discriminando gastos, etc. Entretanto, como o
coração do homem é corrupto, novas maneiras de desviar o dinheiro da
obra de Deus surgiram. Ex: Desviar dinheiro de retiros, almoços,
campanhas, ficar isento de pagar passeios, lanches, etc.
“conservando o mistério da fé” – a
Bíblia por diversas vezes refere-se a doutrina cristã como “mistério”.
Normalmente, o Novo Testamento refere-se a alguma verdade divina, que
antes estava oculta e agora tornou-se revelada usando a palavra
“mistério”. O Novo Testamento revela a ação redentora de Cristo, algo
que o Antigo Testamento não trazia de forma completa. Como exemplos
podemos citar a encarnação de Cristo (1Tm 3.16), o evangelho da salvação
(Ef 6.19; Cl 4.3) e o arrebatamento da igreja (1Co 15.51-52). O diácono
deve conservar o conteúdo da doutrina cristã. Isso deverá ser feito
através do conhecimento e propagação desse mistério. Portanto, mesmo o
ministério do diácono sendo as questões administrativas da igreja, seu
foco deve ser as questões espirituais da igreja refletidas no seu
trabalho, visto ele não ser um mero administrador, mas um servo de Deus.
“com a consciência limpa” - a
consciência do diácono deve estar limpa, ou seja, livre de acusação,
pura moralmente. O ministro não deve apenas crer (Tg 2.19) mas também
viver de acordo com os mistérios de Deus (Tg 1.22). A verdade é que,
quanto mais conhecimento bíblico é adquirido, mais forte deve ser a
consciência. Portanto, o diácono deve ser exemplo de santidade para
todos os crentes, pois se a sua consciência está sendo trabalhada pela
Palavra de Deus, o ministro está no processo de transformação à imagem
de Cristo (2Co 3.18).
“experimentados” - essa
palavra não quer dizer uma pessoa de idade, visto que já falamos ser
Timóteo um jovem ministro (4.12). A palavra em questão refere-se a
“aprovar”, “aceitar como comprovado”. Vemos marcas de aprovação em
muitos momentos. Brinquedos com selo de qualidade (inmetro), remédios
com aprovação do ministério da saúde, empresas com selo de qualidade,
profissionais identificados por conselhos (medicina, engenharia,
contabilidade, economia, etc). Enfim, a sociedade identifica aquilo que é
considerado aprovado de acordo com um padrão.
Assim
como em todo lugar existe um padrão de conduta aprovado, a igreja
necessita de diáconos que sejam aprovados em suas atitudes. O candidato a
obreiro é aprovado quando demonstra sua disposição em servir, além de
sua reação madura diante do calor das dificuldades.
Aquele
que almeja exercer o diaconato não precisa ser “veterano de igreja” no
sentido de estar a várias décadas congregando, mas também não deve ser
novo convertido. É necessário que o candidato já tenha passado por
algumas situações de dificuldade dentro da igreja para que haja
oportunidade de ser observada sua conduta nestas circunstâncias. Além
das reações na igreja, é necessária uma observação sobre sua vida
familiar e suas reações neste contexto. Um obreiro inexperiente e/ou
hipócrita certamente trará grandes problemas à igreja.
Portanto,
o obreiro deve ser experimentado, como a moeda que era testada a
qualidade do seu metal (Pv 25.4; Is 1.22) e como Israel será salvo (Zc
13.9).
“se se mostrarem irrepreensíveis” (anegklhtoi) – Paulo coloca debaixo do mesmo padrão espiritual presbíteros e diáconos. O diácono deve ser livre de toda acusação justa,
ou seja, ele não pode ter qualquer pendência relacionada àquilo que
qualifica um obreiro, pois tal pendência seria um empecilho para um
ministério aprovado por Deus. Visto que o bom nome da igreja não deve
ser maculado, seus obreiros devem possuir caráter irrepreensível.
Certamente você já tem a imagem formada sobre políticos,
pedreiros, mecânicos, advogados, policiais, etc. Muitas vezes, seu
ponto de vista não se deve a profissão, mas as pessoas que trabalham
nessas áreas e agiram de alguma forma peculiar. Isso fez com que você
olhasse para aquela profissão de maneira particular, algumas delas
ganhando sua simpatia, outras sendo olhadas com reprovação.
A
igreja do Senhor Jesus deve ter uma vida reta, e para isso, seus
ministros devem ter um caráter exemplar, pois o corpo de Cristo deve
demonstrar seu caráter santo.
