Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)

22 de maio de 2017

Vencendo a Paralisia Espiritual


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Thomas C. Simcox

Todo mundo enfrenta algum tipo de luta na vida. Mesmo quando procuramos seguir o Senhor, surgem problemas e dores de cabeça. Grandes e profundos vales de tristeza e dor nos trazem desânimo e medo. Oramos e buscamos a orientação e a ajuda do Senhor, sem percebermos que, na maioria das vezes, não conseguimos enxergar todo o quadro que está adiante de nós. Nós vemos a vida a partir de uma perspectiva humana limitada – e, portanto, distorcida – enquanto o Senhor vê as coisas de um ponto de vista totalmente diferente. Consequentemente, nossa visão é deturpada. Essa situação leva, muitas vezes, a uma espécie de mal-estar espiritual – uma paralisia espiritual – que pode nos impedir de servir nosso Deus de modo eficaz.

Procure ver além das aparências

Em Juízes 6.11, Gideão, o homem que Deus escolheu para livrar Israel de seus problemas, “estava malhando o trigo no lagar, para o pôr a salvo dos midianitas”. Israel estava novamente debaixo de opressão, desta vez por parte da terra de Midiã, localizada a leste da Península do Sinai.

Os midianitas eram descendentes de Midiã, o quarto filho de Abraão. Sua mãe era Quetura (Gn 25.1-5). De acordo com o Dr. Henry M. Morris, “dos seis filhos de Quetura (todos eles nascidos, provavelmente, no início do período de trinta e cinco anos em que Abraão viveu com ela), Midiã é o único cujos descendentes, os midianitas, são bem identificados. Os outros provavelmente se misturaram com os vários descendentes de Ismael, Ló e Esaú, formando os atuais povos árabes. Abraão enviou-os ‘para a terra oriental’ (Gn 25.6) com presentes para iniciarem suas próprias tribos, e isso corresponderia à Arábia”.1

Midiã também é a região geográfica onde Moisés morou quando fugiu do Egito, em Êxodo 2.15-22. Foi lá que ele se casou com Zípora e cuidou dos rebanhos de seu sogro, Jetro.

Os israelitas encontraram-se com os midianitas quando vagavam pelo deserto. Eles se enfrentaram e Israel quase os destruiu completamente (Nm 31.1-20). Existia inimizade entre essas nações. Agora a maré tinha mudado, e Israel estava debaixo da opressão de Midiã.
Então, veio o Anjo do Senhor, e assentou-se debaixo do carvalho [...] e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valente” (Jz 6.11-12).
A resposta de Gideão foi rápida e afiada: “Ai, senhor meu! Se o Senhor é conosco, por que nos sobreveio tudo isto? E que é feito de todas as suas maravilhas que nossos pais nos contaram [...]? Porém, agora, o Senhor nos desamparou e nos entregou nas mãos dos midianitas” (v. 13).

Do ponto de vista de Gideão, o Senhor tinha falhado com Seu povo. Que outra razão poderia haver para [os israelitas] estarem debaixo da opressão de Midiã? Que outra explicação poderia haver para o fato de Gideão ter que malhar o trigo naquele lugar tão vergonhoso e precisar esconder o cereal de seus opressores? Obviamente, pensava ele, o Senhor nos abandonou. Para Gideão, o Senhor estava em falta para com Seu povo.

Nesse aspecto, ele era bem parecido conosco. Quando enfrentamos águas profundas e situações horríveis, muitas vezes culpamos a Deus, achando que, de alguma forma, Ele nos deixou na mão ou não cumpriu Sua promessa de jamais nos abandonar. Ficaríamos surpresos com a rapidez com que mudaríamos de idéia se pudéssemos ver as circunstâncias em que nos encontramos, sob o ponto de vista de Deus.

Um pouco antes, ainda em Juízes 6, o Senhor revelou por que Israel sofria tanto e por que os midianitas pilhavam suas colheitas: “Fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; por isso, o Senhor os entregou nas mãos dos midianitas por sete anos” (v. 1). Deus não tinha falhado com Seu povo; este é que tinha pecado e se afastado dEle, e estava sofrendo as conseqüências. Gideão tinha interpretado mal a sua situação. Embora às vezes possa parecer que o Senhor nos abandonou, a realidade é muito diferente. Às vezes, sofremos por causa do pecado. Outras vezes, Deus usa as circunstâncias para nos proteger ou nos dar um testemunho para que possamos glorificá-lo. Não importa qual seja a situação, precisamos olhar além das aparências e nos lembrar de que Deus nunca abandona os que são Seus; e Ele nunca é injusto.

Reavalie seus recursos

O Anjo do Senhor, que é uma aparição pré-encarnada do Senhor Jesus, identificou Gideão como um “homem valente” (v. 12). Será que um homem destemido e corajoso malharia sua colheita num vale, ao invés de no topo de uma montanha, como tradicionalmente se fazia?
O ato de malhar ou cirandar o cereal numa peneira serve para separar o grão da palha, as cascas inúteis que envolvem a semente propriamente dita. No alto de uma montanha, o vento sopra as cascas para longe, enquanto os grãos caem no chão. O platô elevado do Monte do Templo, por exemplo, era originalmente a eira de Ornã, o jebuseu – o local onde ele cirandava o trigo (1 Cr 21.18).

Gideão, esse “homem valente”, estava se escondendo porque ainda não tinha percebido com quem estava falando. “Então, se virou o Senhor para ele e disse: Vai nessa tua força e livra Israel da mão dos midianitas; porventura, não te enviei eu?” (Jz 6.14).

