Em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. (Colossenses 2:3)

Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por essas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.(Efésios5:6)
Digo isso a vocês para que não deixem que ninguém os engane com argumentos falsos. (Colossenses 2:4)

24 de janeiro de 2018

TRÊS MANEIRAS DE COMO A TRIBULAÇÃO PRODUZ SANTIFICAÇÃO

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"SOFRIMENTO PARA O CRENTE NUNCA É SEM PROPÓSITO"
Basicamente não há nada neste mundo que confunda os cristãos mais do que o SOFRIMENTO.

Ao longo dos anos é incontável o número de pessoas que têm lutado para responder a pergunta:

"Por que coisas ruins acontecem a pessoas de Deus?"

Causa tristeza saber que por tanto tempo, tantos não assimilaram as perspectivas bíblicas sobre o sofrimento.

"POR QUÊ?" É a pergunta que muito de nós fazemos ao Senhor quando algo trágico acontece em nossas vidas ou na vida de pessoas de nosso convívio. A Bíblia é recheada de muitas histórias de sofrimentos, mas raramente conseguimos discernir com nitidez o motivo das pessoas sofrerem.

Afinal, como identificar na Bíblia alguma explicação para o sofrimento?

Talvez as palavras de Paulo em Romanos [5:3-5] nos dê uma luz:
"E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança. Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado."
De acordo com o texto é possível entender que quando nos regozijamos no meio do sofrimento, nossa atenção se concentra no conhecimento que o Espírito Santo nos dá através deste sofrimento; e o resultado é triplo:

1- O SOFRIMENTO PRODUZ PERSEVERANÇA:

Na Bíblia o significado de perseverança é a firme adesão a uma direção divina apesar das dificuldades e provações. À medida que somos provados desenvolvemos uma maior resistência para lidar com os desafios.

Em Tiago 1:2 a 5 está escrito: “Meus irmãos tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Mas a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.”

2 - A PERSEVERANÇA PRODUZ A EXPERIÊNCIA [O CARÁTER]:

Por ser Deus que produz em nós a firmeza e a capacidade para lidar com maiores dificuldades, Ele também produz em nós um novo caráter, e esse novo caráter é a própria imagem de Cristo que se tornará clara por meio de nossas atitudes. Em essência o caráter significa a exposição de algo que está sendo testado. Quando estamos no auge das tribulações, Deus nos dá a graça para que elas sejam suportadas. Como o ourives usa o fogo no aquecimento do ouro bruto na panela de fundição fazendo as impurezas despregar, flutuar, e serem eliminadas para que fique somente o ouro puro, Deus da mesma forma faz uso do sofrimento e através dele as impurezas são removidas de nossas vidas.

Em 1ª Pedro 1:6-9 está escrito: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor de vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo, a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma!”

O ourives sabe que o ouro está pronto para sair do fogo quando vê o seu rosto refletido no metal derretido, lhe permitindo então moldar o objeto que deseja. Esta é a forma que Deus usa conosco, ou seja, após sermos provados pelo sofrimento, nosso caráter irá refletir a imagem de Cristo, e então estamos prontos para realizar a tarefa determinada por Ele.

3 - A EXPERIÊNCIA PRODUZ A ESPERANÇA:

A pessoa ao ser santificada pelo evangelho torna-se progressivamente mais estável, e, portanto é capaz de concentrar em si com mais eficácia as riquezas e o fortalecimento dado pelo Senhor. E é esta experiência que será capaz de produzir em nós a esperança, pois a esperança é a alegre expectativa prometida por Ele, como está escrito em Romanos 15.13: “E o Deus da esperança vos encha de todo o gozo e paz no vosso crer, para que sejais ricos de esperança no poder do Espírito Santo.”

É nos tempos difíceis, que nós, como discípulos devemos mostrar quem realmente somos em Cristo. Se o vaso de barro não for quebrado fica impossível que alguém veja o tesouro guardado em seu interior. Da mesma forma, só quando nosso quebrantamento estiver exposto é que a imagem de Jesus pode ser vista. É glorioso saber que o sofrimento de um cristão nesta vida não é a negação de Cristo, mas sim a afirmação. À medida que experimentarmos as dificuldade e superar as provações, o Deus vivo nos transformará em ouro puro para sua glória.


