Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)

12 de fevereiro de 2019

Como sabemos que Jesus é o Messias?





Como cristãos, acreditamos que Jesus é o ungido Messias, o rei Davídico, o Cristo. Porém, como chegamos a ter essa imensa afirmação?

Historicamente, isso ficou constatado como um debate que não é pequeno. Se Cristo é o tão esperado Messias, por que o Antigo Testamento tem tão poucos textos inequívocos que podemos apontar como prova? Na sua investigação detalhada das origens do messianismo, o acadêmico do Novo Testamento Joseph Fitzmyer vai tão longe que conclui que a esperança da figura messiânica dentro do Judaísmo foi intensificada apenas após o cânon do Antigo Testamento ter sido fechado. E mesmo quando o termo “messias” é usado no Antigo Testamento, geralmente não tem a ver com alguma imagem messiânica.

Então, como os apóstolos e primeiros cristãos chegaram a essa conexão tão clara, reivindicando com confiança que o Jesus nascido em Belém era o Rei Ungido? Para responder essa questão, e para entender melhor o que celebramos no Advento, levamos a pergunta para D.A. Carson, co-fundador e presidente da The Gospel Coalition. Ele se junta a nós para responder a questão do Advento “Que criança é esta?”

Senhor Cristo?


Eu suponho que para muitos cristãos no Ocidente que ainda não conhecem muito da Bíblia, quando ouvem Jesus Cristo, pensam que Jesus é seu primeiro nome e Cristo é seu segundo nome, ou seu sobrenome. Alguém pode ainda se referir a ele como Senhor Cristo [2]. Porém, é claro que isso nunca foi assim no primeiro século.

Cristo não era inicialmente, pelo menos em nenhum sentido, um sobrenome; era um título. É contestado hoje se isso se torna um nome completo em qualquer lugar do Novo Testamento. Minha visão particular é que isso nunca perde sua função de título, mesmo se acaba tendo uma função de nome nos últimos livros escritos do Novo Testamento.

Porém, vamos voltar um pouco. Cristo é simplesmente uma transliteração da palavra grega christos, que significa “alguém que foi ungido”. É o equivalente para messias, que é uma transliteração da palavra hebraica mashiyach, que significa “alguém que foi ungido”. Estamos na verdade usando uma transliteração. Jesus Cristo significa algo como Jesus o Ungido. Porém, isso precisa ser melhor explicado.

Reis Ungidos

No Antigo Testamento, ungir significa literalmente realizar o ato de aplicar óleo em um objeto ou pessoa. Isso pode ser feito espalhando o óleo ou aspergindo um pouco na pessoa ou objeto e então esfregando um pouco. O ponto é que o que foi ungido foi reservado para algo de alguma forma.

No Antigo Testamento, em termos de pessoas, existem apenas duas (quase três) categorias de pessoas que eram ungidas com óleo como uma forma de indicar que eles foram designados para uma certa função, como por exemplo, na fábula de Jotão em Juízes 9:7 e versículos seguintes. Essa história é focada naqueles que tinham feito Abimeleque rei de Siquém. Nessa fábula, as árvores são retratadas como querendo ungir outra árvore para ser o rei delas, ou seja, para designar uma árvore, para nomear uma árvore.

Mais adiante, por exemplo, quando os homens de Judá ungem Davi rei da casa de Judá, em 2Samuel 2, o mesmo tipo de coisa está acontecendo. Então, ungir com óleo é algo muito comum no Antigo Testamento em termos de designar alguém como rei.

Sacerdotes Ungidos


Segundamente, ungir também é usado para designar alguém como sacerdote. Moisés recebeu instruções para ungir Arão como sumo sacerdote (Veja Ex 29; Lv 8). Ele não deveria ungir apenas Arão, mas seus filhos também. Várias vezes, é dito que os filhos foram ungidos (Lv 28.41; 30:30).

De fato, em algum sentido, Levítico 7.36 vai tão longe que afirma que que foi Deus, o próprio Jeová, que ungiu Arão e seus filhos. Obviamente, isso não significa que ele pegou um frasco de óleo e literalmente aspergiu nas suas cabeças ou algo dessa ordem. Porém, ele fez através de agentes designados. Mas, novamente, é uma forma de falar que alguém foi reservado para uma tarefa particular.

Profeta Ungido

Portanto, mesmo que não exista uma unção geral de profetas, existe uma passagem memorável em 1Reis 19.16, onde é falado para Elias ungir Eliseu como seu sucessor como profeta. Quando o evento acontece, não nos é dito que ele aspergiu óleo nele. Ao invés disso, Eliseu, quando Elias morre, pede por e recebe porção dobrada do espírito de Elias.

Pode ser até que a recepção do espírito é considerada como a realidade da unção. Assim como em 1João, é dito que os cristãos têm a unção, e dentro do contexto quase certamente eles têm o Espírito, mesmo que óleo não tenha sido passado neles ou algo do tipo (1Jo 1.20, 27). Você começa a entender um tipo de sentido de relacionamento entre o ato físico, o ato ritual e o que isso está designando.

Sinais do Messias


À medida que você se achega ao Novo Testamento, não é incomum fazer perguntas sobre o messianismo, isto é, a expectativa de que um Messias que viria iria salvar seu povo, que transformaria o mundo, traria uma nova era, traria o fim dos dias e assim por diante.

A maioria dos acadêmicos hoje argumenta que não tem, estritamente falando, uso de Messias ou Cristo no Antigo Testamento que é de forma inequívoca uma predição. Ou seja, não existe um anúncio inequívoco por excelência da vinda do Messias. Isso é quase certo, mas não tanto ao meu ver.