Quando
as pessoas olham para a igreja, o que elas pensam? Quando olharem para a
“nossa igreja”, o que pensarão? A escolha dos obreiros terá grande
influência no que a sociedade pensará da igreja (1Pe 4.14-16).
“exerçam o diaconato”
– Visto que existem sérias implicações na escolha errada de um diácono,
Paulo coloca condições para a escolha do assistente. Dentro do
ministério, o diácono deve ser constantemente provado quanto ao seu
caráter e sua espiritualidade. Sua disposição no serviço cristão, sua
seriedade, sua firmeza doutrinária, entre outras questões serão
periodicamente analisadas.
Semelhantemente aos pastores, os diáconos não estão no cargo de forma vitalícia. Isso é muito claro quando vemos Paulo colocando as qualificações desse obreiro como condições para exercer o ministério.
O ministro não poderá mais exercer o ministério quando for exortado,
colocado no processo de disciplina e continuar descumprindo os
requisitos bíblicos.
Quanto às mulheres, elas são diaconisas ou apenas esposas dos diáconos? (v. 11)
Alguns argumentos a favor do ofício de diaconisas:
As
mulheres não são citadas quando Paulo refere-se aos presbíteros. Neste
caso, não faria sentido referir-se apenas às esposas dos diáconos;
As qualificações colocadas neste versículo eram muito elevadas para serem apenas para as esposas dos diáconos;
Paulo
não refere-se à diaconisas porque esse termo não existia na lingua
grega. Sendo assim, caso Paulo usasse o termo diáconos, não haveria como
fazer distinção entre homem e mulher. Portanto, o uso da palavra
“mulher” é justificada (Como não existe termo grego para diaconisas, o
mais correto seria dizermos mulher diácono);
Febe servia (Rm 16.1).
Alguns argumentos contrários ao ofício de diaconisas:
Paulo
está fazendo referência às esposas dos diáconos, visto que as
qualificações da mulher estão entre as qualificações do diácono. Caso
fosse referir-se à diaconisas, Paulo abriria um parágrafo antes ou
depois das qualificações dos diáconos e não no meio.
Os
diáconos tinham um contato mais pessoal com as pessoas naquela época.
Eles levavam mantimentos aos órfãos e viúvas, e na maioria das
circusnstâncias era necessária a presença de sua esposa. Dessa forma, as
qualificações da esposa deveriam ser evidentes e faziam parte da
qualificação do diácono.
Esta é uma lista de qualificações muito pequena para ser considerada como necessária a um ofício;
Quando
a Bíblia refere-se a Febe como uma pessoa que servia (Rm 16.1), está
referindo-se a servir no sentido não técnico. Portanto, Febe era uma
ajudante.
Conclusão:
Existem
fortes argumentos para ambas as posições, entretanto, a que possui
argumentos mais contundentes é a que refere-se à mulher como esposa do
diácono.
Mesmo
as pessoas que entendem que o texto está falando de diaconisas, nosso
conselho é que haja discernimento no desenvolvimento desse ministério,
pois como já frisamos, muitas igrejas confundem ou misturam o ofício de
presbítero com o de diácono. Isso implicaria muitas vezes em igrejas
pastoreadas e dirigidas por mulheres, o que é claramente contrário à
Escritura (1 Tm 2.11-12).
É
necessário enfatizarmos que estamos falando que a mulher não deve ser
diaconisa no sentido oficial da igreja. Mesmo assim, ela deve ser uma
serva do Senhor, pois não depende de um oficio para serví-lO.
Vejamos então a qualificação das esposas dos diáconos:
“respeitáveis” – sérias,
tanto no sentido mental quanto no caráter. A pessoa que tem essa
qualidade gera naturalmente o respeito dos outros. Sendo assim, a esposa
do diácono é aquela que trata os assuntos com a seriedade necessária.
Ela não é tola ou irreverente, tratando assuntos sérios como se fossem
brincadeira.
“não maldizentes” – a palavra grega para essa palavra é “diabolos”, que também significa “caluniador”,
“acusador”. Esta palavra também é usada para referir-se à satanás (Mt
4.1, 11). Assim como o diácono deve ser de uma só palavra (v. 8), sua
esposa não deve ser caluniadora.
Para
que um diácono seja qualificado em seu ministério, é necessário que sua
esposa tenha domínio sobre a lingua, esforçando-se para não prejudicar
pessoas com suas palavras. Um exemplo é a sabedoria em manter a
discrição quanto à situação financeira que as pessoas se encontram, pois
existe o perigo de exagerar na sua narrativa, bem como constranger as
pessoas que estão envolvidas.