Por Ed Stetzer, revista CHRISTIANITY TODAY,
14 de junho de 2016.
http://www.christianitytoday.com/edstetzer/2016/june/
Traduzido por Fabio S. Faria.

http://cristaodebereia.blogspot.com.br/2016/07/sofrimento-para-o-crente-nunca-e.html



22 de janeiro de 2018

Três perguntas para fazer antes de ouvir qualquer sermão




É fácil se tornar um consumidor passivo de sermões. Como um jovem cristão, comecei a sentir essa tendência em mim mesmo ao ouvir sermões; então, em um domingo eu levei um caderno para a igreja e planejei uma pequena e simples prática para que meu discernimento fosse exercitado antes de ouvir sermões. Isso foi tão simples quanto fazer três breves perguntas, e me marcou. Com o tempo, comecei a usar essa mesma técnica ao ouvir podcasts de sermão, ao ler blogs e livros cristãos e, eventualmente, ao ouvir música cristã.

O processo aponta para um fato importante que todos sabemos: todos nós precisamos ser salvos por alguém ou algo. Mas, como um ouvinte ativo verá rapidamente, o mundo está cheio de evangelhos variáveis, e cada pregador, escritor e artista tem uma mensagem sobre a salvação. Nós devemos examinar a veracidade do evangelho que eles compartilham, e essas três perguntas têm simplificado o processo para mim.

Três perguntas

Então, antes de ouvir um sermão, ouvir um álbum cristão, ou abrir um livro cristão, eu faço estas três perguntas a mim mesmo:
  • Como eu sou salvo?
  • Do que eu sou salvo?
  • Para que eu sou salvo?
As perguntas são curtas, fáceis de lembrar e não poderiam ser maiores. No começo eu as escrevi no papel e preenchi as respostas à mão, e posteriormente se tornaram um exercício mental intuitivo.
Também evidenciou-se ao longo do tempo que essas mesmas perguntas são úteis em muitos outros contextos. São perguntas evangélicas, úteis na igreja. Mas elas também ajudam a testar qualquer visão de mundo em sua essência central. Elas funcionam em anúncios e mensagens de candidatos presidenciais (sim, mesmo Donald Trump — experimente isso).

Quatro respostas comuns

Por causa deste artigo, vou me concentrar nos sermões. Faça as três perguntas acima, e as respostas que você ouvirá geralmente cairão nestas quatro categorias:

1. Você ouvirá um evangelho terapêutico:
  • Somos salvos ao nos tornarmos auto-autenticados e afirmados.
  • Somos salvos da negatividade autodestrutiva.
  • Somos salvos para a autoconfiança.

2. Você ouvirá um evangelho da prosperidade:
  • Somos salvos pela fé que produz saúde e riqueza.
  • Somos salvos da pobreza e do sofrimento financeiro.
  • Somos salvos para desfrutar de abundância financeira.

3. Você ouvirá um evangelho do quebranto:
  • Somos salvos ao nos livrarmos da memória dos antigos pecados.
  • Somos salvos de nos sentirmos mal por nós mesmos.
  • Somos salvos para vivermos inteiros novamente.

4. Você ouvirá um evangelho da consideração:
  • Somos salvos ao nos lembramos de Deus mais conscientemente.
  • Somos salvos de ignorar que Deus existe.
  • Somos salvos para vivermos mais conscientes de Deus.
Mesmo que essas mensagens contenham sugestões do evangelho, ou fragmentos da verdade total, ou fabricação completa de um não-evangelho, todas elas, implícita ou explicitamente, encontrarão seu curso em livros, músicas e sermões cristãos como mensagens completas, e muitas vezes serão tidas como apresentações suficientes do evangelho. Elas não são. Na verdade, elas estão longe disso. E cada uma, ao seu modo, torna Cristo secundário ou opcional.

As respostas bíblicas

O verdadeiro trabalho do ministério é permitir que a Escritura responda a cada uma dessas três perguntas repetidamente até que a verdade do evangelho flua em nossa corrente sanguínea.