Usualmente, a palavra ungido se refere a reis ordinários, sacerdotes e assim por diante, sem apontar para o futuro. Por exemplo, o Rei Saul, antes de Davi, que eventualmente perde seu trono, é chamado de ungido do Senhor (1Sm 12.3, 5). É por isso que Davi poupa sua vida.

Ninguém deveria levantar sua mão contra o Ungido do Senhor, nos é dito (1Sm 24.6 e outras passagens). Isso significa que não devemos levantar nossa mão contra a pessoa que o Senhor ungiu para uma tarefa particular, mesmo se essa pessoa, como Saul, tenha se corrompido. Deus vai lidar com ele.

Porém do mesmo modo, mais tarde, o amalequita que reivindica ter matado Saul por pedido dele, para lançar ele fora de sua própria miséria, é levado à morte por Deus porque ele não cumpriu a regra de não matar o ungido do Senhor (2Sm 1.14 – 16). Especificamente, o Salmo 105:15 diz : “Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.”

Em todos esses casos, a pessoa ou pessoas ungidas são reis, sacerdotes ou profetas, como na última passagem. Eles não são por si só inequivocamente messiânicos, no sentido profético. Ou seja, eles não estão se referindo ao Messias, o Cristo.

O Rei Que Está Vindo

Porém, existem algumas passagens, como Salmos 2 e um punhado de outras, onde o contexto imediato realmente sugerem um rei Davídico na esfera histórica. Ainda assim o mesmo contexto também aponta além da esfera histórica imediata para um Davi definitivo.

Existe uma tipologia Davídica que foi construída diretamente no tratamento. Salmos 2 está especialmente falando a esse respeito. Porém, é messiânico através de uma tipologia. Já lidamos brevemente com isso quando consideramos a linguagem de filiação [3]. Você pode se recordar de como isso começa:

Por que se enfurecem os gentios e os povos imaginam coisas vãs? Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido [contra o Messias, seu Messias, seu Cristo], dizendo: “Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas.” (Sl 2.1 – 3)

Em um certo sentido, é claro, isso pode ser lido contra seu pano de fundo de reis pequenos locais e regionais que tentam se rebelar contra Davi ou Salomão no período da monarquia unificada. Contudo, quando você avança, descobre que a linguagem se torna tão extravagante que está apontando para o Messias definitivo contra quem as pessoas se rebelariam.

Esse texto é citado pela igreja Cristã em Atos 4, por exemplo, quando a perseguição está aumentando. Os cristãos estão pensando sobre isso através da luz da Escritura. Eles citam precisamente essas palavras: “Por que se enfureceram os gentios, e os povos imaginaram coisas vãs?” (veja At 4.25 – 26).

Em todos esses contextos, o uso de Messias em Salmos 2 e na passagem relacionada está se referindo claramente ao rei Davídico, seja num nível histórico, o rei Davídico imediato, ou num nível tipológico de longa escala, o rei Davídico definitivo.

O Rei Está Aqui


Considere a maravilhosa confissão de Pedro em Mateus 16.18 e passagens paralelas. Jesus pergunta , “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” (veja Mt 16.13). Pedro responde, “Tu és o Cristo [você é o Messias] , o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16). Como Messias é entendido dentro dentro daquele contexto? Como o Filho do Deus vivo. Provavelmente não é, dentro do contexto, entendido como a segunda pessoa da Trindade ou algo dessa ordem, apesar de isso não ser negado. Simplesmente não é o foco.

Entretanto, a linguagem de Filho de Deus, como nós vimos antes quando consideramos a linguagem de filiação [4] e os temas de realeza [5], é regularmente utilizado quando um descendente de Davi chega ao trono.

No dia que ele chega ao trono, Deus diz para ele, “eu, hoje, te gerei” (Sl 2.7). Ele é assumido como filho de Deus, como rei de Deus. Deus é o Rei supremo, e enquanto que o descendente de Davi reine conforme Deus, com a preocupação de Deus com a justiça, integridade, preservação do pacto e mais tudo aquilo, então ele está agindo como Deus. Ele é o filho de Deus. Portanto, filho de Deus em um de seus usos é usado regularmente para se referir a um rei Davídico.

Minha sugestão, então, é que quando Pedro confessa que Jesus é o Cristo, o filho do Deus vivo (muitas pessoas concordariam com isso, eu acho), ele realmente está falando que Jesus é o rei Davídico prometido, ele é o rei messiânico, ele é o rei ungido.

Quem é esse Messias?

Existia uma expectativa de que quando o Messias viesse, ele traria a era vindoura. Isso cresce com o tempo. Muitas das conexões com o Antigo Testamento, entretanto, são através dessas linhas tipológicas de filiação, realeza Davídica e assim por diante.

No Novo Testamento então, Jesus é regularmente referido como o Cristo. Na maioria dos casos, isso significa o rei Davídico. É uma forma de aludir ao começo ou amanhecer do reino. Em algumas passagens, o título é desfocado ao longo de uma mais abrangente expectativa do Redentor prometido por Deus, da prometida revelação do próprio Deus.

Existem pistas disso no Antigo Testamento, por exemplo, onde é dito sobre aquele que está vindo: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu…” (Is 9.6). Então, em Isaías 9.7, lemos “sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar”. Ele deve reinar no trono do seu pai Davi. Esse é o sinal Davídico.