“temperantes” – a
palavra no grego transmite a idéia do “estilo abstinente que as pessoas
devem levar”, tendo o significado de “evitar intoxicação” (não somente
de bebida alcoólica). A palavra temperante faz referência a intoxicação,
não somente de vinho, mas de qualquer outra coisa, sendo comida um
outro exemplo. Assim como o diácono não deve ser dado “a muito vinho”,
sua esposa deve seguir o mesmo exemplo pois não há possibilidade de um
homem exercer o diaconato se sua companheira de ministério não esta
sóbria constantemente para emitir julgamentos sábios quanto às diversas
situações da igreja.
“fiéis em tudo” –
a mulher do diácono deve ser fiel em tudo, o que quer dizer que ela
precisa ser digna de confiança. Isso é necessário, pois dentre outras
funções, seu esposo trabalhará com distribuição de alimentos e coleta de
ofertas na igreja. Visto serem atribuições que podem gerar tentações
para desviar recursos, distribuição desigual, privilegiando parentes ou
amigos mais próximos, é imprescindível que a esposa do diácono seja
digna de confiança, não gerando nenhum tipo de suspeita devido ao seu
caráter.
Conclusão: A
esposa do diácono não é uma peça de decoração no ministério do seu
marido. Ela participa ativamente desse ministério, com sua seriedade,
sabedoria, temperança e fidelidade. A falta dessas características
impossibilita que seu esposo exercite o ofício de diácono. Portanto,
vemos nessa passagem que as qualificações não são atribuídas apenas aos
líderes, mas também se estendem para sua família, bem como para toda a
igreja, pois esta deve refletir o caráter de Cristo (1Co 11.1).
Diácono
Paulo retorna a expor as qualificações dos diáconos, expondo que o servo deve sser primeiramente exemplo em sua casa.
“marido de uma só mulher” – novamente
acontece a reafirmação de um ministério masculino, pois esta
qualificação é específica do homem, visto que a tradução literal do
texto é “Homem de uma só mulher”. O texto não está falando que para ser
diácono é necessário que o candidato seja casado. Entretanto, vemos aqui
que a intenção de Paulo era destacar o casamento monogâmico, visto que
naquela cultura eram comuns casos de poligamia e prostituição ritual. O
diácono não pode ser divorciado nem “recasado”, pois não seria
irrepreensível (3.10) caso estivesse nesta situação (Rm 7.2-3; 1Co
7.29). Além disso, é necessário que o diácono busque pureza de
pensamentos, pois o adultério começa na mente (Mt 5.27-28).
“governe bem seus filhos e sua própria casa” – “presidir” , “ter autoridade sobre”. esposa
e filhos, administração do dinheiro, etc. Paulo coloca a necesidade de
haver uma administração da autoridade de pai que o diácono possui, bem
como as demandas do lar, tais como, alimentação, roupas, etc.
Os
filhos reconhecem essa autoridade e respondem com obediência bíblica
(imediata, inteira, interna). A esposa é submissa ao marido e auxilia
para uma vida harmônica no lar, sem colocar os filhos contra o pai ou
tomando decisões precipitadas, desafiando a autoridade do marido e
colocando a família em dificuldades financeiras.
Um
bom governante administra todas as áreas da sua casa, inclusive a
financeira. Uma má administração financeira no lar desqualifica o
diácono, mesmo que ele seja atuante nas programações da igreja, dedicado
pai de família e com esposa submissa. Fica claro neste versículo que o
diácono precisa trabalhar um conjunto de qualidades, visando ser modelo
de vida na igreja do Senhor Jesus, refletindo a imagem de Cristo na sua
vida. Além disso, aquele não governa bem sua própria famíla não terá
condições para ser um bom administrador das questões físicas da igreja,
tais como: observar reformas prioritárias, distribuir de forma justa
alimentos, ser sábio para avaliar a necessidade de comprar. Lembremos
que o diácono é um observador e pode influenciar nas decisões a serem
tomadas nas áreas administrativas da igreja.
“Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência”
Nesse
versículo Paulo ressalta os resultados de ser um diácono qualificado. O
resultado não está ligado a prosperidade ou reconhecimento dos homens. A
Escritura declara que os diáconos aprovados “alcançam”, ganham,
adquirem “para si mesmos justa preeminência”.