Se esboçarmos alguns dos contornos do evangelho bíblico, as respostas às nossas perguntas ficam bem evidentes:
  • Somos salvos pela graça mediante a fé na morte de Jesus Cristo na cruz, e justificados em sua ressurreição como um substituto por nós, os rebeldes que quebraram a lei.
  • Somos salvos de um Deus santo, da sua justa ira derramada eternamente sobre todo pecador que desonrou a sua glória.
  • Somos salvos para termos paz com Deus, para sermos santos, para sermos reunidos entre o povo de Deus que vive, ama e magnifica a Deus, valorizando e fruindo de Cristo acima de tudo neste mundo e no vindouro.
O evangelho é profundamente belo e digno de eterno estudo e celebração, mas ele também não é complicado. O desafio que sempre enfrentamos é o evangelho pervertido, um evangelho que imperceptivelmente desliza em uma linguagem que torna ofuscada e obscurecida a resposta a essas três questões vitais. Exige-se atenção para que não caiamos em um “evangelho de palpite” que usa vários jargões cristãos, todos visando metas de realização pessoal e satisfação de necessidades percebidas, mas que ao mesmo tempo falham em explicar os temas centrais da ira de Deus ou do propósito essencial do sangue substitutivo de Cristo. Em outras palavras, o desvio natural dos nossos pensamentos é sempre nos apartar “da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (2 Coríntios 11.3).

Estabeleça o padrão

Qualquer pregador, artista ou escritor precisa retornar frequentemente a esses três simples testes decisivos para o ministério, a fim de fazermos auto avaliação da nossa mensagem e da esperança que estamos oferecendo. Mas é igualmente importante que todo cristão volte a essas perguntas constantemente, até que nós as perguntemos de modo natural:
  • Como eu sou salvo?
  • Do que eu sou salvo?
  • Para que eu sou salvo?
Eu não estou sugerindo que cada música, sermão e livro responderá a cada pergunta em igual medida. Mas esteja atento. Enquanto ouve e lê, você terá o que o apóstolo Paulo chamou de “o padrão das sãs palavras” (2 Timóteo 1.13). Cada cosmovisão coerente tem um modelo, um padrão que você verá no panorama geral e nos pequenos detalhes. As sãs palavras do evangelho têm uma consistência e um padrão, e nós, cristãos, precisamos sintonizar os nossos ouvidos para ouvi-los e perceber quando estiverem ausentes.

Discernir para estimar

O que eu estou defendo é o discernimento. A habilidade do discernimento aprende a rejeitar o que é falso ou frágil, porém, mais importante ainda, a abraçar com entusiasmo o que é precioso (Atos 17.11; Romanos 12.9; 1Tessalonicenses 5.21). O discernimento evangélico nos ajuda a saber a diferença, a fim de manter a verdade pura, para que possamos abraçá-la e celebrá-la fervorosamente.
Isso significa, implicitamente, que nós valorizamos os homens e mulheres que dão respostas claras às questões principais, porque elas são provavelmente a melhor maneira de nos ajudar a entender todas as demais questões.
Se você fizer essas três perguntas por tempo suficiente, um padrão surgirá. Esse discernimento lhe servirá bem quando a vida o pressionar a reduzir suas assinaturas de podcast de sermões, seus blogs, sua biblioteca de músicas ou sua lista de leitura.
Estou convencido de que a igreja será mais saudável e feliz conforme ela se tornar cada vez mais hábil no discernimento, mais sintonizada com o evangelho e mais habilidosa em saber o que amar. O discernimento é um chamado para todos nós. Ao fazer essas três perguntas, estamos reafirmando a importância das respostas. Mas não estamos apenas ouvindo pelas respostas certas; nós desejamos as respostas certas para que possamos novamente ter as nossas afeições nutridas com a beleza de Jesus Cristo.
E é assim que acontece. Três grandes perguntas, as três maiores perguntas que podemos fazer nesta vida, nos lembram a preciosa verdade do evangelho de Jesus Cristo. Experimente-as. Na próxima vez que você ouvir um sermão, faça essas três simples perguntas, e ouça — com entusiasmo — as familiares e preciosas respostas que ajudam a sustentar a nossa alegria diária em Cristo.