Porém, ele ainda será chamado “Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6). Mesmo que Messias não seja usado aqui, porque Messias geralmente é usado para se referir ao rei Davídico, essa se torna uma passagem que está abraçando um messianismo que é uma expectativa de um redentor que está por vir, que está na descendência de Davi, mesmo que o termo Messias não seja utilizado ali.

Isso é um título tão importante que o evangelho de João, por exemplo, articula seu propósito em João 20.30 – 31:

Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Segredo Messiânico


Essa linguagem messiânica é atrelada a um diversos temas bíblico-teológicos que não temos tempo de explorar aqui. Porém, vou mencionar um deles. As pessoas que estudam o evangelho de Marcos muitas vezes detectam o que é chamado como “o segredo messiânico”. O que eles querem dizer com isso é que às vezes a identidade de Jesus como Messias é escondida ou é um título que na verdade não deve ser divulgado imediatamente.

Por qualquer razão, Jesus diz aos seus discípulos ou a pessoa que foi curada, por exemplo, para não anunciar quem ele é. Então, em certo sentido, isso é um segredo messiânico.

Essa linguagem pode ir longe demais e se tornar enganosa. Parte da razão de por que Jesus esconde sua identidade em certos aspectos é porque as expectativas locais de um redentor que está por vir, de um rei que está por vir, eram geralmente muito políticas. Se Jesus simplesmente dissesse, “Eu sou o Messias,” ele estaria sendo ouvido por estar falando algo que não quis dar a entender: “Eu estou aqui para estabelecer um reino político, retirar os Romanos e estabelecer um trono exatamente como era nos dias de Davi há mil anos atrás. E dessa vez nós vamos ganhar.”

Enquanto que o reino que Jesus tinha em mente é muito mais transcendente que aquilo, muito mais abrangente, ele trabalha, porém, com princípios bem diferentes. Jesus está no estranho lugar onde as vezes ele admite que é o Messias e as vezes ele rodeia a questão, precisamente porque não quer que falsas expectativas surjam.

Contudo, décadas após o evento, João pode falar de forma bem mais categórica, “Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

Parte do problema, então, está na incapacidade dos discípulos, deixando de lado as multidões maiores, de ver quão rica e biblicamente fiel e Davídica é essa noção do Cristo, do Messias, do filho de Deus, realmente é aplicada a Jesus. Isso não pode ser reduzido meramente a uma descida linear e um reino terreno que não tem todo poder abrangente do reino exibido no Novo Testamento.

É assim que o termo Messias funciona. Quando dizemos Jesus Cristo, deveríamos pensar na nossa mente Jesus o Messias; Jesus o prometido Sacerdote, Rei, Profeta; Jesus aquele que foi ungido por Deus para promover nossa redenção. Ele é Jesus, que foi reservado por Deus, ungido por Deus. O Redentor definitivo, o Ungido definitivo, o Cristo definitivo.



Por: D.A. Carson. © Desiring God Foundation. Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: How Do We Know Jesus Is the Messiah?

Original: Como sabemos que Jesus é o Messias? © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Tradução: Marcelo Rigo dos Santos. Revisão: Filipe Castelo Branco.


D. A. Carson, um dos fundadores e diretores do ministério The Gospel Coalition, é professor pesquisador do Novo Testamento na Trinity Evangelical Divinity School, onde leciona desde 1978. Obteve o grau de Bacharel em Química, pela Universidade McGill, o Mestrado em Divindade pelo Central Baptist Seminary, em Toronto e o Ph.D em Novo Testamento pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Carson já escreveu e editou mais de 50 livros.

https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/02/como-sabemos-que-jesus-e-o-messias/?


10 de fevereiro de 2019

A pornografia rouba a felicidade





No texto anterior, falei como podemos quebrar o mandamento que diz “não matarás” promovendo a pornografia. Muitos podem ter achado a abordagem forçada ou não acharam respaldo para tratar do assunto como violação deste mandamento em específico. Acontece que o sexo é assunto de ordem moral, envolvendo toda a Lei divina. É a Palavra que nos concede a maneira correta de usufruir da sexualidade para glória de Deus.

Em Levítico 20 existe uma lista de pecados envolvendo relações íntimas. O adultério, o incesto, a sodomia, relações sexuais com parentes de primeiro grau e zoofilia são atos pecaminosos que desagradam a Deus.

A sexualidade foi algo criado por Deus. Mas ele a criou para o deleite no casamento. Adão e Eva foram criados para formar uma família, dando origem a outras famílias. Por isso que o sexo, algo que provoca prazer, não pode ser praticado como bem entender em nome da felicidade. Pode ser bom como for, o sexo fora do casamento é pecaminoso e afronta a Deus. Tal como a simples visualização de conteúdo pornográfico também desagrada o nosso Criador.

O casamento, conforme o Senhor instituiu, é heterossexual, monogâmico e indissolúvel (leia Gênesis 1: 27-28 e 2: 21-25). O escritor de Gênesis vai dizer que o motivo dos homens deixarem pai e mãe para formarem novas famílias está atrelado ao fato de Deus ter criado homem e mulher e dando-lhes a ordem de serem fecundos e povoarem a terra. O sexo, abençoado por Deus, no casamento, faz com que o casal se torne uma só carne. Cristo corrobora esse texto ao ser indagado sobre o divórcio:
“porém, desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e mãe [e unir-se-á a sua mulher], e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.”. Marcos 10:6-9 
Como cristãos, somos o povo de Deus: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. 1 Pedro 2:9. A obediência é o princípio que regula nosso relacionamento com o Senhor e com as demais pessoas.