O Senhor disse ao Seu servo escolhido para ir e liderar Israel na luta contra o seu inimigo. Ele também lhe deu a chave para cumprir essa tarefa: “Porventura, não te enviei eu?” O próprio Senhor tinha comissionado Gideão. Se somos filhos de Deus pela fé, Ele também nos comissionou e ordenou que fizéssemos certas coisas. O Senhor muitas vezes escolhe um servo relutante como Gideão. Do mesmo modo que Moisés havia feito antes dele, Gideão tentou rejeitar a orientação de Deus para sua vida.

Quantas vezes temos um comportamento semelhante! Por exemplo, sabemos que há alguma necessidade específica na nossa igreja local, mas nos sentimos inadequados para a tarefa. Precisamos reavaliar nossos recursos e nos lembrar de que Deus nos deu dons espirituais para o Seu serviço.

A resposta de Gideão foi clara: “Ai, Senhor meu! Com que livrarei Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu, o menor na casa de meu pai” (v. 15). Ele estava dizendo: “Não sou digno dessa tarefa. Não sou famoso, e sou insignificante demais para fazer o que Tu estás pedindo”.

É interessante observar que Gideão usou a palavra Adonai quando falou com o Anjo do Senhor. Adonai é um dos nomes de Deus encontrados nas Escrituras hebraicas. Pode ser traduzida como “amo”. Se o Senhor é o nosso “Amo”, então Ele tem todo o direito de exigir obediência absoluta a todas as Suas ordens. E Seus servos podem esperar que Ele forneça toda a assistência necessária para que a tarefa seja realizada.

O apóstolo Paulo entendeu bem esse conceito, que exprimiu, sob a inspiração do Espírito Santo, num dos mais poderosos versículos do Novo Testamento: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). A obra de Deus é feita através do poder de Deus. Nós não contamos com nossos próprios recursos; contamos com os recursos dEle. Esse poder estava à disposição de Gideão. O visitante angelical assegurou-lhe: “Já que eu estou contigo, ferirás os midianitas” (v. 16).

Confie em Deus

Apesar dessas garantias, Gideão ainda estava inseguro. Parece que ele duvidou dAquele que estava de pé na sua frente, e não confiou inteiramente nEle. Talvez ele não estivesse percebendo que era o Deus dos céus e da terra que o estava comissionando e prometendo-lhe a vitória.

Então, Gideão pediu um sinal ao Anjo do Senhor: “Se, agora, achei mercê diante dos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu, Senhor, que me falas” (v. 17). Ele pediu a seu visitante que esperasse enquanto ele preparava um sacrifício e o colocava diante dEle (v. 18). Isso deve ter levado tempo, já que ele tinha que matar o cabrito, tirar-lhe o couro, cozinhá-lo e assar os pães asmos. Quando sua oferta estava pronta, “trouxe-lho até debaixo do carvalho e lho apresentou” (v. 19).
Estendeu o Anjo do Senhor a ponta do cajado que trazia na mão e tocou a carne e os bolos asmos; então, subiu fogo da penha e consumiu a carne e os bolos; e o Anjo do Senhor desapareceu de sua presença” (v. 21).
Foi então que Gideão finalmente percebeu que tinha estado na santa presença do Senhor: “Ai de mim, Senhor Deus! Pois vi o Anjo do Senhor face a face” (v. 22). Ele deve ter achado que ia morrer, porque o Senhor lhe garantiu: “Paz seja contigo! Não temas! Não morrerás!” (v. 23). O servo respondeu a seu Amo construindo um altar, que chamou de “O Senhor É Paz [Yahweh Shalom]” (v. 24).

Assim como Gideão, nós muitas vezes não confiamos no chamado de Deus para nossa vida. Porém, Provérbios nos ensina: “Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.5-6). O Novo Testamento também nos exorta a confiar no Senhor quando Ele nos chamar para o Seu serviço: “Fiel é o que vos chama, o qual também o fará” (1 Ts 5.24). Se o Senhor tem uma missão para você, então pode confiar que Ele lhe dará tudo o que for necessário para possibilitar-lhe seguir Suas instruções.

O Senhor foi fiel a Gideão, que, mais uma vez, questionou Seu Amo pedindo-lhe um outro sinal, dessa vez utilizando porções de lã. Gideão colocou um pedaço de lã no chão do lagar e disse a Deus: “Se hás de livrar a Israel por meu intermédio, como disseste”, faz com que, pela manhã, a lã esteja molhada e o chão seco. “E assim sucedeu” (vv. 36-38).

Então, ele pediu o contrário: chão molhado e lã seca. “E Deus assim o fez naquela noite” (v. 40). Gideão finalmente estava pronto para atacar os midianitas.

Porém, o Senhor queria deixar bem claro que a vitória pertencia somente a Ele. Então, reduziu o tamanho do exército de Israel de 32.000 para 300 homens. Primeiro, Ele mandou de volta para casa os medrosos (Jz 7.3); depois, dispensou mais homens, baseando-se no modo como bebiam água na margem.
“Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas” (Pv 3.5-6).
Assim, Gideão e seu inacreditável bando de 300 homens aniquilaram guerreiros que “cobriam o vale como gafanhotos em multidão; e eram os seus camelos em multidão inumerável como a areia que há na praia do mar” (v. 12). E Gideão libertou Israel, como Deus tinha prometido.

O Senhor que auxiliou Gideão e seus homens há mais de 3.000 anos é o mesmo que hoje sustenta, protege, defende e capacita Seus servos. Ele não mudou, nem jamais mudará: “Porque eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6); “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre” (Hb 13.8).

Precisamos nos lembrar de que a perspectiva de Deus é a perspectiva certa. E a melhor maneira de vencer a paralisia espiritual é manter nossos olhos firmemente fixos nEle, e correr a carreira que está diante de nós, “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” (Hb 12.2).  


(Israel My Glory)
Thomas C. Simcox é diretor de The Friends of Israel para os Estados do Nordeste dos EUA.
 