Por: Tony Reinke. © Desiring God Foundation.Website: desiringGod.org. Traduzido com permissão. Fonte: Three Questions to Ask Before Listening to Any Sermon.
Original: 3 perguntas para fazer antes de ouvir qualquer sermão. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: André Aloísio Oliveira da Silva

Tony Reinke é autor de livros e escritor e apresentador do Ask Pastor John no Desiring God.



20 de janeiro de 2018

O Que o Apóstolo aos Gentios tem a nos Dizer Sobre Israel





Norbert Lieth


Justamente Paulo, o apóstolo aos gentios (Gl 2.7-8), que também se designa “mestre dos gentios” (1 Tm 2.7; 2 Tm 1.11), é quem, na Carta aos Romanos, explana a posição básica de Israel nos planos de Deus.

Martim Lutero chamava a Carta aos Romanos de “a peça mais importante do Novo Testamento”.

Nessa carta o apóstolo Paulo proclama o maravilhoso plano da salvação onde o Deus justo justifica pecadores. A carta revela como o homem torna-se justo não por meio das obras da Lei, mas através do sacrifício de Jesus e mostra como a obra de Jesus Cristo traz mais glória a Deus e concede aos homens uma bênção maior do que aquilo que perderam pelo pecado de Adão. Também mostra como a graça possibilita uma vida santificada, jamais possível debaixo da Lei.

A Carta aos Romanos é o fundamento neotestamentário da nossa fé, e é justamente nesse texto que Paulo fala exaustivamente sobre Israel. Nos capítulos 9-11, em um trecho especial, ele explica a ação divina, os desígnios de Deus para Israel e com as nações. E no meio de suas palavras acerca da não-rejeição de Israel, o apóstolo sublinha em Romanos 11.13: “Dirijo-me a vós outros, que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério”.

Em um quinto da Carta aos Romanos, o apóstolo testifica às nações (gentios) que Israel foi eleito de forma permanente.
Nenhum apóstolo aos judeus (como Pedro) proclamou dessa forma a posição de Israel nos planos de Deus como fez Paulo, o apóstolo aos gentios. É como se ele quisesse gravar essa realidade muito profundamente nas mentes dos gentios, de quem é apóstolo e mestre. Em lugar algum Paulo afirma que as promessas do Antigo Testamento feitas a Israel foram transferidas à Igreja.

Por isso deveríamos nos envergonhar de termos perdido de vista, no decorrer dos séculos, a doutrina paulina acerca de Israel. Nós, cristãos evangélicos, enaltecemos as profundas verdades da Carta de Paulo aos Romanos, mas parece que estamos esquecendo o que ele diz sobre Israel nos capítulos 9-11.

Paulo apresenta diversos argumentos, especialmente em Romanos 11, provando que Deus não desistiu de Seu povo. O que chama a atenção em sua argumentação é o empenho do apóstolo insistindo e sublinhando que Israel não foi rejeitado para sempre.

Primeiro argumento

Terá Deus, porventura, rejeitado o seu povo? De modo nenhum! Porque eu também sou israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim. Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu...” (Rm 11.1-2).

A pequena expressão “de modo nenhum!” exprime, em grego, que é espantoso sequer admitir essa possibilidade.

Paulo repete essa exclamação por dez vezes na Carta aos Romanos, inclusive em relação a temas bem diferentes. Se quisermos questionar o “de modo nenhum!” em relação a Israel, teríamos de questionar igualmente seu uso em relação a outros assuntos, como em Romanos 6.15: “E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!”.

E Paulo usa a si mesmo como argumento. Ele é judeu, da tribo de Benjamim. Se todo o Israel tivesse sido rejeitado para sempre, ele próprio não poderia ter chegado à fé no Messias.

Paulo ressalva, sim, que alguns israelitas foram endurecidos (Rm 11.7) e que alguns galhos foram arrancados da oliveira boa chamada Israel (Jr 11.16) por causa de sua incredulidade (Rm 11.20), mas que isso tem uma finalidade específica dentro do Plano de Salvação de Deus para com as nações. E mesmo neste tempo da Igreja, “também agora, no tempo de hoje”, Deus preservou um remanescente (Rm 11.5). Em outra ocasião, Paulo chama esse remanescente crente de “Israel de Deus” (Gl 6.16).