Para chamarmos Deus de “nosso”, precisamos seguir seus estatutos. Isso faz com que tenhamos que observar que o sexo tem o seu lugar, que ele se restringe ao matrimônio, e banalizar a sua prática é afrontar a santidade divina. A pornografia é uma das responsáveis por macular o leito matrimonial. E este, como nos diz Hebreus 13.4 é digno de honra. A honraria se dá pela preciosidade do casamento, instituição que Deus tem por alta conta.

Voltando para o texto de Levítico 20, vemos que as relações ali citadas estão presentes em muitos conteúdos pornográficos, o que torna a Pornografia uma “máquina-de-quebrar-leis”. Ela estimula pessoas solteiras e casadas a consentir com relações sexuais que são abomináveis aos olhos do Senhor. E ainda por cima, acaba por destruir o gozo do relacionamento sexual idealizado para ser puro, bom e agradável.

Mergulhadas na escravidão do pecado e na cegueira espiritual, os consumidores de pornografia não se dão conta de que o sexo no casamento é o melhor deleite se comparado com prazeres ofertados pelos meios ilícitos. Pois, o sexo é algo muito superior a uma simples troca de fluídos em uma junção carnal. Casais casados, ao se relacionarem sexualmente, estão glorificando o Criador e estão debaixo de suas bênçãos ao manter puro o leito matrimonial. Não é apenas “carne”. Há espiritualidade que envolve, agracia e edifica. E isso, relações ilícitas não são capazes de oferecer.

Em suma, a pornografia acaba sendo inimiga do sexo e empobrece, ao distorcer, esta dádiva que o nosso Pai Celestial nos dá. Nossa sociedade tem um lema: “Faça aquilo que seu coração mandar e seja feliz”. Mas, sabemos que o coração do homem é enganoso (Jeremias 17.9). Felicidade não é fazer o que se quer, passando por cima dos mandamentos. Nenhum homem que se coloca contrário ao que Deus estabelece pode ser feliz. Ele vai tentar e sempre dará com a cara na parede. Felicidade genuína se dá em conformidade com o que Deus estabelece. Ele nos fez, sabe o que é melhor para nós. Se o sexo é para o casamento e nossa sociedade pornificada não reconhece esta realidade, não espere felicidade como resultado. A pornografia não satisfaz, ela rouba a felicidade, escraviza, desfigura quem por ela se deixa dominar e nos coloca debaixo do severo juízo divino.


Por: Thiago Oliveira. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: A pornografia rouba a felicidade.

Thiago Oliveira é pastor da Igreja Evangélica Livre no Brasil e Professor de Teologia no STPN-Recife. É graduado em Teologia, em História e tem especialização em Ciência Política. É casado com Samanta e pai de Valentina.



9 de fevereiro de 2019

A pornografia é assassina


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“Não Matarás” (Êxodo 20.13).

Esse é o texto chave para tratarmos de um tema preocupante: a pornografia. Numa sociedade libertina como a nossa, há uma tendência de se naturalizar o conteúdo pornográfico. Todavia, a pornografia é uma prática hedionda e se entendermos a relação dela com o assassinato, talvez percebamos melhor o cerne da sua gravidade.

À primeira vista, pode parecer exagero relacionar a pornografia com o sexto mandamento, que fala sobre o homicídio. Porém, vemos no ensino de Jesus o aprofundamento deste mandamento e como ele pode ser quebrado interiormente (Mateus 5.22). Em suma: o sexto mandamento não fala apenas sobre assassinar uma pessoa. Ele vai mais além e requer a preservação e a valorização da vida humana. E as confissões de fé reformadas captam o sentido mais aprofundado do mandamento. Vejamos o exemplo do Catecismo Maior de Westminster em sua pergunta 136:

Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento?

Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém (grifo nosso).

A pornografia pode se enquadrar muito bem no que o Catecismo chama de “paixões excessivas”, “uso imoderado de recreios” e “opressão”. A pornografia é o mau uso do eros (amor erótico). É a violação do que Deus instituiu para a sexualidade. O sexo foi algo criado por Deus para o deleite do casamento. Adão e Eva foram criados para formar uma família que daria origem a outras famílias. Por isso que o sexo feito apenas pelo prazer, sem levar em conta sua relação com a aliança matrimonial, desvirtua o princípio original da criação divina.

Também podemos quebrar o sexto mandamento quando, ao invés de nos ocuparmos, gastamos boa parte do nosso tempo com recreações. E na era digital em que vivemos, onde pessoas passam horas navegando na internet, a pornografia está a um clique de seus olhos. O sexto mandamento é quebrado quando no lugar de nos ocuparmos, ficamos diante de uma tela, assistindo imagens bidimensionais de nudez ou sexo explícito fazendo disto um “passatempo” que nos torna improdutivos e nos reduz a expectadores (ou promotores) daquilo que afronta a santidade do próprio Deus.

E a pornografia é facilmente detectável como um instrumento de opressão, sobretudo por oprimir as mulheres. A dita liberdade sexual feminina, uma bandeira do feminismo, só fez reforçar a objetificação do corpo feminino. Os conteúdos de filmes pornográficos colocam a mulher em situações degradantes, sendo usadas de maneira agressiva e violentadas em sua dignidade. Não é preciso nem navegar na deep web, o recôndito sombrio da internet, para se deparar com as mais variadas degradações. Além disto, parte dos conteúdos são mercadorias de uma indústria do sexo, que é muito rentável. Pelo dinheiro, homens e mulheres filmam diversas cenas praticando o ato sexual causando ferimentos em suas partes íntimas.