Nota:
1. Dr. Henry M. Morris, citado em: Paul S. Taylor, “Midian”. Disponível em: www.christiananswers.net/dictionary/midian.html.Extraído de Revista Chamada da Meia-Noite abril de 2006

http://www.chamada.com.br/mensagens/paralisia_espiritual.html


21 de maio de 2017

Percebemos a educação de uma pessoa pela maneira como ela discorda de nós



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A maneira como lidamos com o que frustra nossas expectativas e com quem nos rejeita diz muito sobre quem somos, da mesma forma acontece com nossas discordâncias. Ao longo dos dias, teremos que discordar de muitas pessoas, teremos que argumentar e fazer valer o nosso ponto de vista, teremos que confrontar várias pessoas que pensam completamente diferente de nós, inclusive convivendo com muitas delas em ambientes que nos forçarão a isso.

Não conseguiremos fugir a locais de trabalho, a salas de aula, a encontros sociais, onde haja quem discorde de nós, onde nem todos pensarão como nós. E ouviremos gente confrontando-nos em nossas convicções, desequilibrando nossas verdades, algumas vezes de forma deseducada e agressiva. Porque a muitos será impossível repensar os próprios caminhos – não sejamos nós quem não reflete sobre si mesmo.

É extremamente saudável quando podemos confrontar nossas ideias com ideias contrárias, uma vez que é assim que rompemos com o que impede os avanços a que temos direito, à medida que oxigenamos nossa mentalidade. O mundo vive em constante transformação e essa ressignificação também deve fazer parte de nós, enquanto nos ajustamos frente ao novo, que sempre vem. 
 
Infelizmente, muitas pessoas confundem argumentação com gritaria, com imposição, como se todos fôssemos obrigados a dizer amém a tudo que elas dizem, como se estivessem sempre certas. Existem muitos tiranos por aí, prontos a ditar regras aos outros, impondo suas ideias e não aceitando serem contraditos, em hipótese alguma. Não sabem ouvir não, não suportam ser contrariados – os adultos mimados vida afora.

Por permanecerem presos ao egocentrismo, por recusarem-se a crescer, acabam se destemperando além da conta quando se veem confrontados no que julgam ser inquestionável, inabalável. E encontram no tom de voz alto e na agressividade recursos com que tentam esconder a incapacidade de defender o que querem com mínima coerência. Como dizem, carroças vazias são as mais barulhentas.

Bom mesmo é encontrar quem discorda de nós e consegue desenvolver uma discussão equilibrada, rica e produtiva. É somente assim que o conhecimento se espalha e a gente se torna melhor. Não existe quem consiga se desenvolver rodeado somente de ovelhas dóceis e obedientes, pois são as diferenças que nos tornam únicos e especiais, à nossa maneira. Mas com educação, por favor.
 
 
http://www.revistapazes.com/percebemos-educacao-de-uma-pessoa-pela-maneira-como-ela-discorda-de-nos/
 
 

20 de maio de 2017

A corrupção dos últimos dias


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Escrito por Pr. Wáldson Lima


A humanidade poderia ter começado bem. Mas começou mal. Com o pecado da desobediência a Deus, em sua origem, o ser humano não soube aproveitar a bondade de Deus ao criá-lo. Feito “imagem’ e “semelhança” de Deus” (Gn 1.29), usou mal o livre-arbítrio, concedido pelo Criador. E, já no princípio, no cenário do Jardim do Éden, lugar maravilhoso, onde não faltava absolutamente nada, o homem preferiu ouvir a voz do Diabo. Além disso, o homem desencaminhou-se, construindo deuses falsos para adorar, desprezando a adoração ao Deus verdadeiro, Criador dos céus, da terra e do homem.

O pecado é a raiz de todos os males e comportamentos inadequados do homem enquanto criatura, perante o seu Criador. E a origem da corrupção que acompanha o homem, desde o seu princípio, passando pela História, em suas diversas fases ou períodos, chegando aos dias presentes, e se prolongará e se projetará no futuro, até o final de todas as coisas, conforme o que nos relata a Palavra de Deus. A humanidade terminará mal. Até que o Deus Criador intervenha, implantando o seu Reino com o objetivo de restaurar o planeta Terra ao seu destino glorioso, previsto pelo Senhor. O juízo do Dilúvio universal foi a reação de Deus à corrupção geral do gênero humano, por volta do ano 600 da vida do patriarca Noé (Gn 7.6,11).1 E Deus derramou seu terrível juízo contra os povos diluvianos, em razão da corrupção generalizada que tomou conta da mente e dos atos daquelas pessoas que habitavam o planeta (Gn 6.5-1). Ao longo dos séculos, em vez de o homem aprender com a experiência e as evidências da criação que Deus existe e é o Soberano Criador e Senhor do Universo, pelo contrário, afastou-se mais de Deus, não apenas em termos de crença, mas de práticas cada vez mais corruptas e abomináveis, em termos de culto, com a adoração a ídolos ou falsos deuses, mas também por meio de práticas consideradas abominações pelo Senhor, como a prática da homossexualidade (Lv 18.20; 20.13 e refs.). Daquela população mundial, de alguns milhões de pessoas, só escaparam oito seres humanos (Gn 7.7; 2 Pe 2.5).2

Depois de séculos, em vez de o homem evoluir, como diz a fábula da Teoria da Evolução, não só tem decaído em sua vida biológica, como tem piorado terrivelmente em termos espirituais e morais. Nunca houve tanta corrupção espiritual e moral, na experiência humana, como nos dias em que vivemos. Certamente, esses dias, do século XXI, são os “tempos trabalhosos” a que se referiu o apóstolo Paulo, em sua Segunda Carta a Timóteo (3.1-9). Ele aludia aos atos de corrupção, imaginados e praticados pelo homem, por sua natureza decaída e destruída pelo pecado. Mas nunca imaginaria que a corrupção, nos fins dos tempos que antecedem a volta de Cristo, seria institucionalizada, reconhecida e aprovada pelos governos e parlamentos, e superaria o descalabro moral dos povos antediluvianos ou à depravação de Sodoma e Gomorra.