Segundo argumento

Já em Romanos 11.1 Paulo diz que Israel não tropeçou para que caísse nem para ficar caído e ser excluído completamente, sem restauração. “De modo nenhum!” também neste caso. O sentido mais profundo do tropeço de Israel é que, assim, os gentios foram salvos.

Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes” (Rm 11.11).

Terceiro argumento

O apóstolo segue com a explicação de que Deus não rejeitou Israel.
Paulo menciona já em Romanos 3.3 o relevante fato de que a incredulidade de Israel não anula a fidelidade de Deus. Deus não retribui o mal com o mal.

E daí? Se alguns não creram, a incredulidade deles virá desfazer a fidelidade de Deus? De maneira nenhuma!...” (Rm 3.3-4). E em Romanos 11 ele enfatiza: “Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!” (Rm 11.12).

No versículo 15 o apóstolo repete mais uma vez: “Porque, se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe reconciliação ao mundo, que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos?” (Rm 11.15).

– Tão certamente como veio a queda temporária de Israel, tão garantida está sua restauração e sua plenitude futura.

– Tão concretamente como houve uma rejeição temporária, tão assegurada está sua renovada aceitação.

Paulo, como nenhum outro, viu entre as nações o fruto advindo da queda de Israel na pessoa dos gentios salvos. Profeticamente ele já antevia toda a bênção que viria sobre as nações, no futuro Milênio de Deus sobre a terra, através da restauração espiritual de Israel.

Quarto argumento

Paulo não cessa de argumentar e continua explicando: “E, se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão” (Rm 11.16).

“As primícias” devem ser entendidas como o Israel dos primeiros dias, o tempo dos patriarcas, bem como o Israel que surgiu no Egito, que Deus elegeu para Si e separou dizendo: “...vós me sereis... nação santa” (Êx 19.6).

Isso significa que se Israel foi santo no passado também será santo no futuro (separado para Deus).

A mesma coisa é expressa com a analogia dos ramos e da raiz, mostrando que houve um começo abençoado com Israel e que haverá um final abençoado, em santidade.

Zacarias fala da santidade futura de Israel, no reino messiânico divino sobre a terra: “Naquele dia, será gravado nas campainhas dos cavalos: Santo ao Senhor...” (Zc 14.20).

Quinto argumento

Paulo traz o exemplo da oliveira. Ramos judeus foram, sim, arrancados da oliveira boa chamada Israel por causa de sua incredulidade, mas os gentios que se tornaram crentes seriam enxertados como ramos bravos na oliveira boa. Isso não significa que as nações se tornaram Israel, mas que agora compartilham da mesma raiz com Israel (veja Ef 2.19; Ef 3.6). Paulo anuncia ainda que, mais tarde, Deus voltará a enxertar, como ramos naturais, os israelitas que se tornarem crentes (Rm 11.17-24).

A oliveira tem relação com os pais de Israel (os patriarcas), de quem se formou a futura nação de Israel.

Quando nós, como nações, somos enxertados na oliveira, ou seja, na fé de Abraão, somos aparentados com Israel (v.19). Em Romanos 4.16 Paulo diz que Abraão é “pai de todos nós”.

A igreja em Roma era formada por crentes judeus e gentios, mas os cristãos gentios se elevavam acima dos judeus. Por isso, Paulo os admoestou:

– “...sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz, a ti” (Rm 11.18). A salvação vem dos judeus (Jo 4.22). Abraão, Isaque e Jacó são a fonte da bênção para os gentios.

– “Não te ensoberbeças, mas teme” (Rm 11.20).

– Se não, poderia acontecer que Deus não poupará também a ti (Rm 11.21-22).

Mas no decorrer dos séculos esses alertas foram levados pelo vento, e ao invés de atentar às exortações de Paulo, a Teologia da Substituição foi ganhando terreno e Israel foi sendo rejeitado pelos cristãos.

Por essa razão, no fim dos tempos o cristianismo nominal será rejeitado pelo Senhor e o cristianismo institucionalizado sucumbirá diante do império anticristão. A Igreja verdadeira será arrebatada e todo o Israel será salvo e, assim, enxertado outra vez. Desse modo, a declaração de Paulo também é um alerta profético (Rm 11.21).