Voltando para a concepção aprofundada que Jesus dá ao interpretar o sexto mandamento, vemos que ele condena a quem chama o próximo, isto é, outro ser humano, de racá (Mateus 5.22). Esta palavra de origem aramaica não apresenta um termo equivalente ao português, mas os comentaristas estão em acordo ao afirmarem que essa era uma expressão de desprezo e que trazia um indicativo de inutilidade, como se alguém não tivesse serventia por ser “uma cabeça oca”. Portanto, racá é um termo que desumaniza e por isso Jesus a utiliza para condenar quem faz uso dela para negar a humanidade do seu semelhante.

Na perspectiva da Escritura, ser humano é ser portador da imagem divina (Imago Dei) que lhe foi impressa no ato da criação (Gn 1.26). Essa imagem revela que somos, em analogia ao Criador, seres afetivos, racionais e volitivos. E o “não matarás” busca preservar tal imagem que se faz presente mesmo no homem pecador. Embora o pecado a tenha afetado, ele não a dissolveu.

Portanto, a pornografia mata a humanidade do outro na medida que o transforma em objeto, desprezando a sua dignidade e lhe tirando a feição. Atente para o fato de que o rosto, que corresponde a janela da alma (Pv 15.13), não é o foco da pornografia. Diante de um par de seios numa tela, você não consegue capturar a pessoa na sua totalidade e a desintegra de seu ser, que é a sua percepção como criatura física e espiritual portadora da Imago Dei. E ao transformar alguém em coisa, você também será coisificado. Logo, comete-se um assassinato da essência do outro e acaba-se cometendo, em seguida, um suicídio – pois a própria essência também sucumbiu.

Que o Senhor nos abençoe e nos faça enxergar que o potencial assassino da pornografia deve ser condenado veementemente pela Igreja, enquanto que a mesma anuncia a mensagem libertadora do Evangelho que redime a Imago Dei de quem está preso à prática da pornografia.



Por: Thiago Oliveira. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: A pornografia é assassina.


6 de fevereiro de 2019

Outro evangelho

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Satanás não é um inovador, mas um imitador. Deus tem seu Filho unigênito – o Senhor Jesus. Tal qual Satanás tem “o filho da perdição” (II Tessalonicenses 2:3). Há uma Santa Trindade. Há de igual modo uma trindade do mal (Apocalipse 20:10). Lemos sobre os “filhos de Deus”. Do mesmo modo lemos também sobre “os filhos do maligno” (Mateus 13:38). Deus opera nestes que foram citados de modo a determinar e fazer a Sua vontade. Então somos informados que Satanás é “o espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2). Há o “mistério da piedade” (I Timóteo 3:16). Há também o “mistério da injustiça” (II Tessalonicenses 2:7). Aprendemos que Deus através de Seus anjos “assinala” os Seus servos nas suas testas (Apocalipse 7:3). Assim também aprendemos que Satanás através de seus agentes assinala nas testas os seus devotos (Apocalipse 13:16). É-nos dito que “o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (I Coríntios 2:10). Então Satanás também provê suas “coisas profundas” (grego de Apocalipse 2:24). Cristo faz milagres. De igual modo Satanás também pode fazê-los (II Tessalonicenses 2:9). Cristo está sentando sobre um trono. Também Satanás o está (Apocalipse 2:13). Cristo tem uma Igreja. Então Satanás tem a sua “sinagoga” (Apocalipse 2:9). Cristo é a Luz do mundo. Então o próprio Satanás “se transfigura em anjo de luz” (II Coríntios 11:14). Cristo designou “apóstolos”. Então Satanás tem seus apóstolos também (II Coríntios 11:13). E isto nos leva a considerar o “Evangelho de Satanás”.

Satanás é o maior dos falsificadores. O Diabo está agora ocupado em trabalhar no mesmo campo no qual o Senhor semeou a boa semente. Ele está buscando evitar o crescimento do trigo através de outra planta, o joio, o qual é muito próximo do trigo em aparência. Em uma frase: por meio da falsificação ele está buscando neutralizar a Obra de Cristo. Por essa razão, como Cristo tem um Evangelho, Satanás tem um evangelho também; sendo este uma astuta falsificação do primeiro. O evangelho de Satanás se parece tão proximamente com aquele que ele imita, que multidões de não salvos são enganadas por ele.

É a este evangelho de Satanás que o apóstolo se referia quando disse aos Gálatas:

Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho; O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:6-7).
Este falso evangelho estava sendo proclamado já nos dias do apóstolo, e a mais terrível maldição foi proclamada sobre aqueles que o pregam. O apóstolo continua:
"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema".
Com o auxílio de Deus, nos esforçaremos agora para expor, ou melhor, para desmascarar este falso evangelho:

O evangelho de Satanás não é um sistema de princípios revolucionários, nem ainda é um programa de anarquia. Ele não promove a luta e a guerra, mas objetiva a paz e a unidade. Ele não busca colocar a mãe contra sua filha, nem o pai contra seu filho, mas busca nutrir o espírito de fraternidade, por meio do qual a raça humana deve ser considerada como uma grande “irmandade”. Ele não procura deprimir o homem natural, mas aperfeiçoá-lo e erguê-lo. Ele advoga a educação e a cultura e apela para “o melhor que está em nosso interior” – Ele objetiva fazer deste mundo uma habitação tão confortável e apropriada, que a ausência de Cristo não seria sentida, e Deus não seria necessário. Ele se esforça para deixar o homem tão ocupado com este mundo, que não tem tempo ou disposição para pensar no mundo que está por vir. Ele propaga os princípios do auto sacrifício, da caridade, e da boa-vontade, e nos ensina a viver para o bem dos outros, e a sermos gentis para com todos. Ele tem um forte apelo para a mente carnal, e é popular com as massas, porque deixa de lado o fato gravíssimo de que, por natureza, o homem é uma criatura caída, apartada da vida com Deus, e morta em ofensas e pecados, e que sua única esperança reside em nascer novamente.