No texto em estudo, neste capítulo, Paulo enumera características dos homens corruptos, na época de Timóteo, que eram os “falsos mestres” ou ensinadores, que procuravam incutir na mente dos crentes de Éfeso, heresias de perdição, “doutrinas de demônios” e “vãs contendas”, que só causavam dissensões e divisões no seio da igreja local. Ele conduz os leitores de sua carta, a partir de Timóteo, ao cenário escatológico dos “últimos dias” (2 Tm 3.1), quando homens de índole perniciosa haveriam de levantar-se “enganando e sendo enganados” (2 Tm 3.13). Neste parágrafo da carta, ele nos mostra a corrupção do ser humano, “nos últimos dias”. Foi uma mensagem profética, pois tudo o que ele previu, em termos de corrupção moral, numa visão escatológica, está acontecendo em nossos dias.

 

I – OS TEMPOS TRABALHOSOS

1. Protagonistas dos Tempos Trabalhosos

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Tm 3.1). Nos parágrafos anteriores, o apóstolo tinha seu foco na exortação a Timóteo, tendo em vista sua pouca experiência diante de situações de desafio, no confronto com os falsos mestres. Neste capítulo, Paulo volta-se para os “falsos mestres” propriamente ditos, revelando e ressaltando suas características gerais e pessoais, que os colocam numa posição altamente negativa e prejudicial à realidade da vida cristã.
Em outras traduções, esses tempos são considerados “tempos difíceis”. Na realidade, o texto faz alusão aos tempos que antecedem a vinda de Cristo. Deus está fora do tempo, ainda que o criou, mas o homem está inserido no tempo e sujeito às limitações temporais. Sempre houve tempos difíceis ou trabalhosos para a igreja cristã. Ela nasceu debaixo da perseguição dos judeus; experimentou a perseguição dos imperadores de Roma, que intentavam eliminar o cristianismo da face da terra; na Idade Média, sofreu a perseguição dos reis, dos imperadores, e da Igreja Católica Romana, que tudo fizeram para silenciar a voz dos protestantes, que confrontavam os desmandos do clero corrupto que se aproveitava da ignorância do povo.
Depois, veio, na História, a perseguição diabólica, por meio do materialismo ateu e anticristão. Os comunistas entenderam (e ainda entendem) que o cristianismo é um empecilho aos seus objetivos declarados ou velados de dominação do mundo. Os comunistas foram derrotados e alijados em seu próprio berço, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Esse regime de tirania e injustiças eliminou muitos cristãos, matando-os nas prisões, na Sibéria, deixando-os morrer de inanição e frio insuportável. Mas o comunismo foi destruído na Europa Oriental. No entanto, o cristianismo continuou e continua em sua marcha vitoriosa em busca do encontro com Cristo, na eternidade.

2. Homens de Má índole

As características dos homens maus, ímpios e inimigos do evangelho, constam de algumas “listas negras”, nas epístolas de Paulo. Logo após esse texto, Paulo adverte os destinatários das cartas pastorais de que Deus já via a tudo e a todos no plano espiritual (1 Tm 4.1).
A lista de más qualidades dos homens ímpios contém 18 itens (2 Tm 3.2-9), cujo comentário seria excessivo, mas para melhor entendimento, as resumimos rapidamente, tais qualificações nada recomendáveis, que, infelizmente, são observadas em muitos lugares, em igrejas cristãs, na vida de pessoas que se dizem cristãs.
1) Amantes de si mesmos. São egoístas ao extremo. Buscam os seus interesses em primeiro lugar, antes de valorizarem os outros e a obra do Senhor. Eles não têm amor, pois o verdadeiro amor “não busca seus interesses” (1 Co 13.5).
2) Avarentos. São amantes do dinheiro, fruto da característica anterior, de seu egoísmo. Hoje, há falsos obreiros, que só pregam por dinheiro, pensando em enriquecer (1 Tm 6.10).
3) Presunçosos. São homens cheios de orgulho, de arrogância, que se julgam superiores aos outros. No ministério, tal característica é motivo de conflitos desnecessários, contrariando Filipenses 2.3.
4) Soberbos. Qualidade semelhante à anterior. Paulo acentua, mostrando que tais homens são orgulhosos (ver 1 Tm 1.7, 6.4); são candidatos à queda espiritual (Pv 16.18).
5) Blasfemos. São os mesmos a que se referiu o apóstolo em 1 Timóteo 6.4,5. Blasfemar é dizer maldição, praga, imprecação. Ou pronunciar coisas que ofendem de modo contundente a santidade de Deus.
Desobedientes a pais e mães. São péssimos exemplos na família, pois não honram seus pais e mães (cf. Êx 20.12); e são candidatos a ter uma vida sem a bênção de Deus, por não considerarem o valor de seus pais.
7) Ingratos. São pessoas egoístas e autossuficientes. Por isso, não cultivam a virtude da gratidão. São ingratos a Deus, aos pais, aos amigos, à igreja, aos pastores. Têm distúrbios emocionais que os impedem de ser humildes e gratos.
8) Profanos. São homens que não respeitam as coisas sagradas (Lv 19.8, 12; Mt 12.5); há obreiros que transformam igrejas em “casas de show”, em danceteria, em palco de luta-livre, em casas de jogo e até em boates.
9) Sem afeto natural. É o mesmo que ser “sem amor” (Rm 1.31); são homens “ignorantes”, grosseiros, estúpidos ou “mal educados”, no trato com o cônjuge, com os filhos, com os pais, com outras pessoas.
10) Irreconciliáveis. Que não são humildes para reconciliarem-se com os outros, em situações de desentendimentos ocasionais; não sabem pedir perdão, e muito menos perdoar. Não são perdoados por Deus (Mt 6.15).
11) Caluniadores. Cometem o crime de calúnia (Crime contra a honra – Art. 128 do Código Penal); nas igrejas, esse crime é ignorado. Raramente se pune um caluniador.
12) Incontinentes. Que não sabem conter-se, sem autocontrole, sem domínio próprio.
13) Cruéis. São pessoas desumanas, impiedosas. Não fazem parte dos que são salvos em Cristo Jesus.
14) Sem amor para com os bons. Quem não ama não é salvo. Está em trevas, perdido. E é considerado homicida em termos espirituais (Ver 1 Jo 2.9,11; 3.15); se tais homens não amam “os bons”, imagine como tratam “os maus” ou “inimigos” (Mt 5.44).
15) Traidores. O termo já diz tudo. São “discípulos” de Judas, que traiu seu Mestre por 30 moedas de prata (Mt 26.15); seu fim foi a perdição (Mt 27.5).
16) Obstinados. Sua obstinação não é no sentido da persistência em fazer o bem, mas em fazer o mal, em persistir no erro, na maldade.
17) Orgulhosos. Semelhante à qualidade número 4.
18) Mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Como são egoístas, presunçosos e autossuficientes, só pensam em si. Para eles, os prazeres da carne e do mundo são mais importantes do que amarem a Deus (1 Jo 2.15,16; Rm 8.7,8).
Após discriminar as péssimas qualidades de falsos mestres, no seio da igreja cristã, Paulo alerta a Timóteo que tais homens têm “aparência de piedade”, mas negam “a eficácia dela” e ordena que o discípulo se afaste deles (2 Tm 3.5). Esses maus obreiros aproveitavam-se de “mulheres néscias, carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências”, entrando em suas casas para a prática do pecado, naturalmente (2 Tm 3.6). E conclui que tais homens são comparados aos magos de Faraó, “Janes e Jambres” (2 Tm 3.8), que fizeram suas feitiçarias ou mágicas, resistindo a Moisés (cf. Ex 7.11,12,22; 8.7). Paulo resume suas qualidades desabonadoras do caráter como “sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé” (2 Tm 3.8), e que não serão bem-sucedidos em seus intentos malignos.

 

II – CARÁTER, ENGANOS E PERSEGUIÇÕES

1. Paulo, Obreiro Exemplar

“Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, caridade, paciência” (2 Tm 3.10). O apóstolo Paulo — outrora perseguidor do evangelho e dos seguidores de Cristo, fariseu respeitado, mas ignorante acerca da verdade e defensor ardoroso da Lei de Moisés — tornou-se um dos maiores exemplos de fé, amor e fidelidade ao cristianismo. Seu caráter era demonstrado por sua conduta exemplar. Na sua segunda carta a Timóteo, ele elogia seu jovem discípulo por sua obediência em seguimento de sete aspectos de sua vida, que bem pode ser um resumo do caráter cristão.
1) Doutrina. Na verdade, o apóstolo usava uma linguagem que Timóteo conhecia bem; Paulo não fundara um movimento religioso, ou houvera codificado nenhum sistema de doutrina. Mas era um seguidor autêntico de Jesus, na proclamação do evangelho e da doutrina de Cristo. Timóteo andava nos caminhos do Senhor, seguindo os ensinamentos que Paulo lhe ministrava.
2) Modo de viver. Uma coisa é pregar, ensinar, transmitir mensagens e ensinamentos; outra coisa é, além de pregar, dar o exemplo aos que recebem o ensino; Paulo discipulara Timóteo e podia dizer: “Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam” (Fp 3.17; 1 Co 11.1).
3) Intenção. Como poderia Timóteo conhecer a “intenção” de Paulo? Intenção quer dizer “intento, propósito, plano, ideia; vontade, desejo, querer” (Dicionário Houaiss); certamente, a intenção de Paulo era demonstrada por suas práticas, exemplos e testemunho, de um verdadeiro cristão. Seguindo o exemplo de Paulo, seguia o seu pensamento (Fp 4.8).
4) Fé. Paulo era um homem de fé muito elevada. Suportar o que ele suportou, em embates, combates e sofrimentos, só seria possível para um humilde “gigante na fé”; e passava a mensagem do evangelho pela fé genuína (1 Co 2.3; G1 2.20); sua fé não era teórica, apenas mística, mas era uma fé demonstrada na prática (1 Co 2.4).
5) Longanimidade. Ser eloquente não é difícil, se alguém tem o dom natural da oratória; ser bom administrador é para quem tem conhecimentos e capacidade administrativa; há obreiros que possuem esses dotes pessoais; mas ser longânimo é para quem tem esse requisito como fruto do Espírito Santo (G1 5.22).
6) Caridade. Caridade é o amor na prática. Não se manifesta apenas no falar, no dizer, na exposição verbal eloquente; só se materializa ou se demonstra de modo prático, vivencial; Paulo não só falou, ensinou, mas deu exemplo do que é ter caridade; em 1 Coríntios 13, ele devotou um capítulo doutrinário sobre a caridade, que é a manifestação do Amor Ágape, o amor de Deus, na vida de seus servos.
7) Paciência. É sinônimo de “calma, tranquilidade, serenidade”. É um estado de espírito; é também equivalente a “longanimidade”, mas esta é “paciência para suportar os defeitos e as faltas dos outros”; o cultivo dessa qualidade requer tempo e experiências com as situações mais diversas, ou adversas; Timóteo aprendera com Paulo as lições da paciência.

2. Paulo, o Perseguido

A vida cristã de Paulo começou, no caminho de Damasco, quando Jesus o encontrou, numa jornada que seria de perseguição aos cristãos (At 9.5). Naquele encontro dramático, marcante e inesquecível, o fariseu famoso caiu por terra, e, após sua conversão, batismo e acolhimento pelos irmãos de Damasco, sua vida mudou. De perseguidor passou a ser perseguido (At 9.17,23-25). Em várias ocasiões, em seu ministério, esteve em perigo de morte ou em risco de vida (2 Co 11.23).
Se Timóteo não houvesse tido um discipulado seguro e eficaz, poderia ter retornado para sua terra e desistido de ser cristão. Mas seguiu o exemplo do Senhor Jesus, na companhia de seu tutor espiritual. Enquanto isso, os “homens maus e enganadores” não teriam um fim proveitoso, mas colheriam o que plantaram.

 

III – A BOA FORMAÇÃO CRISTÃ E PERSEVERANÇA NA PALAVRA

1. Permanência na Palavra

Timóteo tivera a oportunidade de ter uma formação familiar e cristã do melhor nível. Sua educação era esmerada. Como já visto, no capítulo 7 deste comentário, Timóteo era filho e neto de servas de Deus, que o educaram nos caminhos do Senhor (1 Tm 1.5). No lado espiritual, doutrinário, ele era oriundo de uma família bem estruturada na fé cristã. Por outro lado, na vida ministerial, era discípulo do apóstolo Paulo. Sua formação familiar era tão marcante, que Paulo, nesta seção da segunda carta, faz referência à sua infância, num lar cristão que valorizava o ensino, no culto doméstico — coisa rara nos dias atuais.

2.  O Valor do Ensino Bíblico

O discipulado cristão deve ser acima de tudo fundamentado na Bíblia, a Palavra de Deus. Nos tempos hodiernos, o ensino da Palavra tem sido negligenciado, em grande parte das igrejas, em muitos lugares no mundo. Não são poucas as igrejas que eliminaram de seu programa a Escola Dominical e alegam suas conveniências, de transporte, distâncias, inseguranças, etc.
A nosso ver, não houve nenhuma vantagem em adotar essa programação, que exclui o ensino sistemático e voltado para cada faixa etária. Pelo contrário. Quando o ensino não é cuidadoso, paciente e dedicado, há grande prejuízo para as novas gerações. Graças a Deus pelas igrejas cristãs que dão valor ao ensino da Palavra, no lar, através do culto doméstico, e na igreja, na ministração do ensino na Escola Dominical e nos cultos de doutrina.
Paulo tira o foco de Timóteo e dos falsos mestres, e se volta para o valor do ensino da Palavra de Deus: “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3.16). Mas ele ressalta que tais resultados só são alcançados se a “Escritura”, ou a Palavra ensinada for “divinamente inspirada”. Os objetivos do ensino bíblico divinamente inspirado são:
1) “Ensinar”, ou seja, transmitir ensinos espirituais, com base na Palavra de Deus, que são úteis e necessários para uma boa formação cristã; sem ensino, nenhuma igreja se mantém de pé; é necessário que as pessoas escutem a Palavra do Senhor Jesus e as ponham em prática, para poderem ficar firmes. Do contrário, serão destruídas pelas intempéries espirituais (cf. Mt 7,24-27; 2.25; Tt 2.12).
2) “Para redarguir” ou seja, “retrucar, responder, replicar”, ou argumentar com segurança; e também, como em outras traduções, “para repreender”; o ensino fundamentado na Palavra de Deus capacita o cristão para argumentar com segurança acerca de sua fé (cf. 1 Pe 3.15).
3) “Para corrigir”. O ensino bíblico bem fundamentado é como um prumo, que mostra o que está fora do lugar na construção de uma casa. Na vida cristã, se não houver o cuidado indispensável com as instruções e orientações do Senhor, muita coisa fica “torta” ou em desacordo com a vontade de Deus. O ensino é que conduz o homem à santidade e à santificação (SI 119.105; Rm 15.4; 1 Co 4.17).
4) “Para instruir em justiça”. O ensino da Palavra de Deus é instrução que leva o homem a viver de modo justo e digno. O salmista disse: “Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome” (SI 23.3).
5) A perfeição do homem de Deus”, “para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (3.17). Este é um dos grandes objetivos do ensino da Palavra de Deus: levar o homem à perfeição relativa, no seu relacionamento com Cristo (2.21; Tt 1.16).

CONCLUSÃO

O texto estudado mostra que é plano do adversário da Igreja promover movimentos contrários à sã doutrina, de tal forma que a corrupção moral e espiritual encontre espaço no meio da comunidade cristã. Os “tempos trabalhosos” a que Paulo se referiu seriam acentuados nos últimos tempos que antecedem a volta de Jesus. Em contraposição aos falsos mestres, Paulo exorta Timóteo a permanecer no que aprendeu, tanto no seu lar, sob os cuidados de sua mãe e de sua avó, ambas cristãs, bem como do que absorveu nos ensinos e no exemplo de Paulo, seu “pai na fé”.

 

Notas

De acordo com o Dicionário Wycliffe, “A rígida opinião cronológica, por outro lado, dataria o Dilúvio em cerca de 2.460 a.C, vários séculos depois das grandes pirâmides do Egito”. (Dicionário Wycliffe, p. 562). A Bíblia registra que o Dilúvio teve início “No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês… e terminou no dia 27 do segundo mês, do ano 601 da vida de Noé (cf. Gn 8.14).
2 “Com base em dados de censos antigos, os estudiosos estimam que a população mundial era de cerca de 1/4 de um bilhão na época de Cristo (1 d.C.).


http://adremanescentes.com.br/regionais/index.php/pt/aigreja/27-departamentos/escolaebdprofessores/estudosprofessoresebd/1060-licao-9-a-corrupcao-dos-ultimos-dias


18 de maio de 2017

Quais são os principais deuses da mitologia indígena brasileira?





 
ILUSTRAS: Danyael Lopes
 

Além dos tupis e dos guaranis – dois dos grupos mais importantes –, ianomâmis, araras e dezenas de outros povos deixaram um legado mitológico que permanece vivo até hoje  

À época da chegada dos colonizadores europeus, os mais de mil povos indígenas que viviam por aqui já tinham um rico e variado panteão de divindades, todas em estreita ligação com as forças da natureza. Além dos tupis e dos guaranis – dois dos grupos mais importantes –, ianomâmis, araras e dezenas de outros povos deixaram um legado mitológico que permanece vivo até hoje entre os mais de 450 mil índios que habitam nosso território. 

DEUSES TUPI-GUARANIS
 

TUPÃ

Chamado de “O Espírito do Trovão”, Tupã é o grande criador dos céus, da terra e dos mares, assim como do mundo animal e vegetal. Além de ensinar aos homens a agricultura, o artesanato e a caça, concedeu aos pajés o conhecimento das plantas medicinais e dos rituais mágicos de cura.

JACI

É a deusa Lua e guardiã da noite. Protetora dos amantes e da reprodução, um de seus papéis é despertar a saudade no coração dos guerreiros e caçadores, apressando sua volta para suas esposas. Filha de Tupã, Jaci é irmã-esposa de Guaraci, o deus Sol.

GUARACI

Filho de Tupã, o deus Sol auxiliou o pai na criação de todos os seres vivos. Irmão-marido de Jaci, a deusa Lua, Guaraci é o guardião das criaturas durante o dia. Na passagem da noite para o dia – o encontro entre Jaci e Guaraci –, as esposas pedem proteção para os maridos que vão caçar.
 

CEUCI

Protetora das lavouras e das moradias indígenas, Ceuci foi comparada pelos colonizadores católicos à Virgem Maria, por ter dado à luz de maneira milagrosa: seu filho, Jurupari – espírito guia e guardião –, nasceu do fruto da cucura-purumã (árvore que representa o bem e o mal na mitologia tupi).

ANHANGÁ

Inimigo de Tupã, Anhangá é o deus das regiões infernais, um espírito andarilho que pode tomar a forma de vários animais da selva. Apesar de ser considerado protetor dos animais e dos caçadores, é associado ao mal. Se aparece para alguém, é sinal de desgraça e mau agouro.

SUMÉ

Responsável por manter as leis e as regras, Sumé também trouxe conhecimentos como o cozimento da mandioca e suas aplicações. Em virtude da desobediência dos indígenas, Sumé um dia partiu – saiu caminhando sobre o oceano Atlântico, prometendo voltar para disciplinar os índios.

DIVINDADES DE OUTRAS TRIBOS
 

AKUANDUBA

Trata-se de uma divindade dos índios araras, da bacia do Xingu, no Pará. Rigoroso, Akuanduba tocava sua flauta para trazer ordem ao mundo. Um dia, por causa da desobediência dos seres humanos, eles foram lançados na água. Os poucos sobreviventes tiveram que aprender do zero como dar continuidade à vida

YORIXIRIAMORI

É um personagem do mito da “árvore cantante” dos ianomâmis. Com seu belo canto, Yorixiriamori deixava as mulheres encantadas, o que acabou despertando a inveja nos homens, que tentaram matá-lo. O deus fugiu sob a forma de um pássaro, e a árvore cantante sumiu da Terra.
 

YEBÁ BËLÓ

A “mulher que apareceu do nada” é a figura principal no mito de criação dos índios dessanas, do alto do rio Negro (fronteira Brasil-Colômbia). De sua iluminada morada de quartzo, Yebá Bëló criou todo o Universo – os seres humanos surgem a partir do ipadu (folha de coca) que ela mascava.

WANADI

Deus dos iecuanas, povo da divisa Brasil-Venezuela, Wanadi criou três seres para gerar o mundo. Porém, os dois primeiros fizeram um erro e acabaram criando uma criatura deformada, que representa o lado ruim da vida (fome, doenças, morte). Coube ao terceiro ser, então, concluir com sucesso o ato da criação.


O INÍCIO E O FIM DE TUDO

Para os arauetés, do médio Xingu (PA), um marido indignado criou o mundo.

1. Triste com um insulto da esposa, o deus Aranãmi começa a cantar e tocar seu chocalho. Com isso, cria o solo terreno e mais três níveis: dois celestes e um subterrâneo, com um rio e suas ilhas.

2. Alguns homens sobem até o primeiro nível celeste e se tornam seres divinos. Outros se elevam ainda mais, indo morar na segunda camada, o Céu Vermelho.
 

3. O solo então se rompe. Os homens caem no rio subterrâneo e quase todos são devorados por uma piranha e um jacaré gigantes. Os que escapam ficam vivendo nas ilhas.

4. Quando um habitante das ilhas morre, sua alma se divide em dois espíritos: um vaga por certo tempo pela terra; o outro fica na primeira camada celestial, em contato com os deuses.

5. De acordo com o mito, um dia a camada celeste se romperá. A partir daí, os seres humanos e divinos ficarão misturados e não haverá diferença entre o mundo dos mortos e o dos vivos.

17 de maio de 2017

Para que serve o arrependimento? Ele é mesmo necessário?


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Textos Básicos: Mt 3.1-10; Sl 51.1,2, 10-12

Introdução
Há perdão para qualquer pecado. A única exceção é a blasfêmia “contra o Espírito Santo” (Mc 3.29).
Mas o perdão gracioso de Deus nunca é automático. A convicção do pecado cometido e o arrependimento antecedem obrigatoriamente o perdão. De outra forma, haveria o caos ético, o cinismo, a liberação de todas as obrigações morais.

Os profetas, João Batista em especial, Jesus e os apóstolos pregavam o arrependimento em sua forma mais solene. Porque hoje em dia quase não se fala sobre o assunto, não se sabe nem sequer o que é arrependimento.