Sexto argumento

Posteriormente Paulo menciona que Israel continua sendo “amado” por causa dos patriarcas e que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.28-29). Com essas palavras Paulo está se referindo à aliança abraâmica, uma aliança unilateral e indissolúvel.

Sétimo argumento

Finalmente, Paulo descortina um mistério (Rm 11.25-27), ou seja, que veio endurecimento em parte a Israel até que haja entrado a plenitude dos gentios no Corpo espiritual de Cristo. Depois disso todo o Israel será salvo; não apenas parte dele, como hoje (v.5). Portanto, a rejeição de Israel vai durar um período de tempo limitado e jamais foi definitiva.

Depois que o Corpo da Igreja, formada por judeus e gentios, unir-se ao Cabeça (Cristo) por ocasião do Arrebatamento, o Senhor voltará em glória para Sião, para salvar todo o Israel (Ap 14.1; Is 59.20; Ez 36.33; Sl 14.7).

No final, Deus voltará Sua misericórdia para os judeus da mesma forma que a demonstrou pelos cristãos gentios.

– Nós não críamos e experimentamos misericórdia.

– Eles não creem agora mas experimentarão a misericórdia futura. Deus usará de misericórdia para com todos (Rm 11.30-32).

Paulo só consegue louvar e adorar diante dessa revelação e diante da sabedoria divina em lidar com Israel e com as nações.

Deus usa até a falha de Israel para transformá-la em bênção, o que conduz o apóstolo à adoração que encerra esse trecho de suas explanações: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro: Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.33-36).


(Norbert Lieth)

Extraído de Revista Notícias de Israel março de 2014

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional.



17 de janeiro de 2018

Josué - Herói da Fé

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Ernesto Kraft



“Pela fé caíram os muros de Jericó, depois de serem rodeados durante sete dias.” (Hebreus 11.30)

A fé é um poder que nos faz experimentar Deus na sua força e nas suas ilimitadas possibilidades. Lemos que pela fé as fortes e altas muralhas de Jericó caíram. Humanamente, isso não é compreensível, pois para derrubar muros tão fortes seria necessário mais do que rodear a cidade durante sete dias.

O povo de Israel finalmente chegara à terra prometida e agora precisava conquistá-la. A primeira coisa que precisamos para vencer na fé é ter uma promessa. Em Josué 6.1-2 lemos: “Jericó estava completamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saía nem entrava”. Em seguida o texto fala da promessa de Deus: “Então o Senhor disse a Josué: ‘Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra’”.

Precisamos ter cuidado com a maneira como cremos. Não podemos crer simplesmente porque está escrito “tudo é possível àquele que crê” (Marcos 9.23). Deus pode todas as coisas, mas ele se mantém em sintonia com a sua Palavra. Por exemplo: não podemos orar para que Deus salve o mundo inteiro automaticamente, porque isso significaria que não precisaríamos mais evangelizar. Ou: orar para que Deus castigue o vizinho mau e, como resultado dessa oração, o vizinho escorrega e cai. Deus é Onipotente, mas também é contra essas práticas. Quando os discípulos pediram fogo do céu para destruir os samaritanos, Jesus responde que eles não deveriam praticar esse tipo de fé (Lucas 9.54-55).

Quando vivemos em obediência à Palavra de Deus e à sua vontade, experimentamos os milagres do Senhor em nossa vida. Josué não explicou a Deus como fazer para derrubar as muralhas, ele simplesmente creu e fez o que o Senhor ordenara. Não é tarefa para qualquer um ter diante de si as altas muralhas de Jericó, não possuir armamento nenhum e apenas rodear a cidade em silêncio durante uma semana.

A instrução para que o povo rodeasse a cidade em silêncio tinha seu objetivo. Lemos em Josué 6.10: “Mas Josué tinha ordenado ao povo: ‘Não deem o brado de guerra, não levantem a voz, não digam palavra alguma, até o dia em que eu ordenar. Então vocês gritarão!’”. Um único comentário de alguém do povo seria suficiente para levar todos ao desânimo e à incredulidade. Uma simples palavra do tipo “isso tudo não faz sentindo algum! Até agora não aconteceu nada, as muralhas ainda não se moveram nem um milímetro!” poderia ter desmotivado todos.