Contradizendo o Evangelho de Cristo, o evangelho de Satanás ensina a salvação pelas obras. Ele inculca a justificação diante de Deus em termos de méritos humanos. Sua frase sacramental é “Seja bom e faça o bem”; mas ele deixa de reconhecer que lá na carne não reside nenhuma boa coisa. Ele anuncia a salvação pelo caráter, o que inverte a ordem da Palavra de Deus – o caráter como fruto da salvação. São muitas as suas várias ramificações e organizações: Temperança, Movimentos de Restauração, Ligas Socialistas Cristãs, Sociedades de Cultura Ética, Congresso da Paz1 estão todos empenhados (talvez inconscientemente) em proclamar o evangelho de Satanás – a salvação pelas obras. O cartão da seguridade social substitui Cristo; pureza social substitui regeneração individual, e, política e filosofia substituem doutrina e santidade. A melhoria do velho homem é considerada mais prática que a criação de um novo homem em Cristo Jesus; enquanto a paz universal é buscada sem que haja a intervenção e o retorno do Príncipe da Paz.

Os apóstolos de Satanás não são taberneiros e traficantes de escravas brancas, mas são em sua maioria ministros do evangelho ordenados. Milhares dos que ocupam nossos modernos púlpitos não estão mais engajados em apresentar os fundamentos da Fé Cristã, mas têm se desviado da Verdade e têm dado ouvidos às fábulas. Ao invés de magnificar a enormidade do pecado e estabelecer suas eternas consequências, o minimizam ao declarar que o pecado é meramente ignorância ou ausência do bem. Ao invés de alertar seus ouvintes para “escaparem da ira futura”, fazem de Deus um mentiroso ao declarar que Ele é por demais amoroso e misericordioso para enviar quaisquer de Suas próprias criaturas ao tormento eterno. Ao invés de declarar que “sem derramamento de sangue não há remissão”, eles meramente apresentam Cristo como o grande Exemplo e exortam seus ouvintes a “seguir os Seus passos”. Deles é preciso que seja dito: “Porquanto, não conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Romanos 10:3). A mensagem deles pode soar muito plausível e seu objetivo parecer muito louvável, mas, ainda sobre eles nós lemos: – “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (II Coríntios 11:13-15).

Somando-se ao fato de que hoje centenas de igrejas estão sem um líder que fielmente declare todo o conselho de Deus e apresente Seu meio de salvação, também temos que encarar o fato de que a maioria das pessoas nestas igrejas está muito distante de conseguir descobrir a verdade por si mesma. O culto doméstico, onde uma porção da Palavra de Deus era costumeiramente lida diariamente, é agora, mesmo nos lares de Cristãos professos, basicamente uma coisa do passado. A Bíblia não é exposta no púlpito e não é lida no banco da igreja. As demandas desta era agitada são tão numerosas, que multidões têm pouco tempo, e ainda menos disposição, para fazer uma preparação para o encontro com Deus. Por essa razão, a maioria, aqueles que são negligentes o bastante para não pesquisarem por si mesmos, são deixados à mercê dos homens a quem pagam para pesquisar por eles; muitos dos quais traem a verdade deles, por estudar e expor problemas sociais e econômicos ao invés dos Oráculos de Deus.

Em Provérbios 14:12 lemos: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte“. Este “caminho” que termina em “morte” é a Ilusão do Diabo – o evangelho de Satanás – um caminho de salvação através da realização humana. É um caminho que “parece direito”, o qual, é preciso que se diga, é apresentado de um modo tão plausível que ganha a simpatia do homem natural; é pregado de forma tão habilidosa e atrativa, que se torna recomendável à inteligência dos seus ouvintes. Por incorporar a si mesmo terminologia religiosa, algumas vezes apela para a Bíblia como seu suporte (sempre que isto se ajusta aos seus propósitos), mantém diante dos homens ideais elevados, e é proclamado por pessoas que têm graduação em nossas instituições teológicas, e incontáveis multidões são atraídas e enganadas por ele.

O sucesso de um falsificador de moedas depende em grande medida de quão proximamente a falsificação lembra o artigo genuíno. A heresia não é uma total negação da verdade, mas sim, uma deturpação dela. Por isto é que uma meia verdade é sempre mais perigosa que uma completa mentira. É por isso que quando o Pai da Mentira assume o púlpito, não é seu costume claramente negar as verdades fundamentais do Cristianismo, antes ele tacitamente as reconhece, e então procede de modo a lhes dar uma interpretação errônea e uma falsa aplicação. Por exemplo, ele não seria tão tolo de orgulhosamente anunciar sua descrença em um Deus pessoal; ele dá a Sua existência como certa, e então apresenta uma falsa descrição da Sua natureza. Ele anuncia que Deus é o Pai espiritual de todos os homens, que as Escrituras claramente nos dizem que nós somos: "filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus” (Gálatas 3:26), e que “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). E mais adiante, ele declara que Deus é por demais misericordioso para em algum momento enviar qualquer membro da raça humana no Inferno, mesmo havendo o próprio Deus dito que: “aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (Apocalipse 20:15). Novamente, Satanás não seria tão tolo, a ponto de ignorar a figura central da história humana – o Senhor Jesus Cristo; ao contrário, seu evangelho O reconhece como sendo o melhor homem que já viveu. A atenção é então levada para os Seus feitos de compaixão e para as Suas obras de misericórdia, para a beleza de Seu caráter e a sublimidade de Seu ensino. Sua vida é elogiada, mas Sua morte vicária é ignorada, a importantíssima obra reconciliadora da cruz não é mencionada, enquanto Sua triunfante e corpórea ressurreição dos mortos é considerada como uma crendice de uma época de muita superstição. É um evangelho sem sangue, e apresenta um Cristo sem cruz, que é recebido não como Deus manifesto em carne, mas meramente como o Homem Ideal.