Percebe-se facilmente que um pecador quer ser perdoado sem arrependimento quando ele atira pedras para todos os lados: quando diz que outros cometeram pecados iguais ou piores que os dele; quando denuncia que “em 90% das igrejas existem pessoas com problemas relacionados ao homossexualismo”; quando justifica seus deslizes dizendo ter ficado “quase um ano inteiro sem manter relações sexuais” ou não ter sido “plenamente saciada por um homem nessa área”; e assim por diante.

O pecador que reconhece a necessidade do perdão de Deus e da igreja usa outro vocabulário, não dá entrevista, não continua sob holofotes, não cede à tentação de ser um pecador notável, não se defende, não acusa os outros nem sequer seus eventuais parceiros ou cúmplices. Ele entra no quarto, fecha a porta, se ajoelha, chora e confessa:
Eu mesmo reconheço as minhas transgressões, e o meu pecado sempre me persegue. Contra ti, só contra ti, pequei e fiz o que tu reprovas, de modo que justa é a tua sentença e tens razão em condenar-me. Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe (Sl 51.3-5, NVI).

I. Estudos de caso e perguntas para discussão
1. A menção do arrependimento é parte importante na pregação cristã? Confira Mt 3.1-2 e 4.17; Lc 5.31-32; At 2.38, 3.19 e 17.30-31.
2. O arrependimento de que fala a Bíblia é mero reconhecimento do pecado e lamentação das consequências por ele deixadas (físicas, morais, espirituais, sociais etc.) ou inclui a tristeza pelo pecado, o abandono do pecado e a corajosa e humilde disposição de comprometer-se com Deus? Examine o caso de Davi (Sl 51.1-12), dos ninivitas (Jn 3.5-10), do filho pródigo (Lc 15.17-24) e de Pedro (Lc 22.61-62).
3. Qual é o fruto digno do arrependimento, exigido por João Batista (Mt 3.7-10)?
4. Leia a parábola dos dois filhos em Mt 21.28-32. O que levou o segundo filho a fazer a vontade do Pai, a despeito da indisposição inicial?
5. A tristeza provocada por Deus no íntimo tem valor terapêutico? Consulte 2 Co 7.10. O arrependimento cura, tem capacidade de tirar alguém do caminho mau e transportá-lo para o caminho bom? Abra Jr 8.4-6, Ap 2.5, 16, 21 e 3.3 e 19.
6. Na história do livro de Jonas, quem se arrependeu: Deus  (Jn 3.9,10 e 4.2) ou os ninivitas (Jn 3.5-8 e Mt 12.41)?

II. Possíveis reações ao pecado do outro e à necessidade de arrependimento 
a) Aproveitar-se do escândalo do outro para tirar alguma vantagem pessoal (caso de Absalão);
b) Entender e suportar as consequências naturais do pecado (2 Sm 16.10-13).
c) Colocar a culpa nas circunstâncias: Se Davi quisesse o perdão sem arrependimento, ele poderia ter dado a explicação comum nos dias de hoje, dizendo: “A culpa é da mulher de Urias, que estava tomando banho com a janela totalmente aberta”. Poderia também ter posto a culpa em sua crise de meia-idade ou nas esposas que já não o satisfaziam sexualmente. Ele preferiu outro caminho — o único que dá certo, o único que leva ao perdão, à restauração, e traz de volta a alegria.
d) colocar a culpa no outro: O filho pródigo poderia ter alegado que saíra de casa para uma terra distante porque o irmão era muito chato. Mas ele preferiu o caminho do arrependimento pessoal: “Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho” (Lc 15.21). Essa escolha redundou em festa, anel no dedo, calçados nos pés, roupa nova e churrasco de boi gordo!

III. Para refletir e marcar as afirmativas corretas (C) e incorretas (I)
(     ) O homem não precisa de Cristo para alcançar perdão e salvação. Basta que se arrependa de seus pecados.
(     ) Deus se arrepende no sentido de alterar sua relação e atitude. 1) no julgamento contra o pecado, passando da complacência à indignação; 2) na misericórdia, passando da ira para o favor e a bênção (J. S.  Wright).
(  ) “Os homens não devem contentar-se com o arrependimento geral, mas é dever de todos procurar arrepender-se particularmente de cada um dos seus pecados” (Confissão de Fé de Westminster).
(      ) O arrependimento precede a convicção de pecado.
(  ) O remorso não leva o pecador até onde o arrependimento o conduz. O primeiro abre a ferida mas não a cura, como aconteceu com Judas. O segundo faz a obra completa.
(     ) Deus notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam.

Conclusão

Porque “todos se desviaram do caminho certo e são igualmente corruptos” (Sl 14.3, NTLH), todos precisam fazer uso constante do arrependimento. O levantar do homem caído e o processo de sua cura têm início no arrependimento. Só depois de ter chorado seus pecados de adultério, assassinato e hipocrisia, foi que Davi se ergueu novamente diante de Deus e diante de seus súditos.

O que produz o arrependimento não é só a tristeza provocada pelo pecado, mas também a esperança ou a certeza do perdão que se faz possível com o sacrifício vicário e a ressurreição de Jesus. O verdadeiro arrependimento, aquele que leva à mortificação do corpo e à vivificação pelo Espírito, repercute no céu: “Há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lc 15.10).

Depois de chorar e confessar o pecador sincero e arrependido deve clamar:
Tem misericórdia de mim, ó Deus, por teu amor; por tua grande compaixão apaga as minhas transgressões. Lava-me de toda a minha culpa e purifica-me do meu pecado […] Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito. Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer” (Sl 51.1,2, 10-12, NVI).

 Autor do estudo: Elben César. Publicado originalmente pela revista Ultimato, edição 114.

http://ultimato.com.br/sites/estudos-biblicos/assunto/vida-crista/para-que-serve-o-arrependimento-ele-e-mesmo-necessario/