O nosso desafio diário é viver o que está escrito em Provérbios 3.5: “Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas”.

Em 2Coríntios 10.4-5 lemos: “As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento, para torná-lo obediente a Cristo”. Essa foi a arma utilizada pelo povo de Israel contra a cidade fechada de Jericó.

É importante utilizar armas que Deus diz que são poderosas. A arma dos israelitas foi o silêncio: rodearam a cidade, calados. Entre nós, essa é uma arma pouco utilizada, pois a nossa tendência é escolher o caminho dos gritos e da violência.

A Bíblia também cita o silêncio no trato das mulheres com os seus maridos. Lemos em 1Pedro 3.1: “Do mesmo modo, mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, a fim de que, se ele não obedece à palavra, seja ganho sem palavras, pelo procedimento de sua mulher”. O silêncio é uma arma poderosa, capaz de destruir fortalezas! Talvez o coração de seu marido pareça ser uma muralha impenetrável. Rodeie-o em silêncio durante alguns dias. Escolha o caminho que trará êxito. Observe que, após o povo rodear a cidade no primeiro dia, nada aconteceu. Quando os cidadãos de Jericó descobriram a estratégia dos israelitas, começaram a zombar cada vez mais. Mas se você tem uma promessa, não desista; a estratégia humanamente desprezada é poderosa para destruir fortalezas. Portanto continue, rodeie Jericó! Os muros cairão, não desista! Na sétima vez em que os israelitas rodearam a cidade, eles receberam o cumprimento da promessa.

Também na história de Naamã podemos observar a importância da perseverança. Ele experimentou a cura de sua enfermidade somente depois do sétimo mergulho no rio Jordão. Se você ainda está na terceira ou quarta volta, não desista. Na sétima vez você verá a solução!

Esse princípio também pode ser aplicado na oração. Elias nos ensina a perseverar: “‘Vá e olhe na direção do mar’, disse ao seu servo. E ele foi e olhou. ‘Não há nada lá’, disse ele. Sete vezes Elias mandou: ‘Volte para ver’. Na sétima vez o servo disse: ‘Uma nuvem tão pequena quanto a mão de um homem está se levantando do mar’” (1Reis 18.43-44).

Quando utilizamos as estratégias corretas para alcançar as promessas, faremos grandes proezas com Deus! Mesmo fracos e miseráveis, veremos altas muralhas caindo e o impossível se tornar possível. “Vocês precisam perseverar, de modo que, quando tiverem feito a vontade de Deus, recebam o que ele prometeu” (Hebreus 10.36).

Jericó significa “perfume”, “bálsamo” ou “local perfumado”. Alcançar uma vitória é como um bálsamo que nos motiva e fortalece. A vitória sobre Jericó foi um evento assim para o povo de Deus. Vale a pena perseverar até alcançar a vitória, pois ela será um “bálsamo” ou “local perfumado”. Testemunhar a conversão de um marido, dos filhos ou parentes, por exemplo, é uma vitória tão grande que nos motiva a continuar confiando em Deus.

Não se deixe enganar pelo que vê, pelas sugestões do seu raciocínio ou pelo que os homens dizem. Continue firme e espere pela ação de Deus. Não deixe que a sua condição, mesmo que seja de fraqueza, doença ou impotência, se torne um argumento para deixar de crer. Vemos no exemplo de Josué 6 que a ação de Deus não depende da força humana. Não foram os gritos dos homens nem sua força física que levaram as muralhas a cair, mas somente a fé em Deus, de forma que Deus foi o realizador. Faça a sua parte, e Deus fará a dele, como lemos no Salmo 37.5: “Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá”.

Deus sempre age dessa forma! E quando adotamos, em obediência, os princípios da Bíblia, não restará nenhuma vanglória para nós mesmos. Nós não podemos derrubar as muralhas de um coração endurecido, somente Deus pode fazê-lo. Mas podemos ser instrumentos e, pela obediência, servos usados por Deus. Você ainda trabalha com o Senhor ou você é escravo da lógica e da incredulidade? Você grita quando deveria manter silêncio, tornando-se assim incapaz de vencer as fortalezas do inimigo? Para aqueles que trabalham com Deus e o consideram a sua força, vale: “Prosseguem o caminho de força em força, até que cada um se apresente a Deus em Sião” (Salmo 84.7).