Em II Coríntios 4:3 temos uma passagem que derrama muita luz sobre o nosso presente tema. Lá nos é dito que: “se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século [Satanás] cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. Ele cega as mentes dos não crentes ao esconder a luz do Evangelho de Cristo, e faz isto substituindo-o pelo seu próprio evangelho. Apropriadamente ele é chamado de “o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9). Em meramente apelar para “o melhor que está no homem”, e ao simplesmente exortá-lo a “seguir uma vida de retidão” ele está criando uma plataforma genérica sobre a qual pessoas com qualquer matiz de opinião podem se unir e proclamar uma mensagem comum.

Novamente citando Provérbios 14:12 – “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte”. Tem sido dito com considerável grau de verdade que o caminho para o Inferno está pavimentado com boas intenções. Haverá muitos no Lago de Fogo que recomendaram suas vidas com boas intenções, decisões honestas e ideais elevados – aqueles que foram justos em seus procedimentos, corretos em suas transações e caridosos em todos os seus caminhos; homens que se orgulharam da sua integridade, mas que buscaram justificar a si mesmos diante de Deus por sua própria justiça; homens que foram morais, misericordiosos e generosos, mas que nunca viram a si mesmos como culpados, perdidos, pecadores merecedores do inferno, necessitados de um Salvador. Este é o caminho que “parece direito”. Este é o caminho que recomenda a si mesmo à mente carnal e se faz atraente às multidões de iludidos dos dias atuais. A Ilusão do Diabo é que nós podemos ser salvos por nossas próprias obras, e justificados por nossos próprios feitos; enquanto que, Deus nos diz em Sua Palavra: “pela graça sois salvos, por meio da fé… Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. E também: “Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou…”

Há alguns anos atrás, conheci um homem que era um pregador leigo e um entusiasmado “obreiro Cristão”. Por mais de sete anos este amigo esteve engajado na pregação pública e em atividades religiosas, mas com base em certas expressões e frases que usava, eu duvidava que este amigo fosse um homem renascido. Quando começamos a questioná-lo, descobrimos que ele foi muito mal instruído nas Escrituras e tinha somente uma vaga concepção da Obra de Cristo pelos pecadores. Por um tempo procuramos apresentar-lhe o caminho da salvação, de uma maneira simples e impessoal, e a encorajar nosso amigo a estudar a Palavra por Ele mesmo, na esperança de que se ele estivesse ainda sem a salvação, Deus se agradaria em revelar o Salvador de que necessitava.

Uma noite, para nossa alegria, aquele que tinha pregado o Evangelho por tantos anos, confessou que havia encontrado a Cristo na noite anterior. Ele admitiu (para usar suas próprias palavras) que estava apresentando um “Cristo ideal”, mas não o Cristo da Cruz. Acredito que haja milhares como este pregador, os quais, talvez, tenham crescido na Escola Dominical, foram instruídos sobre o nascimento, a vida, e os ensinos de Jesus Cristo, creem na historicidade de Sua pessoa, intermitentemente se esforçam para praticar Seus preceitos, e pensam que isto é tudo o que é necessário para a sua salvação. Frequentemente, estas pessoas quando atingem a maturidade vão para o mundo, e se deparam com o ataque dos ateístas e infiéis, e lhes é dito que uma pessoa tal qual Jesus de Nazaré nunca viveu. Mas, as impressões dos dias da mocidade não são facilmente apagadas, e eles permanecem firmes em sua declaração de que “creem em Jesus Cristo”. Apesar disso, quando sua fé é examinada, muito frequentemente descobre-se que ainda que creiam em muitas coisas sobre Jesus Cristo, eles de fato não creem Nele. Creem com seu intelecto que tal pessoa viveu (e, porque creem desta forma imaginam, então, que estão salvos), mas nunca baixaram as armas em sua luta contra Ele, rendendo-se a Ele, nem verdadeiramente creram com seu coração Nele.

A simples aceitação de uma doutrina ortodoxa sobre a pessoa de Cristo, sem o coração ter sido ganho por Ele, e a vida ter sido devotada a Ele, é outra etapa deste caminho “que ao homem parece direito”, mas que cujo fim “são os caminhos da morte”, ou, em outras palavras, é outro aspecto do evangelho de Satanás.
E agora, onde você está? Você está no caminho “que parece direito”, mas que termina em morte; ou, está no Caminho Estreito que conduz à vida? Você realmente abandonou o Caminho Espaçoso que conduz à perdição. Tem o amor de Cristo criado, em seu coração, aversão e horror a tudo o que Lhe desagrada. Você está desejoso de que Ele possa “reinar sobre” você. (Lucas 19:14) Você está confiando inteiramente na justiça e no sangue de Cristo para a sua aceitação junto a Deus.

Aqueles que estão confiando em uma forma exterior de religiosidade, tal qual o batismo ou a “crisma” (confirmação), aqueles que são religiosos porque isto é considerado como uma marca de respeitabilidade; aqueles que frequentam alguma Igreja ou Congregação porque está na moda fazer isto; e, aqueles que se unem a algumas Denominações porque supõem que este seja um passo que os capacitará a se tornarem Cristãos, estão no caminho que “termina em morte” – morte espiritual e eterna. Mesmo sendo puros os nossos motivos, mesmo sendo nobres as nossas intenções, mesmo sendo bem intencionados os nossos propósitos, mesmo sendo sinceros os nossos esforços, Deus não nos reconhecerá como Seus filhos, até que aceitemos o Seu Filho.

Uma forma ainda mais ilusória do Evangelho de Satanás está levando os pregadores a apresentar o sacrifício reconciliador de Cristo, e então dizer à sua audiência que tudo o que Deus requer deles é que “creiam” no Seu Filho. Por meio disto milhares de almas impenitentes são iludidas, e passam a pensar que foram salvas. Mas Cristo disse: “se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas 13:3). “Arrepender-se” é odiar o pecado, entristecer-se por causa dele, e desviar-se dele. É o resultado do Espírito tornando o coração contrito diante de Deus. Nada, exceto um coração quebrantado pode crer de modo salvífico no Senhor Jesus Cristo.

Mais uma vez, milhares estão sendo enganados, ao serem levados a supor que “aceitaram a Cristo” como seu “Salvador pessoal”, sem primeiro O terem recebido como seu SENHOR. O Filho de Deus não veio aqui para salvar Seu povo nos seus pecados, mas “dos seus pecados” (Mateus 1:21). Para ser salvo dos pecados, é preciso deixar de ignorar e de tentar despistar a autoridade de Deus, é abandonar o curso de vida de acordo com a própria vontade e a satisfação pessoal, é “deixar o nosso caminho” (Isaías 55:7). É nos render à autoridade de Deus, nos entregar ao Seu domínio, e ceder a nós mesmos para que sejamos controlados por Ele. Aquele que nunca tomou o jugo de Cristo sobre si, que não busca verdadeira e diligentemente agradá-Lo em todos os detalhes da vida, e ainda supõe que está “confiado na Obra Consumada de Cristo” está iludido pelo Diabo.

No sétimo capítulo de Mateus há duas passagens que nos mostram os resultados aproximados do Evangelho de Cristo e da falsificação de Satanás. Primeiro, nos versos 13-14: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem”. Depois, nos versos 22-23: “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos [pregamos] nós em teu nome e em teu nome não expulsamos demônios. e em teu nome não fizemos muitas maravilhas. E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. Sim, meu caro leitor, é possível trabalhar em nome de Cristo, ou mesmo pregar em seu nome, e também o mundo nos conhecer, e a Igreja nos conhecer, e ainda assim sermos desconhecidos ao Senhor! Quão necessário é então descobrir onde nós estamos; examinar a nós mesmos e ver se nós estamos na fé; medir a nós mesmos pela Palavra de Deus e ver se estamos sendo enganados por nosso astuto Inimigo, descobrir se estamos construindo nossa casa sobre a areia, ou se ela está erigida sobre a Rocha que é Jesus Cristo.

Que o Espírito Santo examine nossos corações, quebrante nossa vontade, destrua a nossa inimizade contra Deus, opere em nós um arrependimento profundo e verdadeiro, e fixe nosso olhar no Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.



Tradução: Walter Andrade Campelo
Fonte: Site Luz para o Caminho – www.luz.eti.br
Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho. (Salmo 119:105 ACF)
Autor: Arthur Walkington Pink
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br

Published inBíblia

http://palavraprudente.com.br/biblia/outro-evangelho/?


5 de fevereiro de 2019

A diferença entre Estado laico e laicismo



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Muitos defendem o Estado laico, mas se confundem com as ideias de laicização que existem por aí

Tenho visto inúmeras pessoas falando, nas redes sociais, sobre a importância do Brasil ser um Estado laico; o que de certa forma concordo. Contudo, julgo que seja fundamental que aqueles que defendem essa premissa saibam diferenciar Estado laico de laicismo.

Ora, Estado laico, secular ou não confessional é aquele que não adota uma religião oficial, de modo que não existe envolvimento entre os assuntos do Estado e a fé. Entretanto, o fato do Estado não ter uma religião oficial não o caracteriza como Estado antirreligioso.

O laicismo, ao contrário caracteriza-se pelo Estado que assume uma postura de intolerância religiosa, ou seja, a religião é vista de forma negativa e pejorativa. Nessa perspectiva, enquanto o Estado laico defende a livre expressão religiosa, o laicismo tenta a todo custo calar a boca dos religiosos não permitindo com que estes emitam opiniões.

Isto é o que a esquerda, intolerante, marxista e gramscista tem tentado imprimir no Brasil, e não o Estado laico, com o qual concordo. Antes, pelo contrário, a ideia dos partidos políticos de viés esquerdista é instalar um estado antirreligioso e acima de tudo anticristão. O que de um ponto de vista lúcido é absolutamente antidemocrático, e claro, inconstitucional.

Pense nisso! 


Renato Vargens é pastor sênior da Igreja Cristã da Aliança em Niterói, no Rio de Janeiro e conferencista. Pregou o evangelho em países da América do Sul, do Norte, Caribe, África e Europa. Tem 24 livros publicados em língua portuguesa e um em língua espanhola. É também colunista e articulista de revistas, jornais e diversos sites protestantes.


https://pleno.news/opiniao/renato-vargens/a-diferenca-entre-estado-laico-e-laicismo.html