A
palavra “preeminência” significa “passo”, “degrau”, como se o diácono
fosse colocado um passo à frente ou um degrau acima. Paulo se refere
dessa forma ao diácono fiel a Deus, pois trata-se de um ofício honroso e
importante. Dessa forma, o diácono será exaltado por Deus bem como terá
o respeito dos cristãos.
Portanto, a primeira promessa para o diácono aprovado inclui de forma inseparável a aprovação de Deus e o respeito dos cristãos por sua pessoa.
“e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus” – o
apóstolo também discorre sobre uma segunda promessa para o obreiro
aprovado. A palavra “intrepidez” significa “ousadia no falar”,
“confiança” “na fé em Cristo Jesus”. Sendo assim, o diácono fiel também é
suprido de ousadia para testemunhar acerca da fé em Jesus Cristo. Isso
nos mostra a responsabilidade que a igreja possui quando vai escolher um
diácono para servir.
·
As
qualificações do presbítero não se limitam a esta carta. A carta de
Paulo enviada a Tito também possui qualificações para o bispo. É verdade
que muitas delas são repetidas, entretanto, algumas qualificações são
distintas, pois o autor procurou enfatizar questões diferentes devido ao
contexto de cada igreja. Para fins de comparação, leia Tito 1.5-9 e
observe o quadro comparativo na página seguinte. Além disso, vemos
passagens que trazem ordens referentes a essas qualidades (p. ex. At 20.28; Hb 13.17; 1Pe 5.2).
· Pode-se
perceber que as qualificações para presbítero e diácono são muito
semelhantes. A maior diferença é que o bispo precisa ser apto para
ensinar a doutrina bíblica (3.2). Mesmo assim, o diácono deve possuir
firmeza doutrinária (3.9), pois como servo de Deus deve ser seguro no
que se refere às doutrinas biblicas. Isso é necessário porque cada área
da igreja deve ser conduzida com zelo e temor ao Senhor, inclusive a
área administrativa, que faz parte da responsabilidade do diácono.
· A
forma para a escolha dos diáconos não fica muito clara na Escritura.
Deus não dá ênfase na forma de escolha, mas nas qualificações do
diácono. Sigamos este princípio como exemplo, não nos prendendo a
fórmulas para escolher o obreiro, mas tendo a preocupação de que este
preencha as qualificações bíblicas de um servo aprovado por Deus.
Quadro comparativo das qualificações dos presbíteros em
1 Timóteo e Tito
|
1 Timóteo 3.2-7
|
Tito 1.6-9
|
|
“Irrepreensível” (3.2)
|
“Irreprensível” (1.7)
|
|
“Esposo de uma só mulher” (3.2)
|
“Marido de uma só mulher” (1.6)
|
|
“Temperante” [abstinente] (3.2)
|
“Que tenha domínio de si” [abstinente] (1.8)
|
|
“Sóbrio” [exerce juízo correto] (3.2)
|
“Sóbrio” [exerce juízo correto] (1.8)
|
|
“Modesto” [ordeiro] (3.2)
|
------------------------------------------------------
|
|
“Hospitaleiro” (3.2)
|
“Hospitaleiro” (1.8)
|
|
“Apto para ensinar” (3.2)
|
“Apegado à palavra fiel” (1.9)
|
|
“Não dado ao vinho” (3.3)
|
“Não dado ao vinho” (1.7)
|
|
“Não violento” (3.3)
|
“Nem violento” (1.7)
|
|
“Inimigo de contendas” (3.3)
|
“Não irascível” (1.7)
|
|
“Não avarento” (3.3)
|
“Nem cobiçoso de torpe ganância” (1.7)
|
|
“Governe bem a própria casa, criando os filhos...” (3.4)
|
“Tenha filhos crentes” (1.6)
|
|
“Não seja neófito” (3.6)
|
-----------------------------------------------
|
|
“Bom testemunho dos de fora” (3.7)
|
-----------------------------------------------
|
|
----------------------------------------------
|
“Não arrogante” (1.7)
|
|
----------------------------------------------
|
“Amigo do bem” (1.8)
|
|
----------------------------------------------
|
“Justo” (1.8)
|
|
----------------------------------------------
|
“Piedoso” (1.8)
|
Quadro comparativo entre as qualificações dos presbíteros e diáconos em 1 Timóteo
|
Presbíteros
|
Diáconos
|
|
1 Timóteo 3.2-7
|
1Timóteo 3.8-12
|
|
“Irrepreensível” (3.2)
|
“Irrepreensíveis” (3.10)
|
|
“Esposo de uma só mulher” (3.2)
|
“Marido de uma só mulher” (3.12)
|
|
“Temperante” [abstinente] (3.2)
|
------------------------------------
|
|
“Sóbrio” [exerce juízo correto] (3.2)
|
------------------------------------
|
|
“Modesto” [ordeiro] (3.2)
|
“De uma só palavra” (3.8)
|
|
“Hospitaleiro” (3.2)
|
-----------------------------------
|
|
“Apto para ensinar” (3.2)
|
“Conservando o mistério da fé” (3.9)
|
|
“Não dado ao vinho” (3.3)
|
“Não inclinados a muito vinho” (3.8)
|
|
“Não violento” (3.3)
|
-----------------------------------------
|
|
“Inimigo de contendas” (3.3)
|
-----------------------------------------
|
|
“Não avarento” (3.3)
|
“Não cobiçosos de sórdida ganância” (3.8)
|
|
“Governe bem a própria casa, criando os filhos...” (3.4)
|
“Governe bem seus filhos e sua própria casa” (3.12)
|
|
“Não seja neófito” (3.6)
|
“Experimentados” (3.10)
|
|
“Bom testemunho dos de fora” (3.7)
|
“Respeitáveis”, com os crentes e incrédulos (3.8)
|
|
----------------------------------------------
|
Esposas tementes a Deus (3.11)
|
Obs:
Deve-se ficar atento a abrangência das palavras. Ex: A ausência na
passagem sobre diáconos da qualificação “não violento” não quer dizer
que o obreiro pode agir com truculência, pelo contrário, ele deve ser
uma pessoa respeitável e irrepreensível. A necessidade dessas
qualificações impede que o diácono possa agir de forma violenta.
LEITURA COMPLEMENTAR - MARK DEVER “NOVE MARCAS DE UMA IGREJA SAUDÁVEL” páginas 242-268.
Bibliografia
A Bíblia Anotada. Texto Bíblico: Versão
Almeida, Revista e Atualizada. Notas de Charles Caldwell Ryrie: Tradução
de Carlos Osvaldo Cardoso Pinto, - São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
BROWN,
Colin; COENEN, Lothar. Dicionário Internacional de Teologia do Novo
Testamento, 2a. ed., 2 vols. São Paulo: Vida Nova, 2000.
CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: Versículo por versículo: volume 5. São Paulo: Hagnos, 2002.
DEVER, Mark. Nove Marcas de Uma Igreja Saudável.São José dos Campos-SP: Fiel, 2007.
GRUDEM, Wayne A.. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2006.
MACARTHUR Jr., John. Homens e Mulheres. Rio de Janeiro: Textus, 2001.
MERKH, David. Apostila de Lar Cristão. Atibaia: Seminário Bíblico Palavra da Vida, 2006.
NEWTON, Phil A.. Pastoreando a Igreja de Deus. São José dos Campos-SP: Fiel, 2005.
RYRIE, Charles Caldwell. Teologia Básica – Ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.
STOTT, John. A Mensagem de I Timóteo e Tito. São Paulo: ABU Editora, 2004.
Artigo
"O uso do vinho na Escritura", de John MacArthur, Jr. Tradução: Ewerton B. Tokashiki.
Disponível em www.monergismo.com
Programa de computador
Bíblia on-line 2.0. SBB.
Site www.monergismo.com
[1] NEWTON, Phil A.. Pastoreando a Igreja de Deus. São José dos Campos-SP: Fiel, 2005, pág. 36.
[2] MACARTHUR Jr., John. Homens e Mulheres. Rio de Janeiro: Textus, 2001, pág. 126.
[3] NEWTON, Phil A.. Op. Cit., pág. 56.
[4] MACARTHUR Jr., John. Op.Cit. pág. 129.
[5] NEWTON, Phil A.. Op. Cit.
[6] MACARTHUR Jr., John. Op. Cit. Pág. 132.
[7] MACARTHUR Jr., John. Op. Cit . pág. 134.
[8] CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado: Versículo por versículo: volume 5. São Paulo: Hagnos, 2002, págs. 310-311.
[9] CHAMPLIN, Russel Norman. Op.Cit., pág. 311.
[10] Artigo “O uso do vinho na Escritura” de John MacArthur Jr, disponível em www.monergismo.com.
https://sites.google.com/site/espacodabiblia/artigos/qualificacoes-dos-lideres-em-1-timoteo-3-1-13
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