Deus é visto e glorificado por meio da nossa fé? Se ele é visto e glorificado em nossa vida, então estamos em comunhão com ele. Servimos os outros com os dons e talentos que ele nos deu? Honre a Deus com sua fé e obediência. “Com Deus conquistaremos a vitória, e ele pisará os nossos adversários” (Salmo 108.13).


Por Ernesto Kraft

Extraído de Heróis da Fé

http://www.chamada.com.br/mensagens/josue.html



15 de janeiro de 2018

Barnabé: uma pessoa chave


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Norbert Lieth



Por meio da graça de nosso Senhor Jesus Cristo, Saulo se converteu, recebeu o perdão e a vida eterna e se tornou Paulo. Depois de ter sido convocado pelo Senhor para ser apóstolo, tentou se aproximar da igreja de Jesus em Jerusalém. Mas ele não conseguiu porque ninguém acreditava nele, afinal, fora anteriormente um perseguidor extremamente cruel dos cristãos. Foi justamente nessa ocasião que Deus utilizou Barnabé como pessoa chave para integrar Paulo naquela igreja. Em Atos 9.26-28 consta: “Quando [Paulo] chegou a Jerusalém, tentou reunir-se aos discípulos, mas todos estavam com medo dele, não acreditando que fosse realmente um discípulo. Então Barnabé o levou aos apóstolos e lhes contou como, no caminho, Saulo vira o Senhor, que lhe falara, e como em Damasco ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus. Assim, Saulo ficou com eles e andava com liberdade em Jerusalém, pregando corajosamente em nome do Senhor”.

Barnabé era diferente dos demais. Ele era caracterizado por certa generosidade. Por isso ele procurava encontrar um caminho onde os outros o bloqueavam. Barnabé recebia aqueles que eram rejeitados pelos outros. Ele intercedia pelos outros e dava bom testemunho a seu respeito, enquanto os demais se limitavam a relatar coisas ruins. Certamente ele também tinha o dom do discernimento, de modo que reconheceu o que era verdadeiro, o que era transformado e creu que o Senhor de fato havia se encontrado com ele. Os outros falavam entre si sobre Paulo, mas não com Paulo – comentaram sobre ele, não acreditaram nele e fecharam a porta e os corações para ele. Barnabé fez justamente o contrário: primeiramente conversou com Paulo e somente depois conversou com os outros da igreja, introduzindo-o.

Qual é a nossa situação? Não é mais fácil para nós, por natureza, fazer comentários maldosos sobre outros? Quem de nós se dispõe a se dirigir a uma pessoa, conversar com ela e ajudá-la? Em nossas igrejas e círculos familiares locais precisamos de homens e mulheres, jovens e idosos que se aproximem de outras pessoas, que coloquem a mão amistosamente sobre o ombro delas, que se preocupem com elas, que as incluam nos círculos de comunhão, que tenham palavras de consolo para elas e que as apoiem. Efésios 4.2 nos exorta: “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor”. A sentença “Sejam pacientes...” deveria abalar o nosso coração. Ó, desejaria que tivéssemos em nós o mesmo sentimento que teve o nosso Senhor Jesus Cristo, que seguia as pessoas como o fiel Pastor e não desistia da ovelha perdida!

Somos úteis para a causa de Deus ou a atrapalhamos? Se dependesse dos apóstolos, certamente Paulo teria permanecido rejeitado. Barnabé, no entanto, era útil para a causa do Senhor ao se tornar a porta de entrada para Paulo na igreja. Posteriormente, quando o próprio Paulo se posicionou contrariamente diante de uma nova missão para Marcos, ao passo que Barnabé a apoiava, os dois se separaram (At 13.13; 15.37-39). Barnabé tomou consigo o seu sobrinho Marcos e, provavelmente com aconselhamento e mediante seu exemplo, o trouxe novamente ao caminho, de modo que Paulo posteriormente escreveu: “Traga Marcos com você, porque ele me é útil para o ministério” (2Tm 4.11). Você é um Barnabé?


— Norbert Lieth

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional.